Nossa História

4 Nossa História - Ato 04


Notas iniciais
* Demorei?-q Estou parcialmente doente. Digo parcialmente por que é apenas tosse, mas uma tosse das brabas! Tosse de cachorro -w-... * Quinta-feira começam as minhas aulas e ainda assim preciso resolver muitas coisas... Acho que ainda to na merda, mesmo com o ano novo tendo começado ~ * Enfim! Boa leitura

Capricórnio, já acordado, olhava estático para o teto. Por um minuto seus pensamentos estavam voltados para a sua família e não para Aioros. Essa cidade em que estava lembrava muito aquela onde nascera e só conseguia ficar mais angustiado por causa disso. Um sorriso tristonho surgiu em seu rosto ao se perguntar se seus pais estariam vivos e seus irmãos também. Não pôde encontrá-los da última vez que esteve na Espanha. Ou eles morreram ou não queriam ser achados... Não por ele. Talvez pensando que iriam atrapalhar a nova vida do filho, ou por inveja. Inveja por Shura ter tido uma oportunidade que os outros não tiveram. Isso fez o sorriso sumir tão rápido quanto apareceu.

— É melhor as coisas permanecerem assim... – Ele disse se levantando da cama. A tarde estava chegando ao fim e nada de cosmo-energia. Shura estava começando a achar que isso tudo era uma brincadeira do Grande Mestre para ele e Aioros se “entenderem”. Seria muito capaz de ser isso, afinal o próprio grego quem se voluntariou muito prontamente para ir junto.

Por outro lado isso poderia ser bom... De certa forma. Lembrou-se então de uma conversa bastante inusitada que tivera com uma certa Amazona. Uma romena teimosa, complicada, barulhenta, insana e até assustadora chamada Alexia, da qual foi designado como mestre. Contudo, quando se referia a ela como "discípula" na presença de outras pessoas fazia questão de incluir as aspas. Afinal, o mandaram apenas concluir o treinamento dela. Não foi muito difícil. A garota já sabia mais da metade do que deveria saber, ou bem mais além. Shura mais discutia com ela do que a treinava. O temperamento de Alexia variava segundo seu humor. Mas o que ela mais adorava fazer era se meter na vida pessoal do seu mestre. Em especial, tocar na ferida.

Não sabia exatamente como e quando a garota descobriu (talvez os boatos sobre sua fama de feiticeira fossem verdade). Bastou uma única olhada no comportamento dele com Sagitário para ela entender o que se passava e não tardou em encher o espanhol de perguntas. Podia soar como uma grosseira e mal educada, mas fazia isso pensando no bem dele. A sinceridade dela podia ser devastadora, mas ela sempre estava com a razão.

Mesmo sendo mais nova, a romena entendia bem mais sobre o mundo e a vida do que Shura. Assim sendo, ela seria capaz de dar ao menos um bom conselho sobre o que o atormentava tanto.

— Sabia que você é um completo idiota? – Ela disse, tão delicada quanto Máscara da Morte seria.

— Você adora me xingar, não é verdade? – Capricórnio rebatia querendo desconversar, segurando-se ao máximo para não exagerar.

— A verdade nua e crua é que você age assim. Não entendo o porquê de tanta tortura! Não era o que você mais desejava? Ter ele de volta? – A garota de cabelos negros indagou sentada em uma das cadeiras klismos que davam à varanda da décima casa zodiacal um ar mais leve. Era nesse lugar que Shura e Aioros costumavam observar as estrelas quando mais novos.

— Não lembro de ter dito que poderias entrar aqui. – Shura continuou.

— Sou sua discípula, sou como sua irmãzinha, então como uma boa irmã eu venho te visitar. Se não gosta, problema seu. Aguente. E não mude de assunto! Está agindo como se fosse criança... Tsc... – Ela respondeu finalizando com um muxoxo. Relaxando na cadeira, que era mais ou menos confortável, Alexia jogava fora as boas maneiras e ficava mais a vontade. Ou seja, largada.

— Dava para ao menos se sentar como uma moça? – Shura reclamou ocupando a outra cadeira ao lado. De braços cruzados e de cara fechada (normal), ele olhava para o céu noturno com... Saudade.

— Estou de calças... E qual o problema afinal? Além disso você não tem moral para dizer que tenho que agir como uma moça.

— E por quê?

— Por que você é um homem apaixonado por outro. Simples.

O espanhol suspirou derrotado. Era praticamente impossível argumentar com a romena. Ela tinha resposta para tudo! Mas entendera onde ela quis chegar. Àquela altura ele já ria de nervoso e balançava a cabeça negativamente. Ficou pensando em algo para dizer, mas nada veio. Sim, o que sentia por Aioros ultrapassava até o que chamavam de amor. Porém achava que se Sagitário soubesse disso, o veria como um esquisito e assim Shura o perderia outra vez. Isso sem contar o maldito remorso por ter acreditado naquela mentira, de ter caçado Aioros e de ter sido o responsável pelos ferimentos que o levaram à morte.

— Diga alguma coisa! – Gritou Alexia, o tirando de seu mundinho com um chute na canela. – Não fique aí se lamentando em silêncio. Estou te oferecendo apoio, por que não aceita?

— Não é tão simples assim como parece.

— Quer saber de uma coisa? Se deixar a oportunidade certa passar, talvez você morra com isso entalado no peito. De novo.

— Belo apoio o seu, não é?

A romena revirou os olhos lilases. Ela não estava usando a máscara naquela hora e quase nunca o fazia. Seu rosto era muito bonito, porém andrógino. Era uma garota, mas também podia se passar por um garoto muito facilmente. E, apesar de ainda existir uma regra quanto ao uso das máscaras por parte das Amazonas no Santuário, ninguém se atrevia a desafiá-la. A derrota era inevitável (a atual regra do uso de máscaras consistia em desafiar a Amazona da qual o rosto fora exposto a um homem dentro dos terrenos do Santuário, em treinos, ou lutas internas, com a condição de que a Amazona precise ganhar para não se submeter ao adversário).

Havia momentos em que Alexia não conseguia ser totalmente direta no que queria dizer e ressaltava vários pontos, negativos ou positivos, antes de falar.

— Vou te contar uma coisa. – Ela começou pegando uma das xícaras de chá postas na mesinha que se encontrava no meio das cadeiras. – Eu conhecia uma pessoa, que podia considerar a minha melhor amiga. Estávamos sempre juntas, juntas demais para o gosto alheio... Mas não me importava nenhum pouco com isso. Eu devia ter menos de 13 anos nessa época e na cultura da minha família, 15, 16 anos é a idade de casarem as filhas... Essa pessoa em questão era uma moça de exatamente 18 anos. E depois de um tempo os pais dela decidiram que iriam finalmente casá-la. Mesmo contra a vontade dela e minha, obviamente, que esperneei como a criança que era, apesar de não ter direito algum. Eu senti vontade de matar o tal noivo que arranjaram. – Alexia contava com certa exaltação na voz. – Ele era nojento, feio... Não a merecia de jeito algum. Contudo eu nada podia fazer... Eu podia prejudicá-la e mesmo com raiva também não queria trazer problemas para meus pais, mais do que já trazia. Eles não mereciam isso, então tive que me calar. Mas não a esquecia, apesar de ter sido proibida de vê-la. Depois do casamento deles, minha “amiga” ficou doente e como era fraca de saúde sucumbiu à pneumonia. Eu nunca pude dizer a ela o quanto eu a amava... – Concluiu a estória com um sorriso tristonho. Virou-se rapidamente para seu "mestre" e disse. – Mas você pode! Aioros está aí, vivo. Está aí para você. Te esperando. Shura, você tem uma chance que eu não tive. Não a desperdice, não a jogue fora... Não a ignore. Não se arrependa de seus atos uma outra vez. Também sei o quanto ele está desesperado para vocês voltarem a ser o que eram antes de tudo aquilo.

Mudo, Shura refletia. Por mais que detestasse admitir, ela estava certa. Ele só estava sendo um completo idiota que aparentemente gostava de sofrer pelos cantos. Deveria seguir o conselho da garota? Se ele não falasse, se ele não perguntasse, não haveria uma resposta, seja lá qual fosse, de Aioros. Ou pior, se continuasse a fugir dele... Aioros poderia cansar de tentar. Poderia esquecer-se de Shura.

Esse pensamento o amedrontou. Suspirou pesado e levou a xícara de chá a sua boca, tomando tudo em um gole só. Queria encontrar as palavras certas, mas nada saia de sua garganta.

— Você ganhou uma nova vida. Não seja infeliz nela também como era na outra. – Alexia completou.

O que ele deveria fazer? Essa missão era a oportunidade perfeita! Não havia ninguém para atrapalhar. Eram somente os dois ali, entre quatro paredes. O espanhol conseguiria falar tudo? Ou se calaria diante da presença do grego? Coragem para enfrentar um titã ele tinha. Coragem para conversar com seu melhor amigo não. Era ridículo não é? Totalmente ridículo...

Se distanciando da cama, rumou para o banheiro. Dando uma olhada no espelho, ele via um cara patético com um olhar cheio de súplicas de perdão presas e uma declaração de amor desesperada.

— Não quero ser chamado de idiota para o resto da minha vida... – Ele respirou fundo. Bem fundo e abriu a pia para jogar a água fria em seu rosto. Em poucas horas iria anoitecer e nada de cosmo energia e nada de Aioros. – Aonde será que aquele esfomeado se meteu?

Notas finais
* O que acharam da Alexia? Eu já a fiz aparecer em uma fic chamada Aokigahara, que é centrada no Shun. Nela eu expliquei bem mais sobre a personagem do que aqui, que a deixei desbocada demais, acho. * Ah, Klismos é uma cadeira grega. As informações sobre ela estão todas neste blog xD http://historiadascadeiras.blogspot.com.br/ * Até a próxima ;3;