Nossa Família
41 Capítulo Quarenta — Bolo
Notas iniciais
— Capítulo Quarenta —
— Bolo —
Edward Cullen
No meu sonho eu era um piloto de Fórmula 1, o que me permitia dirigir em alta velocidade pelas ruas de Chicago sem ganhar multas. Bem no momento que eu estava prestes a vencer a corrida, o que me garantiria o lugar mais alto no pódio, senti alguém tocar no meu braço, fazendo com que eu despertasse.
Abri os olhos, encarando o teto do quarto. Ainda estava escuro, as luzes apagadas, mas eu reconheceria o teto do meu quarto muito bem. Até porque uma vez Bella me esqueceu algemado na cama por quase uma hora, enquanto precisou atender uma ligação do trabalho, e eu fiquei ali olhando para o teto por um bom tempo.
— Finalmente, Bela Adormecida! — Ouvi a voz de Isabella, olhei para o lado, vendo-a em pé junto a cama, com Ness apoiada nela. Nossa garota claramente ainda estava com sono, piscando excessivamente para se manter acordada.
— Eu, o que? — resmunguei, senti um peso no meu braço, olhei na direção dele, vendo Matthew dormindo sobre o mesmo, ele dormia pesadamente.
— Não acorde o Matt — Bella ordenou, colocando um dedo na frente dos lábios para indicar que eu devia fazer silêncio. — Nelly e eu preparamos um super café da manhã, vá se arrumar para que possamos surpreendê-lo.
— Certo. — Fechei os olhos novamente, cansado demais para me mover.
Eu tinha levado quatro crianças para o aquário no dia passado, tinha sido exaustivo, mesmo contando com Rose de ajuda. Mas, não, quatro crianças davam muito trabalho, principalmente sendo comandadas por Renesmee Cullen, a rainha do aquário de Chicago.
— Edward, não temos tempo para sua preguiça. — Bella beliscou minha bochecha.
— Porra! — xinguei baixinho, reabrindo os olhos.
— Você deve um dólar para o pote de p...Ah você sabe — ainda sonolenta, Renesmee resmungou, soltando-se da mãe e indo até a saída do quarto. — Vou me arrumar, se eu demorar muito é porque dormi no chuveiro e cai no ralo.
— Ela está com um humor cada vez mais parecido com o seu — acusei Bella, que abriu um grande sorriso orgulhoso ao ouvir aquilo.
— Eu sei, né? Adoro isso! — Ela indicou que eu saísse da cama. — Vá se arrumar, vou terminar de confeitar o bolo com Nelly para que possamos vir acordar Matt e cantar o primeiro parabéns do dia.
— Depois vamos para o pet shop, certo? — Tínhamos combinado aquilo na noite de sexta, sair no domingo pela manhã com Ness e Matthew, fazendo com que o sonho dos dois se realizasse ao adquirem um cachorro.
— Claro — Bella respondeu, mesmo não parecendo nada contente com aquilo. Eu também não estava muito animado, mas Matt queria aquilo de aniversário e Ness por anos implorou por um cachorro, estava na hora de ceder.
Foda-se, aqueles dois conseguiriam tudo que pedissem para mim, eu era uma massinha de modelar na mão deles.
Sai da cama com cuidado, temendo acordar Matthew antes da hora, mas ele apenas se remexeu e continuou dormindo, abraçando o travesseiro que eu deixei para trás. Bella tinha os olhos fixos nele, seu olhar era cheio de adoração para nosso garoto.
— Vocês se divertiram ontem? — ela perguntou, afagando meu braço quando eu por fim sai da cama.
— Muito, mas os quatro me deixaram bem cansado — admiti, Bella suspirou, olhando para mim.
— Você está velho, querido, logo mais estará usando uma bengala e dentadura — provocou.
— Há, engraçadinha! — Depositei um beijo no topo da sua cabeça. — Eu mentiria se dissesse que senti sua falta na cama, porque apaguei enquanto assistíamos Harry Potter e nem me toquei que você não estava aqui. — Ela riu baixinho, batendo no meu peito de leve.
— Eu senti muito sua falta, seu idiota.
— Dormiu na cama do Matt?
— Sim, o que me faz pensar que precisamos começar logo a cuidar da decoração do quarto dele. — Ela me empurrou em direção à porta que levava ao banheiro. — Mas, agora preciso que você vá tomar banho.
— Você não vem comigo?
— Cullen, nosso filho está dormindo bem aqui! — Ela apontou para a cama.
— E, você não pode ser silenciosa. — Pisquei para ela, virando para ir ao banheiro, recebendo um tapa na bunda. — Ei!
— Nos falamos mais tarde, senhor Cullen!
Era uma tentadora ameaça.
***
Matthew continuava dormindo quando terminei de me arrumar, mas ainda tínhamos tempo de sobra para o café da manhã especial, seguir para o pet shop e depois nos arrumarmos para a festa surpresa dele que mamãe estava planejando. Eu não sabia muito, mas só de saber que seria numa casa de boliche me empolgava, pois eu poderia jogar e competir, o que eu adorava.
Deixei Matthew dormindo e fui até a cozinha, onde Bella estava com Nelly e Renesmee. Minha esposa não estava brincando sobre terem preparado um super café da manhã, a mesa estava cheia de comida, tinha um grande bolo de aparência deliciosa e Renesmee segurava balões metalizados com a letra M e bexigas normais, que deviam ter sobrado da recepção que tinham feito para Matt quando ele foi para casa na sexta.
— Ótimo, você leva isso até lá em cima, Edward — Nelly ordenou, gesticulando para o bolo, terminando de colocar uma vela com o número 8 em cima. — Deus nos livre deixar Bella fazer isso, ela o derrubaria no meio da escada.
— Ei! — Bella exclamou indignada, roubando um pouco da cobertura do bolo.
— Isabella, não! — Nelly afastou a mão dela. — Vou colocar você de castigo — brincou.
— Um mês sem TV — Renesmee brincou. — Papai, pegue o bolo! — ordenou.
— Hum, eu sou o adulto aqui, por que está me dando ordens?
— É divertido. — Ela deu de ombros, saindo da cadeira que estava sentada.
— Renesmee, mais respeito! — Bella ordenou, rapidamente a garota se aquietou.
— Foi mal, mãe. Desculpa, pai.
Claro, a massinha de modelar da casa era eu.
Nelly colocou o bolo em minhas mãos, então nós quatro subimos pela escada da cozinha para o segundo andar. Sendo o mais silenciosos possíveis, entramos no meu quarto e de Bella, onde Matt continuava dormindo.
— No três. — Bella fez iniciou a contagem com os dedos, no dois Renesmee já iniciava a música dos parabéns e fomos obrigados a seguir o ritmo dela.
Matthew se remexeu na cama, começando a acordar graças ao barulho que fazíamos. Por fim ele abriu os olhos, nos encarando surpreso e sentando em um movimento único. Bella que segurava um isqueiro na mão acendeu a vela no topo do bolo e eu me aproximei da cama, para que Matt pudesse apagar a vela.
— Faça um pedido, Matt! — exclamei animado quando a música chegou ao fim.
O garoto me encarou, então encarou o bolo, fechou os olhos e assoprou a vela. Eu daria tudo para perguntar qual pedido ele tinha feito, mas não perguntaria, porém, Ness perguntou.
— O que você pediu, Matt? — Ela pulou na cama, ainda segurando os balões.
— Ness, se ele contar não vai se realizar — Nelly interviu, aproximando-se da cama também e beijando o rosto de Matthew. — Feliz aniversário, querido!
— Parabéns, pequeno! — Bella foi a próxima a se jogar na cama, enchendo o rosto de Matt de beijos, o que fez com que ele risse.
— Oito anos, garoto? Você está ficando velho, logo precisará de dentaduras! — brinquei, segurando o bolo com uma mão, apertando a bochecha de Matt com a outra, ele riu. — Feliz aniversário, filho.
Matthew me encarou novamente, mas não disse nada sobre como eu o chamei, ainda assim pude ver decepção em seus olhos. Entretanto, não deixei aquilo me abater, era um dia de festa, não iria deixar nada mudar isso.
— Tia Nelly e sua mãe fizeram um grande café da manhã para comemorar seu aniversário, o que acha de irmos comer? — sugeri.
— Sim, eu estou faminta! — Bella exclamou, voltando a beijar o rosto de Matthew. — Vamos descer e atacar seu bolo de aniversário, tenho certeza de que Nelly caprichou nele.
— Podemos comer bolo de aniversário todo dia? — Ness perguntou animada.
— Não seria bolo de aniversário sem um aniversariante — falei.
— Bom, mas todo dia é aniversário de alguém — ela disse cheia de si.
— Espertinha, não vai rolar. — Belisquei a orelha dela, fazendo com que ela risse. — Matt, por que você não se arruma e desce para comermos?
— Beleza — ele concordou.
— Eu vou ficar para ajudá-lo, não acho que vou conseguir desgrudar de você hoje mesmo. — Bella o abraçou com força.
— Não o monopolize, mamãe — Renesmee pediu. — O irmão é meu.
Nós rimos da fala dela.
— Pode deixar, pequena, eu o dividirei — Bella prometeu.
— Certo, vamos deixar Matt se arrumar! — Indiquei a saída do quarto para Ness, ela logo pulou para fora da cama, Nelly e eu a seguimos até a cozinha.
Bella e ele não demoraram muito a aparecer ali, com nosso filho já pronto para sair depois do café. Ele ficou muito animado quando viu toda a preparação na cozinha, abrindo um grande sorriso.
— Uau!
— O que foi, querido? — Nelly perguntou, servindo suco para ele.
— Essa é a maior festa de aniversário que já ganhei — ele disse, ainda deslumbrado, balançando um dos balões que Ness tinha prendido atrás da cadeira que Matt estava sentado. — Ano passado o papai só me deu um bolinho, tipo esse aqui. — Apontou para um dos cupcakes sobre a mesa.
Bella e eu nos entreolhamos, a vida de Matt com certeza era muito diferente antes de ele ir morar com a gente. Aquilo ainda era tão difícil de aceitar, ele tinha vivido na rua com Laurent, passou fome como quando o vimos pela primeira vez no restaurante, depois dormia no tapete da casa da tia e foi para um abrigo, de novo. Matthew tinha só oito anos, ele não devia ter passado por tudo aquilo, a vida dele não devia ser difícil, era injusto com uma criança.
— Só um bolo? — Ness indagou chocada. — Isso... — Ela suspirou, encarando a mim, depois a mãe. — Eu nem sei o que dizer.
— Está tudo bem, Princesa — sussurrei para ela, que negou com um aceno de cabeça, mas ficou quieta.
— Bom, a gente espera que você goste muito do seu aniversário esse ano — Bella falou para Matthew, ela tinha um sorriso triste e olhos marejados, mas não se permitiu chorar na frente das crianças.
— Eu posso comer bolo? — ele perguntou, quase quicando na cadeira, devido a empolgação.
— Claro, claro que pode, Matt! — Bella pegou a espátula para cortar o bolo, colocando a fatia no prato que Nelly estendeu a ela. — Aqui, aproveite, lindinho. — Ele não esperou muito mais para começar a devorar o bolo de chocolate.
— Você não vai querer bolo também, Princesa? — perguntei para Renesmee, que assentiu, ainda muda, o que não combinava em nada com ela. — Ei. — Virei o rosto dela para mim, seus olhos verdes como os meus estavam marejados como os castanhos de Bella. — Quer conversar sobre algo?
— Sim — ela confirmou, fungando.
— Gente — chamei a atenção de Nelly, Matt e Bella, que estavam falando sobre o bolo. — Ness e eu precisamos conversar rapidinho, vocês podem continuar a comer, certo? Já voltamos — prometi.
— Eu...
— Dou conta — garanti a Bella, que assentiu, afagando a parte de trás da cabeça de Matt.
Renesmee e eu deixamos a cozinha, indo direto para a sala, ela se sentou em um sofá e eu fiquei ao lado dela. Não demorou muito para eu ver as primeiras lágrimas deslizando por seu rostinho, em seguida a ruivinha estava agarrada a mim.
— Está tudo bem, filha — falei, afagando suas costas. — Pode dizer o que está acontecendo para mim, eu vou te ajudar.
Eu já suspeitava, mas queria dar a chance para Ness expressar suas dúvidas, sentimentos e tudo mais.
— Voc-Você — ela gaguejou, afastando-se de mim para limpar as lágrimas que manchavam seu rosto. — Você e a mamãe falaram que quando encontraram com o Matt, no dia dos namorados, ele estava com fome, não é? — Suspirei alto, concordando com um aceno de cabeça.
— Sim, Princesa, ele estava com fome aquele dia — confirmei.
— Só naquele dia? — Renesmee fixou seus olhos nos meus, seu olhar era sério, mas ainda carregado por lágrimas.
— Não, provavelmente não estava com fome só naquele dia — respondi, limpando as novas lágrimas que deslizaram por seu rosto, afinal Matthew tinha morado na rua por um tempo com Laurent.
— Suspeitei disso, papai. — Ness fungou novamente. — Ele teve só um bolinho no último aniversário dele, isso...Não sei qual palavra usar!
— Isso é injusto? — sugeri, ela concordou com um aceno de cabeça, fazendo uma careta.
— Muito injusto, pai! — Renesmee exclamou, soando furiosa. — No meu último aniversário eu tive uma grande festa, todos meus amigos estavam lá, nossa família. Tinha um grande bolo, brinquedos, até a porcaria de um palhaço. — Apertei os lábios para não rir do modo que ela se referiu ao palhaço. — E Matt teve apenas um bolinho? Por que o pai dele não fez uma grande festa?
— Filha. — Coloquei uma mecha de seu cabelo atrás da orelha. — Você lembra que quando contamos que adotaríamos o Matt falamos que o pai dele não podia cuidar dele?
— Sim, eu lembro.
— Certo, o pai do Matthew não tinha condições para fazer uma grande festa para o Matt no último aniversário dele, provavelmente nunca teve, entende? — Ela meneou a cabeça. — Por isso Matt teve só um bolinho no ano passado.
— O pai dele também não tinha grana pra mais comida, por isso o Matthew estava com fome quando vocês o encontraram no dia dos namorados?
— Isso.
— Ele não tem um trabalho?
— Não, o pai do Matthew não tinha um emprego.
— Onde ele está agora?
Respirei fundo.
— O pai do Matthew, quero dizer, o pai biológico dele, cometeu alguns erros com a justiça, sendo assim ele precisa...
— Ok, o pai biológico dele está preso — Renesmee me interrompeu, mas concluiu minha fala com maestria. Foi a vez dela de respirar fundo, cruzando os braços na frente do corpo, encarando o chão. — Ele vai ser solto?
— Algum dia, depois de cumprir sua pena. — Que eu realmente não sabia quanto tempo demoraria, talvez parte de mim torcesse para ele nunca sair da cadeia.
— E ai o Matt vai voltar a morar com ele quando isso acontecer? — Renesmee engoliu em seco, voltando a me olhar.
— Não, Princesa — garanti. — Sua mãe e eu temos a guarda provisória do Matt agora, mas em alguns meses o juiz irá atestar judicialmente que ele é nosso filho, depois disso ninguém irá tirar Matthew da gente, entende? Como ninguém pode te tirar da gente, pois você é nossa filha e os filhos tem que ficar com os pais.
— Matthew não está mais com o pai biológico dele — ela falou confusa.
— Porque não teria como, Ness, o pai biológico do Matthew não pode cuidar dele agora, por estar preso e tudo mais. Por isso a justiça tirou a guarda do Matt desse homem e o colocou para adoção, foi o que permitiu que sua mãe e eu pudéssemos começar o processo para o adotar.
Renesmee se recostou no sofá, mexendo numa almofada próxima a gente.
— Não gosto de pensar que o Matthew passou fome.
— Ele está em casa agora, Nessie, não vamos deixar nada faltar para seu irmão — garanti, ela concordou, mas ainda não parecia convencida.
— Deveríamos ter feito uma festa para ele, uma grande festa, ele merece. Eu trocaria minhas cinco próximas festas de aniversário só para o Matt ter uma festa imensa, ou as dez próximas festas, tanto faz.
— Você é uma garota fantástica, filha. — Beijei sua cabeça. — Não se preocupe com o aniversário de Matt, ok?
— Mas...
— Vamos voltar ao café agora?
— Papai...
— Eu estou com fome. — Sabia que se eu falasse para ela sobre a festa surpresa de Matthew, logo aquilo deixaria de ser uma surpresa.
— Tá, tá bom — ela cedeu, se levantando. — Mas, só para que fique claro, eu estou muito chateada que você e a mamãe não pensaram em uma festa para o Matt.
— Nós podemos sair para almoçar. — Dei de ombros, ficando de pé também.
— Ele tinha de ter uma grande festa — Nessie insistiu. — Eu não vou falar com Matthew sobre o pai biológico dele — ela falou, voltando a cruzar os braços na frente do corpo. — Mas, ele sempre menciona esse homem.
— Eu sei, filha, mas o pai biológico do Matthew não vai desaparecer da mente dele, ok? Ele vai citá-lo muitas vezes. — Renesmee suspirou.
— E quando ele vai chamar você e mamãe de pai e mãe?
— Tudo ao seu tempo. — Baguncei os cabelos dela, ganhando um olhar irritado da pequena. — Acredite, eu também estou louco para ouvir seu irmão me chamando de pai, mas não podemos forçá-lo a isso.
— Fazer o que. — Renesmee revirou os olhos. — Vamos ir comer de uma vez! — Ela segurou minha mão, puxando-me em direção à cozinha.
O clima lá era leve, Bella ria com Nelly e Matt enquanto comiam e conversavam sobre o dia no aquário. Minha esposa me lançou um olhar preocupado quando nos viu voltando para lá, mas eu beijei sua bochecha e sussurrei em seu ouvido.
— Está tudo bem, Ness só tinha algumas perguntas.
— Matt, eu gostaria de falar algo — Renesmee proclamou, sentando-se em seu lugar, cortando um generoso pedaço de bolo para si.
— O quê? — Matt indagou, de boca cheia.
— Eu estou muito feliz que você é meu irmão. — Renesmee sorriu para ele. — Esse é o só seu primeiro aniversário ao meu lado, então estou garantindo que os próximos vão ser muito melhores. — Ela lançou um olhar irritado para Bella e eu, fazendo com que eu risse no ouvido da minha esposa. — Vou cuidar pessoalmente para que todos seus próximos aniversários sejam incríveis.
— Legal, a gente pode ir a um jogo de basquete ano que vem? — Matthew a questionou, Renesmee emitiu um som de repulsa.
— Não, mas você pode comer minha fatia de bolo. — Entregou o prato para ele. — Nada de basquete, odeio basquete.
— Como você odeia basquete? — Matt perguntou indignado, o que fez ele e Renesmee embarcarem em uma discussão, saudável, sobre o esporte.
— Amor? — Bella chamou por mim baixinho, eu continuava agarrado a ela.
— Sim?
— Obrigada. — Bella me olhou, afagando meu rosto.
Sorri para ela, sabendo muito bem ao que ela se referia, beijando sua testa em agradecimento também.
***
Após o café Bella declarou as crianças que precisaríamos sair para fazer compras para casa, aquilo entediava Renesmee e ela acertou em julgar que Matt também não acharia aquilo a coisa mais interessante do mundo. Entretanto, ela conseguiu que em poucos minutos as crianças estivessem no carro com a gente.
— Por que todos nós temos de ir fazer compras? — Renesmee indagou do banco de trás do carro, onde estava com Matt e Nelly, enquanto eu dirigia até o pet shop mais próximo do nosso apartamento. — Vamos para a casa do vovô e da vovó usar a piscina deles.
— Eu quero nadar de novo — Matt fez eco.
— Nadaremos outro dia — Bella prometeu, checando o mapa em seu celular para me dar as coordenadas para chegarmos ao pet shop. — Esquerda, querido — falou para mim, afagando meu braço. — Estamos chegando, Nelly é com você!
Olhei para trás, vendo Nelly tirar dois lenços de sua bolsa.
— Pra que isso? — Ness indagou confusa quando Nelly colocou um em sua cabeça, tapando seus olhos ao tirar os óculos dela, fazendo o mesmo com o Matthew.
— Estamos em uma missão secreta, crianças — Bella proclamou.
— Legal, somos tipo espiões? — Matt questionou, remexendo no seu assento especial do carro.
— Por ai. — Nelly riu.
— Ash adora espiões — Nessie disse, eu bufei, Bella riu. — Podemos levar ele na próxima missão?
— Não, não podemos — deixei bem claro.
— Quem é Ash? — Matt questionou.
— Amigo da sua irmã — Nelly respondeu.
— Ele é muito legal — Renesmee falou, em um tom de voz todo bobo. — Na quinta feira ele dividiu o sanduíche dele comigo, eu dividi meu suco com ele.
— Ela não leva comida suficiente pra escola? — resmunguei com Bella, que continha uma nova risada.
— Tem uma vaga bem na frente, não a perca. — Apontou para a vaga bem diante ao pet shop.
Estacionei lá, então ajudamos as crianças a saírem do carro sem deixar com que elas tirassem as vendas de seus olhos. O pet shop se chamava Mundo Animal, bem criativo, a fachada branca tinha imagens em adesivos de cachorros, gatos e coelhos. Pela vitrine podíamos ver alguns hamsters e coelhos em algumas gaiolas, como alguns acessórios para animais.
— Onde estamos? — Matthew indagou quando entramos no local. Lá dentro, obviamente, tinham mais apetrechos para animais. Atrás de um balcão estava um senhor que devia ter seus cinquenta anos — com cabelos pretos começando a ficar grisalhos — que usava um jaleco e lia um jornal, ele levantou o olhar para a gente e sorriu quando ouviu a pergunta de Matt.
— Sejam bem vindos! — exclamou para a gente. — No que posso ajudá-los?
— Matthew, o que você me pediu de aniversário mesmo? — perguntei ao meu filho, agachando-me entre ele e Ness, que por sorte ainda não tinham arrancado os lenços de seus olhos.
— Um cachorro — Matthew respondeu, Renesmee soltou um gritinho, arrancando por fim o lenço de seu rosto.
— Nós vamos ter um cachorro? — ela gritou, tirando a venda improvisada do rosto de Matthew também. — Vamos ter um cachorro! — exclamou entusiasmada, olhando ao redor.
— Sério? — Matt me olhou em expectativa, eu confirmei com um aceno de cabeça, então no segundo seguinte se jogou em meus braços, me dando um forte abraço. — Valeu, Edward!
Prolonguei o abraço o máximo que pude, querendo que aquele momento nunca se perdesse.
— Feliz aniversário — murmurei para ele, beijando sua bochecha.
— Podemos ter um labrador? O primo do Ash tem um labrador! — A voz de Renesmee me atingiu, Matt se soltou de mim, voltando-se para a irmã.
— Como é um labrador?
— Eles são grandes e...
Eu deixei os dois conversando sob as vistas de Nelly e fui até o balcão falar com o senhor ali, junto de Bella.
— Oi, somos Edward e Isabella Cullen — nos apresentei a ele, apertando sua mão.
— Albert Stuart — ele disse. — Então, vão querer um labrador? Estamos sem nenhum no momento, mas eu posso fazer um pedido a um criador, talvez até o fim da semana tenhamos um.
— Não, nada de labrador — Bella disse torcendo o nariz. — Ok, senhor Stuart, é o seguinte. — Ela assumiu sua pose de gerente. — Nós moramos em um apartamento, ele é relativamente grande, mas eu não posso lidar com a ideia de um cachorro enorme bagunçando minha casa, por isso eu preciso que você nos arranje um relativamente pequeno e que se dê bem com crianças. Sério, esse cachorro tem que ser bonzinho, pois se ele morder meus filhos eu o mandarei para o céu dos cachorros na mesma hora.
O homem riu, assentindo.
— Você já foi mordida, não é?
— Fui — Bella resmungou.
— Certo, eu tenho dois filhotes, de dois meses, de Boston Terrier — ele contou, mexendo no computador em sua mesa e colocando na foto de um cachorro preto e branco, de orelhas empinadas, era baixinho, pelo menos comparado a um labrador. — Esse é um adulto, é uma raça de porte médio, bem amigável com crianças e se adapta muito bem a apartamentos. Os dois filhotes que tenho vieram de um criador de minha total confiança, eu sou veterinário e até fiz o parto deles, os outros dois filhotes da ninhada ficaram com o criador.
— O que você acha? — perguntei para Bella, que continuava nada contente com aquilo.
— Que eu amo essas crianças demais para levar para casa um cachorro. — Olhou para Matt e Ness, que estavam vendo os coelhos. — Vamos nessa, levaremos um pulguento.
— Hum, eles não tem pulgas — o veterinário garantiu. — Nem carrapatos ou alguma doença, estão bem tratados.
— Claro, claro é só uma forma carinhosa de chamar o cachorrinho fofo. — Bella deu um sorriso amarelo a ele. — Podemos ir ver para escolher qual levaremos?
— Com certeza.
— Podemos vir buscá-los amanhã? Estamos com o dia um pouco corrido — falei.
— Podem sim, eu deixarei o filhotinho pronto para vocês amanhã. — O veterinário saiu de trás do balcão, indo para uma porta que levava ao fundo da loja. — Tragam as crianças.
— Ness, Matt, vamos! — Bella chamou por eles, que saíram arrastando Nelly junto de si.
— Podemos levar um coelho também? — Matt perguntou.
— E um porquinho da índia? — Ness fez coro.
— Nada disso! — Bella exclamou com firmeza.
Nelly e as crianças seguiram na frente com o veterinário, Renesmee tratou de apresentar todo mundo, pelo largo corredor. Vimos uma sala para banho, outra para cirurgia, então passamos por alguns cercados onde tinham gatos e cachorros, eles pareciam bem cuidados e quando nos viram começaram a latir, os cachorros, claro, os gatos não pareciam interessados em ninguém.
— Tem mesmo que ser um cachorro? — Bella questionou para mim, nada animada, olhando ao redor. — Poderíamos ter um peixe.
— Qual a graça em um peixe?
— Podemos cozinhar e comer ele a qualquer momento? — Ela zombou.
— Querida, você é cruel! — proclamei, a parando e sussurrando em seu ouvido. — Gosto muito disso.
Bella apenas riu.
— Esse gatinho está pedindo para ser meu! — Renesmee parou alguns passos de distância da gente, olhando para um gatinho preto. — Eu o chamaria de Lucky.
— Viemos por um cachorro, quando você for maior de idade e tiver seu próprio apartamento pode ter o bendito do gato — falei para ela, fazendo com que ela voltasse a andar.
— Isso é opressão, papai!
— Aqui estão eles — Albert anunciou, parando diante a um cercadinho onde dois filhotes estavam.
Os cachorros ainda eram pequenos, mas se penduraram na grande do cercado e soltaram latidos finos para nós, como vimos na foto aqueles dois também eram preto e branco, mas as orelhas deles ainda estavam caídas. Renesmee rapidamente esqueceu seu debate sobre gatos e opressão e foi até eles, ajoelhando-se no chão para tocar nos filhotes, Matt logo estava a imitando.
— Eles parecem pinguins! — Matthew exclamou, Renesmee abriu a boca e vi seus olhos brilhando.
— Eles parecem mesmo!
— Qual a raça? — Nelly perguntou para Albert.
— Boston Terrier — respondeu para ela, todo sorridente. Vi Nelly corar um pouco e sorrir de volta, eu sufoquei uma risada, mas chequei a mão de Albert, ele não tinha nenhuma aliança, aparentemente estava livre. O que era bom, o último namorado de Nelly tinha sido um cara bacana, um funcionário da administração do prédio que morávamos, mas ele tinha se mudado para Miami. — As orelhas deles vão empinar em alguns meses.
— Os dois são machos? — Renesmee perguntou para Albert, já tirando um filhote do cercado e o aninhando em seu colo.
— São sim.
— Eles já tem nomes? — Matt tirou o outro cachorro de dentro do cercadinho também, o filhote lambeu seu rosto, o que fez meu filho rir.
— Ainda não, deixamos os donos escolherem os nomes, assim eles não ficam confusos com vários nomes.
— Podemos o chamar de cachorro — Bella sugeriu, só eu ri. — Qual é gente, foi engraçado!
— Qual vão levar? — Me ajoelhei junto das crianças, o cachorrinho nos braços de Matt veio para mim, abanando seu rabo e mordicando minha mão, o que estava com Ness tinha dormido nos braços dela, era um preguiçoso.
— Gosto desse, ele parece tão bonzinho — Bella comentou, apontando para o que estava com Renesmee.
— Ele não faz nada — Matt se queixou, afagando a cabeça do cachorro que estava em cima de mim, naquele momento mordendo a manga da minha camisa.
— Concordo com o Matthew, vamos levar um cachorro agitado, não um que dorme em segundos.
— Agitado me leva a crer que ele vai destruir toda minha casa — Bella reclamou. — Olha como ele fica tão bonitinho dormindo. — Ajoelhou do lado da Ness, tocando com apenas um dedo no cachorrinho no colo da nossa filha.
— E esse vai passar o dia dormindo, será como não ter um cachorro — protestei. — Se estamos entrando nessa vamos fazer direito, Bella.
— Espera — Ness pediu. — Se a gente levar só um cachorro o que acontece com o outro? — ela perguntou para o veterinário.
— Ele ficará aqui até um comprador aparecer e o levar — Albert respondeu para ela.
— Isso quer dizer que estaremos separando dois irmãos, certo? — Albert assentiu. — Bom, isso está errado, mãe e pai — ela falou para Bella e para mim.
— O quê?
— Não podemos levar um irmão e deixar o outro — Renesmee falou, passando o cachorro adormecido para os braços de Bella, que o pegou com hesitação. — A tia Tanya não vai deixar um bebê no hospital e levar o outro para casa, né? Então, seria errado a gente levar só um cachorrinho e deixar o outro aqui, porque eles são gêmeos como o Carlisle e o Caius.
— Ness, não é assim que funciona — tentei argumentar.
— Talvez seja — Bella comentou, os olhos fixos no cachorrinho no seu colo, afagando o topo da cabeça dele. — Seria triste separá-los, eles estão juntos desde que nasceram.
— Você está falando sério? — perguntei embasbacado, ganhando uma lambida no rosto do cachorro no meu colo. — Calma ai, amigão, estamos resolvendo seu futuro aqui. — Passei ele para Matt, ficando de pé, Bella também levantou, ainda mantendo o filhote preguiçoso no seu colo, nos afastamos um pouco dos outros para conversar melhor.
— Certo, sabemos que eu não gosto de cachorros e tudo mais — ela começou a falar. — Mas esse aqui é tão fofo! — exclamou, sua voz soando como a de Renesmee. — E você e Matt obviamente gostaram do bagunceiro.
— Ok, mas isso quer dizer que temos de levar os dois?
— Não sei. — Bella mordeu seu lábio inferior. — Essa coisinha é fofa demais, Edward, não consigo ter um pensamento coerente com ele no meu braço. — Ela entregou o filhote para mim, o cachorro acordou, choramingando baixinho, eu logo comecei a afagá-lo, o que fez com que ele parasse de chorar.
— Merda, ele é mesmo fofo — falei contra minha respiração. — Eles são tão pequenos.
— Mas vão crescer — Bella falou hesitante. — E se a gente desse um pra Rose? — Neguei com um aceno de cabeça.
— Ela nos mataria antes de darmos o cachorro para ela.
Bella suspirou, tocando no cãozinho dorminhoco nos meus braços. Ouvimos um latido e olhamos para as crianças, o bagunceiro estava pulando entre Ness e Matt, todo exibido e nossos filhos pareciam estar adorando aquilo.
— Oh droga! — Bella exclamou, tirando o cachorro de mim.
— O quê?
— Eu tive uma ideia de nomes para os dois.
— Você teve?
— Sim. — Ela sorriu. — Matthew falou que eles parecem pinguins, com essas cores parecem mesmo, eles poderiam ser o Carl e Eddye.
— Muito engraçado, Isabella. — Bufei. — Meu pai mataria a gente se chamássemos um cachorro de Carl, e a Rose iria zombar de mim pelo resto da vida se um se chamasse Eddye.
— O que vamos fazer?
— Levar os dois e provar as crianças que somos seres fracos? — Bella se aproximou de mim, dando um beijo no meu rosto.
— Você será o responsável pelos pulguentos.
— Ei, quando combinamos isso eu tinha concordado com um.
— Por favor, marido. — Ela me olhou com os olhos pidões. — Eu quero esse rapazinho, você pode cuidar dele para mim, né? Levar para passear e todas essas coisas chatas, já vai fazer isso pelo bagunceiro mesmo.
— E você fica com a parte boa de mimar?
— Sim!
Respirei fundo, olhando mais uma vez para as crianças com o outro cachorro. Depois para Bella agarrada ao dorminhoco, eu não seria capaz de decepcionar nenhum dos três, era isso, teríamos dois cachorros e eu ficaria louco.
— Se eu comprar mais um carro você não dirá uma palavra sobre isso — falei para Bella, que concordou rapidamente.
— Você sabe, eu adoro batizar carros com você, querido. — Piscou para mim. — Não seria um sacrifício fazer isso novamente.
— Anotado. — Beijei seus lábios, voltando-me para as crianças depois. — Vamos levar os dois.
— Vamos? — Renesmee e Matt gritaram juntos, ele pegou o cachorrinho bagunceiro, enquanto Ness correu até mim, me abraçou rapidamente e voltou para perto do irmão.
— Como vão chamá-los? — Nelly perguntou, indo até Bella para tocar no cachorro preguiçoso.
— Edward vetou os nomes que sugeri, então é com vocês, crianças — Bella disse.
— Eddye e Carl? — Nessie pulou no chão ao ter aquela ideia.
— Não! — vetei ela também, a garota fez um biquinho, mas não cedi. — Pensem em outra coisa. Que tal Rex e...
— Senhor, sem querer me intrometer, mas Rex é um nome muito clichê para cachorro — Albert falou, com uma careta no rosto. — Já perdi a conta de quantos cachorros chamados assim eu atendi.
— Ok, certo, é com vocês. — Devolvi a bola para as crianças.
— Eu tive uma ideia — Matthew falou, ainda com o bagunceiro no seu colo. — Já que eles são gêmeos, por que não chamamos eles como os gêmeos de Harry Potter?
— Fred e George? — Nelly indagou.
— Isso! — Matt confirmou.
— É uma boa ideia, você é mesmo meu irmão, é inteligente como eu sou — Ness falou cheia de si. — Podemos chamá-los assim? — perguntou para mim.
— Esse aqui pode ser o Fred — Matthew disse, dando sua mão para o cachorrinho no seu colo morder.
— Oi, George! — Bella falou de um jeito doce com o que estava com ela. — Prometo que você não perderá seu irmão, ou sua orelha.
— Fred e George parece bom para mim, Nelly?
— Eu adorei! — ela concordou. — Mas, são muito parecidos, precisamos dar um jeito de diferenciá-los, além do fato do George estar dormindo.
— Vou pegar coleiras de cores diferentes, alguma cor de preferência? — Albert perguntou para as crianças.
— Amarelo pro Fred — falei. — Vermelho pro George. — Não coincidentemente as cores favoritas de Matthew e Renesmee.
— Volto já. — Albert se afastou, ele não demorou muito para voltar com as coleiras, entregando-me a vermelha e passando a amarela para Ness. Ajudei Bella a colocar a coleira no George, enquanto Matt e Renesmee faziam o mesmo com o Fred.
— Eles estarão prontos para vocês amanhã — Albert assegurou.
— Não podemos levá-los hoje? — Ness perguntou triste, a expressão no rosto de Matt era parecida.
— Eles estarão em casa amanhã, crianças — Nelly disse.
— Ok. — Matt entregou Fred para Albert, que devolveu o filhote para o cercado. Bella não ficou nada contente, mas devolveu George também, então nós seis voltamos para a loja para que pudéssemos cuidar da compra dos filhotes.
Nelly e os meninos voltaram a ver os coelhos, enquanto Bella e eu esperávamos Albert terminar a papelada da compra no seu escritório. Liamos folhetos sobre animais e tudo mais, Isabella como uma boa estudante estava focada naquilo.
— Bella Swan? — Ouvi uma voz masculina chamar por minha esposa, nos viramos para ver quem era e vi nos olhos de Isabella ela reconhecer o homem facilmente.
— Logan!
Bella largou os folhetos sobre o balcão, indo até o homem, que tinha um labrador consigo. Ele, o homem, era quase tão alto quanto eu, cabelos pretos, pele branca, usava roupas de corrida e recebeu um abraço da minha esposa.
Aquilo fez com que eu rapidamente fosse até eles, eu nunca tinha visto aquele tal de Logan antes, mas lá estava ele abraçando Bella. Não gostava daquilo, foda-se, não mesmo.
— Isabella Cullen! — eu exclamei, os dois desfizeram o abraço, Bella me olhou séria enquanto Logan confuso, ele tinha os olhos azuis e idiotas. — Ela se casou tem quase dez anos, então não é mais Swan — falei para o homem, puxando a mão livre dele para um aperto firme, ele fez uma careta por conta daquilo. — Eu sou o marido, aliás, Edward Cullen, quem é você mesmo?
— Logan Kaswell — o homem respondeu, forçando um sorriso quando soltei sua mão que provavelmente estava doendo pelo aperto.
— Logan e eu estudamos no mesmo colégio em Phoenix, Edward — Bella proclamou, parecendo nada contente com meu ataque de ciúmes.
— Sim. — Logan abriu um grande sorriso, que parecia real. — Bella foi meu par no meu baile de formatura.
— Oh, que legal! — debochei, Bella me deu uma cotovelada, soltei um palavrão baixo.
— O que está fazendo em Chicago, Logan? — Bella perguntou a ele.
— Minha esposa. — Ele ergueu sua mão esquerda, deixando com que víssemos uma grossa aliança em seu dedo. Bom, ele ao menos era casado, se fosse fiel não ia ficar jogando charme para a minha esposa. — É daqui de Chicago, nos conhecemos em Berkeley, depois moramos por alguns anos em Portland, onde fiz minha residência, mas ela tinha negócios aqui e eu consegui uma boa vaga em um hospital da cidade, achamos que seria uma boa hora para mudar.
— Você se casou! — Bella exclamou em choque. — E virou um médico? Quando você foi para Berkeley disse que só estava indo para a Califórnia por conta das praias. — Ela se virou para mim, sorridente. — Logan surfa, não é legal?
— Não. — Fui totalmente sincero, Bella revirou os olhos, se voltando para seu amiguinho.
— Pois é, sou um homem amarrado agora — ele disse em um tom de brincadeira. — Eu não pude deixar de te ver num jornal e outro nos últimos anos, Swan... — Ele me olhou, corrigindo-se em seguida. — Quero dizer, Cullen.
— Pois é, nos estamos em alguns jornais. — Bella deu de ombros, segurando minha mão. — Você teve filhos também?
— Ainda não. — Logan fez uma expressão triste, mas que não me comoveu. — Ah não ser que o Rex conte. — Gesticulou para o cachorro que tinha se deitado aos seus pés, mentalmente agradeci Albert por ter me alertado sobre o nome clichê de cachorros.
— Nós temos dois — Bella falou, exalando orgulho. — Matthew, Renesmee! — chamou pelas crianças. — Venham aqui!
— O que foi mãe? — Renesmee indagou quando ela e Matthew chegaram até a gente, Nelly foi até Albert que tinha voltado para detrás do balcão. — Não podemos mesmo levar um coelho?
— Não, não podemos! — resmunguei, Logan riu e eu quis socar aquele médico/surfista.
— Quero que conheçam alguém, esse é Logan Kaswell, estudamos na mesma escola — Bella os apresentou. — Logan, esses são Renesmee e Matthew, nossos filhos.
— Olá, crianças! — Para ser honesto eu gostei um pouco de Logan pelo simples do fato dele não ter feito nenhum comentário idiota sobre Matthew, já que ele era obviamente diferente da gente fisicamente.
— Oi, você tem olhos lindos! — Renesmee exclamou, sorrindo para Logan e estendendo a mão para ele. — Eu gosto de olhos azuis, Ash tem olhos azuis e o ator que faz o Harry Potter também...
— Renesmee, está bom. — A afastei de Logan, que ria da fala em disparada dela.
— O seu cachorro é muito maneiro! — Matt por outro lado estava mais interessado no Rex.
— Esse é um labrador — Renesmee foi para junto dele.
— Que precisa de um banho — Logan acrescentou. — E você precisa sair em um jantar comigo — ele disse para Bella, que apertou minha mão com força, prevendo minha vontade de matar o cara por estar a chamando para um jantar.
— Logan...
— Deus, não esse tipo de jantar, Bella! — ele a cortou rapidamente. — Com certeza não esse tipo de jantar, Edgar.
— Edward — falei entre dentes.
— Isso, Edward. — Ele fez uma cara de culpado. — Um jantar com vocês dois, onde minha esposa estará também, isso que quis dizer. — Logan olhou para as crianças brincando com seu labrador de nome idiota. — Eu também li nos jornais sobre a adoção, minha esposa e eu estamos pensando sobre o assunto, mas antes de nos jogarmos de cabeça nisso queríamos ouvir alguém que conheça melhor. — Bella suavizou o aperto na minha mão.
— Acho que podemos ter um jantar — ela concordou. — O que acha, Edward?
— Tanto faz — voltei a resmungar. — Precisamos voltar a compra dos cachorros — avisei Bella.
— Você pode ir cuidando disso enquanto eu troco números com Logan, né? — ela perguntou para mim.
Apenas bufei alto, indo até Nelly e Albert. Eu tentei não surtar sobre Bella conversando e rindo com Logan alguns metros de mim, enquanto também tentava ser racional sobre o fato de que ela nunca me trairia e com certeza não receberia flertes de um cara com nossos filhos bem do lado dela.
— Podemos ir agora, Isabella! — Segurei sua mão quando voltei até ela, depois de resolver tudo com Albert para pegarmos os filhotes no dia seguinte. Ela estava rindo sobre qualquer coisa com o médico/surfista e pensar que eu ainda teria de lidar com Jacob aquele dia, já que o idiota estava em Chicago para a festa de Matt.
— Foi bom te ver, Logan, nós marcaremos aquele jantar em breve — ela prometeu.
— Foi bom te ver também, Bella. — Sorriu para ela. — Edward. — Acenou com a cabeça para mim, eu resmunguei qualquer coisa, indicando a Bella que deveríamos sair logo.
— Até mais, Logan! — ela se despediu dele, então pudemos sair do pet shop com Nelly e as crianças.
Eu não participei da conversa animada na volta para casa, os quatro estavam muito contentes falando sobre Fred e George, mas eu estava irritado e pensando em mil cenários de Bella e Logan durante o tempo que estudaram na mesma escola. Quando chegamos ao apartamento Bella pediu que Nelly ajudasse as crianças a se arrumarem, alegando que iriamos almoçar fora e nós dois fomos para nosso quarto.
— Você transou com aquele cara, não transou? — foi a primeira coisa que perguntei quando nos tranquei no nosso quarto.
Bella suspirou, voltando o olhar para mim.
— Sim, Edward — confirmou, se dirigindo até o closet, eu fui atrás dela. — Logan e eu transamos.
— Não acredito que você transou com aquele cara, Isabella! — exclamei aborrecido, batendo a porta atrás de mim.
— O quê? — Ela me encarou, irritada também. — Estamos julgando o gosto do outro agora? Só para lembrar você transou com Irina, querido. Eu pelo menos sei que Logan é uma pessoa muito melhor do que aquela mulher, muito melhor!
— Você o acha tão bom assim? — indaguei sentindo o ciúmes tomar conta de mim.
— Ele era um cara bacana. — Ela deu de ombros. — Um grande amigo. — Piscou para mim.
— Isabella, pare de me provocar...
— Ou? — Ela lançou um sorrisinho malicioso para mim. — Vamos, Cullen, estou esperando por sua resposta.
— Não vou cair no seu joguinho. — Comecei a tirar minhas roupas, para que pudesse me vestir para a festa de Matt.
Eu estava tirando a calça, quando Bella parou na minha frente, substituindo minhas mãos no cinto. Seu olhar castanho se fixou no meu, enquanto ela tirava o cinto e abaixava minha calça.
— Gosto de te ver com ciúmes — ela confessou, desviando o olhar de mim quando abaixou o rosto para depositar um beijo no meu peito. — Você fica sexy pra caralho irritado, querido, sabe disso, não sabe?
Segurei nos ombros dela, a girando e a colocando contra as estantes do closet. Bella riu, afastado o cabelo de seu rosto, levando uma mão para dentro da minha cueca, eu gemi, deixando minha cabeça tombar para frente.
— Não se preocupe, faz séculos que transei com Logan. Ele era só um sênior e saímos juntos para o baile de formatura dele — ela falou, eu rosnei, levando meus lábios ao seu pescoço, começando a beijá-la na pele sensível daquela parte do seu corpo. — Pode apostar, ele não é nada comparado a você, querido, eu tenho o melhor cara na minha cama. — Bella ergueu meu rosto, o dela estava vermelho, mas ela continuava com seu sorrisinho malicioso nos lábios. — Eu me casei com o melhor.
— Casou sim — confirmei, levando meus lábios aos seus, mordendo de leve seu lábio inferior quando a mão dela no meu pau ganhou mais velocidade. — Porra, eu estou tão puto com as imagens em minha mente de você e aquele cara juntos — esbravejei, ela riu. — Não é engraçado, você sabe que eu odeio ter minha confiança abalada e ele é a droga de um médico, que também surfa.
— Bom, foda-se! — Bella exclamou. — Eu gosto de homens de negócios, ou melhor, gosto do meu homem ser um cara de negócios. — Seu olhar voltou a se encontrar com o meu. — Eu ainda estou esperando você me foder daquela forma que prometeu outro dia.
— Debruçada sobre minha mesa? — Agarrei a nuca dela, voltando a beijar seu pescoço, ela confirmou com um gemido alto.
— Fodendo meu rabo e tudo mais. — A mão dela já tinha feito parte do trabalho e meu pau estava duro contra sua palma.
— Você quer ficar de quatro, querida?
— Pra você, Edward? Sempre! — Ela se soltou de mim. — Mas, no momento acho que você gostará de me ter ajoelhada. — Deslizou junto a estante para o chão. — Nós temos tempo?
— O suficiente, se você parar de enrolar agora.
Bella sorriu, abaixando minha cueca.
— Amo você, senhor ciúmes.
***
Nossa hora extra no closet acabou nos atrasando, mas contribuiu para que fosse mais fácil manter a surpresa da festa de Matthew de pé. Eu passei a chave da Mercedes para Nelly e convenci Renesmee a ir na frente com ela para o falso almoço, alegando que elas deveriam reservar uma mesa para a gente. Claro que Ness reclamou disso, mas cedeu e foi com Nelly.
Bella e eu pudemos enrolar mais um pouco no apartamento, dando tempo para as duas chegarem primeiro ao boliche. Então, chamamos um táxi — pois nós dois estávamos querendo beber algo com álcool aquele dia, o que nos impossibilitaria de dirigir depois — e seguimos com Matt para sua festa surpresa.
Antes de Matthew e Bella entrarem no carro, eu já tinha pedido ao motorista que nos levasse pela lateral do boliche, para que pudéssemos entrar por uma porta adjacente para que o pequeno não tivesse pistas do nosso destino até que já estivéssemos lá dentro. O percurso foi feito rapidamente, com Bella, Matt e eu conversando sobre Fred e George.
— Cadê a Nessie? — Matthew indagou quando deixamos o carro, tudo que víamos do prédio onde era o boliche, era a estrutura cinza de concreto.
Não escutávamos um som, o que queria dizer que Esme Cullen tinha tudo minimamente planejado e contando com a ajuda de Alice para a festa eu sabia que ela tinha mesmo. Inclusive a porta lateral já destrancada para nós, o que me permitiu a abrir sem precisar chamar por ninguém.
— Lá dentro — respondi despreocupadamente para Matt, abrindo a porta.
O local estava completamente silencioso e escuro, tinha séculos que fui aquele boliche pela última vez, mas eu sabia que era o mesmo onde eu tinha comemorado meu próprio aniversário de oito anos. Era um lugar imenso, além das pistas de boliche também tinha jogos de vários tipos, lanchonete e até mesmo uma sala de cinema.
— Acho que estamos no lugar errado — Matt murmurou, ele estava segurando a mão de Bella, mas senti sua mão livre se agarrar a barra da minha camisa.
— Está tudo bem — garanti, peguei sua mão na minha.
— Por que esta tão escuro? — Bella dramatizou, enquanto nos virávamos para andar no escuro. Eu vi um vulto mais a frente e sabia que estávamos perto, isso se comprovou quando ao mesmo tempo que as luzes eram ligadas, um estridente coro ecoou pelo lugar.
— Surpresa!
As luzes fortes me cegaram por um segundo, mas eu logo pude ver toda minha família, assim como a da Bella e nossos amigos reunidos. Eu abaixei meu olhar para Matthew, que tinha de fato uma expressão surpresa no rosto, olhos arregalados, boca entreaberta e tinha até soltado minha mão e de Bella.
— Feliz aniversário! — Bella se abaixou perto dele, beijando seu rosto.
— Is-Isso é pra mi-mim? — ele perguntou gaguejando.
— Com certeza — confirmei, fazendo com que Matthew me olhasse. — Vovó Esme teve a ideia, você gostou?
— Eu adorei — ele olhou ao redor, o grupo de convidados logo começou a chamar por Matthew. — Posso ir lá?
— Claro, filho! — Segurei na mão dele novamente, o puxando até onde todos estavam.
Mamãe foi a primeira a nos alcançar, segurando uma caixa com máscaras de super heróis nas mãos. Eu olhei tudo melhor e vi como o lugar tinha sido decorado, todos os super heróis e símbolos que remetiam a eles estavam lá, fossem da Marvel ou da D.C. Mamãe com certeza pouco se importava em escolher uma, ela usaria quantas quisesse, seria capaz de criar outra.
— Olá, homenzinho! — Mamãe falou toda sorridente com Matthew, Bella tinha se afastado e vi minha esposa trocando um abraço apertado com Renée perto de onde estávamos. — Eu acho que você deveria ser o primeiro a escolher a máscara que quer usar hoje, já que é seu aniversário. — Estendeu a caixa para Matt. — Aliás, meus parabéns, eu espero que você se divirta muito hoje. — Mamãe se inclinou e beijou a bochecha de Matt, que sorriu para ela.
— Obrigado, vovó Esme — Matthew agradeceu, remexendo na caixa.
Mamãe paralisou, eu também, nós dois sem termos ideia do que falar. Matthew tinha a chamado de vovó, aquilo era...Eu não sabia nem como definir, mas era sensacional.
— Sim, vovó Esme. — Os olhos dela se encheram de lágrimas ao dizer aquilo, fungando baixinho.
— Eu quero ser o Batman! — Matthew anunciou, pegando a máscara do herói quando a encontrou, logo a colocando no rosto, parecendo disperso a emoção que tinha causado pelo modo que se referiu a minha mãe. — Assim como meu pai.
— Oh, você quer uma do Batman também...
Neguei com um aceno rápido para mamãe, fazendo com que ela se interrompesse.
— Laurent — movi meus lábios para que ela pudesse os ler, mamãe assentiu, compreendendo que o pai a qual Matthew se referia era o outro. Afinal, ele ainda não tinha me chamado de pai.
Remexi na caixa também, pegando a máscara do Capitão América.
— Gosto do Capitão — a coloquei sobre meu rosto.
— Vocês estão lindos! — mamãe elogiou. — E não vou tomar o tempo de vocês todo para mim, vão falar com os outros — ela mandou.
— Certo, vamos Matthew. — O conduzi até onde Bella estava.
— Hey! — Renée exclamou hesitante quando nos unimos ao grupinho que eles formavam. — Você é o Matthew, não?
— Sou — ele respondeu. — Você é a mãe da tia Bella, né?
Renée olhou para a filha, Bella lhe acenou positivamente com a cabeça, incentivando a mãe, entrelaçando a mão das duas.
— Sou, sou a mãe da Bella — Renée respondeu para Matthew.
— E eu sou irmã da Bella — Bree se pronunciou, olhei bem para ela, que tinha voltado a fase roqueira, mas sem a maquiagem gótica, ela também não tinha mais os dreadlocks nos cabelos que estavam ali quando esteve em Chicago no começo daquele mês. — Eu ouvi falar muito sobre você! — A garota deu um abraço apertado em Matt, mas depois de conhecer Renesmee, Rosalie e Esme Cullen donas de grandes abraços, aquilo não o assustou. — Tecnicamente sou sua tia, mas como sou nova demais você pode me chamar só de Bree, ok?
— Ok — Matt concordou. — Verdade que você não come animais?
Eu ri, lembrando-me da experiência frustrada de Renesmee ao tentar virar vegetariana.
— Verdade, você também não deveria comer...
— Bree! — Bella chamou a atenção dela. — Matt, esse é o Phill, meu padrasto.
— Oi, Matthew! — Phill sorriu para ele. — Máscara legal, você fica muito bem de Batman — parabenizou. — Bree, o que acha de irmos pegar nossas máscaras agora? — Phill sugeriu a filha, ela logo concordou e eles foram atrás de mamãe.
Eu sabia que aquilo era uma jogada para nos deixar mais a vontade com Renée, ou pelo menos uma tentativa disso, minha sogra ainda estava hesitante e eu apostava que ela não estava cem por cento com a história da adoção. Bella tinha conversado com ela quando convidou todos para o aniversário, disse que sua mãe estava tentando ser mais suscetível a tudo, eu esperava que Renée conseguisse de vez entender que Bella precisava do apoio total da própria mãe.
— Como foi o vôo, Renée? — perguntei a ela, subindo minha máscara para o topo da minha cabeça, liberando meu rosto.
— Foi bom — respondeu, ainda com o olhar direcionado a Matt. — Oito anos, em? Você não desconfiou da surpresa?
— Não — Matt negou. — Mas fiquei um pouquinho assustado por tudo estar escuro — contou em tom de confissão a ela.
— Eu também senti um pouco de medo, filho — Bella falou, Renée não pode esconder um alto suspiro, que não soava muito contente e ela soltou a mão de Bella e abraçou a si mesma, completamente na defensiva.
— Acho que vou ir pegar minha máscara também — murmurou, já indo para longe da gente.
Bella olhou apreensiva para mim, eu apenas a puxei para perto de mim e beijei sua cabeça, sem querer entrar naquele assunto na frente do Matthew. Fiz com que ela e Matt seguissem até onde Charlie e Sue estavam, na desagradável companhia de Jacob, que tinha uma máscara do Homem de Ferro na cara e uma cerveja na mão.
— Olha só vocês! — o Black exclamou.
— Olha só você, infelizmente — reclamei, por mim ele não estaria em Chicago, mas em Forks bem longe da gente.
— Oi, pai! — Bella abraçou Charlie, mas meu sogro tinha sua atenção voltada para Matthew.
— Oi, Bells — ele disse, a soltando. — Olá, Matthew — cumprimentou o neto.
— Matthew, esse é o seu avô Charlie, meu pai — Bella falou contente para nosso filho.
— Oi! — Matt acenou para ele.
— Eu sou o Jacob — o intrometido disse, Matt apenas concordou com um aceno de cabeça para o Homem de Ferro fajuto.
— Estava ansioso para conhecê-lo — Charlie falou. — Me diga algo, esses dois estão cuidando bem de você, certo? — Olhou para Bella e eu ao perguntar para Matt.
— Papai! — Bella exclamou aflita, Charlie riu. — Falamos para Matthew que você pesca, não é, filho?
— Sim — Matt assentiu. — Mas, eu nunca pesquei — falou para Charlie, que sorriu para ele.
— Eu acho que você se sairá melhor pescando do que seu pai — Ele apontou para mim, eu fiz uma careta ao me lembrar de quando cai no lago, mas vi uma careta no rosto de Jacob e ri ao me lembrar de que o babaca também tinha caído, ou melhor, sido empurrado por minha filha em um ato vingativo.
— Quando eu posso ir pescar? — Matthew perguntou, soando incerto, mas com um pouquinho de curiosidade sobre aquilo.
— Basta convencer seus pais a te levarem lá para onde eu moro, ai eu levo você para pescar — Charlie prometeu.
— Eu farei um bom almoço para você — Sue acrescentou e meu sogro aproveitou aquele momento para os apresentar melhor.
— Você sabe, o Homem de Ferro é muito melhor do que o Capitão América — Jacob cochichou para mim, se postando ao meu lado.
— Fica quieto, idiota — resmunguei.
— Apenas falando a verdade. — Ele tomou um gole de sua cerveja. — Além do mais, todos preferem o Homem de Ferro, incluindo as mulheres, principalmente as mulheres.
Contei mentalmente até dez para não dar um soco na cara do Jacob, ele estava merecendo só por existir, mais ainda por ficar tentando me tirar do sério.
— Jacob, você está atormentando meu marido? — Bella veio até mim, infiltrando-se em meus braços, enquanto Charlie e Sue conversavam com Matthew.
— Não, claro que não — Jacob negou prontamente, levantando a máscara do seu rosto, ele tinha um sorriso exagerado dirigido para Bella. — Como você está?
— Maravilhosamente bem! — Bella exclamou soando realmente maravilhosamente bem, então se esticou em seus pés e plantou um beijo em meus lábios.
— Você sabe, transamos antes de vir para cá, claro que ela está ótima — eu provoquei Jacob, que bufou.
— Edward! — Bella deu um tapa no meu peito.
— O quê? — me fiz de desentendido.
— Não fica falando essas coisas — ela exigiu, com as bochechas corando, tentando disfarçar um sorriso.
— Não vejo nada demais, somos casados e bem felizes, óbvio que transamos. — Olhei pelo canto do olho para Jacob. — Transamos muito, muito mesmo!
— Eu vou pegar uma nova bebida — ele reclamou, afastando-se.
— Você é idiota! — Bella afirmou, batendo em mim de novo, mas seu toque era tão leve que parecia mais um afago.
— Seu idiota — especifiquei, ela sorriu por fim.
— Querido, você com certeza é meu. — Ela mordeu seu lábio inferior, antes de voltar a me beijar, daquela vez demoradamente e de forma pouco casta.
— Vocês dois, parem com isso! — escutei a voz rígida de Charlie, eu tratei de soltar Bella, que cambaleou para longe de mim, limpando sua boca que tinha ficado suja de batom. — Tem crianças aqui, mais respeito — Charlie nos olhou revoltado.
Bella lançou um sorriso amarelo para o pai, antes de pegar na mão de Matt e dizer que tínhamos de ir falar com os demais convidados. Antes que eu pudesse segui-los, Charlie segurou em meu ombro com força, me mantendo parado no mesmo lugar.
— Cuide deles — ordenou, eu sabia muito bem a quem ele se referia, Matthew, Renesmee e Isabella.
— Eu cuidarei, chefe — prometi, Charlie me soltou e torceu o nariz.
— Limpe seu rosto e pare de beijar minha filha na minha frente.
— Si-Sim, chefe! — gaguejei.
***
Bella, Matt e eu falamos com os outros convidados, Alice e Jasper, meus tios — que transmitiram os parabéns de Tanya e Santiago que ainda estavam no hospital com os gêmeos —, Felix, sua esposa e seus quatro filhos — Diego, Pablo, Juan e Hugo, de vinte e dois, onze, oito e seis anos respectivamente —, meu pai, minha irmã e minhas sobrinhas. Depois disso, pudemos ir trocar nossos sapatos por calçados apropriados para as pistas de boliche, Matt seguiu até sua irmã que estava junto as outras crianças, o filho mais velho de Felix e Bree, Bella foi conversar com Nelly e Alice.
Eu estava indo comer algo, mas desviei o caminho quando vi minha irmã sentada sozinha junto ao bar. Rosalie tinha um sorriso no rosto, enquanto observava todos. Ela estava muito parecida com vovó Charlotte, nas fotos de quando mais nova da nossa avó. Minha irmã e Tanya com certeza eram bem parecidas fisicamente com a esposa de Anthony Cullen, mas eu arriscava dizer que Rose era mais.
— O que está fazendo sozinha aqui?
— Apenas relaxando um pouco — respondeu, passando para mim sua garrafa de cerveja, eu aceitei, tomando um gole.
— Como foi seu encontro? — a questionei.
— Que encontro? — ela se fez de desentendida.
— Com aquele jogador de basquete idiota — reclamei. — O Emm — debochei.
— Foi normal. — Ela deu de ombros, mas vi o sorrisinho que ela não pode esconder ao falar sobre aquilo.
— Rose, não me diga que eu vou ser cunhado do Emmett — implorei.
— Você não vai ser cunhado do Emmett!
Respirei aliviado, eu não acreditava que ele era o cara certo para minha irmã. Nós dois ficamos ali por um tempo sozinhos e em silêncio, apenas observando os outros curtindo a festa, até que Isabella se aproximou da gente.
— Oi, esposa...
— Espera, depois falo com você — ela me cortou, concentrada na minha irmã. — Como foi seu encontro? — indagou Rose, minha irmã sorriu.
— Foi incrível — respondeu.
— Espera, como? — questionei.
— Quero mais detalhes! — Bella exigiu, eu bufei, mas ela e Rose continuaram me ignorando.
— Não vou te dar detalhes, só precisa saber que foi muito bom, cunhada. — Piscou para Bella, revirei os olhos, bebendo mais um pouco da cerveja em minhas mãos.
— Vocês transaram — Bella afirmou, eu engasguei ao ouvir aquilo.
— Claro que não, a Rose falou que não transaria num primeiro encontro e ela disse que Emmett não é meu cunhado — eu disse, minha irmã gargalhou. — Rosalie?!
— Eu disse que ele não era seu cunhado porque você pediu isso — Rose falou, dando um tapinha no meu ombro. — Ele me pediu em namoro hoje de manhã — contou para Bella, parecendo deslumbrada. — Depois de me levar café da manhã na cama — acrescentou.
— Espera, ele dormiu no seu apartamento? — questionei.
Bella riu.
— Eles transaram, Edward, claro que Emmett dormiu no apartamento dela.
— Eu não gosto disso — reclamei.
— Ninguém te perguntou — Rose afirmou, fazendo Bella gargalhar. — Emmett é incrível — disse em um suspiro apaixonado. — Nós nos divertimos tanto ontem.
— Não é cedo demais para já se intitular namorada desse cara? — questionei, Bella agarrou minha mão em um cumprimento.
— Olá, Edward. Caso você tenha se esquecido nós transamos no primeiro dia que trocamos palavras um com o outro, dias depois eu era sua namorada e meses após isso eu e você estávamos formando uma família. — Ela sorriu e beijou minha bochecha. — Não encha a paciência da sua irmã, ok? Se ela achou certo aceitar o pedido de namoro do Emmett nos devemos apoiá-la e torcer para que os dois sejam felizes.
— Ah, vocês podem ter certeza de que eu estou muito feliz — Rose sussurrou, ainda sorrindo e soando como uma adolescente apaixonada. — Eu não me sentia assim tinha muito tempo, acho que a última vez foi na época que cai de amores por Royce.
— Sabemos como terminou com Royce — sussurrei de volta.
— Eu sei que se preocupa comigo irmão, mas pode ficar tranquilo, Emmett não é um idiota como meu ex-marido.
— Você já contou as garotas? — Bella perguntou. — Sobre seu novo namorado.
— Não — Rose negou rapidamente. — Eu acho que será melhor deixar isso criar mais consistência, sabe? Vamos deixar Emmett e eu estarmos mais estáveis no namoro, ai eu conto para elas. Ainda não contei para mamãe e papai também, farei isso mais tarde depois da festa. A mamãe estava tão atarefada com a festa, o papai ficou cuidando das garotas enquanto eu ia para o encontro, então ele estava cansado hoje, não quis pilhar a cabeça deles com a noticia.
— Mamãe vai fazer uma grande festa sobre isso — falei, pedindo mais uma cerveja para um dos garçons responsáveis pelo bar.
— Tecnicamente já estamos em uma grande festa — Rose pulou do banquinho onde estava sentada. — Eu vou jogar um pouco.
— Estamos indo logo mais — Bella disse, assumindo o banco que Rose deixou vago ao meu lado. — Você acha que ela vai aceitar de verdade algum dia? — perguntou para mim.
— O quê? — questionei confuso.
— Minha mãe. — Bella me olhou receosa. — Acha que ela aceitará a adoção de verdade? Ou ela vai continuar nessa de ficar fugindo? Eu falei com ela na sexta, ela me parabenizou por ser mãe de novo, mas ela não parece estar totalmente adepta ao fato de que estamos adotando Matthew.
Localizei Renée, ela estava conversando com meus tios, junto a Phill. Ela sorria, mas ainda parecia deslocada ali como antes.
— Você disse a ela antes que ele era negro? — Bella negou com um aceno de cabeça, seu olhar ficando preocupado. — Acha que Bree disse?
— Eu acredito que não, mas talvez Agatha tenha dito. — Bella respirou fundo. — Queria que fosse mais fácil, querido — disse com a voz embargada pelo choro. — Não só para mim, ou você, mas principalmente para o Matt.
— Ei. — Girei seu banco, colocando-a de frente para mim. — Sabíamos que não seria fácil, Bella. — Afaguei seu rosto. — Mas, acredito que somos capazes de enfrentar qualquer obstáculo e em alguns meses Matthew será um Cullen oficialmente e tudo isso estará no passado.
Bella se inclinou, beijando meus lábios.
— Aí nós iremos para Paris.
— Isso, Paris. — Beijei seus lábios de volta. — Toda a família.
— Incluindo seu mais novo cunhado, Emmett! — ela disse rindo, eu revirei os olhos.
— Não gosto disso.
— Bom ir se acostumando — Bella mandou. — Ei, foi aqui que você deu seu primeiro beijo, não foi? No seu aniversário de oito anos! — Se afastou um pouco para me olhar, ela não parecia enciumada, o que era um milagre, mas talvez o ciumento daquele dia estivesse sendo apenas eu.
Eu ri, afagando seu braço.
— Lá na sala de cinema — contei. — A garota se chamava Lauren, nós ficamos juntos outra vez alguns anos depois, quando já eramos adolescentes. — Os ciúmes atingiu o rosto de Bella. — Para sexo, você sabe. — Foi minha vez de provocá-a.
— Não, eu não quero saber. — Ela saiu do banco. — Vamos jogar, Cullen.
***
Matthew não sabia jogar boliche, sendo assim Alice e eu nos incumbimos da missão de ensiná-lo. Principalmente ela, já que a Brandon jogava muito melhor do que eu, por mais que eu odiasse admitir aquilo.
— Eu ganhei outra vez, Cullen, lide com isso! — Alice gritou, fazendo uma dancinha da vitória, quando encerramos mais uma partida e ela saiu vitoriosa.
— Ela é boa! — Matt murmurou para mim.
— Ela é convencida — protestei.
— Você só está sendo chorão, Eddye — Alice disse, indo para os braços de Jasper, que riu a abrigando em seu abraço.
— Odeio esse apelido.
— Vem, Matt, eu vou jogar com você agora — Alice chamou por ele. — Seu pai é um competidor fraco.
— Cadê a Ness? — Jasper me perguntou, olhando ao redor, eu também olhei, procurando por minha encrenqueira.
— Não faço ideia. — Caminhei em direção a pista que Bella estava jogando, junto com Jacob, Bree e o filho mais velho de Felix, Diego. — Querida, você viu a nossa filha?
— Não. — Bella negou, fazendo uma careta quando Jacob conseguiu um strike. — Eu sou péssima nesse jogo.
— Pelo menos você não tomou uma lavada da Alice. Ness?
— Não sei mesmo onde ela está.
— A Nelly viu ela indo para o cinema — Jasper falou, juntando-se a gente. — Parece que tia Esme selecionou os filmes de Harry Potter para passar.
— Ah, isso explica muita coisa. Vamos chamá-la para ela jogar com a gente.
Jasper e eu seguimos até a sala de cinema nos fundos do prédio, assim que entramos lá pude reconhecer Harry Potter passando no telão. Procurei por Ness nas poltronas e a achei, ela não estava sozinha, no entanto. Ao seu lado estava o segundo filho mais velho de Felix, Pablo.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!Os dois riam e comentavam sobre o filme, enquanto dividiam um pacote de pipoca e doces, estavam bastante próximos, bem naquele momento Ness apoiou a cabeça no ombro dele. Eu estanquei no lugar, primeiro Ashton, depois Pablo.
— Ela está crescendo rápido demais — em um tom de voz aborrecido ao meu lado, Jasper falou.
— Eu também acho! — Voltei a me mover, indo até os dois.
Ness arregalou os olhos a me ver e Pablo se afastou da cadeira dela, com uma cara culpada. Eu sentei no lugar vago ao lado da minha filha, Jasper passou pela gente e sentou junto a Pablo, pegando os doces da mão dele.
— Harry Potter, em? Grande filme, eu adoro! — exclamei, Renesmee bufou, eu peguei a pipoca das mãos dela.
— Eu não estava fazendo nada demais — sussurrou para mim.
— Ainda, eu sei que você beijou Ashton — retruquei, olhei para ela e a vi corar como a mãe. — Seria questão de tempo até beijar Pablo, você é nova demais para ficar beijando os outros por ai. — Ok, eu estava sendo hipócrita já que meu primeiro beijo foi tão cedo, mas não queria que ela perdesse o resto da sua infância com dramas adolescentes, uma fase de cada vez.
Renesmee apenas pegou uma mão cheia de pipoca antes de se colocar de pé.
— Será que eu pelo menos posso ir jogar boliche com Pablo?
Do outro lado Jasper contava para Pablo que ele sabia caçar, logo sabia usar armas. O menino estava ficando apavorado, eu me impedi de rir sobre aquilo.
— Pode — concedi.
— Valeu! — ela agradeceu. — Pablo, vamos jogar boliche — chamou por ele.
— Graças a Deus! — o garoto exclamou aliviado, levantando-se e seguindo Renesmee rapidamente para fora do cinema.
Jasper pulou para a cadeira do lado da minha.
— Eu espero que se um dia tiver filhos sejam todos garotos.
Peguei alguns doces da mão dele, ele pegou a pipoca que eu carregava e ficamos assistindo ao filme por alguns minutos.
— Nós estamos em um encontro, Jazzy — percebi.
— Não pegue nos meus peitos! — ele brincou.
— Ah, você acabou de estragar meus planos de um encontro perfeito!
***
Algum tempo depois mamãe anunciou que estava na hora de cantarmos os parabéns para Matthew, meu filho ficou muito empolgado com aquilo, correndo até a mesa onde o grande bolo estava junto com Renesmee. No topo do bolo podíamos ver um bonequinho parecido com ele, cercado por outros bonecos de super heróis, mamãe definitivamente não brincava em serviço.
Isabella e eu colocamos Matthew sobre um banquinho para que ele pudesse ficar da altura do imenso bolo, então nos colocamos cada um de um lado dele. Renesmee ficou junto da mãe e eu vi meu pai aparecer do meu lado, segurando um isqueiro em mãos e uma espátula na outra.
— Você quer o primeiro pedaço — deduzi, Carlisle sorriu.
— Claro que eu quero, sou a pessoa que mais gosta de bolo nessa família, filho. Bolo torna tudo melhor. — Ele se virou para Matthew em seguida, enquanto Alice posicionava todos para começarmos os parabéns e éramos cegados pelos flashes do fotógrafo contratado, um cinegrafista também fazia uma gravação da festa, mamãe tinha nos garantido que ambos assinaram termos de confidencialidade severos, assim como os funcionários da casa de boliche. — Matthew? — Ele olhou para papai, parando de conversar com Bella e Renesmee.
— Sim?
— Eu aceito o primeiro pedaço — Carlisle afirmou, Bella riu do outro lado de Matthew.
— Pode deixar! — Matt concordou empolgado. — Olha, sou eu! — Apontou orgulhoso para seu bonequinho no topo do bolo.
— Papai, você precisa de uma máscara também! — Rose passou para nosso pai uma máscara do Thor, ela tinha uma do Hulk, Bella e Ness usavam máscaras semelhantes da Mulher Maravilha, eu continuava com a minha do Capitão América e Matt a sua do Batman, todos os outros convidados também tinham as suas.
Depois que Alice colocou todos ali, o coro dos parabéns começou. Eu cantava junto com todo mundo, mas estava tão feliz e extasiado pelo momento que só conseguia manter meus olhos sobre Matthew, como se ele fosse uma miragem — obviamente boa — que eu não acreditava de fato que estava bem ali do meu lado, em pleno dia do seu aniversário.
— Assopre a vela, filho — Bella disse para Matthew, não olhei para o rosto dela, mas sua voz me mostrou o quão emocionada ela também estava.
— Faça um pedido! — Ouvi mamãe ordenar de algum lugar.
Matt se inclinou, assoprando a vela. Eu o tomei em um abraço apertado em seguida, já sem conseguir mais me conter, para minha alegria Matthew retribuiu o abraço. Não era meu aniversário, mas o meu pedido era tê-lo conosco, para sempre e sempre, pois ele era meu filho e eu o amava.
***
Estávamos quase no fim da festa, quando Bella e eu acabamos em um sofá da parte da lanchonete do local. Não para comer, mas apenas para descansarmos um pouco depois de um longo dia que ainda nem tinha acabado de fato.
— Ela não tinha um namorado? — perguntei para Bella, vendo algumas mesas da nossa Bree e Diego se beijando.
— Ela terminou com ele, contou isso para mim mais cedo. Espero que ela não fique mal por ter de voltar a New York e deixar Diego aqui — Bella disse, mexendo em meu cabelo. — Eu odiaria se fosse comigo.
— Não, eu tenho Jasper aqui, nunca o deixaria para trás — brinquei com ela, que sorriu, beijando minha bochecha.
— Bella? — Olhamos para nossa frente, era Renée, que parecia ansiosa. — Podemos conversar? — Ela se sentou a cadeira do outro lado da mesa a nossa frente.
— Claro — Bella concordou.
— Eu vou ver se Matthew e Ness não estão se entupindo de doces — falei, fazendo menção de me levantar, mas Bella agarrou meu braço e Renée disse:
— Acho que você tem de participar dessa conversa, Edward.
— Ok. — Permaneci no meu lugar, com Bella ainda agarrada a mim.
— Eu queria começar pedindo desculpas — Renée murmurou, com os olhos fixos no rosto da filha. — Primeiramente por eu ter agido daquela forma no restaurante, quando vocês nos chamaram até Chicago para nos contar sobre a adoção. Tudo que falei aquele dia foi mesmo bem preconceituoso, eu fui rude com vocês, principalmente com você Bella e parti no dia seguinte sem sequer me despedir. Eu também queria pedir desculpas por ter passado tanto tempo evitando vocês, o assunto da adoção. — Renée suspirou, passando a mão pelo rosto. — Eu preciso ser franca, que não entendo porque vocês estão adotando, que nunca adotaria uma criança...
— Mãe, não quero discutir com você aqui. — Bella se levantou.
— Não, não vamos discutir, Bella — Renée garantiu, segurei na mão de Bella, fazendo com que ela voltasse a sentar, a contra gosto ela fez aquilo. — Eu quero dizer que não entendo a adoção, mas que vi hoje o quanto vocês entendem. Vi vocês com Matthew, vi como vocês o tratam, como vocês o amam. Só peço que entendam que não consigo sentir por ele o mesmo que sinto por Nessie, eu sei que ele é filho de vocês, mas não me sinto avó dele.
— Por que ele é negro? — Bella perguntou entre dentes.
— Não, Isabella, claro que não! — Renée negou atordoada. — Por favor, Bella, você sabe que eu não sou racista. — Ela parecia estar falando a verdade, o que fez com que Bella e eu abaixássemos um pouco a guarda. — Talvez eu só não seja uma mulher tão sentimental quanto a mãe do Edward — Renée disse, soando envergonhada. — Como sei que não fui uma grande mãe para você e Bree.
— Renée...
— Só queria dizer que eu estou os apoiando com a adoção — Renée interrompeu a filha. — Mesmo que eu não a entenda, o que importa e sua felicidade, Bella — disse para minha esposa. — Eu quero que você seja muito feliz, filha, que sua família seja feliz. Não sei como posso os ajudar com adoção, mas quero que saibam que eu estou de peito aberto para ajudá-los no que for necessário e que vou trabalhar em entendê-la melhor. Matthew parece um menino incrível, eu realmente espero que um dia me sinta como uma avó para ele.
Bella soltou minha mão, levantou-se e foi até a mãe, dando um forte abraço em Renée.
***
A festa inteira correu tranquilamente, o que foi ótimo pois mesmo com tudo dando certo mamãe já estava uma pilha de nervos — principalmente por no dia seguinte ela ter outra sessão de quimioterapia —, ela não precisava de mais nada a tirando do sério. Depois que a festa acabou, que todos foram embora, Nelly, Nessie, Matthew, Bella e eu também voltamos para nossa casa.
Nelly logo foi dormir, enquanto Bella e eu cuidávamos de colocar as crianças em suas camas também. Não demorou nada para os dois pegarem no sono, também exaustos depois de um dia inteiro na festa.
Bella me mandou ir tomar um banho primeiro, para que ela pudesse checar com seus pais e sua irmã os vôos de volta de todos. Eu deixei o banheiro pronto para dormir também, mas não encontrei Isabella no nosso quarto, o que me fez ir atrás dela na sala.
Minha esposa estava dormindo no sofá, com o celular em mãos. Ela estava tão exausta, que não respondeu nenhum dos meus chamados, sendo assim a peguei no colo, levando-a para nosso quarto. Deitei Bella em nossa cama, então fui para o closet pegar roupas para que ela pudesse dormir. Peguei um moletom meu de Harvard que ela adorava, junto com um short de pijama dela.
Cuidadosamente tirei sua camiseta, seu sutiã e sua calça jeans, assim como seus sapatos e a coloquei nas roupas confortáveis. Logo fui para a cama com ela, afagando seus cabelos, vendo a dormir.
Uma hora, mais ou menos, se passou naquilo. Eu só vendo Bella dormir, mas sem conseguir descansar também. Estava exausto, mas ainda agitado demais.
Sabendo que eu não dormiria tão cedo, sem querer ficar na cama brigando com meus pensamentos que estavam em sua maioria na votação do conselho para a presidência do grupo Cullen que aconteceria em uma semana, eu decidi ir para o escritório trabalhar um pouco. Isso só me deixaria um caco no dia seguinte, mas eu precisava distrair minha mente.
Eu estava passando pela porta do quarto de Matthew quando o ouvi chorar, aquilo me assustou e não esperei nada para entrar lá. Ele estava sentado em sua cama, agarrado ao pinguim Eddye, chorando como eu tinha escutado.
— Matt, o que aconteceu? — perguntei, aproximando-me da cama.
— Nada — ele mentiu, desviando o olhar para bem longe de mim.
— Tem certeza?
— Te-Tenho.
Sentei na beira da sua cama, virando seu rosto para mim.
— Ei, você pode confiar em mim — aleguei. — Conte-me o que está acontecendo, talvez eu possa ajudá-lo.
— Deu meia noite. — Matt abriu sua mão direita, revelando o relógio do vovô Anthony que eu tinha dado para ele em sua primeira noite na nossa casa. — Eu fiz o primeiro pedido ao apagar a vela do meu bolo de manhã, que meu pai viesse me ver até meia noite.
Engoli em seco, sabendo que era Laurent quem ele queria.
— Sinto muito, Matthew. — Ele me olhou, seus grandes olhos castanhos estavam repletos de lágrimas. — Por você não ter mais Laurent.
Matt se encolheu, ainda agarrado ao pinguim de pelúcia.
— Eu sinto falta dele — sussurrou, voltando a chorar alto, não soube o que dizer, então apenas o puxei para meus braços, tentando consolar ele o máximo que pude.
Passamos algum tempo quietos, o único som que povoava o quarto era o choro de Matthew. Aquilo partia meu coração de mil formas diferentes, eu sempre odiei ver Renesmee chorando, com Matthew não era nada diferente.
— Sabe — comecei a falar. — Quando sua irmã não conseguia dormir de noite, eu dançava com ela, você quer dançar?
Matt negou, balançando sua cabeça contra meu peito.
— Não quero dançar! — exclamou com firmeza.
— O que acha de irmos comer um pedaço de bolo, no caso? — sugeri, ele ergueu o rosto para mim, ainda chorando, mas aos poucos parando.
— O de chocolate que a tia Nelly fez?
— Esse mesmo. — Limpei as lágrimas para longe do seu rostinho preso em uma expressão triste.
— Ok, eu quero um pedaço de bolo — concordou, dando um sorrisinho.
— Vem. — O puxei para minhas costas, passando seus braços por meu pescoço e o mantendo seguro atrás de mim.
Deixei seu quarto ainda com ele em meus braços, seguindo com Matthew para a cozinha. O sentei sobre o balcão, peguei tudo que precisaríamos e nos servi com generosas fatias de bolo.
— Gosto de bolo — Matthew comentou, a boca suja de cobertura, os olhos ainda marejados.
— Sabe — comecei a falar. — Alguém me disse que bolo torna tudo melhor — falei, pensando na fala de papai mais cedo aquele dia.
Matthew sorriu, assentindo.
— Obrigado, Edward!
— De nada, filho. — Beijei sua cabeça, ele fungou, mas não disse nada, ou me repeliu. — Amo você, Matthew.
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