Nossa Família

21 Capítulo Vinte — Filha


Notas iniciais
Ainda tô com a internet terrível, mas queria trazer o capítulo logo para vocês. Espero que entendam a falta de respostas aos comentários dos dois últimos capítulos, mas com a conexão ruim que estou usando fica impossível de responder, eu farei isso assim que tudo voltar ao normal, por isso não deixem de comentar, estou amando cada comentário ♥ Boa leitura! :D

— Capítulo Vinte —

— Filha —

Edward Cullen

Quando era um adolescente burro, eu pensava que seria como um rei naquele hotel ao me tornar um adulto. Queria ir morar na suíte presidencial, ter pessoas cuidando de tudo para mim, pois era um dos donos e toda noite uma garota — talvez até duas garotas — diferente ia ocupar o lado da minha cama.

Ao acordar naquela manhã de domingo, antes de Isabella e a ver dormindo tranquilamente ao meu lado, me senti muito bem em ter abdicado dos planos antigos de ser praticamente um cafetão no hotel do meu pai. A vida que eu levava era muito melhor do que uma apenas baseada em todo tipo de libertinagem que me conduzia antes.

Afaguei as costas nuas dela, traçando desenhos abstratos por sua pele, enquanto a observava dormir. Ela estava errada, não tinha sido apenas uma semana exaustiva, desde o começo do ano tudo parecia muito mais intenso ao nosso redor, as coisas estavam explodindo bem debaixo dos nossos narizes. Bella, como sempre mantendo-se em sua pose de solucionadora de caos, queria se manter a todo instante na linha de combate, o que resultava nela estressada e exausta.

— Querida, hora de acordar — sussurrei perto de seu ouvido, beijando seu pescoço, descendo meus beijos para seu ombro, sentindo-a se arrepiar. Era terrível precisar acordá-la para mais um dia cansativo, mas nós realmente tínhamos de ir até a casa dos meus pais e passar por toda a conversa com nossa filha e nossas sobrinhas sobre a doença de mamãe, por mais que isso me assustasse muito.

Ness e mamãe eram absurdamente ligadas, ela não tinha tanto contato com Renée e quando Rosalie se mudou para Dubai com as filhas, mamãe tinha apenas Nessie por perto para mimar e fez aquilo muito bem. Se perder vovó Charlotte tinha sido ruim para uma Renesmee muito mais jovem, ver sua avó preferida doente não seria muito melhor.

— Nós precisamos mesmo? — Bella sussurrou de volta, se remexendo na cama. — Você sabe, eu estou em um caso de amor com esses lençóis. Acho que vou começar a fugir para um quarto e dormir durante o trabalho, só para aproveitar essas belezinhas.

— Eu posso ver seu caso de amor com eles, talvez os ame mais do que a mim — brinquei, ganhando uma risada baixa dela.

— Ainda temos tempo para o café da manhã? Se eu terei de fazer a caminhada da vergonha pelo hotel, que seja alimentada.

— Temos. — Chequei o horário. — Café da manhã completo?

— Você sabe que sim.

Ela agarrou meu travesseiro quando sai da cama, levando o telefone comigo para pedir, indo checar o cardápio na sala da suíte, pois mesmo sendo um dos herdeiros daquele lugar, eu nunca sabia o que eles realmente serviam até consultar o cardápio. Quando retornei ao quarto depois de fazer os pedidos, Bella estava deixando o banheiro, enrolada em um roupão e usando pantufas.

— Sério, eu adoro ser a pessoa de roupão e pantufas no hotel, penso em todos aqueles hospedes irritantes que passam por aqui e consigo entender o motivo deles serem tão chatos, é o conforto. Está tudo tão em paz, eu simplesmente sinto a necessidade de gritar com alguém.

Eu ri, colocando minhas roupas do dia anterior, pois não era do tipo roupão e não ia atender a porta apenas de cueca e causar uma comoção geral no hotel pelas próximas setenta e duas horas. Já podia ouvir todas as fofocas sobre Edward Cullen circulando por ai apenas em suas roupas de baixo.

— Isso é seu na verdade, Bella. Você sempre sente a vontade de gritar com alguém — esclareci, indo beijá-la. — Sente-se melhor?

— Muito! — ela exclamou dando um sorriso preguiçoso, enquanto enrolava seus braços ao redor do meu pescoço. — Foi genial de sua parte nos trazer para o hotel por uma noite para que nos distraíssemos de tudo, eu amo você por ser tão cuidadoso.

— Sempre, querida. — Beijei o topo da sua cabeça, me afastando para abrir a porta ao ouvir a batida.

Logo nós estávamos empoleirados a mesa da sala, comendo toda a comida de serviço de quarto, enquanto Bella cantarolava músicas da década de oitenta que tocavam no sistema de som que tinha ligado antes. Era bom vê-la leve, mesmo que isso logo fosse acabar quando contássemos a Ness sobre minha mãe.

Cerca de uma hora depois de acordamos, estávamos deixando o hotel. Bella tentando se manter o mais indiferente possível a todos os funcionários a reconhecendo enquanto a viam sair de um dos quartos do hotel, com as mesmas roupas que esteve quando chegou ali na noite passada.

— É como se eu fosse seu amante — falei quando entramos em meu Volvo. — As pessoas simplesmente não conseguem lidar com o fato de saberem que os outros estão transando, mesmo que sejam casados.

— Falando sobre casamento — ela começou, ajustando o banco do carona que Jasper tinha mudado no dia passado quando o peguei no seu apartamento para levá-lo até um bar. — Algo novo sobre Jazz?

— Ele está confuso — disse, enquanto dirigia pelas ruas de Chicago. — Muito, entre o termino com Alice, agora a história da adoção dela, é bastante coisa. Ele realmente não sabe o que pensar, em um momento estava irritado e furioso com ela, no outro só queria ir até Alice e abraçá-la.

— Ela também. — Bella suspirou. — Eu ainda não posso crê que ela guardou isso para si mesma por tantos anos, deve ter sido um peso muito difícil de se carregar só. Gostaria de ter duvidado disso antes, mas apenas pensei que os Brandon eram pais relapsos, não jogadores brincando com Alice de forma tão egoísta. Isso realmente me faz sentir mal, eu sempre fui muito injusta com Charlie o evitando durante minha adolescência, quando ele nunca foi nem um terço do pai ruim que Peter Brandon foi para Alice.

— Charlie te ama, não se sinta mal, vocês dois são apenas reservados demais para demonstrarem sentimentos. Quer dizer, você tinha até regra para não se apaixonar, Bella. — Ela riu, afagando meu braço.

— Que regra estúpida, não? Eu nunca imaginei quando a inventei que um irlandês ruivo iria aparecer e me fazer quebrá-la.

— Americano, na verdade. — Sorri para ela. — Você sabe, em todas minhas passagens pela Irlanda a única coisa que gostei ali foi da cerveja.

— É uma boa cerveja. — Bella assentiu. — Nós deveríamos ir até lá beber qualquer dia, talvez nas férias de Natal. — Ela se virou para mim com crescente empolgação em seu rosto. — Você acha que Matthew gostará da Irlanda?

— Talvez quando ele for maior de idade e puder beber? — Nós rimos. — Sério, o que há na Irlanda além de cerveja e meus avós irritantes?

— Edward...

— Você os detesta, Bella, não finja o contrário.

— É, okay — ela concordou. — Você acha que eles virão até Chicago quando sua mãe contar a eles sobre a doença?

— Há uma grande possibilidade nisso. — Bella mordeu o lábio, parecendo preocupada. — Vai ficar tudo bem, certo? — Segurei em sua mão, enquanto dirigia com apenas uma. — Eu prometo não deixá-los nos infernizar sobre Matthew.

— Ah, eles não vão mesmo — Bella falou em um tom de voz baixo, mas sério e letal.

Logo eu estava estacionando na frente da casa dos meus pais, seguindo para dentro com Bella. Anne estava na sala sozinha desenhando, eu podia ouvir o barulho do Just Dance na sala de jogos, assim como as risadas e vozes de Lucy e Ness vindo de lá.

— Oi Anne, tudo bem? — Bella se ajoelhou ao lado da loirinha. — O que está desenhando?

— Um hotel bem grandão — Anne contou sorridente.

— Oh e você irá trabalhar lá? — perguntei.

— Não, eu vou apenas usar a piscina — Anne disse, fazendo Bella e eu rirmos.

— Seria meu sonho. — Bella deu uma batidinha na minha coxa. — Onde está sua mamãe e seus avós, florzinha?

— Lá em cima, vovó estava chorando — Anne disse confusa. — Por que ela estava chorando, tio Edward?

— Eu vou checar isso — falei. — Bella?

— Que tal irmos terminar o desenho lá na sala de jogos, Anne? — Ela perguntou a pequena. — Tenho certeza de que você pode querer jogar um pouco de Just Dance com Ness e Lucy.

— Eu sou pequena demais para jogar com elas — Anne resmungou, seguindo Bella até a sala de jogos, enquanto eu ia para o segundo andar atrás do resto da família.

Os encontrei no escritório, mamãe e papai sentados no sofá ali, enquanto Rosalie estava de pé. Mamãe chorava e Rosalie parecia culpada.

— Ai que bom que você chegou! — Rose exclamou a me ver. — Edward, convença mamãe que o melhor para todos nós será eu desistir de me mudar com as meninas e ficar aqui com ela.

— Você não vai mais se mudar? — perguntei surpreso, era tudo que ela falava nos últimos dias, sobre os apartamentos que estava visitando.

— Sim, pelo menos não até mamãe estar curada.

— O que pode nunca acontecer — mamãe disse, fungando.

— Esme, não! — papai chamou a atenção dela.

— Rosalie, eu quero que se mude! — mamãe ordenou. — Não quero que fique presa a mim por conta dessa doença, você não precisa se tornar minha enfermeira.

Rosalie bufou, me encarando.

— Edward!

— O que? O que vocês querem? Que eu decida isso? — indaguei. — Mãe, entenda, Rosalie quer ficar para se certificar que você estará bem. Rose, mamãe não quer que você pare sua vida para cuidar dela. Então, apenas entrem em um consenso. Você poderia tentar me ajudar aqui, não? — perguntei a papai, que sorriu.

— Filho, é o que tenho tentado fazer a manhã inteira, simplesmente não tive sucesso — ele se defendeu.

— Eu não vou a lugar algum, mamãe precisa de mim aqui — Rosalie declarou.

— Rosalie... — Mamãe começou.

— Não adianta, Lucy, Anne e eu continuaremos aqui. Tem quartos suficiente, é relativamente perto da escola delas e do meu novo trabalho — sussurrou o final, atraindo a atenção de todos nós.

— Você conseguiu um trabalho? — perguntei empolgado, Rose assentiu, dando um sorriso pequeno.

— Não é um cargo tão alto quanto o que eu ocupava no meu antigo trabalho antes de ir para Dubai, mas é em uma boa construtora e eu terei até mesmo minha própria sala. — Deu de ombros. — Começo amanhã, eu realmente estou animada quanto a isso, é o único recomeço que quero agora, por isso acho que será melhor para todas nós ficarmos aqui.

— Você devia se mudar, não quero interferir nos planos de ninguém! — mamãe exclamou revoltada, deixando o escritório.

— Eu vou falar com ela — papai disse. — Está muito nervosa com todas as consultas e exames que terá essa semana. — Saiu atrás de mamãe.

— Por que você não quer se mudar, de verdade, Rose? — perguntei, vendo a fazer uma careta para mim.

— Corta essa, Edward.

— Vamos, fale logo. — Me joguei no sofá. — Tem algo sobre Royce nisso, não?

Ela engoliu em seco, sentando-se ao meu lado.

— Sim — falou por fim. — Eu estive pensando, a ideia de ir para uma casa nova com as meninas seria como comprovar que tudo deu errado. — Gesticulou para as paredes ao nosso redor. — Estar aqui com papai e mamãe é como se estivéssemos em eternas férias.

— Como se Royce fosse voltar a qualquer momento? — Rosalie suspirou, assentindo.

— A minha família acabou, Edward, você não sabe o que é isso.

— Sua família está aqui, Rose, nós somos sua família. Você não precisa de Royce.

— As meninas precisam de um pai, eu escolhi o pior cara do mundo para ser o delas — Rosalie se abraçou, parecendo muito frágil daquela forma. — Então, as fiz mudar de país, mais uma vez. Eu não quero ter de fazê-las passar por mais uma mudança de casa, além do mais, aqui temos papai, ele não está sempre em casa, mas é mais presente para elas do que Royce era, já que ele estava por ai fodendo a secretária.

— Eu acho que você deveria mudar, nada como um lugar novo para recomeçar. Mamãe ficará bem, não é como se a gente não fosse viver na cola dela de qualquer jeito — falei. — As meninas com certeza precisam de um pai, mas já que Royce sequer se importou em vir para Chicago, ou para qualquer outro lugar dos Estados Unidos para ficar mais próximo a elas, papai e eu estamos aqui para ser as figuras paternas que elas precisam e garanto que nenhum de nós dois se importará com isso. Ou sei lá, ligue para aquele cara que era apaixonado por você no colegial, Brad e case com ele, eu tenho certeza de que ele ainda tem um santuário sobre Rosalie Cullen em seu quarto.

Ela gargalhou.

— Oh Deus, Brad era fodidamente esquisito, lembra que uma vez ele pediu um autografo meu, pois queria tatuar em seu corpo?

— Ele seria um bom marido — brinquei.

— Claro, se você gosta de perseguidores. — Ela riu. — Arg, odeio quando você tem razão, Edward.

— Sobre Brad? — perguntei alarmado. — Rosalie, era uma brincadeira.

— Não, idiota, sobre a mudança. Talvez seja melhor nos mudarmos e aceitar que não temos mais a mesma vida de antes. Eu acho que nem amava mais Royce quando o casamento acabou, mas estava completamente dependente daquele filho da puta, é estranho recomeçar sem ele por perto.

— É o melhor para você. — Levantei, a fazendo ficar de pé também. — E com certeza para Anne e Lucy também, é muito melhor que elas cresçam afastadas do pai, do que junto a um cara que traia a própria mãe delas. — Rosalie assentiu, dando um sorriso triste.

— Eu fiz tudo errado, né?

— Não, você não fez. Lucy e Anne estão ai para comprovar isso.

— É, mas eu larguei toda a minha carreira em Chicago para seguir Royce até Dubai e me tornar uma esposa troféu. Agora, vou ser uma simples engenheira, ser subordinada de uns trinta outros engenheiros. — Bufou. — E, acredite, eu tenho certeza que não foi meu currículo que os fez me contratarem, sim meu sobrenome.

— Problema deles, você foi a melhor de sua turma de Yale, o fato de ter passado alguns anos parada se dedicando exclusivamente a família não significa nada. — Nós seguimos para fora do escritório. — Aliás, você não é boa por ser uma Cullen, você é boa e isso torna os Cullen bons.

— E nós temos egos imensos, não?

Eu assenti rindo.

— Papai! — No fim da escada estava Ness, ainda usando pijamas.

— Ei Princesa, acho que você levou a sério demais a festa do pijama, não? — perguntei a pegando no colo, não nos víamos desde a manhã do dia anterior, eu já estava morrendo de saudades dela.

— Lucy e ela foram dormir às quatro e meia da manhã, eu não sei como elas aguentaram, acordaram tem pouco tempo — Rosalie disse afagando os cabelos de Ness, que sorriu para ela.

— Espero que tenha se divertido — falei para Nessie.

— Muito, papai! — ela exclamou empolgada. — Você e a mamãe também se divertiram?

Rosalie sufocou uma risada, saindo em disparada para a sala de jantar.

— Sim. — Coloquei Nessie no chão. — Foi uma boa noite para todos nós.

— Posso dormir aqui de novo? — ela questionou.

— Você tem aula amanhã, mocinha. — Bella entrou na sala.

— Mas mamãe, eu prometo ir dormir cedo.

— Nós sabemos que você não iria, filha. — Bella sorriu para Nessie, que suspirou assentindo.

— É, eu não iria — ela concordou.

— Vamos, os dois para a sala de jantar, o almoço está pronto. — Bella bateu palmas.

— Mamãe, isso não nos fará andar mais rápido — Renesmee disse sabiamente.

— Você poderia ser mais parecida ainda com seu pai? — Bella perguntou a ela.

— Se eu tivesse um Volvo — Ness falou, enchendo meu peito de orgulho.

— Você terá um aos dezesseis. — Pisquei para ela. — Eu prometo.

***

O almoço foi tranquilo, o máximo possível levando em conta que aquela tarde nós contaríamos as meninas sobre o câncer de mama de mamãe. Lucy e Ness estavam tão animadas com sua pós festa de pijama, que não conseguiam parar de falar em outra coisa que não fosse aquilo, o que as fez passar o almoço inteiro fazendo planos para novas festas como aquela.

Após o almoço, depois de Bella e Rosalie empurrarem as garotas para o banho e colocá-las fora de seus pijamas, nós três nos reunimos com as três na sala de estar. Mamãe não estava se sentindo preparada para aquela conversa, então preferiu ficar no quarto com papai.

— O que foi, mamãe? — Ness perguntou a Bella quando nós dissemos que tínhamos algo de importante para contar.

— Meninas — Bella começou, Rosalie ao meu lado respirou fundo. — É sobre a vovó Esme.

Renesmee deve ter notado o tom sério e cuidadoso de Bella, pois ela olhou para a mãe assustada, então para mim. Até desviar o olhar para seus próprios pés, as mãos apertadas sobre seu colo.

— Ela está doente, né? — Lucy perguntou, ela já tinha onze, tinha acabado de ver os pais se separarem, certamente era a mais madura ali.

— Sim, Lucy — Rosalie confirmou, indo sentar ao lado das filhas no sofá, pegando Anne no colo.

— Ela está com um tipo de câncer — Bella continuou falando firme, o que me fez invejá-la por ter tanta força. — O que é uma doença grave, mas tem tratamento e ela ficará curada.

Lucy começou a chorar, Anne, mais confusa com tudo aquilo e com o choro da irmã, também.

— Venham, vamos conversar um pouco lá na sala de jogos, meninas. — Rosalie carregou Anne até lá, levando Lucy junto.

— Filha? — Bella chamou Renesmee, que continuava na mesma posição de antes, indo sentar ao seu lado. — Filha, fale algo — Bella pediu, afastando uma mecha de cabelo de Ness.

— Eu não quero que a vovó Esme morra — sussurrou com a voz embargada pelo choro, mas sem chorar de fato.

— Ei, ela não vai. — Me ajoelhei a sua frente, fazendo com que ela me olhasse. — Escute, Princesa, como sua mãe disse, é uma doença grave. Sua avó precisará passar por um monte de exames, consultas, terá de fazer um tratamento complicado, mas ela é forte e ficará bem.

Renesmee não pareceu convencida, seus olhos enchendo-se mais ainda de lágrimas, mas ela parecia se recusar a chorá-las.

— Vovó Char não ficou bem — Ness murmurou. — Eu quero ir para casa, mamãe. — Se agarrou a Bella.

— Você não quer ver sua avó? — Bella perguntou. — Eu tenho certeza de que Esme ia amar receber um grande abraço seu agora, filha.

— Ela precisará de nosso apoio, Ness. — Afaguei suas costas junto a Bella, enquanto Ness mantinha-se de olhos bem fechados. — Recebendo todo nosso amor e carinho isso fará com que ela tenha mais forças para se curar.

Ness abriu os olhos.

— Tudo bem, eu quero vê-la — concordou.

— Vamos lá. — A peguei no colo.

— Mamãe? — Se virou para Bella.

— Bem aqui, querida. — Bella se levantou, subindo com a gente.

Mamãe e papai estavam no quarto deles, sentados a uma mesinha próxima a janela que dava para o quintal da mansão.

— Oi ruivinha! — Papai apertou a bochecha de Ness, que sorriu um pouco para ele.

— Pai, Rose está na sala de jogos com as meninas — falei, o deixando entender que ela precisava dele, ele concordou com um aceno de cabeça, saindo do quarto. — Mãe, tem alguém aqui querendo te ver — eu anunciei para Esme, Renesmee estava agarrada a mim, ainda sem chorar.

— Oi linda! — Mamãe colocou um grande sorriso no rosto, caminhando até a gente, fazendo Renesmee a olhar.

— Vovó, você ficará bem, né? — Renesmee perguntou tensa.

— Vou sim, filha. — Mamãe beijou a bochecha de Ness. — Venha, eu ainda posso carregá-la. — A pegou no colo, mas logo indo sentar com Renesmee na cadeira que estava antes. — Sabe, eu estava muito triste sobre essa doença, mas não quero mais ficar triste. — Renesmee a ouvia atentamente. — Tudo que quero é me curar dela bem rápido, sabe por que?

— Por quê?

— Porque eu lembro quando você teve catapora dois anos atrás. — Mamãe afagou o rosto de Ness. — E veio ficar aqui em casa para que seus pais pudessem trabalhar mais sossegados, você foi uma garotinha muito forte enfrentando a doença. Eu quero ser forte como você foi. — Ness finalmente sorriu.

— Papai disse que você é muito forte, vovó — Renesmee falou, fazendo mamãe me olhar sorrindo.

— Nossa família inteira é muito forte, linda. — Mamãe beijou a testa de Nessie. — Eu prometo que irei ficar bem.

— Por favor, vovó! — Ness a abraçou com força.

— Por que ela não está chorando? — Bella me perguntou baixinho, enfiando-se em meus braços.

— Acho que é a forma dela tentar ser forte sobre isso, vem, vamos deixá-las sozinhas. — A puxei para fora do quarto.

Nós passamos o resto do dia ali, depois de mamãe ter seu momento com cada uma das netas, nos reunimos na sala de estar para ver um filme, nos empanturrando de sobremesa restante do almoço. Quando voltamos para casa, Renesmee já estava dormindo no banco de trás do Volvo, então Bella e eu apenas a colocamos na cama após lhe colocarmos novamente em seus pijamas.

Eu estava quase dormindo, quando ouvi a porta do nosso quarto se abrindo, então Renesmee chamando por Bella.

— Mãe, mamãe, acorde.

Abri meus olhos, vendo Renesmee com o rosto molhado por lágrimas balançando Bella, que acordou rapidamente.

— Filha, o que houve? — Bella perguntou, puxando Ness para a cama com a gente, abrindo espaço para que ela ficasse entre nós dois.

— Eu não sei, acordei e comecei a chorar. — Renesmee se agarrou a mãe, chorando no colo dela.

— E você pensou na vovó Esme? — Bella questionou, enquanto eu cobria Renesmee, acariciando seus cabelos.

— Sim — Ness murmurou.

— Isso é você reagindo a noticia que recebeu mais cedo, meu amor. — Bella a abraçou com mais força. — Pode chorar, papai e eu estamos aqui com você.

Bella me olhou, eu me inclinei sobre Renesmee beijando a testa da minha filha, então da minha esposa.

— Papai?

— Sim, Princesa?

— O senhor pode me abraçar também. — Eu ri, abraçando as duas, logo nós três dormindo.

***

Na terça-feira pela manhã, Isabella e eu seguimos para a agência de adoção depois de deixarmos Renesmee na escola. Era a primeira vez que falaríamos com alguém responsável pela adoção, então estávamos ansiosos sobre aquilo.

— Isabella e Edward Cullen? — Uma mulher que devia ter seus quarenta anos entrou na sala que esperávamos, fazendo com que levantássemos rapidamente para cumprimentá-la. Ela era baixinha, levemente acima do peso, grandes olhos castanhos e cabelos negros ondulados. — Sou Megan Holtz, a assistente social responsável pelo caso de vocês. — Se apresentou, apertando nossas mãos. — Sentem-se, por favor — pediu, indicando as cadeiras que estávamos antes. — Primeiro, eu gostaria de dizer que não fiquem nervosos, nós três queremos a mesma coisa aqui — falou, mais para Bella do que para mim, fazendo minha esposa parar de morder seu lábio inferior.

— Desculpe, eu estou realmente tensa — Bella falou, suspirando, segurei em sua mão, afagando a palma.

Ela estava, todos nós estávamos. A semana não estava sendo mais fácil do que a anterior, mamãe estava em uma de suas tantas consultas aquele momento, Jasper e Alice continuavam sem se falar e Renée, o padrasto de Bella e Bree estavam vindo para Chicago na sexta-feira para saberem sobre Matthew.

— Não fique — Megan falou. — Vocês querem adotar o menino, eu quero vê-lo indo para um lar e uma família que o acolha como ele merece, sendo assim vamos trabalhar juntos para que isso aconteça, certo? — perguntou para nós dois, assentimos concordando com aquilo. — Vamos começar com algumas perguntas, sejam objetivos e sinceros em suas respostas.

— Podemos fazer isso juntos, ou Bella responde primeiro e depois eu? — perguntei, Bella agarrou minha mão a ideia de sermos afastados.

— Juntos — assistente afirmou. — Preciso analisá-los juntos, vocês terão momentos de conversa individual e coletiva com a psicóloga outro dia.

— Okay, certo — Bella concordou, afrouxando o aperto em minha mão.

— Edward, conte-me um pouco sobre sua família e avalie sua relação com eles — Megan pediu.

— Sou filho caçula de pais casados a mais de trinta anos — contei. — Tenho uma irmã mais velha que é divorciada e mãe de duas meninas, de onze e quatro anos. Meus avós paternos já são falecidos, meus avós maternos ainda vivem, mas em outro país, tenho pouco contato com os dois. Minha relação com meus pais, irmã e sobrinhas é boa.

— Isabella, um pouco sobre sua família.

— Meus pais se divorciaram quando eu tinha três meses de idade — Bella contou aquilo em um tom de voz baixo. — Eu fui criada pela minha mãe, mas sempre tive contato com meu pai, ia passar as férias de verão com ele sempre que possível. Minha mãe casou quando eu tinha por volta de dez anos de idade, ela teve outra filha. Todos meus avós já faleceram. Não sou muito próxima do meu pai, mas eu realmente o amo e nos últimos anos tenho tentado estreitar ainda mais nossos laços. Minha mãe, padrasto e irmã são mais próximos de mim, mas todos moram em estados diferentes, o que nos leva a períodos de tempo muito longos afastados.

— Isabella, quando e como você e Edward se conheceram? — Megan perguntou a Bella, eu vi as bochechas dela corando, mas ela manteve um sorriso no rosto ao começar a responder.

— Em 2005, durante uma festa de Halloween na faculdade, onde estudávamos — Bella disse. — Nós dois tínhamos dezenove anos na época, passamos aquela noite juntos — ela corou ainda mais. — E logo depois estávamos em um relacionamento sério.

Bella fez uma careta quando Megan desviou o olhar para os papeis a sua frente, escrevendo sobre suas informações obtidas ali. Jasper ia adorar descobrir que a assistente social sabia sobre nossa farra no Halloween de 2005.

— Quando você e Bella casaram, Edward?

— Junho de 2007, logo depois da nossa formatura — contei.

— E vocês já tinham uma filha? — Megan perguntou, lendo aquilo em nossa ficha, Bella voltou a apertar minha mão.

— Sim, Renesmee, ela tinha sete meses de idade quando casamos. Bella e eu achamos que seria melhor deixar o casamento para depois da formatura, já que estávamos envolvidos em toda a loucura da faculdade e tínhamos uma filha a caminho.

— Então, não foi uma gravidez planejada? — perguntou a Bella.

— Não, foi um erro no contraceptivo — Bella admitiu.

— E em algum momento vocês pensaram em aborto, ou adoção?

— Não — respondemos juntos.

— Mesmo sendo novos e com a faculdade incompleta? — perguntou surpresa.

— Nós já amávamos o bebê, não poderíamos nos ver sem ela — falei, meu tom de voz irritado, pois Bella e eu recebemos muito conselhos de ‘dar um jeito naquilo’ quando ela engravidou.

— Como foi ter uma filha sendo tão jovens? — a pergunta veio diretamente para mim.

— Um mundo novo — afirmei. — Eu já tinha uma sobrinha quando Renesmee nasceu, mas nunca tinha ficado mais do que uma hora só com ela, não sabia absolutamente nada sobre bebês. Mas, quando peguei minha filha no colo pela primeira vez prometi a mim, a Bella e a ela que eu faria o melhor para todos nós.

— Você acha que tem cumprido com sua promessa, Edward?

— Sim — respondi confiante, Megan sorriu de modo positivo.

— Isabella, para você, como foi ter uma filha durante uma fase da vida que geralmente não é associada a filhos para sua geração?

— Foi assustador a principio, eu realmente não tinha pensado em filhos até o teste dar positivo. Mas, eu amava Edward desde aquela época, a ideia de ter um bebê com ele foi o que me manteve firme, pois sabia que nós dois conseguiríamos lidar com tudo juntos. E sim, temos ido muito bem.

— E como é a relação de vocês dois com Renesmee?

— Ela é uma garota muito espirituosa — Bella contou sorrindo. — Ela é muito inteligente também, mas muito carinhosa e amável. Nós duas nos damos muito bem, conseguimos manter diálogos entre nós duas e ela sempre confia em mim para contar tudo. Mas. — Bella me olhou entusiasmada. — Renesmee e Edward tem mentes bem parecidas, eles estão na mesma frequência, certamente. — Eu ri daquilo, pois era mesmo uma verdade.

— Pelo que vi na ficha dos dois, vocês tem trabalhos que lhe exigem muito tempo, como é a rotina com Renesmee?

— Renesmee tem uma babá desde bebê que é como a segunda mãe dela, que com certeza já faz parte da nossa família e mora com a gente desde então — Bella disse. — Mas, Edward e eu sempre estamos por perto e sempre priorizamos Renesmee, mesmo com nossos trabalhos consumindo muito da gente, estamos sempre nos integrando a vida de Ness. Praticamente todo dia a deixamos juntos na escola antes de irmos trabalhar, comparecemos a cada reunião e apresentação, pela tarde tentamos buscá-la juntos, ou pelo menos um de nós dois e tentamos ao máximo manter ao menos o café da manhã, ou o jantar como uma refeição familiar. Aos fins de semana passamos bastante tempo com ela, Edward montou um escritório em casa para que não precise se locomover até o trabalho e eu reduzi muito meu tempo de trabalho nos fins de semana para que possamos ficar juntos.

— Durante esses dez anos de casamento não pensaram em ter outros filhos?

— Como ter Renesmee não foi planejado, Bella e eu passamos os últimos anos estabilizando nossas vidas. Trabalho, casa, nós não queríamos outro filho até que tivéssemos condições boas para lidarmos com isso. Em fevereiro desse ano começamos a pensar em ter mais filhos, foi quando conhecemos Matthew.

— A ideia de outro filho era por meio de adoção, ou por gravidez?

— Gravidez — Bella respondeu. — Nós ainda queremos seguir esta ideia, na verdade, mas só depois de termos Matthew conosco e de isso ser algo mais definitivo. — Megan assentiu, anotando aquilo.

— Agora, contem-me sobre como conheceram Matthew.

— Era dia dos namorados, Isabella e eu fomos jantar no nosso restaurante preferido, quando uma senhora começou um grande tumulto. — Bella ao meu lado suspirou lembrando-se daquela noite. — Quando vimos o que estava acontecendo, nos deparamos com Matthew, descalço, com roupas impróprias para o frio de Chicago, sozinho e com certeza com fome. Bella foi até ele, então eu logo estava indo também, nós cuidamos dele até que a policia aparecesse para levá-lo ao abrigo.

— Desde então não conseguimos parar de pensar nele — Bella disse, seus olhos cheios de lágrimas. — Edward e eu não somos o tipo de pessoas que são sentimentais com qualquer um, Megan — confessou. — Nós fomos tocados por Matthew de uma maneira muito maior do que podemos compreender.

— De quem surgiu a ideia de adoção?

— Primeiramente de nenhum de nós dois — confessei. — Bella e eu estávamos tão envolvidos com Matthew, que não conseguíamos ver a situação como um todo. Até que meu melhor amigo e minha irmã mencionaram a adoção, mas naquele tempo Matthew estava morando com a tia.

— Foi quando percebemos que queríamos adotar Matthew, mas que estávamos impossibilitados de fazer isso com ele sob a tutela da tia. Até que fomos informados que ele tinha voltado ao abrigo.

— E imediatamente entraram com o pedido de adoção?

— Sim — respondi.

— As suas famílias já sabem sobre? Renesmee já sabe?

— Minha família ainda não sabe, como todos estão fora da cidade, eu estou os trazendo até Chicago para contar pessoalmente nesse fim de semana — Bella respondeu. — Boa parte da família de Edward já tem conhecimento da adoção, assim como nossos dois melhores amigos que são padrinhos de Renesmee. E sim, ela já sabe, nós fizemos questão de deixá-la ser a primeira a saber sobre a adoção, queríamos que ela estivesse desde o inicio participando do processo conosco, uma vez que será irmã de Matthew, logo a pessoa mais próxima a ele depois de Edward e eu.

— Como ela reagiu a isso?

— Ela chorou — contei. — Renesmee tinha pedido por um irmão alguns anos atrás quando a filha mais nova da minha irmã nasceu, mas Bella e eu não estávamos prontos para mais um filho naquela época. Então, quando contamos a ela sobre adotarmos Matthew, chorou de felicidade por finalmente estar ganhando o irmão esperado. Ela já sabia sobre ele antes mesmo do processo de adoção, nós contamos a ela sobre a história de Matthew no mesmo dia que o conhecemos, então não era uma completa novidade em seu mundo.

— Como vocês se sentem em relação a adoção?

— Nunca tínhamos pensado em adoção antes — Bella disse. — Mas, sabemos que é a coisa certa a se fazer adotar Matthew. Edward e eu estamos ligados demais a ele, nós o sentimos como um dos nossos.

— Por hoje é só. — Megan falou, eu respirei aliviado. — Na semana que vem alguém irá inspecionar a residência de vocês, então eu tenho uma lista de o que deve ter ou não lá. Não se preocupem quanto ao local onde Matthew dormirá ainda, isso será visto mais para frente. — Ela entregou algumas folhas para Bella, espiei aquilo, vendo uma lista de normas. — Encontro com a psicóloga serão marcados, vocês dois, sua filha, familiares e amigos mais próximos também terão sessões com ela, podem os avisar sobre isso de antemão. Então passarão sobre algumas aulas, palestras e coisas do tipo.

— Quando poderemos ver Matthew novamente? — perguntei.

— Ele está com a psicóloga agora no abrigo sendo informado sobre a adoção, dependendo de como reagir a isso teremos uma nova data para se encontrarem com ele.

— Ele está? — Bella não conteve um grande sorriso sobre aquilo.

— Sim, quando o virem novamente ele já saberá sobre a adoção. Eu cuidarei de programar uma visita fora do abrigo para que vocês possam o apresentar a Renesmee, se possível até a semana que vem, é mesmo muito importante que ela participe ativamente do processo, estão fazendo isso bem.

— Alguma ideia de quando conseguiremos levá-lo para casa? — perguntei a Megan quando chegamos a saída de sua sala.

— Estamos cuidando disso, ele estará com vocês o tão breve possível assim que forem aprovados. Tenham um bom dia! — desejou, abrindo a porta para a gente.

Nos despedimos dela, então rumamos para fora do abrigo.

— Amor? — Bella chamou quando saímos.

— Sim, querida? — A olhei, vendo-a novamente com um grande sorriso no rosto.

— Está realmente acontecendo — ela murmurou, me dando um abraço apertado. — Matthew logo estará com a gente.

Notas finais
Eu ia postar um capítulo extra de Nossa Família semana passada, mas o bichinho tá ficando maior do que esperado, então vou precisar de mais alguns dias para terminá-lo. Beijos! Lola Royal. 12.12.16