Nossa Família
7 Capítulo Seis — Casa
Notas iniciais
— Capítulo Seis —
— Casa —
Edward Cullen
Chequei mais uma vez o painel, só confirmando que o voo estava atrasado. Suspirei, tomando um longo gole do café em meu copo, enquanto via o movimento próximo ao portão de desembarque internacional só se intensificar enquanto um voo vindo de Paris chegava.
Era domingo de manhã, por volta das onze horas. Rosalie e minhas sobrinhas finalmente estariam de volta a Chicago. Quando minha irmã me ligou na quinta-feira, anunciando que tudo estava finalmente resolvido, pelo menos burocraticamente, para a volta dela e de minhas sobrinhas, parte da carga negativa que pairava sobre minha cabeça aquela semana se dispersou.
Bella e eu só tínhamos recebido a autorização para uma visita a Matthew no abrigo na sexta-feira, mas com a necessidade de um agendamento, só poderíamos visitá-lo na terça-feira. Tanya tentou conseguir informações mais especificas sobre ele, assim como seu estado de saúde, mas o pessoal do abrigo apenas dizia que ele estava bem.
Foi um resto de semana longo, mas pelo menos Rose estava voltando com as meninas para trazer um ar fresco a Chicago. Ela tinha pedido que eu fosse buscá-las, enquanto o resto de nossa família nos esperaria na casa dos nossos pais. Foi difícil convencer minha mãe e Renesmee que não devíamos ir todos até o aeroporto, eu entendia minha irmã, ela queria pelo menos alguns minutos de tranquilidade antes de ser sufocada.
— Matthew, venha aqui agora! — Meus olhos saíram do portão de desembarque, voltei-me para trás automaticamente ao ouvir o nome.
Mas, tudo que vi foi uma mulher loira correndo atrás de um garotinho que devia ter no máximo três anos de idade.
Esfreguei uma mão no rosto, querendo despertar um pouco, tomei o resto do café, jogando a embalagem vazia no lixo. Para meu alivio, o painel finalmente informou que o voo vindo de Dubai tinha acabado de pousar.
Suspirei aliviado, andando até mais perto do portão, disputando um lugar com outras pessoas que esperavam parentes e amigos ali. Alguns minutos depois, eu as vi, atrás de dois funcionários da companhia que carregavam carrinhos com malas que só poderiam ser delas.
Lucy, a filha mais velha de Rosalie, vinha um pouco mais a frente, usava roupas quentes e um cachecol que eu sabia ter sido um presente de Bella no último natal. Junto a Lucy, estava Anne, segurando firmemente na mão da irmã mais velha, ela parecia muito crescida para ter só quatro anos de idade.
Então, vi minha própria irmã mais velha. Rosalie usava óculos escuros grandes, que cobriam muito de seu rosto, mas seus lábios pálidos graças a ausência de maquiagem, os cabelos presos em um rabo de cavalo baixo e falta de saltos em seus pés eram indicativo suficiente para que percebesse que ela não estava em seu melhor estado.
Eu tinha crescido vendo minha irmã se tornar uma mulher que sempre tinha todos os olhares masculinos sobre si, como muitos femininos também. Ela era uma pessoa extremamente inteligente, mas estar muito bem arrumada também era algo importante em sua vida.
Vi Rosalie dar um sorriso vacilante quando me viu, ela tinha os braços em torno de seu próprio corpo, parecendo frágil como eu nunca vi antes. Aquilo só aumentou em 200% minha vontade de exterminar Royce por ter bagunçado a cabeça dela.
Eu quebrei o cordão de isolamento que levava ao portão, ganhando um olhar furioso de um dos seguranças, mas apenas mantive meus passos firmes até Rosalie. No momento que cheguei até ela, envolvi minha irmã em meus braços, sentindo-a se segurar em mim.
— Dói tanto, Edward — murmurou com a voz cheia de sofrimento.
— Eu sinto muito, nós vamos fazê-la se sentir melhor — prometi, afagando suas costas. — Você está em casa agora, Rose.
Rosalie assentiu em meus braços, então se afastou, abaixando o olhar para as meninas paradas junto a nós dois. Nosso pequeno grupo causando um desvio para as pessoas que chegavam.
— Vocês estão tão crescidas! — exclamei, então carreguei as duas de uma só vez em cada braço.
— Oi, tio Eddye! — Lucy enterrou seu rosto em meu pescoço, me abraçando com força, enquanto eu caminhava com elas para longe do portão.
Eu as sentei lado a lado em cadeiras no saguão, analisando como elas realmente pareciam mais crescidas desde dezembro quando as vi pela última vez. Mas, o que me preocupava era o olhar triste de Lucy, esperei que Renesmee em toda sua glória de encrenqueira conseguisse animar um pouco a prima.
— Oi Anne, você não vai falar comigo?
Diferente de Lucy, Anne parecia emburrada.
— Oi — sussurrou.
— Ela está cansada, todas estamos — Rose disse, apertando meu ombro. — Podemos ir logo passar pelo grande almoço familiar? Foram cerca quinze horas no avião.
— Claro, vamos! — Peguei Anne no colo, a aconchegando em meus braços para que não ficasse muito estressada com toda a movimentação do aeroporto.
Seguimos até a saída do aeroporto, tomando dois táxis para que pudéssemos conseguir levar todas as malas que vieram com elas. Anne logo se enfiou nos braços da mãe, querendo ir no carro com ela, Lucy, como Rose tinha dito alguns dias atrás parecia mais leal do que nunca a mãe, indo junto com ela também.
O táxi que eu estava chegou com algum tempo de dianteira, questão de tempo suficiente para que meus pais saíssem apressadamente de sua casa, para poder esperar lá fora pela filha. Quando Rosalie saiu do táxi, ela praticamente correu até nossa mãe.
— Oh bebê, finalmente, finalmente! — Esme exclamou, apertando Rosalie em seus braços.
— Meninas, vamos entrar — chamei minhas sobrinhas, enquanto os empregados da casa dos meus pais pegavam as malas dos carros, as levando para dentro. — Renesmee está louca para vê-las.
Deixei meus pais tomando conta de Rose, levando as garotas comigo para dentro.
— Bella?
— Na sala de jogos, amor! — A ouvi gritar de lá, então conduzi as duas garotinhas loiras até a sala que mamãe tinha em sua casa desde que Rose e eu éramos crianças.
Era o meu paraíso quando criança e adolescente. Tinha uma tela enorme para vídeo-game, mesas de sinuca, pebolim e hóquei.
— Lucy, Lucy, Lucy! — Renesmee gritou, atravessando a sala e se atirando nos braços da prima. — Você está aqui! — As duas começaram a pular e a rodar no chão, matando as saudades.
Senti pena da senhora Hanson, com mais uma Cullen para acompanhar Renesmee em sua escola.
— Oi lindinha, como você está? — Bella se aproximou de onde eu estava com Anne em meu colo.
— Oi tia Bella — murmurou, esticando os braços para a tia, que prontamente a carregou.
— Sentimos sua falta, Anne — minha esposa falou, dando um beijo barulhento na bochecha de Anne. — Você quer brincar um pouco? — Apontou para o vídeo-game, que estava pausado em Just Dance, nada novo vindo de Renesmee.
— Não. — Anne se agarrou a Bella, entrelaçando suas perninhas curtas ao redor dela.
— Tudo bem, linda, você pode jogar depois.
— Pai, pai! — Renesmee correu até mim, se agarrando em minha perna, em puro êxtase. — A Lucy pode morar lá em casa? Eu divido minha cama com ela, por favor, diz que sim.
Bella apenas riu, afastando-se com Anne até onde Lucy estava. Dando um beijo e abraço na mais velha.
— Filha, Lucy vai morar aqui por um tempo, até que ela se mude com a tia Rose e Anne para um lugar novo.
— Mas... — Renesmee começou, até que sua mente se ascendeu, eu podia ver a lâmpada em cima de sua cabeça brilhando. — Tia Rosalie está aqui! — gritou, nada surpreendentemente, correndo para fora da sala de jogos.
— Ela exagerou no açúcar, minha culpa — Bella disse. — Vamos, logo o almoço será servido. — Afagou os cabelos de Lucy, ainda mantendo Anne em seu colo.
Deixamos a sala com as meninas, encontrando com meus pais e Rose já na sala principal. Minha filha estava no colo da tia, Rosalie tinha se livrado dos óculos, enquanto conversava com Nessie.
— Papai e mamãe fazem sexo, você faz sexo, tia Rose? Eles chamam de peça!
— Por Deus! — Bella entregou Anne a Esme, enquanto Carlisle já tomava Lucy em seus braços. — Filha, você não pode sair perguntando sobre isso para todo mundo, por favor — Bella pediu.
— Sabe Nessie — Rosalie começou, dando um sorriso travesso para Bella e eu. — Uma vez seus pais e eu viajamos para a casa de praia da família em Long Island, o quarto deles era bem ao lado do meu. Eu os ouvi ensaiando uma noite...
— Rosalie...
— Sua mãe grita muito enquanto está nessa peça, né?
— Sim! — Renesmee assentiu.
— Okay, chega! — Tirei Ness do colo da tia.
— Senti sua falta, cunhada — Rosalie abraçou Bella.
— Eu também. — Bella se afastou, segurando nas mãos da minha irmã, olhando diretamente em seus olhos. — É muito bom te ter de volta a Chicago, Rose.
— É bom estar de volta. — Rosalie sorriu mais um pouco, olhando a casa que crescemos. — Aqui parece menor para você? — perguntou a mim.
— Isso é alguma ofensa ao trabalho que tive reformando a casa? — mamãe perguntou brincando. — Agora. — Colocou Anne no chão. — Quero todos se movendo até a sala de jantar, há comida para um batalhão lá agora que o clã Cullen finalmente está reunido.
— Deus, estamos em desfalque aqui, filho — Carlisle falou, eu ri assentindo, estávamos sufocados no meio das garotas Cullen.
Nosso almoço tinha sido agradável, evitamos tocar no assunto que levou Rose e as filhas de volta a Chicago e, passeamos por conversas fáceis. Focamos apenas em ter uma refeição despreocupada todos juntos, mesmo sabendo que os assuntos complicados apareceriam uma hora ou outra.
Depois que terminamos a sobremesa, uma torta de maça feita por Bella na noite anterior, meus pais seguiram com as crianças para a sala de jogos. Papai era absurdamente ocupado com tanto trabalho, ele preservava muito quando tinha as meninas todas reunidas, sempre dizendo que tinha perdido muito da minha infância e de Rose.
Rosalie, Bella e eu atacamos a adega de Carlisle, pegando um de seus melhores vinhos, nos refugiando na sala de estar. Eu sentei no chão perto da lareira, com Bella se aninhando ao meu lado, enquanto Rosalie estava do outro lado da mesinha de centro, deitada no chão encarando o teto.
— Foi aterrorizante, quando acordei uma manhã e as mensagens estavam em meu celular — ela narrava sobre quando descobriu sobre as traições. — Olhei para o homem ao meu lado e me senti deitada ao lado de um estranho, era como se eu não pudesse reconhecê-lo. Estava em estado de choque, apenas levantei, me arrumei e fui acordar as meninas para o dia de aula. Royce ainda não tinha checado suas próprias mensagens, então tomamos café todos juntos, ele fazia planos e mais planos sobre o fim de semana que estava chegando, eu tentava acreditar que o teor daquelas mensagens não eram verdadeiras, que ele não tinha me traído.
Ela sentou, capturando a garrafa de vinho e enchendo sua taça.
— Bom, sabemos agora que foi verdade. — Tirou seu cabelo do rabo de cavalo, os bagunçando um pouco.
— Nós podemos matá-lo, ninguém vai descobrir — sugeri, Rosalie deu uma risada triste.
— Ainda sinto falta dele — sussurrou.
— É compreensível — Bella disse, enchendo sua própria taça.
— É? Ele a traiu, Bella — lembrei irritado.
— Edward, eles foram casados por mais de uma década, tem duas filhas juntos, praticamente uma vida inteira lado a lado. Sim, é compreensível. Eu também sentiria sua falta se você me traísse e nos separássemos. — Seus olhos passearam por meu rosto. — Costume é uma palavra rasa, mas é uma que pode ser usada aqui, eu me sentiria desnorteada sem ter você ao meu lado.
Okay, eu a entendi, era compreensível.
— Mas, isso não quer dizer que você não pode se reerguer — Bella voltou a falar com Rosalie, que tinha o queixo apoiado em suas mãos. — Royce foi um grande cretino, não apenas com você, mas com as meninas também, ele desrespeitou as três quando a traiu. Nós infelizmente não podemos matá-lo. — Gesticulou de mim para ela. — Mas vamos cuidar para que você se restabeleça e possa superar tudo isso.
— Eu amo vocês — Rose fungou, sua fala já enrolada devido ao vinho.
— Nós também te amamos, mas talvez você deva parar com o álcool agora. — Estiquei minha mão para a taça dela, mas Bella bateu em mim de leve.
— Não, deixe-a, ela estava só com as garotas em Dubai segurando tudo isso sem poder encher a cara, vamos deixá-la afogar as magoas em vinho por um dia. Além do mais, seu pai tem uma adega incrível, seria um desperdício ignorá-la.
Rosalie e Bella brindaram, se tivéssemos mamãe reunida com elas era provável que o teor alcoólico já estive bem mais alto.
— E vocês? Alguma novidade? — minha irmã perguntou.
— Além de Renesmee espalhando para todos sobre nossa vida sexual?
Rosalie riu da frase de Bella, assentindo.
— Eu amo a filha de vocês, ela é idêntica a este encrenqueiro. — Sorriu gentilmente para mim. — Senti sua falta, irmãozinho.
— Eu também.
— Vamos, novidades, quero novidades! — Rose exigiu. — Algo maravilhoso, incrível, que me faça sair dessa fossa.
— Bom, Edward e eu estamos planejando ter outro filho, vai demorar um pou...
— Oh porra! — Rosalie levou as mãos ao coração, interrompendo Bella. — Um bebezinho? Isto é mais maravilhoso do que eu podia imaginar, vocês já estão tentando?
— Ainda não, só em alguns meses, estou protegida — Bella disse. — De qualquer forma, ainda teremos os de Tanya antes.
— Cinco meses, já? Ela deve estar gorda.
— Explodindo! — Bella concordou. — Eu vou engordar — ela choramingou.
— Você vai ganhar peitos, talvez eu devesse colocar silicone e te acompanhar.
— Bom Deus, mudem de assunto! — implorei, desabando sobre o chão.
Fui ignorado.
As duas tinham uma conversa sobre gravidez, cirurgias plásticas e o planejamento da vida amoroso da minha irmã, o que terminou com ela falando que odiava depender de vibradores. Em algum momento cochilei ali mesmo, sentindo Bella afagar meus cabelos e rosto.
Quando acordei, meio confuso e com minhas costas gritando por estar estirado no chão, a conversa tinha mudado. Elas conversavam sobre Matthew, eu nem precisei ouvir o nome dele, uma vez que Bella falava com tanta tristeza sobre aquela noite.
— Deus, isso é cruel — Rosalie limpou os olhos cheios de lágrimas, tocada pela história, mas também sofrendo os efeitos da bebida. A garrafa de vinho já tinha acabado e uma segunda já estava aberta sobre a mesa. — Como pretendem ajudá-lo?
— Alguma assistência, ele provavelmente será entregue a algum parente próximo quando o pai perder oficialmente sua guarda.
— Ele vai? — perguntei a Bella, sem saber tanto daquilo.
— Sim, falei com Tanya enquanto você estava no aeroporto. Ela não tem informações sobre a mãe de Matthew, a mulher pode até mesmo estar morta, a questão é que pelo que Tanya entende de casos de guarda, com o pai preso, Matthew será entregue a algum parente.
— Parente que até agora não se deu ao trabalho de procurar por ele. — Rolei os olhos, recuperando minha taça.
— Edward, você não sabe a situação, não julgue! — Rosalie chamou minha atenção.
— Eu sei o que vi aquela noite, Rose. — Coloquei vinho novo para mim. — Um menino mais novo do que minha filha morrendo de fome e frio, agora está preso em um abrigo sem cuidados realmente necessários a uma criança, depois vai ser transferido para a casa de um parente qualquer.
— Isso é você julgando! — Rosalie insistiu. — Olhe a sua volta, Edward. Nós crescemos em uma mansão, não sabemos como é passar qualquer tipo de necessidade, nossas filhas tem tudo do mais alto nível como tivemos. É fácil apontar para os outros e dizer que eles não estão se esforçando enquanto as oportunidades que tiveram em suas vidas foram completamente diferentes das nossas.
— Ela está certa. — Bella descartou sua taça. — Nem mesmo eu estive no nível social que Matthew. Meus pais não eram milionários, mas eu nunca passei qualquer tipo de necessidade.
— O importante é que vocês dois estão se solidarizando a ajudar Matthew, que não agiram como a velha louca do restaurante surtando por algo assim. Isso ainda é mais eficaz do que os milhares de eventos de caridade que as pessoas nesta cidade participam — Rosalie declarou. — Continuem assim, quem dera se Royce tivesse um pouquinho de amor ao próximo como vocês dois tem. — Ela se colocou de pé, equilibrando-se em suas pernas bambas. — Estou exausta, vou subir e dormir, foi bom vê-los.
— Leve-a, ou ela não vai passar do primeiro degrau — Bella cochichou para mim, prontamente levantei, indo ajudar Rosalie a chegar ao seu quarto no andar superior.
— Você e Bella são maravilhosos, irmãozinho — Rosalie disse, enquanto eu abria a porta, a colocando dentro do quarto, sentando-a na cama para tirar seus sapatos. — Matthew deve ter sofrido tanto, mas ele encontrou dois padrinhos em sua vida.
— É normal estar tão preocupado sobre ele? — perguntei. — Ele esteve em minha cabeça durante toda a semana.
Rose sorriu, assentindo. Ela jogou-se contra os travesseiros, cobrindo-se com o cobertor ali.
— Na de Isabella também?
— Sim — confirmei.
— Padrinhos talvez não seja o termo certo. — Seus olhos se fecharam.
— Rosalie? O que quis dizer? — Balancei as mãos diante seu rosto, mas já era tarde demais, ela já estava apagada.
Afaguei seus cabelos, feliz em tê-la por perto de novo.
***
Na segunda-feira eu levei Renesmee a escola sozinho, Bella estava ocupada com um congresso que aconteceria no hotel, então teve de sair bem mais cedo de casa. Sendo assim, a garotinha falante e eu seguimos até seu colégio em meu Volvo.
— Por que você gosta tanto desse carro, papai? — perguntou, enquanto eu afivelava o cinto dela, garantindo que estava segura ali.
— Ele é rápido, Princesa — respondi, fechando a porta e ocupando meu lugar no banco do motorista. — Você vai entender sobre carros rápidos quando tirar sua carteira, nada mais chato do que lentidão.
— Mamãe diz que carros rápidos são perigosos.
Ela não dizia aquilo quando estava com pressa.
— Mamãe está parcialmente certa, mas eu sou um excelente motorista e não vou nos meter em um acidente.
— O sinal está amarelo, isso significa que você devia desacelerar não aumentar a velocidade — Renesmee falou, pude vê-la rolando os olhos pelo retrovisor.
Definitivamente filha de Isabella.
— Papai?
— Sim? — perguntei, enquanto tentava não xingar o motorista da frente que dirigia como uma lesma.
— Onde está o tio Royce? Por que as meninas e a tia Rose vieram sem ele para Chicago? Lucy não me respondeu quando perguntei, apenas ficou com os olhos cheios de lágrimas.
Suspirei, nós não tínhamos explicado a vinda de Rosalie e das primas para Renesmee com detalhes, apenas dissemos que elas estariam voltando para Chicago.
— Ness, filha, Royce não é mais seu tio — comecei, checando a expressão dela, confusa. — Ele e tia Rosalie não são mais um casal.
— Por que não?
— Porque algumas vezes os casais deixam de se amar e tem de se separar, igual a vovó Renée e o vovô Charlie. Eles também terminaram o casamento e se separaram, não são mais um casal.
— Mas o vovô Charlie ainda é meu avô mesmo tendo se separado da vovó Renée?
— Sim, filha, pois ele nunca vai deixar de ser o pai da sua mãe. Royce também nunca deixará de ser pai de Lucy e Anne, mas como ele não é mais casado com sua tia, ele não é mais seu tio. Royce decidiu ficar em Dubai, foi a escolha dele, então Rosalie e suas primas decidiram vir para Chicago.
— E elas vão ficar longe do pai delas? Isso é ruim, papai, eu odiaria ficar longe do senhor!
— Infelizmente eles ficarão afastados, princesa, mas às vezes a vida é assim. Por isso temos de fazer Anne e Lucy se sentirem em casa aqui em Chicago, já que o pai delas estará longe.
Renesmee ficou em silêncio pelo resto do caminho até sua escola, ela parecia perdida em seus pensamentos, enquanto olhava pela janela.
— Ei, tudo bem, princesa? — perguntei quando a tirei do carro, já no estacionamento do colégio, carregando sua mochila. Ajoelhei-me diante dela, vendo seus olhos verdes, assim como os meus, aflitos. — Filha, diga o que está pensando — pedi, colocando uma mecha de cabelo solto de seu rabo de cavalo atrás de sua orelha.
— Você e a mamãe vão deixar de se amar algum dia? — perguntou preocupada. — Então, vão se separar? Ai eu vou ter que morar só com a mamãe e não vou mais vê-lo?
Firmei as rodinhas de sua mochila no chão, tomando o rosto dela entre minhas mãos.
— Renesmee Carlie Cullen, você um dia encontrará alguém em sua vida que amará tanto quanto sua mãe e eu nos amamos — comecei. — Esse alguém irá te fazer muito feliz, fará com que você se sinta a pessoa mais especial do mundo. Amores assim não acabam, amores como o sua mãe tem por mim e o que eu tenho por ela são eternos, eu lhe prometo que nós nunca iremos nos separar.
Renesmee assentiu, parecendo bem mais calma.
— Nunca, papai? Isso me deixaria triste.
Eu sorri, beijando sua testa.
— Nunca, é uma promessa. — A abracei. — Sua mãe é uma mulher fantástica, ela me deu o melhor presente do mundo que é você, Princesa, eu não seria louco de perdê-la. — Voltei a olhar em seus olhos. — Nós somos uma família, filha, nunca deixaremos de ser.
Renesmee abriu um grande sorriso, voltando a se jogar em meus braços.
— Eu amo você, papai!
— Amo você também, princesa.
— Eu posso matar aula e ir para casa brincar com Lucy?
Eu ri de sua tentativa de me pegar de guarda baixa.
— Lucy ainda está se recuperando da viagem, filha. — Voltei a ficar de pé, pegando sua mochila e com a mão livre segurando a de Renesmee. — Ela virá estudar aqui com você na semana seguinte, tenha um pouco de paciência.
— Okay — lamentou.
No momento que começamos a nos deslocar para o interior da escola, o ataque começou. Eu me diverti um pouco, pensando quão irritada Bella ficaria vendo aquelas mulheres me lançando olhares e saudações de bom dia em exagero. Era sempre bom ter Bella irritada — com outras pessoas, não comigo — quando isso nos levava a sexo.
— Senhor Cullen, é um prazer vê-lo! — a professora de Renesmee exclamou a me ver, deixando para trás uma mãe sem se importar em se despedir.
— Olá senhorita Heffley. — Entreguei a mochila de Renesmee a ela, minha filha se distraindo com alguma colega dentro da sala. Aquelas crianças eram tão parecidas, todas loiras, eu sequer podia distingui-las. — Pode me dizer como Ness está indo?
— Incrível como sempre, ela é um gênio! — Ela sequer olhou para Renesmee ao dizer aquilo.
— Eu acredito que minha esposa já falou sobre a peça, certo?
— Sim, a peça. — Ela sequer escondeu seu sorriso malicioso.
— Certo, nós não queremos Renesmee ganhando papéis principais em todas as peças por conta de seu sobrenome, estou sendo entendido? — Meu rosto automaticamente ficou sério.
— Ah claro. — A professora murchou um pouco. — Sua esposa. — A boca dela se retorceu um pouco. — Ligou para pedir que Renesmee seja removida do papel principal. Vocês tem certeza disso, senhor Cullen?
— Sim, Nessie gostaria muito de ser a casa — falei, lembrando-me daquilo.
— A casa? — A mulher loira fez uma careta. — Ela é bonita demais para ser a casa, fora que é uma Cullen...
— Não se preocupe, nós Cullen, não vemos problema algum em sermos casas — afirmei. — Eu tenho de ir ao trabalho agora.
— Claro, claro. — Assentiu. — Renesmee, princesa, venha se despedir de seu pai. — Foi minha vez de fazer uma careta ao ouvi-la chamar minha filha daquela forma.
Renesmee deixou a sala, vindo até meus braços, prontamente a carreguei.
— Tchau papai! — Beijou minha bochecha.
— Até mais tarde, filha. — Beijei sua bochecha também. — Comporte-se!
— Eu vou tentar — prometeu, fazendo com que eu risse.
A recoloquei no chão, despedi-me da professora, então parti para o trabalho.
***
O dia na empresa já começou com uma longa reunião com Carlisle, eu tentava não dormir em minha cadeira enquanto os outros diretores das mais variadas áreas apresentavam todos seus relatórios. Quando chegou minha vez tentei ser o menos entediante possível, todo mundo sabia que números eram chatos, eu gostava deles, mas o resto da população os odiava.
— Você pode ter uma reunião comigo amanhã de tarde? Para revermos o dinheiro investido no novo hotel na Alemanha com mais calma — Carlisle perguntou quando a reunião daquela manhã acabou.
— Na verdade não — respondi, começando a juntar toda minha papelada. — Bella e eu temos um compromisso inadiável.
— Qual? — Carlisle perguntou curioso, tirando os óculos de grau de seu rosto, massageando os olhos.
— É uma longa história — murmurei, olhando para a secretária dele ali perto revisando as anotações da reunião. — Podemos conversar em sua sala?
— Claro!
Nós fomos até a sala da presidência, meu estômago e minhas pernas me levando automaticamente até o frigobar de Carlisle, pegando bolo que sabia que tinha ali. Ele sempre tinha bolo em sua sala.
Sentamos e conversamos um tempo sobre Matthew, Bella e eu não tínhamos falado dele para ninguém de nossa família com exceção de Rosalie no dia passado e Renesmee que sabia desde o começo. Então, meu pai ficou surpreso e incomodado ao ouvir toda a história.
— Preso por tráfico de drogas? Edward, isso é sério, tem certeza de que quer se envolver nesse assunto? Pode ser perigoso.
— Não estamos nos envolvendo com o pai de Matthew — falei, terminando de comer o pedaço de bolo. — Não se preocupe, okay? Não estamos correndo risco algum. — Levantei ao ver a hora no relógio em meu pulso. — Eu realmente preciso ir agora, Carlisle, tenho outra reunião.
— Claro, abra um espaço na sua agenda para nossa reunião.
— Cuidarei disso. — Deixei a sala dele, descendo até o andar financeiro.
Passei por Jessica pedindo que ela agendasse a reunião com Carlisle e me levasse café, então segui até a fera que esperava por mim para a próxima reunião.
— Você está atrasado! — Isabella reclamou quando entrei em minha sala, onde ela já esperava.
— Eu sei, desculpe-me, senhora Cullen — pedi, sentando em minha cadeira, já vendo a pilha de pastas que ela tinha para mim.
O bom de trabalhar com Bella era sua organização, a mulher tinha tudo em ordem.
— Você estava com Carlisle? Posso sentir o cheiro de bolo daqui! — Se remexeu inquieta na sua cadeira, fazendo anotações em seu notebook.
— Sim, ele tinha de chocolate hoje — respondi, abrindo a primeira pasta de orçamento.
— Maldição — Bella reclamou, dando um sorrisinho.
— Com licença. — Jessica entrou na sala, trazendo meu café.
— Obrigado, senhorita Stanley.
— Deseja algo, senhora Cullen? — Jessica perguntou a Bella, uma troca de olhares irritados entre as duas.
— Não, você pode ir agora, senhorita Stanley. — Logo Jessica estava fora. — Puta! — Bella resmungou quando a porta se fechou.
Eu apenas ri.
— Faça seu trabalho, senhor Cullen — ordenou.
— É o que estou fazendo, senhora Cullen — me defendi, começando a conferir os orçamentos que ela tinha para mim.
Algum tempo depois, enquanto discutíamos os gastos, o celular de Bella tocou assim como o meu anunciando uma mensagem. Pedindo licença um ao outro, nós conferimos a mensagem recebida em nossos aparelhos.
Tanya: Consegui alguma informação sobre Matthew hoje, uma tia dele irá receber a guarda. Ele deve sair do abrigo até o fim da semana.
Olhei para Bella a minha frente, que encarava o celular em suas mãos. Mesmo com a mesa nos separando podia ver os olhos dela marejados.
— Você também recebeu uma mensagem de Tanya? — perguntei, ela apenas assentiu, deixando o celular sobre a mesa.
— Pelo menos Matthew terá alguém para cuidar dele agora. — Ela pigarreou. — Preciso que se concentre no orçamento das lojas terceirizadas dentro do hotel. — Apontou para a pasta em minhas mãos.
— Claro, claro. — Voltei minha atenção para aquilo, mas parte da minha mente já estava voltada para Matthew.
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