Nossa História De Amor.

37 Injustiças e Azar.


Notas iniciais
Olá!! Desde o natal que eu não posto, hã? (Literalmente, eu postei no dia 25). Desculpem-me pela demora, mas olhem só. Estou para Bahia! De férias, então me deem um desconto porque estou postando na beira da praia. E outra, não estou vendo autora nenhuma atualizar por aqui. Quero agradecer genuinamente ao Matt06 que fez sua maravilhosa recomendação a minha história! E justo no natal! Muito obrigada querido, foi um presente para mim. Boa leitura pessoal!

Segunda Feira, 19 de Janeiro de 1990.

Annabeth acordou sem querer acordar, pois seu corpo não parecia querer sair daquela cama tão cedo, mas sua mente dizia que era hora de se levantar.

Ela olhou para cima, o teto branco de seu esplendoroso quarto de hotel a fazendo se sentir cada vez mais culpada. O que diabos ela havia feito na noite passada? Onde ela estava com a cabeça?

Mesmo assim, não podia negar que aquilo foi uma das coisas mais prazerosas que havia feito na sua vida. Nunca, em toda sua existência, havia pensado em coisas como “sexo violento”, sadomasoquismo ou algo do tipo. Mas mesmo assim, ao voltar as cenas de pancadaria ou sexo (você escolhe) da noite anterior, ela não pode deixar de sentir uma vertigem boa.

Enquanto andava em passos lentos, não pode deixar de lembrar dos arranhões, tapas, apertões e mordidas que Percy deu em todo o seu corpo. Foi até o banheiro e tonteou para trás, colocando a mão na parede.

Ela nunca havia visto tantos roxos na sua vida, de fato, parecia que ela havia sido espancada por algum cafetão por aí.

Ela pôs a mão na boca ao ver os roxos no meio das suas pernas, coçou o cabelo quando voltou para o quarto, e morreu de susto quando viu Percy por ali. Sério e com uma expressão que não indicava muitas coisas.

–Trouxe seu café – disse ele apenas, estendendo uma caneca preta. Ele deu uma olhadela no corpo de Annabeth que estava todo marcado e não disse nada, continuou indiferente.

–Obrigada – respondeu ela. Percy tomou um gole do seu próprio café e se virou para ir embora, deixando uma Annabeth ainda mais surpresa com os arranhões nas costas do moreno.

–E a nossa entrevista foi adiada para daqui a algumas horas, então se prepare – ele se foi. Deixando uma Annabeth atordoada atrás dele.

Talvez fosse ingenuidade demais pensar que depois daquela noite ele ficaria doce e sensível, como sempre foi. Mas mesmo assim uma pontinha de esperança cresceu em seu coração naquela amanhã, e esta pontinha foi desestruturada no primeiro olhar que ele lhe deu.

Ela trocou de roupa e foi até o saguão, onde Phill e Percy já estavam comendo e conversando. Annabeth respirou fundo, tentando jogar o “jogo” que eles se propuseram no começo da turnê, “guerra é guerra”. Até agora ela estava perdendo, e feio.

–Que bom que chegou a dama de plumas – chamou Phill sorrindo, bebendo um gole de café na xícara. Fazendo alusão a “dama de ferro” que fez Percy sorrir, mas não um sorriso debochado, e sim um sorriso de que ele sabia a razão de tudo aquilo.

Annabeth se sentou.

–Desculpe-me, eu estive numa noite cheia – ela pôs a toalha em seu colo, colocando a xícara de café com açúcar.

–Noite cheia? — Phill arqueou sua sobrancelha grossa – E o que é que você andou fazendo, Srta. Chase?

–Eu não vou mentir: Andei saindo, fiquei com um homem... – Percy abaixou a cabeça, comendo um pedaço de torta.

–Um homem? – Phill quase gritou – Como assim? E se alguém tiver te fotografado? Você... você ficou louca?

Annabeth olhou envolta do saguão, extremamente calma. O carpete era vermelho de um estilo chic, ela conseguiu ver um ou dois atores de holywood enquanto passava. O teto era marcado por ser todo ornamentado em vidro o que fazia raios solares passar por eles formando danças interessantes pelos ácaros do local.

Todos os móveis eram feitos de madeira maciça envolto a vidro. Annabeth respirou fundo, ainda ouvindo um discurso de Phill. Ela se atreveu a dar um pequeno riso.

–Phill, não fique pirado. Ok? Eu fiquei com um cara do hotel mesmo, e nós só ficamos dentro do quarto, se você me entende. Ele já foi embora e nem ficou tanto tempo assim no meu quarto. Não foi nada muito significante ou prazeroso mesmo.

Percy olhou para ela com uma sobrancelha arqueada, sua boca parecia ter entortado. Annabeth se levantou com um sorriso.

–Vou pegar o cardápio. Estou com uma fome! – ela sorriu e foi. Phill sorriu também, olhando para Percy aparentemente impressionado.

–Ela criou juízo e está bem humorada. É o milagre da Espanha! – o chefe deu uma risada, Percy fingiu um sorriso também enquanto olhava para Annabeth, que tentava conversar em espanhol com um garçom.

(...) Parte Final

Quinta Feira, 22 de Janeiro de 1990.

Ele passou a mão na cintura dela. Os dois sorriam felizes. O sol do maravilhoso centro da cidade contrastado com os carros mais bonitos do mundo faziam aquele o melhor encontro para os futuros noivos. Tão lindos. Tão apaixonados.

Todos ficavam suspirando quando eles passavam. E eles sorriam. Porque era exatamente aquilo que eles queriam que todos pensassem. Inclusive eu, justo eu! Que em momento algum demonstrei acreditar naquela história de contos de fadas.

Eles deram um selinho que foi publicada na revista Vogue. Dando foco na linda bolsa de Annabeth e o lindo blazer de Percy. Mas foram publicados como o melhor casal da década de 90. Isto, é claro, estando no primeiro mês da década.

Retirando toda a estúpida imprensa sensacionalista, era até interessante a forma como eles eram mostrados em público. O casal intelectual perfeito, os escritores do século, “os novos Salingers”.

Era uma pouca vergonha. Eles mal haviam escrito um livro ainda, quer dizer... Tinham, tinham. Mas não era nada clássico ou Shakespeariano, eles estavam fazendo tanto sucesso por serem um casal. E apenas isto.

Annabeth deu um sorriso forçado enquanto se separava de Percy, parecia ter acabado a onda de fotógrafos e ela se sentia pelo menos bem com isto. Esta coisa de não ser fotografada, quer dizer... ela sempre achou meio ridículo estes artistas que não gostam de fama e fogem de câmeras, porque é o trabalho deles, e eles sabiam disto quando começaram no ramo. Era a mesma coisa de um professor falar que não gosta de dar aula. Ninguém o protege, porque é o trabalho dele. Mas de alguma forma há uma “superproteção” a artistas. Como se eles não fossem seres humanos normais.

Ela entrou numa loja de roupa que a interessou, e Percy a seguiu. Uma coisa que ela não reclamava e nunca iria reclamar era a paciência de Perseu. Ele nunca reclamou de ter que ir no shopping com Annabeth ou ajudá-la a comprar uma roupa nova, um cavalheiro, sem dúvidas.

–Eu preciso de uma roupa para Paris, a premiação será bem chique – murmurou ela mais para si mesma do que para Percy. Ele acabou rindo, o que era uma coisa nova nos últimos dias e um pouco nostálgica para Annabeth.

–Você é o tipo de garota que nunca teria um agente de imagem, me esqueci – ela olhou para ele com uma sobrancelha arqueada. Um elogio? Pequeno, simplório e um pouco chato, mas um elogio.

–Na realidade meu agente de imagem por aqui é você – ela deu uma olhadela para Percy de cima a baixo. A gravata preta, a blusa de gola por cima, mostrando apenas um pedaço da gravata. O jeans escuro e os mocassins. Uau, ele sabia como se vestir.

Annabeth riu. Lembrando-se de uma época da sua adolescência em que ela desconfiou que Percy fosse gay. Uma coisa meio ridícula pensando que com 14 anos Percy já havia perdido a virgindade há algum tempo.

Mesmo assim, ela ainda era um tanto inocente na época.

Os dois andaram pela pequena boutique, o interessante da Espanha é que raramente os vendedores vão até você, você que tem que ir até eles. Procurar uma informação, Annabeth gostava disto, ela odiava estar feliz procurando roupas e de repente uma vendedora chega perguntando qual tipo de roupa ela quer, e então ela é obrigada a seguir a vendedora em qualquer lugar. O que ela realmente odiava.

–Porque você não compra seu vestido em Paris mesmo? Quer dizer, lá é a melhor cidade de compras do mundo.

–Oh, bem... Todo mundo estará usando um vestido de Paris. Gosto de ser diferente.

Annabeth coçou o braço, sentindo o ar condicionado em seus braços, a loja tinha uma luz escura, dando um tom um tanto sensual. Ela gostava. Percy passou a mão pelas roupas, dando um olhar clínico que Annabeth nunca conseguiria dar.

Os dois se entreolharam por um momento, e aquele olhar de Perseu parecia querer dizer tantas coisas, foi aí que Annabeth viu... Ele parecia aflito, como se não conseguisse falar nada e ao mesmo tempo quisesse falar tudo.

Ele estava a escondendo alguma coisa. Era certo, e também era importante. Ele não teria dormido com ela do jeito que foi no dia anterior se não quisesse dizer alguma coisa, Percy nunca foi tão frio desta forma.

–O que você acha deste vestido, Annabeth?

Inglaterra. O que havia acontecido lá antes dele vir para a turnê mundial? Ela pensou em ligar para Thalia na hora, ela descobriria alguma coisa de Londres para ela, mas aí lembrou-se que as duas estavam brigadas desde aquela brincadeira ridícula na casa em Montauk dos pais.

Annabeth suspirou, parecia que tudo estava conspirando para dar errado.

–Annabeth? — a loira piscou, fitando os olhos verdes musgo de Percy, estes que pareciam um tanto preocupados – Aconteceu alguma coisa?

–Nada, eu divaguei aqui – ela deu um mínimo sorriso, olhando para a vendedora no balcão que parecia confusa. Provavelmente não sabia falar muito bem inglês. – O que foi?

–Você quer ver este vestido? — perguntou o moreno com um sorrisinho de lado. Annabeth olhou para ele, era recatado, não tinha nenhum tipo de coisa a mais. Na realidade, parecia um vestido de freira.

Ela deu uma olhada para Percy, que tinha as sobrancelhas arqueadas. Tudo aquilo era ciúmes? Ou uma forma de ser cavalheiro e não indicar um vestido decotado demais ou justo demais?

Annabeth sorriu, olhando para outro vestido e o pegando pelo cabide.

–Acho que eu gostei mais deste – ela deu um sorriso, olhando para o vestido preto.

Ele era definitivamente lindo. Era de um tecido pesado que Annabeth não conseguia distinguir, tinha um corte na perna e o decote mostraria metade dos avantajados seios da loira. Ela o pegou. Percy arqueou a sobrancelha. Annabeth o olhou. Ele estava com ciúmes.

–Vamos lá? – perguntou ela andando até o provador. Percy juntou as sobrancelhas, ali foi o máximo que um dia ele tinha chegado com as garotas numa loja (nos seus 16 anos e tudo o mais), mesmo confuso ele foi.

Ele se sentou num outro cômodo que era realmente novidade para ele, havia uma pequena televisão no alto e a cortina bege dava um belo nuance no cômodo preto.

Percy começou a ver a televisão, estava naquele programa de fofocas que ele realmente odiava. Agora um homem com pinta de gay e uma mulher com os seios maiores do que a natureza pode dar sorriam falsamente para a câmera.

Passou uma vinheta sobre as notícias do momento e o homem loiro meio afeminado fez uma expressão de animado/assustado.

–E o que vocês não sabem provavelmente sobre o novo casalzinho mais quente do pedaço é que daqui há uma semana eles terminarão a turnê. Agora estão curtindo a Espanha e a praia mas ainda passarão em Veneza, na Itália. Londres e terminarão em Paris...

Ao lado dele tinha uma foto de Percy e Annabeth se beijando ao chegar no hotel dias atrás. O programa foi para a câmera dois que dava um close na loira.

–E Paris além de fechamento da turnê também será o palco de uma premiação da academia de letras! – a voz dela era tão fina que dava dor de cabeça em Percy – Terão editoras super importantes do mundo como a Rocco, Werstystone e Company Letters, esta premiação dos melhores do ano são como o “Oscar da academia de letras” e veremos se Percabeth irá ou não levar esta.

Percy coçou a cabeça e quase deu um tiro ao ouvir “Oscar da academia de letras” e “percabeth”. Ele sabia que merecia isto na sua vida, quer dizer... No momento que ele aceitou fingir namorar Annabeth pela turnê.

A câmera voltou para o loiro com pinta de gay.

–E não é só isto! Dizem que este ano será ainda mais competitivo, além de todos os convidados estarem presentes e todos os principais jornais do mundo também haverá uma árdua briga entre todos os setores da premiação entre os indicados da Werstystone e Company Letters, que foram os que brilharam este ano. Phill Lenson e Robert Jensen, os dois presidentes principais, estarão presentes. E como de costume, parece que haverá brigas e bons protestos dependendo de quem ganhe esta.

A loira riu.

–É isto que dá não ser um People’s choice.

Percy quis dar uma martelada na cabeça. Era uma academia! A academia oficial que dava os prêmios, como e porque o público base poderia...

Ele decidiu não tentar nem pensar, desligou a televisão e provavelmente foi a melhor coisa que fez, já que Annabeth saiu impecável com o sexy vestidinho preto. Seus seios realmente ficaram de um jeito que os londrinos gostavam de chamar de “push up”, a perna dourada e delineada dela aparecia quando a mesma andava, o corte do vestido longo ia quase até a base da sua coxa.

–E então? Pareço gorda demais ou... – ela se olhava no espelho do quarto.

–Você está linda – respondeu Percy um pouco encantado, ele se levantou do sofá e ficou atrás dela, a olhando pelo espelho. Sua mão direita passou pelo abdômen da loira que estava bem delineado pelo vestido preto. Percy não podia parecer mais sério – Você só precisa de uma coisa.

Ele levantou a mão do abdômen até o pescoço dela, desamarrando por fim o cabelo loiro que caiu em cascatas pelo vestido negro. Contrastando-se de uma forma genuína. Annabeth deu um mínimo sorriso ao se olhar no espelho. Percy deu um passo para trás, piscando algumas vezes enquanto os dois se entreolhavam.

–Agora você está perfeita – ele tossiu um pouco – Mais bonita impossível.

Annabeth se virou para ele, sua respiração pesada era evidente. Percy percebia que a loira tentava de todos os jeitos ler sua mente ou seus olhos, tentando tirar alguma informação. O que ela fez em seguida foi realmente surpreendente.

Annabeth olhou de forma séria para Percy, semicerrando os olhos, e no fim pegou no zíper na lateral de seu vestido e o desabotoou até o fim, ficando seminua no quarto. O olhar de Percy ficou num misto de surpreso e malicioso, seus olhos fitavam os seios e intimidade tampadas pelo pano preto.

Ela deu alguns passos para perto dele.

–Você está constrangido. E sabe porquê? Porque você está me escondendo alguma coisa. Percy... – ela chegou extremamente perto dele – Eu te conheço desde que você era uma criança, eu sei quando você acha que está fazendo algo imoral... Você fica constrangido, retido. E esta sua seriedade e frieza... Não é nada normal. Eu sei que você não vai me contar nada, e isto que é o pior, se você não confia em mim, Percy...

Ela deu um passo para trás.

–Então a questão fundamental de toda esta história de amor não faz sentido. Nós não fomos feitos um para o outro, afinal.

Ela foi embora para se trocar. Percy colocou seus cabelos para trás, sentando-se no sofá. Ele respirou fundo enquanto tentava não chorar. Era impossível. Impossível estar acontecendo algo do tipo justo com ele.

Notas finais
Pessoal, esperem que tenham gostado deste capítulo que está bem grande. Admito que coloquei mais alguns capítulos na fic do que o previsto. Então teremos mais três ou quatro. Espero que estejam felizes com a notícia. Deixem seus reviews e recomendações! Estou com saudades dos meus leitores. Beijos!!