Nossa Família
35 Capítulo Trinta e Quatro — Irmão
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Quatro —
— Irmão —
Edward Cullen
Rosalie sempre quis ser uma mãe, isto era um fato. Enquanto crescíamos, por vezes eu tive de participar de suas brincadeiras de casinha — afinal era o caçula e ela conseguia mandar em mim facilmente —, ela era a mamãe e eu seu bebê. Então, sim, todos nós sabíamos que Rosalie Cullen se tornaria uma grande mãe um dia.
Por acaso, eu estava com ela quando a duvida de sua primeira gestação surgiu. Ela estava casada com Royce por alguns meses naquela época e era Natal, o que me levou a Chicago para ficar com a família.
Eu tinha notado minha irmã completamente estranha, ansiosa, menos falante do que era e comendo muito mais do que suas dietas loucas permitiam. No dia de Natal, eu voltei para casa de madrugada, depois de ter ido fazer uma visita noturna para Irina e ouvi Rosalie na sala de música, dedilhando ao piano uma canção de ninar que nossa mãe tocava muito quando erámos crianças.
— Ei, você está esperando o Papai Noel, Rose? — perguntei, chamando sua atenção, fazendo com que ela parasse de tocar para me encarar.
— De onde você está vindo? — perguntou de volta, confusa, farejando o ar e torcendo o nariz. — Você estava bebendo?
— Siiim — estiquei a palavra, deitando confortavelmente no sofá que tínhamos na sala de música, pronto para dormir ali mesmo, pois não tinha mais força alguma para chegar até meu quarto.
— Com Irina? — Rosalie perguntou com nojo em sua voz, ouvi passos, então ela sentando na ponta do sofá ao meu lado.
— Com Irina — confirmei.
— Arg, Edward — minha irmã reclamou. — Caia fora das garras dessa garota, ela é uma vaca.
Abri os olhos, encarando minha irmã mais velha.
— Seu marido também é um grande filho da puta, nem por isso estou falando nada.
— Edward! — Rosalie socou meu ombro, fazendo com que eu gemesse de dor.
— Qual é, Rose? Me deixa dormir, em algumas horas mamãe estará acordada e deixando todos nós loucos sobre o Natal como sempre. Nem somos mais crianças, ou temos crianças em casa, deveríamos era ter ido passar o Natal em algum lugar que estivesse quente e cheio de garotas de biquíni.
Voltei a fechar os olhos, ainda mais pronto do que antes para dormir.
— Talvez no Natal do ano que vem a gente tenha uma criança aqui — ela sussurrou.
Pisquei algumas vezes, até que consegui manter meus olhos abertos.
— O quê?
Ela respirou fundo, então um sorriso nervoso surgiu em seu rosto.
— Eu acho que estou grávida, irmãozinho.
— Você o que? — gritei, sentando de uma só vez no sofá.
— Silêncio, Edward, não acorde a casa toda! — Ela exigiu.
— Grávida? — perguntei no tom mais baixo que consegui, ainda sem conseguir crer naquilo. — Como assim grávida?
— Sério, Edward? Papai e mamãe nunca te contaram de onde vêm os bebês? — Ela revirou os olhos azuis.
— Não seja irônica, mocinha. Você tem certeza? Di-Disso? — Apontei para sua barriga.
— Não, eu ainda não tive coragem de fazer um teste — murmurou, abraçando a si mesma. — Quero muito que seja verdade, eu tenho sonhado em ser uma mãe desde que te fazia usar laços e...
— Não vamos falar sobre isso — implorei. — Faça o teste de uma vez, Rose.
— E se der negativo? — Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Eu já até pensei em nomes, Edward, mas tenho medo que acabe se tornando uma grande frustração se for um resultado negativo. Nem tive coragem de contar isso ao Royce, já que ele quer filhos tanto quanto eu.
Eu duvidava daquilo, mas não disse nada.
— Já até pensou em nomes? — Ela assentiu.
— Royce, como o pai, se for menino. — Eu revirei os olhos. — E Lucy, como a música dos Beatles, se for uma menina.
— Você é tão clichê! — Rosalie socou meu ombro uma segunda vez. — Tem os sintomas?
— Enjoo matinal, atraso na minha menstruação e por Deus, meus seios estão doloridos e definitivamente maiores!
— Eca, Rosalie, eu não preciso de detalhes. Bastava dizer sim ou não — comentei enjoado, não só pela descrição tão detalhista, mas pelo efeito de toda a bebida que tinha tomado com Irina. — Vá fazer o teste, Rosalie.
— Agora? De madrugada? Royce está dormindo e...
— Esqueça o idiota do seu marido, vá pegar o teste que eu tenho certeza de que você já comprou e tire essa duvida de uma vez.
—Okay, certo, mas você será meu apoio moral — ela disse, puxando-me para fora do sofá.
Rosalie fez uma rápida passagem pelo seu antigo quarto, que estava ocupando com o marido durante o feriado, pegando o teste de farmácia, depois foi para um dos banheiros da casa. Eu estava esperando do lado de fora, quase dormindo em pé, quando ela abriu a porta, me puxando para dentro.
— E ai?
— Eu não consigo ver sozinha, você verá comigo — ela decidiu, empurrando-me até o balcão do banheiro, onde eu podia ver o bendito teste. — Ah meu Deus! — Rosalie gritou vendo o resultado ali, duas listras rosas.
— O quê? Duas? São gêmeos? — perguntei confuso.
Rosalie gargalhou, ao mesmo tempo em que chorava.
— Você é idiota, Edward? Claro que não!
— Eu estou muito bêbado, Rose, não idiota — esclareci. — O que isso quer dizer afinal? — Gesticulei para o teste.
— Quer dizer que eu vou ser uma mãe — Rosalie sussurrou, tocando em sua barriga ainda plana.
— Puta merda, você vai ter um bebê — murmurei em choque.
— Eu vou ter um bebê — ela repetiu, com adoração em sua voz. — Ei, bebê — disse, olhando para sua barriga, ainda afagando ali por cima do roupão que usava. — Ah Deus, esse é o dia mais feliz da minha vida, o melhor presente de Natal que eu poderia ganhar.
Seu choro aumentou, então ela se enfiou em meus braços.
— Rose, você vai ter um bebê — eu disse mais uma vez, ainda sem conseguir acreditar naquilo. — Porra, eu vou ser um tio. O que tios fazem mesmo? Eu deveria perguntar ao tio Caius, ele me levou para uma casa de stripper quando fiz dezoito, eu...
— Você não vai levar meu filho a uma casa de stripper, Edward Cullen. — Rosalie bateu na parte de trás da minha cabeça, mas não estava brava, sim cheia de animação. — Irmão, eu vou ser uma mãe.
— E você está calma quanto a isso? Deveria estar surtando, uma pessoa vai depender de você, Rosalie!
Se ela não estava surtando, eu estava.
— Claro que estou surtando, mas estou muito feliz para deixar o nervosismo me dominar — ela disse, limpando as lágrimas do seu rosto. — Vai entender isso, quando se tornar pai. E, por favor, escolha a garota certa para ser a mãe dessa criança, se for Irina eu juro que te mato.
— Eu não vou ter filhos com Irina, pode confiar em mim. — Fiz uma careta, sentindo toda a bebida da noite querendo voltar. — Rosalie, você vai ter de lidar com enjoos seus e do bebê, né? — Ela confirmou com um aceno de cabeça. — Ótimo, preciso que lide do meu também, antes que mamãe acorde e descubra que eu estava fora até agora bebendo.
Ela bateu na minha cabeça uma segunda vez, me empurrando para o vaso em seguida. Eu agachei junto dele, levantando a tampa e despejando tudo ali dentro.
— Eu te amo muito para ter que te aturar, viu? — Rosalie disse, sentando ao chão, afagando minhas costas. — Vamos, você vai ficar bem depois que colocar tudo isso para fora, irmãozinho — entoou carinhosamente.
— Rosalie, você vai continuar cuidando de mim quando tiver um novo bebê? Sabe, já que eu costumava ser o seu — falei, tão bêbado e cansado que não me importei de apoiar meus braços no encosto do vaso e repousar meu rosto ali, virando-o na direção da minha irmã.
Ela riu, afastando algumas mechas de cabelo da minha testa.
— Não se preocupe, irmão, eu sempre cuidarei de você.
— Bom, isso é bom — concordei sonolento. — Eu estou feliz, pelo seu bebê. E, pode ficar tranquila, também cuidarei de você, sempre, irmã.
Rosalie sorriu, continuando a afagar minhas costas quando mais uma rodada de vômito chegou.
— Edward Cullen, que diabos! — Ouvi o grito de minha mãe e parcialmente a enxerguei na porta do banheiro, parecendo muito furiosa. — Onde estava? É Natal e chega bêbado em casa? Que bonito!
— Mãe, escute...— Rosalie se pronunciou.
— Não se meta nisso, Rosalie, eu lido com o seu irmão bêbado e sem limites. Deixe só Carlisle saber disso, Edward. Pode dar adeus a sua viajem de primavera para Ibiza no ano que vem.
— Mãe? — Rosalie a chamou novamente.
— O quê, Rosalie?
— Eu estou grávida.
E, com aquelas três palavras Rosalie me salvou. Pois, éramos irmãos e era isso, um sempre cuidaria do outro, mesmo quando o assunto era livrar minha cara bêbada.
***
As primeiras pessoas que souberam sobre Bella estar grávida foram Jasper e Alice. O primeiro, pois, ele estava conosco no dia que Bella fez o teste e Alice, porque eu tive de chamar por ela para tentar ajudar a amiga que não parava de chorar ao descobrir a gravidez.
Mas, assim que Bella se acalmou sobre tudo aquilo e pegou no sono. Eu liguei para minha irmã e contei tudo, pois assim como fui uma das primeiras pessoas sabendo que ela seria mãe, queria que ela fosse uma das primeiras sabendo que eu seria pai.
Então, era muito importante para eu ver Rosalie e Matthew finalmente se conhecendo. Ela não era apenas uma irmã mais velha, ela era minha melhor amiga, uma mãe para mim muitas vezes e uma das pessoas mais valiosas em minha vida.
Eu não fiquei surpreso dela colocar Matt, literalmente em seu colo, e figurativamente em seu coração no primeiro minuto que o viu, pois ela era acima de qualquer outra coisa uma das mulheres com mais instinto materno que eu conhecia. Ela já o tinha como uma parte da família, como seu sobrinho e, tomá-lo em seus braços assim que o viu só confirmou isso.
— Você é pai de novo! — Rosalie gritou para mim, empolgada, quando colocou Matthew no chão, me dando um forte abraço, quase me derrubando no chão.
— Eu sou. — Suspirei, não tinha visto o parto, não tinha cortado o cordão umbilical e nem mesmo sido um dos primeiros a vê-lo, muito menos tinha seu sangue e DNA. Mas, Matt era meu filho e nada, nem ninguém, mudaria isso.
— Eu estou tão feliz por você, irmãozinho — Rosalie disse para mim, mas logo estava me afastando, voltando-se para as crianças ali.
Bella já tinha levado Ness para se arrumar, então estávamos desfalcados em uma mini pessoa.
— Matthew, essas são suas primas, Anne e Lucy — o apresentou as meninas.
Anne parecia confusa e retraída, mas Lucy não perdeu tempo em falar:
— Ei, Matt!
— Oi — ele disse de volta, sem saber mais o que falar.
— Deus, não consigo tirar minhas mãos de você, é tão fofo! — Rosalie pegou Matt no colo mais uma vez, fazendo com que eu risse e ele sorrisse. Sim, ela já tinha Matt em suas mãos.
— Vamos entrar, Renesmee surtaria se perdêssemos a grande participação dela — Nelly falou, indicando o prédio do teatro.
— Mamãe, colo — Anne pediu a Rosalie no instante que ela colocou Matt no chão.
— Ei, venha — Rosalie falou, soando pensativa, pegando Anne no colo, enquanto Nelly e eu guiávamos Lucy e Matt na frente para o prédio.
— A Renesmee está muito nervosa, tio Edward? — Lucy me perguntou.
— Nervosa é pouco, nunca a vi tão ansiosa — falei, Lucy riu.
— Como ela acabou sendo a casa?
— Longa história — eu disse simplesmente, sem querer me lembrar de toda a história da peça.
— É verdade que ela vai cair? — Matt perguntou a Lucy, que concordou com um aceno de cabeça.
— Sim! — emendou animada. — Eu assisti um dos ensaios, é bem alto.
— Vamos esperar que Renesmee não faça nenhuma encrenca — Rosalie sussurrou ao meu lado, Anne estava agarrada a mãe.
— Nem brinque com isso. — Rosalie riu da minha fala.
Logo estávamos no interior do teatro, ainda relativamente vazio por ser cedo. Um dos funcionários da escola, após checar nossos convites/ingressos, nos guiou até uma das duas fileiras da frente onde tínhamos lugares marcados, que Bella conseguiu desde que a peça foi anunciada, dali conseguíamos uma boa visão do palco.
Eu avisei ao homem que dois dos nossos convidados — meus pais — não estariam ali, que ele poderia remanejar outros convidados para lá. Então, nos organizamos a fila.
Anne ficou em um lugar junto à mãe, eu sentei ao lado de Rose, deixando Lucy e Matt lado a lado para que talvez os dois conseguissem se aproximar mais. Nelly guardou um lugar para Bella junto ao nosso filho, assumindo o próximo lugar e, as cadeiras de Jasper e Alice de seu outro lado.
— Isso aqui é muito grande — Matt comentou, olhando sem parar ao redor.
— Você nunca tinha ido a um teatro? — Lucy indagou confusa, ele negou com um aceno de cabeça. — Oh, é muito legal. Antes de eu me mudar para Dubai participei de uma peça aqui, fui a Cinderela.
— Eca, princesas! — Matt torceu o nariz, Nelly e eu rimos, Rosalie tinha ido levar Anne ao banheiro naquele momento.
— Princesas são legais — Lucy se defendeu. — Né, tio?
— Claro, eu adoro a Mulan — falei, ela revirou os olhos azuis.
— Todo mundo gosta dela, tio — Lucy falou e eu tinha certeza de que um tempo atrás tinha ouvido frase semelhante saindo da boca de Isabella.
— Quem é Mulan? — Matt perguntou.
— Ela é uma guerreira chinesa — Lucy explicou. — Mas, a minha preferida é a Aurora.
Matt inspirou fundo, parecendo estar detestando aquele papo.
— Lucy, Matt assistiu Harry Potter ontem — Nelly contou, fazendo Lucy abrir um grande sorriso.
— Eu amo Harry Potter! — ela praticamente gritou.
— Você o acha bonito também? — Matt perguntou, não pude deixar de rir pensando em Ness falando aquilo na noite anterior, mesmo que ainda me incomodasse.
— Credo, claro que não. — Lucy fez uma careta.
Por que Ness não podia agir assim?
Os dois ficaram falando sobre o filme por um tempo, Lucy gostava de Harry Potter também — não tanto quanto a prima, mas gostava — e aquilo foi ótimo para que os dois se enturmassem. Algum tempo depois Rosalie e Anne voltaram aos seus lugares, mas não desacompanhadas, junto das duas estavam Jazz e Alice.
— Olha só quem encontrei, a Família Buscapé — Rosalie brincou.
— Há, engraçado, porque eu vim de uma fazenda — Jasper disse.
Não pude deixar de notar a proximidade dele e de Alice, parecendo ainda mais próximos de quando os vi juntos pela última vez na palestra que fomos sobre adoção no começo daquela semana.
— Alice! — Lucy gritou, correndo até a baixinha, que paralisou por um instante, mas retribuiu o abraço. — Olhe, olhe minha saia — clamou.
Alice olhou, sorrindo em sequência.
— É a com inspiração em fada, eu falei sobre ela em um artigo, não?
— Sim, a mamãe viu a matéria e compramos, eu achei muito linda!
Jasper as ultrapassou, deixando com que Alice e Lucy falassem sobre roupas e fadas. Indiquei que Matt se levantasse e ele logo fez, parando ao meu lado com Jasper diante de nós.
— Ei, então você é o famoso Matthew. — Meu melhor amigo agachou junto de Matt, lançando um rápido olhar animado para mim. — Sou Jasper Whitlock, amigo do Edward e da Bella — contou, estendendo uma mão para Matt, que apertou de volta.
— E padrinho da Renesmee, né?
— Isso! — Jasper exclamou sorridente. — É o seguinte, Bella pode ser bem mandona e Edward te deixar irritado algumas vezes, quando acontecer, apenas procure por mim, garoto, eu o farei se divertir longe da loucura dos seus pais.
— Jasper! — chamei a atenção dele.
— O quê? — Ele se levantou, dando de ombros. — Estou apenas cumprindo meu papel de tio legal aqui, cara.
— Claro. — Bufei. — Não dê ouvidos a ele, Matt — falei para ele, que parecia se divertir as nossas custas.
— Ei, oi! — Alice se juntou a gente, soando hesitante.
Jasper imediatamente envolveu o corpo dela em um braço, levando-a para mais perto de si.
— Matt, essa é a Alice, a melhor amiga da Bella — contei.
— Oi, oi, Matthew — Alice disse nervosa.
Eu imaginava que aquilo tudo poderia estar sendo complicado para ela, lidar com uma adoção tão de perto, quando a sua não tinha dado realmente certo.
— Oi — ele falou com ela, Alice deu um mínimo sorriso. Eu afaguei seu braço, fazendo com que ela olhasse para mim, pisquei para a baixinha, vendo-a revirar os olhos, mas sorriu para valer.
— Eu estava muito animada para conhecê-lo, Matt. — Alice se curvou um pouco para falar com ele, afinal ela era mesmo muito baixinha. — Preciso dizer, amei o seu cabelo.
— Sério? — Matt tocou nos seus cabelos crespos e volumosos, parecendo duvidar muito da fala de Alice.
— Com certeza! — ela exclamou entusiasmada. — Pelo que posso ver o tipo dele é 4c, um dos mais legais.
— O seu também é legal — Matt disse, tocando no Chanel de Alice, o sorriso dela não podia ser mais sincero como naquele momento.
— Posso abraçá-lo? — ela perguntou de Matt para mim.
— Bom, eu acho que sim. — Rosalie não tinha pedido, talvez Alice também não precisasse pedir. — Matt, tudo bem se tia Alice te abraçar?
— Tudo — ele confirmou, ela no instante seguinte já o envolvia em um abraço, que demorou algum tempo e foi bem silencioso.
— Deixe-me dizer algo, você tem uma sorte incrível de ter Edward e Bella — Alice sussurrou para Matthew, mas Jasper e eu, próximos aos dois, fomos capazes de ouvir sua frase. — Mas, sei que os dois também são muito sortudos por terem você. — Apertou a ponta do nariz de Matt, que riu baixinho.
— É melhor tomarmos nossos lugares agora — Jasper disse, olhando em volta para o teatro, que já estava quase todo cheio. — Logo a peça irá começar.
— Ah, eu realmente queria ir retocar a maquiagem — Alice falou, pude ver seus olhos marejados.
— Posso ir com você, Alice? — Lucy perguntou empolgada. — A mamãe me deixou passar batom hoje, eu também quero retocar o meu. — Apontou para sua boca, Rosalie suspirou, mas estava sorrindo ao ouvir a filha dizer aquilo.
— Tudo bem por você, Rose? — Alice perguntou a ela.
— Claro, podem ir em frente — minha irmã concordou.
— Eba! — Lucy comemorou, segurando na mão de Alice e a puxando para longe do teatro.
Voltei a sentar em meu lugar junto de Rosalie, Jasper ocupou temporariamente o lugar de Bella e ele, Nelly e Matt se distrairiam em uma conversa.
— Quando nós vamos conversar sobre aquele problema com D? — Rosalie perguntou aos sussurros para mim, fazendo com que eu a olhasse.
— O papai já te contou?
— Claro que já, Edward. — Ela revirou os olhos azuis herdados de Carlisle. — Eu também tenho minha parte no Grupo Cullen, posso não atuar lá dentro, mas é justo que saiba dos problemas que a empresa esteja passando.
— Não estamos passando por problema algum — afirmei.
Rosalie olhou rapidamente para Anne ao seu lado, que estava distraída com um joguinho no celular da mãe, então voltou a falar comigo.
— Pode ser um problema, Edward — ela insistiu. — E sei que você sabe disso muito bem, se o Denali sair dos negócios, deixará um grande rombo nas contas, não é?
— Sim — foi tudo que falei, Rosalie inspirou fundo, passando a mão pelos cabelos uma vez.
— Você já pensou como seria se isso tudo fosse diferente?
— Desculpe?
— Como seria nossa vida, se a gente não tivesse nascido ricos — Rose murmurou. — Sei lá, se papai e mamãe não fossem herdeiros, se a gente não fosse.
— Não — confessei.
Rosalie assentiu, apertando meu braço.
— Você acha que nós seriamos diferentes? — perguntei a ela, Rosalie pensou por um tempo, até que negou com um aceno de cabeça.
— Não, não acho que o dinheiro nos definiu tanto assim. Mas, se perdermos tudo? Nós realmente conseguiremos nos manter em pé se tivermos a fortuna que sempre esteve lá arrancada de nossas mãos?
— Não vamos perder nada, Rosalie — garanti, ela suspirou outra vez.
— Eu tenho medo de que papai possa surtar, se os negócios derem errados, ele já vem enfrentando tanto. Com mamãe doente, meu divórcio...
— Rose. — Segurei em seu rosto, fazendo com que ela me olhasse. — O papai é forte, tá bem? Não se preocupe, ele não vai surtar. E, nós também não vamos. Eu juro que farei de tudo para manter o Grupo Cullen de pé. Na verdade, preciso conversar algo com você, acho que ainda temos um tempinho antes da peça começar.
Ela assentiu. Nós dois nos levantamos, pedimos que Jazz e Nelly ficassem de olho nas crianças e, seguimos para o lado de fora do teatro, ficando no hall de entrada.
— Vamos, diga, estou ficando curiosa — ela pediu, algumas pessoas ainda estavam circulando por ali, então a puxei para um canto parcialmente vazio, onde poderíamos ter um pouco de privacidade.
— O papai disse que vai apoiar a mim como próximo presidente do Grupo Cullen quando chegar a hora — murmurei, passando a mão pelos cabelos, com ansiedade em falar sobre aquele assunto. — Mas, eu preciso mesmo saber que você e Tanya não vão querer isso, Rosalie — falei. — Saber até mesmo se Isabella não vai querer. O papai deve se aposentar em vinte anos, no máximo e, até lá as crianças já até podem ter idade suficiente para querer o cargo também. E-Eu, eu não vou brigar pelo cargo com alguém da família, Rose, então me diga se vai querer ele e vou tirar meu corpo desse jogo. Posso continuar na diretoria financeira, já amo o que faço e...
— Cala a boca, Edward! — Rosalie ordenou, me interrompendo. — Você realmente não consegue perceber que é uma das pessoas mais aptas a substituir o papai futuramente na presidência?
— Não sou o único — lembrei. — Há outros diretores, podem surgir outros ao longo dos anos ainda melhores. Muita gente qualificada, se eu não for capaz de lidar com o cargo que um dia foi do vovô e do papai?
— E você acha que eu sou? — Ela fez uma careta. — Nunca quis trabalhar no Grupo Cullen. E, tenho certeza de que Tanya nunca vai querer também, ela adora estar nos tribunais, assim como Bella ama gerenciar o hotel. Quanto às crianças, elas ainda vão ser novas quando papai deixar a presidência, nós nem sabemos se vão querer ir por esse caminho, se forem, precisarão de prática e experiência nos negócios. Prática e experiência que você já tem, Edward, que vai ter em dobro quando papai decidir se aposentar.
— Você acha?
Rosalie me abraçou, um forte abraço.
— Acalme-se, irmãozinho — pediu. — Você está apenas nervoso, é como quando descobriu que eu seria mãe e sequer sabia ler o teste. — Eu ri ao lembrar daquilo. — Acredite em mim, Edward. — Ela me afastou, podendo olhar em meus olhos. — Vai ficar tudo bem, okay? Se o conselho te escolher como presidente, tendo apoio do papai, você irá assumir o cargo e fará um excelente trabalho. Você aprendeu com o papai, que aprendeu com vovó, não teria como se sair mal.
Eu assenti, respirando fundo. Já tinha dito a papai mais cedo que queria ser o presidente, quando Carlisle tocou no assunto, mas isso não varreu de mim o receio de que em alguns anos eu poderia estar na presidência e completamente perdido.
— O que nós vamos fazer com os Denali, Edward? — Rosalie perguntou, seu rosto assumindo uma expressão preocupada.
— Eles ainda não saíram, Rosalie.
— Você realmente acha que eles ficarão? Papai não deu a Eleazar o que ele e aquela vaca querem, Edward. Eles vão retaliar, vão se vingar de não terem seus pedidos sendo atendidos e sabemos como farão isso, deixando o quadro de investidores.
— Nós ainda não perdemos o filho da puta do Denali, mas se perdermos, estamos pensando em substitutos.
— Royce pode ser um — Rosalie sugeriu.
— O quê? Não, nem pensar, Rosalie! — praticamente gritei.
— Edward, pense bem, Royce é herdeiro de um banco, ele poderia investir tanto quanto Eleazar.
— Rosalie, o papai nunca aceitou qualquer tipo de investimento dos King, nem quando você era uma. Acha mesmo que vai aceitar agora? Depois de tudo que Royce fez a você? Não, claro que não. Isso não seria nada diferente do que os Denali querem fazer com a gente tirando Bella do lugar dela.
— Ninguém perderia o cargo — Rosalie falou.
— É, mas nós estaríamos colocando nossa dignidade no lixo em pedir investimento a alguém como Royce, Rosalie — afirmei. — Ninguém vai fazer você, ou Bella, de marionetes, Rose — deixei bem claro. — Eleazar, Irina, Royce, fodam-se todos, nós não precisamos de gente assim.
— Você sabe que precisam do dinheiro deles. Royce investiria, Edward, se eu pedisse ele investiria. Ele ligou ontem, para falar com as garotas, nós conversamos um pouco e ele foi tão gentil comigo. — Seus olhos brilharam ao dizer aquilo.
— Rosalie, não — afirmei novamente, olhando dentro dos seus olhos. — Não caia nisso, irmã. Eu não vou deixá-la rastejar de volta para aquele verme. Imagino como deve estar sendo difícil para você depois do divórcio, mas estou aqui para te proteger, não vou deixá-la se iludir por aquele homem novamente. Royce nunca a mereceu, continua não merecendo.
— Eu não deveria perdoá-lo? Ele é o pai das minhas filhas, nós ainda temos uma família juntos — ela murmurou, mas soava desesperada.
— Ele traiu você — lembrei em um sussurro.
— Você não perdoaria Bella, Edward?
Eu inspirei, esfregando minhas mãos no rosto. Eu amava Bella, perdidamente, mas não sabia se conseguiria perdoar algo daquele tamanho.
— Eu só posso dizer que amo Bella, Rosalie, não sei o que faria nessa situação — afirmei. — Entretanto, você realmente ainda sente algo bom por Royce? Porque para mim só continua presa às lembranças do que tinha com ele. Talvez devesse procurar ajuda para isso, Rose — sugeri, ela me olhou confusa.
— Você está me mandando atrás de um médico?
— Não, um psicólogo. Alguém fora da família, fora do seu grupo de amigos, que possa conversar melhor sobre Royce, sobre a traição e sobre o divórcio. Você sabe que todos nós sempre estaremos aqui para te apoiar em absolutamente tudo, Rose, mas se precisar de um apoio profissional, não se sinta errada em procurar por isso.
Ela apenas ficou calada por um tempo, encarando os próprios pés.
— Talvez você esteja certo — ela murmurou por fim.
— Eu sempre estou certo. — Sorri, ela riu, revirando os olhos e socando meu ombro.
— Não seja tão convencido — mandou.
— É nossa marca registrada — falei, ela riu mais um pouco, fazendo uma careta quando vimos James Smith entrar no prédio do teatro, causando certa comoção por ali. — O que diabos o filho do governador faz em uma peça escolar? — indaguei.
— Você não sabe? — Rosalie puxou minha mão, fazendo com que eu andasse de volta para o teatro rapidamente, para que pudéssemos fugir de um encontro com James. — Ele é um dos investidores daqui, aparentemente todos tem um pouquinho de investimento em cada parte dessa cidade, deve estar aqui para conseguir mais gente para a base politica do pai dele. Eu ouvi que o pai dele irá concorrer à presidência na próxima eleição, emocionante, não? — debochou.
— O papai deveria concorrer, ele seria ótimo nisso.
— É, né? É o que eu digo — Rose disse. — Mas, Deus, mamãe ia querer redecorar toda a Casa Branca e eu ainda acho que ela seria mais bonita se fosse rosa.
Lucy e Alice já estavam de volta quando retornamos aos nossos lugares, mas Bella ainda continuava fora de vista nos bastidores com Renesmee. Porém, não demorou muito para que ela aparecesse, carregando consigo um grande buquê de rosas vermelhas.
— Eu acredito que esse é meu lugar, Whitlock, mexa-se — ela mandou para Jasper, que continuava conversando com Matt.
— Ei, Bella ganhou flores! — Jasper sorriu maliciosamente, olhando para mim. — Amigo, Bella ganhou flores.
— Quem te deu flores? — indaguei confuso e talvez um pouquinho enciumado. No meio de tudo que estava acontecendo em nossas vidas eu não vinha sendo muito romântico com Bella, nós precisávamos tirar um dia para que eu pudesse mimá-la como merecia.
— Não são minhas, são de Renesmee — ela respondeu, tirando Jasper da poltrona, o mandando ficar no lugar junto a Alice. — Seu pai as enviou para ela — disse, Matt espirrou no momento que Bella sentou junto dele. — Oh, não, você tem alergia, pequeno? — perguntou a ele.
— Não sei. — Ele coçou o nariz, espirrando novamente.
— Aqui, eu guardo isso. — Rosalie estendeu as mãos, Bella passou as flores para ela rapidamente. — Talvez não seja alergia, o cheiro pode ser apenas incomodo inicialmente para ele por ser diferente.
— Como Ness está, Bella? — Nelly perguntou.
— Menos nervosa, o bilhete de Carlisle surtiu efeito. — Bella guardou o mesmo em sua bolsa. — Mas, eu estou um pouquinho tensa sobre ela sendo erguida por um cabo, mesmo que tenham garantido ser seguro.
— Se ela se machucar pessoas vão pagar caro por isso — declarei.
— Já não devia ter começado? — Alice indagou da outra ponta.
— Tiveram problemas com a peruca da Dorothy. — Bella bufou.
Eu estava prestes a perguntar mais sobre aquilo, quando ouvi a voz masculina soando próximo a gente:
— Olá, Clã Cullen!
Virei meu rosto em direção ao som, vendo James e um cara baixinho o seguindo, provavelmente um assessor. Ou foda-se, o Smith podia ser gay e estar se assumindo ali.
— Rose, é sempre maravilhoso te encontrar — ele se voltou para minha irmã imediatamente, até onde minha memória lembrava, James e Rosalie tinham estudado em Yale na mesma época.
— Olá, Smith — Rose disse, corando.
Espera, Rosalie estava corando? Opa, o que eu tinha perdido?
— Quanta formalidade, Rosalie — James sorriu para ela uma última vez, antes de se voltar para mim. — Edward, há quanto tempo! Não nos vemos desde...
— Desde que você ganhou no jogo de golfe daquele evento beneficente do ano passado, sim, vamos passar por isso — resmunguei.
James riu, acenou para os outros ali, olhou com curiosidade para Matt ao lado de Bella e apresentou seu assessor, Vladimir alguma coisa, antes de se sentar do outro lado de Anne. Não demorou mais nada para as luzes se apagarem e, antes que a peça se iniciasse me inclinei até Rosalie.
— O que você está escondendo?
— Agora não, Edward — ela pediu sussurrando, balançando a perna sem parar. — Fique quieto, já vai começar — gesticulou para as cortinas se abrindo.
Oh sério, Rosalie e James? Era isso, não?
Bom, eu não poderia saber disso ainda, não com minha garotinha em mais uma peça, daquela vez estrelando como uma casa. Assim que Ness apareceu no palco, usando a fantasia, eu tentei não rir.
Ela estava adorável, mas ainda assim era engraçado. A parte debaixo da casa ia do pescoço aos pés dela — eu só podia ver a pontas destes — e o rosto de Ness aparecia na janela do sótão da casa, com uma maquiagem seguindo o padrão de cores em azul e branco. Eu não podia ver seus braços, mas era capaz de ver o cabo de segurança a prendendo e alguém ia pagar com a própria vida se algo acontecesse com aquela menina.
Eu podia dizer que ela estava muito contente em não ser a Dorothy, mas eu não estava. A garota que fazia era péssima e a cada fala errava algo, mesmo que mínimo. Okay, ela devia ter a idade de Ness e não era uma profissional, mas sério que depois de Renesmee ter dispensado o papel aquela foi a melhor substituta que encontraram?
Meu coração pareceu parar de bater quando Renesmee foi erguida e girada no ar durante o tornado, olhei para Bella, que parecia igualmente apavorada com aquilo. Porém, Ness aterrissou perfeitamente, caindo sobre a Bruxa Má do Leste a matando, obviamente que era apenas uma boneca.
Bella e eu não deveríamos nos manifestar sobre aquilo, mas nós dois aplaudimos nesse momento. Nossa filha tinha matado uma bruxa, foda-se, estávamos orgulhosos.
Depois disso a peça ficou completamente desinteressante, eu já tinha assistido nos dois anos anteriores, visto o filme milhões de vezes e lido o livro quando Bella me obrigou, logo que nos conhecemos, pois ela achava inadmissível eu nunca ter lido um clássico como aquele. Então, sem mais Renesmee ali, eu apenas queria cair fora o quanto antes, até porque a Dorothy estava indo tão mal que estava arruinando a coisa toda.
Sério, devia ter rolado muita grana para ela ser escolhida como substituta.
Em algum momento daquela enrolação toda, ainda quando Dorothy só tinha encontrado dois dos seus companheiros de aventura, eu deixei o teatro indo para o banheiro. Peças nunca tinham sido meu forte, mesmo, eu estive no time de golfe, futebol, equipe de natação e até clube de matemática e xadrez quando estive naquela escola tantos anos atrás, mas passava longe do pessoal de teatro.
Mas, ainda com minha tentativa de escapar antes do tempo, não poderia demorar muito, ou Bella surtaria com minha escapada. O restante da peça também foi terrivelmente entediante, em algum momento eu já tinha Lucy encostada em meu braço dormindo, assim como Matt recostado em Bella, também quase apagando ali.
Foi um momento de grande felicidade quando a peça acabou, eu esperava que no ano seguinte eles encontrassem uma Dorothy melhor, ou que ao menos mudassem de história. Eu não suportava mais O Mágico de Oz, fora que achava aqueles macacos bem assustadores.
Nelly e Alice se prontificaram em ir buscar Ness nos bastidores, enquanto Bella pegava Matt no colo, conversando com ele sobre o que tínhamos acabado de assistir, explicando os pontos que o garoto não tinha entendido — eu ainda não entendia muita coisa — com Jazz a ajudando na narração. Lucy tinha acordado, mas ela preferiu continuar sentada em sua poltrona, tentando voltar a dormir.
Eu, por vez, peguei Anne no colo. Enquanto a mãe dela começava a conversar com James.
— Elas são mesmo muito parecidas com você, Rosalie — ele disse, gesticulando para as meninas.
— Eu sou parecida com o meu papai — Anne afirmou irritadiça.
— Ei, você é uma linda princesa, é muito mais bonita que seu pai — falei, ela não pareceu gostar disso.
— O papai é lindo! — Ela quis descer do meu colo e foi para uma poltrona, ficando emburrada lá.
Rosalie deu um sorriso amarelo para James.
— Então, você está oficialmente em Chicago agora? — James perguntou a ela.
— Sim. — Rose sorriu genuinamente. — Você estava em New York, não?
— Isso, mas voltei quando meu pai foi eleito ano passado, agora sou o cara assumindo os negócios para família já que ele decidiu se arriscar na politica.
— Hey, olá James! — Bella se aproximou, ainda com Matt em seu colo, Jasper atendia uma ligação naquele momento.
— Bella, como vai? — Acenou para ela. — Olá, garotão, sou James, amigo do seu pai. — Estendeu a mão para Matt, que não se ligou em apertá-la.
Amigo? Não mesmo, okay, não que James fosse meu inimigo ou qualquer merda dessas, mas estávamos bem longe de sermos amigos.
— Você conhece meu pai? — Matt perguntou animado, meus ombros caíram ali. Claro que não era sobre mim que ele estava falando, a primeira referência de pai para ele ainda era Laurent.
— James estava se referindo ao Edward, Matthew — Bella explicou.
— Ah. — Matt teve qualquer expressão animada varrida de seu rosto.
— Na verdade, eu preciso que o carregue agora, querido — Bella passou Matt para mim, eu agilmente o peguei. Ele não reclamou, o que já foi ótimo e sabia que aqueles pequenos gestos de Bella era para tentar nos aproximar ainda mais.
— Eu li nos jornais sobre a adoção, achei bastante nobre da parte de vocês fazerem isso — James disse, eu contive um suspiro, não era como se Bella e eu estivéssemos salvando o mundo, estávamos apenas tendo outro filho, aquilo não era caridade. — Então, Matthew? É um nome muito bonito.
— É mesmo, não é? — Rosalie afagou o rosto de Matt. — Quer dizer oferta de Deus e foi o nome de um dos apóstolos de Jesus. — Me impedi de dizer qualquer coisa sobre, respeitando a crença de Rosalie.
— Senhor Smith, está na hora de irmos para o jantar com a Senhora Hanson e o dono da escola — o assessor de James sussurrou para ele, fazendo com que o loiro fizesse uma careta.
Olhei para a porta de entrada do teatro, vendo lá a senhora Hanson. Ela parecia mais velha do que nunca, mas eu ainda me perguntava que tipo de imortalidade era aquela, a mulher já era muito velha no tempo que estudei lá. Para minha sorte nossos caminhos não tinham cruzado, pelo menos até ali e esperava que não acontecesse, aquela noite.
— Okay, já estou indo — James disse para o assessor, então se voltou para minha irmã. — Acha que podemos nos encontrar outro dia, Rosalie? — Minha irmã arregalou os olhos em surpresa.
Bella soltou uma risadinha maliciosa, ganhando um revirar de olhos meus.
— É, quem sabe, talvez — Rosalie disse, apertando as flores de Ness contra si, dando uma cotovelada em Bella que não parava de rir. — Você ainda tem meu número?
— Pode apostar que eu ainda tenho. — James piscou para Rosalie, que corou novamente.
— Me liga, podemos ir jantar, ou qualquer coisa assim — ela falou entusiasmada.
— Qualquer coisa assim soa sexy — Bella sussurrou, Rose lhe deu mais uma cotovelada, James riu, eu bufei.
— Realmente preciso ir agora, foi bom reencontrá-los. — James apertou a mão de Bella primeiro, quando apertou a minha coloquei toda minha força no aperto, para minha alegria aquilo conseguiu atingi-lo, pois o Smith massageou a mão quando a soltei. — Rose, jantar, muito em breve — falou para minha irmã, beijando a bochecha ainda corada dela.
— Ou qualquer coisa assim — Bella lembrou.
— Isabella! — chamei a atenção dela, ela apenas deu de ombros, afagando minhas costas.
— Eu adoro seu humor, Bella — James disse para ela, que assentiu.
— Ei, você não tem um jantar para ir, Smith? — o lembrei.
— Bem lembrado, Edward. Mande lembranças minhas ao seu pai, deveríamos jogar golfe qualquer dia desses — James falou, ele beijou mais uma vez a bochecha de Rosalie, acenou para Matt e saiu com o seu assessor em sua cola.
— Hum, Rose tem um encontro — Bella provocou.
— Bella, cala a boca! — Rose bateu nela com o buquê, afastando-se até as meninas para acordar Lucy e pegar Anne no colo.
— Eu não posso lidar com isso — resmunguei.
— Só porque James ganhou de você no golfe ano passado, querido, supere.
— O que é golfe? — Matt me perguntou.
— É um jogo maravilhoso, eu te ensinarei o quanto antes — falei para ele.
— Olha só, nossa super estrela! — Jasper exclamou, desligando a ligação, quando Nessie se juntou a gente na companhia de Nelly e Alice. Ela já tinha tirado a maquiagem, o que era uma pena, eu adoraria tirar fotos com ela daquele jeito.
— Foi muito maneiro quando você caiu, Nessie! — Matt exclamou empolgado, quase pulando do meu colo, rapidamente o coloquei no chão, garantindo que ele estivesse seguro.
Ele e Lucy rodaram Ness, começando a encher de perguntas sobre estar suspensa no ar e tudo mais. Foi necessário muita insistência para que conseguíssemos convencer as crianças a deixarmos o teatro e poder seguir para uma pizzaria que mamãe já tinha escolhido previamente.
— Ei, vou ter que pular fora da pizzaria, amigo — Jasper disse para mim, enquanto andávamos até o estacionamento. Algumas pessoas reconheciam todos nós ali, acenavam e tudo mais, mas estávamos focados em chegar aos nossos carros e não parar para conversa fiada, ainda assim, podíamos ver muitos olhares curiosos sobre Matt ali conosco.
— Por que você está nos abandonando, Jazzy? — Bella pendurada em meu braço perguntou com falso drama. — Você arranjou outro e está trocando Edward? Eu não sei se gosto disso, já tinha me acostumado ao nosso triângulo amoroso.
— Você está tão sarcástica hoje! — exclamei para ela.
— Sim, tem uma vadia inútil por ai querendo meu cargo e meu marido, acho que tenho razões para estar assim — ela se defendeu.
Ah sim, eu bem sabia disso, assim como sabia da ligação em meu celular feita para Irina. Uma ligação que eu com certeza não tinha feito, mas que sabia muito bem ter partido de Bella. Nunca perguntaria sobre aquilo, ela teria me contado se quisesse que eu soubesse, mas estava curioso para saber o quão forte Isabella tinha pisado na Denali.
— Viu? Eu sou o único ser loiro sem laços sanguíneos que você gosta que esteja perto de Edward — Jasper falou para Bella. — Agora, quanto ao jantar. Hoje é a inauguração de um restaurante tailandês, Alice estava louca para ir e eu já tinha tudo reservado sobre isso antes mesmo de...Bom, vocês sabem do que. — Ele fez uma careta. — Agora que ela e eu, estamos começando a nos entender melhor, achei que poderíamos ir até lá.
— Vá em frente — Bella disse. — Eu tinha a ouvido falar sobre esse restaurante antes, vai ser especial para vocês dois. E sim, Jazzy, você é o único loiro fora da família que eu aceito perto do meu marido.
— Que bom que vocês dividiram minha guarda, direitinho — falei.
— Sim, segunda, quarta e sexta você é todo da Bella. Terça, quinta e sábado é meu, aos domingos é seu dia livre — Jasper brincou.
— Por que eu fico sem nem um dia do fim de semana? — Bella reclamou. — Nós teremos de rever esse acordo, caubói.
— Sabe que não pode nos separar, Isa — Jasper a provocou de volta.
— Eca, eu odeio esse apelido. — Ela torceu o nariz. — Matt é incrível, não é? — perguntou a Jasper, vendo-o andando mais a frente junto com a irmã e Lucy, ele já parecia muito bem integrado as duas, enquanto Rose, Alice e Nelly conversavam.
— Entendo agora porque vocês se afeiçoaram a ele rapidamente. — Jasper bateu em minhas costas. — Parabéns, vocês não o fizeram, mas Matt é maravilhoso como Renesmee. Estou ansioso para ver esse menino crescer, eu definitivamente vou ser o tio legal.
— Lembra quando fomos para Ibiza na primavera 2005? Você foi muito legal naquelas férias Jazz, qual era o nome daquelas gêmeas que conhecemos lá mesmo? — perguntei animado a Jasper.
— Ei, não fale de suas aventuras aqui, principalmente comigo perto. — Bella beliscou meu braço.
— Ai porra, Bella — reclamei baixinho, ela apenas abriu um sorriso travesso para mim.
Porra, eu a amava muito.
Logo o grupo se dispersou, Jasper disse a Alice que tinha uma surpresa para ela, os dois parabenizaram Ness pela apresentação novamente e foram embora no carro do texano. Então, Nelly e Rose foram com Lucy e Anne no carro da minha irmã, uma vez que as duas estavam em um papo intenso sobre qualquer coisa e, Bella, Matt, Ness e eu seguimos no Volvo até a pizzaria que encontraríamos com elas.
Graças a minha direção maravilhosa nós não demoramos a chegar lá, a pizzaria era como mamãe tinha prometido, própria para as crianças e um lugar muito mais aconchegante do que costumávamos frequentar. A diferença já se podia notar na porta, nada de manobrista, ou reservas, mas tinham uma mesa grande suficiente para abrigar nós oito.
— Sério, anos oitenta? Onde mamãe encontrou esse lugar? — Rosalie perguntou quando nos acomodamos a mesa e identificamos a música tocando.
— Eu gosto — Bella disse, sentando na cadeira que puxei para ela sentar. — Será que eles tocariam Eye of the Tiger se eu pedisse?
— Por favor, não pense nisso — implorei, já tendo arrepios com aquela música, já bastava acordar com ela diariamente.
— Não finja que não gosta — ela falou para mim quando sentei ao seu lado. Rosalie estava sentada diante de mim com Anne em seu colo, Lucy ao seu lado, Ness ocupava uma cabeceira, Matt estava do meu outro lado perto da irmã e Nelly ocupava a outra cabeceira.
— Querida, eu realmente não gosto — declarei.
— Você gosta — ela insistiu, distribuindo os cardápios.
Nós todos passamos algum tempo discutindo o que pediríamos, mas conseguimos chegar a um consenso.
— Podemos ir brincar no parquinho? — Lucy perguntou em expectativa, olhando sem parar para trás de si onde tinha um parquinho, relativamente pequeno, mas com alguns brinquedos bem chamativos e as crianças já ali pareciam se divertir bastante.
— Okay, vão em frente enquanto as pizzas não chegam — Rose liberou.
Matt, Lucy e Renesmee não precisaram ouvir mais nenhuma palavra para praticamente correrem até o parquinho, mas Anne continuou agarrada a Rose.
— Baby, você não quer ir brincar com sua irmã e seus primos?
— Não — ela respondeu enfaticamente.
— Hey, eles tem uma piscina de bolinha, Anne — Nelly falou. — Você as adora, não? — Anne assentiu, olhando rapidamente para a piscina, mas não deixou o colo da mãe. — Que tal eu te levar até lá? — Nelly sugeriu.
— Olha só Anne, tia Nelly quer ir com você — Rose falou afagando as costas da filha.
— Okay — Anne concordou por fim, seguindo com Nelly até o parquinho.
— Deus, ela está com ciúmes de Matt e de mim — Rosalie anunciou.
— É de família — Bella falou, seguindo a garçonete com o olhar. — Ei mocinha, venha e me traga minha tequila, eu a mereço depois de descobrir que a Denali quer roubar meu lugar — murmurou, ainda seguindo a mulher com o olhar.
— Eu também merecia uma tequila.
— Você que decidiu vir dirigindo, lide com o fato de ser o motorista da noite, querido.
— Ou Nelly poderia dirigir na volta para casa — sugeri.
— Ei, nada de beberem tequila juntos, a última vez que fizeram isso tiveram uma gravidez não planejada — Rosalie alertou.
— É, faculdade, tanta coisa acontece nessa época, não é, Rose? — Bella sorriu maliciosamente para ela. — O que tem para nos falar sobre James Smith?
Rose fingiu uma tosse, bem na hora que garçonete decidiu servir nossas bebidas, tequila para Bella e refrigerante para nós dois.
— Não enrole, Rosalie, o que você e James já tiveram? — questionei, colocando sal na mão de Bella, deixando com que ela fizesse todo o show de beber tequila sozinha.
— É, eu acho que nunca tinha visto vocês dois em um mesmo lugar — Bella falou, ainda fazendo uma careta pela tequila. — Aliás, pensando bem parece que você sempre sumia quando ele aparecia em algum evento.
— Sexo, primeiro ano de Yale, vocês só vão saber isso — Rosalie falou, bufando.
— Oh, eu gosto disso — Bella comemorou. — Agora vocês dois se reencontram e podem dar certo.
— Sim, porque Rose está em uma comédia romântica — contestei.
— Querido, já falei, supere James ter vencido no ano passado no golfe. O verão está chegando, logo terá o evento de novo e você poderá ganhar dele.
— Eu com certeza irei ganhar, ano passado meu ombro estava machucado, o que me atrapalhou — me defendi.
— James e eu novamente? Não, sem chances! — Rosalie disse sabiamente. — Além do mais. — Se voltou para Bella. — Eu te disse que vi fotos e mais fotos dele e Irina no jantar de ontem, né? Acredite, com certeza não vou me rebaixar ao nível de Irina.
— Hey! — exclamei ofendido.
Bella gargalhou, agarrando-se ao meu braço e beijando minha bochecha.
— Tudo bem, querido, você está em um nível muito melhor agora.
Virei meu rosto na direção do dela, capturando seus lábios nos seus, podendo sentir ali o forte gosto de tequila. Suas mãos se firmaram em meu pescoço, enquanto eu mantinha uma nas suas costas, levando a outra até sua coxa, desejando que estivéssemos em casa para que eu pudesse arrancar a saia dela.
— Não, nem pensar, parem com isso! — Rosalie ordenou, nos afastando.
— Viu? Isso é um claro sintoma de falta de sexo, cunhada — Bella falou, voltando a se enfiar em meus braços.
— Você acha que eu devo mesmo ir jantar com o James qualquer dia desses? — minha irmã me perguntou.
— Não!
— Edward! — Bella resmungou. — Rose você deve, James é um cara bonito...
— Olá, sou Edward, seu marido — me apresentei a ela.
— E você é lindo e o mais bonito de todos, por isso nos casamos — ela disse, já sob efeito da tequila, Bella realmente era fraca para álcool.
— Como estava dizendo — voltou a falar com minha irmã. — Saia com James, apenas vá e se divirta, ou melhor, ligue para Emmett e o convide para um jantar.
— Qual é a da fascinação que você e mamãe tem com esse cara? — resmunguei.
— Ele é um cara bacana e está claramente interessado em Rose. — Bella deu de ombros. — E ela claramente nele.
Rose desviou o olhar para suas mãos.
— Você está? — a questionei.
— Um pouco — ela sussurrou.
— Eu sou team Emmett — Bella anunciou, Rosalie riu.
— Bella, você deve ficar em só uma dose de tequila, por favor.
— Você não estava desenvolvendo um enredo de comédia romântica para Rose e James ainda agora? — perguntei para Bella, ela assentiu.
— Emmett parece mais legal do que James, eu estou pensando em quem vai ser menos chato de suportar nas festas de família. Além do mais, Carlisle surtaria se soubesse que Rose está indo para a banda de um republicano.
— Arg, sim, o pai do James é insuportável — Rosalie falou.
— Isso quer dizer que você também é team Emmett? — indaguei.
Rosalie respirou fundo.
— Eu acho que ainda não sai do team Royce — murmurou.
— Ah não, Rosalie! — Bella e eu exclamamos juntos. — Escolha um time novo, garota — Bella ordenou, olhando ao redor. — Cadê a garçonete? Eu preciso de comida antes que a tequila me apague.
— Qual time você é? — Rosalie me perguntou baixinho contra o som de Let’s Dance do David Bowie que tocava ali.
Eu fui enfático em minha resposta:
— Team Rose, só quero ver você feliz e segura, irmã.
***
Nosso tempo na pizzaria foi ótimo, as crianças se divertiram, nós nos divertimos e deixamos de lado qualquer conversa sobre pretendentes da minha irmã, ou os problemas que o Grupo Cullen poderia começar a enfrentar em alguns dias por conta dos Denali. Infelizmente Anne ainda estava enciumada, a todo tempo querendo ficar agarrada a mãe, mas Rose garantiu que aquilo passaria em breve.
Depois de pizzas e mais pizzas, das crianças se fartarem no parquinho, tivemos de ir embora, já que no dia seguinte ainda teríamos que ir cedo para a casa dos meus pais. Não foi fácil convencer as crianças a acabarem a festa, nem a separar Lucy dos primos, ela e Ness sempre foram melhores amigas e Matt tinha vindo para mudar a dupla para um trio.
— Matt, o que acha de uma volta pela garagem com o Bugatti? — sugeri quando estacionei o Volvo na garagem do prédio, vendo meu amado Bugatti, seguramente protegido por uma capa, ali ao lado e, sentindo a chave no meu bolso.
— Sim, nós podemos? Por favor! — ele clamou empolgado com a ideia.
— Vão em frente, eu vou subir com as meninas — Bella falou, deixando o Volvo com Nelly e Renesmee.
— Não esqueça o cinto, Edward — Nelly ordenou.
— Pode deixar.
Sai do Volvo com Matt e nós dois trabalhamos em tirar a capa do Bugatti.
— Uau, é muito bonito — falou assim que pudemos ver o Bugatti.
— É lindo, né? — Suspirei, passando a mão pelo capô. — Vamos, você vai adorá-lo. — Abri a porta do carona para Matt, certifiquei-me que ele estaria seguro ali e fui para o local do motorista, abaixando a capota.
— Nossa!
— Você não ama esse carro? Eu amo esse carro! — declarei, ligando o mesmo, ouvindo bem baixinho o motor ganhar vida.
— Sim, eu amo esse carro! — Matt concordou, tocando no painel.
— Aqui, isso vai lhe dar muito estilo, filho. — Passei a ele os óculos de Sol que eu tinha colocado no porta luvas do Bugatti, deixando com que Matt os colocasse.
— Valeu. — Ele os colocou rapidamente.
— Uau, você parece um modelo — falei, Matt riu.
Era isso, eu estava reforçando a autoestima dos meus filhos, meu convencimento não era tão ruim assim no fim das contas.
Tirei o carro da vaga, começando a passear com ele pela garagem, infelizmente não ia poder ir rápido ali, mas pelo menos eu podia matar um pouco das saudades do Bugatti e Matt ter o prazer de andar naquela máquina. Durante nossas voltas, eu fui explicando mais sobre o carro para ele, assim como sobre direção em si, Matt me ouviu atentamente.
— Edward? — Matt me chamou, no meio da minha aula sobre diferença de motores.
— Sim?
— Você é legal — falou baixinho.
Aquilo me pegou de surpresa, por um instante quase esqueci que estava dirigindo, mas consegui manter parte da minha atenção na direção. Então, voltei o olhar para Matt, ele olhava para frente, sentado sobre suas mãos no banco do carona, seus pés não alcançavam o chão do carro, fazendo com que suas pernas ficassem balançando ali.
— Você também é muito legal, Matt. — Toquei em seu ombro, ele olhou para mim, dando um sorriso mínimo.
— Valeu.
Demos mais algumas voltas pela garagem, daquela vez em silêncio, somente aproveitando o momento. Então, antes que ficasse muito tarde, devolvemos o Bugatti em segurança para a vaga dele, o cobrimos outra vez e subimos para nosso apartamento.
Nelly avisou que Bella estava tomando banho, que Ness já tinha dormido e depois que eu assegurei que podia colocar Matt na cama sozinho, ela foi dormir também. Matthew era muito mais fácil de se por na cama, Renesmee caso não estivesse com sono precisava ser muito bem convencida daquilo, mas ele aceitava o comando de ir para cama muito bem.
Depois de eu ajudá-lo no banheiro, o levei para a cama, conversamos por alguns minutos sobre a peça, o Bugatti e a pizzaria que fomos, Matt queria muito voltar até lá, mas logo ele dormiu, agarrado ao pinguim Eddye e usando o pijama de pinguim que mamãe tinha lhe dado.
— Boa noite, filho. — Beijei sua testa, sorrindo para sua figura adormecida.
Antes de ir para meu quarto com Bella, passei pelo de Ness, chequei que ela estava bem, então por fim fui para a suíte. Segui até o banheiro, vendo Bella na banheira, mexendo no celular.
— Posso me juntar a você? — Chutei meus sapatos para longe.
— É um banho para um, querido — ela falou com um sorrisinho petulante, sem tirar os olhos do celular.
— Tudo bem, eu posso apenas olhar. — Sentei na borda da banheira, ela apenas sorriu mais, continuando a mexer no celular. Nós dois sabendo que ou ela acabaria cedendo, ou eu teria de implorar mais para me unir a ela. — Carlisle disse hoje que irá me apoiar ao cargo de presidente do Grupo Cullen no futuro — contei, fazendo com que Bella me olhasse.
— Edward! — ela gritou extasiada.
— Eu sei. — Ri. — Também fiquei em choque quando ele disse isso.
— É tudo que você queria, amor. — Ela jogou o celular de lado na bancada junto à banheira, deixando que eu visse uma foto de Irina na tela.
— O que você está fazendo vendo fotos da Irina? — perguntei confuso, pegando o celular dela, lendo uma postagem de Irina no Instagram falando: Grandes mudanças estão acontecendo em minha carreira, Chicago mal pode esperar por tantas novidades.
— Nada, é apenas uma idiotice.
— Bella! — exclamei, balançando a cabeça em negação. — Eu já disse, Carlisle não vai voltar atrás e aceitar a chantagem dos Denali, não fique se preocupando com isso.
— Eu sei, eu sei, seu pai e eu conversamos sobre isso mais cedo. — Ela se remexeu na água. — É que eu estava aqui, tentando tomar um longo e relaxante banho, como tanto queria desde manhã. Mas, ai Irina voltou a minha mente, em como ela fica por ai em uma rede social idiota bancando a dona do mundo, em como ela ainda te quer. E, bom eu não te disse, mas liguei do seu celular para Irina, agora estou me perguntando se isso não foi estupidez da minha parte, não devia ter a deixado saber que pode me abalar. — Ela suspirou. — Foi apenas um dia muito longo — sussurrou. — Só não consegui tirar isso tudo da minha mente.
Devolvi o celular dela para bancada, pegando o meu no bolso da minha calça. Mexi ali por um tempo, sentindo o olhar de Bella sobre mim.
— O que está fazendo? — perguntou sem conter sua curiosidade.
Virei o celular em sua direção, deixando com que ela visse o post no Instagram que tinha acabado de publicar. Nós dois não éramos fãs de redes sociais, mas as tínhamos por conta do trabalho e vez ou outra usávamos, quase nunca para fins pessoais.
— Essa é a primeira foto que tiramos juntos, no dia que aceitou ser minha namorada. Hoje é minha esposa e a mãe dos meus filhos. Lhe digo isso todo dia, mas talvez algumas pessoas precisem saber também: amo você, Bella. Não me importa o que digam e o que pensem de nós, sempre te amarei. E, sei que é a minha garota certa, pois o sorriso compartilhado nessa foto é apenas uma das provas disso. Então, que venham mais sorrisos ao seu lado, querida. — Bella leu em voz alta. A foto era uma tirada por Alice, de Bella e eu no sofá do antigo apartamento que dividi com Jazz em Harvard, nós sorriamos um para o outro e mesmo tantos anos depois ainda era uma das minhas fotos preferidas.
— Bom, já que você quer ver fotos no Instagram, eu tenho certeza de que uma de nós dois é muito melhor do que uma de Irina — falei, Bella tirou o meu celular da minha mão, o colocando junto ao seu.
— Chaves?
— Na mesinha de cabeceira do quarto — respondi.
— Excelente. — Ela me puxou para banheira, de roupa e tudo, junto consigo, fazendo com que eu risse do ato. — Eu amo você — falou, segurando em meu rosto, sorri mais, fazendo com que ela sorrisse também.
— Aqui estão os sorrisos, querida — disse, ela assentiu, ainda segurando meu rosto, olhando para mim cheia de paixão.
— Eu aceitaria mil outras vezes, ser sua namorada, sua esposa, mãe dos seus filhos.
Toquei em suas costas nuas e molhadas, sentindo-a se arrepiar com meu toque.
— Você sabe — ela falou, gemendo quando beijei seu pescoço, deixando outra mão chegar a um de seus seios. — Eu sempre serei team Edward, querido.
Olhei para ela, vendo seu rosto preso em prazer e alegria.
— Eu também sempre serei team Bella, querida.
***
Acordei no meio da madrugada, sem saber realmente o que de fato tinha me despertado. Bella continuava dormindo tranquilamente ao meu lado, o que queria dizer que não tinha sido ela me fazendo acordar.
Acabei saindo do quarto, indo verificar se estava tudo certo no apartamento. Eu tentei não surtar quando entrei no quarto de Ness, vendo o local vazio sem minha filha ali, fui até o de Matt e ele também não estava lá.
Antes de chamar por Bella, decidi ser racional e checar se os dois não estavam no primeiro andar. Não os vi na sala, no meu escritório, ou na sala de jantar, o que me fez seguir rapidamente até a cozinha, por fim os encontrando ali.
Eles estavam sentados à mesa, com um pote de cookies diante deles. Riam e conversavam baixinho, eu também podia ver o Kindle de Renesmee ali.
— Crianças? — os chamei, atraindo a atenção de ambos. — Vocês me deram um belo susto, sabiam? — Suspirei, passando a mão pelos cabelos.
— Desculpe, pai — Ness pediu. — É que eu acordei com fome, ai passei no quarto de Matt e o acordei também para que a gente viesse comer cookies. Estou de castigo?
Eu ri, aquilo não era muito legal, mas também não era o fim do mundo. Eles podiam fugir da cama por uma noite para assaltar o pote de cookies, na verdade, olhar para os dois juntos era bem nostálgico, me fazia lembrar de quando Rose e eu tínhamos a idade deles e decidíamos zanzar pela mansão durante a madrugada para brincar, ou simplesmente ir atrás de doces na cozinha.
— Tudo bem, vocês não vão ficar de castigo. — Sentei diante deles, os dois sorriram, aliviados com a noticia, voltando a comer e Matt a mexer no Kindle de Ness, nem precisei olhar para saber que era Harry Potter ali.
— Eu estava ajudando o Matt a ler — Ness contou. — Ele já está gostando muito de Harry Potter, como eu disse que gostaria — falou cheia de si, mas aconchegou-se ao irmão, repousando a cabeça no ombro dele.
Eu só consegui sorrir, amando vê-los juntos. Não estava sendo sonhador demais, achando que sempre seria fácil para todos nós, mas aqueles momentos mágicos eram maravilhosos, eu os amava.
— Ei? — chamei por eles, fazendo com que os olhos de ambos se voltassem para mim. — Vocês precisam saber de algo.
— O quê? — Matt perguntou.
— Até algum tempo atrás eram filhos únicos, eu não sei como é ser um filho único, mas parece ser bem chato. Então, agora vocês tem um ao outro e isso é muito bom, sabem por quê?
— Por quê? — perguntaram juntos.
— Porque, um irmão sempre vai estar lá por vocês. — Afaguei o rosto de ambos. — Não percam isso, esse laço que vocês tem. Bella tem o mesmo laço com Bree, eu tenho com Rose. Desde as pequenas coisas, até as coisas muito importantes, sempre é bom ter alguém com quem contar sempre, uma irmã, um irmão, podem ser ótimos apoios para a vida.
Eles assentiram, parecendo pensar sobre aquilo.
— Amo você, irmãozinho — Ness falou para Matt, eu sorri ao ouvir aquilo. Bella surtaria quando soubesse da frase, mas sabia que ainda iriamos ouvi-la muito ao longo dos anos.
Renesmee deu um forte abraço em Matt, sem se importar se ele tinha devolvido a frase ou não. Ela quase o derrubou da cadeira, fazendo com que os dois rissem daquilo.
— Sempre vou cuidar de você — Ness disse quando se afastou, estendendo o dedo mindinho para ele, Matt entrelaçou o dele ao dela, repetindo.
— Vou cuidar de você também.
Eles ficariam bem, eles tinham um ao outro pelo resto da vida, como Rose e eu.
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