Nossa História
1 Capítulo 1 - Prólogo - Suzy
Notas iniciais
Minha avó materna sempre me dizia: “Seja diferente, assim você nunca vai ser sem graça. Mesmo que tenha uma aparência insípida.” Desde então, inconscientemente, levei isso comigo. Não sou nem um pouco parecida com as garotas da minha idade, nem em aparência nem em personalidade. Vamos começar pelo meu físico. Tenho curtos cabelos azuis, na altura das orelhas, meus olhos são azuis também... Sou branca, bem pálida na verdade, odeio o Sol e o dia, prefiro a Lua e a noite. Sou baixa, com um e cinquenta e nove de altura. Meus seios e nádegas são medianos, em minha opinião, o que não muda o fato de que acho o tamanho perfeito. Posso dizer que não sou feia... E a minha aparência não é muito comum para uma brasileira.
Quanto à minha personalidade... Não gosto de Beatles... Muitos me acham louca por não gostar de Beatles, mas como eu não nasci pra agradar alguém, nem dou importância ao que pensam sobre esse pequeno fato sobre mim. Por que eu não gosto deles? São muito românticos e nunca gostei do corte de cabelo deles, isso sempre me dava uma leve repulsa.
Tenho uma grande paixão por músicas melancólicas, elas me acalmam e são ótimas pra ler. Trance também é ótimo pra ler, apesar de não parecer. E o que eu gosto de ler...? Normalmente leio livros sobre psicologia ou algum livro de romance erótico para passar o tempo. Gosto de linguiça calabresa, porém odeio salsicha, salame, ou qualquer outra coisa parecida. Não gosto de picles, porém amo pepino.
Apesar de ter uma personalidade e aparência um pouco estranha, sou uma pessoa legal, à medida que você se acostuma, e tenho uma história de vida um tanto quanto comum. Meu pai largou a minha mãe quando eu tinha cinco anos e se mudou pra uma cidade no interior e se casou com uma das melhores amigas da minha mãe. Você deve achar que a minha mãe não fala com a sua amiga até hoje, porém você está errado. As duas ainda são grandes amigas e meu pai teve mais dois filhos com ela. Porém aquela época foi mais difícil pra mim do que pra qualquer outra pessoa. Além de ter perdido o meu pai pra outra família, meu avô favorito morreu no ano seguinte.
Quando os meus pais se separaram a minha mãe voltou a trabalhar. Ela trabalhava em uma galeria de arte até pouco tempo antes de eu nascer. A dona da galeria vivia chamando a minha mãe pra gerenciar a nova galeria que seria reaberta na época. Ela aceitou o emprego e hoje tem a sua própria galeria, que é bastante famosa por sinal.
Como alguém que trabalha para o mundo da arte e por eu ter o cabelo azul e curto, já devem imaginar que a minha mãe é bem liberal. Nem tanto, apesar de que ela aprontou bastante na juventude, como qualquer jovem dos anos oitenta... Minha mãe é como todas as mães. Estipula o horário em que eu tenho que estar em casa quando eu saio, fica no meu pé pra tirar notas altas e aprender a cozinhar e cuidar de uma casa cozinha dentre outras coisas.
No verão passado ela me arranjou um emprego de babá. Ela tinha como objetivo me fazer aprender a ter responsabilidade e ver como criar uma criança é penoso. No caso duas, Júlia e Anthony. Dois anjinhos quando estão dormindo, acordados são um furacão eminente. Não sei o que eu fiz de bom, mas os dois adoraram a minha companhia, me fazendo de babá por mais um verão.
As mães dos dois são artistas plásticas bastante famosas, o que me rendeu um bom dinheiro, o suficiente para comprar o meu fusca. Comprarei um velho e barato, e com o tempo vou reformando ele até ficar perfeito.
Primeiro dia de aula nunca é fácil. Principalmente depois de saber que todos os meus amigos estão em turmas diferentes, por isso prologuei as minhas férias por mais uma semana.
A única pessoa que está na minha classe atual que era da minha antiga é o Johnny, o gatão virgem. Ele é realmente muito bonito, um desperdício... Me faz lembrar a primeira vez em que eu o vi... Ele estava com um casaco preto da Hollister, calças jeans e um tênis Mizuno branco com laranja, ele estava andando pelo corredor com aquelas pernas longas. Seu cabelo estava comprido, cheio de ondas, ele passou por mim enquanto eu o observava, me lembro de pensar que ele era o maior gato. No final acabamos na mesma sala. E quase nunca nos falávamos, o que é meio estranho, pra quem estudou comigo por uns dois anos seguidos, e com esse será o terceiro.
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