Nossa História De Amor.
6 Nós dois na vila dos Hobbits.
Notas iniciais
É, eu gosto de Senhor dos Anéis. Julguem-me! kk.
Okey, sem muitas coisas para falar por aqui, apenas boa leitura!
Quinta-Feira, 6 de Agosto de 1989.
Annabeth jogou a bolsa no carro pensando porque os editores são tão idiotas, ela era uma escritora de drama, não uma caça dotes, ela nem mesmo tinha perfil para fazer livro junto com outra pessoa! Ela se perguntava o que estava fazendo ali, o que estava fazendo no mundo, queria sair correndo e nadando até sua casa e dormir até o mundo acabar. É. Às vezes ela tinha estes ataques de depressão.
Perseu saiu com apenas sua carteira e algumas mudas de roupas que ficaram também na enorme bolsa de Annabeth. Ele se perguntava o que exatamente fazia naquele lugar, porque ele tinha que se sacrificar para tudo? Ele foi para Londres por causa daquela editora, foi para o Havaí, e agora estava indo atrás de um possível lunático.
Causa? Uma ligação feita há uma semana, Phill, o tirano dos livros, deu a missão árdua para os dois irem atrás de um escritor de ficção dali do Havaí. Tudo já tinha sido combinado para a obra ser entregada, mas o que parece é que ele nunca sai da sua casa que fica atrás de uma mata do outro lado do Havaí. E Annabeth e Percy tiveram que dar uma pausa ao livro e irem até ele. O que significava também ficar mais tempo no Havaí, e mais tempos juntos.
Esqueça o bom humor entre os dois, brigas é o que há. Com as coisas mais estupidas possíveis, como o tipo de uma formiga ou o nome de um coadjuvante no livro.
Eles se olharam por um segundo e então Perseu acelerou o Cadillac, deslizando sobre o asfalto quente e exposto para o sol árduo. Tinha duas semanas que os dois estavam no Havaí, decorrente disto tinha duas semanas que estavam tendo algo que nunca tiveram em seus 20 anos de amizade: Muito tempo juntos.
Com personalidades diferentes e formas de pensar completamente distintas, discussões pós-discussões eram feitas pelos dois, e assim chegaram ao estado que se encontravam agora: Mau humor.
Em algumas horas estavam do outro lado da Ilha, em frente e olhando com repugnância para uma mata que tinham que andar antes de chegar à casa do escritor doido. Olharam para os lados, não tinha nada nem ninguém. Eram daqueles cenários tão solitários que só faltava à bola de feno correndo pelo asfalto.
–A gente vai chegar aonde quando passar aqui? Na vila dos Hobbits? – Annabeth perguntou pegando a bolsa, Perseu riu.
–Para de citar Senhor dos Anéis sua nerd- Ele respondeu enquanto ajeitava os sapatos- como sempre, Perseu recusava usar tênis.
–Fala de mim, mas já leu todos os livros – Ela respondeu emburrada enquanto fazia um alongamento, Percy não pode deixar de rir até a barriga doer.
–Estamos indo fazer uma caminhada de 3 quilômetros, não é uma maratona – Ele olhava para as vestes de Annabeth, uma calça de lycra e blusa larga, tênis para corrida e um rabo alto. Ela estava pronta para fazer 100 metros e bater o recorde mundial.
Perseu pegou seu mapa, olhando para ele de cabeça para baixo enquanto Annabeth suspirava olhando para o garoto completamente perdido. As sombracelhas grossas dele estavam franzidas e seus lábios faziam um leve bico emburrado. Ele quase parecia infantil naquela expressão. Ela riu e logo depois suspirou, fazendo Percy olhar para ela com os olhos semicerrados.
–Eu não estou entendendo nada- Ele disse tateando o bolso com a mão atrás de seu maço de cigarros. Annabeth riu mais um pouco e então virou o mapa, fazendo as bochechas de Perseu ficar vermelhas e seu bico aumentar ainda mais. Odiava parecer um ‘’burro’’ com Annabeth do lado. Ela sempre teve as melhores notas, e sempre foi a melhor pessoa em quesito de ter uma linguagem melhor em seus livros.
Mas Perseu não era de todo estupido, tinha mais experiência de vida do que a loira, era mais viajado, Annabeth nunca saiu de NY, talvez esta fosse à primeira viagem para fora do país que a mesma fez. E isto fazia Perseu ter mais cultura, Annabeth ser mais inteligente, mas ele era mais versátil.
Começaram a andar pelo matagal, Annabeth se sentia bem, em sua cabeça era como se ela fosse a Indiana Jones atrás da Arca Perdida. Mas quando olhou para o lado viu Percy com seus sapatos sociais e sendo praticamente comido pelos insetos e teve vontade de rir.
–Eu deveria ter trago um facão para tirar estas folhas da minha frente- Ele disse se esquivando de algumas folhas que quase bateram em seu rosto. Os dois continuaram a andar até que Annabeth tropeçou e caiu no chão, Percy riu e riu, porém Annabeth tinha a expressão séria e isto fez Percy parar com as gargalhadas.
Ele foi mais à frente, onde Annabeth estava, e sua expressão de surpresa e angustia fez seus olhos se arregalarem e o lábio inferior se desgrudar do superior, sua boca formando ligeiramente um ‘’O’’.
O escritor poderia ser lunático, ou o que for. O que importava era que ele tinha uma pequena casa, no fim do mundo, ao lado de uma cachoeira e com flores para todos os lados.
Annabeth logo se levantou olhando para a grama aparada que tinha ali metros a sua frente, e uma joaninha no topo de uma folha tentando se equilibrar, ela olhou para o sol batendo na cachoeira, e subitamente parou de julgar o escritor lunático, aquele era o lugar mais bonito que ela tinha visto na vida.
–Aqui é romântico- Perseu disse indo para o seu lado, Annabeth sorriu de lado com o possível significado daquela frase – Deveríamos ter trago a máquina de escrever.
O sorriso de Annabeth sumiu e ela andou devagar mais alguns metros, enquanto a cascata da cachoeira ecoava em seus ouvidos do lado esquerdo, e a grama bem aparada e a pequena casinha azul e branca com duas cadeiras de balanço na frente da varanda à sua direita.
Os dois entraram na casa, a madeira em seus pés fazendo um leve ‘’crack’’ enquanto eles andavam. Os cupins tomando conta do corrimão à frente. Annabeth bateu de leve na porta da frente, e poucos segundos depois a porta foi aberta.
Ela quase saiu correndo ao ver não um velho lunático com várias folhas na mão e sim uma moça bonita, deveria ter seus 40 anos e era morena dos olhos azuis, com rugas nos olhos e marcas de expressão ao redor da boca. Mesmo com a aparência da ‘’velhice’’ era uma mulher muito bonita, tinha o rosto em forma de coração e seus lábios eram finos e pequenos e vermelhos. Ela usava um vestido azul de 20 anos atrás, aqueles típicos dos anos 60 que Annabeth jogou fora quando fez 16.
Percy olhando o estado patético da amiga tomou as rédeas da situação, indo para o lado dela e dando um sorriso de lado.
–Olá, nós somos os escritores do Havaí que iria vir aqui buscar a ficção do...
–Ah claro! – Ela exclamou cortando Perseu, sua voz era melodiosa – Percy e Annabeth, certo? Entrem por favor. Percy entrou quase arrastando Annabeth pelo braço, que ainda parecia meio atônita demais – É bem complicado recebemos visitas ou sairmos, então ignorem o mau estado da casa.
Os dois olhavam para aquela pequena casa, o pequeno corredor com a pintura mal feita e branca, encardida, e mais a frente três graus que davam para outro cômodo, eles andaram até lá e Annabeth quase caiu para trás de novo ao ver um fogão à lenha, parecia que tinha ido para o século 19 e que não voltaria tão cedo.
Os dois andaram até lá e a moça puxou duas cadeiras pequenas e de madeira para eles se sentarem, os mesmos, como estavam cansados, sentaram sem pestanejar. Ela deu copos de água e então sentou na frente deles.
–Bem, eu duvido muito que tenha sido você a escrever a ficção, não é? – Annabeth disse e Percy a cotovelou, repreendendo-a. A moça riu.
–Não, não! É o meu marido, à proposito meu nome é Summer. E o de meu marido é Richard. Tem seis anos que ele está fazendo está ficção, tem quase mil páginas. Mas digo que vale muito a pena lê-lo. – Percy assentiu, mesmo não querendo saber de propaganda de livros por agora.
Eles iriam engatar uma conversa sobre livros quando passos são ecoados de trás de suas cabeças. Annabeth se virou e novamente quase caiu da cadeira. Um lindo homem estava ali, loiro com os olhos verdes, forte e com expressão serena, usava calças jeans e blusas normais. Ele parecia estar nos anos 80 de verdade.
–Olá- Ele disse com um sorriso pequeno, dando um selinho em Summer e depois cumprimentando Perseu e Annabeth formalmente. – Bem, acho que vocês vieram pegar meu primeiro livro – Ele continuou animado, Percy se lembrava de como foi quando pegaram o seu primeiro livro, quase morreu de ansiedade. Apenas Annabeth conseguiu acalma-lo já que já tinha dois livros publicados.
Richard se sentou numa cadeira a frente dos dois e do lado da mulher, olhando para eles com certo brilho nos olhos.
–Vocês são casados? Ou...
–Não, não! –Logo cortou Percy, ele era acostumado a ser confundido como namorado de Annabeth no colegial, e já sabia o discurso na ponta da língua – Somos só amigos, melhores amigos.
Richard levantou a sombracelha, parecia descrente. Mesmo assim eles engataram numa conversa sobre coisas completamente diferentes e Percy e Annabeth descobriram que o casal tinha seus 40 anos, e que estavam morando ali já tinha 6 anos. Descobriram que eles se casaram apenas no civil e que sempre quiseram fazer um casamento no religioso.
Depois Richard pegou seu livro e entregou à Annabeth, estava lacrado, sem chances de ver qualquer coisa, nem mesmo o titulo. Percy suspirou frustrado enquanto Richard ria. Summer interrompeu a conversa enquanto se levantava:
–Eu já estou passando o café, vocês querem? – Annabeth logo se levantou, sorrindo.
–Eu posso passar o café? Eu adoro e você vai ver, eu tenho a medida perfeita – Ela piscou enquanto Summer ria dando de ombros.
–Eu amo o café da Annabeth, Summer. Acho que você vai amar também – Todos riram, então enquanto o café era passado Richard chamou Percy para uma conversa fora da casa. Os dois foram enquanto Percy fazia piada de Annabeth derramando o pó do café.
Eles ficaram ali, de frente para a cachoeira – que vendo de perto Percy não tinha a total certeza se era uma cachoeira, era muito pequena, parecia mais um laguinho com uma pequena cascata, mas Richard afirmou que aquilo era fundo pra ***.
–Você tem certeza que Annabeth é só uma amiga? – Richard perguntou. Percy olhou para ele com a sombracelha arqueada enquanto sua expressão ficava séria.
–Eu tenho a certeza absoluta, Richard – Ele respondeu. Ele odiava aquele tipo de pessoa, que enxergava através do exterior, Richard era o tipo de pessoa que parecia ler sua alma com um olhar. Percy definitivamente não gostava deste tipo de pessoa.
–Olha, eu não gosto de me meter em relações amorosas, mas eu e Summer demoramos 10 anos para saber que erámos feitos um para o outro, perdemos tempo, juventude e várias outras coisas. Espero que isto não aconteça com você também. – Percy parecia abismado com a forma que ele falava as coisas, e pela primeira vez ficou curioso em saber do que se tratava o livro daquele homem – Acho que você precisa desabafar, parece um tanto estressado com esse forçado confinamento com Annabeth. Estou aqui para ouvir.
Percy mais uma vez queria saber o que aquele homem estava fazendo sendo escritor e não psicólogo, mesmo assim não pode deixar de assentir. As coisas ficam cada vez mais tensas na casa onde estão e ele se sente sufocado naquele sentimento que ele não pode extravasar, e ele odeia ficar com qualquer sentimento preso em seu corpo. O moreno suspirou, enquanto olhava para a madeira velha.
–Eu sempre a amei, sempre. – Ele achou estranho e confortador falar isto em voz alta – Mas sempre tudo parecia muito impossível, muito distante... Parece que depois de tanto tempo de convivência eu e ela, parece que é ridículo pensar que podemos ter algo além da amizade. Sabe quando você sabe que tem que embarcar num trem, mas sabe também que está atrasado? É isto, eu acho que eu estou atrasado. Tudo que deveria ser feito tinha que ser feito há muito tempo atrás, e não foi feito. Então é tudo meio... Devastador demais sabe?
Richard sorriu, enquanto olhava o horizonte, o sol forte mesmo estando de manhã. Ele olhou por um pequeno momento para Percy, ele parecia mais aliviado e até melhor, sempre é bom ‘’confessar’’ algumas coisas.
–Eu só te digo uma coisa Percy: Nunca é tarde para o amor. Eu sei que parece impossível alguma coisa entre vocês, eu sentia a mesma coisa com Summer.
–Mas e se tudo der errado? E se eu me declarasse e ela não e toda a amizade fosse por água a baixo? Ou pior, se ficássemos mesmo juntos e tudo desse errado, e então nem conseguiríamos olhar na cara do outro? E o arrependimento de que eu perdi a relação mais importante que eu tenho por causa de outra que não deu certo?
Richard agora parecia surpreso. Ele pensava que quem parecia ter os 40 anos por ali era Percy e não ele, várias dúvidas passavam na cabeça dele, dúvidas que nunca passaram pela cabeça de Richard antes de pedir Summer em casamento. Ele não tinha tantos argumentos quanto Percy, mas um era o necessário:
–É melhor se sentir arrependido por algo que fez e que deu errado do que por algo que não fez e ficar sempre com a dúvida que poderia dar certo.
Percy ficou calado, era como se a cortina se abrisse para ele. E ele não gostou daquilo. Expor sentimentos não era tão bom quanto ele imaginava. Era como se uma pessoa pegasse sua pior ferida e a abrisse novamente. Ele queria agora saber o que estava pôr vir naquele teatro, coisas boas ou ruins? Mas apenas a cortina foi aberta, ele era o ator, ele que tinha que fazer o teatro ser bom ou ruim.
–O café tá pronto! – Falou Annabeth enquanto vinha para a sacada. Os dois homens voltaram o olhar para ela – Eu não sou de me gabar mas eu acho que me superei neste café, viu?
Percy riu e Richard também enquanto entravam mais uma vez na casa. Eles tomaram café, conversaram mais um pouco e então tinha chegado a hora de ir embora. E nunca Percy ia imaginar que aquela visita poderia trazer tantas coisas para sua cabeça.
Eles andaram novamente pelo matagal, só que agora sem o mau humor de antes e sim uma conversa animada sobre as duas pessoas que haviam acabado de conhecer. Voltaram para o carro e ficaram algumas horas na estrada. A casa de madeira chique diferente da de Richard e Summer apareceu em suas visões. Eles saíram dali bem humorados e entraram na casa. A criatividade a flor da pele.
Rapidamente escreveram muitas páginas para o livro, chegaram à página 100 e se sentiam satisfeitos, haviam feito muita coisa em duas semanas.
–Eu vou trocar de roupa para colocar o livro de Richard no correio – Ele disse subindo os degraus da escada de dois em dois. Olhou para o quarto que não era dele já que o mesmo dormia no sofá. E então olhou para toda aquela bagunça feita por Annabeth.
Pegou uma calça que estava no chão, e sem querer um papel caiu do bolso. Ele não era o tipo de pessoa que mexia nas coisas dos outros, mas aquele papel o deixou curioso. Até porque era de Annabeth. Ele sentou na cama e o abriu, lendo-o rapidamente.
‘’Exuberante. Fotogênico? Mais que isto. Amigo de longa data, a única pessoa que continua comigo ao longo dos anos, o único que me aguenta? Talvez. Não, uma certeza, nem eu me aguento às vezes. Vale a pena deixar isto de lado para afundar numa relação bem mais complexa? Eu não queria dizer isto, mas acho que não consigo. Não consigo pegar meus sentimentos e guarda-los no lugar mais fechado do meu coração. Odeio isto também. Odeio ser dramática demais, odeio não poder falar o que sinto com medo do ar ficar com raiva de mim. Olhando para ele novamente, querendo ou não o fotogênico é a palavra correta para descrevê-lo, eu gosto do cigarro em sua boca, mesmo sabendo ser um veneno para seu pulmão, eu gosto dos olhos verde mar, eu gosto da boca que eu tenho certeza ser quente e macia. Eu gosto do seu corpo. Sexy. Também é outra palavra para descrevê-lo. Depois desta experiência posso escrever uma tensa pornografia. Excitação é um clima que paira sempre sob mim nesta casa. Mas também aflição, os olhos dele são como um livro de mistério, às vezes você quase desiste de descobrir o que se esconde por ali, mas quando você adentra mais, uma surpresa gostosa e alucinante é descoberta. Incerteza, o único sentimento que me aflige agora’’.
A boca de Percy fez um O. Aquilo definitivamente era um papel escrito por Annabeth, ela é a única pessoa que começa a escrever sem parar enquanto está numa situação que a deixa nervosa. E ela definitivamente estava falando dele. E por mais que aquilo fosse um paragrafo com frases a avulso ele conseguiu entender perfeitamente o que se passava pela cabeça de Annabeth. Porque era quase a mesma coisa que se passava na sua.
Ele riu relendo as últimas frases. Sexy? Excitada? Sim. Sexy era uma das palavras que várias pessoas caracterizavam Percy. Mas Annabeth? A doce e ingênua Annabeth? Seus olhos corriam por todo o quarto enquanto ele pensava no que fazer dali por diante.
Ele se decidiu, pensando na conversa com Richard. Colocou o papel de volta ao bolso do jeans de Annabeth, desceu as escadas com o coração palpitando. E fez o que queria fazer indo até a varanda que a loira escrevia concentrada.
A porta de vidro foi aberta e Annabeth se virou, olhando para Percy com as sombracelhas juntas, ele parecia sério demais.
–O que aconteceu Percy? O que você está fazen... – Ela foi interrompida.
Notas finais
Não se esqueçam dos reviews, por favor. Se você gostou mesmo da fic fale, e se odiou fale também.
Beijos e até o próximo! =)
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