Nossa Música

24 O perdão


Notas iniciais
Eu acredito no perdão. Acredito que independente do que a pessoa fez, da gravidade do problema ou seja lá o que for – principalmente se a mesma demonstrar arrependimento – todas merecem uma segunda chance, todas as pessoas merecem ter a oportunidade de concertar seus erros e aprender com eles. Dedico esse capítulo ao meu amorzinho Camila (que eu já havia prometido há algum tempo) e também à Manoela Rocha (que nunca desistiu da fic e sempre dava uma passadinha na mp pra me cobrar). ESSE CAPITULO É DE VOCES!

Cora tinha o semblante cansado, suas olheiras tomavam conta da região dos seus olhos, aparentemente perdera quilos, a roupa de paciente sambava em seu corpo, sua pele pálida e a falta do vermelho nos lábios causaram calafrios na morena.

Seu corpo que antes estava deitado e encolhido, agora estava sentado com um simples ‘click’ que deu no botão ao lado de sua cama, fazendo com que a mesma se inclinasse e deixasse suas costas na diagonal. Puxou o cobertor que estava próximo de seus pés e se cobriu ate a cintura.

Regina não sabia o que falar, não sabia se deveria tomar a frente da situação, se deveria sentar ou se simplesmente esperava a mulher falar algo. A curiosidade em saber qual assunto Cora queria tratar, fora dizimada no momento em que viu a mãe. A morena se preocupou em vê-la daquela forma, mas em flashs fora lembrada de todas as coisas ruins que a mãe um dia lhe fez, lembranças essas que não a deixou transparecer nenhuma piedade diante da mulher, apenas um olhar frio.

— Você cresceu – Cora interrompeu o silêncio – mas do que eu lembro – Regina se mantinha imóvel próxima a porta, parecia que estava em transe ou apenas tentava processar e entender o que havia acontecido com a mãe.

— O que você quer me dizer? – foi direto ao ponto.

— Não seria melhor se sentar? – falava em um tom calmo, coisa que Regina juraria nunca ver enquanto ainda estivesse viva. Cora indiciou a poltrona próxima a sua cama para a filha sentar – Talvez o assunto demore um...

— O que você quer, Cora? – interrompeu com o mesmo tom frio da primeira pergunta. Regina não podia se enganar, não podia se comover com a imagem da mãe tão autoritária, intocável e fria ser trocada pela daquela senhora que aparentemente parecia estar tão fraca e frágil. Não sabia o que estava se passando, não sabia se Cora estaria fazendo tudo aquilo por pura encenação ou por realmente ter mudado, não sabia de nada e era justamente e unicamente por esse motivo que a mulher estava ali, a morena queria respostas.

— Você é quem precisa me dizer o que quer, Regina – responde – Quer saber como cheguei aqui? Quer saber o porquê não estou em casa ou na prefeitura? Quer que eu vá direto ao ponto como você mesma sugeriu? Ou quer que eu comece pelo começo? – pergunta.

Deixou seus olhos que pairavam sobre a filha e voltou sua atenção à roupa que a filha vestia. Regina estava com um vestido social preto que ia ate três dedos acima do joelho, o caimento perfeito que contornava bem suas curvas, tanto a cintura, quanto o quadril. Para Cora, aquela vestimenta significava que Regina havia jantado com alguém importante. O salto alto era da mesma cor do vestido e o que mais chamou a atenção da mulher: a jaqueta vermelha que a filha vestia sobre o vestido. Regina insistia em segurar firme, como se aquela peça de roupa lhe desse forças para ficar de pé e encarar a mãe ali em sua frente.

— Do começo – foi tudo o que Regina pôde falar.

Cora assentiu se mexendo na cama, como se buscasse uma forma melhor de se sentar, aquilo nada mais era do que um meio de ficar confortável diante a filha, que agora fixava o olhar sobre ela.

— Eu cresci em um orfanato – a mulher desvia os olhos da filha antes de completar a frase. Não pôde ver qual a reação de Regina, mas poderia jurar que a garota havia entreaberto a boca. Cora jamais falara do seu passado para a filha, Regina quando criança tentara tirar algo da mulher, mas nunca, jamais obteve uma resposta concreta. Cora apenas falava sobre a sua vida a partir do momento em que conheceu seu pai, mas ate sobre esse tempo, sobre esse passado, suas respostas eram vagas – Cheguei ao orfanato com apenas quatro meses de idade – continuou – fui abandonada na porta do local e nunca, jamais tive nenhuma notícia dos meus pais biológicos – seu tom era frio, como se não quisesse falar, mas falava por obrigação. Regina merecia saber, ela precisava saber – Tem alguma pergunta? – perguntou ao perceber a impaciência na filha.

— Você não foi adotada? – questionou meio hesitante.

— Não – respondeu – Eu era uma criança muito calada e reservada, quando chegava visitantes eu simplesmente me escondia e isso contribuiu muito para as chances que eu tinha – suspirou – O tempo foi passando e eu perdendo minhas oportunidades, os adultos preferiam crianças de meses ou de poucos anos e eu – suspirou – bom, eu já estava com oito anos.

— Você não tinha ninguém? Nenhum amigo? – Regina voltou a perguntar.

— Quando eu tinha acabado de completar treze anos, uma garota chegou de outro orfanato – pausou olhando para a parede a sua frente, como se naquele branco estivesse as lembranças que passou tanto tempo guardando – ela era mais velha que eu, deveria ter em torno dos seus quinze anos, tinha cabelos longos e castanhos, seus olhos azuis me faziam lembrar o mar. Ela era espontânea, engraçada, simpática, fez amizade com todos, exceto comigo – Regina a olhou sem entender aonde toda aquela descrição iria leva-la – Eu não queria ser amiga dela, eu não queria ter amigo, não queria me apegar a alguém que a qualquer momento eu teria que abrir a mão e deixar ir embora – continuou – mas acabei cedendo aquela garota, acabamos virando amigas, melhores amigas e talvez ate mais que isso.

— Como assim? – perguntou temendo a última frase da mulher.

— Nós – olhou para suas próprias mãos lembrando-se das vezes que a amiga segurou as mesmas consolando-a e dizendo que tudo ficaria bem – nós nos apaixonamos.

Se Regina já não sabia como reagir ao saber que a mãe havia crescido em um orfanato, saber que a mulher se apaixonou pela sua melhor amiga a deixou mais sem reação ainda. Seu corpo que estava próximo a parede agora estava completamente encostado na mesma buscando por apoio.

— Por que você fez isso comigo? – perguntou com a voz já embargada.

— Por mais que fosse mais velha que eu, ela jamais perdeu a esperança de ser adotada, de encontrar uma família para acolhê-la. Eu já havia perdido, a verdade é que eu jamais tive.

— Eu estou perguntando porquê você fez isso comigo – insistiu encarando a mulher que estava na cama – Por que você fez o possível e o impossível pra me afastar de Emma? Por que você tratava meu sentimento como um erro? Por que me tratava como uma aberração se você mesma sentiu isso? Por que Cora? – suas lágrimas já haviam tomado seu rosto no momento em que terminou de jogar as perguntas em cima da mãe.

— Porque você ia sofrer, Regina! Porque amor é uma fraqueza, a maior de todas! – respondeu com a voz alterada.

— Mas eu estava disposta a ser fraca por ela! – retrucou – Eu estava disposta a ser e fazer qualquer coisa por Emma, pra estar com ela. Mas não – falou com a voz irônica – ao invés de eu fazer minha escolha, você fez isso por mim.

— Você não entende Regina...

— Não, você que não entende. Você não é capaz de entender, porque alguém como você jamais poderia sentir algo próximo do que eu sentia e ainda sinto. Você é incapaz de amar, foi incapaz de amar e proteger a sua própria filha.

— Vocês duas, cedo ou tarde, iam se separar, é sempre isso o que acontece! É lei da vida, tudo que é bom dura pouco! – Cora que conseguiu elevar a voz para respondê-la logo teve que ponderar as palavras, respirou fundo tentando buscar o ar que quase desapareceu dos seus pulmões.

Antes que pudesse retrucar mais uma vez, Regina deixou as palavras da mãe penetrar sua cabeça. Addison havia perdido Mark em um acidente, Mulan perdera Aurora por um descuido da loira, Emma e Regina havia se separado por causa dela, de sua mãe. Mas agora estavam juntas, agora podiam preencher toda ausência que uma teve na vida da outra por amor, porque tudo o que sentiam ainda estava ali. E talvez, apenas talvez, ela estivesse certa, se não fosse Cora o motivo da separação, poderia ter sido algo mais difícil, poderia ser como Mark, poderia ser um dano irreversível.

Talvez tudo o que é bom realmente dure pouco, porém, Regina não acreditava que aquela frase fosse definitiva. Elas haviam se separado, mas agora estavam juntas, talvez por obra do destino, talvez porque elas já faziam parte da vida uma da outra sem nem ao menos se conhecerem.

— Você – falou ofegante – vai me deixar continuar? – Regina que foi puxada dos seus pensamentos, percebeu o quanto sua mãe demorou respirando para falar aquela simples frase, deixou a mulher prosseguir – Seu nome era Elizabeth Lucas – respondeu olhando para a filha, a mesma já ia questionar quando Cora resolveu prosseguir – Sim, é a mãe de Ruby – concluiu – Como eu disse, nos tornamos amigas, nós nos aproximamos mais do que devíamos. Eu não sei como te explicar, eu nem sei quando surgiu isso tudo dentro de mim, eu não sei se foi no primeiro momento que eu a vi, no primeiro momento que nos falamos ou no momento em que ela me consolou e me acolheu, eu só sei que aconteceu, apenas aconteceu – suspirou desviando o olhar da filha – Ela foi a primeira pessoa que eu beijei e foi a única que me fez sentir aquela sensação dos filmes, aquele friozinho na barriga, eu me sentia bem só de estar perto dela. Liz me prometeu que não iria me abandonar e que não importa onde eu estivesse, ela daria um jeito de me encontrar – sua respiração estava pesada, provavelmente tentando segurar o choro que insistia em vir. A mulher que um dia fora tão dura, tão cruel e insensível, naquele momento foi vista pela primeira vez por sua filha como alguém vulnerável. O resto de sua muralha estava caindo de acordo que aprofundava naquele assunto.

— Não precisa me contar se não quiser... – Regina olhava para os próprios pês, como se desviasse o olhar da mãe a deixara mais confortável.

— Eu não quero, mas preciso – falou enquanto processava tudo o que ainda tinha que falar – Eu já estava saindo da infância e ela já era uma adolescente, nosso sentimento era puro, não tínhamos malícia, o que importava era estar perto uma da outra. Em um fim de tarde de sábado recebemos a visita de uma senhora, a Granny – Regina assentiu já começando a ligar os pontos daquela história – Eu não sei o que ela viu em nós, mas ela nos queria, ela queria Liz e eu como suas filhas, conversou conosco e disse que lutaria por isso. Eu a tratei com frieza, como se não quisesse ser adotada, eu queria, queria muito, mas não com a Liz, não queria tê-la como irmã, não conseguiria olhar pra ela todos os dias sabendo que o que sentíamos não poderia progredir, que a partir do momento que eu aceitasse ser a filha daquela senhora, eu teria que perder a vontade de desejá-la pra mim.

— Você desistiu – Regina concluiu em um sussurro.

— Eu desisti – confirmou – eu escolhi Elizabeth Lucas ao invés de uma família. Eu sabia que ela faria o possível pra entrar na família daquela senhora, já que jamais perdera a esperança. Já esperava que ela fosse e eu desejava que fosse feliz – Cora sorriu um sorriso triste, fechou os olhos como se estivesse lembrando daquele momento, que há muito tempo insistia em tirá-lo da cabeça – Liz prometeu ir me visitar sempre que possível e ela veio, mas ao passar dos anos sua presença foi se ausentando – continuou – eu já estava com dezessete anos, faltava menos de um ano pra eu me livrar do sistema e ir embora, ir buscá-la e viajar pra qualquer lugar levando-a comigo. O sorriso dela que sempre aquecia meu coração, agora estava triste e aquilo estava me preocupando. Passamos a tarde juntas no orfanato, na maior parte do tempo estávamos conversando ou nos abraçando, quando não havia ninguém por perto nos arriscávamos com beijos – sorriu ao lembrar, mas não durou muito para mudar o semblante – a última vez que nos falamos, a última vez que me lembro de ter escutado o tom sereno de sua voz foi quando ela veio se despedir, dizendo que teria que se mudar com Granny e não tinha noção de quando apareceria novamente e bom, ela não apareceu novamente – a mulher engoliu a saliva tentando limpar a própria garganta que insistia em fazer sua voz falhar.

— Eu sinto muito – Regina falou.

— Eu também sinto – concordou tristemente – Quando enfim completei meus dezoito anos, peguei o pouco de dinheiro que tinha e fui atrás dela. Liz havia me dado seu novo endereço e corri o mais rápido possível para encontrá-la. Quando por fim encontrei sua casa fui recebida por Granny, ela estava muito feliz por me ver, mas ao mesmo tempo eu via apreensão em seus olhos, quando me virei e acompanhei seu olhar, eu pude perceber o que estava deixando-a assim. Liz estava do outro lado da rua com um cara, provavelmente Granny sabia da nossa história, estava com medo de eu vê-la daquela forma, o abraçando e beijando – sorriu tristemente – No momento em que eu me deparei com aquela cena eu apenas senti vontade de fugir, de chorar, de me esconder, eu sentia raiva de mim mesma por ter acreditado que existia alguém que realmente se importava comigo, alguém que me amava. Eu fiz minhas vontades. Fugi pra qualquer lugar sem dar oportunidade de nenhuma das duas me impedir, me enfiei em um bar, com o resto de dinheiro que sobrara da viagem comprei a bebida mais barata e bebi, dormi com o primeiro idiota que deu em cima de mim, chorei quando estávamos na cama e depois fugi novamente. Comecei a trabalhar em uma lanchonete, depois de três meses de enjoos descobri que estava grávida – olhou para a filha que estava a alguns metros de si – e não era de você.

O silêncio tomou conta do quarto. Ao mesmo tempo em que Cora recuperava a respiração, Regina processava aquelas informações.

— O bebê... ele... você perdeu? – perguntou temendo a resposta.

— Não – respondeu já se preparando para a pergunta que viria a seguir.

— Então quer dizer que eu tenho um irmão? – Regina estava boquiaberta, não podia acreditar em toda aquela situação.

— Irmã – respondeu baixando seu olhar – Mas eu – pausou – eu não pude ficar com ela – disse quase em um sussurro – Estabilidade era algo que ainda não havia na minha vida naquele momento, eu estava morando de favor em um dos quartos atrás da lanchonete. Metade do dinheiro que eu ganhava era descontado pelo meu patrão pra pagar o aluguel, água e luz – continuou – eu não tinha como cuidar de um bebê, não tinha o que oferecer, muito menos alguém para pedir ajuda. Regina, eu não tinha ninguém.

A morena pôde sentir seu coração se apertando. Parecia que aquela história estava se reprisando aos olhos da filha, sentiu-se como em um desses paralelos de séries da TV. Regina passou por basicamente o mesmo que a mãe, a diferença clara era a questão financeira e sempre teve alguém ao seu lado, no caso, Addie, que a ajudou e muito na criação de Joseph.

— Você a deu pra adoção? – perguntou.

— Sim – respondeu tristemente – eu não tive escolha – completou – A entreguei para o sistema com dois meses de idade, seu cabelinho estava crescendo, o tom ruivo já estava se manifestando, seus olhos eram de um azul magnífico – fechou os olhos e sorriu ao lembrar-se da criança – Ela estava crescendo rápido, as poucas roupas que eu havia comprado já estavam pequenas, as fraldas, a comida, tudo o que tinha conseguido guardar naqueles nove meses de gestação estava acabando e eu não tive outra opção, não poderia, não conseguiria dar a ela uma vida digna, eu era apenas uma adolescente, eu... – suspirou – eu não conseguiria ser uma boa mãe e bom, sou pra você o exemplo de mãe que eu tanto temia, Regina – falou olhando para a filha – Passei a vida inteira jogando minhas frustrações do passado em você. Comecei a me relacionar com Gold na esperança que ele amenizasse meu remorso, mas foi tudo totalmente o oposto. Eu estava à beira da loucura e o que ele fez a você foi o ápice!

— Pare, por favor – pediu apertando forte a jaqueta de Emma, desejando imensamente a presença da namorada para acolhê-la. Mantinha os olhos fechados impedindo qualquer resquício de lágrima se esvair. Uma de suas piores lembranças estava vindo à tona.

— Ele te machucou! Te machucou de uma forma que talvez essa ferida nunca possa ser cicatrizada! – Regina que antes se esforçava para se manter de pé, deixou seu corpo escorregar vagarosamente pela parede ate encontrar o chão, tornando a abraçar suas próprias pernas.

— Por favor – novamente pediu baixinho.

Ao perceber o estado da filha, Cora se desvencilhou do cobertor e levantou-se com certa dificuldade, deu alguns passos e durante aquele pequeno trajeto pôde ouvir o choro fraco de Regina ecoando pelo quarto. Sentou-se em silêncio ao lado da filha. Cora não queria tocar naquele assunto, mas precisava, precisava desatar aquele nó que há tempos havia se formado em sua garganta, queria dizer tudo e mais um pouco que a filha merecia ouvir.

Of Monsters and Men — Organs ♪♫♪

— Eu não tive a intenção – sussurrou. Repetiu a posição de Regina e encolheu suas pernas deixando-as próximas de si – Tudo foi tão rápido, quando me dei conta, havia me tornado a pior pessoa que eu mesma já conheci. Eu estava possessa, nunca quis isso – seu olhar repleto de arrependimento permanecia ali – Se houvesse alguma forma, algum jeito, eu voltaria ao passado e concertaria todos os meus erros relacionados a você, que hoje, são os únicos que me perturbam, são os únicos que me preocupam e que me importam. Mas infelizmente não há uma maneira de reverter tudo o que eu fiz e falei. Eu realmente sinto muito – Cora sentia vontade de tocar a filha, de confortá-la, mas passou tanto tempo sem saber como dar carinho a alguém, que sentia medo de se precipitar ou simplesmente de fazê-lo errado – A única coisa que eu posso fazer é te pedir perdão – Regina que antes mantinha sua cabeça apoiada sobre seus braços, levantou a mesma para olhar sua mãe – Te peço perdão por tudo que fiz, por tudo que você passou por minha causa, por meu egoísmo, pelas decisões que tomei sem nem ao menos lhe dar escolhas – fixou seu olhar na filha – principalmente por forçar sua separação com Emma – fechou seus olhos e encostou sua cabeça na parede, deixando uma lágrima solitária descer pelo seu rosto – Apenas tentei te proteger, de uma forma extremamente errada, mas eu tentei.

Regina aproximou-se mais ainda de sua mãe e gentilmente a envolveu em um abraço. Um simples gesto, um gesto no qual a morena nem lembrava quando fora a última vez que o fizera, não lembrava ao menos se um dia havia feito. Cora se surpreendeu com o ato da filha, mas não cogitou em interromper o momento, pelo contrário, retribuiu acolhendo-a para si de uma forma que jamais havia feito. Tomou Regina em seus braços como se a filha fosse uma criança precisando de cuidado e proteção.

Cora pôde sentir a filha próxima de si, uma proximidade que jamais fora capaz de manter entre elas, não apenas fisicamente, mas também emocionalmente. Não precisava de explicação, não precisava dizer se quer uma palavra, seus atos já falavam por si.

— Eu não espero que você me perdoe, nem ao menos me acho merecedora do seu perdão – passou calmamente a mão nos cabelos da filha que se mantinha abraçada a sua cintura – mas se acontecer, se um dia você for capaz de me perdoar, eu vou estar aqui, não importa quanto tempo passe, eu vou esperar...

— Eu te perdoo – interrompeu surpreendendo-a novamente. Levantou seu olhar levando consigo suas mãos ao rosto cansado da mãe e limpando gentilmente as poucas lágrimas que insistiam em cair – A falta de um amor materno na minha vida é maior que o erro que você cometeu no passado – concluiu.

Notas finais
Eu dividi esse capítulo em dois, essa é apenas a primeira parte, a segunda ainda será terminada. COMENTEMMmmmMMMMm (nem que seja um simples "gostei" ou "odiei")
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.