Nossa História De Amor.
19 O casal de otários.
Notas iniciais
Não tenho muita coisa a dizer por aqui então:
Boa leitura!
Sexta Feira, 3 de Outubro de 1989.
–Por isso, eu tenho que lhe informar que... – o coração de Annabeth saiu por sua boca, Phill olhou em seus olhos – eu fico feliz que seu livro tenha sido aceito.
Annabeth queria dar um grito de felicidade, porém só esboçou um enorme sorriso, abraçou Phill calorosamente e também os revisores, mesmo não os conhecendo. Então depois de um pedido feito por Phill, ela se acalmou.
-Eu estou tão animada! – ela disse enquanto passava a mão nas pernas e nos joelhos, tentando se acalmar, Phill acabou sorrindo, mas rapidamente sua expressão voltou ao normal: extremamente séria.
-Você deve estar se perguntando por que o outro coautor não está por aqui...
Estupidamente umas cem vezes...
-Na verdade não... – ela sorriu sem graça, Phill bateu com sua caneta esferográfica na mesa polida de madeira, com certo receio de continuar.
-Nós o comunicamos sobre a aceitação do livro pelo correio, já que ele se encontra impossibilitado de vir ao prédio – o editor chefe parou bruscamente, parecia ter feito um contrato de sigilo imaginário, Annabeth chamuscou a boca de curiosidade- Tudo irá ser feito extremamente rápido, a empresa esta extremamente animada com este livro. Queremos que vire um best seller, e ainda mais que isto, queremos que ele seja um dos recordes da Werstystone.
-Entendo – ela disse com um sorriso.
-E... De onde você tirou aquele final? Foi tão você e o Percy... — Phill parou o revisor com a mão, fazendo-o ficar com as bochechas vermelhas. Annabeth sorriu para ele sinceramente, animada com as perguntas sobre o livro.
-Indo para os comentários importantes – Phill ressaltou – Nós estamos fazendo tudo de forma com que as coisas sejam extremamente rápidas. De acordo com os nossos cálculos, daqui a três meses tudo estará pronto para a publicação imediata do livro. Você irá trabalhar muito com nossos revisores para que este prazo estipulado não saia dos nossos cálculos.
-Sim.
-E é isto – Phill gostava de ser um homem direto, suas conversas com Annabeth nunca foram às das mais longas. Mesmo eles trabalhando juntos há tanto tempo, na realidade, à medida que o tempo passava a conversa dos dois ia ficando cada vez mais rarefeita.
A loira se levantou, pegando sua bolsa e dando meia volta para sair.
-Ah, Annabeth – chamou Phill, ela deu uma volte meia – A festa de pré estreia só com os sócios da empresa será feito daqui a sete dias. Prepare-se. – Annabeth sorriu fraco, surpresa. Sete dias? Uma semana? Estava muito perto – E não se preocupe em estar sozinha na festa, Percy com toda a certeza irá. Está no seu contrato.
Annabeth assentiu friamente, mesmo que por dentro várias interrogações deixassem um tanto confusa, e até apreensiva. Qual seria a desculpa de Percy pelas semanas sem se falar? Porque ele não deu pelo menos um cartão? Qual era o significado de tudo aquilo que os dois tiveram no Havaí para ele?
Enquanto olhava para os revisores, e Phill, assentindo com tudo que eles diziam, seus pensamentos voltavam para Percy, pessoa que ela prometeu a si mesmo não pensar mais, e agora percebia que nunca conseguiria cumprir com sua promessa.
*
Sexta-Feira, 10 de Outubro de 1989.
O salão de festas estava cheio, era uma festa pequena com os nomes mais honrados e importantes da literatura da Werstystone. Phill andava de um lado para o outro, tentando socializar com todos os convidados.
Percy Jackson foi o primeiro coautor a chegar, estava com um terno preto de garfe, assim como os sapatos que estavam reluzentemente pretos. Seu cabelo estava totalmente penteado para trás, mas sua barba estava por fazer, desfazendo toda uma imagem de homem arrumado.
Phill foi o primeiro a cumprimenta-lo, apertou sua mão e o abraçou rapidamente, mas com tempo o suficiente para lhe dar um aviso:
-Annabeth não está nada feliz com o seu sumiço. Não faça besteiras e tente contornar a situação – Percy colocou as duas mãos nos bolsos, assentindo. Pegou um uísque que passava na bandeja prateada dos garçons e começou a conversar com um acionista conhecido.
Aproveitou o tempo para estudar o salão, era um lugar importante de NY, mas não famoso. Era bonito, mas não glamoroso. Era o ambiente prefeito para uma pré-estreia, onde pouca parte do público alvo ficaria sabendo do novo livro. O que era a intenção.
Tinha um teto alto de aproximadamente 15 metros de altura, havia um pequeno palco amadeirado na frente, e grandes janelas cobertas por cortinas vermelhas de todos os lados. O chão parecia uma mistura estranha entre mármore e vidro, de modo que era perceptível o barulho dos sapatos altos das mulheres, e dos sapatos sociais masculinos.
Annabeth sentia-se um tanto envergonhada por aparecer sozinha no salão da pré estreia, ainda mais pelo fato de que era a autora do livro, e definitivamente, o centro das atenções.
Não tinha dúvidas de que estava deslumbrante, seu vestido era preto, porém não era triste. Era uma roupa totalmente trabalhada na renda, com duas faixas de renda que caíam por seus ombros, então vinham num corte aberto e redondo até seu busto, e dali ficavam coladas em seu corpo até metade de suas coxas. Com certo cuidado Annabeth deu um passo para dentro do salão, com seus enormes saltos pretos.
Não gostava de ter todos os olhares sobre si, mas era importante se lembrar de que isto sempre acontecia quando lançava um livro novo. Phill foi o primeiro a cumprimenta-la.
-Está deslumbrante, querida Chase – ele deu um beijo em um lado de sua bochecha, enquanto pegava em sua cintura pelo braço, apresentava-a para os convidados desconhecidos pela mesma.
Rodou o salão com o olhar, e seus olhos cravaram nos verdes intensos que a fitavam. Percy estava apoiado na parede, com um uísque na mão, não parecia com vergonha nem mesmo tímido ao olhar para Annabeth. Ela sustentou o olhar por um tempo, fria. E então voltou a direção de Phill, com um sorriso no rosto.
Todo o seu cabelo loiro e ondulado estava passado para um lado, mostrando seu pescoço branco e parte de seu colo também. Seus lábios ficaram ainda mais ressaltados com o batom vermelho e seus olhos estavam chamativos com toda a maquiagem pesada os rondando. Ela estava incrivelmente sexy, e todos naquele recinto foram obrigados a comentar que a escritora nunca esteve num momento melhor.
Depois de muita conversa, Phill finalmente deixou oficial a festa de pré-abertura do livro, assim que ele acabou seu discurso, a boa música começou a tocar, fazendo com que vários casais se juntassem para dançar.
Percy ignorou o acionista que estava ao seu lado e saiu andando para a outra direção do salão, quando estava a poucos metros de Annabeth, deixou seu copo de uísque numa bandeja qualquer e entrou no meio da roda entre a loira e os revisores.
-Se não for pedir demais... – ele disse com a voz rouca – Eu queria ter uma dança com a prezada escritora.
Todos os revisores assentiram, alguns até entre risos, porém Annabeth foi puxada para o meio do salão com uma expressão fechada, Percy colocou a mão em sua cintura com leveza irreconhecível, e a outra mão entrelaçou com a de Annabeth.
-Seria um tanto óbvio falar o quanto você está linda hoje? – ele falou em seu ouvido, rodando-a em seguida. Annabeth voltou com a cabeça para o ombro de Percy. Os trompetes e saxofones tocavam com certa urgência.
-Sim, seria – ela disse fria, com seus olhos cinza não transmitindo nenhum tipo de emoção. Percy mordeu o lábio inferior, girando-a parcialmente e fazendo com que as costas dela encostassem-se a seu corpo. Ele colocou a cabeça nos ombros largos da loira.
-Eu só queria ter uma boa dança antes de começar a frieza – ele passou as mãos pela cintura dela, descendo até sua bunda, porém Annabeth fez com que as duas mão de Percy voltassem para a cintura. Ela desgarrou seu corpo do moreno, olhando para ele revoltada, mas tentando conter ao máximo tudo que sentia, chegou de forma enraivecida perto de Percy.
-E eu só queria que você deixasse de ser criança uma vez na vida – ela se virou, andando em passos pesados para a saída de emergência do salão, precisava de um ar fresco porque Percy fez com que sua cabeça doesse.
O vento frio da noite serpenteou em seus braços, fazendo-a tremer e arrepiar, quase morreu de susto ao sentir algo a cobrindo, mais precisamente um blazer. Percy olhou para ela rapidamente antes de tirar um cigarro da calça social preta e acende-lo. Levou-o na boca e olhou para o luar da lua minguante, ele estava estranhamente misterioso, até para a própria Annabeth, que o conhecia como ninguém.
-Eu queria conversar sobre isto depois, mas parece que você já está com raiva demais para adiar explicações – Annabeth roubou seu cigarro, dando uma longa tragada, olhou de esguelha para ele e soltou toda a fumaça da sua boca.
-Você acha que não é merecido? Três semanas sem nem pelo menos me mandar um telefonema, um cartão, que seja! Eu não ligava! Se pelo menos você tivesse tido o trabalho de me avisar. – ela andou alguns passos para a esquerda, enraivecida — Eu sou uma viagem para você? Uma coisa momentânea de um verão? Porque eu tenho quase trinta anos e seria muito depressivo se você me falasse algo como isto.
-Chamaram-me para ser editor-chefe de uma editora em Paris – ele a cortou rapidamente, fazendo-a parar seu discurso preparado e melodramático, e o olhar com certo receio. Ele parou na frente dela. A mesma colocou as duas mãos na cintura, apoiando todo seu peso numa só perna.
-França? – ela perguntou um tanto pesarosa – Você já não tem um trabalho na Inglaterra? Quer dizer... Não está longe o suficiente?
-Eu seria concorrente direto com o Phill, e praticamente o dono da empresa. Ela é nova, está reunindo os novos escritores da comédia europeia e tem tudo para ser um sucesso.
-Você vai para lá? Ser o chefão da França? – Annabeth olhou para o chão, um tanto receosa. Era uma grande oferta de emprego, o que todo escritor sonha para sua velhice: Poder publicar seu livro a hora que quisesse, poder ajudar os escritores que ele definitivamente apoiava os ideais. Annabeth não recusaria um programa destes.
-Eu poderia lançar o livro com o meu nome, mas não poderia participar da equipe de revisão, nem da publicidade, você faria tudo sozinha – Annabeth mordeu o lábio inferior, parecia ser uma coisa que Percy já havia pensado muito para falar antes de vir para a festa – Eu iria para a França o mais imediatamente possível, faria uma dupla dinâmica com Tom Meckwire.
-É tentador – reconheceu Annabeth, roubando mais uma vez o cigarro de Percy e tragando.
-Eu precisava de um tempo para pensar, um tempo em que eu poderia medir as coisas sem a sua interferência, por isto eu decidi não entrar em contato. É uma coisa grande, meu nome se consagraria por todo o mundo, se tudo desse certo com a empresa – Annabeth soltou mais uma baforada de fumaça do tabaco, só assim ela conseguia disfarçar todo o seu desespero, Percy colocou a mão nos bolsos.
-Porque você está usando os verbos no futuro do pretérito? – Percy pegou o cigarro de sua mão, fumando-o rapidamente.
-Porque é uma possibilidade do futuro, mas hoje eu não irei aceitar – Annabeth levantou o olhar para ele, com certo pavor e ao mesmo tempo surpresa. Percy andou alguns passos para a direita, coçando os cabelos com a mesma mão que segurava o cigarro — Eu não iria deixar de publicar este livro com você, nem que se nós aproveitássemos só alguns meses, e muito menos iria ser concorrente da Werstystone. E o mais importante, eu nunca iria não aproveitar nem que seja um minuto que eu tenha para ficar perto de você.
Annabeth não sabia o que falar, estava surpresa demais para dizer alguma coisa, deu de ombros e olhou para o céu, com uma expressão um tanto indecifrável.
-Como você é idiota – ela disse enquanto olhava para ele, Percy a olhou com certa surpresa, não era esta a reação que esperava – Eu não sei se faria a mesma coisa no seu lugar, provavelmente iria, porque também sou uma idiota. Nós dois somos um casal de otários, na realidade – Annabeth parecia revoltada- Eu estou atrasando a sua vida e você está pouco se fudendo para isto! É a maior chance que eu já vi na vida só que você prefere ficar algum tempo comigo! – ela respirou fundo. Percy não sabia mais o que dizer.
-É para eu ficar envergonhado? — perguntou ele um tanto confuso. Annabeth bateu com a mão na cocha.
-É por isto que eu te amo, sabe? Porque você é um idiota igual a mim.
Percy riu, um pouco aliviado, e chegou alguns passos perto dela.
-Você ainda está com raiva de mim? – ele disse com certo receio, Annabeth bufou.
-Claro que estou! O que você acha que é? É só vir dando várias provas de amor que vai me conquistar? Não mesmo! – Annabeth passou as duas mãos para o pescoço dele – Você vai ter que fazer muito mais que isto.
Percy riu, dando um selinho delicado em seus lábios. Os dois entraram no salão, onde o maior acionista falava no microfone. Percy passou um de seus braços por sua cintura, então fez uma careta.
-O que foi? – Annabeth perguntou enquanto franzia as sobrancelhas. Percy mordeu o lábio inferior.
-Você se importa se eu ficar alguns meses no seu apartamento? – Annabeth negou com a cabeça, de forma teatral.
-Não sei não, você vai ter que pagar de alguma forma – Percy sorriu, descendo a mão da cintura para a bunda da loira.
-Contando com o fato que também dividiríamos a mesma cama, claro – ele deu um sorriso malicioso – eu infelizmente iria ter que fazer como as antigas desempregadas e ter que pagar com o meu corpo.
Annabeth sorriu, olhando para os olhos verdes com certa malicia.
-Eu aceito.
Notas finais
Enfim, não se esqueçam de deixar seus reviews ali embaixo, rapidinho gente, não custa nada e deixa uma autora muito feliz.
Beijos e até o próximo!
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