Nossa Família
29 Capítulo Vinte e Oito — Preparado
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Oito —
— Preparado —
Edward Cullen
Eu estava completamente concentrado aos números a minha frente, quando ouvi a porta da minha sala abrir, o que me desconcentrou por completo. Levantei o olhar dos documentos, vendo Alice entrando ali.
— O que diabos você está fazendo aqui? — perguntei, olhando para trás dela, não vendo nem a sombra de Jessica. — Por que Jessica nunca anuncia ninguém? — reclamei.
— Ah, ela não está ai na frente — Alice respondeu. — Você deveria demiti-la, ela é a pior secretária da história. — Depositou sua grande bolsa na cadeira diante a minha mesa, tirando uma fita métrica de lá de dentro. — Eu preciso lhe medir.
— Desculpe, você o que? — perguntei confuso, ainda transtornado com ela chegando do nada no meio do meu trabalho.
— Preciso de suas medidas, para mandar fazer sua roupa para a festa de bodas de casamento — explicou, tirando também um bloquinho de notas de sua bolsa, eu sempre achava que um dia ela seria capaz de tirar até um unicórnio de lá de dentro, vindo de Alice não suspeitava de mais nada. — O tempo está correndo, muito em breve será junho e não posso mandar fazer as roupas tão em cima da hora.
— Isso é sério?
— Você quer vestir jeans e suéter em seu casamento, Cullen? — Ela arqueou uma sobrancelha. — Minha vida está uma confusão nos últimos tempos, mas eu não vou deixar meus melhores amigos vestindo roupas casuais em uma festa tão importante quanto essa. É o seu décimo aniversário de casamento com Bella, você e ela vão cuidar de toda a parte emocional e afetiva da coisa, em minha responsabilidade está transformar isso em decoração, comida e roupas. Então, não tire isso de mim, Cullen, eu preciso de algo que me mantenha sã — falou, levemente desesperada.
— Okay, certo, você venceu — levantei-me rapidamente, eu preferia lidar com a Alice organizadora de eventos, do que com a Alice chorona, eu deixaria essa para Isabella.
— Maravilhoso, que bom que está cooperando. — Ela assentiu, sorrindo diabolicamente. — Agora, mande uma mensagem para Isabella e outra para Jasper, eu também preciso das medidas deles dois. Mas, não diga que estou aqui, muito menos o que vim fazer, ou eles fugiriam rapidamente.
— Sério? Você precisa das medidas de Jasper? Em dois anos de namoro e ainda não conseguiu isso? — provoquei, pegando meu celular para mandar mensagens.
— Edward! — Alice grunhiu.
— É só uma brincadeira, não seja tão temperamental — pedi, revirando os olhos.
Edward: Eu preciso que venha até meu escritório, estou morrendo de saudades de você. Venha antes que entre em colapso por sua ausência. Minha mesa espera por nós.
Enviei a mensagem para Bella, sabendo que ela não resistiria aquilo. Então, enviei uma para Jazz que também o faria aparecer ali rapidamente.
Edward: Você está a um passo de perder o emprego, venha até minha sala agora.
Com as mensagens enviadas, tirei meu paletó e fui até Alice, deixando com que ela tivesse seu momento de estilista.
— Como você e Jasper estão? — perguntei.
— Nada de novo em nosso mundo de caos, dois almoços, um jantar e continuamos sem saber o que fazer do nosso relacionamento, ou do que era nosso relacionamento — ela falou com pesar. — Você engordou, não é mesmo, Cullen? — perguntou em tom debochado tomando nota das medidas da minha barriga.
— Vá se foder, Alice! — praguejei.
Ela riu, uma risada diabólica que não combinava em nada com sua aparência pequena.
— Edward, o que você... Ei, Alice! — Jasper exclamou ao entrar ali e ver a ex-namorada, ou namorada. Sei lá, eles dois eram complicados demais para que eu pudesse acompanhar em tempo real.
— Ótimo, que bom que veio — Alice falou, sorrindo para Jazz. — Tenho de tomar as medidas de vocês para as roupas da renovação de voto de Bella e Edward em junho, já estamos atrasados quanto a isso — explicou a ele, Jasper murchou um pouco ao ouvir aquilo.
— Isso é sério? — ele questionou, sentando-se no sofá do outro lado da sala. — Edward, isso é traição, você me chamou aqui sobre ameaça de demissão. Eu posso consultar minha advogada e até mesmo processá-lo por isso.
— Sua advogada é minha prima, não se esqueça disso — lembrei.
Nós três nos viramos para a porta quando ouvimos o barulho dessa abrindo, nos deparando com Bella entrando ali. Ela já mexia nos botões de sua blusa social, mas parou ao se dar conta de que eu não estava só em minha sala como ela esperava.
— Nossa, Bella responde mesmo muito rápido a um chamado de sexo — Alice falou, Jasper gargalhou, Bella me encarou com raiva.
— O que diabos está acontecendo aqui, Edward Cullen? — indagou, fechando os botões já abertos, cruzando os braços na frente do corpo.
— Alice precisa das nossas medidas para as roupas da nossa festa de aniversário de casamento — respondi.
— Tão ruim ter sexo frustrado, né amiga? — Alice perguntou.
— Cuidado com sua mão, Brandon, mais um pouco para cima e você não irá mais ter uma — Bella ameaçou quando Alice foi medir minhas pernas.
— Como se ela precisasse de Edward, quer dizer, o último cara que Alice esteve fui eu, seria um grande retrocesso — Jasper se gabou.
— É até bonitinho vê-lo se achando tudo isso, Jazz — Bella disse, sentando ao seu lado, Jasper bufou irritado. — Alice, eu a odeio, você me tirou do trabalho para brincar de Barbie fashion.
— Eu precisava disso — Alice se defendeu. — Você e Edward estão ocupados com Matthew, não teriam tempo de ir até o atelier onde mandarei fazer as roupas de vocês. E não reclame, Bella, você já escolheu o vestido que usará, só preciso de suas medidas para poupá-la de ir até a estilista. — Ela me dispensou, chamando por Jasper, que rapidamente foi até ela. Aproveitei aquilo para ir beijar Bella, com certa urgência, desejando que Alice e Jasper não estivessem ali para que pudéssemos usar minha mesa como mais gostávamos.
— Ei, nós estamos aqui, não comecem com isso — Jasper ordenou.
— Você voltou a malhar, não é? — Alice perguntou em voz baixa a Jasper, mas Bella e eu pudemos ouvir, enquanto media os ombros dele.
— Sim — ele respondeu simplesmente.
— Bom, muito bom. — Alice pigarreou, Bella riu, ganhando um olhar irritado da amiga.
— Vocês querem minha sala emprestada? — Os provoquei, sentando ao lado de Bella, puxando-a para mais perto de mim.
— Ou o Bugatti — minha esposa disse, arrancando uma careta de mim.
— Ninguém além de nós dois transará naquele carro — decretei.
— Pare de falar nesse carro, todos nós recebemos suas mensagens enviando fotos dele — Jasper falou, Alice riu, passando tempo demais com a fita métrica perto da coxa dele. Eu não daria muito tempo a tensão sexual entre eles se tornar insuportável demais para continuar a resistir, eles reatariam em breve.
— Quando você tirou fotos? — Bella me perguntou.
— É, antes ou depois da policia ver vocês no carro? — Jasper perguntou, nós o ignoramos, mas ele contou a história a Alice rapidamente. Me arrependi de ter dito isso a ele mais cedo durante o almoço.
— Hoje de manhã, antes de ir a academia, queria ter certeza de que ele estava seguro na garagem e fui lá checar, acabei tirando algumas fotos — murmurei a resposta para Bella, ela rolou os olhos.
— Isso é a sua cara — ela falou, vendo a hora no relógio em seu pulso. — Alice o quanto você vai demorar com isso tudo? Nós ainda temos de ir visitar Matthew, íamos buscar por Renesmee na escola, mas agora está tarde demais para fazer tudo isso — Bella reclamou.
— Eu posso buscá-la na escola, não se preocupem. Estou mesmo com saudades da pirralha — Alice falou, terminando suas medidas excessivas com Jasper, chamando por Bella, que foi até ela com uma expressão nada animada.
— Posso ir também, tem tempo que não saio com Nessie — Jasper disse. — Posso pegar o Bugatti emprestado, amigo? — me perguntou.
— Nem nos seus sonhos, amigo — respondi.
— É segunda-feira, vocês não podem levar Renesmee para uma aventura, ela ainda tem aula amanhã — Bella disse, Alice e Jasper bufaram em conjunto. — Da escola direto para casa.
— Não podemos pedir nem por uma pizza? — Jasper perguntou. — Sua esposa é tão controladora — sussurrou para mim, para sua sorte Bella não o ouviu dizer aquilo, ou ele perderia todos os dentes.
— Certo, talvez uma pizza, mas irão ajudá-la com o dever de casa enquanto Edward e eu não chegamos — Bella decidiu. — E você, nada de perguntar sobre o garoto que ela beijou —falou séria para Alice.
— Alguém tem de ensiná-la algumas coisas. — Alice disse defensivamente.
— Ensiná-la o que? — perguntei apreensivo.
— Pobre Cullen, você não conhece o mundo feminino — Alice zombou. — Sua filha logo será uma adolescente, ela precisa de algumas dicas fundamentais no quesito relacionamentos.
— Eu acho que ninguém aqui dentro dessa sala é a pessoa certa para falar sobre esse quesito com Nessie — Jasper disse desconfortável. — Os pais dela tiveram uma gravidez não planejada apenas quatro meses depois de se conhecerem, você e eu temos uma história conturbada, nenhum de nós está apto a dar conselhos dessa espécie a Renesmee sem acabar confundido a menina ainda mais.
— Sério, que tipo de conselhos? — insisti.
— Vamos poupá-lo de ter uma crise de pânico, querido. — Bella me lançou um sorriso gentil, o que me assustou. — Renesmee sabe que pode falar comigo sobre qualquer coisa, ela estará bem, eu garanto.
— Não se preocupe, Cullen, nós garantiremos que Nessie não engravide antes de se formar no colegial — Alice provocou, fazendo com que minha respiração parasse ao imaginar minha filha como uma adolescente grávida, ela ainda era meu bebezinho, sempre seria.
— Alice, pare! — Bella pediu rindo. — Você vai matar meu marido se continuar falando assim, eu não posso perdê-lo agora, tem um novo filho a caminho, um bebê sendo planejado e uma garota que logo será uma adolescente encrenqueira, preciso dele por perto para ajudar.
— Talvez eu devesse mandar Renesmee para um convento — sugeri, deixando só com que Jasper me ouvisse.
— Eu não acho que seja uma má ideia, mas sendo sua filha ela seria capaz de fugir, ou até mesmo acabar sendo expulsa de lá, Cullen.
***
Depois que Alice nos dispensou, Bella e eu pudemos ir até o abrigo para vermos Matthew, enquanto Jasper e a ex-namorada — ou o que Alice fosse para ele — iam buscar Nessie na escola. Nós só teríamos algum tempo rápido com Matt aquele dia, como sempre era naquelas visitas no abrigo, o que não estava me deixando muito animado.
Eu queria muito vê-lo, com toda certeza do mundo, mas fora daquela sala. Preferencialmente em nossa casa, para mim já estava na hora de ele começar a fazer parte da família — fisicamente — diariamente, eu acreditava que isso poderia nos aproximar mais. Não queria combater o sistema — de certa forma era algo que sempre acabava fazendo — porém, na minha leiga concepção Matthew se familiarizaria conosco estando com a gente.
— Ei, você! — Bella exclamou animada quando entramos na sala, onde Matthew já esperava por nós, junto de si o pinguim Eddye.
— Oi, tia. — Ele sorriu para ela, foi bom vê-lo sorrindo. Mesmo depois da recusa dele sobre mim no sábado depois do nosso passeio no aquário, era bom ver que pelo menos Bella e ele estavam conseguindo progredir muito bem.
— Senti sua falta. — Bella o pegou no colo, dando um beijo na bochecha de Matthew, o que também não o repeliu. — Como você está, pequeno?
— Bem — respondeu timidamente. — Cadê a Renesmee?
— Na escola, ela mandou beijos para você. — Bella o beijou mais uma vez, o sorriso no rosto dela era um dos mais felizes que já tinha visto em seus lábios. — Você gosta de carros, Matt? — perguntou a ele, que apenas concordou com um aceno de cabeça. — Bom, Edward ganhou um carro super maneiro esse fim de semana, acho que você vai gostar de ver as fotos. — Bella o colocou no chão. — Eu preciso ir ao banheiro, meninos, divirtam-se!
Ela já estava fora da sala antes que eu pudesse pensar em qualquer coisa para falar, aquela manobra não tinha sido planejada, de forma nenhuma. Eu me voltei para Matthew, que me olhava de forma hesitante.
— Então. — Saquei o celular do meu bolso, indo me sentar no sofá, ele hesitou por um momento, mas foi sentar junto de mim. — Olhe só esse carro. — Mostrei uma das fotos do Bugatti. — É um Bugatti Veryon 16.4 — contei, deixando com que ele segurasse o celular para poder ver a foto melhor.
— Um o que? — perguntou confuso, um vinco formando-se no meio da sua testa.
Sorri, passando a mão por sua cabeça.
— Bugatti, é uma marca de carro francesa. — Mudei a foto, deixando com que ele visse uma do painel do carro. — É um carro bem rápido, meu pai me deu ele de presente esse fim de semana.
— Um carro de presente? — Matthew questionou impressionado.
— É, tecnicamente não era para ser meu, mas ele acabou me dando mesmo assim. — Dei de ombros. — Sabe, se nós dois conseguirmos, talvez Carlisle, meu pai, consiga fechar a pista de Formula 1 qualquer dia para que possamos correr com o Bugatti lá.
Matthew me olhou espantado, eu sabia que minhas palavras eram completamente fora de sua realidade. Mas, se aquilo podia nos aproximar, que fosse, eu faria aquilo.
— Eu vou poder dirigir?
— Não ainda — respondi vendo ele fazer uma careta ao ouvir aquilo. — Mas, em alguns anos, quando você fizer dezesseis, prometo que deixarei você dirigir o Bugatti.
— Legal! — Matthew comemorou, fazendo com que eu sorrisse ainda mais. — Tia Bella também vai dirigir ele?
Neguei com um aceno de cabeça.
— Só entre nós dois — sussurrei. — Bella não é a melhor motorista, quando chegar a hora faço questão de eu mesmo ensiná-lo a dirigir, certo? — Estendi a mão para ele, Matthew hesitou, mas apertou minha mão, mesmo que por exatos dois segundos, aquilo já foi um grande passo para mim. — Eu devo ter salvado algum vídeo desse carro em ação, deixe-me mostrá-lo. — Coloquei no Youtube, como esperado a maior parte dos vídeos salvos ali era referente a assuntos automobilísticos.
— Uau! — Matthew exclamou quando viu o carro correndo no primeiro vídeo. — Ele é muito rápido! — Olhou para mim deslumbrado.
Quando me dei conta já estava contando sobre todas as especificações do carro, Matthew claramente não entendia a maior parte delas, então eu também aproveitava para explicá-las. Ele prestava atenção parcial em mim, sua concentração também voltada aos vídeos, depois nós acabamos passando para vídeos de outros carros e ele me perguntava quais eram os melhores e quais eu tinha. Infelizmente só o Bugatti, mas eu estava no lucro.
— Meninos?
Tirei meus olhos da tela do celular, onde víamos um vídeo de corrida de uma Ferrari e um Bugatti, olhando para porta. Bella estava ali, recostada a parede, com um grande sorriso orgulhoso no rosto.
— Eu tenho novidades — ela disse, falando tão entusiasmada que mal podia se conter. — Acabei de receber uma ligação do nosso advogado. — Sinalizou o celular em sua mão. — Nós conseguimos a liberação para Matthew passar o fim de semana conosco — contou por fim.
Virei imediatamente para Matt, para meu alivio ele parecia feliz com aquilo.
— Não é demais? — Bella se aproximou da gente, falando diretamente com Matthew. — Nós vamos ir assistir a peça da Renesmee no sábado, mas você estará com a gente desde a sexta-feira, então poderemos sair para algum lugar divertido. — Ela afagou o rosto dele carinhosamente.
— Podemos tomar sorvete de chocolate de novo? — ele perguntou de Bella para mim.
— Claro! — respondi prontamente. — E quem sabe podemos dar uma volta com o Bugatti.
Matthew sorriu ao ouvir aquilo, assentindo, parecendo empolgado. Bella revirou os olhos, mas o sorriso continuava fixo em seu rosto, até que ela disse a frase seguinte.
— Nós precisamos ir agora, Edward. Nosso tempo acabou, na verdade já até o ultrapassamos. — Ela colocou o pinguim Eddye junto a Matthew. — Nós nos veremos em breve, certo, pequeno? — Ele assentiu, devolvendo o celular para mim. — Cuide-se. — Bella beijou a testa dele.
— Até logo mais, Matt. — Estendi minha mão novamente para ele, daquela vez esperando por um High Five, que para minha alegria foi retribuído. — Prepare-se para o Bugatti.
Antes que Bella e eu pudéssemos enrolar ali por mais tempo, Tia apareceu, lembrando que nosso horário de visita tinha chegado ao fim. Educadamente nos colocando para fora, sabia que Bella continuava lhe dando grana para mantê-la informada sobre Matt, então também sabia que ela estava facilitando o tanto quanto podia para nós dois.
— Você perdeu a visita inteira — falei para Bella quando entramos na Mercedes, pedindo a Felix para nos levar para o apartamento.
— Eu sabia que vocês precisavam de um tempo juntos, sozinhos. — Ela sorriu para mim, afagando meu braço. — Que bom que alguém compartilha do seu amor por aquele carro — Bella brincou.
— Felix também compartilha, não é, Felix? — perguntei a ele.
— Com certeza, senhor Cullen — ele respondeu.
— Eu o deixarei dirigir em breve — prometi. — Matthew aprenderá a dirigir no Bugatti.
— Claro, muito seguro — Bella concordou, balançando a cabeça negativamente. — Colocar um adolescente de quinze, dezesseis anos, em um carro rápido como aquele. Talvez seja melhor eu o ensinar, na Mercedes, um carro seguro.
— Bella, você lembra por que contratamos o Felix?
— Porque ele é um bom motorista.
— Obrigada, senhora Cullen — ele agradeceu.
— Sim, Felix é um bom motorista, mas não foi o único motivo que nos fez contratá-lo. Consegue lembrar o outro motivo?
— Porque eu não conseguia me manter longe do meu celular por muito tempo e ganhei uma multa, ou duas por isso — ela murmurou.
— Isso, que bom que nos acertamos, querida. Eu ensinarei Matthew a dirigir.
Ela me deu uma cotovelada nas costelas, o que realmente doeu. Inclinei-me para ela, sussurrando em seu ouvido.
— Isso lhe custará algum tempo com as algemas mais tarde, Isabella.
— Mal posso esperar por isso, Edward. — Seu sorriso para mim era atrevido.
Porra, como eu amava aquela mulher.
***
Assim que entramos no elevador para nosso apartamento, recebi uma ligação de Rosalie e sabia que era para falar sobre a conversa dela com a psicóloga que tinha acontecido aquela tarde.
— Então?
— Tudo certo, irmãozinho, foi excelente — ela respondeu, ao fundo pude ouvir as vozes de Anne e Lucy, como o barulho da televisão.
— Você chorou? — perguntei, Bella ao meu lado riu.
— Não, era para chorar? — Rosalie perguntou confusa.
— Sim! — exclamei em choque que ela não tinha chorado. — Quer dizer, até o papai chorou quando falou com ela — acusei.
— O papai chorou? — Rosalie gargalhou. — Bom, Deus, preciso falar com ele sobre isso. Será que ela grava as consultas e me daria uma cópia disso? Eu não vejo o papai chorando tem anos, ele tem lágrimas?
— Aparentemente, mas você não.
— Desculpe, não sou tão mole quanto vocês. — Ela ainda ria. — Eu preciso terminar o jantar das garotas, amanhã nos vemos. Você vai, certo?
— Com toda certeza — confirmei.
Seria a primeira sessão de quimioterapia da mamãe, Bella não poderia ir por ter muito o que fazer no hotel, mas papai, Rosalie e eu conseguimos tirar o dia de folga para estar com mamãe a maior parte do tempo.
— Excelente, falo com você amanhã, chorão. — Ela desligou.
— Seu pai chorou quando falou com Agatha? — Bella me questionou, assenti.
— Coitadinho! — ela exclamou rindo, parando quando o elevador se abriu em nosso andar e vimos Holly. Ela ainda devia estar sobre a ameaça de Alice algum tempo atrás, já que não disse uma palavra para a gente, entrando em completo silêncio no elevador. — Eu amo, Alice — Bella comemorou quando Holly saiu de nossas vistas.
Na sala, Nelly, Alice, Jasper e Renesmee estavam reunidos. As duas primeiras mexendo na fantasia que Nessie usaria na peça, enquanto Jazz e a afilhada estavam no chão cercados pelos livros e cadernos dela.
— Bella, que bom, você não acha que a fantasia na Ness precisa de mais glitter? — Alice indagou assim que viu a amiga. Nelly, atrás de Alice, balançou a cabeça em negativa, acenando desesperadamente para Bella negar também.
— Não, eu acho que está boa — Bella respondeu, espiando a fantasia de Renesmee. — Oi amorzinho. — Beijou o topo da cabeça de Renesmee. — Tudo bem? Você parece abatida.
Eu também tinha percebido isso e estava quase perguntando o que estava acontecendo, Renesmee estava um pouco pálida e parecia completamente desinteressada a tudo a sua volta.
— Sim, só estou cansada — murmurou, continuando a escrever em seu caderno sob o olhar atento de Jasper.
— Bom, tenho uma noticia excelente que irá animá-la — Bella falou. — Conseguimos a liberação, Matt vai poder passar o fim de semana com a gente e ir acompanhar a sua peça, não é o máximo?
Todos ali comemoraram, até Alice que parecia presa ao mundo colorido da fantasia de casa de Renesmee. Porém, a própria, apenas sorriu um pouco, assentindo.
— Eu posso terminar isso depois? — Apontou para seu caderno.
— Pode sim. — Bella assentiu, tocando na testa dela. — Você está um pouquinho quente, querida. Tome um banho e coloque seu pijama para ficar confortável, certo? Talvez tenhamos algum resfriado vindo por ai e temos de combatê-lo antes da sua peça.
— Tá — Nessie concordou, já subindo as escadas.
— Eu pedi a pizza, já deve estar chegando, ela ainda pode comer? — Jasper perguntou.
— Sim, deve ser só um resfriado mesmo. Eu vou dar algo para ela depois do jantar — Bella falou, indo até Nelly e Alice que continuavam focadas na fantasia.
— Vou checar se Renesmee não precisa de algo — falei, preocupado, indo até o segundo andar atrás dela. — Princesa? — Entrei em seu quarto, ela abriu a porta do banheiro, estava enrolada em um roupão com capuz de unicórnio e seu rosto estava amedrontado. — Filha...
— Eu quero a mamãe — ela disse, a voz era vacilante, mas seu pedido era firme.
— Nessie, aconteceu algo na escola? — perguntei tenso, tentando abrir a porta do banheiro, mas ela a segurou, mantendo-se parcialmente escondida ali atrás.
— Eu quero a mamãe — repetiu.
— Nessie, por favor, você pode conversar comigo, filha.
— Só chame a mamãe — ela pediu, fungando, enxugando a lágrima que deslizou por seu rosto com a costa da mão.
— Okay, okay, vou chamar sua mãe. — Ela não me esperou sair do seu quarto para bater a porta do banheiro atrás de si, deixando-me para fora. Odiei como aquilo soou, eu estava apavorado com o que quer que fosse que tinha a deixado naquele estado. — Bella, Renesmee está chamando por você aqui em cima — falei no meio da escada.
Ela tinha um pote de glitter em mãos, o entregou para Jasper, certamente mantendo-o longe de Alice. Então, seguiu para a escada.
— Ela está com febre? — perguntou, subindo comigo até o quarto de Renesmee.
— Eu não sei — disse ansioso. — Ela só estava tensa e chorando, não quis me falar nada e ficou pedindo para eu te chamar.
Bella apressou o passo ao ouvir aquilo, chegando antes de mim ao quarto da nossa filha, que continuava trancada no banheiro.
— Nessie, sou eu! — Bella exclamou, forçando a maçaneta da porta. — O que aconteceu, pequena?
— O papai está ai? — Renesmee questionou.
— Sim — respondi, Bella ainda forçava a maçaneta e seria capaz de derrubar a porta se Renesmee não a abrisse logo.
— Mãe, aconteceu o mesmo que aconteceu com Lucy no último Natal — Renesmee disse, o que fez Bella parar, ela respirou fundo, voltando-se para mim.
— Ela está bem — Bella garantiu.
— Espera, o que é isso que estão falando? — indaguei, odiando todo aquele código que eu desconhecia.
— Querido, ela menstruou, apenas isso — Bella sussurrou, afagando meu rosto.
— E-Ela o que? — gaguejei.
— Isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde, amor. — Bella me empurrou na direção da saída do quarto. — Peça a Alice e Nelly que subam, certo? Nós cuidaremos disso, é coisa de mulher, você só iria atrapalhar.
— Mas...
— Vá, Edward. — Me colocou para fora.
Ainda desnorteado com tudo aquilo, eu segui até o primeiro andar onde todos estavam reunidos.
— Alice, Nelly, Bella e Renesmee precisam de vocês lá em cima — murmurei, Nelly me lançou um olhar preocupado, logo indo até o segundo andar.
— O que aconteceu? — Alice perguntou ao passar por mim.
— Coisas de mulher — contei, engolindo em seco.
Alice soltou um grito estridente, então saiu correndo para o segundo andar até a afilhada.
— Coisa de mulher significa o que estou pensando? — Jasper perguntou quando sentei no fim da escada, sem forças para ir mais longe.
— Sim.
Minha filha só tinha dez anos e estava envolvida em coisas de mulheres adultas, aquilo não fazia sentido.
— Amigo, você precisa de uma bebida? — Jasper indagou indo até mim, acenei positivamente com a cabeça. — Pensei que precisaria, vou buscar algo para você. — Ele se afastou até a cozinha, indo buscar por algo que poderia me ajudar.
Mas, eu duvidava de que qualquer tipo de álcool fosse me colocar nos eixos novamente. Minha filha estava se tornando definitivamente uma mulher, eu estava perdido.
Não estava preparado para aquilo, ver Renesmee amadurecer tanto em um único dia. Isso só era o prelúdio do que viria a seguir, namorados, colegial, faculdade.
Porra, ela iria para uma faculdade longe de casa. Provavelmente Harvard, graças a sua mente brilhante, mas de qualquer forma seria minha garotinha vivendo em uma cidade diferente, sozinha, correndo riscos sem mim por perto para protegê-la.
— Aqui. — Jasper voltou, entregando-me um copo de uísque, eu o tomei em minhas mãos, mas sem conseguir beber. — Ela vai ficar bem. — Ele sentou ao meu lado.
— Jazz, você pode me emprestar a chave do seu carro? — Ouvimos a voz de Alice e seus passos na escada. — Preciso sair para comprar algumas coisas necessárias para Renesmee agora.
— O quê? Ela está bem? — perguntei nervoso.
— Ela está sim. — Alice assentiu, dando uma batidinha caridosa em meu ombro. — Só preciso montar um kit para ela enfrentar esses dias. Obrigada, Jazz — agradeceu quando Jasper lhe passou a chave do carro. — Fique tranquilo, Cullen, está tudo certo — disse para mim antes de sair do apartamento.
Algum tempo depois Nelly desceu, dizendo que ia preparar algo mais leve para Renesmee comer. A pizza chegou e Jasper a deixou na cozinha quando neguei comer, sem fome, ainda apenas bebericando meu uísque.
Alice voltou, com mais sacolas do que julguei realmente necessário, indo direto até Nessie, que já tinha recebido comida de Nelly. Eu queria falar com Bella, mas ela não saia de lá nem por um instante.
O que eu devia fazer? Eu precisava que ela me ajudasse ali.
Não muito depois que Alice voltou, ela e Jasper foram embora e Nelly avisou que ia requentar a pizza para que eu comesse, mesmo que não quisesse.
— Ei, você está bem? — Bella me encontrou na escada enquanto eu revirava a pizza que Nelly me entregou.
— Como ela está?
Bella sorriu, afagando minhas costas.
— Nada contente — falou. — É uma demonstração de como ela ficará insuportável na TPM — avisou, eu suspirei.
— Como ela pode crescer tão rápido, Bella? Parece que foi ontem que nós descobrimos que teríamos uma garota, agora ela já é quase uma mulher!
— Querido, respire. — Eu respirei, sentido a mão de Bella permanecer em minhas costas. — Está tudo bem, okay? Eu garanto. Renesmee não está contente com isso, você também não, mas é algo normal, ia acontecer de qualquer jeito. Não é cedo, nem nada disso, está no tempo certo, tudo está sob controle, não há nada com o que se preocupar. Ela só vai ficar mais sensível em determinada época do mês e, eu tive de ter boa parte da conversa sobre garotos.
A olhei em choque.
— Era necessário. — Bella acariciou meus cabelos. — Nossa conversa a respeito da peça algum tempo atrás não era tão clara, ela precisa de algo mais maduro agora. — Ela tirou o prato com o pedaço de pizza da minha mão. — Por que não sobe e fica um tempinho com ela? Nelly deu um chá para dor para ela, logo estará dormindo.
— Eu posso ir? Pensei que ela não me quisesse por perto.
Bella beijou minha bochecha, ainda sorrindo.
— Não seja bobo, amor, Nessie nunca vai querer você longe, ela te ama.
Suspirei, subindo para o quarto de Renesmee.
Estava tudo escuro lá, mas eu podia vê-la se remexendo na cama, então sentando quando percebeu que tinha alguém ali. Ela ligou o abajur e pude ver seu rostinho, sério, ela não estava mesmo contente com aquilo, ambos não estávamos.
— Ei, como você está, Princesa? — Sentei a sua frente, afagando sua mão.
— Isso é um merda! — ela reclamou, eu sorri.
— E você deve um dólar para o pote, mocinha.
— É, eu sei, mas precisava falar isso — falou, olhando para nossas mãos entrelaçadas. — Eu não consigo dormir, mas estou cansada demais, papai.
— Vamos cuidar disso. — Chutei meus sapatos para fora, deitando ao seu lado, deixando-a deitar com a cabeça em meu peito, agarrada ao pinguim Carl. — Sabe, quando você era bem pequena — falei, afagando sua cabeça gentilmente. — E não conseguia dormir, eu ia até seu quarto ajudá-la pegar no sono e cantava para você, nós dançávamos algumas vezes, você era minúscula.
Nessie riu.
— Era minha garotinha! — Apertei a ponta do seu nariz.
— Sempre vou ser sua garotinha, pai — falou confiante, eu suspirei, aliviado, então beijei sua testa.
Era aquilo, não importava o quanto ela crescesse, eu sempre a veria como minha garotinha.
***
Na manhã seguinte Felix levou Renesmee e Bella para a escola e trabalho, respectivamente. Minha filha parecia melhor aquela manhã, mais animada e segundo Bella mais a vontade consigo mesma, o que aliviou um pouco minha mente para o que iria enfrentar aquele dia.
Dirigi o Volvo até a casa dos meus pais, uma vez que combinei de buscá-los lá para que pudesse levá-los para a clinica onde mamãe faria a quimioterapia. Rosalie nos encontraria na clínica, uma vez que ela ainda tinha de ir deixar as meninas no colégio.
Assim que estacionei diante a casa que cresci, meus pais deixaram a mansão. Meu pai ajudou mamãe a entrar no banco de trás, então se juntou a mim na frente.
— Esse carro está limpo? — ele indagou, fazendo uma careta.
— Muito engraçado. — Fingi uma risada. — Como você está, mãe?
— Bem — ela sussurrou simplesmente, olhos focados na janela.
Papai indicou que eu deveria começar a dirigir, então fiz aquilo. Nós seguimos em silêncio até a clinica, onde Rosalie já esperava por nós. Mamãe entrou na sala do médico com papai assim que chegamos, deixando Rose e eu na sala de espera, ambos apreensivos com aquilo.
— Ela disse algo? — Rose questionou, neguei com um aceno de cabeça, balançando a perna sem parar. — Você só está me deixando mais nervosa, Edward! — Rose parou minha perna.
— Desculpe — pedi, suspirando.
— Será que ela está preparada para isso? — Rose perguntou baixinho para mim.
— Eu não estou — respondi, ela me olhou por um instante.
— Eu também não.
Cerca de uma hora depois, mamãe deixou o consultório do médico e papai a levou até um quarto na clinica, Rosalie e eu o seguimos até lá. Esme continuava muda, mas atenta a tudo ao seu redor.
— Senhor, só pode ficar um acompanhante por paciente — uma enfermeira disse a papai, de forma ríspida, ele respirou fundo uma vez, então se voltou para ela com um grande sorriso no rosto.
— Shelly, belo nome — ele falou, lendo no crachá de identificação dela. — Nós prometemos que nas próximas sessões, apenas um de nós ficará aqui dentro com minha esposa, mas essa é a primeira vez e gostaríamos muito de estar todos aqui para apoiá-la. — Carlisle segurou na mão de Shelly, envolvendo-a entre as suas, eu não pude ver, mas sabia que ele tinha tirado dinheiro de seu bolso antes daquilo.
— Tudo bem. — A mão dela mal escondia o dinheiro quando papai a soltou. — Mas, só por hoje, senhor Cullen.
— Só por hoje — ele frisou, deixando-a ir.
— Nossa, pai, você até dando exemplos errados é elegante, isso é admirável — Rosalie elogiou, mamãe, na cama hospital que tinha se empoleirado, riu, fazendo com que todos olhássemos para ela. — Como você está, mãe? — Rose indagou, indo até ela, afagando seus cabelos.
— Bem, ainda não começou de verdade — ela falou, forçando um sorriso. – O médico apenas fez uns exames, alguém vem me aplicar a medicação prévia.
Olhei para papai, tentando entender o que aquilo significava, já que ele esteve em todas as consultas desde a descoberta do câncer.
— É para preparar o corpo dela para a quimioterapia em si — ele explicou.
Em seguida, Shelly apareceu, aplicando a tal medicação em mamãe. Naquela primeira hora que ficamos ali, o tempo que levou apenas para aquela primeira etapa, nós ficamos distraídos com a televisão do quarto, até mesmo mamãe parecia de fato concentrada naquilo. Quando Shelly voltou depois, com a quimioterapia em si daquela vez, a tensão de fato se instaurou no ar.
— Por que isso tinha de acontecer comigo? — mamãe perguntou quando Shelly nos deixou a sós. Papai afagou e beijou a mão dela, sem tirar os olhos dos de mamãe, que estava chorando silenciosamente.
— Fui eu quem pegou o peixinho da Tanya na mão e o deixou morrer — Rosalie falou do nada, chamando a atenção para si. — Não foi o Edward, eu só coloquei a culpa nele, porque não queria ser castigada.
— Espere, você quem matou aquele peixinho dourado da Tanya? — indaguei perplexo para minha irmã. — Aquele que ela tratava como um irmão? O que era meio doente, na verdade.
Rosalie assentiu, sufocando uma risada.
— Rosalie! — mamãe exclamou, rindo também. — Edward passou um mês de castigo por aquilo e ele só tinha cinco anos, coitadinho.
— Eu sei — Rosalie gargalhou. — Desculpe, mas não queria ser penalizada. Nós estávamos na casa do tio Caius aquele dia, ai todos foram para a piscina e eu vi o peixe, pensei em escondê-lo de Tanya...
— E o peixe morreu logo depois de tirá-lo do aquário — papai completou por ela.
— Desculpe, irmão, vinte e seis anos se passaram e você passou todo esse tempo sendo considerado o assassino daquele peixe dourado inútil — ela disse para mim, eu ri também. Há séculos não lembrávamos daquela história, mas era sempre engraçado lembrar, pois eu sabia que não tinha matado aquele peixe e passei um dia chorando por ter sido acusado injustamente.
— Você vai comprar um peixe novo para Tanya e tirar o peso desse assassinato das minhas costas — falei para Rose.
— Feito. — Nós selamos o acordo com um aperto de mão.
— Amo vocês — mamãe falou, sorrindo. — Obrigada, por fazerem tudo isso ser mais simples. — Gesticulou para o cateter em seu braço.
— Bom, já que estamos em clima de confissão, eu posso falar que foi o Edward quem bateu o carro do papai em 2001, mas assumi a culpa para ele não perder a viagem com a turma da escola para a Espanha já que ele estava dirigindo bêbado. Nossa, é um alivio confessar essas coisas — Rose disse, suspirando alto.
— Rosalie! — gritei.
— Você bateu meu carro? — papai perguntou a mim.
— Tem muito tempo, pai, o crime já prescreveu.
— Você suborna enfermeiras, Carlisle. Estamos todos quites — mamãe disse.
— Não, você ainda não confessou nada — falei para ela, que fez uma careta.
— Não, eu sou limpa. — Ela piscou para mim, nós todos reviramos os olhos. — Tá, eu adulterei o leilão de verão do ano retrasado, mas foi pensando na família toda, aquele iate era nossa cara, os Martin não precisariam dele.
— Nossa, estou me sentido parte da máfia italiana — Rose falou. — Ou melhor, máfia parisiense, já que estaremos na França assim que mamãe melhorar, não é, mãe?
Ela concordou, respirando fundo.
— Eu vou ficar bem — prometeu. — Então, iremos para Paris.
Eu estava preparado para aquilo.
Fale com o autor