Nossa Música
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Notas iniciais
“REGINA”
Destroçada, era a palavra que me definia. Por duas semanas eu chorei, chorei ao ponto de pensar que meu rosto nunca mais secaria, chorei por não saber o que se passava com Emma, nas diversas coisas que ela poderia está pensando, o que ela estava passando, chorei sem saber a justificativa que Cora deu às pessoas que perguntavam sobre mim.
Eu estava presa. Revirei aquele lugar da entrada principal ao porão. Não tinha como fugir, não tinha como manter contato com ninguém além dos alunos e funcionários da escola. Ninguém levara telefone, notebook, ou qualquer tipo de instrumento de tecnologia, as regras eram bem claras, nenhum aluno ousava quebrá-las, o lugar era conhecido por sua total rigidez sobre os alunos.
A única coisa boa que me aconteceu naquela escola foi conhecer Addie, Addison Montgomery, minha colega de quarto. Foi ela quem secou minhas lágrimas em um momento em que ninguém mais podia, contei-lhe tudo o que houve antes de eu chegar ali. Addison era uma ruiva linda, que ao passar dos anos ficara mais ainda. Tinha as sobrancelhas naturalmente arqueadas, olhos azuis, lábios finos que de vez em quando me lembrava os de Emma, suas pernas longas não negavam que ali era seu lugar, aquela era sua cidade. Ela mesma havia pedido aos pais para lhe colocarem no Instituto, pois sabia que teria que ralar muito para conseguir entrar na Universidade de Washington, principalmente sabendo que seu curso era um dos mais concorridos.
Música, sim, esse ainda era meu sonho, o sonho que eu sempre quis realizar, o sonho que eu sabia que me traria felicidade, porém, contudo o que houve eu me peguei pensando na possibilidade de desistir, não por falta de esperança, mas por estabilidade. Era isso que eu queria, me estabilizar. Sabia que para dar certo o que há tempos eu planejava sobre meu futuro, era necessário de alguns anos no mercado musical e isso significava que eu teria que viver à custa de Cora ate obter sucesso, e essa possibilidade era a última a ser cogitada. Eu queria ser livre, não via a hora de sair daquele lugar e ir de encontro à pessoa que mais me importava.
O único caminho que encontrei para a porta da liberdade foi entrar em uma faculdade. Addie e eu entramos em um acordo e nos preparamos bem para o vestibular no fim do ano. Não sabia bem o curso que escolheria, mas prometi a mim mesma que escolheria o melhor curso que minhas notas proporcionassem.
Os meses prosseguiram. Ocupava minha cabeça com livros, desta vez nada de histórias de ficção, romance, comédia ou seja lá quantos gêneros existam, mas sim com matérias complexas.
Cora viera me visitar duas vezes nesses seis meses. Bom, não foi bem uma visita, ela apenas veio ver meu rendimento e comportamento, em nenhum momento nos encontramos, fiquei sabendo sobre sua vinda através da coordenadora, provavelmente minha mãe temia que eu houvesse feito algo para denegrir sua imagem.
Quando vimos o resultado do vestibular ficamos em choque. Addison e eu tivemos as melhores notas de todo o Instituto. Ela passou em segundo lugar no curso que tanto queria, medicina. As minhas, bom, as minhas notas foram muito além do que eu imaginava obter, não foram tão boas quanto às de Addie, mas mesmo assim foram ótimas. Eu havia ficado em décimo primeiro lugar em medicina, fazendo com que eu tivesse a chance de escolher qualquer outro curso. Eu fiquei perdida por uns minutos, dispersa, esperando que caísse a ficha. Addie me abraçava e dizia que estudaríamos juntas novamente, mas eu nem ao menos havia me decidido, porém, logo me lembrei da promessa que fiz a mim mesma, que eu me matricularia no melhor curso em que passasse. Medicina era esse curso.
Ela já havia me contado tantas coisas, tanta história, casos científicos, pesquisas, etc., parecia que aquilo era o certo a escolher, a dúvida logo saiu da minha cabeça e formou a certeza de que era isso que eu faria, pelo menos daria meu melhor para essa área.
Depois de todas as papeladas e documentos para resolver nossa matricula, nos mudamos assim quando terminamos o ano letivo. Dessa vez havíamos ficado separadas, porém, o pai de Addison era um advogado reconhecido por tantos casos ganhos e logo deu à filha o que pedira e nos colocou no mesmo dormitório.
Eu nunca olhei para ela com outros olhos, a única coisa que via era uma amiga, quase irmã, era como se fosse a Ruby pertinho de mim. Nunca passou pela minha cabeça em ter algo com Addie, eu não tinha olhos para outras pessoas, não conseguia me interessar por mais ninguém.
Depois daqueles meses, a primeira vez que vi Cora fora na minha mudança. Ela insistiu para ir pra uma faculdade mais próxima de Storybrooke, quem sabe em Boston, mas eu não quis. Eu sabia que ficaria tão longe de Emma quanto de Cora, mas caso eu aceitasse sua proposta ela manteria os olhos em mim, continuaria espionando meus passos, com quem eu andava ou deixava de andar, e isso eu não queria. Por mais que Washington ficasse no outro lado do país, Emma e eu poderíamos nos ver sem ninguém para interromper ou fazer algo contra nós.
A primeira coisa que fiz depois que minha mãe fora embora foi me dirigir à janela. Observei atentamente o campus da faculdade, alguns alunos sentados no gramado estudando, outros cantando com os amigos, “riquinhas” entrando com suas duzentas malas rosa, carros de calouros estacionando. Respirei fundo. Foi a melhor sensação que tive em seis meses, sensação de liberdade, de que não dependeria mais de ninguém para conseguir o que queria, que dali em diante as escolhas e decisões seriam minhas e não da minha mãe ou de quem quer que seja.
Peguei emprestado o celular de Addie e disquei o único número que lembrava, demoraram alguns segundos para que fosse atendido.
“Alô?”
“Ruby, sou eu”
“Regina”, o tom da sua voz estava neutro, sem demonstrar qualquer sentimento.
“Sim. Ruby, eu preciso falar com Emma, você pode me dizer o telefone dela? Preciso explicar tudo o que houve...”, ela me interrompeu.
“Não”
“Não?”
“Não”, repetiu. “Você está enganada se acha que pode entrar e sair na vida de alguém sempre quando quiser”
“Você não está entendendo, em nenhum momento eu quis sair de sua vida”
“Não é o que parece. Você desapareceu por seis meses, só pensou em si mesma, ate acredito que tenha sido porque Cora te obrigou, mas chegar ao ponto de nem ao menos nos avisar, nem dar um mísero telefonema, isso não se faz, Regina”
“Eu não tive como...”
“Não teve? Ela te prendeu no meio de uma floresta? Foi isso?”, ironizou.
“Eu...”
“Não quero saber”, me interrompeu novamente. “Você não sabe a situação que encontrei Emma, não tem noção o quanto ela sofreu. Ela te esperou por meses, Regina, todo fim de semana Emma vinha pra pensão e ficava olhando pela janela esperando um sinal seu, um sinal que nunca veio!”
“Me escuta, Ruby!”, pedi.
“Emma não está mais morando em Augusta, ela conseguiu passar em direito e se mudou pra faculdade. Ela está melhor sem você, entenda isso.”
“Onde fica a faculdade?”, perguntei e recebi o silêncio como resposta. “Me responda!”
“Não a faça sofrer mais do que já sofreu, se você ainda a ama, esqueça tudo isso, siga sua vida e deixe Emma seguir a dela”
“Você era a última pessoa que passou pela minha cabeça em dizer isso”, falei sem segurar as lágrimas, minha voz falhava, aquela não era minha amiga, aquela não era Ruby, não podia ser.
“Isso é o certo a fazer”, falou recuperando a calma da voz. “Eu sinto muito, Regina”
Antes que eu pudesse falar qualquer coisa, antes que eu pedisse novamente para me escutar e tentar explicar o que aconteceu ela desligou o telefone. Disquei o número novamente, mas estava desligado, tentei mais cinco vezes e caia apenas na caixa postal.
Depois de alguns dias que se seguiram liguei novamente, mas dessa vez dava “número não existente”, pesquisei na internet o telefone da lanchonete da Granny já que faziam entregas em domicílio e da delegacia, mais dois números riscados na minha lista, pois não existiam. A única ligação que completava era da prefeitura, porém, era o último número que eu ligaria.
“Meu Deus, é pedir demais uma ligação? Só uma?”, suplicava em pensamentos. Só precisava saber seu endereço, eu estava disposta a andar pra qualquer lugar, só precisava saber que ela estaria lá, que me esperaria, e que no fim eu receberia um “eu te amo” da pessoa mais linda do mundo, aquilo era o bastante pra me fazer recuperar as noites em claro que passei nesses últimos meses.
A fé que eu possuía fora acabando, as chances de encontrá-la estava sendo dizimadas aos poucos. Contei à Addie o que aconteceu, ela disse que talvez Ruby estivesse certa, pois o decorrer desse tempo em que convivemos juntas no Instituto, percebeu o quanto eu estava dependente de Emma. Era verdade. Não conseguia me ver sem ela, sem seus toques, sem seu calor perto do meu corpo, sem seus lábios entre os meus, eu simplesmente não conseguia.
♫♫♫
O que mais gostei do curso de medicina foi o tempo. O tempo que faltava, o tempo que não tinha, era ele que fazia com que eu não pensasse nela. Passava a maior parte do dia estudando, trabalhava algumas horas no laboratório de pesquisa e quando terminava só dava tempo de cair na cama e capotar em um sono que me levava ate o outro dia. Isso era bom, mas não quer dizer que Emma era aniquilada da minha mente, várias vezes sonhei com ela, algumas vezes chorando pedindo para não me deixar, outras vezes revivia aquele dia da praia e raras vezes estávamos deitadas uma nos braços da outra.
“Se você ainda a ama, esqueça tudo isso, siga sua vida e deixe Emma seguir a dela”, essa frase ainda tem um canto reservado no meu cérebro, por mais que eu não queira, muitas vezes ela veio à tona. Resolvi entregar meu destino à única pessoa que o escrevia, Deus. Não tentei mudar mais nada, já havia feito tudo o que estava ao meu alcance.
Cinco anos se passaram e ela continuava na minha mente. Cora me visitava duas a três vezes no ano, na última vez ela me disse que Neal havia se candidatado a prefeito e havia ganhado as eleições, eu agradeci aos deuses internamente, ela tomou a decisão de se aposentar e claro, eu super apoiei. Cora pediu que quando eu entrasse de férias do semestre eu fosse para Storybrooke, eu concordei, mas não por ela e sim por todos os meus amigos que de certo modo havia deixado para trás, eu estava com saudade e queria aproveitar esse convite.
A minha chegada virou-se o falatório da cidade. Eu iria passar apenas um fim de semana, pois estava de férias da faculdade, mas não do estágio. Falei com o máximo de pessoas possíveis, mas quem eu realmente queria encontrar era Ruby, queria respostas sobre aquele telefonema, por mais que todos esses anos tenham passado jamais me esqueci da nossa última conversa, das perguntas sem respostas.
Entrei no Granny’s e a primeira pessoa que me deparo é ela. Continuava bonita, parecia que os anos apenas a favoreceu. Ela imediatamente soltou a bandeja e correu em minha direção, me abraçou e disse o quanto estava com saudade, pedi a ela que me acompanhasse para conversarmos, sua avó não pestanejou e logo saímos da lanchonete.
Caminhamos ate a praia, Ruby me contou que estava ajudando Granny porque a garçonete tinha faltado o serviço e sua avó não daria conta da cozinha e do atendimento. Ela estava fazendo serviço social, estava quase no fim do curso, falamos um pouco sobre a faculdade e não demorou muito para eu tocar no nome de quem tanto ansiava.
— Você tem notícias de Emma? – perguntei encarando o mar.
— Faz um tempo que não nos falamos – respondeu – Regina...
— Sim?
— Eu te devo desculpas por tudo o que eu falei pra você naquele telefonema.
— Está tudo bem, não se preocupe, eu te entendo.
— Mas não devia – retrucou – você acha mesmo que eu falaria tudo àquilo pra você? Gina, você é como uma irmã pra mim e a última coisa que eu quero é te machucar.
— Eu não entendo...
— Sidney Glass havia grampeado o telefone da pensão e da lanchonete a pedido de sua mãe – respondeu – ela ficaria sabendo de tudo o que eu falaria pra você e tudo o que você contaria pra mim, por isso fiquei te interrompendo, não queria que desse dicas à ela. Desliguei o telefone pra que você não ligasse mais e não corresse o risco de qualquer palavra pronunciada. Eu ligaria pra você no outro dia, porém, quando percebi as linhas tinham sido cortadas.
— Eu sabia que algo estava errado – disse atordoada.
— Tentei procurar o número que você me ligou, mas os registros tinham sido apagados.
— Isso explica tudo.
— Você não a esqueceu, não é?
— Eu tentei, eu juro que tentei, mas ela ainda continua aqui – coloquei a mão no peito.
— Imaginei – sorriu – ela estuda na Universidade de Nova York, está cursando direito. Snow e David deram a ela de presente um pequeno apartamento próximo da faculdade”
— Você tem o endereço?
— Sim, ela me deu na última vez que nos vimos. Você vai atrás dela? – perguntou.
— Se possível agora mesmo – levantei-me e a ajudei a levantar.
Dirigimos-nos a pensão e não demorou muito para que ela trouxesse um papelzinho com o endereço anotado. Segurei e guardei no bolso. Agradeci a Ruby e me despedi em seguida. Chamei um táxi em torno de cinco horas da tarde. Disse à Cora que havia tido um chamado urgente do laboratório e que eu precisava ir, a verdade era que além de eu está indo ver Emma, também estava furiosa com ela, mas não podia demonstrar isso.
Cheguei ao aeroporto de NY às 7:30pm. Chamei outro táxi que logo me levou ao meu destino. Quando cheguei ao apartamento me dirigi a portaria e perguntei pela senhorita Swan, ele falou que ela havia saído para um restaurante e não sabia que horas voltaria, eu pedi o endereço, ele nos deu duas possíveis opções, pois ela não tinha dito para qual iria.
Fomos primeiro ao mais próximo. Era um restaurante aconchegante, várias mesas ficavam do lado de fora, poucas luzes que deixava o local um tanto romântico. Saí do táxi com o coração saltitando, estava perto de encontrá-la. Não entrei no restaurante, apenas observei os poucos casais que estavam ali, semicerrei meus olhos quando encontrei uma loira sentada de costas para a rua. Era ela. Seus cabelos estavam um pouco maiores, o liso perfeito acabava na metade do cabelo formando cachos ate as pontas. Eu já havia dado um passo à frente, já ia entrar quando uma morena aproximou-se de sua mesa e a beijou, não um beijo amigável no rosto e sim na boca.
Meu coração fora espremido no meu peito, eu não podia acreditar naquela cena, eu não queria. Suas mãos agora estavam entrelaçadas sobre a mesa, elas já iam se beijar novamente quando virei meu rosto. Aquilo era uma tortura. Não podia presenciar aquela cena novamente. Corri de volta ao táxi como uma criança corre pra cama dos pais quando está com medo. Deixei minha cabeça encostar ao vidro da janela, olhei as ruas e fiquei repassando aquela imagem na minha mente. “Quem deveria está beijando aquela boca era eu! Eu deveria está com ela! Só eu!”, pensava com raiva e tristeza ao mesmo tempo.
Pedi para que o motorista me levasse ao melhor bar da cidade e assim o fez. Não me lembro muito bem daquela noite, eu bebi muita tequila, misturei bebidas tentando afogar a dor que estava sentindo, só lembro-me de um cara alto, seu rosto estava meio embaçado, reparei na tatuagem de leão que carregava em um dos pulsos, ele me convidou para sair dali e o acompanhar. Não sei sobre o que conversamos, se é que houve algum diálogo, mas sabia que havíamos nos beijado, lembro dele começar a tirar minha roupa, depois um grande branco.
Acordei com a maior dor de cabeça que já tive na vida. Era uma ressaca misturada com enxaqueca, a pior sensação de todas. Eu estava atordoada, olhei ao meu redor e estava em um quarto, aparentemente de motel. Eu estava nua, com apenas o lençol cobrindo meu corpo, o cara da tatuagem não estava mais lá, deixou apenas um bilhete:
“Desculpa não ter esperado você acordar, eu acabei tendo um chamado do trabalho. Obrigada pela noite, foi uma das melhores que já tive. Quem sabe nos esbarramos por aí.”
Não demorei muito para me arrumar e “dá o fora dali”. Queria chegar logo em Seattle, precisava falar com Addison, contar o que acontecera, já estava me preparando para o sermão, por mais que nunca tivesse feito algo louco como aquilo.
Dois meses se passaram. Dois meses de enjôos e vômitos. Dois meses para descobrir que eu estava grávida.
A primeira pessoa a quem contei foi Addie, ela quase surtou, passou uma hora falando dos meios que eu poderia ter usado para me prevenir. Por várias vezes pensei em abortar, mas ela não deixou. Sempre me deu força, disse que eu conseguiria criá-lo, que provavelmente eu o teria depois do fim da graduação, que não me preocupasse, que ela estava junto comigo e que me ajudaria sempre que precisasse.
Foi uma barra ter que aceitar que me tornaria uma médica-mãe-solteira-recém-formada. Durante os primeiros meses eu evitava olhar para minha barriga, tentando esquecer que eu criaria aquela criança sozinha, seria somente eu e ele. Como eu contaria quem era seu pai se nem ao menos sabia seu nome? Como responderia a essas perguntas quando ele crescesse? Passei minha gravidez inteira tentando não pensar no futuro, um futuro que já estava tão próximo de mudar minha vida.
Quando segurei Joseph pela primeira vez, todos os meus medos se foram. Um arrependimento bateu por um dia ter pensado em tirar a vida do bebê mais lindo do mundo, do meu bebê. Eu o olhava com carinho, com ternura, acariciava o rostinho pequeno e lisinho que se acomodava perfeitamente sobre meu corpo. Meu sorriso era estonteante, um sorriso que há anos eu escondi por medo, por receio, mas que agora estava ali, estampado no meu rosto.
Addison ficou comigo o tempo todo, foi ela quem segurou minha mão na hora do parto, ela que falou “ele é lindo”. Addie ganhou de seu avô uma casa próxima do Seattle Grace, o hospital onde estava estagiando, insistiu para que morássemos juntas, pois a casa era grande o bastante para uma pessoa. Ela queria me ajudar, afinal era seu sonho ter um filho e ela via em Joseph a oportunidade de “treinar” suas habilidades em relação às crianças. Eu aceitei, pois a última coisa que queria era ficar sozinha, não queria voltar para Storybrooke, meu lar agora era ali, era em Seattle que queria recomeçar minha vida.
Já havíamos levado alta quando fui pegá-lo no berçário. Quando me aproximei encontrei uma pena próxima dele, eu achei estranho, pois não havia janelas e tudo estava muito limpo, muito organizado. Isso seria uma bobagem a ser ressaltada se não fosse pelo simples fato daquela mesma pena aparecer ao seu lado todos os anos, no dia de seu aniversário, ao lado de seu travesseiro. Aquilo podia ser coisa da minha cabeça, mas eu a via e sabia que possuía um significado. Sempre quando ela aparecia me sentia segura, como se fosse uma pena caída do meu anjo da guarda, apenas mostrando que eu não estava sozinha e que apesar de tudo havia um ser maior me acompanhando e programando um destino pra mim.
Quando Joseph completou três aninhos me deparei com ela novamente e guardei-a. No outro dia a levei comigo em um estúdio de tatuagem. Eu queria aquela sensação junto a mim, não apenas no aniversário do meu garoto, mas todos os dias. Tatuei-a em meu pulso direito. Agora a esperança, a renovação, a libertação, a capacidade de voar e ir adiante estava gravada em mim e eu usaria aquela simples marca para me equilibrar, lembrar que não estava sozinha, que Deus me daria um caminho a ser trilhado, barreiras a serem quebradas, e por mais que eu ainda a amasse, por mais que eu ainda chorasse a noite com saudade do seu toque, eu sabia que se estivéssemos nascido uma para a outra ele daria um jeito de cruzar nossos caminhos.
"Eu sei que ela não pode me ouvir, não mais. Tenho tantas coisas para dizer e acima de tudo adeus. As palavras gritam na minha cabeça, eram as mesmas que eu deveria ter dito. Eu não tenho sido tudo o que Emma esperava, mas se tivesse aguentado um pouco mais, ela teria motivos para se orgulhar. Quanto mais tempo eu fico aqui, mais alto é o silêncio, eu sei que minha loirinha se foi, mas às vezes quando o vento sopra, eu juro que a ouço. Converso com as sombras esperando que ela esteja me ouvindo, porque eu quero que saiba o quanto a amo."
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