Nossa Música
12 A praia
Notas iniciais
Emma acordou com o som do carro estacionando na garagem da mansão. A luz do farol refletia na janela do quarto. “Cora chegou”, pensou. Levantou-se delicadamente, tomando cuidado pra não acordar a morena. No momento em que os corpos se separaram Regina se encolheu com frio, a loira pegou o edredom e pousou delicadamente no corpo da outra, deixando apenas seu rosto no ar frio da noite.
Olhou para o relógio que marcava 1:13 da madrugada. “Preciso ir embora, é capaz da minha mãe levar a sério o que eu disse e acabar ligando pra polícia”, riu com o pensamento.
Vestiu sua calça, sua camiseta, calçou as botas, mas não achou sua jaqueta. Procurou pelo quarto inteiro, olhou no banheiro, sobre a cama, no pequeno sofá, mas nada encontrou. “Onde diabos você se enfiou? Não vou conseguir sair nesse frio só de camiseta”, pensou.
Logo parou o que estava fazendo quando ouviu passos no corredor, ficou imóvel, sem perceber prendeu a respiração, ficou com medo da mulher ouvir as batidas compassadas de seu coração, olhava para a porta como se a qualquer momento Cora a abrisse. Os passos se misturaram com risos abafados.
— Aqui não – sussurrou a mulher – vamos pro meu quarto, não quero correr o risco de Regina nos ouvir.
— Tudo bem – a voz masculina pairou no ar.
Emma respirou fundo quando percebeu que ambos tinham se afastado. Ouviu a porta do fim do corredor se fechar e soube que agora podia se mexer.
Voltou seus olhos para a morena, foi em sua direção e deitou ao seu lado fazendo com que a loira tivesse total acesso ao seu rosto. Já havia virado um hábito observar a garota, contemplar sua beleza, seus gestos, suas manias, sua ampla magnitude. Aproximou-se ate sentir sua respiração se misturando com a de Regina, tirou gentilmente a mexa de cabelo negro que caia sobre seu rosto, com o dorso dos dedos acariciou sua pele que poderia ser comparada a seda, levou a mesma mão à nuca da garota, descia e subia delicadamente suas unhas, sentiu a pele de Regina se arrepiar. Emma sorriu.
— Tão linda – a loira sussurrou.
— Linda é você, Swan – a morena retrucou com os olhos fechados, sentindo apenas o contato de Emma com seu corpo.
A loira sorriu novamente.
— Fingindo que estava dormindo não é senhorita Mills? Que coisa feia – brincou e apertou a ponta do nariz da mesma.
Regina sorriu de volta e abriu os olhos. Deparou-se com Emma já vestida.
— Já vai embora? – perguntou sem esconder a tristeza nas palavras.
— Sim – respondeu – não posso arriscar que alguém me veja, a última coisa que eu quero é te prejudicar – passou a mão no rosto da morena.
— Quando vou te ver de novo? – perguntou.
— Feche os olhos – a loira pediu e Regina consentiu ao pedido – sempre quando fechar seus olhos eu estarei nos seus pensamentos, ate mesmo quando apenas piscar. Sempre estaremos juntas, conectadas, como um receptor e uma tomada, como duas almas interligadas.
A morena abriu os olhos e aproximou-se da loira tomando seus lábios para si, um beijo curto, porém, não deixava de ser intenso como todos os outros já trocados. Não eram necessárias palavras, seus olhares se coincidiam pelo mesmo sentimento, cada gesto de carinho demonstrava muito mais do que frases e mais frases para descrever o momento, para descrever o que guardara no peito.
— Eu não consegui achar minha jaqueta de jeito algum – interrompera o silêncio – to achando que você fez algum feitiço que nem eu mesma lembro-me de como me livrei dela – confessou. Regina riu com o comentário – ela é especial pra mim, então seria ótimo se você depois tivesse um tempinho pra procurar.
— Não se preocupe, vou achar – piscou o olho direito sorrindo – espera um instante – a morena sentou-se e envolveu seu corpo com a coberta, fazendo um vestido improvisado. Levantou-se e andou ate o tripé que ficava ao lado do seu guarda-roupa, trouxe consigo um moletom grande e masculino – eu posso te dar isso por enquanto, também tem um grande significado pra mim, durmo sempre com ele, era do meu pai. Ficaremos kits ate que eu ache sua jaqueta.
A loira se levantou e foi em sua direção.
— Eu não aceitaria por educação, mas tenho que concordar com você, caso contrário eu morro congelada antes de chegar em casa – pegou o moletom de suas mãos – obrigada, pode deixar que eu cuidarei direitinho dele – agradeceu e a abraçou, deu um beijo em seu pescoço e subiu ate o rosto depositando outro levemente em seus lábios – eu realmente preciso ir – concluiu.
—Tudo bem – assentiu e segurou sua mão guiando-a à porta. Abriu vagarosamente e olhou os corredores sem fazer um barulho sequer – agora pode ir.
— Regina – se aproximou da garota, pousou a mão esquerda em sua nuca – não esquece que eu te amo.
— Nem que eu quisesse seria capaz de esquecer – sorriu – isso vale o mesmo pra você senhorita Swan. Eu te amo.
A loira sorriu e selou seus lábios nos da morena novamente. Deu uma última olhada em Regina antes de descer as escadas e se misturar na escuridão da casa.
♫♫♫
“REGINA”
Completa. Era a palavra que me definia. Completa em sentir algo tão intenso por alguém, completa por saber que fui correspondida, por saber que não importa o que aconteça sempre estaríamos juntas, como ela mesma disse, nem que seja apenas em pensamentos, mas continuaríamos fazendo parte uma da outra.
Gold havia me jogado uma maldição. Ainda me lembro como se fosse hoje, todas as palavras ditas antes da sua morte “Você vai se lembrar de mim, queridinha. Todos os momentos em que se relacionar com alguém, eu vou estar ali, nos seus pensamentos, talvez apenas seu amor verdadeiro faça com que esqueça”. Tentei voltar com Killian, Deus sabe disso, me esforcei, tentei dar meu máximo para minha vida voltar ao normal, mas não consegui, eu não sentira mais o terço do que sentira antes do acontecido, foi como se meu coração começasse a ser preenchido por uma mancha negra, como se as trevas tivessem tomando conta de mim. Mas tudo mudou quando eu a conheci, quando estava na sua presença Gold nunca vinha na minha mente, eu me distraia com ela, me distraia com sua beleza, seu carisma, seu sorriso, seus olhos, com a conversa, mas quando me afastava logo tudo vinha à tona por mais que eu tentasse me distrair.
Tudo mudou. Sim, ela me mudou. Ela me transformou, fez com que eu voltasse a si, me concertou aos poucos, juntando cada pedaço triturado, ela teve paciência comigo, me acolheu, me iluminou, me abraçou, me beijou e acima de tudo me amou.
♫♫♫
Fazia dois dias que as garotas não se viam. Cora resolveu ficar em casa, segundo ela precisava de folga, Regina permanecia no seu quarto, na sua torre, como uma prisioneira, como Rapunzel.
O tempo abriu. O sol raiava para a surpresa de todos, era uma manhã agradável, os pássaros cantavam na macieira da mansão, o ar frio foi substituído por uma onda de calor tranquilizante.
— Regina, acorda – chamou Ruby.
— Mmm, me deixa dormir – cobriu a cabeça com o cobertor.
— Qual é Regina, levante-se – pediu.
— Não sei como minha mãe deixou você entrar – falou.
— Ela não deixou, eu que fiquei de espiã no outro lado da rua esperando que ela saísse – confessou – eu to correndo risco de vida, o mínimo que você deveria fazer era levantar, pôr seu biquíni e ir comigo à praia. Talvez amanhã comece a nevar, o tempo aqui é meio louco, temos que aproveitar.
— Você está de brincadeira, não é?
— Claro que não – respondeu – eu tenho uma surpresa pra você quando chegarmos lá.
— Surpresa?
— Sim – falou com um largo sorriso.
— Eu tenho medo dessas suas “surpresas”.
— Não deveria, tenho certeza que você vai amar.
— Sei... – a morena encarou Ruby por alguns segundos tentando decifrar o que a amiga estava aprontando.
— Não adianta me olhar assim, eu não vou te dizer nada, vai ter que ver com seus próprios olhos.
Regina revirou os olhos e se levantou da cama.
— Eu nem sei mais o que é praia, Ruby. Nem sei se tenho roupa pra ir.
— Se não tiver eu dou meu jeito, tenho alguns biquínis em casa que com certeza lhe servirá direitinho.
— Tudo bem – concordou. Foi em direção ao seu guarda-roupa e procurou algo pra ocasião – achei! – falou como se tivesse achado um tesouro perdido.
— Pois trata de vestir – falou a amiga.
Entrou no banheiro e colocou seu biquíni preto, a parte de cima favoreceu seu busto, a de baixo por mais normal que fosse era inevitável qualquer peça de roupa não ficar provocativa no corpo bem modelado da morena. Pegou um vestido florido que há tempos não usava, em sua cintura possuía um elástico fazendo com marcasse sua silhueta, no restante do comprimento era totalmente solto e leve, seu comprimento ia ate a metade da coxa. Saiu do banheiro e foi em direção à amiga que estava lhe esperando.
— Quem vai estar lá? – perguntou.
— Mulan e Aurora – olhou para a morena – caramba, você está linda! Fazia tanto tempo que não te via assim.
— Assim como?
— Assim tão natural, tão feliz, com brilhos olhos. Aconteceu alguma coisa? – perguntou.
— Aconteceram tantas coisas – sorriu.
— Regina Mills, me conte tudo! – pediu – Um passarinho me contou que você se entendeu com Emma, isso tem alguma coisa haver com esse bom humor?
— Esse mesmo passarinho me contou que você andou informando sobre os horários da minha casa que nem eu mesma sabia que existia.
Ambas riram.
— Me desculpa, só tava tentando dar um empurrãozinho pra que meu casal favorito ficasse junto novamente e pelo visto funcionou, estou certa?
A morena assentiu e Ruby deu um gritinho de vitória. Regina olhou para o relógio que marcava 7:45 da manhã.
— Acho melhor nós irmos antes que a Rosa chegue – falou – eu sei que ela não comentaria nada pra minha mãe, mas prefiro evitar as perguntas.
— Tudo bem – concordou.
Ruby estava como sempre meio extravagante ate mesmo para ir à praia. Seu biquíni da parte de cima estava a mostra junto com sua barriga, estava com uma saia que media no máximo um palmo e meio. Regina admitia que a amiga era linda, tanto de rosto quanto de corpo, chamava a atenção de muitos garotos e Ruby amava isso.
A praia não passava de três quarteirões da casa de Regina, mas por algum motivo andaram mais do que o necessário.
— A gente já poderia parar de andar, sabia?
— Eu marquei com as meninas em um local um pouco mais distante do que de costume.
— Mas nós só vamos tomar banho, pôr a conversa em dia, por que tem que ser mais longe? – a amiga não respondeu – Só vamos fazer isso não é, Ruby?
— Vamos fazer tudo o que temos vontade – respondeu.
Regina já ia intervir quando avistou as amigas sentadas na areia. Mulan se virou e levantou-se indo em direção as amigas.
— Finalmente chegaram – disse abraçando-as.
— Vocês já comeram? – perguntou Aurora se aproximando e as cumprimentando.
— Eu já – respondeu Ruby – a dorminhoca aí que ainda não comeu nada.
— Vem – Aurora segurou a mão de Regina e a guiou ate onde estava uma grande toalha estendida na areia e sua mochila era o que a impedia de voar. A morena sentou-se de costas para as amigas e encarando o mar, tirou os chinelos colocando-os de lado, a amiga entregou um sanduíche natural, retirou uma garrafa térmica e despejou o suco no copo descartável – agora reponha suas energias porque não quero ver ninguém de estômago vazio. Nossa, pareci ate minha mãe falando agora – ambas riram.
— Obrigada pela comida, tava faminta.
— Sem problemas – sorriu.
— Está tudo bem entre você e Mulan? – perguntou.
— Sim. Ruby que te contou sobre nós?
— Sim – respondeu – me conta como foi que vocês descobriram o que sentia uma pela outra.
— Mulan sempre gostou de mim, eu também gostava dela, mas não desse jeito, só comecei a vê-la de maneira diferente depois que ela me contou tudo o que se passava...
Enquanto Aurora contava uma breve história para a amiga, Ruby e Mulan estava há alguns metros de distância das mesmas.
— Cadê a Emma? – perguntou Ruby.
— Ela disse que ia passar na casa de um amigo antes de vir – desviou o olhar – olha, lá vem ela.
Ruby olhou para a amiga que estava trazendo um garoto do segundo ano, ela já havia visto ele algumas vezes pela escola e outras conversando com a loira, que por sinal era muito bonito.
— Desculpa o atraso – pediu.
— Tudo bem – falou Mulan.
Emma voltou sua atenção para as garotas que estavam de costas sentadas apreciando o mar.
— Não me diga que...
— Sim, eu trouxe a Regina – falou Ruby.
Aurora já havia terminado de contar sua história para Regina quando percebeu a loira indo em direção a elas. Emma se ajoelhou atrás da morena e pousou suas mãos sobre os olhos da garota.
— Quem é? – perguntou sem obter respostas. Levou suas mãos de encontro com as mesmas que estavam em seu rosto, dedilhou minuciosamente cada parte das mãos da loira procurando evidências de quem seja. Regina abriu um largo sorriso quando passou seus dedos pelas unhas da garota, eram as mesmas unhas que acariciava sua nuca e suas costas, sentiu o cheirinho de canela que a maresia não conseguira encobrir – Emma – virou-se e abraçou a loira.
— Você adivinhou – falou.
— Gostou da surpresa? – perguntou Ruby se aproximando.
— Muito – respondeu a morena sem conter o sorriso bobo no rosto.
— Não vai apresentar seu amigo, Emma?
— Claro – respondeu – me esqueci por um instante.
— Percebi – disse Ruby.
A loira levantou-se e estendeu a mão para Regina, ajudando-a a levantar. Andaram ate ficarem todos juntos.
— Bom, pessoal, esse é o Peter, ele é meu vizinho, talvez vocês já o conheçam da escola. Peter, essas são Ruby, Mulan, Aurora e Regina, minhas parceiras sexuais – brincou.
— Prazer em conhecê-las – falou cumprimentando as garotas. Ele era um moreno com cerca de 1,80 de altura. Estava com sua prancha e sua blusa sobre o ombro dando visão a um corpo atlético e bem definido
Ruby puxou o braço de Emma.
— Quando você ia me contar que tinha um tesouro desses do lado da sua casa? – sussurrou.
— Eu o trouxe pra apresentar especialmente a você.
— Graças aos deuses, caso contrário eu ia parecer uma vela no meio de vocês, uma vela não, uma tocha – brincou.
— Peter, Ruby sempre quis aprender a surfar. Você poderia ensiná-la? – perguntou Emma.
— Claro, seria um prazer – respondeu olhando à morena com mexas vermelhas.
— Regina e eu vamos dar uma caminhada.
— Vamos? – a morena perguntou.
A loira assentiu.
— Não vamos demorar muito, não se preocupem – falou para as amigas.
Deixaram seus chinelos e seguiram o caminho descalças andando na beira do mar, molhando de vez em quando seus pés. Emma deslizou sua mão pelo braço da morena e entrelaçou suas mãos.
— Está tudo bem com você? – a loira perguntou.
— Sim, melhor impossível – sorriu.
— Que bom – pausou – já faz alguns dias que não te vejo...
— Desculpa, é que minha mãe resolveu ficar em casa esses dois últimos dias e sempre que isso acontece eu não saio pra canto nenhum.
— Eu estava com saudades – confessou.
— Eu também. Mas agora estamos aqui.
— Sim – sorriram juntas.
Emma contemplava as nuvens, o tempo não estava quente, mas também não estava frio, estava incrivelmente agradável. Regina observou o céu juntamente com a loira.
— O tempo está louco, não é?
— Está exatamente do jeito que deveria estar, assim como você e eu, está perfeito – colocou seu braço em volta da morena.
— Pra onde estamos indo? – perguntou.
— Pra onde o vento nos levar. Deus está ao nosso favor, inclusive o tempo, então vamos apenas segui-los e ver onde vai dar.
— E se não der em canto algum?
— Não vai importar, porque tudo o que eu quero, tudo o que eu preciso está bem aqui comigo, segurando minha mão.
A morena sorriu e se aproximou da loira plantando um beijo no canto de sua boca. No momento em que Regina ia se afastar Emma a segurou e puxou seu corpo contra si colando seus lábios, um beijo molhado com gostinho de maçã, aquilo era envolvente, difícil de se libertar. As garotas alternavam os lábios, uma hora os inferiores, outrora os superiores, nunca descartando as mordidinhas que só faziam aumentar o desejo de uma pela outra. A loira nunca provou um beijo como aquele, nunca sentiu prazer com o gesto, todos os namorados e outros garotos que apareceram em sua vida, nenhum chegara aos pés de Regina. Foi a partir dela que conheceu o quanto um beijo pode demonstrar sentimentos, demonstrar palavras jamais ditas, um simples gesto que jogava todas as cartas na mesa. Encostou sua testa na da morena, ficando a milímetros de distância de sua boca.
— Você sentiu?
— O que?
— O vento parou. Quer dizer que chegamos ao nosso destino – ambas sorriram. Logo o vento voltou a soprar ainda mais forte. A loira se afastou e tirou a blusa, ficando apenas com biquíni e short. A morena a observava atentamente, Emma parecia uma surfista, a pele já estava rosada, o corpo bem definido, os cabelos podiam ser comparados com o sol e os olhos com o mar – o que foi?
— Você é linda, Emma.
— Olha quem fala, a menina mais bonita da cidade – Regina sorriu timidamente – vem – a loira sentou-se na areia envolvendo seus braços na morena que acabara de sentar entre suas pernas.
Regina descansou seu corpo instantaneamente contra o de Emma, era esse um dos efeitos que a garota causava nela, efeito de conforto, de que não precisava de mais nada a não ser permanecer ali, efeito de que tudo estava bem. Brincava com os dedos da loira, delineou todas as linhas das suas mãos com a ponta dos dedos, puxava seus braços para que se aproximasse mais, como se fosse possível um contato ainda maior entre seus corpos naquele momento.
— Eu estou feliz de está aqui com você – falou a morena.
— Eu também estou – beijou o pescoço da garota. Passaram alguns instantes em silêncio antes que Emma o quebrasse – Regina, eu... Eu preciso te contar algo.
— Pode falar.
— Mas você tem que prometer que me deixará terminar de falar antes de dizer qualquer coisa, certo?
— Certo.
— Promete?
— Prometo.
Respirou fundo. Sabia que as palavras a seguir não seria uma das mais fáceis de dizer, mas precisavam ser ditas.
— Meus pais estão pensando em ir embora da cidade – a morena soltou suas mãos no mesmo instante – não porque eles queiram, a verdade é que eles estão fazendo isso por mim. Cora me ameaçou, disse que minha família não é bem vinda aqui, meus pais estão receosos do que ela possa fazer contra mim. Eu não tenho medo, Regina. Eu quero ficar, quero ficar e lutar por nós, lutar por quem quer que se oponha contra o que sentimos. Mostrar pra todos quão normal é o sentimento que temos uma pela outra e dizer que Deus criou todas as coisas, foram os homens que decidiram o que era errado – a garota agora se afastou da loira, encolheu suas pernas, pousou seus braços sobre os joelhos e ficou encarando o mar. Emma se aproximou da morena, sentou ao seu lado, de modo que conseguisse olhar para o seu rosto – eu sei, eu realmente sei que a culpa é minha, que eu não devia ter te beijado.
— Se não tivesse me beijado, não teria me libertado – falou sem parar de encarar a paisagem a sua frente – me desculpa se eu sou um arrependimento pra você – seus olhos lacrimejavam.
— Não fala isso nem brincando! – pousou suas mãos no rosto da morena fazendo com que a olhasse em seus olhos – Regina, você é a pessoa que eu mais amei na vida. Se isso foi um erro, posso dizer que foi o melhor erro que cometi e que não estou disposta a concertar. Eu só fico triste por saber que isso prejudica tantas pessoas. Meus pais abriram mão do emprego, da nossa casa, da vida que construíram nessa cidade – continuou – eu prejudico você. Toda vez quando fico sem te ver sempre penso no pior, me pergunto se Cora está te fazendo algum mal, se você está bem, se está triste. Eu me culparia eternamente se algo de ruim te acontecesse.
— Você não entende, Emma – suas lágrimas agora escorriam pelo seu rosto – você não percebe que eu também estou disposta a lutar por você? A lutar por nós?
— Não chora, por favor – falou enxugando o rosto da garota – você acha que eu vou te abandonar? Acha que eu sou capaz de esquecer tudo o que passamos juntas? Claro que não! – suspirou tentando recuperar o tom calmo – Jamais te deixaria, por mim nós fugiríamos agora mesmo, mas sei que as coisas não são simples assim e por isso conversei com minha mãe e concordamos ir pra Augusta, a capital. A cidade é praticamente vizinha daqui. Eu venho te ver todos os feriados, fins de semana, posso ate matar aula, mas não fico sem você.
— Você promete? – perguntou limpando os olhos.
— Claro que eu prometo sua boba – beijou delicadamente seu rosto e a abraçou em seguida. Ficaram alguns instantes em silêncio. Emma levantou-se e a ajudou a fazer o mesmo – deveríamos tomar banho – falou.
— A água deve ta um gelo, pode ir que eu te espero.
— Eu só vou se você entrar comigo. Caso contrário eu vou ficar aqui – sentou-se novamente na areia – vou ficar olhando pra esse mar que tanto me chama, mas não vou poder entrar porque a Regina não quer.
— Tudo bem – falou revirando os olhos – parece aquelas crianças birrentas – Emma sorriu vitoriosa quando viu a morena tirar seu vestido. A loira sempre ficava babando pelo corpo da garota, que mais parecia um corpo de mulher, não se cansava daquela visão. O vento batia contra seu cabelo negro, deixando-a mais atraente, seus olhos clarearam por causa da luz do sol, estava um mel castanho – E agora? Está satisfeita?
— Ainda não, só depois que mergulharmos – respondeu. Segurou sua mão e foi adentrando na água.
— Eu te disse que ia está gelada – falou se tremendo quando as ondas ainda estavam na cintura. Andaram mais um pouco ate a água ficar sobre o peito – que frio!
Emma soltou sua mão e a abraçou pela cintura, Regina envolveu seus braços em volta do pescoço da loira e descansando seu rosto em seu ombro, naquele mesmo instante sentiu a temperatura da água aumentar, o corpo quentinho de Emma estava junto ao seu. A única coisa que se ouvia ali era o ruído do vento, algumas ondas se desfazendo e a respiração das duas.
— Vou sentir saudade disso – disse a morena.
— Não fale assim – pediu – eu sempre vou vim te ver. Quando você fizer seus dezoito anos eu venho te buscar pra ir embora comigo, você aceita?
— Nem precisa gastar gasolina, eu mesma vou te procurar – sorriu.
— Deixa eu te fazer mais uma pergunta?
— Claro – respondeu.
— Regina – a loira puxou seu queixo cuidadosamente ficando cara a cara com a morena – você aceita namorar comigo?
A garota abriu um sorriso de orelha a orelha, ela não esperava por aquilo, pelo menos não agora, não tendo que praticamente vê-la indo embora.
— É claro, senhorita Swan – respondeu e logo em seguida a envolveu em um abraço forte misturado com um beijo.
♫♫♫
— Regina já comeu? – perguntou Cora à empregada.
— Quando eu cheguei, ela não estava em casa, aproveitei pra limpar o quarto dela. Acho que ela deve está com Ruby, certamente almoçará lá.
— Bom, eu vim aqui só pra pegar meu terninho preto, acabei esquecendo. Você o viu por aí?
— Tinha muitas roupas jogadas pela casa, eu lavei todas, estão na secadora.
— Eu quero esse terno pra ontem! Tenho uma reunião daqui a uma hora.
A empregada assentiu.
— Eu posso engomá-lo caso não esteja seco.
— Não é nada mais que sua obrigação, Rosa.
A empregada manteve o silêncio e seguiu caminho para a área de serviço.
— Então, achou? – perguntou a prefeita.
Antes da empregada responder o telefone toca.
— Vá atender. Deixe que eu procuro.
Rosa assentiu e saiu.
Enquanto Cora procurava pelo seu terno no meio de tantas outras roupas, achou uma peça em particular que lhe chamou atenção. Era uma jaqueta vermelha, uma jaqueta vermelha que ela conhecia muito bem.
— Onde você achou essa jaqueta? – perguntou para a empregada que acabara de voltar.
— Hoje eu arrumei o quarto de Regina e a encontrei embaixo de sua cama – respondeu a empregada sem entender direito do que se tratava.
— Bom saber. Quando ela chegar, mande ir direto pro seu quarto.
— Certo.
♫♫♫
Aquela tinha sido a melhor manhã que há tempos as garotas mereciam ter, principalmente Regina e Emma. Passou-se rápida, mas foi especial a cada segundo. As amigas se despediram uma da outra. Mulan e Aurora seguiram juntas, Emma e Peter foram em direção à sua rua, e por fim Ruby e Regina voltaram juntas. Haviam concordado em se separar desde a praia pelo simples fato de não querer reforçar os boatos que já rolavam sobre “a filha da prefeita e a filha da professora”.
Regina entrou deslumbrante em casa, mais feliz impossível, um largo sorriso formava-se em seu rosto. Subiu as escadas em direção ao seu quarto, queria tomar um banho, dormir a tarde inteira e quem sabe sonhar com Emma. Seu sorriso logo se desfez quando se deparou com sua mãe sentada na poltrona ao lado de sua cama.
— Aconteceu alguma coisa? – perguntou a morena estranhando a presença da mãe.
Cora se levantou e andou lentamente ate chegar próxima da filha.
— Eu que pergunto – encarou a garota com um olhar desprezível – O QUE ACONTECEU ENTRE VOCÊ E AQUELA VADIAZINHA? – gritou, pegou a jaqueta e jogou contra a filha – E NÃO OUSE MENTIR PRA MIM!
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