Nossa Família

27 Capítulo Vinte e Seis — Carro


Notas iniciais
Boa leitura ♥

— Capítulo Vinte e Seis —

— Carro —

Edward Cullen

No momento que entrei em meu escritório do apartamento, o celular em meu bolso tocou. O peguei, atendendo imediatamente ao ver que era meu pai ligando, justamente a pessoa com quem eu tinha de falar naquele momento.

— Hey, pai. Eu estava prestes a te ligar — falei, apoiando minha cabeça na porta, sentindo-a a dolorida. Além do mais, era como se eu tivesse uma tonelada sobre meus ombros, o dia tinha sido cheio de emoções, era difícil lidar com tudo que aconteceu naquele sábado. Sentia-me exausto. — Como foi com a psicóloga? Ocorreu tudo bem? Devemos nos preocupar com algo? — Comecei a enchê-lo de perguntas, temendo que não só minha aproximação com Matt tivesse acabado mal.

— Foi tudo bem — ele respondeu, soando confiante, o que sempre foi algo muito comum dele. Eu me lembrava de ir visitar meu pai no trabalho quando criança, de vê-lo sentado a sua mesa cercado por documentos, telefones e computadores e acreditar que ele podia governar o mundo, pois era capaz de fazer qualquer coisa que quisesse. — Alías, aquela mulher é ardilosa, não? — Eu ri, entendendo perfeitamente sobre o que ele estava falando. — Não conte para sua mãe, mas chorei lá dentro. Sério, eu não choro desde que minha mãe morreu, que tipo de mecanismos psicológicos ela usa para levar uma pessoa ao choro com dois minutos de conversa?

— Também chorei — confessei, ainda rindo. — Você não está só nisso. E como foi com mamãe? Ela está bem? Eu estava com medo de como essa conversa poderia afetá-la agora que...Bom, você sabe, com essa doença e tudo mais. — Suspirei, apertando minha nuca ao pensar em mamãe doente, o peso sobre mim só parecendo aumentar.

— Esme está bem, ela foi forte. Com certeza a psicóloga também lhe fez chorar, mas ela não parecia abalada ao ponto de ficar sem rumo depois de sua conversa. Inclusive, ela está com Rosalie e as meninas no apartamento preparando algumas coisas lá antes da mudança oficial amanhã, sabemos como mexer em decoração sempre a anima — contou. — Agora, vamos ao motivo que fez com que eu te ligasse.

— Ótimo, eu tenho de ir viajar de última hora de novo? — resmunguei, apertando minha nuca mais uma vez, cogitando a ideia de ligar e pedir uma massagem para Alice, que tinha feito algum curso na Tailândia sobre isso alguns anos antes. — Não é uma boa hora para isso, pai. Preciso estar aqui para todos os momentos da adoção, Bella e eu temos um monte de coisa a fazer, a quimioterapia da mamãe está prestes a começar, Nessie tem uma peça no sábado, ela surtaria se eu não estivesse lá...

— Você pode parar de falar por um instante e deixar com que eu fale também? — ele me interrompeu, mas com humor em sua voz. — Acalme-se, não vou mandá-lo para nenhuma viagem de última hora, sei que você tem muito o que fazer aqui em Chicago. E, sua mãe me mataria se eu te mandasse para longe apenas dias antes da quimioterapia. Nem vamos falar sobre como a pequena Renesmee faria um caos por não ter você na peça dela, a garota é geniosa como a avó e nós até recebemos convites eletrônicos para comparecer ao espetáculo.

— Okay, por que me ligou então?

— Está desocupado, não é? Arrume-se, eu vou passar no seu prédio em dez minutos, temos algo importante para fazer — anunciou, sem revelar muito.

— Pai, eu...

— Arrume-se, não quero ouvir desculpas, Edward. Em dez minutos esteja na portaria. — Desligou.

Bufei, prevendo que ele com certeza me levaria para algo relacionado ao trabalho. Fui em direção ao meu quarto trocar de roupas, fazendo silêncio ao ver Nessie e Bella apagadas em nossa cama, elas deviam estar exaustas do passeio. Desliguei as luzes, deixando-as mais cômodas, então fui para o closet, Ness estava acordando quando retornei ao quarto, ainda agarrada ao seu pinguim, Carl.

— Pai? — chamou por mim sonolenta, os olhinhos piscando graças ao sono.

— Oi, Princesa. Volte a dormir com sua mãe, vocês tiveram um dia longo, eu peço que Nelly as acorde em breve para jantarem.

Ela apenas assentiu, voltando a fechar os olhos. Beijei sua testa, então a bochecha de Bella, que provavelmente não acordaria tão cedo.

Na sala de estar, Nelly assistia TV, era uma novela mexicana que no passado ela tinha me viciado. Cogitei a ideia de dispensar papai e ficar ali mergulhado em dramas alheias, mas ele era capaz de me buscar ali e arrastar-me para onde quisesse, não seria algo inédito.

— Ei, esse é aquele capítulo que o Pablo perde a memória? — perguntei a Nelly.

— Está para acontecer — ela respondeu, concentrada na cena que passava, mas virou-se para me olhar. — Você vai sair? — ela notou o terno.

— Sim, meu pai quer que eu vá com ele a algum lugar — reclamei. — Eu só queria ficar aqui assistindo novela, foi um dia difícil, não preciso de trabalho fora de casa para me cansar mais.

— Matthew ainda não está sendo receptivo? — perguntou, dando um sorriso doce. Eu adorava Nelly, desde o primeiro momento que ela foi morar comigo, Nessie e Bella, se integrou a nossa família perfeitamente.

— Sim. — Respirei fundo. — Grave esse episódio para mim, certo? Quero ver mais tarde com Isabella.

— Ela odeia novelas, Edward — Nelly lembrou rindo.

— Ela não sabe o que está perdendo, alguém tem de introduzi-la a produções mexicanas urgentemente. — Vesti meu paletó. — Tenho que ir agora, meu pai odeia ficar esperando, as meninas estão dormindo, as acorde em algum momento para que possam comer algo, ou vão ficar insuportáveis mais tarde.

— Pode deixar, bom trabalho, garoto.

— Em um sábado à noite? Não zombe de mim, dona Nelly. Porra, a cena do acidente — lamentei ao ver o carro do mocinho caindo do penhasco.

Antes que eu cedesse e ficasse ali assistindo, forcei meu corpo a sair do apartamento. No instante que cheguei a portaria, vi o carro do meu pai ser estacionado lá fora, segui até esse.

Porém, para minha surpresa, no momento que abri a porta do carona, deparei-me com Emmett McCarty. Eu paralisei, confuso demais para conseguir falar qualquer coisa, Emmett também parecia confuso, então lhe dei um desconto.

— Ei, banco de trás, filho — Carlisle falou.

— O-O qu-quê? — consegui falar, ou melhor, gaguejar.

— Vamos, não temos a noite toda, Edward — meu pai insistiu. — Entre de uma vez.

Ainda confuso com Emmett no carona do carro do meu pai, eu fui para o banco de trás.

— O que estamos fazendo? — eu indaguei meu pai, que começou a dirigir rapidamente.

Bella dizia que eu dirigia rápido, isso porque ela quase não entrava em um carro que meu pai estava dirigindo. Ele tinha várias multas acumuladas em seu nome enquanto eu crescia, mamãe até insistia que ele sempre saísse com o motorista para evitar mais delas.

— Vou levá-los para um passeio — foi tudo que meu pai disse. Okay, tudo bem, mas por que Emmett tinha de ir junto mesmo?

— Tem certeza, senhor Cullen? Eu deveria voltar ao hotel, é sábado à noite, podem precisar de mim e Bella disse que não queria ser incomodada — Emmett falou, com um toque de vergonha em sua voz, notei que ele também estava usando roupas de trabalho, mas papai estava vestido casualmente.

— Pode ficar tranquilo que não vai ser demitido por passar uma noite fora do trabalho — Carlisle falou. — E você. — Olhou para mim pelo retrovisor. — Por que está de terno?

— Porque pensei que a gente ia trabalhar — reclamei, odiando estar no banco de trás. Qual é? Eu era o filho ali, merecia estar na frente. — Diga logo para onde vamos, pai — insisti, tirando o paletó e arregaçando as mangas da camisa social que usava. — E é mesmo bom que ninguém ligue para Bella, ela estava dormindo quando sai de casa, se alguém ligar irá ser uma pessoa morta.

— Ninguém vai importunar, Bella — papai garantiu. — E não adianta ficarem perguntando para onde vamos, é uma surpresa. — Ele ligou o rádio, colocando em uma estação qualquer impedindo que nós ficássemos conversando com ele devido ao som alto, bem maduro.

No caminho para o lugar misterioso que papai estava nos levando, nem precisei de muito para me convencer de que aquilo podia ter dedo da minha mãe. Ela provavelmente tinha pedido a papai para investigar Emmett para ter certeza de que ele era bom para Rosalie, o que era capaz de deixar minha irmã uma fera com todo mundo, inclusive comigo que era um pobre inocente que não sabia daqueles planos até ter de entrar naquele banco de trás.

— Chegamos! — papai exclamou, abri os olhos, estava quase dormindo aquela altura, vendo que ele entrava na pista de corrida de Chicago.

— Pai, o que estamos fazendo aqui? — indaguei em êxtase, remexendo-me inquieto no banco. Emmett, que até então estava quietinho em seu lugar — ou meu lugar considerando que era eu quem deveria estar no carona — também estava ansioso ao ver meu pai entrando na pista.

— Vocês pareciam muito animados falando sobre o Bugatti Veyron 16.4 outro dia — ele disse, apontando mais a frente na pista, onde podíamos ver um carro estacionado, mesmo a distância eu sabia muito bem qual era, o que fez meu coração acelerar.

— Puta que pariu, porra — comecei a xingar, querendo abrir a porta do carro de papai e deixar aquela Mercedes para trás de uma vez e poder ir abraçar o Bugatti.

— Edward, calma, você não vai pular do carro em movimento — papai falou, mantendo as portas travadas.

Eu tentei manter a calma durante os segundos que levaram para papai estacionar junto ao Bugatti e destravar as portas, pulei imediatamente para fora da Mercedes dele, indo de encontro ao carro dos meus sonhos ali. Sim, eu abracei o capô do carro. Sim, minha esposa ia ficar cheia de vergonha se visse isso. Sim, eu tinha trinta anos e não devia fazer aquele tipo de coisa, mas era um Bugatti e eu estava apaixonado.

O Bugatti era preto, com detalhes em laranja na parte inferior e laterais. Desing fino e parecia brilhar no começo daquela noite de abril.

— Pai, você está me dando um Bugatti de presente antecipado de aniversário? — indaguei entusiasmado.

— Não mesmo. — Ele riu. — Nem mesmo para você eu daria um carro tão caro — falou, pegando as chaves de um homem ali. — Esse é o Amum. — Gesticulou para o cara. — Ele trabalha com essas belezinhas. — Papai tocou no Bugatti, que infelizmente não seria meu. — Nós estamos o alugando por uma noite para que possamos dar algumas voltas aqui na pista.

— Não podemos ir para a cidade? — questionei, tentando pegar as chaves da mão de papai, mas ele não permitiu.

— Não — ele respondeu. — Estou falando sério, se esse carro arranhasse eu teria de comprá-lo e sua mãe não ia gostar de me ver pagando mais de um milhão em um.

— Droga — reclamei.

— Ele é muito mais bonito pessoalmente do que por foto, olhe essas rodas! — Emmett exclamou do outro lado do Bugatti, Amum foi até ele falar qualquer coisa sobre as rodas.

— O que Emmett está fazendo aqui? — perguntei aos cochichos para meu pai. — É algum plano do cupido Esme? Ela é terrível!

— Não, na verdade fui eu quem armou tudo isso. — Papai abriu o Bugatti, entrando ali.

Porra, ele era mesmo muito mais bonito pessoalmente. Queria tanto aquele carro, combinaria tanto na minha vaga de garagem.

— Por quê? Você não está cogitando uni-lo a Rosalie também, né?

— Entra. — Apontou para o banco do carona, fechando sua porta em sequência.

— Ah, que bom saber que eu posso ser o carona da vez. — Contornei o carro, entrando no banco do carona. — Não posso dirigir?

— Não ainda, vou primeiro, sou eu quem está pagando, garoto. — Papai ligou o carro, mas sem sair do lugar. — E não, não estou pensando em bancar o cupido entre sua irmã e Emmett, eu não sou sua mãe. Mas, ele parece um homem bom e eu não reclamaria de ver minha filha com alguém descente. Se pudermos conhecer Emmett melhor esta noite, isso seria ótimo, nós dois sabemos o quão babaca Royce era, iremos perceber rapidamente se o McCarty for igual, ou minimamente parecido. Entretanto, acredite em mim, filho, ele não parece ser como Royce.

— Que seja, dirija de uma vez. — Toquei no volante do Bugatti. — Sabe, sou um bom filho, nunca dei problema, você poderia me presentear com um desses em junho, eu espero até meu aniversário pacientemente.

Papai gargalhou.

— Nunca deu problema? Conte outra, Edward.

Ele abaixou o teto do carro, as luzes da pista iluminando o interior também trabalhado em preto e laranja.

— Porra! — Emmett exclamou do lado de fora.

— Eu sei, né? É o melhor carro do mundo. Vamos, pai!

Antes que eu entrasse em desespero por não ter aquele carro em movimento, meu pai começou a dirigi-lo. Como previsto em segundos já estávamos a cem por hora, então correndo pela pista de Fórmula 1 de Chicago, era insano.

O sorriso em meu rosto durou a volta inteira, mas eu ainda queria ser a pessoa ao volante. Papai parou o carro em outro ponto da pista, então se virou para mim, também entusiasmado.

— Melhor carro do mundo! — exclamou.

— Eu disse!

— Porra, esqueça o que falei antes, vou comprá-lo.

— Sério? — praticamente gritei. — Será o melhor presente...

— Comprá-lo para mim — ele me interrompeu mais uma vez.

— Pai!

— Vou deixá-lo dirigir, de vez em quando. Tipo, uma vez por ano para que não o gaste muito.

— Isso é injusto, mas tudo bem, vou herdar o carro de qualquer forma — brinquei, fazendo com que nós dois ríssemos. — Obrigado por isso. — Gesticulei a minha volta. — Você é o melhor pai do mundo.

— Você é um pai melhor do que eu — papai falou, dando de ombros. — Eu estive muito ausente no começo, focado demais no trabalho. — Balancei a cabeça em negação.

— Não, eu não sou mesmo um excelente pai, acredite. — Suspirei.

— O que aconteceu?

— Matthew nunca vai gostar de mim — sussurrei. — Não importa o quanto eu me esforce, ele nunca vai me ver como um pai — falei o que estava preso em minha garganta desde que Matthew falou sobre Laurent mais cedo.

— Você não costuma ser inseguro — papai falou.

— Não é insegurança, estou apenas constatando a verdade. — Inspirei fundo. — Ele sempre verá Laurent como o pai dele, ele nunca vai gostar de mim.

— Ele vai gostar de você — papai disse de forma séria, fazendo com que o olhasse. — Ninguém se torna um pai, nem mesmo filho em um dia, ou dois, Edward. E o seu caso com Matthew é completamente mais delicado, mas não impossível, ele vai vê-lo como um pai, precisa apenas de tempo para lidar com isso, filho.

— Eu estou fazendo a coisa certa em adotá-lo? — indaguei em voz baixa, com vergonha da duvida.

— Você acha que está fazendo a coisa certa? — ele rebateu a pergunta, não respondi. Claro que queria adotar Matthew, aquilo nunca foi um desejo apenas de Bella, mas e se nada fosse como eu esperava? Se em dez anos eu estivesse arrependido? Eu conseguiria lidar com tudo aquilo? — Edward, você está com medo, isso é normal. — Papai apertou meu ombro. — Eu também tive medo quando sua mãe engravidou nas duas vezes, como também sei que você estava apavorado quando descobriu sobre Nessie.

— Você teve medo? — questionei, sem crer que algo podia ter o feito se sentir inseguro. Não se encaixava na visão que tinha do meu pai comandando tudo sem temer absolutamente nada.

— Claro que tive, Edward! — Ele sorriu. — Era assustador pensar que outra vida dependeria de mim por uns dezoito anos para viver. — Eu ri. — E não apenas em questões financeiras, ou materiais, mas pensar que eu precisaria estar ali para aquelas crianças, ensiná-las, educá-las, protegê-las e ao mesmo tempo permitir que tivessem suas individualidades. Não ficou mais fácil quando era você, só por ser o segundo filho. Rosalie e você nunca foram iguais e, mamãe sempre disse que nunca faria sentido pensar que seriam, que eu não poderia ter vocês dois como pessoas idênticas, pois isso estragaria tudo. A experiência de ser pai de Rosalie não seria a mesma de ser seu pai, minha mãe estava certa, ela era excelente sobre questões paternais, aliás.

Assenti, lembrando o quanto vovó era boa com tudo aquilo.

— Ser pai não é fácil, Edward. Há acertos, erros, muitos erros, mas no final do dia tudo compensa quando você vê seu filho sorrindo. Eu amo você e sua irmã, faria tudo de novo por vocês, mesmo as incontáveis horas preso no escritório, pois não sabia o quão acolhedor era chegar em casa e vê-los correndo para mim. Sei o quanto você ama Ness, o quanto faria tudo por essa menina e que se sente da mesma forma sobre Matthew, não estaria tão abalado com medo de ele o rejeitar caso não o amasse.

— Sim. — Esfreguei meu rosto.

— Você sempre fui muito apegado a sua mãe, sabe disso, não? Sério, desde bebê, eu não podia pegá-lo no colo que você começava a chorar, isso era frustrante — ele contou, eu sorri, tinha ouvido aquela história no passado, mas nunca por meu próprio pai contando. — Uma vez, Rosalie tinha algum evento na pré-escola e sua mãe foi com ela junto com sua avó, era um sábado de manhã e as babás estavam de folga, estava apenas eu e seu avô em casa. Você também ia muito facilmente com o velho Anthony. — Ele deu um sorriso saudoso ao falar sobre o pai. — Mas, meu pai sendo muito esperto como sempre foi, não te segurou um momento sequer no colo, ele disse que eu e você devíamos começar a ligação de uma vez por todas.

— Deu certo? Naquele mesmo dia?

— Bom, você vomitou em mim e chorou até ficar rouco. — Gargalhei. — É o que quero dizer, nunca é rápido, Edward. Eu podia ter tomado aquele dia como único e ter desistido, ter deixado o medo me dominar e crer que você nunca iria se dar bem comigo. Entretanto, eu preferi insistir, pois não faria sentido desistir do meu próprio filho.

— Sim, estou fazendo a coisa certa em adotar Matthew — respondi minha pergunta, anterior, papai assentiu.

— Você está.

— Obrigado, de verdade, eu acho que precisava disso. — Sorri para ele. — E de um Bugatti, também, eu ficaria muito mais feliz.

— Não, isso não vai rolar, filho. — Ele saiu do carro. — Mas, é sua vez, agora, aproveite.

Sem esperar mais, pulei para o banco do motorista, deixei papai ocupar o do carona e dei partida no carro. Era ainda melhor estar ao volante, acelerar o carro pela pista, o vento contra mim, eu me sentia leve, porém suspeitava de que não se tratava apenas pelo carro, sim por meu pai ter me ajudado a lidar com toda a pressão e o peso em meus ombros.

Ele me deixou dar duas voltas completas pela pista, para me parar quando chegou a vez de Emmett. Agradeci por ter uma irmã, ou seria difícil demais lidar com a ideia de outro garoto crescendo comigo tendo de competir com ele.

Foda-se, Rosalie tinha razão sobre eu ser mimado.

Papai foi dar duas voltas com Emmett, tempo que usei para tentar negociar o Bugatti — para mim — com Amum por um preço que não abalaria a estrutura financeira familiar e deixaria Bella com raiva por gastar tanto em um carro. Depois que eles voltaram, meu pai e Amum foram em outra volta para conversar sobre a venda do carro, o vendedor não quis saber da minhas propostas e tive de aceitar que eu não teria um Bugatti até meu pai me dar um, pois mesmo eu não era capaz de pagar mais de um milhão nele, meu lado diretor financeiro que adorava controlar o dinheiro não conseguiria.

— Seu pai é muito maneiro — Emmett falou.

— É — concordei, sem saber o que mais falar, cruzando os braços na frente do corpo na defensiva.

Emmett apenas acenou positivamente com a cabeça, provavelmente sem ter o que falar também.

— Ei, escuta — comecei. — Sua mãe teve câncer, não? Como foi isso para você? — indaguei, Emmett arqueou uma sobrancelha, analisando-me mais do que eu achava confortável. — Quer dizer, isso deve afetar muito um filho, né?

— Sim, se a família inteira for unida como a minha é — ele falou. — Foi difícil para mim, sou filho único, sempre fui muito próximo a ela. A ideia de perdê-la não era algo que conseguia lidar, nem que queria lidar, sendo franco, mas ela precisava de suporte e eu tinha de ajudá-la a passar por esse momento. Foram meses de angustia, a cirurgia, a quimioterapia...

— Como é isso? Ela ficou muito mal? — indaguei, pensando que logo mais seria minha mãe passando por aquilo.

— É um tratamento agressivo, a pessoa pode ficar bem debilitada e até mesmo reclusa, mudar em algumas formas. Como falei, você precisa estar lá para dar o suporte, não pode ceder junto. Mas, vai ficar tudo bem, cara, não se preocupe. — Ele bateu em minhas costas, quase me fazendo ficar com dor.

— Não, eu não...

— Eu vi como sua mãe e todos os outros reagiram ao me ouvir falar sobre o assunto outro dia, agora você me enchendo de perguntas especificas. — Ele me lançou um olhar respeitoso. — Não se preocupe, não contaria isso para ninguém, sei que muita gente prefere manter isso em segredo o máximo possível para preservar a privacidade, minha mãe também preferiu assim.

— Certo, obrigado. — Limpei a garganta, agradecendo por papai estar de volta com Amum e meu querido Bugatti.

— Filho, você e Emmett podem levar a Mercedes para casa? — Ele jogou as chaves do seu carro para mim. — Vou levar o Bugatti e iremos comemorar com uísque.

— Eu posso levar o Bugatti — me ofereci prontamente.

— Talvez seja melhor eu voltar ao trabalho, checar se está tudo bem por lá — Emmett disse hesitante.

— Emmett, eu sou o dono daquele lugar, estou te dando a dispensa pelo resto da noite. Não posso te obrigar a ir até minha casa beber, mas posso dizer que é um uísque de doze anos de uma coleção exclusiva, isso ajuda em algo?

Emmett riu.

— Ajuda — confessou.

— Excelente, leve a Mercedes com Edward — ordenou, ainda chateado por não poder dirigir o Bugatti pela cidade, fui com Emmett até a Mercedes. — Amum, nós temos de falar sobre a papelada melhor outro dia...— papai dizia enquanto nos afastávamos.

Eu liguei o rádio no momento que entramos no carro, usando da tática de papai para evitar conversas desnecessárias. Dirigi o mais rápido que a Mercedes permitia até a casa em Gold Coast, com Emmett ao meu lado distraído com a cidade passando por si.

— Uau — ele sussurrou quando entrei na garagem da mansão. — Você cresceu nessa casa? — perguntou embasbacado.

— Sim, mamãe fez algumas reformas ao longo dos anos, mas é basicamente a mesma de sempre. — Mesmo sabendo que aquilo era uma mansão, não conseguia ver a casa que cresci como as outras pessoas a viam. Bella levou muito tempo para se acostumar com o lugar, mas para mim sempre seria minha casa, não uma construção de luxo, era apenas nosso lar.

— Meu Deus, isso é como estar naqueles programas da MTV, que mostravam a casa das pessoas milionárias — Emmett disse, ainda deslumbrado com o lugar, arregalando os olhos quando entramos de fato na casa pela porta da garagem que nos levava a cozinha.

— MTV Cribs? — Emmett assentiu. — É, Rose quis participar desse programa uma vez, mas mamãe proibiu.

— Super exposição?

— Ah não, ela estava reformando e não queria que as pessoas vissem a bagunça que o lugar estava. Você quer uísque ou cerveja? — Abri a geladeira, pegando uma cerveja para mim.

— Aceito uma cerveja.

Passei uma a ele.

— Então, Emmett. — Abri a cerveja batendo a boca da garrafa no mármore do balcão, um truque aprendido com Bella, que aprendeu com Charlie. — Você tem uma namorada?

— Não — respondeu simplesmente.

— Pelo amor de Deus, eu ofereço o melhor uísque da casa e vocês ficam ai bebendo cerveja? — Papai entrou na cozinha, segurando a chave do Bugatti em mãos, será que ele me daria uma cópia só para fingir que eu tinha um?

Ele logo tinha três copos de uísque em mãos, tirando de nossas mãos a cerveja.

— Emmett, você joga sinuca?

— Sim, senhor.

— Ótimo, venha! — Papai seguiu até a sala de jogos. — Edward é péssimo, não vale a pena jogar com ele.

— Obrigado, pai — agradeci, sentando no sofá ali, ligando a televisão e colocando em um jogo qualquer de beisebol que passava.

Apenas parte de mim estava de fato prestando atenção ao jogo, eu ainda preferia manter a maior parte da minha concentração voltada para a conversa que meu pai tinha com Emmett.

— Você participava de algum esporte na escola ou faculdade, Emmett? Eu costumava ser um nadador, mas perdi totalmente a prática com os anos.

— Sim — Emmett respondeu. — Consegui uma boa bolsa na universidade por jogar basquete.

— Nunca pensou em seguir carreira? — papai indagou interessado.

— Meu pai queria muito que eu seguisse, por algum tempo era algo que também pensasse que quisesse, mas ai a parte acadêmica superou a esportista e eu decidi não investir no basquete profissional.

— Seu pai lidou bem com isso? Muitos tendem a surtar com esse tipo de coisa.

— Ele passou um mês inteiro sem falar comigo por conta disso. — Emmett riu. — Só que conseguimos acertar tudo depois de um tempo, ele não está muito contente com minha mudança para Chicago, então estamos tendo de lidar com isso agora.

— E sua mãe? Ela está bem com você morando em Chicago?

— Está feliz que tenho um bom emprego e que faço algo que goste, mas ficou chateada por eu e minha ex-namorada termos terminado por conta da minha mudança. — Deixei o jogo totalmente de lado, virando-me para olhar para Emmett, que naquele momento estava em sua jogada na sinuca.

— Por que terminaram?

— Nora tinha o trabalho dela em New York e não queria mudar para Chicago comigo, eu não queria perder a oportunidade aqui. Então, quando Bella me contratou depois do período de experiência, nós rompemos de vez.

— Era um namoro longo? — questionei.

— Pouco mais de um ano.

— Você sente falta dela? — Papai me lançou um olhar indicando que eu estava fazendo aquilo errado, mas dane-se, eu não era discreto, assim como mamãe.

— No começo, acho que me acostumei a ausência dela agora. Enfim, ela está bem em New York, nós fizemos a escolha certa para ambos. Precisávamos priorizar nossas carreiras.

— Bom, prioridades são importantes. — Papai bateu seu copo no de Emmett em um brinde. — Mas, você é novo, não? Menos de trinta anos, ainda tem tempo para conhecer outras garotas, devem ter muitas atrás de você. — Emmett apenas de um sorriso, continuando a jogar. — Se Nora e você não deram certo, era porque não era a sua garota certa. Esme sabia desde o primeiro momento que Bella era a de Edward.

— Ela não podia estar mais certa — entoei, vendo Rosalie entrar na sala, seus olhos arregalando a ver Emmett ali.

Sério? Ela tinha de chegar justamente naquele momento? Daquela conversa?

— Filha, que bom que chegou, estou perdendo para Emmett na sinuca, talvez ele precise de uma competidora melhor — papai anunciou, estendendo o taco para ela, que continuava imóvel. — Rosalie é a melhor da casa nesse jogo — disse para Emmett. — Eu acho que ela tinha aulas disso em Yale, não há outra explicação.

— E-Ei — Rosalie gaguejou, pegando o taco, seus olhos ainda sobre Emmett.

— Onde está sua mãe e as meninas? — papai perguntou a ela.

— Lucy foi dormir, Anne já estava dormindo e mamãe foi colocá-la na cama. Eu vi um Bugatti na garagem e vim atrás do senhor entender aquilo — murmurou.

— Papai nos levou para um passeio no Bugatti que ele se deu de presente, mesmo que meu aniversário seja daqui a dois meses — resmunguei, bebendo um pouco do uísque em minhas mãos.

— Supere isso, vou ajudar Esme com Anne — papai disse, deixando a sala.

— Então, sinuca em? Você é boa, mesmo? — Emmett perguntou desconfiado a Rosalie, rearrumando a mesa.

— Eu sou a melhor! — ela exclamou, lançando a ele um sorriso confiante. — O que? Só por ser uma garota não posso ser boa nisso?

— Não pensei nisso. — Sorriu para ela de volta.

— Uísque? — Apontou para o copo dele. — Papai nos deixa beber todo seu vinho, mas o uísque apenas ele permite que peguemos ou não.

— Aproveite. — Emmett estendeu o copo a ela. — Então, fiquei sabendo que você queria participar do MTV Cribs.

Rosalie me lançou um olhar mortal por cima da borda do copo.

— Eu tinha dezessete anos quando o programa estreou, não me julgue — ela se defendeu, começando a jogar. — Oh, parece que as garotas podem sim ser as melhores. — Gabou-se ao marcar o primeiro ponto.

— Ei, calma, o jogo acabou de começar, não cante vitória ainda. — Emmett jogou também acertando.

— Sabe, eu queria participar do Cribs, mas acho que meu irmão tem o desejo secreto de participar do Dance with the Stars — ela sorriu diabolicamente para mim. — O único jogo que ele ganha é o Just Dance.

Atirei uma almofada na direção dela, mas Emmett a segurou antes de tocar em Rosalie.

— Eu disse, quase fui profissional em basquete. — Atirou a almofada de novo para mim.

— Você foi? — Rosalie indagou interessada.

— Sim, você fez algum esporte?

— Um pouco de ginástica no colegial, mas era alta demais. A flexibilidade ainda está aqui, no entanto.

Percebendo que Rosalie já estava soltando-se graças ao uísque, decidi sair da sala antes que eu tivesse de ver todo o flerte dela e de Emmett.

— Finalmente, pensei que você não ia se tocar que devia sair de lá! — mamãe exclamou entusiasmada quando entrei na sala de estar onde ela estava com papai. — Eles estão se dando bem?

— Ei, olá para você, mãe. — Beijei sua bochecha. — E sim, eles estão jogando charme e se provocando, papai liberou o uísque. — Revirei os olhos.

— Melhor uísque da casa. — Ele ergueu seu copo. — Você já vai?

— Sim, adoraria ficar aqui mais tempo, mas estou com saudades da minha esposa. — Mamãe emitiu um som de aprovação ao ouvir minha fala. — Vou ter que chamar um táxi para sair daqui, já que você me sequestrou mais cedo na sua Mercedes clássica e sem graça.

— Pelo amor de Deus, pare de ser chorão, você o estragou, Esme — papai acusou, ela apenas deu de ombros. — Aqui, volte para casa. — Jogou as chaves do Bugatti para mim.

— Você está me dando o Bugatti?

— Emprestando, traga-o de volta amanhã de manhã, sem falta.

— Porra, obrigado pai! — gritei, animado que ia poder dirigir o Bugatti pelas ruas.

— Olhe sua língua, garoto! — mamãe gritou, mas eu já estava praticamente correndo para a garagem.

Dirigir na rua era muito melhor do que na pista, com a clara exceção de que eu tinha de ir devagar para não causar acidentes. Ainda assim, não demorou quase nada para chegar ao meu apartamento, animado com o Bugatti sobre minha responsabilidade, eu corri até o segundo andar para contar para Bella.

— Oi, querido — ela sussurrou, concentrada na leitura do seu livro. — Você foi trabalhar a essa hora com Carlisle? Ele nos explora.

— Eu tenho de te mostrar algo. — Joguei para ela seu roupão, vendo-a apenas em uma camiseta minha e calcinha.

— O quê? — indagou fazendo uma careta, pegando o roupão. — Eu estava lendo, estava muito bom — reclamou.

— Vamos, Bella!

— O que deu em você? Está tão animado quanto Nessie com aqueles pinguins. — Bufando ela saiu da cama, vestindo o roupão.

— Não vai precisar disso para onde vou te levar. — Tirei o livro da sua mão, jogando na cama.

— Para onde vamos? — perguntou confusa enquanto eu a puxava para fora do apartamento. — Edward, Nessie está dormindo, mas ela pode acordar e...

— Nelly está em casa, ela vai ficar bem — garanti, entrando no elevador e apertando o botão da garagem.

— Você enlouqueceu, amor? — falou em um tom divertido. — Está agitado demais.

Não respondi, tentando esperar a demora que era o elevador descer até a garagem. Quando chegamos lá, tapei os olhos de Bella, guiando-a até o Bugatti.

— Três, dois, um — sussurrei em seu ouvido, tirando minhas mãos do seu rosto.

— Você comprou um Bugatti? — ela gritou, girando para me encarar. — Edward, esse carro é desnecessário!

— Eu não o comprei, esquentadinha. — A conduzi até perto do carro, abrindo a porta do carona para ela. — Meu pai comprou para ele, mas eu tenho a permissão de ficar com ele até amanhã, nós iremos aproveitar.

— Ah não, Edward — ela resmungou. — É tarde, só quero voltar para cama e ler um pouco mais antes de dormir.

— Não, nem pensar. — Indiquei o interior do carro. — Você vai me agradecer depois por guiá-la nesse carro, é uma experiência única.

— Você é maluco — disse, mas entrou no carro. — Para onde vamos? — Colocou o cinto, olhando atentamente para o carro. — Esse carro custa mais de um milhão e nem tem banco de trás, nada útil.

Abaixei a capota, começando a dirigir tirando o carro da garagem. Vi Bella morder o lábio inferior quando consegui tomar mais um pouco de velocidade em uma pista vazia, eu sabia que aquilo significava que ela estava gostando.

— O que acha? — Coloquei uma mão em sua coxa, enquanto dirigia por Chicago.

— Edward, você devia dirigir com as duas mãos, está indo rápido demais.

— Erro meu. — Recolhi a mão, sentindo a dela em minha coxa um segundo depois. — Bella!

— O quê? Eu não estou dirigindo, amor. — Ela deu um sorriso safado, seus cabelos voando contra o vento, sua mão deslizando por minha coxa, provocando-me.

Por sorte estávamos perto do destino pré estabelecido em minha mente e a velocidade logo nos fez chegar lá.

— Você me trouxe para a praia que costumava vir para conquistar garotas? — Bella perguntou quando parei no estacionamento próximo a praia, que aquele horário estava completamente vazio. — O que quer dizer com isso, senhor Cullen?

— Que eu tenho minha garota e não preciso mais conquistar nenhuma. — Pisquei para ela, Bella voltou a morder seu lábio, apertando no botão que fechava a capota.

Ela abriu o roupão que usava, o tirando.

— Então, você prefere passar o resto da noite dirigindo o Bugatti dos seus sonhos, ou fazendo sexo com sua garota? — Se colocou sobre meu colo, o carro era apertado, o que nos deixava em uma posição que seria extremamente desconfortável caso não fosse tão bom ter Bella tão perto de mim. Ela me beijou, devagar no inicio, então com urgência.

— Sexo com minha garota — respondi sem hesitação alguma sobre aquilo, Bella abriu um grande sorriso.

— Boa resposta!

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 21.01.17