Nossa Família
26 Capítulo Vinte e Cinco — Adição
Notas iniciais
— Capítulo Vinte e Cinco —
— Adição —
Isabella Cullen
Era estranho, não de uma forma ruim, mas ainda assim estranho, pensar nas voltas que minha vida deu. Por anos, tudo que eu tinha em mente era apenas a vontade de ir estudar em Harvard, quando cheguei lá, tudo se resumia a ser uma aluna exemplar e conseguir meu diploma o quanto antes.
Então, sem anúncios, sem planejamentos e mudando tudo com rapidez por onde passava, Edward entrou em minha vida. Harvard, o diploma, tudo continuava em meus sonhos e perspectivas, ainda se tratavam de questões muito importantes. Porém, eu me abri, comecei a perceber que não precisava ser apenas sobre minha educação ou carreira, que outras áreas da vida poderiam e mereciam ser exploradas.
Eu o deixei abrir essas portas ao meu lado, deixei com que junto a Edward, a paixão e o amor surgissem para mim. Era tudo muito novo, todas as demonstrações de paixão e amor de antes pareciam pequenas perto das que nós dois tínhamos um para o outro. Nós não éramos simplesmente peças de um quebra-cabeça se completando, nós éramos uma adição, nós nos colocávamos em níveis diferentes, nós nos impulsionávamos para cima, nosso amor era toda nossa base para a vida conjunta que estávamos construindo.
Nós adicionamos um ao outro em nossas vidas antes singulares, depois integramos amigos e família. Uma de nossas maiores adições ocorreu quando trouxemos ao mundo uma filha. Nós dividimos e subtraímos uma porção de vezes entre todo aquele tempo que estávamos juntos, mas um sempre trazia um número novo a somar, ou o outro afirmava que não precisávamos de uma adição tão alta assim, que podíamos correr um pouco com a conta baixa até subirmos aos poucos.
Então, lá estávamos nós a mais de onze anos de namoro, quase dez de casamento, adicionando mais ainda em nossa relação. Matthew não era uma parte da conta que Edward ou eu um dia pensamos, ele surgiu em nossas vidas de forma tão rápida quanto o próprio Edward surgiu na minha. Porém, se o tirássemos da conta aquela altura, ela se desestabilizaria e os resultados dariam errados, ele era parte fundamental da nossa conta.
Eu não podia estar mais feliz quanto naquele sábado, obviamente sabia que nem tudo estava resolvido, que além de toda a burocracia a respeito da adoção ainda precisávamos conquistar a confiança de Matthew. Entretanto, tê-lo finalmente fora daquele abrigo — mesmo que por algumas horas — e junto a Nessie, deixava-me radiante, era algo pelo qual estava esperando muito.
Não fiquei surpresa com a receptividade de Nessie a Matthew, desde o começo ela estava tão envolvida com ele quanto Edward e eu, mesmo que indiretamente. Contudo, foi impossível não ficar com o coração inchado de orgulho ao ver minha garotinha recebendo o irmão de braços abertos, literalmente. Ela seria uma mulher maravilhosa no futuro, não me restava duvidas quanto a isso.
— Vou comprar os ingressos — Edward anunciou quando entramos no prédio principal do aquário, ele beijou minha mão antes de se afastar até a bilheteria.
Eu o deixei ir, seguindo até Nessie e Matt, que estavam parados perto do aquário principal do hall de entrada. Era demais para meu coração vê-los lado a lado, quis eternizar aquele momento, meus filhos se conhecendo e interagindo pela primeira vez.
Tirei a câmera da minha bolsa, um brinquedinho tecnológico caro que Alice me deu de presente no meu último aniversário, focando em Matthew e Renesmee — enquanto ela apontava para vários peixes dizendo os nomes dos que conhecia — os fotografando juntos. Eu colocaria aquela foto em uma moldura de destaque em casa o quanto antes, a família inteira receberia cópias, até mesmo minha mãe, seria capaz de mandar o prefeito espalhar fotos por toda a cidade e considerando que tanto Edward quanto eu conhecíamos o homem, isso nem seria tão difícil assim. Tudo que queria, era apenas que as pessoas vissem o quanto estava feliz, o quanto amava aquele garotinho que começava a se integrar a nossa família.
Ainda com a câmera em mãos, certa de que teria muitos outros momentos para registrar aquele dia, continuei o caminho até minhas crianças. Pois, por mais que amasse ambos, sabia que Renesmee podia causar todo tipo de caos e que Matthew era novo e podia ser influenciado por ela muito facilmente.
— Ei, Nessie já te apresentou quantos peixinhos? — perguntei a Matthew, parando atrás dos dois.
— Vários — ele murmurou, não parecia tão animado. Eu tinha de tirar minha venda de felicidade e perceber isso, Edward — mesmo sendo Edward — estava contido, enquanto Renesmee e eu estávamos loucas de animação para aquele dia e Matthew ainda estranhava tudo aquilo, principalmente a gente. Nós tínhamos de nos munir de paciência e empatia por ele, entender que não estava no nosso ritmo.
— Nós vamos ver o show dos golfinhos, mamãe? — Renesmee perguntou, os olhos cheios de brilho de expectativa.
— Iremos ver si — confirmei, fazendo Nessie pular e bater palmas. Ela não podia negar de quem era afilhada.
— Oh, ela é uma gracinha! — uma mulher, por volta dos seus quarenta anos, parada próxima a nós disse com um forte sotaque sulista, afagando a bochecha de Renesmee. O que encheu a nós duas de fúria imediata, a Nessie por estar sendo tratada como uma criancinha e a mim por uma completa estranha estar tocando em minha filha.
— Não toque nela! — Eu puxei Renesmee e Matthew para trás de mim, sob o olhar confuso da mulher loira. — Você não pode simplesmente tocar em crianças que acabou de conhecer, isso está fora de qualquer norma de educação básica — reclamei.
Qual é, onde as pessoas deixavam sua educação? Ela era uma estranha tocando no rosto da minha filha, isso não estava dentro das normas sociais, eu sequer podia imaginar por onde ela tinha passado aquela mão antes de encostar em Renesmee.
Com Edward ainda preso na fila, conduzi Renesmee e Matthew até lá, os tirando de perto da mulher abusada, que me olhava com raiva. Dane-se, ela podia me achar escandalosa e o que mais fosse, mas eu não queria desconhecidos tocando em nenhum dos meus sem permissão.
— O que foi? — Edward perguntou confuso ao ver meu estado agitado, puxando as crianças junto de mim.
— Pessoas idiotas — resmunguei, tirando um lenço umedecido e bactericida da minha bolsa, não sabia o quanto podia carregar em uma bolsa até Renesmee nascer, limpando o rosto dela imediatamente. — Escutem. — Agachei diante dela e Matthew, Ness parecia mais consciente da situação ali, mas Matthew não. — Não podem deixar pessoas estranhas tocarem em vocês, certo? Abraços, beijos, toques no rosto, nada disso, é perigoso para a saúde e para a segurança, entenderam? — Nessie assentiu em concordância, Matthew apenas continuou me olhando sem grandes expressões. — Há pessoas más por ai que podem fazer coisas ruins com vocês — esclareci. — Nunca andem sozinhos, sem que com alguém que Edward e eu confiemos juntos. Hoje quero que não se afastem de nós dois, nem mesmo por um segundo, caso se percam, irão procurar por um segurança, esses homens e mulheres com camisas brancas, calças pretas e distintivos dourados. — Apontei para um deles mais próximo. — E dirão que estão com Edward e Isabella Cullen, que se perderam deles. Entendido, time?
— Entendido, capitã! — Renesmee bateu continência, fazendo com que eu voltasse a sorrir.
— Matthew? Você entendeu tudo?
— Sim — falou, parecendo perdido e assustado com todas minhas ordens, mas ele teria de aprender a lidar com aquilo. Eu não podia sonhar em ver ele ou Nessie machucados de qualquer forma que fosse, preferia mil vezes bancar a louca controladora do que deixá-los desprotegidos.
— Excelente! — Ajustei a roupa de ambos, colocando-me de pé em seguida.
— Mais calma? — Edward perguntou, escondendo um sorriso.
— Agora sim, mas se outra pessoa tocá-los eu arrancarei a mão — ameacei, Edward riu, colocando uma mão na base das minhas costas, inclinando-se até mim e sussurrando em meu ouvido.
— Preciso dizer o quanto adoro vê-la dando ordens, querida? É sexy!
Apenas ri, sem querer começar aquele joguinho em público, nós estávamos responsáveis por dois, não podíamos nos distrair facilmente.
— Por que não compramos os ingressos pela internet mesmo? — perguntei a Edward, vendo a fila a nossa frente, Renesmee naquele instante explicava sobre pinguins para Matthew animadamente. Eu já podia prever que ela só falaria deles pelos próximos dias, era algo comum sempre que ia ao aquário. — Ah sim, porque o meu marido disse que não teria fila — debochei.
— Bella! — Edward resmungou.
— Você sempre deixa tudo para a última hora — critiquei, cruzando os braços na frente do corpo. — Até mesmo deixou a barba para fazer no dia do nosso casamento e não teve tempo de fazê-la antes da cerimônia.
— Eu não estava bonito aquele dia, senhora Cullen? — Arqueou uma sobrancelha ao perguntar, lançando-me um de seus sorrisos matadores. Cretino, ele sabia como desestabilizar qualquer um, principalmente a mim.
— Estava — sussurrei.
— Desculpe, querida, acho que não ouvi direito. Poderia repetir?
— Estava. — O encarei. — Você está sempre bonito, senhor Cullen.
— Sim, isso é verdade. — Ele piscou para mim, fazendo com que eu revirasse os olhos para seu grande ego, ainda que aquilo fosse algo que no fim das contas amava nele.
Nós fomos os próximos a comprar os bilhetes de entrada, ganhando de brinde um boné — com o nome e logo do aquário de brinde — para cada ingresso. Edward imediatamente colocou o seu, o que só deixaria seu cabelo mais bagunçado do que nunca, então se virou para mim, balançando um dos bonés em minha direção.
— Vai bagunçar todo meu cabelo, amor, não quero usar — pedi fazendo um beicinho, mas não funcionou, ele e eu estávamos treinando para ficar imune a Renesmee, ele não cederia facilmente a mim.
— Qual é, não somos um time, capitã? Devemos estar a caráter. — Ele enfiou o boné em minha cabeça, virando-se para Matthew e Renesmee. — Se ela vai usar. — Apontou para mim. — Vocês dois também terão de usar — anunciou, estendendo os bonés para os meninos.
— Tia Alice diz que bonés são feios — Renesmee falou sabiamente, mas colocou o seu boné, com o máximo de cuidado possível para não bagunçar muito seu cabelo. Matt colocou o seu sem dizer uma palavra, a aba caiu um pouco na parte da frente, já que estava grande demais para si. — Isso não combina com minha roupa! — Nessie exclamou, bufando.
Sim, eu mal podia esperar para vê-la como uma adolescente hormonal e temperamental, seria muito divertido. Torcia para que Matthew fosse o irmão calmo, o que sabia que era errado, não podia ter expectativas daquele tipo nem mesmo sobre ele ou Nessie, mas se tratava de algo além da minha capacidade de frear pensamentos.
— Vamos, Nessie, eu lhe entendo sobre detestar bonés — falei, tomando a mão dela na minha, indicando com a cabeça Matthew para Edward, deixando claro que eles deviam começar uma aproximação. Ele segurou no ombro de Matt, que se encolheu um pouco com aquilo, mas meu marido sorriu para o garotinho, então ajustou o boné em sua cabeça.
— Bem melhor assim, não, Matt? — falou com ele de forma animada, mas nada tão exagerado quanto Nessie e eu estávamos fazendo até ali.
— É — Matt murmurou, tocando na aba do boné.
— O que vocês querem ver primeiro? — Edward perguntou depois de entrarmos de fato no aquário.
— Os pinguins! — Renesmee gritou, algumas pessoas próximas nos olharam assustados pelo grito dela. Eu pude apenas lançar um sorriso amarelo a elas, afagando a mão de Nessie na minha.
— Pequena, não precisa gritar, certo?
— Certo! — Não foi um grito, mas ela chegou bem perto disso novamente, mas o que me chamou a atenção foi Matthew rindo baixinho ao lado de nós duas, sendo conduzido por Edward, que abriu um grande sorriso ao ouvir a risada dele.
Não pude deixar de sorrir também, era fantástico poder vê-lo sorrindo.
Nós seguimos diretamente até a área dos pinguins, antes que Renesmee pudesse entrar em colapso por não ver o que tanto queria. Eu nunca tinha achado pinguins interessantes, mas ela sempre teve fascínio sobre eles e desde que viu um pela primeira vez naquele mesmo aquário, pedia por um de presente. Nunca aconteceria, por mais que Edward uma vez tenha pensando seriamente na hipótese quando ela estava falando sem parar sobre antes do seu aniversário de sete anos.
— Olhe, olhe Matt, é o Pinguim Imperador, o maior que tem. — Renesmee começou a apontar freneticamente para um pinguim, que devia pesar tanto quanto ela, assim que chegamos ao viveiro deles. — Papai, por favor. — Ela se virou para Edward com os olhinhos pidões de quando queria algo. — Eu prometo que vou cuidar dele direitinho, ele se chamará Carl.
— Carl? Carl como em Carlisle? — perguntei, ela deu de ombros. — Ótimo, seu avó irá amar isso.
— Quer dizer que Matthew e eu podemos ter um, mamãe? — Entusiasmo preencheu sua voz. Até mesmo Matt naquele momento olhou para mim em expectativa.
— Não, lamento, Princesa, mas vocês não podem ter um pinguim — Edward se pronunciou primeiro. — Eles não foram feitos para apartamento.
— Eu posso deixá-lo na banheira — Nessie insistiu.
— Ou na piscina, você tem uma piscina? — Matthew perguntou a ela, suspirei, era isso, eu tinha o perdido, ele já estava contaminado pelas ideias mirabolantes de Renesmee.
— Sim, tem uma no prédio. — Renesmee assentiu. — E outra na casa do vovô Carlisle e da vovó Esme. Podemos ter dois? — ela voltou a perguntar. — O outro pode se chamar Eddye.
— Hey! — Edward exclamou indignado. — Você não é nada criativa com nomes, Renesmee e, como eu já disse, um milhão de vezes, nada de pinguins em casa. Nós podemos sempre vir no aquário visitar os que tem aqui, nada de levar para o nosso apartamento, ou para casa dos seus avós.
— Matthew quer um pinguim, ele merece um — ela disse, sempre sendo persistente.
— Nada de pinguins — ressaltei. — Aproveitem o Eddye daqui. — Gesticulei para o pinguim imperador de mais de trinta quilos.
— Engraçadinha. — Edward beliscou meu braço, fazendo com que eu gargalhasse, todos sabiam o quanto ele detestava aquele apelido e ultimamente mal tínhamos o provocado com aquilo.
— Matt, você sabia que quem choca os ovos dos pinguins são os pinguins machos? — Nessie falou, se aproximando do vidro, temporariamente desistindo de pedir por um pinguim.
— E enquanto isso a mamãe pinguim é quem vai caçar — Edward completou, agachando-se entre as crianças, Matthew olhava curioso para ambos.
Aproveitei enquanto eles conversavam distraidamente para tirar mais fotos, grata por pinguins ser um assunto que distraia Matt suficiente para deixá-lo mais a vontade.
— Ei, venham aqui! — chamei quando vi do outro lado do viveiro, algumas pessoas agrupadas, aparentemente era para ver de mais perto outros pinguins.
Os três logo me seguiram, até onde pudemos ver alguns funcionários do aquário segurando filhotes de pinguins em mãos. Eles eram tão pequenos que ainda cabiam na palma, até eu precisava admitir que eram fofinhos.
— Ai, que lindinho! — Nessie exclamou, eu a peguei no colo, mesmo que não tivesse mais tanta força para isso, deixando-a mais perto do funcionário, que segundo seu crachá chamava-se Sebastian, que carregava dois pinguins. Edward pegou Matt no colo também, ele não pareceu ligar para aquilo, realmente distraído com os pinguins a sua frente. — Olhe, mamãe — Nessie cantarolou quando tocou no pinguim, que se remexeu de forma engraçada. Porra, eu queria um também, droga.
— Toque, Matt — Edward sugeriu, hesitante, ele fez aquilo, abrindo um sorriso enorme ao tocar no bichinho.
— É engraçado — Matt falou animado, continuando o toque no bichinho.
— Moço, meu irmão e eu não podemos levar eles para casa? — Nessie perguntou ao funcionário que segurava os pinguins que estávamos brincando. — Esse ia se chamar Carl. — Apontou para o que tocava. — E esse Eddye. — Gesticulou para o que Matt e Edward brincavam.
— Oh não, eles não podem viver em casas — Sebastian respondeu. — Mas, há uma loja de conveniência onde pode comprar um Carl e Eddye para você e seu irmão de pelúcia — falou sorridente, claro, porque ele estava fazendo propaganda do lugar de onde trabalhava. Olá, eu tinha me formado em Harvard, entendia muito bem daquilo, você não era tão discreto quanto pensava, Sebastian.
— Certo, tudo bem — Nessie concordou, porque obviamente ela concordava com a fala de um desconhecido quando este dizia que ela não podia ter um pinguim, mas quando o pai e eu dizíamos isso ela não dava ouvidos.
— Eu gostei, ele é legal — Matt disse, o pinguim dele e de Edward estava dormindo, o meu e de Nessie se exibindo.
— Ele é preguiçoso, eu tenho certeza de que ele será um grande pinguim gordo — Edward brincou, fazendo Matthew rir.
— Talvez ele precise de muita academia como certas pessoas — provoquei Edward, que nem mesmo com aquilo conseguiu tirar o sorriso do rosto, feliz demais por estar pelo menos ali se entendendo com Matthew.
— Preciso levar eles de volta para dentro, crianças — o funcionário anunciou, Nessie e Matt emitiram sons de lamento em conjunto.
— Você pode tirar uma foto nossa com eles? — perguntei a outra funcionária ali que tinha as mãos livres, ela concordou prontamente, passei a câmera para ela, então Edward e eu nos posicionamos com as crianças juntos a Sebastian e os pinguins.
Sim, aquela foto com certeza seria espalhada pela cidade inteira. Sebastian ficaria famoso.
— Tchau Eddye, tchau Carl. — Nessie acenou para os pinguins quando Sebastian se afastou com eles depois da foto.
— Para o chão, mocinha, eu não consigo mais carregá-la por tanto tempo. — Coloquei-a no chão.
— Podemos ver as tartarugas? — Matt perguntou, pegando a mim e Edward, que ainda o carregava, de surpresa.
— Claro, vamos lá — Edward concordou rapidamente, hesitando por um momento, mas o colocando no chão junto a Renesmee.
— Vamos, irmãozinho! — Nessie segurou na mão dele, os dois indo a frente.
— Eles são tão fofos — falei. — Mas, minha mão cheira a pinguim, nada legal — reclamei, cheirando minha mão.
— Não me toq... — Era tarde demais, eu já esfregava minha mão no rosto de Edward, fazendo-o rir. — Bella!
Apenas me enfiei em seus braços, sem tirar os olhos das crianças. Renesmee conhecia aquele aquário tão bem que ela pode nos guiar sem dificuldade até onde as tartarugas ficavam, ainda que sua parte favorita do local fosse onde estavam os seus preciosos pinguins.
Passamos algum tempo com as tartarugas, depois indo até os leões marinhos. Era inegável o quanto Nessie e Matthew estavam se divertindo, ao menos em relação aos bichinhos e a pequena encrenqueira, ele já estava bem mais aberto, o que era bom, um começo para que tudo ficasse ainda melhor.
Depois de visitarmos os leões marinhos, fomos ver as águas-vivas, que de todos os animais naquele aquário deviam ser o mais interessantes para mim. Quer dizer, elas eram coisinhas bonitinhas, mas nada frágeis, era super instigante.
— Essas são tão pequenas, tia — Matt falou deslumbrado ao ver umas minúsculas, Nessie e Edward estavam do outro lado da sala debatendo sobre alguma informação que ela tinha assistido em um documentário na escola, mas que ele julgava ser incorreta, afaguei as costas de Matthew. Eu queria tanto que ele deixasse de me chamar de tia e partisse para o que realmente me importava, mas sabia que aquilo não aconteceria tão fácil quanto queria.
— Você quer uma foto ao lado do aquário delas? — sugeri, sinalizando a câmera em minhas mãos, ele concordou, pousando ao lado do aquário, deixando com que eu tirasse fotos. — Ei, estou muito feliz que esteja aqui com a gente, Matthew, quero que saiba disso. — Afaguei seu rosto, ele apenas assentiu, sério. — Edward e Nessie também estão muito felizes que você esteja aqui, nós esperamos muito por esse dia.
— Ela é legal — ele sussurrou, parecendo envergonhado de dizer aquilo.
— Ela é — concordei, vendo Nessie e Edward mexendo no celular dele, com certeza procurando pela informação certa pelo que discutiam. — E ela gostou muito de você, tenho certeza disso. — Afaguei o rosto dele mais uma vez. — Você logo estará em casa com a gente, com Renesmee, mas antes mesmo disso já posso dizer que vocês dois são irmãos e nada vai mudar esse fato.
— Mas eu não sou seu filho — ele teimou, dividido entre a rebeldia e a duvida, seu olhar era cheio de raiva, mas também de lágrimas.
— Eu te amo, Matthew — declamei a verdade. — Tanto quanto amo Nessie que é minha filha, isso quer dizer que você também é meu filho, pequeno. — Beijei sua testa. — Sei que isso tudo é muito confuso e complicado, mas nós estamos juntos agora, nós iremos nos apoiar por todo esse período de adaptação até as coisas serem resolvidas. Renesmee, Edward e eu somos sua família e, algo que aprendi sobre família é que ela sempre vem para somar em nossas vidas. — Matthew apenas me olhava, prestando atenção as minhas palavras. O abracei com força. — Você não está mais só, filho, nunca mais ficará sozinho.
***
Assim que Edward e Renesmee solucionaram seu impasse, o que deu a ela a confirmação de que estava certa, nós decidimos ir comer algo, pois era unanime que estávamos com fome. Fomos até uma das lanchonetes no aquário, optando por pizza.
Matthew, que estava calado logo depois de nossa conversa, só voltou a falar quando perguntamos a ele o sabor que queria. Ele e Edward acabaram pedindo pelo mesmo sabor, enquanto eu ficava com a mesma escolha de Nessie.
— Mamãe contou que eu vou me apresentar em uma peça sábado que vem? — Nessie perguntou a Matthew enquanto comiamos, eu limpei a boca dele quando o molho lhe sujou por inteiro ali. — Vou ser a casa no Mágico de Oz.
— Um dos papéis mais legais — Edward disse de boca cheia, ganhando um olhar feio meu por aquilo.
— Não sei o que é Mágico de Zoz — Matt falou, também de boca cheia, eu estava perdida.
— Oz — o corrigi automaticamente, o que me levou a pensar o que faríamos a repeito da escola quando ele fosse morar com a gente, já que ele devia estar atrasado quanto aquilo.
— A história vem de um livro — Edward começou a explicar. — Tem essa garotinha, Dorothy, que um dia depois de um tornado, é levada até esse lugar estranho e precisa encontrar um jeito de ir para casa novamente.
— E eu sou a casa que mata a bruxa — Nessie comemorou.
— Como você vai ser a casa? — Matthew questionou.
— Eu vou vestir uma roupa especial para isso, vai ser tipo magia, como em Harry Potter. — Matthew ficou mudo para a fala dela, o que a fez perceber. — Você nunca viu Harry Potter, Matt? — Ele negou com um aceno de cabeça, Renesmee olhou de mim para Edward com uma expressão ultrajada.
— Nós todos podemos fazer uma maratona de Harry Potter quando Matthew for para casa — Edward sugeriu. — Você vai gostar, Matt, tem muita aventura.
— Mamãe, Matt pode ir a minha peça no sábado que vem? — Nessie me perguntou. — Por favor, por favor, por favor! — implorou. — Quero que todos meus amigos conheçam meu irmão.
— Você gostaria de ir Matthew? — perguntei a ele, que assentiu, novamente ficando envergonhado. — Okay, eu falarei com algumas pessoas para ver se isso vai ser possível. — Troquei um olhar aflito com Edward, com medo de decepcionar todos nós se a resposta não fosse positiva, a peça aconteceria pela noite, eles podiam não gostar disso e acabar não liberando Matthew para ir conosco. — Agora comam, ou não conseguiremos lugares bons para assistir ao show dos golfinhos. — Os apressei.
Cerca de quinze minutos depois, nós fomos para a área onde os golfinhos iriam se apresentar. Bree surtaria se desconfiasse que estávamos cooperando com aquele tipo de show, sendo a ativista que era, então peguei leve nas fotos de lá para que ela não acabasse vendo no futuro.
O show foi longo e na metade tanto Edward quanto eu já estávamos entediados, mas o importante era que as crianças estavam se divertindo. Tanto Nessie quanto Matthew vibravam a cada número dos golfinhos, eu suspeitava de que eles fossem acabar pedindo por um também, o que combinaria muito com a piscina da casa de Esme, ela ia amar tanto quanto Carlisle e seu nome em um pinguim.
— Tia, a gente pode ir lá para baixo para ver de perto? — Matt perguntou apontando para dois lugares vazios mais em baixo na arquibancada que estávamos.
— É, mamãe, podemos? — Nessie entoou.
— Vocês não podem ficar sozinhos lá embaixo, o que eu falei sobre isso mais cedo? — Renesmee revirou os olhos para minha fala, mas ficou quieta, o que era muito bom para ela, Matt apenas ficou chateado, mas também não disse nada.
— Permaneça forte — Edward sussurrou em meu ouvido, afagando minhas costas. Assenti, sabendo que eu não podia ceder a tudo que eles queriam, nem mesmo para agradar Matthew, ou isso estragaria toda a relação que estávamos construindo.
Quando o show acabou, nós visitamos mais alguns animais. Nós estávamos mais uma vez vendo os pinguins, antes de deixarmos o aquário para tomarmos o sorvete de chocolate prometido a Matt por Nessie, quando Edward desapareceu, ele voltou alguns minutos depois, carregando pacotes de presente em mãos.
— Um pra você. — Entregou um a Nessie, que começou a abrir imediatamente. — Outro para você. — Deu o outro para Matthew, que mais timidamente também começou a abrir o seu.
Não foi uma surpresa tão grande ao ver que ambos tinham ganhado pinguins de pelúcia, aquilo era definitivamente a cara de Edward. Ele realmente daria pinguins reais aos dois se isso fosse possível.
— Ai, papai, eu amei! — Renesmee soltou um grito animado, atirando-se nos braços de Edward. — Obrigada, obrigada, obrigada.
— De nada, Princesa. — Afagou a cabeça dela, nós duas já tínhamos nos livrado dos bonés horríveis, que escondi em minha bolsa.
— Valeu — Matt agradeceu intimidado.
— De nada, espero que tenha gostado. — Edward sorriu para Matthew. — Quais serão os nomes deles? Ou no caso, quem será o Eddye e quem será o Carl?
— Este vai ser o Carl — Nessie proclamou apertando o seu em seus braços. — O do Matt pode ser o Eddye.
— Certo, nomes escolhidos, vamos ir tomar nossos sorvetes. — Apontei para a saída.
— Onde está o seu boné? — Edward perguntou notando aquilo. — E o de Renesmee?
— O quê? — Me fiz de desentendida. — Vamos, amor, ou não teremos sorvete. — Agarrei em sua mão, puxando-o em direção a saída do aquário.
Compramos um sorvete para cada um, mesmo que Nessie estivesse com olho gordo aquele dia dizendo que queria dois, nós sabíamos que ela não aguentaria mais de um. Não estava um dia muito frio, mas ainda não quente o suficiente para estar circulando por tanto tempo ao ar livre, então apenas nos sentamos na grama do parque diante ao aquário, degustando nosso sorvete.
— Quando você vai para casa com a gente, Matt? — Renesmee perguntou a ele, que estava completamente focado em seu sorvete. Eu me perguntava a quanto tempo ele não tomava um.
Matt me olhou, sem saber o que responder.
— Não sabemos ainda, filha — respondi.
— Eu mal vejo a hora de você ir para a casa com a gente — Nessie continuou a falar, seu sorvete começando a derreter em sua mão, Edward rapidamente pegou um lencinho limpando a bagunça dela. — Nosso pai e eu vamos te ensinar a tocar piano.
— Ele não é meu pai — Matt resmungou, seu olhar irritado foi direcionado a Edward. — Meu pai é o Laurent!
A expressão no rosto de Edward era devastadora, eu me senti terrível por aquilo.
— Matt...
— Senhora Cullen. — Fui interrompida pela voz da assistente social que tinha levado Matthew até a gente aquela manhã.
Suspirei, odiando que não poderíamos mais conversar com Matthew naquele momento. Coloquei-me de pé, o que em reação domino fez todos ali também se levantarem.
— Ei, olá Sabrina — cumprimentei a assistente.
— Olá, eu estava lhe procurando na escadaria do aquário como combinado. — Ela lançou um olhar atento a Matthew para ter certeza de que ele estava bem.
— Nós perdemos a hora, sinto muito — justifiquei. — Ele não pode mesmo ficar por mais uma hora?
— Lamento, não pode — ela respondeu mecanicamente. — Vamos, Matthew? Dê tchau a todos.
— Tchau Matt — Nessie falou, nada animada, lhe dando um abraço apertado. — Tome conta do Eddye direitinho — lembrou, afofando o pinguim.
— Até mais, lindo, nós o veremos em breve. — O abracei também, beijando sua bochecha, prolongando o abraço o máximo possível.
Assim que desfiz o abraço, Matt foi com a assistente social. Ele não deu tempo de Edward dizer nada, logo deixando o parque com Sabrina e seu pinguim de pelúcia.
— Vamos embora — Edward chamou, seu tom de voz era sério.
Recolhi nossas coisas, segurei na mão de Nessie, seguindo Edward que ia em disparada até o Volvo estacionado do lado oposto para onde Matthew foi com a assistente social. Nós entramos em silêncio no carro e permanecemos em silêncio até nosso apartamento, Edward não dizia uma palavra, seu olhar focado a sua frente. Eu sabia que ele estava triste, podia ver isso na forma que ele estava totalmente retraído, o que com certeza não era algo seu.
Ele foi logo para o segundo andar quando chegamos em casa, continuando sem dizer uma palavra.
— Então, como foi? — Nelly apareceu no hall de entrada enquanto eu ajudava Nessie a se livrar do seu tênis de cano longo.
— Foi um máximo! — Nessie respondeu. — Olha o que o papai me deu, tia Nelly — Mostrou o pinguim Carl.
— Hey, você ganhou um pinguim — Nelly comemorou. — E Matthew, você e ele se deram bem?
— Matt é muito legal, ele vai na minha peça no sábado.
— Não, eu disse que ia tentar levá-lo, ainda não está confirmado — a corrigi, jogando seus tênis no armário ali. — Mostre as fotos para Nelly, eu vou falar com seu pai. — Passei a câmera para ela, indo atrás de Edward no segundo andar.
Ele estava sentado na beira da nossa cama, o rosto entre as mãos, respirando tão devagar que se eu não prestasse atenção nem notaria sua respiração. Aproximei-me dele, sentando ao seu lado, esfregando suas costas.
— Querido?
— Eu estou bem, juro — murmurou, ainda com o rosto escondido, o que eu sabia que não era verdade. — Só pensei que depois do dia que tivemos ele estaria mais receptivo a mim, é o mal de criar expectativas.
— Eu acho que progredimos muito — murmurei de volta.
— É sim, pelo menos com você e Nessie ele tem ido bem, isso é muito bom mesmo — Edward disse, mostrando o rosto e um sorriso forçado, enquanto seu olhar era triste.
— Amor...
— Está tudo bem, juro — repetiu. — Minha cabeça só está cheia demais, tem tanta coisa acontecendo e foi um dia longo. — Ele se levantou. — Mas, ei, foi realmente divertido. — Beijou o topo da minha cabeça. — Amo você — falou contra minha pele.
— Também amo você. — Ele me beijou mais uma vez antes de se afastar.
— Vou ligar para meus pais, ver como foi a entrevista deles com a Agatha — anunciou, caminhando até a porta. — Então, trabalhar lá no escritório para me distrair um pouco.
— Okay — concordei. — Você quer sair mais tarde? Só nós dois?
— Não sei. — Suspirou cansado. — Vamos ver.
Ele saiu do nosso quarto, deixando-me só. Rastejei até o centro da cama, depois de chutar meus sapatos para fora, encolhendo-me ali. Odiava ver Edward triste, ele estava mesmo com muito em sua cabeça nos últimos dias entre a mãe doente e a adoção, mas sabia que por enquanto não tinha nada que eu pudesse fazer para mudar a situação, ele queria a aprovação de Matthew, que ainda precisava de mais tempo para isso. Só podia esperar que um dia Matt pudesse realmente ver Edward como o pai maravilhoso que ele era.
— Mamãe? — Vi Nessie entrar no quarto, carregando junto a si o pinguim Carl.
— Sim, pequena? — A ajudei a subir na cama, que era alta demais para ela.
— O papai está triste, não é? — perguntou, seus olhinhos verdes como os de Edward cheios de lágrimas.
— Está — confirmei, afagando o rosto dela. — Mas, ele vai ficar bem, só precisa descansar um pouco a cabeça. — Ela assentiu, me abraçando com força.
— Mamãe, eu gostei mesmo do Matthew.
— Ele também gostou de você, amorzinho. — Beijei sua testa. — Você é uma ótima irmã mais velha, sabia disso?
— Sou? — Ela sorriu.
— Sim, uma das melhores que já vi. — Apertei a ponta do seu nariz, fazendo-a rir. — Deixe-me te contar um segredo, se fosse permitido, nós teríamos um pinguim em casa.
— Eles são tão bacanas. — Ela voltou a se agarrar em mim. — Mas eu quero logo que Matthew venha para casa, ele é melhor do que os pinguins.
Apenas a apertei mais contra mim, concordando com cada uma de suas palavras. Tinha sido um dia cheio, como a própria vida era cheia de subtrações e adições, nós só precisávamos continuar movimentando o cálculo.
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