Nossa Música
1 Devaneios
Notas iniciais
"10 ANOS ATRÁS"
Mais um dia se passava naquela cidade pacata, Regina se perguntava onde estava a alegria daquela cidade, só ouvia as pessoas se queixando das dificuldades, das tristezas e decepções que acontecia naquele lugar – Parece até que haviam colocado um tipo de maldição sobre Storybrooke – pensou.
Ela observava atentamente as ruas vazias enquanto merendava no Granny's, e naquele momento viu que ali não era exatamente o lugar que queria viver quando construisse sua família, não tinha muita opção de trabalho, não poderia exercer o que tanto amava. Música.
Mas vejamos, Regina não queria cantar, não conseguia se ver em um palco com público de um milhão de pessoas. Na verdade, o que realmente queria era dar oportunidade para as pessoas que realmente possuiam talento, que descreviam as pessoas, seus atos, principalmente seus sentimentos, seria uma espécie de "caça-talentos".
A batida na porta da lanchonete interrompeu seus pensamentos. Cora se assustou ao ver sua filha lanchando no momento em que deveria estar na aula, andou diretamente até Regina e a agarrou pelo braço, puxando-a até chegar no seu carro.
— Você deveria estar na escola — disse Cora com as veias borbulhando de ódio — é o ultimo bimestre, e eu te encontro aqui merendando, como se não tivesse obrigações!
– Mamãe... — Regina tentou se justificar, mas logo Cora a interrompeu.
— Você é imprestável Regina, nem para estudar serve — fulminou a jovem com seus olhos castanhos — vou te deixar lá agora mesmo!
— Mamãe... — tentou falar novamente sem sucesso.
— Cale a boca, não aguento mais ouvir sua voz! — gritou.
Regina sabe que é impossível conversar com a mãe, tentou, mas não conseguiu, então silenciou.
Chegando no colégio Cora entrou e viu que não havia mais ninguém por lá. Foi em direção a garota que estava no banco de passageiro do carro, abriu a porta, puxou-a pela gola da farda:
— Cadê os alunos dessa escola? — gritou.
— Mamãe, tentei falar, mas você me interrompeu como sempre — falou revirando os olhos.
Cora dá um tapa na cara da filha — Insolente! — grita
— Hoje foram as bimestrais, todos saíram mais cedo do que o normal, já estou de férias — falou Regina passando a mão onde havia recebido o tapa.
Cora largou sua gola, deixando-a entrar de volta no carro. Passou o caminho inteiro sem dar uma só palavra.
♫♫♫
Assim quando o carro parou, Regina correu para dentro de casa até chegar em seu quarto, era a maior casa de Storybrooke, mansão de número 108, a qual pertencia à prefeita, sua mãe.
Voltou então aos seus pensamentos, seus sonhos, seus devaneios, contando as horas, os dias, os meses, os anos para que se tornassem realidade. Chorou baixinho abraçada ao seu travesseiro, com o medo de que ainda durasse muito tempo naquele lugar, naquela casa, naquela cidade.
♫♫♫
Regina tinha 17 anos, 1,64cm de altura, cabelos negros lisos que iam até a cintura, normalmente usava um batom coral, não tão claro, não tão escuro. Tinha um corpo escultural para sua idade, chamava a atenção de todos os alunos, era considerada a mais linda da cidade por todos que ali moravam.
Sua mãe, não suportava o fato de que sua filha era mais bonita que ela. Quando Regina se tornou moça, os olhares que antes eram só para Cora, agora tinham desviado para a filha, formando um tornado de inveja em seu coração. Desde então, Cora não perde a oportunidade de humilhar Regina, de expor sua filha ao ridículo, batia nela como bate em massa de pão até ficar boa o suficiente para ir ao forno, mas Regina nunca ficaria no ponto, segundo Cora.
Ela não era como a mãe, não, não era mesmo. Ela se dava bem com os moradores daquela cidade, tratavam todos com muita educação, com carinho, não deixava que os maus tratos da mãe fossem mudar suas ações. Ela era o tipo de garota popular no colegial, tinha amigas na qual confiava bastante, garotos aos seus pés, mas só tinha olhos para Killian (seu namorado atualmente), os professores tratavam-na como filha por ser uma ótima aluna em quase todas as matérias, ganhava inúmeras premiações.
Era como se sua vida fosse perfeita, tudo era muito bom quando estava com seus amigos, na escola, naquele ambiente, a não ser o fato de quando chegava em casa, parecia que o mundo desabava em sua cabeça, os problemas com a mãe vinha à tona, parecia que o relógio parava as horas ate o outro dia.
Entrou de férias, Regina estava ciente dos longos dias que a esperava. Dias no qual seria trancafiada dentro de casa como a Rapunzel na sua torre, com sua mãe e seu padrasto Gold, as pessoas que menos queria ficar perto naquele verão.
♫♫♫
Parecia que aquele mês se transformara em anos, cada dia mais longo que o outro, as únicas coisas que a salvaram do tédio foram seus livros, só com eles ela viajava para outros mundos, outras dimensões, fazendo com que saísse daquela realidade.
Certa vez olhou pela janela do seu quarto e viu suas amigas Ruby, Aurora e Mulan passando de biquíni para à praia. A praia. Aquela praia. A praia que lhe trazia tantos momentos bons, que certamente era um dia maravilhoso para dar um mergulho e tomar banho de sol, ou então se candidatar para aprender a surfar com Killian – meu Killian — Regina fala suspirando. Parecia que não via outro menino a não ser ele, ela só tinha olhos para aquele garoto, e que olhos! Tão azul quanto o mar que surfava, não via a hora de poder encarar aqueles olhos lindos e brilhantes novamente, beijar aquela boca com gostinho de mar, sentia tanta saudade, mas não tinha permissão nem de ir até a esquina, na verdade ela não fazia questão nem de pedir, pois já sentia o amargo "Não" de sua mãe, tinha certeza que se Cora descobrisse que ela namorava com o filho do marinheiro era capaz de expulsá-la de casa a pontapés porque "sua filha tinha que ser um exemplo a todos".
O verão estava quase no fim, faltando apenas uma semana para a volta às aulas, mas não passava pela cabeça sonhadora de Regina o que estava por vir, o que aquele acontecimento a transformaria, o quanto a maltrataria, e o quanto a mudaria.
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