Nossa Família
32 Capítulo Trinta e Um — Mãe
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Um —
— Mãe —
Isabella Cullen
Edward e eu estávamos morrendo de medo quando chegou o dia do nascimento de Renesmee, nós tivemos meses para lidar com a ideia de ter uma filha, mas quando chegou o dia do parto estávamos realmente surtando sobre a coisa toda de ter um bebê dependendo de nós dois. Então, ela nasceu e caímos de amores por aquela garotinha, o que fez todo o pânico de pais de primeira viagem se abrandar.
Até, dois dias depois, quando recebemos alta e fomos convidados a nos retirar do hospital. Os medos voltaram com força total quando tivemos de levá-la para casa. Foi uma das poucas vezes que meu marido dirigiu devagar em sua vida e, a cada carro que passava por nós, eu agarrava a cadeirinha que Nessie estava, em pânico de alguma colisão acontecer e ela se ferir.
Eu lembrava com perfeição de quando Edward estacionou o carro na vaga da garagem do nosso prédio, em Boston, onde ainda estávamos morando naquela época. Nós ficamos ali, em silêncio por três minutos inteiros, absorvendo a nova situação da nossa vida: éramos pais e isso tinha se tornado real, pois a nossa filha estava ali, pronta para morar com a gente, não mais protegida em minha barriga.
Então, quase onze anos depois, estávamos mais uma vez levando a criança para casa conosco. Com a diferença de que, não tínhamos apenas uma filha, sim filhos. Plural, isso foi um golpe e foi quando minha ficha realmente caiu. Nós estávamos nos tornando pais, pela segunda vez, mas ainda era novo e assustador como foi na primeira.
Eu tinha calado minha boca, que esteve em profundo falatório com as crianças desde que pegamos Matt no abrigo, assim que Edward entrou com o carro na rua do nosso prédio. E, permaneci em silêncio quando ele estacionou o Volvo entre o Bugatti — que tinha ganhado uma capa protetora do seu dono obsessivo — e a Mercedes.
Ainda podia ouvir Renesmee falando sem parar, com Matt dizendo algumas coisas nos intervalos de respiração dela. Mas, minha mente mal conseguia se focar naquilo, eu apenas encarava o painel do Volvo, com medo demais até mesmo para piscar e olhar para qualquer outro lugar. E, sabia que Edward estava em seu próprio momento introspectivo, ajustando-se a situação.
— Mamãe!
Foi quase exatamente como anos antes, com a clara diferença de que no passado, Renesmee chamou a minha atenção e a do pai quando começou a chorar. Ali, já com seus dez anos de idade, ela podia nos chamar de forma menos angustiante, pois só eu sei como fiquei em desespero quando ela começou a chorar e só tinha a mim e Edward para ajudá-la, sem enfermeiras, médicas, amigos, família, ou qualquer outra pessoa para nos auxiliar.
— Mãããe — Renesmee repetiu, eu respirei fundo, colocando um sorriso no rosto e me virando para olhar ela e o irmão no banco de trás. Matthew não parecia ter percebido nosso momento de pânico, mas Nessie sim e olhava preocupada de mim para o pai.
— Sim, pequena? — falei com ela.
Eu estava tão nervosa, como isso ia ser? Como era ser mãe pela segunda vez? E se eu não desse conta? E se eu focasse muito em Matthew e deixasse Renesmee de lado? Ou se eu nunca conseguisse uma ligação forte com ele? E se aquilo afetasse meu casamento? E se Edward tivesse alguma crise com tudo aquilo e me deixasse? E se eu enlouquecesse? E se eu me tornasse uma péssima mãe como pensei que seria quando me descobri grávida?
Não queria aquilo, ser uma péssima mãe. Renesmee e Matthew não mereciam isso, eu os amava e só queria o melhor para ambos. Mas, eu estava desesperada em não conseguir ser a mãe que ambos mereciam.
— Vocês precisam abrir as portas, para que a gente saia do carro — Renesmee falou, parecendo mais a mãe ali do que eu. — Pai? Você me ouviu? — Cutucou o ombro de Edward, que tinha as mãos agarradas com força ao volante, mas ele não se mexeu. — Mãe? — Renesmee olhou para mim com mil questionamentos em seus olhos por trás de seus óculos de grau.
Onde nós estávamos com a cabeça para termos outro filho? Eu mal podia lidar com Renesmee! Não, aquilo estava fora do controle, não podíamos ter dois e ainda estávamos planejando o terceiro? Qual era a droga que estavam colocando em nossa água para fazer Edward e eu pensarmos que éramos super pais capazes de criar uma creche inteira?
— Eu quero fazer xixi — Matt disse, de forma tímida, mas remexendo-se em seu lugar. Parei por um segundo, ainda tentando recobrar o controle da minha vida e digerir suas palavras, quando Edward gargalhou, saindo de seu transe, encostando a cabeça no volante por um instante.
— Okay, certo, vamos levar você ao banheiro, Matt — Edward disse, soando muito confiante, destravando as portas, tirando a chaves da ignição, o cinto e saindo do Volvo.
— Mãe, você precisa sair também — Renesmee falou, antes de pular para fora do carro, enquanto Edward já tirava Matt do carro.
Eu queria, muito, conseguir me mover. Não era do meu feitio ser medrosa, porra, não mesmo. Mas, era um daqueles momentos que estava sendo vencida pelo medo.
Depois de tirar Matthew do carro, Edward contornou o Volvo, parando do lado do carona, batendo em minha janela. Apertei o botão, abaixando o vidro, ele se inclinou ali, um sorriso divertido no rosto.
— Eu não sabia que gostava tanto assim do Volvo para ficar ai dentro por tanto tempo — brincou.
— Não vou dar conta, Edward — sussurrei, olhando pelo retrovisor Renesmee e Matthew parados perto do Bugatti. — Eu não consigo, tá legal?
— Não? — Ele assentiu. — Tudo bem, quando encontrar a minha esposa por ai, peça que ela vá para casa. Pois, ela é bem valente e não se deixa abalar.
— Não faz ideia de quão abalada ela está. — Edward riu, beijando minha bochecha.
— Eu já te vi assim antes, Bella, quando aquele teste deu positivo — lembrou. — Mas, não posso te dar um dia inteiro para chorar dessa vez e lidar com a novidade.
— Não mesmo?
— Não mesmo, querida. — Ele abriu a porta do carro, estendendo uma mão para me ajudar a sair. — Vai ficar tudo bem, nós podemos surtar juntos aqui fora.
Eu respirei fundo, colocando minha mão na sua, deixando o Volvo.
— Então, Matthew, você consegue suportar até o vigésimo andar? — Edward perguntou a Matt, que continuava se contorcendo.
— O quê? — ele perguntou confuso, provavelmente sem saber o que vigésimo significava. — Eu quero muito fazer xixi — falou, praticamente dançando, Renesmee até deu dois passos para longe dele, temendo um acidente.
— Eu acho melhor levá-lo ao banheiro do lobby — Edward falou, pegando Matthew no colo, que não reclamou daquilo, deixando o ruivo o levar mais rápido para a portaria, onde um banheiro para visitantes se encontrava.
— Vamos! — Indiquei o caminho a Ness, ela puxou sua mochila, me seguindo.
— Mãe, você está bem? — perguntou receosa, colocando sua mão na minha.
— Sim, ótima — menti, cruzando as portas laterais da portaria, vendo Edward e Matt entrando no banheiro.
Renesmee parou de andar, fazendo com que eu parasse também. Abaixei meu olhar para ela, vendo sua sobrancelha arqueada. Okay, minha filha de dez anos estava me contestando, eu não me admirava com isso.
— Eu estou um pouco nervosa — desabafei, me agachando diante dela, afastando uma mecha de cabelo do seu rosto.
— Por quê?
— Sabe, quando você nasceu, eu e seu pai estávamos nervosos, principalmente quando levamos você para casa. É o que está acontecendo agora, eu e ele estamos nervosos trazendo Matthew para casa, já que é tudo novo. Pois, ser pai também consiste em ter um constante frio na barriga quando se estava diante novidades.
— Ah sim, eu acho que entendo. — Um vinco formou-se em sua testa, então ela soltou sua mochila e me abraçou forte. — Tudo bem, mamãe, eu também estou nervosa com a minha peça amanhã. — Sorri, a apertando contra mim. — Tia Nelly diz que eu tenho de pensar positivo e que se algo der errado, eu posso usar isso para melhorar no futuro.
— Nelly não podia estar mais do que certa — eu disse, depositando um beijo na bochecha de Nessie. — Seu pai e eu precisamos da sua ajuda, pequena. Nós precisamos muito de você para integrar o Matthew a família.
Ela assentiu.
— Nós amamos você, meu amor. — Beijei sua testa. — E amamos Matthew. Tudo vai ser confuso no começo, mas nós iremos enfrentar qualquer problema, certo? — Não sabia se a pergunta era para ela, ou se eu também estava me questionando aquilo.
— Certo — concordou. — E nós podemos comer pizza hoje?
Eu gargalhei, colocando-me de pé.
— Nós comeremos pizza — garanti, naquele momento até eu queria me entupir de pizza e chocolate, eu precisava muito de chocolate.
Vi Matthew e Edward caminhando até a gente, o primeiro parecendo muito aliviado depois de fazer uma rápida passagem ao banheiro. Edward estava conversando sobre qualquer coisa com ele, carregando a mochila de Matt e sustentando um sorriso no rosto.
Sorri os vendo junto, sorri por alívio, sabendo que assim como foi da primeira vez, eu não estava sozinha naquela, eu tinha Edward ao meu lado. Nós tínhamos sobrevido a tantas coisas juntos, sabia que poderíamos enfrentar mais uma porção delas. Nós tínhamos um ao outro, isso sempre nos fortaleceria.
Foda-se, nós poderíamos cuidar de uma creche inteira se quiséssemos, éramos Isabella e Edward Cullen.
— Melhor agora, Matt? — perguntei quando eles chegaram até nós.
— Sim — ele respondeu distraído, olhando deslumbrado para o lobby do prédio. Era um lugar trabalhado em cores claras, com tudo do mais moderno. Esme e seu escritório de arquitetura não tinham envolvimento com o local, mas até mesmo minha sogra tinha achado o lugar maravilhoso quando nos mudamos para lá.
— Vamos, Nelly já deve estar maluca com a nossa demora — Edward falou, apontando para o elevador, deixando com que as crianças e eu seguíssemos a frente. Nós acenamos para o porteiro ali, que acenou de volta, olhando curiosamente para Matthew.
Assim que o elevador chegou ao térreo e as portas se abriram, vi Holly sair dali. Ela falava ao telefone, mas não perdi o olhar demorado que ela lançou para Matt. Eu mordi minha língua, contendo-me de falar qualquer coisa na frente das crianças.
— Então, nós moramos no vigésimo andar — disse a Matt, deixando Renesmee apertar o botão. — Isso quer dizer o número vinte, consegue entender? — Ele concordou com um aceno de cabeça. — O número do nosso apartamento é 20B, pode gravar? — Matt deu de ombros.
— Tudo bem, Matt, eu também não conseguia gravar quando nos mudamos — Renesmee falou, olhando-se no espelho ali para arrumar seus cabelos.
— Como você gravou? — ele perguntou a ela.
— Mamãe me ensinou por associação, nosso andar é o vigésimo, então o número do apartamento deveria ser 20 e o B vem de Bella. Eu nunca mais me esqueci depois disso.
— Tá, número 20 e B de Bella — Matthew repetiu, querendo gravar aquilo.
Senti a mão de Edward unir-se a minha, eu virei meu rosto na direção do dele, vendo-o com o olhar voltado para as crianças. Ele estava tão encantado quanto eu estava com os dois interagindo, era lindo de se ver.
— Qual é mesmo o nosso apartamento, Matt? — Edward perguntou quando o elevador chegou ao nosso andar e tiramos nossa comitiva de lá de dentro.
— 20B? — Matt arriscou.
— Viu? Eu disse que não esqueceria — Renesmee falou triunfante, parando perto da porta do apartamento enquanto Edward caçava por suas chaves. — Eu sinto cheiro de cookies, tia Nelly fez cookies! — exclamou, praticamente grudando-se a porta.
— Você perdeu as chaves de casa de novo, não? — perguntei a Edward, enquanto ele revirava os bolsos da calça e do paletó.
— Eu tenho quase certeza de que as deixei na mesa do escritório, então não podemos considerá-las perdidas — se defendeu.
— Típico. — Afaguei seu braço, pegando minhas chaves da bolsa, por fim abrindo a porta. — Seja bem-vindo, Matthew! — Saudei, deixando com que ele entrasse.
— Vem, você precisa conhecer a tia Nelly, vai amar ela! — Renesmee gritou, segurando na mão de Matthew e já o puxando para longe do hall de entrada.
— Essa menina é ligada na tomada — falei, colocando minha bolsa e sapatos, assim como as mochilas de Matt e Renesmee no armário.
— Eu não faço ideia de quem ela puxou — Edward brincou, tirando seu paletó e colocando no armário também. — Vamos logo, Nelly não vai conseguir lidar com aqueles dois sozinha.
— Eu acho que nem nós três juntos conseguiremos lidar com os dois, Edward — falei ainda assustada em ter dois sobre minha responsabilidade.
— Nós sempre podemos ligar para minha mãe nos salvar — ele disse, eu ri, lembrando de quando logo no começo da vida de Renesmee, Esme tornou-se nossa salvadora número um.
Nós chegamos à cozinha, Matt e Renesmee estavam sentados junto a Nelly na mesa, com uma fornada quente de cookies diante os dois e copos de leite. Nessie, sem ser uma novidade para ninguém, falava sem parar contando a surpresa que tínhamos preparado para ela com a aparição de Matthew.
— A mamãe disse que não tinham deixado o Matt vir para casa com a gente, eu estava quase chorando — falou quando sentei ao lado de Nelly, que sorriu calorosamente para mim, afagando minhas costas.
— Nós somos ótimos com surpresas, devia ter visto nossa cara quando descobrimos sobre você — Edward disse se aproximando da mesa, voltando de perto da geladeira com um copo de água, chutei sua perna, antes que ele pudesse dizer qualquer outra coisa comprometedora. — Ai porra! — ele xingou quando pegou um biscoito da fornada, o largando rapidamente.
— Edward! — Nelly e eu chamamos sua atenção.
— Papai, você me deve um dólar — Renesmee falou empolgada, nós sempre tirávamos o dinheiro dela do pote de palavrões a cada seis meses e sua data de receber ainda estava distante e o pote lotado.
— E eu provavelmente terei de usar seu dinheiro para uma mão nova — Edward reclamou, balançando a mão queimada. — Está doendo — choramingou.
— Bem que Esme me avisou que o mais chorão da casa seria Edward! — Nelly exclamou, levantando-se e arrastando Edward até a pia para colocar a mão dele debaixo de água fria.
— Ela disse isso? — ele perguntou ofendido.
— Mais de uma vez — Nelly afirmou.
— Por que ele te deve um dólar? — Matthew indagou Renesmee.
— Porque ele disse uma palavra feia, quando falamos uma palavra feia temos de colocar um dólar no pote por conta do nosso erro — ela explicou, apontando para o pote com o dinheiro, talvez uma das minhas piores ideias, pois eu perdia muita grana para aquilo.
— Todos nós — acrescentei. — Ness disse uma palavra feia na segunda e colocou um dólar lá.
— É. — Ela revirou os olhos, ainda amargando sua primeira menstruação. — Você também vai ter que colocar se falar algum palavrão, Matt — disse, pegando um cookie, já frio e comendo, tomando um pouco de leite.
— Aqui, lindo — entreguei um cookie para ele, que começou a comer rapidamente.
— Eu não tenho dinheiro para colocar no pote — falou de boca cheia.
— Nós descontaremos de sua mesada, como fazemos com Nessie.
— Uma mesada que não aumenta desde que eu tinha sete anos — Renesmee observou.
— Para que você precisa de mais dinheiro? — Edward cantou do outro lado da cozinha com Nelly, comendo alguns cookies recém-saídos do forno, daquela vez segurando em um lenço de papel para não se queimar novamente.
— Eu quero ser uma empresária, o vovô Carlisle disse que eu preciso de capital para poder investir nos negócios — Renesmee disse séria, mas era impossível levá-la a sério com um bigode de leite, um que Matthew também tinha, eles eram tão lindos juntos, só queria abraçá-los e beijá-los e lhes encher de carinho.
— O que é uma empre...O que ela falou? — Matthew indagou para mim, mas quem respondeu foi Edward.
— É a pessoa que é dona e, ou quem dirige uma empresa. — Edward parou atrás de mim, fazendo uma bem recebida massagem em meus ombros. — Por exemplo, meu pai é o dono e o dirigente principal dos negócios da família, ele então é um empresário.
— Nós somos donos de hotéis — Renesmee falou entusiasmada, sondei sua fala, mas não encontrei arrogância, apenas animação sobre o fato constatado. — Quantos mesmo, mamãe?
— Alguns — diminui a informação, eram muitos, em todos os continentes com exceção obvia da Antártida. O Grupo Cullen era gigantesco, com várias marcas associadas.
— A mamãe é gerente do hotel sede, ela manda em todo mundo — Renesmee contou orgulhosa. — Mamãe, eu quero ser gerente como você!
— Espere, você não acabou de dizer que queria ser empresária? — Edward riu, ainda massageando meus ombros. — Matthew, Renesmee é bastante indecisa, você terá de se acostumar a isso.
— É, ela alguns dias atrás disse que queria ser psicóloga.
— Como a Agatha? — Matthew reconheceu.
— Agatha é tão legal! — Renesmee fez coro, muito mais empolgada, provavelmente por conta da ingestão de chocolate dos cookies. — Ah, presentes! — gritou, pulando da cadeira, vi Nelly com duas sacolas de presente em mãos.
— Esme os enviou mais cedo, para as crianças. — Entregou para Edward, enquanto Nessie quicava ao redor da mesa em pura ansiedade para ver o que Esme tinha mandado.
— Deixe-me ver, papai, por favor — implorou.
— Quem é Esme? — Matthew indagou, eu sorri para ele, sabendo que tudo aquilo era novo para ele.
— É a mãe do Edward — respondi, colocando-me de pé e pegando Matt no colo, enquanto Nessie continuava gravitando ao redor do pai, tentando alcançar os presentes que ele tinha colocado acima de sua cabeça para provocá-la. — Sua avó, filho — sussurrei no ouvido de Matthew, dando um beijo estalado em sua bochecha, ele não disse nada sobre o modo que me referi a Esme ou a ele, mas ficou reflexivo.
— Tem um bilhete também — Nelly disse, rindo da agitação de Renesmee.
— Eu leio, eu leio! — Nessie pediu, esticando as mãos para o envelope que Nelly segurava.
— Vá em frente, futura empresária, gerente e psicóloga — Nelly brincou, entregando o envelope a ela.
Com agilidade, Renesmee abriu o envelope, tirando o bilhete de lá de dentro.
— Queridos, Matthew e Renesmee — começou a ler, tentando imitar a voz da avó. — Eu fiquei sabendo que vocês dois gostaram muito dos pinguins durante sua visita ao aquário na semana passada, também adoro pinguins e pensei em lhes dar algo que certamente iriam gostar. Tenham uma noite divertida com seus pais, tirem muitas fotos para que eu possa ver e bons sonhos repletos de pinguins. Com amor, vovó Esme.
— Agora até eu estou curiosa — falei. — Mostre-nos o que é, Eddye.
Ele me olhou feio pelo apelido, mas abaixou as sacolas, verificando os nomes das crianças e repassando cada para o respectivo dono. Nelly ajudou Renesmee com a sua, enquanto Edward e eu auxiliamos Matthew.
Eu caí na gargalhada ao ver a armação de Esme, eram macacões de pinguins, aqueles pijamas fofos e confortáveis de corpo inteiro. Tinha até o capuz imitando a cabeça dos animaizinhos preto e branco, com bico e tudo. E, para completar o visual, pantufas com as patinhas de pinguins.
— Isso é muito legal! — Matthew exclamou entusiasmado, enquanto Nessie já se livrava dos seus Mary Jane para colocar as pantufas.
— Vovó Esme é um máximo! — Renesmee entoou.
— Certo, vamos controlar essa bagunça — Edward pediu. — Que tal vocês dois irem tomar banhos para poderem usar seus pijamas novos? — sugeriu.
— Ah, mas eu quero usar agora, papai — Renesmee choramingou, lançando um olhar doce para Edward.
— Depois do banho, mocinha. — Coloquei Matt no chão, meu braço já cansado de carregá-lo. — Nós faremos um tour detalhado pelo apartamento com você depois, Matthew. — Ele concordou com um aceno de cabeça, mais interessado em ver a sua roupa de pinguim. — Querido, você pode ir pegar a mochila do Matt no armário? — Edward assentiu, já se movendo para lá. — Nelly? Me ajuda a colocar esses dois pinguins no banho?
— Eu sou grande, mamãe, posso tomar banho só — Nessie lembrou, já subindo pela escada da cozinha.
Nós subimos atrás dela, lhe deixamos ir para seu quarto e levamos Matthew para o de hospedes onde ele ficaria durante seu tempo em casa com a gente.
— Você ficará aqui esses dias — falei para ele. Era uma suíte comum, não tão grande quanto a minha e de Edward, nem como a de Nelly no primeiro andar, mas igual a de Ness. Porém, sem toda a decoração, sendo só uma suíte simples em tons neutros e cama de casal, eu mal via a hora de Esme botar suas mãos experientes ali e transformar o local para Matt.
— Uau, esse tapete é super fofo — ele disse andando de um lado para o outro, sentido a maciez do tapete branco felpudo aos pés da cama. — O da casa da tia Zafrina era muito ruim, ele pinicava.
— Machucava você quando brincavam lá? — perguntei, dobrando sua roupa de pinguim sobre a cama.
— Quando eu dormia — respondeu tranquilamente, como se aquilo fosse normal. Então, percebi que para ele era. Matthew dormia no chão na casa da tia e, pelo que sabia, tinha passado um bom tempo com o pai na rua, dormindo sabe-se lá onde.
— Você tem de ver a banheira, é imensa! — Nelly rapidamente assumiu a situação, vendo que eu estava paralisada com a informação. Ela o levou para o banheiro, deixando-me para trás.
— Bella, tudo bem? — Edward entrou ali logo em seguida, trazendo consigo a mochila de Matthew.
— Ele dormia no tapete na casa da tia, Edward — sussurrei, sentindo meus olhos se enchendo de lágrimas. — E sabe-se lá onde ele dormia quando estava na rua com o Laurent. — Coloquei minhas mãos na frente do rosto, me impedindo de chorar alto.
Edward paralisou também, engolindo em seco.
— O que nós fazemos? Você quer conversar com ele sobre isso?
— Agatha não disse nada sobre quando liguei para ela ontem. — Esfreguei meu rosto. — Talvez seja melhor não falarmos nada, eu não sei. — Suspirei.
— Por que não damos continuidade a conversa caso ele toque no assunto de novo, o que acha? — Edward colocou a mochila de Matt sobre a cama, aproximando-se de mim.
— Tudo bem, acho que podemos fazer isso. — Respirei fundo, ouvindo a risada de Matthew vindo do banheiro. — Eu já amo esse som — declarei, colocando uma mão sobre me peito. — Acha que estamos indo bem?
— Até agora não tivemos choro, ou gritos enfurecidos, acho que estamos em um bom caminho. — Beijou minha testa. — Nós ficaremos bem.
Logo Nelly deixou o banheiro com Matthew.
— Você toma banho sozinho, príncipe? — perguntei ao garotinho, falando aquilo naturalmente, eu olhei para Edward, vendo o sorriso dele ao ouvir como chamei Matt.
— Sim — Matt confirmou tímido.
— Ótimo. — Peguei sua mochila, vendo o pinguim Eddye ali, tirando uma mini cueca boxer de lá e passando a ele. — Nelly, você pode ver toalhas para Matthew e ajudá-lo com o pijama depois? Eu também preciso de um banho.
— Podem ir, eu cuido desse lindinho. — Ela já estava encantada com ele, eu sabia que a entrevista dela com a psicóloga tinha sido talvez uma das melhores de todos que passaram por Agatha naquele processo. Eu chutava de que a da minha mãe tinha sido a pior, mas ainda não tinha tido noticia alguma do Arizona.
Edward e eu tomamos um rápido banho, livre de qualquer conotação sexual, pois tínhamos duas crianças acordadas em casa e não podíamos ter nossa peça naquele momento. Eu estava tão agitada que consegui me vestir antes dele, indo atrás dos meus filhos pela casa, os encontrei no quarto de Renesmee e não pude deixar de rir ao vê-los em seus pijamas de pinguim.
Esme era incrível, ela tinha acertado em cheio com os presentes, mas eu já previa a dificuldade que seria fazer pelo menos um deles tirar aquilo na manhã seguinte.
— O que estão fazendo? — perguntei, os espiando sobre a cama de Nessie, com ela segurando seu Kindle em mãos.
— Eu queria ler um pouco de Harry Potter para Matthew — ela contou, abrindo espaço na cama para mim, sentei ao seu lado, de frente para Matt. — Ainda não acredito que ele nunca leu, ou viu os filmes, não sei o que seria da minha vida sem Harry Potter — disse dramaticamente.
— Não gosto de magia, não é real — Matthew resmungou, ele parecia fofo demais com o capuz sobre sua cabeça.
Renesmee arregalou os olhos, parecendo realmente aterrorizada com as palavras dele.
— Magia é real, Matthew!
— Não, não é — ele teimou, Renesmee abriu a boca para contestar outra vez, mas me intrometi antes que eles discutissem para valer.
— Eu estava pensando, por que não mostramos ao Matthew algumas fotos da família, Nessie? — Tirei o Kindle de sua mão, o desligando. — Quem sabe depois possamos assistir ao primeiro filme do Harry Potter, para deixar Matthew descobrir se gosta ou não.
— Eu tenho certeza de que ele vai gostar — Nessie falou presunçosamente, pulando por cima de mim e indo até o mural de fotos que tinha em sua parede, selecionando algumas ali e voltando para a cama. — Aqui. — As entregou para mim.
A primeira era uma minha e de Edward em nosso casamento, com a pequena Nessie em nossos braços, o que me fez abrir um grande sorriso.
— Essa é de quando Edward e eu casamos — passei a foto para Matthew, que a olhou por um tempo.
— Eu tinha sete meses, não é? — Nessie me perguntou sem ter certeza.
— Sim. — Afaguei a parte de trás de sua cabeça. — Você não parava de engatinhar na pista de dança, eu estava louca de medo que alguém não te visse e pisasse em você. Era minúscula.
Renesmee e Matt riram.
— Essa é a vovó Esme. — Ela pegou a próxima foto, onde Esme segurava uma Renesmee de dois anos em seu colo, mostrando para o irmão. — Foi ela quem nos deu os pijamas.
— Ela é muito parecida com você — Matthew observou. — E a sua mãe, tia Bella? — ele me perguntou.
Contive um suspiro, procurando entre as fotos ali uma de Renée, achando uma de nós duas com Renesmee no último aniversário da minha filha.
— Aqui. — Mostrei a foto para Matt. — Ela se chama Renée, mora em Phoenix, que fica em outro estado, Arizona. Ness gosta de ir para Phoenix, acho que vai gostar também, Matt.
Vi Renesmee cruzar os braços e sua expressão torna-se irritadiça, ela não parecia muito contente em falar sobre Renée. Talvez estivesse na hora de eu conversar com minha filha sobre o caos que minha mãe causou quando falamos sobre Matthew, aquilo não estava sendo saudável para ninguém.
— Eu gostava — Ness me corrigiu.
— Nessie, não agora, filha — chamei sua atenção, pegando outra foto do aniversário de Ness, uma dela com Phill e Bree. — Esse é meu padrasto e essa minha irmã, Phill e Bree. Sua tia está louca para conhecê-lo — confidenciei a Matthew. — Ela está em New York agora, mas assim que possível virá até Chicago ver você.
— Tia Bree é muito legal, ela é vegetariana — Nessie contou.
— O que é isso, tia Bella?
— É quando uma pessoa não come carne, ela se alimenta de vegetais e coisas assim. — Matt fez uma careta ao ouvir a explicação.
— Ela só come bócolis? — indagou assustado.
— Brócolis, príncipe. Mas, não, ela come outras coisas além disso, mas nada de hambúrguer por exemplo.
— Parece horrível!
— Acredite, é. — Renesmee estremeceu, pegando uma foto onde ela estava junto com Carlisle e as primas no último natal, os quatros ao redor da gigantesca árvore de natal da casa dos meus sogros. — Esse é o vovô Carlisle, ele me ensinou tudo sobre capitalismo. — Ouvi a risada de Edward, vendo-o na porta do quarto, eu tinha mergulhado tanto no meu momento com as crianças que não tinha o visto chegando ali, fiz um sinal para que ele se aproximasse.
Ele entrou no quarto, sentando do lado de Matt, dando uma rápida olhada nas fotos anteriores.
— As meninas são Lucy e Anne — Edward contou para Matt, que se virou para olhá-lo. — Suas primas, sinto muito por estar cercado de mulheres, isso vai enlouquecê-lo. — Matt sorriu, voltando a olhar para foto.
— Carlisle é seu pai? — perguntou para Edward.
— O próprio, lembra-se do Bugatti? Ele que me deu. — Os olhos de Matt se iluminaram ao ouvir aquilo e ele deixou a foto de lado.
— Nós podemos ir andar nele agora?
— Amanhã você pode ver o Bugatti, Matthew — cortei o barato dos meninos, Edward e Matt ficaram chateados rapidamente com aquilo, com expressões muito próximas de desgosto.
— É, ainda temos fotos para ver. — Nessie pegou mais uma. — Essa é tia Rosalie. — Era uma foto de Rosalie com Renesmee andando a cavalo, não lembrava exatamente quando tinha sido tirada, mas era na fazenda da família em Nevada e Ness parecia pouco mais nova. Provavelmente de quando fomos para lá dois anos antes.
— Uau, você tem um cavalo! — Matthew gritou impressionado.
— É, o Bala no Alvo.
— Como o de Toy Story? — Matt reconheceu.
— Isso — Ness confirmou animada. — É uma pena que ele esteja tão longe em Nevada, ele é muito legal.
— O cocô dele não é nada legal — Edward resmungou. — Nunca ande sem galochas perto desses animais, Matthew.
— Pode deixar — concordou, também animado.
— Aqui, esses são meus padrinhos. — Renesmee pegou uma foto que ela estava com Jazz e Alice.
— Como eles se chamam?
— Jasper e Alice — Edward respondeu. — Bella e eu os conhecemos na faculdade, são nossos melhores amigos. Você irá os conhecer amanhã quando formos para a peça.
— Tio Jazzy ia ser meu primeiro namorado, até que ele começou a namorar a tia Alice e eu perdi meu lugar — Renesmee reclamou. — Quer dizer, eles estão bem estranhos ultimamente. Eles estão bem, papai?
— Ótimos — Edward garantiu. — Próxima foto. — Foi a vez de Edward estremecer a ver uma foto do meu pai.
— Vovô Charlie. — Ness comemorou. — Quando vamos ver o vovô de novo, mamãe?
— Espero que em breve. — Sorri vendo uma foto do meu pai com uma Nessie de dois meses de idade em seu colo, ele até sorria para a câmera, o que era muito raro. — Esse é o meu pai, Matt. Ele mora em uma cidade bem pequena no norte do país.
— E ele adora pescar. — Edward fez uma careta.
— Pescar não é nada legal — Ness fez uma careta também.
— Eu também não gosto, vamos ver se você se torna um parceiro de pesca para seu avô, Matt. — Afaguei seu rosto divertido, era muito bom vê-lo feliz. Eu quase podia deixar de pensar nele vivendo em péssimas condições, quase.
— E essa é a tia Nelly, que você já conhece. — Nessie mostrou uma foto sua com Nelly em seu aniversário de um ano, com o grande bolo que Alice mandou fazer ao fundo.
— De quem ela é irmã? — Matt perguntou.
— Não, Nelly não é minha irmã, ou de Bella. — Edward explicou. — Ela no começo era a babá de Ness, tomava conta dessa pequena encrenqueira. — Apertou a bochecha de Ness. — Quando Isabella e eu estávamos no trabalho, mas com o tempo ela se tornou parte da família.
Matthew assentiu, parecendo entender. Eu quis comentar mais sobre ele a respeito daquilo, falar que assim como Nelly que não era nosso sangue e DNA fazia parte da família, ele também fazia, mas não queria que aquilo pudesse quebrar o bom momento que estávamos tendo.
— E essa? — Apontou para a última foto em minhas mãos, eu sabia que Ness não tinha fotos de exatamente todos da família ali. Por exemplo, não tinha nenhuma dos avós de Edward, ou de vovó Marie que ela pouco conviveu e que faleceu quando Ness tinha cinco anos, nem mesmo de Tanya e os tios do meu marido, então não precisei olhar para a última foto para saber quem era ali.
— É a vovó Char — Nessie disse, tristeza cruzando seu rosto. Elas não tinham tido muitos anos juntas, Ness tinha só dois anos quando Charlotte faleceu, mas eu sabia que a relação de amor e carinho que todos os Cullen tinham por Charlotte chegaria a todas as outras gerações, mesmo que não tivessem a conhecido, foi o que Edward prometeu em seu discurso e ele levava aquilo muito a sério.
— Ela era minha avó — Edward disse, também triste, os olhos focados na foto onde ele, Charlotte e Nessie estavam juntos, quando minha filha ainda era um bebezinho. — Ela faleceu alguns anos atrás. — Ele afagou a cabeça de Matt, que o olhou atentamente. — Você ia gostar muito dela, Matthew.
Senti Nessie se enfiar em meus braços, a foto de Charlotte, assim como falar sobre ela deixando-a realmente para baixo. Eu a abracei, afagando suas costas.
— Ela também gostaria muito de você, Matt — completei a fala de Edward. — Tenho certeza de que Edward, Rosalie, Ness e todos os outros Cullen irão te contar histórias muito boas de Charlotte. — Com cuidado para não machucar Renesmee, me inclinei e beijei a bochecha de Matthew. — Querido? — chamei Edward, que ainda estava triste.
— E do vovô Anthony também. — Edward piscou algumas vezes, parecendo se recuperar um pouco. — Na verdade, eu queria te mostrar algo, Matt. — Ele saiu da cama, eu o olhei curiosa, sem saber o que ele queria falar sobre aquilo. — Nessie, enquanto isso por que não vai até Nelly e decidem o que vamos pedir para o jantar?
— Pizza, mamãe prometeu que teríamos pizza — Nessie afirmou, fazendo com que Edward risse.
— Certo, vá até Nelly e peça para ela ligar e pedir as pizzas. Matt, algum sabor em especial? — Ele negou com um aceno de cabeça e como já sabíamos que ele não tinha nenhuma alergia, deixei Ness sair do quarto e ir fazer o pedido.
— Vem, quero te mostrar algo, Matthew — Edward indicou a porta para ele.
— Eu posso ir? — perguntei mal contendo minha curiosidade.
— Venha, querida. — Edward sorriu para mim, vendo o quão curiosa eu estava.
Deixei a cama com Matthew, indo até a suíte principal com Edward.
— Esse é o nosso quarto, Matt — contei.
— É imenso!
Edward desapareceu para dentro do nosso closet, voltando de lá com uma caixinha preta de joias. Poderia ser qualquer uma das minhas, mas não sabia o que ele queria com aquilo. Até que, ele se ajoelhou junto de Matt e abriu a caixinha, revelando um relógio de bolso com o brasão da família Cullen gravado, eu tinha visto aquilo algumas vezes e logo soube o que ele estava fazendo.
Eu me afastei um pouco deles, querendo lhes dar um momento mais a sós, mas também ficando relativamente perto para ver aquilo acontecer.
— Esse relógio — Edward começou a falar, tirando o objeto de sua caixinha, com extremo cuidado. — Pertenceu ao meu avô, Anthony Cullen. — Matthew o escutava atentamente. — Ele o deu para mim pouco antes de falecer, na época, não entendia o porquê meu avô tinha me dado um relógio, afinal eu era só uma criança e teria achado muito mais legal ele me dar um brinquedo. Mas, com o tempo entendi o que ele queria com isso quando me deu o relógio e explicou o significado de cada componente do brasão nele.
Edward colocou o relógio nas mãos de Matthew, começando a explicar os itens do brasão.
— O leão significa coragem. A mão fé, justiça e sinceridade. O trevo é perpetuidade. E o chevron, o desenho em v, proteção e fidelidade. Meu avô queria falar sobre família ali, a nossa família. Ele queria que eu soubesse sobre cada detalhe desse brasão, porque ele é muito mais que um simples brasão, é algo que define o conceito de família muito bem. A coragem é o que todos nós temos de ter para enfrentar qualquer obstáculo, a fé ligada a coragem é o que vai nos manter sempre confiantes, a justiça e a sinceridade, o que nos fará ser honrados. A perpetuidade permitirá a nossa família que sempre seja lembrada e a proteção e a fidelidade nos lembrará que sempre devemos cuidar um dos outros.
Edward afagou o rosto de Matthew.
— É o que os Cullen, são, Matthew. Nós somos corajosos, justos e sinceros, nosso nome é um legado e sempre iremos proteger uns aos outros. E você é um Cullen agora. — Matthew olhou para Edward ao ouvir aquilo. — Você é nosso filho e sei que isso ainda é difícil para você entender, mas nós somos corajosos, lembra? — Edward sorriu, tocando no relógio. — Nós iremos enfrentar tudo e todos, para manter essa família unida e você já faz parte dela. — Fechou as mãos de Matthew ao redor da peça. — Eu quero que fique com o relógio e que um dia explique para seus filhos sobre o brasão, tudo bem, garoto?
Matthew assentiu, de onde eu estava podia ver seus olhos brilhando.
— Eu amo você, Matthew! — Edward declarou pela primeira vez, fazendo meu coração se derreter ao ouvir aquilo, então depositou um beijo na testa do nosso filho.
— Mamãe? — O grito de Renesmee chegou até o segundo andar, fazendo com que eu me sobressaltasse, senti as lágrimas em meus olhos e rapidamente as sequei.
Edward e Matthew, em silêncio, guardaram o relógio novamente na caixinha.
— Ei, você quer que eu guarde isso? — perguntei a Matthew, com receio de que o relógio se perdesse no abrigo. — Nós o deixaremos no seu quarto, assim, quando você voltar, ele estará lá.
— Tudo bem — Matt concordou, segurando a caixinha em mãos.
— Eu posso guardar com ele, melhor você ir ver o que Ness quer — Edward sugeriu, vi seus olhos repletos de lágrimas e não soube como ele conseguiu não chorar, não sabia como eu não tinha até soluçado vendo a cena de instantes antes.
— Amo vocês. — Beijei o rosto dos dois, indo atrás de Nessie em seguida.
Ela estava na cozinha, sentada ao balcão, com Nelly, comendo um dos cookies de mais cedo.
— Ei, eu quero um desses. E o que queria comigo, filha?
— Vovó Renée estava ligando — ela disse, apontando para o telefone fixo da casa sob sua base.
Eu encarei o aparelho, depois olhei para Nelly.
— Não tivemos tempo de atender, ela ligou durante a ligação para a pizzaria — explicou. — Talvez você devesse retornar, Bella — aconselhou.
Eu devia mesmo? E se ela quisesse só atacar mais minha escolha de adotar Matt como tinha feito naquele dia no restaurante? Eu estava tendo um fim de dia muito bom com minha família, abrindo um fim de semana que tinha tudo para ser maravilhoso, depois de uma longa semana cheia de problemas, se Renée só me causasse mais dor de cabeça, eu acabaria péssima e afetaria todos a minha volta.
O telefone tocou mais uma vez, Nelly, Renesmee e eu pudemos ver o nome dela aparecendo ali graças ao sistema de identificação. Renesmee e Nelly esticaram as mãos para atender, mas cheguei ao aparelho primeiro.
Estava pronta para desligar, querendo impedir que minha bolha se rompesse com algo externo, então pensei em Esme. Mais precisamente em Esme doente, em como Edward estava sofrendo com aquilo. Lembrei de quão devastado Carlisle estava no enterro de Charlotte e isso me convenceu a tentar reatar laços com Renée. Eu não queria tirá-la da minha vida, nunca quis e estava vendo meu marido sofrendo com a mãe doente, vi Carlisle perder a mãe que idolatrava e ambos sempre tinham suas mães por perto.
Foi, talvez, um pensamento egoísta. Porém, eu não queria uma separação de Renée, o que me faria no futuro me sentir culpada e sofrer mais por nunca ter dado uma chance para nossa reaproximação. Sendo assim, eu pisquei para minha filha e atendi a ligação.
— Oi, mãe.
— Ah Bella, eu pensei que você não estava em casa! — ela exclamou aliviada. — Eu tenho ligado para seu celular na última meia hora e nada também.
— É, ele está no armário — contei, segurando na mão de Nessie, que olhava com extrema atenção para mim.
Ela parecia muito mais madura do que seus dez anos, eu torci para que nossa relação no futuro fosse muito mais sólida do que era a minha com Renée. Renesmee e Matthew eram tudo para mim, eu morreria se um dia visse os dois se afastando de mim como me afastei de Renée quando ela foi contra uma das maiores decisões da minha vida.
— O que queria falar comigo? — indaguei, ouvindo Edward e Matthew descendo a escada da cozinha.
— Eu queria pedir desculpas — Renée sussurrou. — Pelo o modo que agi naquele dia, foi insensível da minha parte.
Eu fechei os olhos, agradecendo por ela ter repensado o modo que tinha agido.
— Você entende agora? — a questionei.
— Não — ela respondeu sinceramente. — Eu conversei com a psicóloga que está cuidando do caso, mas isso ainda não é algo que entenda. Não sei como você pode considerar esse menino seu filho, eu entendo que deve ter se afeiçoado a ele, mas não consigo ir tão longe.
Beijei a mãozinha de Nessie antes de deixar a cozinha, evitando o olhar de todos ali.
— Eu só quero que você seja feliz, Isabella — Renée continuou falando. — Sei que não fui a mãe que você merecia e peço desculpas por isso, por ter sido muito relapsa com você.
— Eu estou bem — afirmei, eu estava. Não tive Renée como uma mãe exemplar, mas eu estava indo bem caminhando com minhas próprias pernas.
— Eu vou tentar entender, eu juro, Bella — ela falou, com a voz chorosa. — E se você ama esse menino, sei que um dia eu o amarei também.
— Não é uma probabilidade, mãe, eu realmente o amo. — Girei a aliança de casamento em minha mão, me lembrando de um trecho dos votos de Edward.
— E seu amor é tão genuíno, Isabella. Eu sei que Renesmee e eu não podíamos ter alguém melhor para nos amar, sei que se um dia tivermos mais filhos, eles serão agraciados por uma mãe maravilhosa que os amará incondicionalmente também.
Respirei fundo, apoiando minha cabeça na parede da sala de jantar onde eu estava.
— Eu o amo incondicionalmente, da exata forma que amo Renesmee. Realmente espero que um dia entenda isso, Renée, porque eu também te amo e você sempre será minha mãe e a avó dessas duas pessoas incríveis.
— Ah Bella. — Ela chorava, muito.
— Preciso desligar agora, falo com você outro dia.
Ela apenas disse um okay, deixando com que eu desligasse.
Voltei à cozinha, vendo minha família, precisamente meus filhos sentados lado a lado. Talvez eu não fosse a melhor mãe do mundo, mas me esforçaria mais a cada dia por eles, para ser a mãe que mereciam ter.
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