Nossa História

8 Nossa História - Ato 08


Notas iniciais
* SIM EU DEMOREI O CARALHO PRA POSTAR O FINAL, DESCULPA. QQQQQQQQ AUSHAUSHAUHSAUHSUASUAHSUAHUUSHAUHSAHS * Em primeiro lugar. TINÚVIEL! Você sabe que esta fic eu fiz especialmente para você e devo dizer que to LOUCA para te abraçar quando chegar em SP! Muito mesmo! Além do fato de estar super contente por termos passados nossos aniversários juntas começo do ano e logo logo iremos passear uma ao lado da outra *-* * O nome de um personagem que aparecerá aqui foi escolhido especialmente pela Tinúviel.! * Boa Leitura!

Assim que amanheceu, sentiram aquele cosmo de novo. Dessa vez bem mais forte. Saíram imediatamente daquele velho hotel antes que a energia sumisse novamente. Seguiram seus rastros com a esperança de darem logo um fim nessa jornada e poderem voltar para o Santuário. O clima agora estava mais leve entre os dois. Shura falava mais comparado a antes. Inclusive sorriu bastante e riu das piadas de Aioros, o que deixou o sagitariano contente e satisfeito.

Era como se tudo fosse como a anos atrás, quando Shura era apenas um jovem aspirante e treinava ao lado do grego. Os dias divertidos haviam retornado finalmente. Acabaram por chegar a uma área bem mais afastada da cidade, mas que continha casas de aspecto rural. Pequenas fazendas com plantações e criações de animais.

— É como olhar para o passado. – Shura comentou desanimado.

— Eu não compreendo por que você sempre fala de sua infância desse modo... – Disse o grego. Tudo bem que a família do capricorniano passou por muitas dificuldades, mas por que diabos ele evitava tanto lembrar dos pais e dos irmãos?

Era a mesma coisa em relação ao ano que julgaram Aioros como um traidor. Era algo que doía pensar, que era insuportável conversar sobre, que fazia Shura sentir vontade de chorar até a morte.

O problema era justamente esse. O mais novo se forçava a ficar apenas na vontade. Não se dava ao luxo de desabar na frente dos outros. Pensando bem... As únicas vezes em que Capricórnio chorou, de verdade, foram na frente do melhor amigo. Contudo, quantas noites ele passara em claro dando-se por vencido pelas intensas lágrimas que sempre escapavam? Por isso ele tinha aqueles olhos tão cansados e tão diferentes de quando era menino.

— Tem coisas que eu não gosto de recordar, Aioros. – Respondeu.

— Não faz bem guardar tudo para si. Poxa, você acabou de desabafar algo tão forte... Não precisa continuar fazendo isso com outras coisas! – Sagitário o havia parado para o encarar seriamente.

— Eu estou bem. – O espanhol sorriu, pretendendo tranquilizar o outro. Porém obteve o contrário.

— Não está. Eu conheço seus tipos de sorriso, Shura. E não quero, nunca mais, que você mostre este que vejo na sua cara agora. Não quero que continue a achar que precisa esconder como realmente se sente em relação a certas coisas... Ou pessoas. – Ele fez uma breve pausa e suspirou – Shu, se quiser conversar sobre qualquer coisa, qualquer coisa mesmo, eu vou te ouvir. Ou mesmo se não quiser dizer nada e apenas desejar um ombro ou colo amigo para descansar ou se distrair, eu vou estar por perto. Só não quero te ver nesse beco sem saída outra vez.

As palavras de Aioros foram muito bem ouvidas. Muito embora Shura tivesse se espantado um pouco pela seriedade que veio junto. Ficou sem jeito, chegando a mudar o sorriso. Esfregou o rosto com as mãos e se encostou na árvore mais próxima a eles naquela estrada deserta. Aparentemente, além deles, as únicas formas de vida eram as plantas e alguns animais.

— Eu não gosto de lembrar, ou falar do assunto, por que me pego tendo saudades. Mas ao mesmo tempo, ter ido embora foi a melhor coisa a se fazer na época. Uma boca a menos para meus pais alimentarem, um filho a menos para se preocuparem. Sempre quis saber o que aconteceu com eles depois de tê-los deixado... Se moram em outro lugar, se estão bem ou se, ao menos, ainda permanecem vivos. Tenho medo de descobrir que morreram naquela mesma casa, na mesma situação... Se meus irmãos me culpam por isso ou não. Eu quero saber, mas ao mesmo tempo não.

— Você pensa demais...

— Sim. Defeito idiota, não?

— Um pouco. – Afagou o cabelo escuro do outro, coisa que costumava muito fazer tanto com ele quanto com Aiolia quando pequenos.

Talvez Aioros tivesse razão. Não tinha problema em demonstrar esse tipo de emoção, pelo menos não se fosse para ele. Afinal, se o sagitariano o entendesse, já seria o suficiente.

Sorriram com cumplicidade para com o outro. Riram como os jovens adultos alegres que agora eram.

Foi então que o bendito cosmo misterioso reapareceu, e estava com uma presença muito forte. Significava que seu dono estava perto, bastante perto de onde os Cavaleiros de Athena se encontravam. Mais que depressa, os semblantes de Sagitário e Capricórnio mudaram. O dever chamava e precisavam descobrir de uma vez por todas o que era aquilo e o mais importante: Se era inimigo, aliado ou alguma outra coisa, nociva ou não.

Tiveram que ultrapassar uma cerca desgastada e frágil, que dava acesso a um campo que mais ao longe findava em inclinações montanhosas. Ali se encontrava uma casa, provavelmente uma fazenda. Somente mais ao longe é que se podia perceber os vizinhos.

Se para Aioros parecia um dejavú, para Shura era um tormento, com uma sensação muito incômoda, estranha e triste.

— Você está pálido, Shura. Estais bem? – Comentou Aioros, percebendo mais uma vez a mudança brusca no rosto do amigo.

— Não muito, para ser sincero. — O cenário o deixava ansioso por conta das memórias de infância.

Parando a alguns metros de distância da residência, os dois se entreolharam por alguns segundos. Iriam bater na porta? Iriam ficar de tocaia e analisar o local e seus moradores? Normalmente eles saberiam o que fazer, mas Aioros sentiu Shura hesitar em se mover. O que estaria acontecendo?

— Posso ajudá-los? – Disse uma voz quase infantil vinda de trás.

Surpresos, especialmente por terem sido pegos repentinamente, viraram e se depararam com um garotinho de mais ou menos dez anos de idade, com sardas no rosto, de olhos e cabelos castanhos os observando.

Ele era a fonte do cosmo misterioso.

O menino estava massageando os próprios punhos, que possuíam severos arranhões. Estaria ele treinando já a bastante tempo? Tentando controlar o próprio cosmo recém descoberto? Era por isso que havia todas aquelas oscilações de cosmo energia?

Aioros encarava o rapazinho de uma maneira peculiar. Ele parecia alguém que conheciam, tinha o mesmo tipo de olhar, ou seria um ledo engano?

— Aconteceu alguma coisa? – Uma outra voz, dessa vez feminina e madura, entoou vindo da porta da casa. Uma mulher, de olhos verdes e cabelos negros e lisos, estava os olhando com certa desconfiança. Porém, ela logo reconheceu um deles. – Você... – Disse bastante espantada se aproximando de Aioros – Você é o rapazinho daquela vez! Então... – Ela virou-se para fitar Shura, que àquela altura estava completamente nervoso. Porque ela estava lhe olhando tanto e com uma cara assustada? De repente ela começou a chorar e o abraçou em prantos. Tanto ele, quanto Aioros e o menino ficaram sem reação diante da atitude inesperada da mulher.

Só então, sentindo aquele caloroso abraço, Shura se deu conta de quem era ela. Retribuiu o ato, com certa intensidade. Quanto tempo fazia mesmo desde que vira sua irmã mais velha pela última vez? Eles se olharam com olhos sorridentes, cheios, não só de lágrimas, mas de nostalgia, saudades, lembranças que seriam eternas independente do tempo que passasse.

Ela estava viva e não precisava saber que seu irmãozinho havia morrido, apesar de ter retornado a vida. Por isso Shura não disse nada demais, além de que conseguira se tornar aquilo que tanto sonhou desde que Aioros o levara para a Grécia. A mulher então logo os convidou para entrar. O interior da casa era bem bonito e não era nada parecido com a casa em que cresceram. Na verdade, era até moderna... Bem cuidada.

— Você cresceu tanto! E pensar que era o menorzinho de todos, Felipe! – Disse Selena. Era assim que a irmã dele se chamava. Sentia-se realmente feliz por estar revendo o irmão, que ficava envergonhado toda vez que ela mencionava seu nome verdadeiro. – Ah, queria tanto que nossos pais pudessem te ver agora...

Infelizmente, por pouco Shura não reviu os pais. Ambos faleceram alguns meses atrás... Quanto aos outros irmãos que tinham, estes foram embora da cidade e até do país. Mantinham contato com Selena, mas não com muita frequência. Em resumo, todos os irmãos se distanciaram e foram cada um seguindo um rumo diferente, sendo a irmã a única a permanecer na Espanha.

Selena também disse ser a mãe do menino de sardas, isso fazia dele sobrinho de Shura. Capricórnio nunca, jamais, imaginou que o cosmo misterioso o faria reencontrar sua família.

— Vocês vieram até aqui por causa do Gui, não foi? – Comentou Selena com um semblante mais distinto agora. Guillermo, comumente chamado apenas de Gui, vinha treinando secretamente na área mais afastada da fazenda desde que despertara seu cosmo acidentalmente e por si só tentava controlar sua força. Ao ver o filho se empenhando tanto com aquele poder misterioso que fluía naturalmente dele, ela imediatamente recordou-se do irmão mais novo que fora para outro país, pois tinha o mesmo potencial que seu filho mostrava agora ter. – Vocês vão levá-lo... Para se tornar um Cavaleiro também?

— Bom, a cosmo energia dele pôde ser sentida do Santuário, mesmo que minimamente. Percebe-se que ele ainda não sabe controlar direito, mas com o treinamento adequado certamente se tornará um grande guerreiro. Assim como o tio, não é? – Aioros respondeu Selena com um sorriso amistoso no rosto enquanto observava Shura conversando com o menino. Capricórnio estava sem jeito, ao passo que Guillermo demonstrava estar muito empolgado. Por muito tempo ele escutara da mãe que o irmão dela foi embora para se tornar uma pessoa incrível. Gui adquiriu uma admiração pelo tio, que sempre sonhou em conhecer. Agora ele estava ali, de carne e osso e realmente era o herói que imaginou que seria. E não parava de fazer inúmeras perguntas sobre Armaduras, sobre Athena, lutas, etc. Sagitário chegou a rir da cena, mas notou que a mãe do menino o vigiava com tristeza. – Sabe, senhora Selena... Nós só o levaremos se ele quiser ir. Não iremos forçar.

A espanhola suspirou dando um leve sorriso.

— Ele quer ir. Vejo isso no rosto dele e não vou impedir isso. Mesmo que seja doloroso ficar sem ele.

— Desculpe a curiosidade, mas... Moram só vocês aqui?

— Sim. Meu marido morreu em um acidente há dois anos.

A fazenda, na verdade, era uma herança familiar por parte do finado marido de Selena. Os outros parentes não iam muito com a cara dela, nem do menino. Diziam que Guillermo era filho ilegítimo e não ajudavam em quase nada. Mãe e filho só tinham um ao outro.

— Sabe. Eu acho que não haveria problemas se a senhora também viesse conosco. – Sagitário disse. E de fato não havia mesmo problemas. A Vila de Rodório era um lugar tranquilo e bom para viver do comércio. Ela iria facilmente se adaptar lá, apesar da língua ser difícil de aprender, mas assim ela estaria perto do irmão e do filho. Não teriam que se separar. E Aioros não teria que separar Shura da família uma segunda vez.

— Eu posso? – Ela perguntou com os olhos esperançosos e ansiosos. Já estava se preparando psicologicamente para mais uma separação e eis que surgia a melhor das propostas.

Aioros sorriu exibindo seus dentes brilhantes como quem acabava de ganhar uma competição. Guillermo se mostrou radiante com a notícia de que sua mãe o acompanharia e agora que seu tio, o Cavaleiro de Capricórnio, também estaria perto, não se sentiria deslocado.

Quanto a Shura, mesmo ainda sem jeito, estava feliz. Não queria demonstrar na frente dos outros, mas não aguentou e deu também um largo sorriso. Aioros pensou que o veria assim muito mais dali para frente e isso o deixou contente. Tudo acabou bem no final das contas.

Mas ninguém precisaria saber dos detalhes da missão, não é mesmo?

Notas finais
* Perdoem se tiver algum erro, postei meio que na pressa. Mas quando der irei ajeitar. Sempre ajeito :v * Espero que tenham gostado da história
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!