Nossa Música
19 Uma criança mais que especial
Notas iniciais
As duas acabaram pegando no sono. Passaram a tarde dormindo, uma nos braços da outra.
Emma acordou com o som do telefone residencial. Sentiu o peso da morena sobre seu corpo e a respiração da mesma em seu pescoço. Abriu um sorriso de orelha a orelha ao perceber sua presença. O telefone persistia em tocar no andar de baixo. A loira afastou-se aos poucos, tentando fazer o menor movimento possível para não acordar a outra.
Quando por fim conseguiu, colocou o travesseiro próximo a Regina, que no mesmo momento o abraçou. Emma a cobriu calmamente com o edredom, aproximou seus lábios do rosto da morena e deu um “beijo de boa noite” adiantado. Contemplou por alguns segundos aquela imagem, mas seus pensamentos foram novamente interrompidos pelo som que percorria a casa.
Encostou a porta do quarto, desceu as escadas e andou ate a sala onde atendeu a ligação.
— Residência Mills – falou.
— Residência Mills, sério? – perguntou a voz no outro lado da linha – Pensei que a casa me pertencesse – riu.
— Addison? – perguntou.
— Sim – respondeu – Quem fala?
— Sou eu, Emma.
— Emma? Emma Swan? – indagou surpresa.
— Isso – falou.
— O que você está fazendo aí?
— Eu...
— Quer saber – interrompeu – a história deve ser meio longa e infelizmente estou sem tempo pra ouvir, mas assim quando eu chegar em casa quero saber de tudo, entendido loirinha?
— Claro – riu.
— Eu liguei pra lembrar Regina de pegar Joseph na escola. Ela já saiu de casa? – perguntou.
— Ela está dormindo.
— Droga – praguejou – eu não posso ir pegá-lo. Tenho mais três partos pra fazer ainda hoje, um deles é de risco e eu preciso me preparar.
— Addison – fez com que a ruiva parasse de falar – se você não se incomodar eu poderia pegá-lo.
— Você faria isso?
— Claro – continuou – eu só preciso ir em casa pegar meu carro.
— Você pode ir no meu, não tem problema. A chave deve está na estante, próxima da televisão.
— Sim, estou vendo – pegou as chaves.
— Vou ligar pra escola avisando que você irá, okay?
— Okay. Só preciso saber o endereço.
— Ele estuda na Escola Jovem Aprendiz, a mais ou menos uns dez quarteirões a direita da nossa casa.
— Ah, sim, sei onde fica. Já passei pela frente do colégio algumas vezes.
— Ótimo – falou – Cuidado com as palavras, ele é só uma criança – disse em um tom sério.
— Não se preocupe – continuou – prometo que vou tomar cuidado.
— Obrigada, Emma – agradeceu.
— Por nada – desligou o telefone em seguida.
Emma buscou suas roupas que já se encontravam secas na lavanderia. Dirigiu-se a garagem da casa que possuía dois carros, um Mercedes preto e um Kia Sportage branco. Apertou o botão para destravar as portas, assim distinguindo qual o carro de ambas as mulheres.
Entrou no Kia e ligou o carro. Era bem a cara de Regina aquele carro preto que estava ao seu lado. Sorriu com o pensamento. Deu a partida e saiu da garagem. Fez o percurso que conhecia ate chegar em frente a escola indicada.
Ela não estava nervosa, pelo menos não ate o momento. Mas ficar ali dentro do carro esperando não ajudava muito. Emma imaginava que a primeira vez que visse Joseph seria na presença de Regina, com a ajuda da morena ele se soltaria aos poucos. Porém, agora ela observava cada vez mais os carros que se aproximavam indicando que já a saída dos alunos estava próxima.
Nervosa, essa era a palavra que definia a loira naquele momento. O que ela falaria durante o caminho de volta? Será que Joseph iria gostar dela? Será que estranharia? Como se comportar com um garoto de quase quatro anos? O que ela falaria quando chegasse em casa? Emma torcia para que a morena já estivesse acordada quando chegasse, pois não teria coragem de acordá-la depois do semblante cansado que via estampado em seu rosto.
Emma despertou dos seus próprios questionamentos quando ouviu a sirene da escola soar. Ela sorriu ao ouvir aquele som, a fazia lembrar do ensino médio, principalmente do último ano que passou em Storybrooke. Um sorriso carregado de felicidade, de tristeza, de superação, de agonia, tudo o que passou naqueles meses estava estampado em seus lábios no momento.
Viu alguns pais dirigindo-se para a entrada da escola, observou mães voltando com seus filhos, provavelmente todos na mesma faixa etária de Joseph. Por mais que os alunos fossem crianças, a escola era grande e bastante reconhecida na cidade.
Olhou para o relógio que marcava cinco horas da tarde. Respirou fundo e saiu do automóvel. Andou ate a portaria onde avistou um segurança e uma mulher sério que deveria ser a coordenadora do local.
— Boa tarde – a loira cumprimentou – eu vim buscar o Joseph.
— Qual o sobrenome? – perguntou encarando-a.
— Mills, Joseph Mills – respondeu.
— Sei – olhou para a lista que estava na sua mão – Qual o seu nome?
— Emma Swan – continuou – Addison não avisou que eu viria buscá-lo?
— Sim, é que sempre procuramos ter bastante cuidado com nossos alunos – a loira agora entendia os motivos das perguntas passadas – Só um momento – deu as costas adentrando o local e em pouco menos de cinco minutos voltou segurando a mão de uma criança – Aqui está ele – o garoto segurou forte com as duas mãozinhas a da coordenadora, fazendo-a agachar-se a sua frente – Está tudo bem – sorriu – sua tia e sua mãe não puderam vim, mas a senhorita Swan irá te levar pra casa, não se preocupe.
— Eu... Eu não a conheço – sussurrou.
—Ei, garoto – a loira falou – você gosta de sorvete? – Joseph assentiu timidamente – Eu vi uma sorveteria no caminho, se quiser podemos passar por lá. Você quer?
— Sim – respondeu encabulado.
— Então acho melhor nós irmos – estendeu a mão para a criança que parecia repensar sobre o convite, mas logo cedeu e a segurou – Ótimo – sorriu.
— Tchau, senhorita Davis – acenou para a mulher.
— Tchau, querido.
Andaram em silêncio de encontro ao carro.
— Acho que você pode ir na frente comigo, certo? – olhou para o garoto que em resposta negou com a cabeça – Verdade, provavelmente sua mãe me mataria – ele assentiu fazendo-a rir. Emma o colocou no banco traseiro onde ficava sua cadeira auto trio. Tomou cuidado em colocar o sinto devidamente. Voltou para o banco do motorista e deu a partida. Vez ou outra olhava pelo retrovisor interno observando a criança. Nenhuma palavra foi dita ate chegar a seu destino – Chegamos – falou enquanto estacionava o carro no parque onde ficava a sorveteria.
— Oba – o garoto falou.
— Sua mãe me disse que você tem apenas três anos – falara enquanto o tirava da cadeira e colocando-o no chão.
— Eu tenho quase quatro anos, já sou um rapaz – disse fazendo a loira gargalhar.
— Ah, claro – confirmou ainda sorrindo – um rapaz muito lindo, assim como sua mãe – segurou novamente em sua mão e caminharam de encontro ao local resignado – Eu vou querer de chocolate e você?
— Vou querer uma bola de chocolate, uma de morango e uma de flocos – sorria enquanto falava.
— E a dor de barriga fica onde?
— Ah, por favor – pediu.
— Essa carinha de gato de botas talvez funcione com sua mãe, mas não comigo – retrucou.
— Funciona só com a titia Addison.
— Imaginei – riu – E que tal dois milk shakes de chocolate? Podemos apostar quem termina primeiro. Se você terminar antes que eu, que não será o caso, você vai ter direito a um pedido. Isso também vale pra mim, pode ser? – estendeu a mão como quem acaba de fechar um contrato.
— Fechado – apertou a mão da loira ainda sorrindo.
— O que vão querer? – a sorveteira perguntou.
— Dois milk shakes – respondeu.
— De chocolate – Joseph completou.
— Ótimo pedido – falou enquanto virava-se para prepará-lo.
Sentaram-se em uma mesa próxima ao balcão de atendimento.
— Que cabeça minha, eu nem me apresentei – falou.
— Senhorita Swan – respondeu. O garoto ouvira a coordenadora se referir a ela na saída do colégio.
— Isso. Mas, por favor, me chame de Emma.
— Swan – falou pensativo – eu gosto desse nome, me lembra ao lago dos cisnes.
— Mesmo assim, prefiro que me chame de Emma – retrucou.
— Eu prefiro Swan.
— Emma.
— Swan – disse sorrindo.
A quase discussão fora interrompida quando os pedidos foram servidos.
— Preparado? – o garoto balançou a cabeça positivamente – Quando eu falar já, okay?
— Okay – respondeu já segurando o copo próximo de si.
— Um, dois, três e – fez suspense – já! – Emma o deixou passar na frente, pois não seria justo competir com uma criança que a única vantagem que possuía, era o tamanho de seu copo, logo o alcançaria, resolveu dar uma vantagem extra. Quando percebeu, ele já se aproximava da metade do copo, logo se apressou para acompanhá-lo. Deixou o canudo de lado e deu início a grandes goles. Enquanto engolia o líquido, observava que em nenhum momento Joseph separou-se de seu copo, nem ao menos para buscar o ar. Talvez o receio que sentira pelo garoto se engasgar, passar mal, ou seja lá o que pudesse acontecer, fizera com que se atrapalhasse na brincadeira. Tentou em vão ganhar a batalha já vencida pelo adversário – Como... – respirou pesadamente tentando recuperar o ar – Como você conseguiu ganhar? – perguntou sem acreditar no que acabara de acontecer.
— Mamãe disse que sou um mágico – respondeu ainda ofegante.
— Mágico?
— Sim – assentiu – ela diz que eu tenho meus próprios truques – riu com a cara abismada da loira sentada a sua frente.
— Como eu perdi pra uma criança de três anos? – se auto perguntava.
— Um rapaz – revidou enquanto a loira limpava o cantinho de sua boca com o guardanapo.
— O que?
— Eu tenho quase quatro anos e...
— Ah sim – interrompeu – quase esqueci que você já é um rapazinho – completou – agora ta explicada a minha derrota – concluiu em meio a risos – E então, qual seu pedido?
— Mmmm – colocou a mão no queixo como se estivesse pensando – Já sei! – disse quase pulando da cadeira.
— Desembucha – falou ansiosa, com certo medo do que viria a seguir.
— Eu quero brincar no parque – respondeu.
— Que parque?
— Esse daqui – apontou para fora da sorveteria.
De todas as coisas que ele poderia pedir, ele apenas desejou brincar em um simples parque. Não aquele que possuíam roda gigante, montanha russa, carrossel, entre outros brinquedos, mas sim aqueles de filmes, onde reunia pais e filhos. Havia escorregadores, balanços, caixas de areia, um parquinho completo.
O sorriso que aquela criança esboçava era algo esplêndido para Emma. Suas covinhas a conquistou na primeira vista. Aquele sorriso era o mesmo de Regina, cada tracinho, cada curvatura de seus lábios, os olhos castanhos e ate mesmo o brilho que se instalavam nos mesmos. A forma de falar, a pureza de cada gesto, cada palavra que saia de sua boca, era como se fosse Regina ali.
— Você só quer ir ao parque? – ele assentiu animadamente – Tudo bem, agora vamos antes que escureça e sua mãe me denuncie por sequestro – deixou o dinheiro em cima do balcão, agradeceu e andou para fora do recinto, onde ficava o lugar desejado pela criança – Pode ir brincar, vou ficar de olho em você daqui.
— Queria que você fosse comigo – segurou a mão da loira como em um pedido.
— Eu sou muito grande pra poder brincar – interferiu.
— Olha – apontou para dois balanços que estavam mais distantes dos demais brinquedos – você pode se balançar comigo.
— Garoto, acho melhor não...
— Por favor, Swan – pediu.
— Emma.
— Por favor, Emma – reformulou.
— Tudo bem – aceitou revirando os olhos e formando um sorriso vitorioso no pequeno. Ele a puxou ate aproximar-se do brinquedo – É tão pequeno – analisou – Sério que você quer que eu sente nisso?
— Sim – respondeu cruzando os bracinhos, esperando a loira fazer o óbvio.
— Okay – levantou a mão em rendição. Joseph parecia estar tomando de conta dela e não o contrário. Emma sentou olhando o pequeno que estava próximo de si esperando para que ela fizesse o combinado. A loira coube perfeitamente no brinquedo, porém, suas pernas eram maiores do que o necessário, fazendo com que seus joelhos ficassem dobrados e suas pernas encolhidas. Joseph sentou em seguida, não precisou de ajuda, pois o balanço era proporcional ao seu tamanho.
No começo ele se balançou forte, como se há tempos tivesse aquela vontade presa dentro de si. Balançou como se sentisse um pássaro, livre e sem preocupações, aproveitando o vento contra seu rosto e a liberdade em seu corpo. Seus cabelos mexiam conforme os impulsos eram dados, seu sorriso aumentava conforme a sensação era tomada. Aos poucos o ritmo diminuiu. Emma apenas movimentava seu corpo pra frente e pra trás, com calma, observando a felicidade estampada no rosto da criança que acabara de conhecer.
O silêncio pairou por algum tempo. Não um silêncio constrangedor, mas sim acolhedor. Era bom ter uma criança perto de si. Emma nunca teve contato com alguma, e se teve, não durou mais que cinco minutos, pois normalmente essa era a idade da inquietude e a loira julgava-se não ter paciência para tal coisa.
Joseph era diferente, ela pôde sentir isso. Ele era calmo, inteligente, parecia saber falar tudo no momento certo, carregava as semelhanças da pessoa que Emma mais amava. Mas o que mais lhe chamou a atenção foi sua inocência, sua pureza, a simplicidade de cada gesto daquele garoto era algo formidável.
— De onde você conhece a mamãe? – perguntou interrompendo os pensamentos da mulher ao seu lado.
— Já ouviu falar de Storybrooke?
— Sim – respondeu – vovó Cora mora lá.
— Isso mesmo – sorriu ignorando aquele nome – Eu morava em outra cidade com a minha avó antes de me mudar.
— Você não morava com sua mamãe?
— Não – respondeu calmamente enquanto lembrava-se do tempo que passara.
— Por quê? – perguntou.
— Por motivos de condições.
— Condições?
— Sim – respondeu – Meus pais não tinham dinheiro suficiente para me criar. Mas assim que conseguiram trabalhos fixos, eles me buscaram e eu passei a morar com meus pais na mesma cidade onde sua mãe morava, em Storybrooke – continuou – Comecei a estudar na mesma escola em que ela estudava e foi lá que nos conhecemos – sorriu ao vê-lo empolgado com a história.
— Que legal! – exclamou – Você conheceu minha vovó?
— Sim – “infelizmente”, pensou – E você?
— Não – balançou a cabeça tristemente.
— Sua mãe nunca te levou para Storybrooke?
— Eu não sei – falou pensativo – Não me lembro.
Emma viu que a conversa já estava indo pro lado pessoal, o lado no qual provavelmente Joseph não teria respostas para suas perguntas. O observou por alguns segundos e resolveu mudar de assunto.
— Garoto, por que você escolheu vim ao parque?
— Porque fazia tempo que eu não vinha – respondeu olhando para as crianças que corriam a nossa frente.
— Se quiser, pode ir brincar com elas, eu te espero aqui.
— Não, eu gosto de ficar aqui – pausou – com você – Emma abriu um largo sorriso ao ouvir aquilo, o encontro estava sendo muito melhor do que esperava.
— Então, quem te trazia?
— Titia Addison – voltou o olhar para a loira – Mamãe sempre ta ocupada.
— Médicos devem ter a vida bem conturbada – ele assentiu em resposta.
— Você também trabalha? – perguntou.
— Sim – respondeu.
— De que?
— Sou delegada.
— O que é uma delegada?
— É a chefona da polícia – brincou.
— Caramba! Você é tipo um super herói – falou animadamente.
— Super herói? Acho que não, garoto.
— É sim! Você prende bandidos como eles fazem.
— Super heróis nunca falham em suas missões e infelizmente falhei em algumas – encarou seus próprios pés.
— Você deveria criar uma roupa.
— Uma roupa? Pra que?
— Uma roupa pra combater o mal, tipo a Mulher Maravilha – pausou por alguns segundos – Que tal Super Swan?
A loira gargalhou alto.
— Garoto, eu sou mais velha do que você vinte e três anos, mas ate hoje, minha imaginação não chega nem aos pés da sua. Se continuar assim, provavelmente será um ótimo escritor, histórias não vão faltar – continuou – Isso também vale pro ramo das artes, acho que sempre terá novas ideias.
— Meus desenhos são os mais bonitos da sala – falou.
— Sério? – fez cara de curiosidade.
— Sim – assentiu sorrindo.
— Você poderia me mostrar qualquer dia desses...
— Claro – respondeu – Eu tenho um montão na minha casa.
Emma sentiu a presença de uma terceira pessoa no local.
— Em falar em casa, vocês não acham que já está na hora de voltar pra lá? – uma voz rouca interrompeu a conversa dos dois.
— Mamãe! – Joseph levantou-se e correu em direção à voz que estava a alguns passos de si.
— Meu príncipe – abaixou-se a altura do garoto e o envolveu em um abraço calmo, depositando um beijo sobre sua cabeça – Eu já estava preocupada com você – olhou para Emma – com vocês – continuou – Estavam se divertindo?
— Muito! – falou o garotinho.
— Que ótimo – sorriu – Agora está na hora de irmos pra casa, não acha?
Emma percebeu a cara que Joseph fez, era a mesma de insistência pelas três bolas de sorvete. Aproximou-se antes que ele pudesse questionar sua mãe.
— Garoto, olha – fez gesto com a cabeça para que ele observasse a sua frente – Já está ficando tarde, as crianças estão indo embora com seus pais – falou – Não vai demorar muito pra que escureça. Aqui de noite é perigoso – concluiu. O garoto assentiu tristemente – Se sua mãe concordar – olhou para Regina – eu posso te trazer novamente próxima semana. Você deixa, Regina? – ambos olharam para a morena.
— Claro – respondeu surpresa com o pedido de Emma.
— Está marcado – piscou o olho direito para Joseph, que sorriu em seguida.
— Agora vamos – estendeu a mão para o filho e o conduziu ate seu carro.
A loira esperou Regina sair para segui-la no carro de Addison ate sua casa. Estacionaram juntamente. Os três adentraram a casa. Joseph correu para ligar a TV, deixando as duas sozinhas no hall de entrada.
— Aqui – entregou as chaves do carro à morena.
— Obrigada por ir buscá-lo – agradeceu.
— Foi um prazer – sorriu. Emma deu um passo aumentando a proximidade com a morena. Ficou observando cada traço de seu rosto. Observou os olhos, o nariz, a boca, viu Regina corar pelos olhares que lhe dava – Como você sabia que estávamos no parque? – por fim perguntou.
— Pouco tempo depois de eu acordar, peguei meu celular e vi duas mensagens que Addie me mandou. Uma delas dizia pra eu ir buscá-lo na escola, porque ela estaria ocupada.
— Deve ter sido antes de eu falar com ela.
— Vocês se falaram?
— Sim – respondeu – Eu atendi ao telefone, espero que não tenha problema.
— Claro que não, foi por uma boa causa – continuou – Depois que vi o sms, corri pra escola e no meio do caminho eu vi o carro estacionado perto da sorveteria, pensei ate que ela tinha ido buscá-lo, mas tive uma surpresa quando te vi.
— Espero que a surpresa tenha sido boa – falou mais para si do que pra morena.
— Foi maravilhosa – concordou – Você vai ficar?
— Melhor eu ir embora – falou – Vocês precisam de um tempinho mãe e filho.
— Acho que Joseph não se incomodaria – olhou para o cômodo que o garoto estava – Ele te adorou.
— Eu também adorei ele – respondeu sorrindo – mas é melhor eu ir – concluiu. Já iria abrir a porta para sair, quando se lembrou de algo – Regina – chamou sua atenção.
— Sim?
— Por que você se preocupou com ele? Com nós? Achou que eu tinha sequestrado o garoto?
— Não – desviou o olhar – Só fiquei com medo de que tudo o que falamos hoje, uma pra outra, tinha passado de um sonho – disse encarando os próprios pés.
— Boba – deu alguns passos em sua direção – Quando você vai perceber que somos reais? –segurou gentilmente o rosto da morena, fazendo com que a encarasse – Quando vai perceber que tudo o que passamos foi real? Que as palavras que trocamos são reais? – encostou sua testa contra a dela – Quando?
— Me desculpa – pediu – É que tudo está indo tão bem, que chega a ser surreal pra mim – confessou.
— Pra nós – completou. Afastou seu rosto da outra e encarou seus olhos – É o surreal mais lindo que eu já vivi.
Regina pousou suas mãos na nuca da loira e a puxou vagarosamente para si, dando liberdade para que pudesse entrar em seu espaço pessoal. Emma segurou-a firmemente pela cintura, fazendo com que a distância entre seus corpos fossem dizimadas. Aproximou seu rosto do pescoço da morena e o beijou. Um beijo molhado, sem nenhuma preocupação, sem nenhuma ansiedade, queria sentir seu gosto e assim fez. Regina aproveitou cada momento daquele toque, sabia que a loira não passaria daquilo. Quando sentiu os lábios finos se separarem do contato, subiu sua mão direita para os cabelos de Emma, deixando seus dedos se perder entre os fios dourados. A morena, por sua vez, depositou um beijo sobre a bochecha da loira, levou a boca ate seu nariz afilado e mordiscou a pontinha, fazendo-a sorrir. Voltou seus lábios para o rosto de Emma, roçou os mesmos contra sua pele ate aproximar-se de sua boca. As respirações começaram a ficar ofegantes, uma cruzando o caminho da outra. Talvez fosse ansiedade, talvez nervosismo. Os olhos de ambas fechados, as bocas entreabertas, quase um convite para serem tomadas.
— Swan – Joseph chamou antes de aparecer no corredor, fazendo as duas se soltarem rapidamente – vem assistir Peppa Pig – convidou.
— Eu já estava indo pra casa – falou – mas qualquer dia desses eu venho te buscar pra assistir Discovery Kids comigo, certo?
— Certo – assentiu – Vai ser muito legal!
— Sim, vai ser – concordou.
— Mamãe pode ir?
— Claro – olhou para a mulher que ainda se encontrava desconcertada a sua frente – será um prazer – voltou seu olhar para a criança – Foi muito bom te conhecer, rapazinho – falou enquanto assanhava seus cabelos escuros – Eu vou indo – abriu a porta da entrada principal – deu uma olhada para Regina, que não podia fazer nada além de se despedir com olhares, no máximo palavras, mas não se despedir como queria. A verdade era que nem ao menos pensou que teria que dar tchau a loira novamente.
— Tchau, Swan – Joseph correu e abraçou as pernas da loira antes que a mesma fechasse a porta.
Emma sorriu com o gesto. Aproveitou cada segundo daquele mini abraço. Como um simples gesto poderia ser tão significante? Nem ela mesma sabia responder. Só tinha certeza de duas coisas: Joseph Mills havia conquistado seu coração e de alguma forma, sabia que isso era recíproco.
— Tchau, garoto – abaixou-se ate ficar próxima dele. Pousou um beijo sobre seus cabelos e deu uma última olhada na morena. Sorriu. Sorriu de um jeito diferente, um jeito completo, como se tivesse a plena certeza que tudo ficaria em seu devido lugar. Aquela mulher e aquele garotinho, agora faziam parte da sua vida. E se pudesse dizer, se pudesse confirmar, se pudesse ter a certeza do futuro incerto, ela diria que independente do que aconteça, sempre estaria com eles, mesmo sabendo que o pra sempre, sempre acaba.
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