Nossa História De Amor.
16 Um final feliz ou dramático?
Notas iniciais
Desculpem-me a demora, mas eu estou atrasada em todas as fics então não é algo com a fic em especial.
Boa leitura!
Sexta- feira, 12 de Setembro de 1989.
Os batuques incessantes de Annabeth faziam a cabeça de Percy doer, aquilo estava sendo muito mais complicado do que ele mesmo imaginara, nem o sol relaxante, nem o barulho do mar, nem mesmo a mulher amada do seu lado o faziam ficar um pouco menos estressado.
Mas aquilo erarealmente difícil.
Poucos sabiam daquela sensação, aquela sensação de que você criou personagens, se inteirou com a história deles, e agora tinha que achar um desfecho para tudo aquilo, um desfecho que não só agrade a todos, como a si mesmo. Fazer o final de um livro é sim uma tarefa muito complicada.
-Acho que deveríamos fazer um final dramático, algo como os dois morrendo, ou algo do tipo — Annabeth suspirou – Isto pode parecer meio triste, mas infelizmente é a pura verdade, todos nós morremos algum dia, os personagens também morrerão, obviamente.
-Ou não – Interpôs Percy. –Nós, como escritores, temos o poder de criar pessoas que nunca morrem, a sensação será a mesma para quem ler o livro daqui a um ano, ou daqui a vinte anos, então definitivamente, os personagens permanecerão para sempre. Menos se você mata-los antes.
Annabeth ajeitou a cabeça na cadeira novamente, era complicado achar alguma coisa não dramática que fosse ao mesmo tempo não clichê. Esse era o problema do romance, todos queriam o clichê, mas o clichê é óbvio.
-Eu já sei o que quero fazer – Percy disse, pegando a máquina de escrever para si, não sem antes acender mais um cigarro e inala-lo com grande fervor. Como sempre fazia em momentos em que estava aflito. –Eu julgo importante primeiro darmos o final para o animal de estimação sem perna, o que você acha?
-Ele morre.
-Deus, Annabeth! Será que tem como você parar de falar que todo mundo tem que morrer? O que acontece com o Bud? Eu sei que você tem uma ideia genial para ele simplesmente porque ele é extremamente amável. – A loira suspirou.
-Eu acho legal ele ser doado para a instituição de órfãos, e então quem irá cuidar dele será o garoto... O Jake.
-Sim, sim. – Percy riu – Ele vai ser cuidado pelo Jake, que será adotado pela Sra. Smith.
-Que como teve o marido morto, queria uma criança para cuidar. – Annabeth bateu palmas, haviam conseguido o final para três personagens, mesmo que um deles já tivesse os planos ter o marido morto desde o começo. Mesmo assim, Annabeth se sentiu extremamente feliz em conseguir achar um final feliz para Bud. O cachorro amável.
Mas não era isto que Annabeth estava realmente preocupada, e sim com o final dos dois principais. Como, duas pessoas, que se conheceram num orfanato, onde se apaixonaram, e depois foram separados pela vida, e se veem novamente dentro de um manicômio, poderiam ter um final feliz? Duas pessoas órfãs e loucas, mas que pelo menos se amavam.
Annabeth não sabia que desfecho colocaria a não ser o seu mais precioso drama.
-Eu quero que eles vivam felizes para sempre, desculpa- Percy sabia que aquilo era uma indireta- Eu não quero que os problemas e esta baboseira toda vença no final, eu quero os dois juntos, porque eu acredito em finais felizes.
-Isso para mim é ingenuidade – Annabeth respondeu – Finais felizes são raros e nem sempre os melhores finais, é melhor sermos realistas para variar. E ainda mais porque, depois de tantas referencias a drogas, sanatórios, problemas sociais e políticos, é quase impossível fazermos um final fantasioso.
-Nós vivemos no mesmo mundo que os dele... Você acha mesmo que é impossível ter um final feliz? – Percy não sabia mais sobre o quê eles discutiam: Se era sobre o livro ou sobre eles mesmos.
-Não sei, Percy, eu ainda não vivi o suficiente para saber – Admitiu Annabeth. Percy suspirou, enquanto olhava o sol se pôr.
-Então o que tem você ser fantasiosa até então? Já que não sabe o que é o final, não é melhor inventar um feliz do que um triste?- Annabeth mordeu o lábio inferior, claramente incomodada com a discussão.
Levantou-se com certa dificuldade, colocando as duas mãos nos bolsos do jeans de cintura alta.
-Eu não acho que consigamos fazer o final agora, eu vou... Andar um pouco, ok? – Ela se levantou, indo em direção ao vidro da varanda, abrindo-o com certa brutalidade. Percy conseguiu ouvir a porta da entrada ser aberta, então suspirou audivelmente. Metros à frente, Percy conseguia ver Annabeth andando pensativa pela areia.
Aquele definitivamente não era apenas a escolha para o final de um livro.
“ Era quase meia noite, a supersticiosa lua cheia ia para seu ápice, tão brilhante quanto o sol, tão bonita quanto às estrelas, tão rara quanto Rose. Thomas julgava-se um garoto de azar, mesmo tendo apenas 13 anos, sabia que sua vida não seria tudo que sonhava. Em que momento agora se encontrava! Sua única e melhor amiga teve a melhor das sortes: Havia conseguido pessoas que queriam adota-la. E agora, Thomas ficaria sozinho ali, no orfanato Dr.Eimil Osborn.”
Percy não sabia por que relia aquilo, porque relia o livro inúmeras vezes, talvez porque estava muito orgulhoso de seu próprio trabalho, ou porque tentava de alguma forma, achar a resposta para tudo ali, nunca conseguiria.
O sol estava se pondo, e Percy ainda não sabia o que colocar em seu final, só não queria que Thomas e Rose morressem, eles haviam sofrido demais para morrer.
Ele se sentia como uma adolescente, que vê seu personagem favorito num livro YA que deveria ser bobo. Mesmo assim, o final não era apenas porque ele queria aquilo, e sim um sinal, um sinal de que pra ele as coisas também poderiam dar certo.
Inalou toda a droga dentro do cigarro, então suspirou, aflito, vários pensamentos correram em sua cabeça, depois os ignorou, balançando a cabeça, e pegou a máquina de escrever para si.
Logo depois disto, escreveu o melhor final que poderia ser escrito.
* * *
Annabeth abriu um sorriso, ou quase aquilo, então mordeu o lábio inferior, não deveria julgar em momento algum a capacidade do seu amante de escrever. Ele era o melhor.
Percy a olhava com aflição, o que ela falaria? O que diria era de suma importância, porque ela era a que mais fazia livros por ali, ele era o cronista, mas seus finais não eram importantes: Tinham que ser engraçados, apenas.
A loira se aconchegou mais ao seu lado, e não pode deixar de conter o sorriso, depois pegou a máquina de escrever de sua mão, e escreveu mais uma única frase. Então, ela passou a máquina para Percy, e se levantou. Indo em direção a dentro da sala.
Percy leu e sorriu, o maior sorriso que ele tinha aberto em dias, então deu uma olhada na Annabeth que saía pela porta.
-Ei, o que você vai fazer?
Annabeth sorriu.
-Ligar para Phill, quero duas passagens para NY já.
Notas finais
Deixem seus reviews, nada de fantasminhas, senão eu acho que demorarei mais que o normal para postar, e eu não estou zoando.
Enfim, beijos e até o próximo!!! =D
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