Nossa História De Amor.

41 Mudanças drásticas


Notas iniciais
Olá pessoal! Preparados para a maratona? Tris Jackson, você provavelmente já sabe que é uma das minhas leitoras favoritas. Você me acompanha desde a minha mal escrita primeira história. E obrigada por mais uma recomendação. Capítulo para você. Boa leitura!

Quarta Feira, 18 de Fevereiro de 1990.

Annabeth não queria falar com ninguém. Estava de férias e isto não é nada demais. Quer dizer, algumas pessoas costumam ficar em estado vegetativo nas férias, não é verdade?

Não aguentava mais estar tão triste como estava neste último ano. Desde que havia feito aquele maldito livro com Percy tudo deu errado. A vida dela ficou num pico de feliz e triste muitas vezes neste único ano. Ela queria estabilidade.

Bateram na sua porta, ela não saiu do seu sofá para atender. Não sairia nunca mais daquele sofá. Ela sabia que deveria ser sua mãe, novamente. Por algum esquisito motivo ela estava preocupada. Desde quando sua mãe se preocupava com alguém além dela mesma Annabeth realmente não sabia.

–Você está bem? — foi a primeira coisa que Atena perguntou, sua mão passando ansiosamente pelo cabo da bolsa. Annabeth simplesmente deu meia volta e voltou a se sentar em seu sofá. Respirando fundo e pegando a panela de chocolate que havia feito — Querida, estou realmente preocupada. Você está num estado vegetativo há dias.

Annabeth assentiu, sorrindo de lado.

–Nenhum de vocês achava que o meu relacionamento com o Percy daria certo, certo?

Pela primeira vez desde que havia chegado, Atena ficou calada. Annabeth olhou para ela com os olhos vermelhos de choro.

–Certo?

Atena acabou bufando.

–Vocês são tão diferentes, é difícil dar certo nestas condições. E… ele tem toda uma vida acertada na Inglaterra, ele nunca teve oportunidades por aqui.

–Eu sei disto — acabou respondendo Annabeth seca — Eu sei de tudo isto. A única coisa que eu não sei é o que você está fazendo aqui.

–Vim te animar.

–Não está funcionando — cortou brusca a filha — Eu não preciso de ninguém para me animar, eu tenho quase trinta anos e acho que sou grandinha o suficiente.

Atena se sentou ao seu lado, fez uma pequena careta ao ver a sujeira que todo o apartamento estava.

–Então você vai se trocar e vai até a Werstystone, porque Phill está ficando louco desde segunda feira porque você não apareceu por lá.

Annabeth focou seu olhar no chão, nem havia se lembrado da Werstystone, nem havia se lembrado de que tem ou tinha um emprego. Só se lembrava dela indo para um lado no aeroporto e Percy em outro.

–Eu vou passar lá — assegurou Annabeth.

–Vai passar lá agora.

–Mãe…

–Sim, é uma ordem. Enquanto você vai lá eu vou ficar aqui arrumando este chiqueiro que você chama de apartamento. Vai, agora.

Annabeth se levantou pesarosa, olhando para a mãe suplicante e depois indo embora ao perceber que não daria nenhum resultado.

(...)

Seus passos eram firmes e sua expressão gélida, como sempre fazia quando entrava na Werstystone. Annabeth arrumou sua saia de pregas e bateu na porta de Phill Lenson, o editor chefe mais brilhante e louco que ela já teve.

Um ressonante “entra” foi proferido pela grave voz do seu chefe, Annabeth girou a maçaneta lentamente, lembrando-se do que faria assim que se sentasse naquela mesa.

–Bom dia — ela disse assim que entrou. Phill levantou o olhar dos papeis, sorrindo de lado para ela e apontando para a cadeira.

–Bom dia, Annabeth. Você por algum acaso viu as repercussões do seu pequeno ataque de loucura na premiação?

A loira se sentou.

–Não ainda.

–Pois é. A Werstystone está na capa dos jornais mais famosos do mundo. New York Times, Daily Mail, Folha de São Paulo…

Annabeth arqueou uma sobrancelha ao ouvir “Daily Mail”, a Inglaterra não gostava nenhum pouco dela. Tinha um pouco de medo do que eles poderiam ter colocado.

–Todos vangloriando sua originalidade e também os dois prêmios da editora. Isto não é sensacional? — os óculos de Phill caíram um pouco de seus olhos por conta da animação. Annabeth assentiu, distraída. O editor estudou sua expressão um pouco — Algum problema, Annabeth?

Sua voz era grave e seu olhar ainda estava sério. Os olhos da loira se focaram na grande janela atrás do seu editor, ela encontrou o olhar do seu chefe. Respirando fundo.

–Eu quero me demitir — Annabeth tinha a voz trêmula e não confiante como havia combinado consigo mesmo que faria — Estou um pouco cansada de escrever e de livros, e edições e páginas e palavras e tudo.

Phill tinha uma sobrancelha arqueada, surpreso.

–Você quer pedir demissão? É isto mesmo?

Annabeth assentiu, coçando a testa. Phill ficou tentado a falar o segredo que Perseu Jackson havia combinado com ele, mas era muito inteligente para precisar usar aquilo.

–Annabeth… — o editor deu um pequeno sorriso. O que era algo realmente raro para Annabeth, se levantou e encostou-se à mesa, ao lado de Annabeth — Você é a escritora mais famosa e premiada da minha editora. Eu não posso te demitir.

A boca da loira fez um pequeno “O”, Phill

elogiava escritores no seu próprio escritório.

–Olha, Phill… Eu gosto de trabalhar com você, não me leve a mal. É que…

–Eu já sei, Annabeth. Eu já sei — ele sorriu de lado — O que estou tentando dizer é que você pode tirar as férias que quiser, de cinco anos ou cinco dias. Eu não me importo, quando você estiver pronta para lançar um livro novamente, a empresa estará aqui. Esperando para publicar mais alguma coisa sua.

Os olhos da loira ficaram marejados, ela mordeu o lábio inferior, tentando não chorar. Phill sorriu e abriu os braços, esperando um abraço apertado. Annabeth deu e limpou a lágrima que caiu em seu rosto. Sorrindo de lado.

Quando saiu da Werstystone, querendo ou não se sentiu livre. Tão livre quanto um pássaro. O vento bateu em seu rosto e ela se sentiu feliz. Pela primeira vez desde que havia deixado Percy.

Foi andando pelos arranha céus e táxis amarelos de Nova York, pensando nas trilhares de coisas que queria fazer. Só tinha certeza de uma coisa até agora.

Seu ombro bateu no corpo de uma garota franzida, ninguém costumava pedir desculpas por estas coisas em Nova York, mas ela se virou e ficou surpresa com quem havia visto.

–Thalia? — a loira arqueou uma sobrancelha.

–Annabeth! Eu estava indo para sua casa — Thalia deu um pequeno sorriso — Podemos conversar?

Annabeth trocou o peso do pé.

–Claro — falou um tanto confusa.

Ela e Annabeth foram andando lentamente até o apartamento, caladas. Era bem verdade que continuavam brigadas, desde aquele episódio na casa de férias dos seus pais. Mas Annabeth estava disposta a esquecer tudo pelo bem da amizade, aquilo já havia acontecido há muitos meses e ela nem se lembrava mais.

Entraram no apartamento de Annabeth e Thalia se sentou no sofá, sendo acompanhada pela sua amiga. Na cozinha, Atena tentava tirar as gorduras impregnadas no fogão de sua filha.

–Annabeth, me desculpa por tudo isto. Eu não queria que aquela brincadeira te ofendesse, na realidade eu acho que bebi demais naquele dia.

Annabeth acabou a cortando:

–Thalia, eu nem sei mais do que você está falando. Já passou a raiva há um bom tempo, ok? — a morena assentiu, sorrindo de lado — Um abraço? Eu sei que você não gosta dis…

Annabeth recebeu um abraço apertado, acabou sorrindo de lado e repousando sua cabeça no ombro da amiga. Ela e Atena eram as duas pessoas que mereciam saber seus planos.

–Mãe! — gritou Annabeth quando se separou de Thalia. Atena veio andando lentamente, sua calma havia ido embora quando havia ficado estacada no fogão da sua filha.

–Olha, você realmente precisa dar um jeito naquela cozinha…

–Eu estou indo embora.

Atena parou-se surpresa, olhando para a filha ainda mais.

–Oi?

Thalia franzia as sobrancelhas, olhando para Atena e dando uma risada esquisita.

–Eu também não entendi, na verdade... É alguma piada?

Annabeth negou, suspirando um pouco.

–Eu estou de férias “premium” na Werstystone e estava pensando em sei lá, viajar. Eu gostei tanto desta ronda que eu fiz na Europa pelo livro, e pensei em continuar, sabe? Indo para a Índia, África… América do Sul. Eu quero sumir no mapa, na realidade.

Atena agora tinha a expressão mais séria do mundo: A mãe realmente preocupada.

–Annabeth… Você tem uma carreira aqui, uma… Tudo. Você quer mesmo ficar apenas viajando por anos? Você agora pode trabalhar, mas daqui a alguns anos…

–Eu vou continuar trabalhando, eu estou trabalhando a minha vida toda. Preciso espairecer, ter novos ares. Eu não quero continuar por aqui, não me traz recordações boas.

Atena havia se sentado também no sofá, pondo a mão no queixo.

–E quando você quer ir?

–O mais rápido possível. Vou resolver tudo para ir até semana que vem, no máximo.

Atena e Thalia se entreolharam preocupadas.

–Hm, você tem certeza que não quer esperar mais um pouco? — perguntou a gótica, sorrindo de lado sem graça. Annabeth negou com a cabeça.

–Não, não quero esperar… Ei, eu achei que vocês iriam me dar suporte! Eu estou definhando aqui dentro!

Atena assentiu um pouco e respirou fundo.

–Tudo bem, me desculpa — ela e Thalia continuavam se entreolhando preocupadas — Só pense bem para não fazer algo que irá se arrepender depois.

–O que você está falando?

–Você não vai para a Inglaterra, vai?

Ninguém falava no nome “Perseu Jackson”.

–Não, mãe. Ninguém na Inglaterra tentou continuar contato, então ninguém nos Estados Unidos vai ir atrás do ninguém na Inglaterra. Na realidade, o ninguém dos Estados Unidos vai voltar a viver depois de um ano de confusão. Isto não é pedir demais!

(...)

Annabeth agora pensava mais do que queria, odiava sua mãe, odiava sua melhor amiga. Será que valia a pena ser tão radical? Ser, como se diz, espontânea a ponto de largar tudo para o alto?

Annabeth decidiu não pensar mais, aquele apartamento nem lhe fazia bem. Ouviu alguém batendo em sua porta, igual aconteceu no começo do seu dia. Ela estava tentada mais uma vez a não atender, mas a campainha tocou mais uma vez.

Ela foi andando pelo seu apartamento que mais parecia um breu, abriu a porta e olhou para cima, desanimada.

–Oi.

Annabeth agora parecia estar com a pressão baixa demais, tinha quase certeza que desmaiaria em poucos segundos. Apoiou-se na porta.

–Percy, você… Você…

Ele deu um sorriso de lado, as duas mãos dentro do seu sobretudo negro.

–Eu estou aqui.

Ela olhou para cima, tentando pensar um pouco.

–Mas e a Inglaterra…e… E o seu emprego? E o jornal? E… onde está tudo?

Percy riu pelo nariz.

–Eu vou te beijar agora — anunciou ele, pondo as mãos no rosto da loira e lhe arrancando um beijo de tirar o fôlego.

Annabeth se separou dele ainda ofegante, seus olhos não sabiam para onde olhar: Os olhos, a boca, as malas atrás dele.

–O que está acontecendo? O que isto significa?

–Significa que eu vou ficar aqui… Pra sempre. Ou até quando você me aguentar.

–E a Werstystone? Desculpa, eu não estou entendendo nada.

–Eu fui transferido. — ele pegou um papel no bolso do seu sobretudo, lendo com um acentuado sotaque britânico: -Da Werstystone do Reino Unido para a empresa de Nova York. É por aqui, certo?

Annabeth sorriu, não acreditando no que via e ouvia.

–Você conseguiu a transferência? Como… Quando? — ele pegou as malas no corredor, passando pelo apartamento e também por uma Annabeth apática.

–Pelo que parece, se você for muito frio e tentar ao máximo acabar com o sucesso do seu próprio livro na Inglaterra… Bem, aí você consegue.

Annabeth sorriu de lado, depois fechou a expressão, batendo no braço de Percy.

–Então era por isto que você estava daquele jeito, todo… Babaca.

Ele assentiu, olhando apaixonadamente para a loira.

–Você precisa de um apartamento novo, sabe? Eu não sei se este é o suficiente para suportar um casamento.

–O que?

Percy sorriu de lado, remexendo nos bolsos do seu sobretudo. Chegou perto dela e estendeu um anel cheio de brilhantes .

–Você quer se casar comigo, certo?

Annabeth estava de pijama, com o cabelo todo desgrenhado e a pressão mais baixa que o normal. E foi ali, justamente ali que ele a pediu em casamento.

–É claro que eu quero — ela sussurrou.

Ele sorriu de lado, olhando para ela de um jeito que nunca olhou para ninguém. Percy pôs o anel em seu dedo, beijando-o em seguida.

–Isto é ótimo, bem ótimo mesmo.

–Te amo, te amo muito — ela mordeu o lábio inferior, abraçando-o com força e chorando em seguida — Você demorou, hein?

Percy fechou os olhos e se encaixou no corpo perfeito para ele.

–Cerca de vinte anos, certo?

Annabeth riu pelo nariz, ainda chorando.

–Certo.

Notas finais
Gostaram? Espero que sim!