Nossa História

1 Missão Cumprida


Notas iniciais
*Plágio é crime!
*A história e os personagens são meus. Imagine-os da forma que quiserem! Soltem a imaginação!
*Postarei pelo menos uma vez por semana.
*Críticas construtivas são bem-vindas.
*Espero que gostem da história.

A Bienal estava cheia, como a fila gigantesca do lado de fora havia prometido, e aquilo com certeza, suspeitava Juliana, não estava deixando sua irmã mais animada. Nem os livros a sua volta pareciam interessa-la.

Desviando um pouco a atenção das palavras de Isabela, sua amiga que concordara em ajudar a arrastar Luíza para lá, notou que a mais nova continuava com a mesma carranca de antes e os braços cruzados. Ah, e claro, como ignorar as bufadas indiscretas que buscavam atenção sempre?

Ela não parecia ansiosa para tocar em algum exemplar ou ler a sinopse deles. Nem um pouco. Pelo contrário. Luíza estava tão animada quanto alguém que seria levada para a forca.

Obviamente Juliana entendia o mau humor de sua irmã. Afinal, ela não gostava de ler, então a ideia de perder o sábado em um evento literário era maçante. Mas se continuasse pensando naquilo, seu lado irmã falaria mais alto e jogaria Luíza no primeiro ônibus que fosse para sua casa. Não! Ela com certeza se interessaria por algo.

E não era tão ruim. Sim, era sábado, mas não se sentia como uma sardinha enlatada. O lugar era grande demais para que as pessoas não conseguissem andar sem se esbarrar ou algo do tipo. Com certeza Luíza não pensava que aquilo poderia ser pior.

Mas, em partes, ela rendeu boas risadas. Como na vez em que ela se assustou com um grupo desesperado para falar com blogueiros que se dividiu ao passar por ela, deixando-a no meio. E Juliana pagaria para ver a cara da irmã quando viu que ela e Isabella passaram a fazer parte do grupo também.

—Eu quero ir embora. _ declarou Luíza enquanto via as duas se aproximarem com mais um livro e provavelmente mais uma foto com um famoso na galeria.

— Estamos aqui há quanto tempo? Uma hora? Não foi nem o tempo que levamos para chegar. _ Juliana rebateu, com uma breve careta transpassando o rosto.

— Se anima, Lu! _ incentivou Isabela. _ Por que não procura o livro de alguma série que você gosta?

Juliana prendeu a risada enquanto guardava o terceiro livro na mochila, relembrando que já havia feito aquela pergunta. Apostava que a resposta seria a mesma.

— Porque já estou vendo as séries. Pra que preciso ler os livros? _ retrucou, batendo continuamente o pé direito no chão.

Isabela fez uma careta antes de dizer à amiga que Luíza era quase um caso perdido. Mas Juliana se recusava a acreditar. Sua mãe, antes de saírem de casa naquele dia, disse que ela não conseguiria. Aquilo soou como um desafio, e desafios a motivavam. E também seria algo bom Luíza gostar de ler. Além de ter vários benefícios, ela conheceria histórias incríveis, e... Quem Juliana queria enganar? Ela queria mais uma pessoa com quem pudesse falar sobre livros. Claro que fazia isso com Isa, mas a amiga lia mais coisas de terror, então esse assunto não rendia muito.

— Bobagem! Séries nunca são iguais aos livros. _ disse enquanto pousava as mãos nos ombros da irmã, a arrastando para a estante de alguma editora. Sair da Bienal sem nenhum livro para Luíza definitivamente não era uma opção. _ Aposto que você vai se interessar por um livro, se procurar.

— Eu já fico o dia inteiro na escola. _ resmungou, sendo arrastada por Juliana. _ Não vou ficar lendo enquanto posso me divertir.

— Ler é divertido! _ as duas amigas rebateram juntas, ofendidas com as palavras da mais nova.

Certo, estavam em frente à estante. Milhares de livros ali. E queriam que Luíza escolhesse apenas um. Não era pedir demais, era? Juliana _ e provavelmente todos os leitores _ idolatrava a teoria de que as pessoas que diziam não gostar de ler apenas não haviam encontrado o livro certo, que fizesse o coração palpitar mais forte.

As três ficaram ali por um tempo. Luíza selecionando as capas que lhe interessava e lendo as sinopses preguiçosamente e Juliana e Isabela reclamando dos preços, mas mesmo assim comprando livros. Aos olhos da mais nova, isso era extremamente contraditório, mas fazia todo o sentido para as amigas. Elas haviam economizado uma certa quantia para comprar livros na bienal. Por que não o fariam?

Juliana olhou esperançosa para a irmã, mas ela não parecia animada com alguma estória. Se perguntava a todo momento se era realmente tão chato para Luíza estar ali. Ela realmente não se interessava? Diante delas havia uma infinidade de ideias, mundos diferentes, milhares de personagens cativantes e, não ia mentir, capas incríveis. Não havia ao menos um livro que...

— Gostei desse. _ a voz de Luíza interrompeu seus pensamentos bruscamente, e tanto ela quanto Isabela pararam para olhá-la. Juliana tinha de confessar que foi difícil segurar um gritinho de felicidade.

Os pés dela não ocavam mais o chão, e o sorriso se alargava mais e mais em seu bonito rosto. Sua irmã havia se interessado por um livro! Agora só faltavam mais 3 passos: Ela ler o livro; Se apaixonar; Ler mais e mais livros.

— E qual é? _ perguntou empolgada, tentando não gritar de entusiasmo.

Mas no momento em que Luíza esticou o braço com o exemplar na mão, seu sorriso foi murchando aos pouquinhos. A Escada do Infinito, de Henrique Sampaio. Bem, pensando pelo lado bom, a irmã leria aquele livro. Mas se traumatizaria e nunca mais tocaria em outro.

Juliana já havia lido aquele livro, e o emprestaria de bom grado se não tivesse doado. Ele tinha pequenos _ grandes _ problemas, que eram suficientemente ruins para fazê-la não gostar da leitura.

— Por que... não escolhe outro? _ perguntou com cuidado, ouvindo Isa rir ao seu lado, à medida que as sobrancelhas de sua irmão se franziam.

— Sua irmã o detesta. _ a outra respondeu, prevendo a pergunta de Luíza.

— Detestar é um termo muito forte. _ rebateu, com uma contorção no canto dos lábios. _ Eu só não recomento. Acho que não é um bom primeiro livro.

A garota chegou a abrir a boca para retrucar de alguma forma, mas foi interrompida por uma quarta voz entrando na conversa:

— É um dos meus livros favoritos. O que não gosta nele?

Elas olharam para o bonito rapaz, que mantinha os olhos em Juliana, deixando ainda mais claro que a pergunta fora para ela. Ele não parecia disposto a começar uma discussão ali. Muito pelo contrário. Era bastante... estranho notar o divertimento em seus olhos.

— Muitas coisas. _ limitou-se a responder apenas isso.

— Como...? _ incentivou que continuasse, fazendo-a respirar fundo. Nunca era bom esse encontro entre dois leitores com opiniões extremas.

— Bem... os personagens são estereotipados demais e eu queria a todo momento que o protagonista morresse. Sabe, a premissa é boa, mas o autor não a desenvolveu muito bem. _ resumiu sua opinião, como geralmente fazia em seu blog.

Mas, qualquer que fosse a reação esperada por Juliana, aquela não estava na lista. O rapaz a encarava com os olhos semicerrados e os braços fortes cruzados diante do peito, mas não parecia irritado e sim, concentrado.

— Acho que não percebi isso. _ confessou, ele. _ Talvez eu precise relê-lo. Seu olhar crítico é sempre tão... aguçado? _ provocou, recebendo uma sutil careta em resposta.

— Desde que comecei a escrever resenhas. _ disse brevemente, enquanto tirava um cacho rebelde dos olhos. _ E eu não o li com olhar crítico. Apenas li e não gostei. _ rebateu.

O homem pareceu achar graça, pois uma curta risada saiu junto à sua respiração. Ele voltou a colocar as mãos nos bolsos.

— Seria interessante conversar sobre esse livro com você. _ então olhou para as três antes de sair. _ Boas compras.

*

Juliana desistiu de tentar convencer a irmã de levar aquele livro em pouco tempo. Luíza o leria, e tiraria sua própria conclusão. Ainda era uma felicidade ela ter querido comprar algum.

E o melhor: Ela já não estava mais emburrada. Andava normalmente pela bienal. Pelo menos até se deparar com um grande cartaz na parede.

— Ele está aqui! _ anunciou depois de lê-lo. _ Henrique Sampaio, o autor do meu livro. _ ela respondeu, assim que notou a confusão no rosto das outras duas. _ Quero um autógrafo.

A mais velha das irmãs engoliu um gemido de frustração. Não esperava por isso. E também não esperava pelo olhar pidão dela. Certo, ela tinha 13 anos. Sua mãe a mataria se deixasse Luíza em uma enorme fila tumultuada no meio da bienal. Era um fato: Juliana seria arrastada para lá.

Deixando Isabela fazendo suas compras, acompanhou a irmã. Aquele autor tinha muitos fãs _ mulheres, em sua maioria _ que circundavam a mesa dele. Ah, demoraria séculos. Mas Luíza a acompanharia em todos os cantos dali, sem reclamar.

A mais velha resolveu que mexer no celular era uma boa distração. E jogar na cara da mão que a irmã havia comprado um livro era melhor ainda. Ficaram longos minutos ali, naquela fila enorme, perdendo um pouco da audição a cada momento. Mas já estavam perto. Agora era só pegar o autógrafo, tirar uma foto e seguir com o planejamento normal. Sentiu Luíza lhe cutucar na altura da costela, mas antes que pudesse olhar, um comentário chamou sua atenção.

— Parece que reencontrei minha fã número 1. _ provocou, fazendo Juliana erguer a cabeça abruptamente.

Ah, meu Deus! Estava diante de Henrique Sampaio, que surpreendentemente era o mesmo rapaz com quem havia falado antes. Onde podia esconder sua cabeça?

Notas finais
Gostaram? Espero que sim! Comentem, pois isso incentiva muito o autor. Até semana que vem!
Beijos!
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.