Nossa Família

57 Capítulo Cinquenta e Seis - Olhares


— Capítulo Cinquenta e Seis —

— Olhares —

Isabella Cullen

Todos os olhares estavam fixos no caos formado entre Royce e Irina, mas eu desviei o meu da confusão formada entre eles e busquei por Rosalie, que logo percebeu que estava olhando para ela e arregalou seus olhos para mim, tão chocada quanto qualquer um com aquele soco da Denali no seu ex-marido. Voltei a olhar para a briga, Royce ainda estava gritando que Irina era louca, enquanto ela rebatia o chamando de babaca, tudo isso na frente de uma primeira dama horrorizada.

Esme tirou as netas dali rapidamente, enquanto Eleazar e James mandavam Royce embora, e Carmen tentava acalmar sua filha, mas até eles pareciam confusos com tudo que estava acontecendo ali. Por fim, sem esclarecimento algum, Royce deixou o salão de festas e vi Rosalie praticamente correr em seus saltos para segui-lo, Edward fez menção de ir atrás da irmã, mas fui mais rápida.

— Fica aí, eu vou com ela.

Ele resmungou algo, mas eu já estava deixando o salão atrás de Rosalie. Ela estava no saguão com Royce, que gritava com um dos meus funcionários ordenando que ele arranjasse gelo para colocar em seu rosto.

— Você não pode gritar com as pessoas assim — Rosalie estava falando com ele quando me aproximei, ficando ao lado dela.

— Foda-se o que você acha, Rosalie — ele rebateu.

— Ei, seu idiota, não fale com a Rosalie assim, ou vou mandar os seguranças te jogarem na rua — me pronunciei, ele revirou seus olhos.

— Por que Irina te bateu? — Rose indagou. — E como eu devo explicar isso para as minhas filhas que viram tudo?

— Sei lá, dá seu jeito, você não tá com a guarda delas? É responsabilidade sua — Royce falou e eu quis socá-lo, bater nele mais do que Irina tinha batido. — Vou pro meu quarto, essa festa patética acabou para mim. — Seguiu em direção aos elevadores batendo os pés enquanto andava, como uma criança birrenta.

— Por que ela bateu nele? — Rose perguntou para mim.

— Não faço ideia.

Ela suspirou e disse:

— Vamos voltar, preciso falar com as minhas filhas que tiveram de ver essa cena deplorável. Mas, para ser sincera, essa foi a primeira vez que senti algum tipo de gratidão por Irina, quisera eu ter dado um soco nesse babaca.

— Nem me fala, eu usaria tudo que aprendi com as lutas que assisto para acabar com a cara dele. — Ela riu, suspirou mais uma vez, claramente muito nervosa. — Okay, voltar.

— Isso, voltar. A fofoca lá dentro deve estar bem pesada — comentei e ela fez uma careta. — Força, estaremos lá com você.

Minha cunhada assentiu e retornamos para o salão, alguns olhares logo se voltando para Rosalie, mas ignoramos tudo e seguimos até a mesa da nossa família.

— Ei, meus amores, vamos conversar rapidinho lá fora? — Rosalie falou com Anne e Lucy.

As meninas concordaram, Anne parecia estar bem, mas Lucy estava claramente preocupada com o que tinha acontecido. Elas saíram com a mãe, eu me sentei no meu lugar entre Esme e Edward.

— Você ouviu alguma coisa entre eles? — perguntei em um cochicho para minha sogra.

— Não, estava falando sobre isso antes de vocês voltarem, não ouvimos coisa alguma, foi completamente do nada. Nem Carmem e Eleazar pareceram entender o que aconteceu. — Discretamente sinalizou com a cabeça em direção à mesa ocupada pelos Denali.

Irina estava sentada entre a mãe e James, encarando a mesa diante de si, rosto vermelho e expressão furiosa. Todos na mesa dos Denali, sua família e a outra família que estava dividindo espaço com eles, conversavam como se nada estivesse acontecendo, mas Eleazar constantemente lançava olhares irritados em direção à sua filha mais velha, até que o olhar dele se encontrou com o meu e só tinha repulsa em seus olhos, assim como eu bem sabia que nos meus também.

Tirei meus olhos da mesa deles, me voltando para a da minha família, vendo que Carlisle estava olhando em direção aos Denali também, mas sem parecer realmente estar os enxergando, seu olhar parecia muito mais perdido do que qualquer coisa. Foi impossível não achar que ele estava pensando sobre o que estava atormentando a si e a Caius nos últimos dias.

— Tudo bem? — Edward perguntou para mim, próximo ao meu ouvido. — Quer dizer, fora esse tumulto.

— Sim, tudo bem — confirmei, olhando para ele e beijando seus cabelos. — Te amo.

Olhei mais uma vez para meu sogro, que ainda estava como antes, perdido em pensamentos. Entretanto, daquela vez, enquanto olhava para sua esposa, que contava uma história divertida para meus filhos, sem perceber que algo perturbava o marido.

X

Quando Rosalie voltou com as meninas, Lucy parecia mais calma e logo se juntou a Nessie para tirar fotos no celular de Edward, o que rapidamente a distraiu de qualquer outra coisa. Minha cunhada se aproximou do irmão e de mim, dizendo que precisava de álcool e rapidamente oferecemos nossas bebidas para ela.

Infelizmente a família não pode ficar sentada pelo resto da noite, tivemos de voltar a circular e socializar com os outros convidados. Mas, Edward, em determinado momento, cansado de tudo aquilo, me fez ir dançar com ele.

— Boa ideia da primeira dama um jantar dançante, assim posso fazer você dançar comigo, querida.

Eu sorri e apoiei minha cabeça em seu ombro, enquanto deixava com que ele me conduzisse.

— Como você quer comemorar seu aniversário? Está próximo — comentei, tínhamos menos de vinte dia até o aniversário dele.

— Não sei, mas precisa ter bastante álcool e bolo. — A última parte me fez rir, pensando no amor de Carlisle por bolos. — Eu sei, estou me tornando meu pai.

— Em breve você será o inconveniente das festas contando a piada do iglu. — Foi a vez do meu marido rir.

— Vai continuar me amando quando isso acontecer?

— Farei esse esforço — dramatizei, ia beijá-lo, mas Rosalie apareceu interrompendo tudo.

— Bella, vem comigo.

— O que foi? Royce voltou? — Edward perguntou me soltando, olhando ao redor.

— Não, só quero que a Bella venha comigo me ajudar a retocar a maquiagem. — A loira agarrou minha mão. — Depois te devolvo ela, irmãozinho, não se preocupa.

Rosalie me fez andar tão rápido que por pouco não tropecei em meus saltos, sem entender aquele desespero dela por conta da maquiagem, indaguei:

— Tá tudo bem?

— Vi Irina ir para o banheiro, vamos enquadrar ela, fazer a insuportável falar.

— Rosalie! — Parei de andar, fazendo com que ela parasse também. — Não vamos fazer isso.

— Vamos sim, eu preciso saber o motivo daquele soco, Bella!

— Vamos criar mais confusão, esse ainda é o hotel da nossa família e esse ainda é o aniversário da esposa do presidente do país. O soco que ela deu em Royce já deve estar reverberando pela internet, não precisamos de mais fofoca, principalmente sobre você brigando com a Denali num banheiro.

— Eu não vou brigar, serei educada, prometo.

— Rosalie…

— Bella, vou com ou sem você, mas sem você aí é mesmo capaz de eu perder toda minha educação com aquela lá.

Bufei, sabia que era uma guerra perdida.

— Ok, vamos lá.

Ela sorriu, voltando a me puxar em direção ao banheiro. Na porta uma funcionária do hotel recebeu suborno de Rose — tal pai, tal filha —, para não deixar mais ninguém entrar. Duas convidadas de Sulpicia saíram e nós entramos, nos deparando com Irina se encarando no espelho do espaço, as mãos apoiadas sobre o balcão da pia.

— Por que você bateu nele? — Rosalie foi logo questionando, Irina nos olhou, ainda furiosa como antes.

— Você deveria estar grata por eu ter batido no seu maridinho…

— Ex-marido — Rose a corrigiu. — Por que bateu nele?

Irina resmungou, movendo-se até estar diante de Rosalie.

— Quer mesmo saber, Rosalie?

— Sim, cuspa.

Irina sorriu, um sorrisinho maligno, e contou:

— Porque seu maridinho fez questão de recordar o passado que ele e eu tivemos.

Rosalie paralisou, meu sangue na mesma hora ferveu, entendendo tudo.

— Era isso que queria saber, Rosalie? Pronto, agora você sabe, eu fodia com Royce alguns anos atrás, e você burra como é, nunca sequer desconfiou.

— Você é desprezível — falei, segurando na mão de Rosalie, que ainda estava em choque com a informação.

— É, Isabella? Muito obrigada pela sua opinião não solicitada — debochou, olhando para mim antes de se voltar para Rosalie. — Royce propôs que eu voltasse para a cama dele hoje, por isso o soco, mas quer saber, Rosalie? Não tem mais graça agora que vocês se divorciaram, bom mesmo era quando eu estava nos braços dele e nós dois estavamos rindo da sua cara de trouxa.

Eu não me aguentei, dei um passo em direção à Irina, pronta para enfiar minhas unhas na cara dela, mas Rosalie me puxou para trás de si, voltando a si. Apontou para a porta, e ordenou para a Denali:

— Saí daqui!

— Com muito prazer, Deus me livre compartilhar oxigênio com duas idiotas como vocês duas.

Ela deixou o banheiro, batendo a porta e no mesmo instante Rosalie estava chorando.

— Ele já me traia há quanto tempo?

— Rosalie, sinto muito…

— E com ela? Justo com ela? Essa maldita que sempre esteve rondando minha família como uma parasita? Chama a minha mãe, por favor, preciso dela.

— Claro — concordei prontamente. — Vou reforçar com a funcionária para ninguém entrar aqui.

Rose concordou, me abraçando rapidamente e indo sentar em um banco estofado que tinha no banheiro. Eu deixei o local, indo até minha sogra que estava dançando com Edward, os dois estavam se divertindo, rindo de algo, e foi uma merda interromper o bom momento deles para jogar mais problemas no colo de todos.

— Esme, a Rose tá no banheiro, pediu para você ir lá com ela.

— O que aconteceu? É sobre o Royce?

— É… — Eu mal tinha acabado de falar e minha sogra já estava seguindo até o banheiro.

— O que foi? — Edward perguntou tenso.

Eu respirei fundo, o tirando da pista de dança. O levei até a mesa da família, onde só Matt e Carlisle estavam, vi Ness, Lucy e Anne em outra mesa, com outras crianças da festa e Athenodora que conversava com a mãe das outras garotas. Os dois estavam vendo algo no celular do meu sogro, e meu filho imediatamente disse para o pai quando o viu:

— Pai, vovô Carlisle tá me mostrando vídeo de bolos que deram errado.

— Uma verdadeira catástrofe. — Carlisle riu, mas quando nos olhou percebeu que tinha algo de errado.

— Matt, precisamos falar um assunto de adultos com seu avô, pode ir lá com sua irmã? — perguntei.

— Mas elas não vão querer ver vídeos de bolos — reclamou.

— Vai ser rapidinho, tudo bem? — prometi.

— Aqui, pode levar meu celular. — Edward entregou o aparelho para ele, Matthew mesmo nada feliz com aquilo foi até a mesa que Ness estava com os outros.

— O que houve? — Carlisle perguntou de mim para Edward.

— Também não sei — meu marido respondeu. — Bella?

Sentei perto de Carlisle, Edward sentou junto de mim e sussurrei para não correr o risco de ninguém mais nos ouvir.

— Irina acabou de contar para Rose e eu que ela foi amante do Royce.

Carlisle ficou vermelho de ódio, enquanto Edward arregalava os olhos.

— O soco foi porque ele estava propondo que voltassem a ter um caso.

— Eu vou matar aquele desgraçado — Carlisle esbravejou.

— Irina, obviamente, não foi nenhum pouco empática contando isso para Rose. É uma… Melhor eu nem terminar — resmunguei como Matthew tinha acabado de fazer.

— Eles querem destruir a gente — Carlisle murmurou, olhando para algum lugar, Edward e eu seguimos seu olhar, vendo que ele estava encarando Eleazar. O Denali o notou, e ergueu sua taça de champanhe, com um sorrisinho digno de filmes de terror no rosto. — Nós precisamos conversar sobre os Denali.

Senti Edward enrijecer ao meu lado.

— Sobre o que você e Caius vem escondendo? — questionou o pai.

— Sim — Carlisle confirmou, engolindo em seco. — Podemos ir para sua sala, Bella? Precisamos conversar sobre isso num local privado.

— Vamos chamar minha mãe e Rose? — Edward perguntou.

— Vamos contar para Rosalie depois, ela precisa se acalmar. E não podemos deixar sua mãe saber disso agora, filho. Bella, sua sala? Podemos?

Senti minhas mãos gelarem, mas concordei. Nós três nos levantamos, pedi junto de Edward que a tia dele ficasse com as crianças, Carlisle chamou o irmão e nós quatro nos reunimos em minha sala.

— Vai, fala de uma vez — Edward implorou, andando de um lado para o outro pela sala.

— Pouco antes da sua avó morrer, ela me ligou — Caius quem falou, sentado na beirada da minha mesa, encarando o chão. — Pedindo que Carlisle e eu fossemos até ela assim que possível, ela disse que precisava conversar conosco sobre os Denali, especialmente Eleazar. — Caius olhou para o irmão, que continuou.

— Ela disse pouco para Caius, queria ter aquela conversa conosco pessoalmente, que podia ser arriscado por telefone, mas disse que o assunto envolvia a morte do pai de Eleazar.

— Eu tentei insistir que ela fosse mais clara pelo telefone, mas estava muito nervosa e só falou mais que a Esme não podia saber, que seria um baque para ela, que não merecia aqueles pais e quando disse isso rapidamente desligou e não atendeu mais. Não sabemos o que de fato ela queria nos contar, mas Carlisle acha que… — Caius foi interrompido pelo irmão.

— Eu acho que os pais da Esme planejaram a morte do pai de Eleazar.


Notas finais
beijos! lola royal. 01.08.25
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.