Notas iniciais
Olá, como vão vocês?
Agradecendo imensamente a AninhaPitipiti pela maravilhosa recomendação. Muito obrigada mesmo. E ainda me chamou de fofa. Nunca recebi este elogio.
Este capítulo parece não ter nada de importante, mas tem sim. Prestem atenção.
Boa leitura!

Sábado, 18 de Outubro de 1989.

Percy abriu a porta do apartamento com o terno nas costas, deu uma olhadela para a cozinha e viu Annabeth bebendo uma garrafa de vinho branco, olhava para a taça com o olhar longe, como se estivesse em outra dimensão. Percy pisou na madeira velha do piso e fechou a porta.

–Quer lasanha? – perguntou ele numa tentativa inútil de fazê-la rir. Annabeth deu de ombros.

–Se eu já não estou gorda o suficiente para isto...

Percy bufou. Não era de hoje que Annabeth tinha o ego abaixo da camada de petróleo, e estava sempre a beira da depressão. Sua mãe ajudava muito com comentários como aqueles no restaurante. Porque Annabeth fazia tantos livros dramáticos se parecia ser uma garota tão incrivelmente divertida? Percy era o único que sabia a resposta sobre a famosa escritora: Annabeth por dentro era uma mulher extremamente insegura.

Ele se sentou a sua frente, com as pernas cruzadas de forma charmosa como sempre fazia. Annabeth revivia tudo aquilo da sua adolescência. Percy em seu auge da beleza e ela empacada nas próprias lágrimas. Odiava-se por isto.

–Você agora deve estar doidinho para voltar para Londres, bem longe da sua melhor amiga louca que te cansa tanto – Percy bufou novamente enquanto revirava os olhos.

–Para de falar besteira...

–Já estava na hora, não é? – interrompeu Annabeth com um tom de voz mais alto – Já estava na hora das crises de depressão da loirinha aqui. Infelizmente Percy, se você quiser continuar comigo é isto que vai viver, aguentar. Eu com esta merda de personalidade sempre em colapso! O que você deveria fazer é sair por aquela porta enquanto há tempo. Enquanto os meus pais praticamente não te obrigam a casar comigo.

–Ah, então é por isto! – Percy se levantou exaltado – Você está assim por causa do que eu falei no restaurante... Bem, você sabe que não é a verdade. Eu não sabia que você queria se casar.

–Eu não quero! – Annabeth pôs as mãos nos olhos. A lua era a única coisa que fazia o apartamento ter um pouco de luz, ela arrastou a taça da mesa – Tenho 29 anos, sou rica, faço muito sucesso com os meus livros. O que eu menos quero agora é me casar. Mas eu nunca falei que não queria me casar nunca. E eu fui muito burra em achar que algum dia você iria querer algo mais. Quer dizer, eu te conheço. Percy Jackson é o garanhão desde sempre, aquele que pega todas as garotas, o gostosão da escola. Você ainda tem esta personalidade, mesmo com seus trinta anos.

Annabeth naquela hora havia se levantado também, mordendo o lábio inferior. A parte ruim de ter qualquer relacionamento com seu melhor amigo é que ele praticamente sabe o que você irá falar a seguir, sabe vetar seus pensamentos e argumentos. Percy coçou a testa, enquanto olhava para um ponto a parte.

–Eu não falei aquilo porque queria – a voz dele ficou extremamente baixa, de forma que Annabeth se assustou. Era com aquele tom de voz que Percy falava as coisas seriamente – Você é a minha melhor amiga, sabe de mim melhor que ninguém. E mais que ninguém sabe que eu não sou mais assim há muito tempo.

Annabeth desviou o olhar.

–Você não quer que eu me aproxime de você. Eu sei o que você está pensando. “Ele já começou a me magoar” – Percy olhou para o chão novamente – É difícil tentar chegar perto de uma pessoa que não deixa, você é trancada a sete chaves até para mim. E eu estou ficando preocupado com o que fizeram com você nos anos que estive fora.

Sem querer os olhos da loira ficaram encharcados, enquanto sua mão tremia de nervosismo. Ela quase sabia o que Percy iria falar a seguir, era hora dos dois separarem.

–Fiz um trato com você quando tinha 15 anos. Se você fizer quarenta e estiver solteira, eu vou me casar com você – Annabeth quase riu – E eu vou tentar muito mesmo casar com você antes disto. Eu sou o único que te ama de verdade e esta aqui do seu lado, agora, e eu não vou te deixar na mão. Não vou voltar para Londres, estou aqui, para de agir como se eu estivesse lá.

Annabeth amarrou os cabelos num coque frouxo, seus ombros caíram, Percy agora parecia extremamente chateado.

–Eu acho que te amo muito mais do que você me ama – Annabeth disse enfim, mordendo o lábio inferior – Talvez seja por isto que eu haja deste jeito. Eu tenho um gênio difícil e sei disto, mas não é fácil, sabia? Você viu a mãe que eu tenho?

–Eu vejo desde seus 10 anos, Annie... – Percy sorriu de lado enquanto chegava mais perto dela. Annabeth o abraçou forte, sentindo as costas largas dele em suas mãos, ele a abraçou de volta com a mesma força.

–Eu te amo, Sabidinha – ele sussurrou em seu ouvido. Annabeth quase chorou.

–Eu também te amo, meu Cabeça de Alga.

Terça Feira, 22 de Outubro de 1989.

Annabeth cruzou as pernas fazendo sua saia ir até metade das suas coxas, Percy que pegava um café sorriu de lado, voltando a olhar para frente balançando a cabeça. O estagiário na sua frente engoliu em seco, enquanto ajeitava os óculos.

–Então, Srta. Chase, qual é a vantagem de escrever com seu namo... Melhor amigo? – Annabeth adorava estagiário, ainda mais em jornalismo, era aquele tipo de garoto que se achava por estar na universidade, mais ao mesmo tempo não tinha nenhum pouco de confiança, era divertido deixa-los sem jeito.

–É aquela coisa de que nós não precisamos conversar para se comunicar. Alguns anos atrás, quando eu cursava o curso que você está agora, com Percy, nós dois tínhamos várias manchetes para fazermos juntos. Eu já estava acostumada a ter uma criatividade produtiva com ele. Ter uma pessoa tão próxima de você escrevendo junto é bom porque há uma ligação direta, uma química natural, e é divertido escrever com ele, sempre foi.

Percy que estava na sala ao lado e ouvia tudo com um sorriso de lado. Ele adorava aquele tom de voz provocativo e desconcertante que Annabeth fazia, adorava o seu sarcasmo e como ela fingia ser superior, era extremamente divertido dar boas cortadas em universitários. Percy levava isto como um hobbie, até.

–E nós sabemos da diferença de escrita entre você e ele – ele escrevia tudo enquanto falava – O que você acha que são as principais diferenças e o que foi a maior dificuldade focando nisto, na produção do livro?

–É uma boa pergunta – admitiu Annabeth enquanto colocava o dedo indicador no queixo – Acho que eu e Percy temos uma grande diferença, quase irreconciliável, de escrita. Eu sou densa, dramática, fechada, escura. Ele tem uma escrita mais divertida, aberta, com trocadilhos, uma coisa simples e gostosa de ler. Isto para mim não é uma dificuldade, nunca seria, pois ter estilos diferentes de escrita é ótimo para conciliar. Foi interessantíssima nossa quebra de estilos durante o livro, o casal é ao mesmo tempo denso e sarcástico e divertido. Para mim, a maior dificuldade é são as diferenças de estilo que nós pensamos e não os quais escrevemos. Tenho uma personalidade totalmente adversa a de Percy. Fazer um desenrolar com uma pessoa diferente é extremamente complicado. Definitivamente levei aquilo como um desafio, que foi muito bom de passar.

–Certo, e ãhn... Você vem sempre falando muito bem do Jackson, em algum momento vocês deixaram levar pelos seus sentimentos ao compor a obra, colocaram um pouco de si no livro?

Annabeth lambeu os lábios. Talvez nervosa. Talvez pensativa.

–O que exatamente você está perguntando? – o estudante sorriu de lado, parecia ter conseguido o que queria.

–Ora, vocês como um novo casal...

–Opa, opa, opa. Novo casal? Você tirou isto de onde? Da cartola do chapeleiro?

–Bem... Há um marketing forte da Werstystone encima dos escritores que escreveram um pouco do próprio relacionamento, é o principal slogan deste seu novo livro. Ou você admite que a propaganda é falsa e que sua empresa está sendo equivocada por mídia? – Percy fez uma careta. Aquela tinha sido boa. Não conseguia saber qual era a expressão de Annabeth agora, mas não deveria ser das melhores.

–Sr... Qual o seu nome mesmo?

–Sou Will, pode me chamar de Will.

–Então Will, eu não entendo que tipo de “marketing forte” você encontrou. Quer dizer, você viu alguma matéria no jornal com este assunto?

–Bem, não...

–Viu algum cartaz? Algum tipo de campanha ou anuncio sobre o livro em qualquer lugar?

–Na realidade não, mas...

–Então como tem um marketing forte? Eu não estou sendo infiel a minha empresa. Talvez você sim sendo tão antiprofissional e não comprovando suas hipóteses. Eu definitivamente nunca pensei que o Daily Planet iria ser tão incompetente – o garoto ficou com as bochechas vermelhas de vergonha. Percy fechou os olhos, enquanto bebericava um pouco de café. Annabeth era má.

E não poderia ter sido mais inteligente, definitivamente não tinha uma campanha real sobre o livro na Werstystone, Phill era inteligente, seu marketing era escasso, aquele de boca em boca como do século passado. Não era uma campanha real, mas todos sabiam. Isto dava o direito para seus escritores fugirem de perguntas como aquelas de qualquer jornal. Claro, se for esperto o suficiente para isto.

–Vamos então para à próxima pergunta...

–Sr.Will, acho que esta entrevista já deu o que deu – Annabeth se levantou – Espero que a Planet tenha tido uma boa matéria mesmo com perguntas tão displicentes.

Ela não deu a mão para o entrevistador, saiu com seu passo poderoso que ecoava no chão. Todos que estavam calados para ouvir a entrevista voltaram a trabalhar, Percy bebericou mais uma vez seu café. Foi andando para a sala de revisão e Annabeth saiu na mesma hora, acabaram se encontrando no caminho.

–Como foi a entrevista?

–Muito chata – Annabeth revirou os olhos – Não faz universitário como o de antigamente. No nosso tempo, levavam estagiários para as entrevistas cabulosas porque não tínhamos medo, não ligávamos para esta coisa de carreira. Erámos engraçados, irônicos, e malvados. E agora, o que fazem? Não tinha nenhuma pergunta realmente interessante.

Os dois andavam e todos davam olhares maliciosos em suas direções. Percy ajeitou sua camisa social branca, bebericando mais um pouco de café.

–“No nosso tempo” Quanto tempo formamos? Quarenta?

–Deixa de ser besta, só tem nove, mas algo que gostaria que continuasse é aquele nível de antigamente. Antes ser jornalista era uma coisa de respeito, agora é moda.

–Cada década tem a sua, os anos 90 é o jornal, os anos 80 é ser prostituta, os 70 ser hippie. E os dois mil com certeza vão voltar com esta coisa de prostituta. – Annabeth riu, enquanto via que uma garota olhava para eles com o olhar apaixonado. Odiava adolescentes.

Percy fechou a porta quando os dois entraram e parecia que lá fora várias pessoas riam. Annabeth sentou-se à mesa e Percy fechou as persianas, ouvindo os gritos maliciosos do lado de fora com um sorriso besta.

–Você dá doce para as formigas.

–Para depois mata-las... De curiosidade, claro – Percy se virou, ainda bebericando seu café. – E então? Vamos ao trabalho?

Sexta Feira, 25 de Outubro de 1989.

Os olhos de Percy estavam cravados naquelas frases, odiava traduzir livros, ainda mais com prazo tão pequeno, mas era o que tinha para aquele dia.

–Porque você aceitou traduzir um livro francês? – Annabeth colocou seu sutiã. – Não tem trabalho o suficiente não?

–Minha conta está congelada na Inglaterra, não consigo tirar nem um centavo dela. O que você quer que eu faça?

–Bem, você está ganhando o mesmo tanto que eu pela revisão e... – Annabeth olhou para a expressão fechada de Percy, sentia um vento gostoso do fim da tarde em seu rosto, mas nem isto a faria ficar menos concentrada – Espera. Estou sentindo o que estou sentindo?

Percy tirou sua gravata, desabotoando os dois primeiros botões de sua blusa branca, Annabeth puxou seu suspensório, sorrindo de lado.

–Eu te conheço muito bem, mas não o suficiente para saber o que está sentindo.

–Você está muito incomodado com o fato que esta ganhando o mesmo tanto que eu. Você quer ter uma mensal maior, não é? – Percy revirou os olhos.

–Você e seu típico discurso feminista! Não é nada disto!

–Ah é? Então o que é?

–Eu só... Bem... – a loira sorriu de lado, dando meia volta e mostrando suas costas com algumas gotas de água, colocou sua saia e um salto, só faltava achar uma blusa coerente.

–Percy, aos meus quase trinta anos, meio que não ligo mais para esta coisa de feminismo, quando se fica solteira tanto tempo, temos que aceitar que homens fazem parte da nossa vida, nada existiria se não fosse vocês. E bem, eu amo esta raça. Mas você se matar de trabalhar para ganhar mais que eu? Quer dizer, você como cronista já ganha uma boa quantidade de dinheiro, e eu já sei o quanto você é rico por parte de pai também. Então se é isto que você está em busca: Parabéns, Sr. Superior.

Percy batucou incessantemente a caneta na cama, levantou-se e abraçou uma Annabeth de costas, esta que ainda procurava uma boa blusa para vestir. Ele beijou seu pescoço e depois sua bochecha.

–Eu não sou superior a ninguém. Eu só queria praticar meu francês um pouco mais também. – a expressão dele ficou gelada – Imagina se eu fosse para aquela empresa? O meu francês está tão horroroso que nem parece minha primeira língua.

–Ah é. Eu sempre esqueço que você aprendeu francês antes do inglês. Parabéns – ela vestiu sua blusa, ignorando o toque mais forte de Percy em sua cintura, ele parecia enraivecido.

–E porque você vai nesta reunião, mesmo? Eles nem te chamaram.

–É aberto ao público. Eu gosto de debates – Annabeth sorriu de lado. Percy a virou mais que rapidamente.

–Gosta mais do que ficar aqui, comigo?

–Te ajudando a revisar texto? Não, obrigada. – ela se virou novamente. Percy mordeu seu lóbulo.

–Você sabe que nós não faríamos bem isto – ele passou a mão levemente pelo abdômen dela, fazendo-o contrair, Annabeth estava gostando do toque quando ele se separou mais que rapidamente – Mas eu não sou o tipo de cara que implora por estas coisas.

Ele voltou a afundar sua cabeça nos travesseiros, a loira sentia sua intimidade molhar e fez uma careta, odiava ficar frustrada e Percy adorava fazer isto com ela. Olhou para trás e mordeu o lábio inferior, tirou o salto e a saia, ficando apenas de roupa íntima. O moreno deu uma gargalhada e engatinhou pela cama, ficando na beirada e puxando a calcinha de Annabeth em sua direção.

Ele beijou seu abdômen com um sorriso malicioso, foi subindo até chegar à parte a mostra de seus seios. Annabeth o empurrou na cama, passando seu corpo por cima do dele. Beijou seus lábios ao mesmo tempo em que as mãos dele desceram para sua bunda, apertando-a. O telefone tocou.

–Puta merda- sussurrou Percy enquanto beijava os lábios da loira – Deixa pra lá, vai.

–Não – ela desviou dos beijos – Espera rapidinho.

Percy bufou em frustração enquanto Annabeth ia correndo atender ao telefone. Ficou bons 10 minutos conversando e voltou com uma cara não tão boa.

–Que foi?

–Eu tenho uma noticia boa e uma noticia ruim, qual você quer ouvir primeiro?



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Notas finais
Nunca vem boas notícias pelo telefone para eles, não é? A última foi os Irmãos Lenson, então... kkk
Deixem seus reviews, fantasminhas, apareçam!
Beijos e até o próximo! =)