Nossa História De Amor.
5 A ligação que pode mudar mais um pouco as coisas
Notas iniciais
Bem, meu mal humor está no ápice graças ao carnaval e o funk no meu ouvido por isto acho que o capitulo não está dos melhores, mas talvez vocês gostem.
Boa Leitura!
Sexta-Feira, 21 de Julho de 1989.
Annabeth abriu os olhos levemente com uma dor de cabeça irritante, seus olhos se arregalaram ao ver a cena em que se encontrava, Percy encima de seu corpo, ela sem blusa e os olhos verdes a olhando amedrontados.
Ela o empurrou de cima dela colocando a mão na cabeça e logo gritou:
–O que aconteceu aqui?- A boca de Percy parecia seca e seus lábios grudados um no outro como cola super bonde, ele não conseguia falar nada, Annabeth o olhava surpresa enquanto massageava a cabeça, se levantou num pulo da cama olhando para a varanda a sua frente, ainda estava à noite e ela não gostava nenhum pouco da sensação de que era à noite, e ela estava por algum motivo sem blusa e com uma baita dor de cabeça.
Lembrou-se depois de fazer o bolo com maconha, os dois comendo ele inteiro entre risos e depois tudo foi um mero apagão, ela sentiu as bochechas esquentarem então pegou a blusa, vestindo-a logo depois de olhar para Percy como se ele fosse um animal em extinção.
–Não me diga que... – Isso fez Percy acordar.
–Não! Nós não transamos! – Ele logo se apressou em sair da cama, levantando-se e logo depois disto ficando em frente à Annabeth, os dois se encararam por alguns segundos então Percy mordeu o lábio inferior, escolhendo bem as palavras:
–Bem, nós quase transamos, quer dizer, você me beijou e foi descendo os beijos — À medida que as palavras fluíam de sua boca ele sentia a voz cada vez mais sussurrante – E então você desmaiou. Caiu em cima de mim e começou a dormir.
As bochechas de Annabeth não poderiam estar mais vermelhas, como ela poderia fazer uma coisa daquelas? Certamente não estava em seu juízo perfeito. Ela andou de um lado para o outro pensando em como acabou fazendo aquela besteira, ela não poderia fazer mais uma vez aquilo, nunca mais, quase transar com seu melhor amigo, pela quarta vez.
Olhou para Percy que olhava para ela com aflição, talvez pensando que as coisas poderiam ficar tensas de vez, Annabeth parou de andar de um lado para o outro e encarou os olhos verde esmeralda, colocou o cabelo atrás da orelha e depois as duas mãos na cintura, olhando para o chão.
–Tudo bem – O seu tom de voz era quase um sussurro, ela não sabia exatamente o que falar, apenas que a relação deles não poderia ficar tensa, não depois de todo o esforço para fazer o tal do livro – Olha, vamos fazer o seguinte, isso não aconteceu, foi uma bobeira de drogados e... Nunca mais vamos usar drogas!
–Isto não era uma das regras de convivência? — Annabeth gemeu em frustação enquanto Percy sorria de lado – Espera aí, já se foram duas regras de convivência por aqui!
Ela revirou os olhos enquanto saía do quarto e descia as escadas, e Percy havia acabado de quebrar o gelo entre os dois. Ela olhou para a varanda que tinha mais a frente no primeiro piso e depois para a máquina de escrever, não aconteceu outra coisa, ela foi a passos arrastados até ali fora, o vento bateu em seu cabelo forte já que estava de madrugada, mas ela não se importou, sua criatividade estava no ápice e ela precisava muito por aquilo no papel.
Olhou para o luar e depois para as estrelas, ligou a lâmpada que mais parecia um abajur de teto e então começou a escrever. Olhou para cima e sua respiração falhou uma, duas vezes, até ficar descompensada.
Ela viu Percy apoiado ali, o típico cigarro correndo em sua boca, ele estava sem camisa e tinha o olhar longe. Annabeth tinha as palavras certas para descrevê-lo, tirou a folha com a página 67 da sua história e então pegou outra. Ainda olhando para cima.
‘’Exuberante. Fotogênico? Mais que isto. Amigo de longa data, a única pessoa que continua comigo ao longo dos anos, o único que me aguenta? Talvez. Não, uma certeza, nem eu me aguento às vezes. Vale a pena deixar isto de lado para afundar numa relação bem mais complexa? Eu não queria dizer isto, mas acho que não consigo. Não consigo pegar meus sentimentos e guarda-los no lugar mais fechado do meu coração. Odeio isto também. Odeio ser dramática demais, odeio não poder falar o que sinto com medo do ar ficar com raiva de mim. Olhando para ele novamente, querendo ou não o fotogênico é a palavra correta para descrevê-lo, eu gosto do cigarro em sua boca, mesmo sabendo ser um veneno para seu pulmão, eu gosto dos olhos verde mar, eu gosto da boca que eu tenho certeza ser quente e macia. Eu gosto do seu corpo. Sexy. Também é outra palavra para descrevê-lo. Depois desta experiência posso escrever uma tensa pornografia. Excitação é um clima que paira sempre sob mim nesta casa. Mas também aflição, os olhos dele são como um livro de mistério, às vezes você quase desiste de descobrir o que se esconde por ali, mas quando você adentra mais, uma surpresa gostosa e alucinante é descoberta. Incerteza, o único sentimento que me aflige agora’’.
Suas mãos por um momento tremeram ao ler o que a própria escreveu, não parecia suas próprias palavras. Excitação, sexy, depois se sentiu uma completa idiota ao descobrir que era um dos sentimentos que a preenchia. Ela sabia que Percy sabia que ela era uma ridícula quando o assunto é sexo, ela não se achava excitante, muito menos provocativa, nunca conseguiu se abrir aos relacionamentos, o que a fez saber que o único problema deles não darem certo era ela.
Ela se sentia aquela típica mulher que tem o futuro destinado a ficar numa casa sozinha cheia de gatos, olhando na TV um filme romântico pastelão, chorando pelo amor da TV que ela nunca conseguiria ter.
Um gosto ruim veio em sua boca, não sabia se era o ácido gástrico por estar com a maconha no estomago, ou apenas uma horrível sensação de que aquilo tinha tudo para ser seu futuro. Queria mudar seu jeito de ser, mas depois de quase ter 30 anos de idade parecia uma tarefa impossível.
Ela guardou o papel no bolso do jeans bem guardado, ela queria lê-lo sempre que se sentisse com um pouco de incerteza sob si mesma. Olhou para a lua e decidiu sair dali naquela hora, ela pensava demais, e isto a levaria a loucura.
Ao se levantar sentiu a porta sendo aberta, se virou e viu Percy olhando para ela com um misto de vergonha e timidez – O que era uma expressão nova, pois Perseu nunca era tímido – ele tinha dois cafés em sua mão e não estava mais sem camisa, agora usava uma calça social amarronzada e uma blusa de lã também amarronzada, estava frio mesmo. Os sapatos sociais de couro dele bateram contra o chão amadeirado forte enquanto ele ia de encontro com Annabeth.
–Você não deveria estar aqui agora, não nesse frio – Ele estendeu uma de suas xicaras de café para Annabeth, eles não trocaram olhares, não conversaram. Mas Percy sabia que Annabeth estava mal pelo que aconteceu, aquilo sempre a deixava mal, ela odiava fazer uma coisa sem pensar antes, ser para variar espontânea.
Por um pequeno momento seus olhares se cruzaram, Annabeth também odiava aquilo, odiava parecer que um pequeno choque elétrico percorria de sua mão até o dedinho de seu pé sempre que olhava para seu amigo.
–Eu não quero café – Ela disse e Percy fez uma cara de aterrorizado, tudo uma encenação proposital para fazer Annabeth rir – e ele conseguiu- uma risada de leve ecoou sobre seus ouvidos e ele automaticamente se sentiu melhor. Ela pegou o copo e deu um gole, logo após isto um vento forte bateu contra seu corpo e os pelos do seu braço se eriçaram, Percy percebeu e fez um gesto com o dedo indicador indicando que era para ela esperar, ele voltou com uma blusa de malha bem fina para Annabeth, colocou seu copo de café no chão e ficou atrás de Annabeth, vestindo a blusa nela.
Os braços dele envolveram os do dela e a sua respiração se chocou contra o pescoço da garota, Annabeth fechou os olhos, mas rapidamente os abriu. Percy ainda a abraçava. Com o queixo encostado em seu ombro.
–Percy – Ela chamou num sussurro, as sombracelhas dele se levantaram.
–Hum?
–Boa noite – Ela saiu de seus braços e saiu da varanda praticamente correndo, e por mais uma noite Percy sabia que dormiria sozinho, no sofá.
* * *
Quinta-feira, 27 de Julho de 1989.
Annabeth olhava com repugnância para a geladeira a sua frente, enquanto bebia seu café ela sentia que tinha sido uma péssima ideia ter colocado aquele maldito papel na geladeira, o que era para ser um lembrete de que as regras existiam sim para Percy Jackson acabou sendo um grande de um tapa na cara de Annabeth e era como se a pessoa que lhe desse um tapa falasse: “Viu? Você não tem controle nenhum sobre nada sua idiota!”
Regras de convivência.
1-Nenhum tipo de nudismo.
2-Sem drogas
3-Sem álcool
4-Sem contato físico significante.
5-Nenhum tipo de provocação.
Ela bufou frustrada, tinha exatas uma semana que estava ali e quatro de suas míseras cinco regras tinham sido quebradas, Percy não lhe falava nada, mas ela tinha a profunda certeza que ele se divertida muito com a frustração dela.
Ela pensou em quanto tempo demoraria em escrever o livro, pensou logo depois em seus outros livros, o mais rápido e também o de mais sucesso demoraram apenas dois meses, Annabeth escreveu horas e horas a fio, sem comer, sem dormir, um drama intenso com uma tragédia no final, aquilo tinha acontecido justamente depois de alguns dias que Percy se fora para Londres, mas Annabeth não gostava de pensar nesta mera ‘’coincidência’’. Mas também teve livros que ela demorou um ano para escrevê-los. Arregalou os olhos e logo balançou a cabeça negando, não poderia ficar um ano dentro de uma casa sozinha com Perseu.
–Eu quero te rasgar ao meio- Disse Annabeth para a geladeira, mas precisamente para a lista, mesmo assim ela ainda segurou a vontade de fazer aquele pedaço de papel em pedacinhos, ainda tinha uma regra que não tinha sido quebrada e não seria quebrada. A regra do nudismo continuaria ali até o fim do livro e das épocas e do mundo em 2000!
Ela sentiu alguém rindo abafado atrás dela e sabia que Percy estava olhando tudo, abriu a geladeira e contou até três, então a fechou novamente e se virou, e sorriu ao ver que Percy não estava mais ali.
Colocou sua xicara sem café nenhum mais e então estalou os dedos e o pescoço. Indo até a varanda e olhando para Percy com admiração, ele escrevia com rapidez e foco, mesmo com o cigarro em seus lábios parecia que nada lhe tirava a concentração.
Nada menos Annabeth Chase entrando na varanda com um sorriso maroto, ela estava com uma calça jeans de cintura alta e boca de sino, sua blusa branca de renda com um decote nada favorável a concentração de Percy, seu rabo loiro alto e ela estava descalça- Coisa que ela nunca viu Percy estar.
Ela olhou para Percy, eles poderiam estar em casa ou no Oscar que ele sempre estaria social, ele usava uma calça preta com suspensório e uma blusa branca por baixo de um blazer preto que parecia até um pouco casual. Ele estava sentado com as pernas cruzadas, como sempre, e como sempre parecia pronto para se tirar uma foto dele.
Annabeth ignorou a sensação de se sentir uma mendiga ao lado dele e sorriu sentando-se ao seu lado. Olhou para o papel e empurrou seu amigo com a cintura, olhando para a folha, como sempre a cena foi uma comédia, mas ela achou interessante a pitada de romance que Percy nunca colocava no livro ter sido levemente demonstrada.
Ela pensou que nem ele nem ela gostavam muito de romance, e depois pensou que este tipo de atitude era normalmente de pessoas frustradas romanticamente. E depois pensou que estava pensando demais e que aquilo não era bom.
Percy olhava para Annabeth gargalhando com certa admiração, a risada dela era ótima e contagiante, ele olhou para os dentes alinhados dela, o dente que ele apelidava no colegial de vampiresco de tão pontudo era bonito – só depois de anos que ele percebeu isto.
Ele quase se assustou quando Annabeth olhou em seus olhos, o fitando com admiração.
–Isto aqui está ótimo... –Ela disse sussurrando – Eu sempre soube que você era talentoso, mas isto é realmente bom – Ela olhou para ele que tinha um sorriso de lado no rosto – Isto precisa ser publicado.
–E vai ser – Ele disse com um tom bem mais alto que o de Annabeth — Ou iremos ser demitidos.
Eles saíram da varanda olhando para a cozinha como se fosse um monstro de sete cabeças, na realidade quem olhava assim para ela era Annabeth que não sabia cozinhar nem mesmo macarrão. Tinha uma semana que eles comiam besteira atrás de besteira, mas hoje eles decidiram ser adultos responsáveis e fazerem uma comida decente.
–Tudo bem, boa sorte- Annabeth deu meia volta, porém Percy a segurou pela blusa com um sorriso maroto.
–E você vai ter que me ajudar, lindinha – Annabeth revirou os olhos e então ficou ali, parada, enquanto Percy ia até lá e colocava um avental, depois colocou um avental nela sorridente, e logo depois disto uma touca em seus cabelos.
–Toca é exagero – Ela disse emburrada. Ele olhou para ela com os olhos semicerrados e um sorriso pequeno.
–Exagero? Exagero será a comida cheia de cabelos loiros e...
–Eca, tá entendi – Ela respondeu colocando o resto dos cachos loiros dentro da touca.
Percy começou olhando todos os tipos de alimentos que tinham por ali, e então depois de dar uma revistada geral na cozinha olhou para Annabeth com um sorriso largo, que ela a principio não entendeu.
–Eu vou fazer lasanha- Ele disse enquanto Annabeth sorria largamente, ela bateu palmas que formavam um estrondoso ‘’clap,clap,clap’’ enquanto Percy ria.
–Você é o melhor chefe do mundo, espero que saiba disto. – Ele riu perante o elogio e então colocou as mãos em obra.
No final aconteceu que Annabeth não fez realmente nada a não ser pegar alguma coisa do armário e dar para Percy. E então depois de vários minutos de tensão a lasanha saiu do forno do fogão. Percy riu quando Annabeth igual uma criança já tinha o garfo na mão. Ele pegou um vinho da adega que tanto adorava e então olhou para Annabeth aflito.
–Pode atacar- Ele disse e então Annabeth pegou um pedaço sorridente, soprou igual uma criança e então colocou na boca, os olhos se fecharam enquanto ela mastigava devagar, ela gemeu e Percy sorriu feliz.
–E então? – O mesmo perguntou aflito, Annabeth olhou para ele ainda mastigando. Bebeu um gole de vinho e por fim disse:
–A melhor lasanha que eu já comi na minha vida! –Percy riu junto com ela e os dois fizeram as taças tilintarem num brinde festeiro. Os dois estavam felizes por motivos desconhecidos. Mas eles sempre ficavam assim depois de muito tempo na companhia um do outro, era que bem no fundo, parecia que enfim eles nunca mais poderiam se separar.
Os dois saíram da casa e foram para a beira da praia que tinha em frente, a água batendo em seus pés até metade de suas panturrilhas, o sol leve, porém aconchegante. Os dois se olharam, pareciam mais bonitos a luz do sol, e sem falar nada, se beijaram docilmente. A mão de Annabeth foi para a nuca de Percy enquanto seus lábios se roçavam, a língua deles invadia a boca um do outro, e a sensação de conforto enquanto seus lábios estavam um no outro era inexplicável.
Os dois se separaram com sorrisos largos, e Annabeth não pode deixar de esconder as lágrimas que estava a semanas prendendo, até porque tinha anos que ela não via Percy e era estranho como ela se sentia com ele longe.
–Eu senti sua falta- Ela disse encostando a cabeça dele na sua. Ele sorriu assentindo com a cabeça, e ele tinha a certeza que nunca, nunca iria ter algo mais especial que a sua relação com Annabeth.
E a paz reinava entre eles, até que chegaram a casa e o telefone aturdia em seus ouvidos, e dando de ombros eles atenderam a ligação que faria as coisas mudarem mais um pouco.
Notas finais
Enfim gente, por hoje é só.
Beijos e até o próximo!
Fale com o autor