Nossa Música
11 O inesperado tão esperado
Notas iniciais
Já era sexta-feira, último dia de aula e depois férias. Os alunos saíram eufóricos quando o sinal soou avisando o término da prova, pulavam e gritavam, parecia que a qualquer momento começariam a dançar e cantar como em High School Musical.
— Ruby! – a loira correu em direção a amiga – Tava esperando por você.
— Opa, to me sentindo especial – brincou.
— Você parecia que estava escondida quando falava comigo no telefone.
— E eu estava – falou sorrindo.
— De quem? – perguntou.
— Da minha vó. Ela me proibiu de ligar só porque nesse mês a conta veio o dobro da passada e ela teve que passar praticamente vinte e quatro horas na lanchonete pra poder pagar.
— Coitada.
— Coitada de mim, ela ta me fazendo de gato e sapato.
Riram por alguns segundos e se calaram ate que a loira quebrou o silêncio.
— Eu não vi Regina a semana toda. Você sabe o que está havendo? – perguntou.
— Emma, eu já te disse tudo o que podia.
— Então você sabe mais do que eu pensava – concluiu.
— É sério, eu não posso ter essa conversa com você.
— Por que não? – perguntou.
— Regina me fez prometer – respondeu – vamos andando – puxou a amiga pelo braço – o que você estava conversando com seus pais?
— Nós estamos pensando em ir embora, Ruby.
— Como assim? – perguntou a morena que parou imediatamente no caminho.
— Meus pais estão com medo do que Cora pode fazer comigo – respondeu cabisbaixa.
— Mas não pode – estava atordoada – você não pode ir embora assim. E eu? E os seus amigos? E a escola? E Regina?
— To começando a achar que é o melhor a fazer – falou tristemente – eu sentirei muita saudade de tudo, especialmente de vocês, mas – suspirou – eu não suportaria ficar vendo ela nos braços de Killian todos os dias.
— Eu não sei o que dizer – falou.
— Nem eu sei o que pensar.
— Você deveria tentar falar com ela – havia chegado em frente a pensão – lembre-se do que eu disse na ligação. Tchau, Emma – deu um abraço na amiga e entrou em casa.
♫♫♫
A loira passou o fim de semana pensando no que havia acontecido naquela semana. Pensou nas palavras que tanto a maltratara, palavras que saiu da pessoa que ela mais se preocupava, de alguém que ela tanto amava. Pensou na sua discussão com a prefeita, nas coisas que ela falara, coisas que serviu de desculpas para sua saída da cidade.
A frase da amiga não saía do seu subconsciente “Tudo que posso dizer é que a partir das oito horas a empregada vai embora e ela fica sozinha em casa ate às nove e meia, é o horário que Cora chega”. Estava preocupada por não ter notícias de Regina, preocupada pelo que acontecera à morena, e o que mais a perturbava era que não teve a chance de falar tudo o que queria, tudo o que sentia para a garota.
Já era segunda-feira. A primeira segunda-feira das férias. Depois de passar o dia inteiro deitada, sua mãe a chamou para jantar, quando terminou voltou para seu quarto e encarou o relógio que marcava 19:58. Acompanhou o ponteiro dos segundos com os olhos, como se ele mostrasse o que deveria fazer. Levantou-se, trocou seu pijama por uma camiseta branca, calça jeans, botas e sua jaqueta vermelha. Amarrou seu cabelo em um rabo de cavalo e se olhou no espelho.
— Eu nasci pra me ferrar – falou – só espero que me ferre com a pessoa certa.
Saiu do cômodo e desceu as escadas.
— Pra onde vai? – perguntou a mãe.
— Vou dar uma volta – respondeu – se eu não chegar ate amanhã ligue pra polícia.
— Pode deixar – o pai falou piscando o olho esquerdo.
A loira andou ate parar em frente da maior casa da cidade, olhou ao redor para ver o movimento e estava como imaginava, pareceria uma cidade abandonada se não fosse pelas luzes ligadas nos postes e nas casas. Atravessou a rua. Olhou para a única luz acesa que ficava no andar de cima, olhou mais uma vez para trás para se certificar que ninguém a vira, passou pelo jardim ate chegar aos fundos da mansão. A porta se encontrava aberta. Emma entrou cuidadosamente para não fazer som algum, não tinha certeza se a garota estava sozinha, não tinha certeza nem se ela estaria lá.
Subiu as escadas e foi de encontro à única luz que brilhava naquele lugar. Parecia o mesmo caminho que há algumas semanas Regina fez para chegar ao quarto da loira. A porta estava aberta. A morena estava deitada na cama como de costume, com uma blusa justa de manga longa e calça comprida, só que em vez de jeans era de moletom, estava de óculos e com o livro do ‘Senhor dos Anéis — A sociedade do anel’ enfiado na cara. A loira a observou por alguns instantes, contemplando aquela imagem calma que sabia que logo iria desaparecer.
Warren Barfield — Love Is Not A Fight ♪♫♪
— Espero que já tenha lido O Hobbit – falou.
— Por Deus! – a morena pulou da cama como se tivesse visto um fantasma.
— Desculpa – pediu a loira.
A garota se levantou da cama deixando o livro no criado-mudo e pousando seus óculos por cima. Respirou fortemente por alguns instantes se recuperando do susto.
— O que quer? – perguntou sem demonstrar nenhum sentimento.
— Vim ver como você está – respondeu.
— Eu estou bem, pelo menos eu estava há alguns minutos atrás – falou.
— Por que faltou as provas? – perguntou – Você vai acabar se prejudicando.
— Isso não é da sua conta – respondeu – pode deixar que disso cuido eu.
— Cora disse que era minha culpa, por isso vim aqui saber o que te fiz.
— Ah, deve está falando do show que houve em frente à escola. E você não perdeu tempo de fazer seu discursozinho me envolvendo, não é? Que bom que tocou nesse assunto. Queria te pedir que nunca mais fale de mim em público, não me envolva nisso. Você está prejudicando meu namoro, está prejudicando a minha imagem e junto à imagem de Killian – falou sem ponderar uma só palavra.
— Por que está fazendo isso comigo? O que te fiz pra me tratar desse jeito? – perguntou com tristeza na voz – Eu que tanto te acolhi, te ajudei, te fiz companhia, eu que tanto te amei – sussurrou a última frase.
Regina estava como na última vez que falara com a loira, precisava sair dali, precisava se distanciar, ela não aguentaria por muito tempo.
— Você tem que entender que é melhor assim – tentou manter um tom neutro na voz, não queria demonstrar sentimentos, mas também não queria que a loira chorasse novamente, pelo menos não ali, não na sua frente.
— Tudo bem – falou como se tivesse se conformado – eu só quero te ver feliz, e se você está bem com ele eu vou entender e compreender, por mais que eu não consiga fazer isso agora, eu tentarei por você. Minha mãe me disse algo que serve perfeitamente pra esse momento – encarou-a nos olhos – se ele te faz bem, se te faz feliz, me faz feliz também e isso basta – suspirou tentando segurar as lágrimas – por mais que isso não me inclua na sua felicidade, eu sempre vou torcer pra que você consiga conquistá-la.
A morena ficou de costas para Emma, deu alguns passos para frente e passou a mão direita rapidamente limpando os olhos.
— É melhor ir embora – falou.
— Regina, por favor – pediu – eu só vim conversar com você.
— Já conversou o bastante. Vá embora, Swan – insistiu.
— Você só precisa me dizer uma coisa pra que eu vá de vez.
— O que é? – perguntou.
— Diga que o ama e que não sente nada por mim.
— Eu amo Killian e não sinto nada por você.
— Diga isso olhando nos meus olhos e não de costas pra mim – pediu.
A morena se virou lentamente encarando os olhos cintilantes da loira, aqueles olhos, aquele brilho, aquela pele branquinha, os cabelos dourados, aquela garota fazia Regina sair de si e encontrar o seu verdadeiro eu.
— Diga Regina! – insistiu.
— Eu... Eu... – não conseguia mais mentir – Eu te amo, Emma.
A loira não pensou duas vezes e correu em direção a outra, colocou-a contra a parede a envolvendo em um abraço e em um beijo desesperado.
— Eu sabia – falou entre lágrimas – sabia que o que sentimos uma pela outra não é algo que acabaria da noite pro dia – beijou o rosto da morena – sabia que não acabaria desse jeito, não com todas essas más palavras.
— Me perdoa – pediu – eu não queria fazer nada disso – Regina agora chorava como uma criança quando os pais brigam e se sentem culpadas.
— Shhh – passou a mão delicadamente no cabelo escuro da garota – ta tudo bem – a loira puxara o lado acolhedor da mãe – só me prometa que isso nunca mais vai acontecer, eu não suportaria te ver nos braços de outra pessoa, não suportaria ficar longe de você nem mais um segundo sequer – confessou – me prometa – encarou-a nos olhos.
— Eu prometo – voltou a abraçá-la.
Regina estava envolvida por Emma, estava com a cabeça encostada no ombro da garota, sentindo o cheirinho que ela tanto sentia falta, sentindo a pele macia de encontro com a sua, a proteção que ela sentia quando estava com a loira era inevitável. Ficaram juntas e abraçadas por alguns minutos, só ouvindo a respiração uma da outra. A morena se dirigiu à porta e a trancou.
— Fica aqui comigo ate eu pegar no sono como na primeira vez – pediu.
— Sua mãe pode chegar a qualquer momento – advertiu – a última coisa que eu quero é te colocar em uma encrenca.
— Ela está chegando mais tarde do que nunca – confessou.
— Tudo bem – Emma assentiu.
Regina a guiou ate a cama, deitaram-se de lado fazendo com que ficasse frente a frente uma para a outra. A morena não conseguia parar de contemplar a loira.
— O que foi? – perguntou.
— Eu amo seus olhos, Swan – respondeu.
— Uma vez você disse que não podia me olhar – falou se virando e encarando o teto do quarto.
A morena se aproximou mais da garota e levou suas mãos ao rosto branco como a neve, puxando suavemente fazendo com que seu olhar ficasse de encontro com o dela.
— Você quer saber por quê? – perguntou.
— Sim – respondeu.
— Porque você é a única pessoa que me faz perder a cabeça, perder meu autocontrole, eu não raciocínio bem quando você me olha, como agora, eu nem sei direito o que estou dizendo – continuou – você foi a melhor coisa que me aconteceu. Você me mostrou o que eu precisava enxergar, me fez sentir o que já não me importava mais – confessou.
— O que eu te faço sentir? – perguntou.
— Eu me sinto amada, feliz, esperançosa, segura, como se o mundo inteiro fosse meu, como se não houvesse problemas pra enfrentar – pausou – eu me sinto tão bem com você.
Emma não sabia o que dizer, aquilo foi a coisa mais linda que alguém já havia lhe dito. Todas as palavras que tanto a magoou na semana passada foram substituídas por palavras que ela não esperava, palavras nas quais jamais esqueceria. Passou suas mãos pelo pescoço da morena e a puxou de encontro aos seus lábios, beijou-a forte, beijou com todo o sentimento que poderia passar em apenas um gesto, tinha medo de perdê-la, medo de nunca mais tê-la em seus braços.
Desceu seus lábios finos para o pescoço da morena, beijava delicadamente cada pedacinho. O cheiro de maçã estava por toda parte, a loira amava isso.
Regina se livrou da jaqueta vermelha como em um passe de mágica, a loira estava por cima da mesma. A morena arfava com os beijos de Emma, colocou suas mãos por dentro da camiseta branca, se deparou com um abdômen rígido e bem torneado, queria tirar sua blusa, mas achou que fosse errado então recuou.
— O que foi? – a loira perguntou.
— Eu não sei o que fazer – respondeu.
— Nem eu sei o que estou fazendo – concluiu – vamos apenas nos deixar levar pelos nossos instintos.
A morena assentiu e puxou Emma para mais um beijo.
— Eu gosto do seu cabelo solto – falou desmanchando o rabo de cavalo loiro.
— E eu gosto de você de qualquer jeito – abraçou a garota – contanto que nunca me deixe.
— Vou estar com você nem que seja apenas em pensamentos – prometeu.
Ficaram se entreolhando por alguns segundos, trocaram sorrisos bobos e caricias.
— Me deixa cuidar de você, Regina – pediu.
— Eu sou sua, Emma. Faça o que quiser comigo – falou.
A loira puxou-a para cima de si e tornou a beijá-la. Deslizou sua mão contornando a cintura bem desenhada da morena, passou as unhas delicadamente por dentro da blusa da mesma acariciando suas costas. Sentiu Regina se arrepiar.
Emma trocou de posição com a morena. Tirou vagarosamente a blusa da garota tentando não interromper o beijo. Quando Regina notou também já havia tirado a camiseta da loira. Sentia cada vez mais o calor em sua pele. Emma quebrou o contato de seus lábios e desceu novamente para seu pescoço, dando pequenas mordidas. Desceu de encontro ao seu sutiã e então o retirou, deixando a mostra os seios firmes da garota.
Foi se aproximando aos poucos com beijos ate abocanhar seu seio direito, no esquerdo a loira massageava com sua mão, fazendo a morena morder o próprio lábio. Ficou ali por alguns instantes. Em seguida desceu beijando a barriga perfeita da garota ate se deparar com a calça que interrompia o caminho que queria trilhar. Puxou-a rapidamente deixando a garota apenas de calcinha.
Regina puxou a loira para si, retirou seu sutiã e sua calça comprida, deixando-a exatamente como ela, apenas com a peça íntima de baixo. Emma estava deitada entre as pernas da morena, beijava-a com ternura, por mais que seu desejo quisesse lhe consumir ela não deixava, não queria assustar Regina, não queria se assustar. Queria que aquele momento fosse marcado por amor e não por desejo.
Passou sua mão na lateral do corpo da morena e desceu a calcinha preta lentamente, se esquivou um pouco para dar passagem, quando voltou dentre as pernas da garota sentiu a umidade do seu sexo contra seu corpo.
Regina observou o sinal que a loira tinha na lateral interna do seu seio direito, aproximou seus lábios e o beijou, arrastou a boca ate encontrar o mamilo, beijou como beijava Emma, com amor, com ternura, com desejo, mas acima de tudo tentava manter a calma. Dividiu sua atenção entre os dois.
A loira estava excitada com o toque dos lábios carnudos em sua pele. Emma foi descendo sua mão de encontro ao sexo da mesma, fazendo com que seu beijo abafasse o gemido que a morena soltou quando sentiu a penetração dos dois dedos da loira dentro de si.
Emma fazia movimentos circulares pressionando seu clitóris. A morena estava completamente entregue à loira. Regina respirava ofegante com os movimentos repetitivos. Emma trilhou o caminho que tanto queria, não sabia direito o que tinha que fazer, resolveu experimentar o mesmo que fazia quando envolvia a morena com sua boca. Beijou seu sexo como beijava Regina, envolvendo língua, lábios e algumas mordidinhas.
A morena arqueou as costas como se pudesse receber mais prazer do que a loira estava lhe proporcionando. Emma observava os movimentos de exaltação da morena. Colocou seus dedos novamente dentro da garota para recuperar um pouco de ar, a frequência dos seus movimentos estava mais rápida, Regina apertava fortemente o cobertor. Começou a se contorcer. Não demorou muito para que atingisse o orgasmo. A loira diminuiu seus movimentos prolongando a sensação de prazer, a sensação de êxtase.
Os maus tratos que Regina sofrera nas férias de verão foram substituídos por toques de carinho, seu corpo que há alguns meses atrás estava repleto de marcas roxas agora estava marcado por amor, uma marca muito mais forte do que qualquer tom de cor.
Emma se deitou ao lado da garota que ainda estava ofegante. Regina a encarou e deu um sorriso, que se tivesse que dar uma legenda seria mais ou menos como “ainda não acabou”.
Regina retirou a calcinha vermelha da garota. Voltou a beijar e a chupar os seios da loira. Abriu as pernas da mesma e desceu sua mão de encontro com seu órgão, o massageou gentilmente com o polegar, Emma rebolava no ritmo dos movimentos de Regina. A morena deslizou sua língua pelo corpo malhado da loira ate chegar ao seu sexo. O abocanhou. Emma gemeu alto com o contato. A loira segurou a cabeça da morena entre suas pernas como se pedisse para não parar.
— Regina – arfou.
Foi a única coisa que a loira conseguiu falar antes de começar a se contorcer. A morena não queria parar. Queria que Emma fosse dela tanto quanto ela agora era da loira. Queria sentir seu gosto, guardá-lo para si. E assim fez. Regina retirou a língua vagarosamente de dentro da loira, ainda sentindo o seu gosto em sua boca.
The Hush Sound — You Are The Moon ♪♫♪
Deitou ao lado de Emma que imediatamente a enlaçou nos seus braços. Entrelaçaram as pernas. Não existia um milímetro de distância sequer separando as duas, seus corpos estavam unidos, quase fundidos. Regina se aconchegou na loira, como se Emma fosse seu cobertor, seu manto blindado, nada poderia lhe afetar, nada poderia lhe amedrontar, não mais. Tudo o que precisava daqui pra frente estava com ela naquele momento, não precisava de mais nada, nem de ninguém.
— Obrigada.
— Pelo que? – a loira perguntou.
— Por não ter desistido de mim, por ter me feito esquecer todas as coisas ruins que aconteceu comigo em tão pouco tempo, por ter me tornado sua, por se entregar a mim – continuou – por ter me dado a felicidade, a esperança, a vontade de viver novamente e acima de tudo por juntar os pedaços que um dia eu chamei de coração, você não só catou como também o forjou e deixou novinho em folha.
— Regina – ergueu seu queixo e encarou seus olhos negros – você foi o melhor presente que Deus me deu, a melhor coisa que aconteceu na minha vida, é com você que eu quero passar todos os meus momentos, sendo eles bons ou ruins, disso eu não tenho dúvida.
A morena foi de encontro aos lábios da loira. Deu um beijo calmo, um beijo acolhedor, um beijo que selava todas as palavras ditas, todos os gestos feitos naquela noite.
Ficaram juntas por longos minutos ate que a loira percebeu que Regina estava dormindo. Afastou-se deixando a morena de bruços para que não sentisse sua falta. Já ia se vestir quando ouviu sua voz.
— Não vá, Emma – pediu – fique aqui comigo.
— Tudo bem – assentiu e soltou as roupas que estavam em suas mãos. Dirigiu-se à morena deitando sobre suas costas nuas e a abraçando por trás.
— Eu te amo – sussurrou.
— Eu também te amo – falou descansando seu rosto sobre o corpo da garota.

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