Nossa História De Amor.
38 A velha safada.
Notas iniciais
Annabeth atravessou a ponte. Nunca foi uma garota religiosa, na realidade, a última coisa que ela tinha era fé. Mesmo assim, ao contemplar aquele lugar ela se sentiu glorificada. De alguma forma, se sentia especial por estar ali.
Veneza era a cidade mais linda que ela havia visto em toda sua vida.
–É a primeira vez que vem aqui? – perguntou, ainda frio, Percy. Annabeth assentiu devagar, olhando para toda aquela paisagem abobada.
Era lindíssimo a forma como o pôr do sol refletia no rio deixando-o laranja. E como todos ficavam ali, vendo e ao mesmo tempo tantas outras passavam por ali desapercebidas. Você já imaginou quantos pôr do sol você já perdeu por estar fazendo algo mais “importante”. Às vezes, as pequenas coisas da vida se dão em se sentar e ver o sol e não trabalhar e ficar estressado.
Depois do anoitecer, Percy e Annabeth voltaram a andar pela cidade de Romeu e Julieta. Às vezes um olhava para o outro pelo rabo do olho de forma juvenil. E sempre um olhar se encontrava com o outro. Para o azar dos dois.
Annabeth já havia elaborado sua teoria sobre Perseu Jackson em Madrid. Ela tinha a certeza que ele a escondia algo. Algo importante. Mas sabia que ele não fazia por mal, e por isto: Só por causa disto. Ela estava lhe dando um desconto.
E talvez, se ele decidisse contar, ela não poderia guardar o segredo. Annabeth era péssima nisto, esta de guardar segredo. Contava sem querer e para as pessoas erradas. E Percy sabia disto como ninguém, não era exatamente errado ele não contar um segredo importante. Por mais que doesse a falta de confiança.
Por isto, e exclusivamente por isto Annabeth ainda tentava se aproximar de alguma forma. Em vão, como se parecia.
Porém, em Veneza eles estavam num quarto conjunto. E quando ela saía de toalha até o closet, às vezes conseguia ver Percy a olhando pelo rabo do olho com as bochechas coradas. Isto, querendo ou não, era uma atenção.
Os dois voltaram para o hotel. Os papeis da entrevista que dariam no próximo dia nos braços de Perseu.
Elevador. 233. Número horrível para um quarto, 233. Annabeth sempre tinha que voltar a olhar em seu cartão para se lembrar. Ela abriu o lugar na frente, enquanto Percy passava com a papelada que tinham que olhar.
Eram 22hrs, ou seja, claramente Phill já estava dormindo em seu quarto. Perseu se sentou numa escrivaninha que tinha perto da cama de casal, e Annabeth se deitou na cama de uma vez.
–Certo, algumas matérias de jornais sobre nós. A maioria falando bem, digo... Melhor do que estamos na Inglaterra – eles estavam sendo boicotados em Londres. Annabeth não entendia porque, já que Percy era de lá e ainda um cara querido da região.
Perseu sabia porquê de tudo aquilo, e muito bem.
–Nenhuma reclamação da máfia italiana? – Annabeth brincou fazendo Percy dar um sorrisinho.
–Acho que o fato do livro mencionar drogas podes ser um pouco feliz para eles. De uma forma boa, quer dizer – começou ele.
–Mais alguma coisa?
–Hm, nada demais... Os jornais importantes com quem devemos ter cuidado, os calhordas que não devemos levar a sério. Coisas normais que não precisam de estudo – Percy sorriu de lado – Acho desnecessário dizer que vai ser uma coletiva fácil, não é?
–Depois do que passamos em Nova York, acho que nada pode ser tão difícil assim – “Espere chegarmos em Londres” pensou Percy. Mas não falou nada, apenas assentiu.
Ele olhou envolta, ainda pouco acostumado com seu quarto de hotel. Que era realmente muito bonito. Começava com uma vista maravilhosa pelo centro histórico da cidade, que tinha aqueles janelões históricos e casas perfeitamente lindas e do lado da outra, exatamente como o século 17 e 18 previam.
O cenário de Shakespeare era um tanto genuíno para dois escritores, Annabeth apenas desconfiava de Paris como a cidade 1º lugar.
Perseu esticou seus braços e estralou os dedos, levantando-se e pegando grandes toalhas felpudas brancas. A porta do banheiro era de correr, então ele apenas a empurrou levemente, dando uma última olhadela numa Annabeth que parecia dormir.
Assim que a porta se fechou os olhos de Annabeth se abriram, um sorriso de canto também. Ela se esticou naquela grande cama de casal olhando para o teto amadeirado e a luz amarela do abajur.
Tirou seus sapatos de salto e desabotoou dois botões de sua blusa social, sentindo-se enfim confortável. Seus loiros cabelos estavam presos numa trança, trança esta que ela logo tratou de desfazer.
Os cabelos revoltados e ondulados batiam em seus seios, a cascata loira contrastando-se perfeitamente com os cinza tempestuosos de seus olhos.
Ela se olhou no espelho uma ou duas vezes, seu batom vermelho estava um pouco borrado por causa do vinho tinto que havia tomado no restaurante. Ela olhou para a porta de correr uma ou duas vezes. Aquela porta não se trancava, apenas a puxava até o fim.
O banheiro era feito para dar uma espiada. Era num formato L, de forma que havia uma parede que tampava o vaso sanitário e quando a ultrapassava, chegava-se no box. E aquele box era totalmente transparente.
Annabeth bateu o pé uma ou duas vezes. Desde aquele quase masoquismo de Percy em Madrid ela se sentia um pouco... Excitada. Não era nada demais, apenas uma vontade louca de repetir aquilo inúmeras vezes, e pararem com os beijos doces e rápidos para começarem beijos vorazes e animalescos. Como havia sido naquela noite.
Por fim sua curiosidade bateu mais forte, ela empurrou a porta de correr com muito cuidado, tendo sua própria visão no espelho, andou encostada na parede e fechou a tampa do vaso, subindo encima com muito cuidado.
Quase riu da própria situação, aquilo era muito idiota. Mesmo assim, ela tinha que admitir ser muito divertido.
Suas mão pararam na parede que separava uma parte do banheiro da outra, metade do seu rosto estava tampado por aquela divisória. E a visão foi majestosa.
E sempre seria... Percy Jackson era um homem sexy, como foi dito aqui trilhões de vezes. Seus cabelos negros estavam penteados e molhados para trás, seus olhos verdes estavam fechados e havia espuma em poucas partes do seu corpo. A água deixava todos os músculos e veias daquele corpo escultural ainda mais.... Escultural.
Annabeth quase caiu do vaso, suas pernas ficaram bambas. Ela mordeu o lábio inferior ao ver a meia ereção do moreno. Esta que ele não parecia dar muita importância. Às vezes Annabeth pensava seriamente em comprar uma playboy masculina.
Aquela coisa de mulheres serem sexys molhadas? Oh, homens também eram. E muito.
Percy se virou de costas, mostrando a (linda) bunda na direção de Annabeth, ele colocou as duas mãos na parede sentindo os jatos de água. A loira começava a sentir algo no meio de suas pernas esquentarem, ela bambeou toda e daquela vez não deu nada certo, já que ela estava na ponta do pé encima do vaso sanitário.
Seu corpo perdeu o equilíbrio e ela acabou batendo as costas no chão, fazendo um barulho estrondoso.
–Outch – ela murmurou pondo as mãos nas costas. O chuveiro foi desligado, Annabeth se levantou rapidamente, tentando ir embora, mas quando correu acabou escorregando numa poça de água e caindo de quatro da forma mais vergonhosa possível.
Ela olhou para o lado, dois pés molhados estavam na sua frente, o chão pingando de água. Depois olhou para cima. Percy parecia confuso.
–O que você está fazendo? – perguntou ele frio daquela mesma forma, porém com uma sobrancelha arqueada. Annabeth se levantou rapidamente, quase escorregando mais uma vez.
Percy a segurou pelos braços quase soltando uma risada.
–É que eu estava ali e eu queria falar com você só que... – era difícil arranjar uma desculpa tão rapidamente.
–Porque você veio até o banheiro se podia esperar eu acabar de tomar o banho? – perguntou ele novamente, agora um sorriso malicioso crescia em sua face.
–Ora, porque... Porque era um... Um assunto interessante e urgente que eu precisava falar agora – as duas bochechas de Annabeth começaram a ficar realmente vermelhas. Percy cruzou os braços.
–E qual assunto urgente seria este? Quer saber? Não importa. Annabeth, você caiu feio e ãh... Os botões da sua camisa... — ele apontou para o corpo da loira. Ela olhou para o chão.
Os botões da camisa dela haviam se estourado, de forma que metade da sua camisa estava aberta, revelando um sutiã de renda vermelho sexy demais para qualquer ocasião. (Annabeth ficou sem opções em Madrid, pelo jeito lá todos os sutiãs tinham que ser bem sexys).
–Esta camisa foi meio cara – ela falou ressentida tentando tirar o fato de seu sutiã parecer de uma strip teaser.
–Que pena – Percy parecia estar se divertindo. Ele saiu do banheiro, sem nem precisar empurrar a porta já que Annabeth já havia feito este favor para ele anteriormente. Annabeth o seguiu.
–Você não quer saber qual é o assunto urgente, não? – ele andou até o closet, não fechando a porta para deixar Annabeth entrar. Percy parou bruscamente, o seu corpo batendo com o da loira.
Ele sorriu de lado, malicioso.
–O assunto urgente é se eu fico melhor de frente ou de costas no box? – perguntou ele, sua voz era rouca demais para os parâmetros de vozes por aí. O cérebro de Annabeth não estava trabalhando muito bem.
E piorou quando ele tirou a toalha sem receio algum na sua frente, mostrando sua meia ereção não ser mais uma meia ereção e sim uma total ereção.
–Ou... – ele aproximou seu corpo do dela, sua boca respirando perto de seu ouvido, a sua temperatura fervorosa passando-se para o corpo da loira – Você estava querendo ver alguém se masturbando enquanto gemia seu nome? Porque eu te conheço bem demais para saber que são todas as três opções.
Os olhos cinza de Annabeth estavam quase arregalados, seu corpo parecia começar a ficar sem forças.
Não ajudou muito quando Percy a sentou numa das cadeiras de rodinhas que havia no closet, empurrando-a até o fim do quartinho, trombando-a contra a parede. Mais que rápido ele retirou a blusa social estragada da loira, deixando-a com parte do seios à mostra por conta do sutiã sexy-até-demais.
–Certo, Percy, eu... – ela tentou formular alguma coisa. Em vão. Percy pôs uma de suas mãos na parede, e com a outra ele começou a massagear a própria ereção. Annabeth engoliu em seco.
–Eu sempre penso em você, se ajudar em seu auto ego.
Ele passou a língua pela própria boca, Annabeth conseguia ver sua ereção crescer e ficar mais ereta em sua mão. As veias ficarem mais salientes. Era muito melhor que qualquer filme pornô que ela já tinha visto, então foi bem pior do que ter que parar de ver um pornô ao meio quando ele parou o que fazia.
–Se você puder dar licença, eu preciso de um pouco de privacidade – ele sorriu para ela. Annabeth quase caiu com o queixo no chão. Era definitivamente uma brincadeira de mal gosto.
Ela estava tão excitada que pensou que, talvez... No fim de tudo aquilo...
–Obrigada – Percy sorriu ajudando-a a ir embora, ela se virou para falar com ele mas a porta do closet se fechara, assim como a expressão de Annabeth.
No fim da noite, a loira continuava com a expressão carrancuda e seu típico bico irritado no rosto. Percy via alguns papeis calmamente enquanto ela passava pelos canais de TV. Ela não sabia se estava com raiva da falta de atenção que Perseu lhe dava ou o fato que ficara excitada, e ao contrário do que planejava, continuaria daquela forma por mais um tempo.
–Eu vou dormir – Annabeth disse ainda com a expressão fechada, socando o travesseiro para “amacia-lo” e deitando-se de lado. Ela pode ouvir a risada de Percy e ficou com as bochechas vermelhas de raiva.
–Annabeth – chamou Percy, a voz ainda extrovertida. Ela continuou deitada de lado e sentiu a cama ranger.
–O que foi? – levantou-se Annabeth e se assustou quando viu Percy estar tão aproximado. Um sorriso de canto cresceu na expressão dele.
–É realmente uma pena você não confiar em mim. Tudo seria tão mais fácil se você aprendesse a fazer isto.
Annabeth sabia o que ele estava falando, a explicação plausível para a bipolaridade forçada de Perseu Jackson em frente às câmeras.
–Eu confio em você – ela respondeu. Seu bico crescendo ainda mais ao se lembrar da cena no banheiro. Agora Percy não ajudava muito, uma calça de moletom pendia sobre seu quadril, mostrando o fim do seu abdômen que mostrava a trajetória até sua ereção.
Em algum momento da sua vida ela sabia que ficaria sim: A velha safada. Ela mal conseguia olhar para o corpo de Percy sem ter segundas e terceiras intenções nada ingênuas. O corpo do moreno ficou por cima do dela. O sorriso misterioso dele crescendo cada vez mais.
–Você tem que prometer não fazer mais discursos depressivos que faça alusão a uma separação contínua – falou o moreno. Annabeth suspirou, sentindo os lábios dele ficarem tão perto dos seus.
–É difícil fazer qualquer promessa deste jeito...
–Faça – o tom de voz dele era imperativo. Annabeth revirou os olhos.
–Eu prometo – falou ela num tom infantil. Percy riu, seus olhos verdes esmeralda fitando-a brincalhão.
–Acho que isto pode ter uma recompensa – ele desceu a cabeça para dentro das cobertas. E quando o corpo de Annabeth inclinou-se para frente ao sentir a língua quente do moreno em seu clitóris, ela percebeu o quão feliz foi ao fazer tal promessa.
(...)
Era uma pouca vergonha, realmente. Annabeth odiava ter feito aquela maldita promessa em Veneza. Foi só pôr o pé em Londres mais uma vez, que Percy se esqueceu de ser o namorado atencioso novamente.
Annabeth estava sendo linchada. Pelo que parecia, os ingleses gostavam muito mais de Perseu com Calypso do que com Annabeth, também, ao ver a expressão tão séria e triste que o moreno fazia ao estar do seu lado era difícil gostarem tanto do casal.
Eles não ficariam em hotel algum daquela vez, a casa cheia de papparazis de Percy agora era o local. Na realidade, o apartamento duzentos e não sei qual era lá encima do prédio clássico e velho do quase centro londrino, então era meio difícil fazerem qualquer foto realmente interessante sobre o casal.
Os dois ficaram separados ao entrarem no prédio, primeiramente por causa dos tantos fotógrafos, e depois por causa daquele teatro todo do “frio e enigmático” Perseu Jackson, teatro este que Annabeth ainda não entendia o propósito.
Ao entrar no conhecido apartamento de Perseu, Annabeth quase se sentiu em casa. Lembrou-se dos dias quentes e que pareciam tão longe de alguns meses atrás, quando ela ficou poucos dias no apartamento antes deles se separarem de vez.
Respirou fundo e olhou para Perseu, que parecia um pouco triste ou ressentido com alguma coisa. Os dois se entreolharam e o moreno chegou perto dela, roubando-lhe um belo beijo que a fez ficar nas pontas dos pés.
Ela mal teve tempo de respirar e Percy já voltou a beija-la, pondo seu corpo encima da pia e descendo os beijos para seu pescoço. Annabeth queria falar algo, mas sempre era interrompida pelos seus próprios gemidos.
Quando a mão direita de Percy foi para baixo da sua camisa, ela se separou dele.
–O que você está fazendo? – ela arregalou os olhos, quase gritando. Percy sorriu de lado, separando-se dela de vez.
–Acho que você vai querer se divertir um pouco, porque daqui a duas horas vai ser nossa coletiva, e ela não vai ser nada divertida.
Annabeth sabia o que Percy estava falando, ela tinha que se preparar para levar pedradas. Ela olhou para o moreno a sua frente, este que estava com os lábios inchados e a blusa desabotoada, sorriu para ele e o agarrou, terminando aquilo que ele tinha começado.
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