Nossa Primavera - Short Fic
7 Novas Sementes
Notas iniciais
Depois de quase três anos morando juntos e quase dez de historia, eu queria formalizar a nossa união. Antes da gravidez nós planejávamos o casamento. Ainda não tínhamos escolhido data, mais tínhamos a certeza que queríamos subir ao altar com a nossa família em volta, e diante de Deus juntar nossas vidas.
Com a chegada da nossa filha, os planos foram adiados. Mais eu tinha tomado a decisão. Com a ajuda de Camila, tinha comprado um anel de noivado, e esperava preparar uma surpresa para pedi-la em casamento.
Eu sentia um frio na barriga, enquanto trocava Carmem e me arrumava. Com as flores na mão, e nossa filha nos braços adentrei o hospital, onde hoje ela fazia plantão. Apesar do consultório, Isabela fazia questão de trabalhar dois dias por semana, na ala de emergência de um hospital publico infantil. Levei certo tempo procurando, até que localizei um jaleco desenhado com pequenas borboletas.
—Isabela?
Ela virou assustada para mim.
—Tiago? O que você está fazendo aqui?-
—Mamãe! – Carmem se agitou nos meus braços, pedindo para descer. Coloquei a pequena no chão. E no meio da emergência me ajoelhei. Isabela me olhou com cara de assustada.
—Isabela, estamos juntos há tanto tempo. Passamos por altos e baixos ao longo desses anos. Nos unimos novamente,por que estava escrito que pertencíamos um ao outro. Você me deu a minha razão de viver. Me devolveu a paz, a alegria. Com você hoje eu me sinto completo. Acordar com você todos os dias, te olhando me fez entender que é isso que eu quero para o resto da minha vida. Eu te amo muito. Você aceita se casar comigo? – Ela olhou para o aglomerado de pessoas que se juntaram no corredor daquele pequeno hospital, com o rosto surpreso. Lagrimas se formando em seus olhos.
—Sim! Sim! Mil vezes sim! Eu aceito me casar com você! –Levantei, beijando seus lábios e retirando ela do chão.
—Eu te amo! Te amo! – Foi um estardalhaço de gente gritando e nos felicitando.
—Mamãe! – A voz da nossa filha se fez ouvir no meio da salva de palmas. Isabela riu, enquanto se abaixava e a pegava nos braços. Coloquei a aliança em seu dedo, e beijei.
—É você! Sempre foi você, sempre vai ser você! – Nos abraçamos, esmagando nossa pequena entre nós. Eu estava oficialmente noivo.
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— Aonde você pensa em casar? – Perguntei em um sábado a noite, enquanto víamos um filme antigo na TV. Carmem dormia em seu quarto. Tínhamos jantado juntos, nos divertindo com a bagunça que ela fazia ao tentar comer sozinha. Enquanto ela fazia nossa filha dormir, peguei um vinho na adega e escolhia o que íamos assistir.
—Na praia.
—Serio?
—Sim. O mar tem uma profunda ligação com a nossa historia. Por duas vezes nosso elo se rompeu no mar. Eu sempre tive uma ligação com água. E acho que a gente deveria se casar na praia. Pé na área. Até por que você já foi casado na igreja. Então queria muito que tivéssemos alem do casamento legal, uma benção para a nossa união.
Eu sorri, seria perfeito.
—Você nunca me contou como aprendeu a nadar.
—Eu aprendi a nadar em uma piscina comunitária da minha cidade. Foi meu pai quem me ensinou. Ele sempre gostou muito de água, e minha maior tristeza foi que ele morreu sem poder ver o mar. – Ela parou a voz embargada pelo choro contido. – Eu tenho muitas saudades dele. De remanso. Da tranquilidade de lá.
— Por que a gente não se casa em Ilhabela? – Ela virou o corpo para mim.
—Eu me casaria com você Tiago em qualquer lugar. Tenho esperado por isso por muito tempo. –Sorri, beijando-a.
—Te amo Isabela Dias, futura Senhora Leitão.
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— O que você acha desse modelo de convite? – Isabela entrou no escritório, com um envelope em mãos.
— Bonito, mais disse que você pode fazer como quiser amor. – Ela me olhou torto.
—É o nosso casamento. Quero que ele tenha sua cara também. Eu sei que você não tem paciência para decoração e flores, mais é importante sua opinião Tiago. – Olhei para ela.
—OK. Eu vou te ajudar com os preparativos. –Ela sorriu e seus olhos se iluminaram, me sugando para a imensidão. Levantei da cadeira, puxando ela para os meus braços. Beijei seus lábios e acariciei seus cabelos. A levantei colocando ela sobre a mesa, e ficando entre suas pernas. Beijei seu pescoço.
—Papai! Meu tete! –Ouvi a voz suave de Carmem. Isabela riu, e eu sorri frustrado.
—Vai amor, quando ela dormir a gente termina.
—To indo filha. – Dei risada enquanto ia até o quarto da minha pequena. – Vamos lá mocinha fazer uma mamadeira para você! – A peguei no colo, indo em direção à cozinha.
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Depois de meses provando doces, escolhendo arranjo de flores e toalhas de mesa, finalmente tinha chegado o grande dia. Eu estava eufórico! Corria junto com a minhas irmãs, verificando se tudo estava em seu devido lugar. Finalmente eu tinha minha pequena família unida. Era um dos dias mais felizes da minha vida.
—Tiago, a moça do bolo chegou e perguntou onde você quer que coloque? –Analu adentrou o quarto já lindamente vestida. Olhei perdido para ela.
—Acho que em cima da mesa dos doces. Cadê a Isa? Ela já chegou?
—Não Tiago – Minha irmã riu – Calma mano, ela vai chegar aqui na hora certa.
—Estou nervoso.
—Eu sei – Analu se aproximou arrumando os meus cabelos. –Eu tenho muito orgulho de você! De quem você se tornou. Do pai, do marido. Você mostrou que mesmo crescendo em um lar deturpado, a gente pode ser sim bom. Fico muito feliz de você ter dado uma chance para a Isa. Eu sempre soube que no fundo seu destino era ligado ao dela. Nossa mãe ficaria muito feliz de poder viver esse momento com você, tenho certeza. – Uma lagrima desceu por seu rosto. — Tenho que parar de chorar, desse jeito vou ficar toda borrada. Camila corre aqui, vem ver como o Tiago está lindo.
Minha deslumbrante irmã entrou no quarto puxando pelas mãos minha sobrinha.
—Uau mano! Você tá um gato. Analu, Ayla não quer parar com esse arranjo de cabelo! O que eu faço? –Analu sorriu de forma conspiratória para Ayla, que deu uma risadinha.
—Vamos lá arrumar essa mocinha.
As três se retiraram do quarto.
Fui até a varanda, respirando o ar salgado do mar. O dia estava perfeito. Uma linda tarde de verão, céu límpido de nuvens. Conseguia ver de lá, os arranjos de flores serem montados, perto da linha d’água.
—Tiago , chegou isso aqui para você. –Analu me entrou um envelope, que tinha meu nome escrito na caligrafia de Isabela. Abri o envelope intrigado.
“Tiago, meu amor.
Ainda me lembro do baque que eu senti ao te ver pela primeira vez. Em como eu tive a certeza que você ia bagunçar o meu mundo. Em como eu tive medo e tentei fugir de todas as formas daquele sentimento que me corroía. Mais não tinha como lutar. Eu era sua. Desde o primeiro olhar, eu sabia que seria sua.
O nosso primeiro beijo? Lembra? O gosto de coca cola misturado ao sabor da sua boca, os lábios gelados, que me incendiaram. Sua respiração entrecortada. Nossa primeira tarde de amor. Um surto de loucura nos entregamos a paixão. E ali olhando nos seus olhos, eu tive a certeza que ia ser você. Para sempre você.
Nos passamos por muitas coisas juntos. Eu mudei por você. Mudei minha cabeça. Odiei-te, mais no final, todo a magoa, era simplesmente amor. Sei que já pedi desculpas algumas vezes, mais acho que nunca vou me redimir completamente das minhas atitudes com você.
Aquele encontro na Paulista, aquele beijo roubado. Uma nova oportunidade de ser feliz. Sei que se não tivéssemos nos encontrado aquele dia, hoje eu não seria completa. Você me faz feliz. Um simples sorriso seu ao acordar, deixa meu dia radiante. E quando olho aquele pequeno pedaço de gente, me chamando de mamãe, meu coração quase salta do peito.
Obrigada. Por tudo. Por ser você. Por ser o amor da minha vida. Quero passar cada segundo com você e a nossa filha. Obrigada por apoiar meus sonhos, por calar meus medos, por estar sempre ali, pronto para me dar a mão em qualquer situação.
Hoje é um dia muito feliz. Eu anseio por ligar completamente as nossas vidas.
Eu te espero no altar.
Com todo o meu amor,
Isabela.”
Eu a aguardava no altar, vendo o sorriso sincero dos nossos amigos e familiares. Eu batia o pé no chão impaciente.
—Calma Tiago, ela tá chegando.
—Não consigo!
Ouvi os acordes de Miracle tocando, e me emocionei. Essa musica tinha marcado a nossa historia de amor.
Isabela caminhava como um anjo em minha direção. Seu vestido simples marcava as curvas do seu corpo. Os cabelos adornados com flores brancas.
Seus olhos transmitindo todo o amor que ela estava sentindo naquele momento. Eu olhava e maravilhado a mulher da minha vida, percorrendo o corredor até o altar sorrindo as pessoas que a admiravam. Minha imensidão.
Segurei suas mãos, olhando em seus olhos que refletiam a luz do sol. Sorri.
—Estamos aqui reunidos, para celebrar a união de Tiago Costa Leitão e Isabela Dias. – Começou o celebrante.
Quando chegou o momento das alianças, eu vi Carmem tão meiga em seu pequeno vestido caminhar meio insegura com uma pequena cesta nas mãos. Fui até ela, pegando-a no colo e levando até Isabela. Nós beijamos nossa filha e entrelaçamos nossas mãos
—O amor é paciente, o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se ira facilmente, não guarda rancor. O amor não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade. Tudo sofre tudo crê, tudo espera, tudo suporta. Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém separa. — Eu sorri para Isabela que olhou dentro dos meus olhos emocionada.
—Pode beijar a noiva. – E foi sobre a chuva de palmas e gritos de alegria que eu beijei minha mulher.
—Eu te amo! Sempre foi você! Para sempre vai ser você!
Finalmente nós estávamos casados.
No final da festa, puxei minha esposa pelas mãos e fomos em direção à praia.
—Eu só queria hoje te falar, o quanto eu te amo. O quanto eu estou feliz em estar casado com você. Uma vez um sábio me disse “o amor cobre todos os pecados”. Hoje diante da nossa trajetória, só posso dizer, o amor venceu. Ele persistiu, lutou, e sobreviveu. Quero que você seja muito feliz ao meu lado. – Isabela me puxou pelas mãos, entrando no mar e gritando quando a água gelada encharcou seu vestido de noiva.
—Eu já sou a mulher mais feliz do MUNDO!
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Acordei ouvindo o barulho das ondas do mar, e quando me virei ela sorria para mim.
— Bom Dia, meu amor!
—Bom Dia.-Ela sorriu, afagando os meus cabelos- Eu estou sentindo muita falta da Carmem aqui. Eu acordei de madrugada duas vezes para checar ela, e depois lembrei que ela não estava aqui.
—Eu sei, também não dormi bem. Você acha que seria muito ruim, trazer nossa filha de quase dois anos para a nossa lua de mel? – Seus olhos brilharam.
E assim no final daquele dia, tinha uma pequena pessoa, muito feliz com seu biquíni colorido e seu baldinho, correndo pela praia.
—Agora sim, estamos completos. – Sorri vendo nossa filha catar conchinhas e gritando de felicidade quando a água batia em seus pequenos pés.
—Sim, estamos.
“O verdadeiro amor nunca se desgasta. Quanto mais se dá mais se tem.”
Antoine de Saint-Exupéry
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