Nossa Família
33 Capítulo Trinta e Dois — Celular
Notas iniciais
— Capítulo Trinta e Dois —
— Celular —
Edward Cullen
A casa parecia finalmente completa com Matthew ali, por anos tivemos apenas Renesmee e eu estava bem com isso, sabia que Bella também, mas sempre tinha lá no fundo a vontade de ter mais filhos. Então, Matt apareceu em nossas vidas, fez com que caíssemos de amores por ele e parecia que tínhamos um espaço vazio ali que precisava, tinha, de ser preenchido pelo nosso filho urgentemente.
Se aquilo era a tão falada síndrome do ninho vazio, eu não fazia ideia, mas não queria deixar Matthew e Renesmee nunca mais saírem daquele apartamento, não sem Isabella e eu indo com eles para qualquer lugar. Eu só queria minha família unida, só queria que Matt pudesse ver que nós nunca iriamos abandoná-lo.
— Como estamos? — Bella perguntou ao voltar para a cozinha, depois de encerrar a ligação que estava com sua mãe, como Renesmee gentilmente me informou em um resmungo quando perguntei quem era ao telefone com Isabella.
— É a vovó Renée.
Nós tínhamos de trabalhar naquilo, Ness revoltada com a avó pelo que ouviu no restaurante no começo daquele mês, mas eu não iria mover um dedo para fazê-la esquecer aquilo se Renée continuasse sendo contraria a adoção. Eu amava Bella, mas não iria manter uma relação cordial com sua mãe se ela estivesse indo contra a chegada de Matthew a família.
Ele era nosso filho, porra, Renée não tinha o direito de agir de forma tão preconceituosa. Eu não estava sendo utópico, sabia o quanto iriamos enfrentar com Matt fora de casa, não precisava de alguém da família agindo daquele jeito. E, com toda certeza, ele também não precisava.
— Bem — respondi a Bella, vendo as crianças comendo cookies com muita vontade, enquanto falavam com Nelly sobre seus pijamas de pinguins. — E você? — perguntei a ela, Bella parecia relativamente bem, mas eu estava com medo de que Renée pudesse deixá-la para baixo justamente no nosso primeiro dia com Matthew em casa.
— Está tudo bem — ela claramente mentiu, afagando minhas costas por cima do moletom de Harvard que eu usava, largando o telefone sobre o balcão.
— Bella...
— Não agora, querido — ela me interrompeu. — Mais tarde. — Olhou para mim por um instante, seus olhos estavam marejados, mas eu podia vê-la sorrindo sinceramente para mim e aquilo me tranquilizou, um pouco. — Ei, vocês dois! — chamou a atenção das crianças. — Maneirem no açúcar, não vou deixa-los irem dormir muito tarde por conta de suas estripulias alimentares.
Renesmee abriu a boca para reclamar, mas eu consegui ser mais rápido do que a garotinha falante.
— Renesmee, obedeça sua mãe — ordenei.
Estendi a mão para ela, fazendo com que a garota me entregasse o cookie que tinha acabado de pegar e ainda estava intocado. A ruivinha suspirou, mas passou o doce para mim sem protestos. Voltei-me para Matthew, que também entregou seu cookie, recém adquirido, sem qualquer reclamação, eu tive de lutar contra mim mesmo com a ideia de deixa-lo comer toda a fornada, sabia que não podia mimá-lo ao extremo, mas era tudo que queria fazer, principalmente depois de saber sobre a história do tapete.
— Nós podemos ir assistir Harry Potter agora? — Renesmee perguntou, afastando o capuz de sua cabeça, seus cabelos estavam uma completa bagunça e ela começou a arrumá-los rapidamente. Aos poucos conseguia notá-la mais preocupada com pequenas coisas que antes não dava a mínima, cada vez mais madura, o que incluía preocupação com sua imagem. Ela estava se transformando em mim e eu estava em uma linha tênue de amar e odiar isso, não queria que ela passasse pelos mesmos erros que eu, mas sabia que eles seriam importantes para seu crescimento.
— Vamos, mas antes eu tinha prometido um tour pelo apartamento para Matt, Nelly, por que não vem comigo? — Bella tirou Matthew do banco próximo ao balcão onde eu tinha o colocado antes, saindo da cozinha junto dele e Nelly.
— Escute, nós precisamos ter uma conversa séria — falei para Ness quando ficamos sozinhos, ela me olhou alarmada.
— Eu não fiz nada, juro! — exclamou.
— Eu sei, princesa, você tem se comportado bem. — Pisquei para ela. — Temos de falar sobre sua avó.
— Vovó Esme?
— Vovó Renée. — Renesmee suspirou, fazendo uma careta. — Eu sei que foi difícil ouvir dela aquelas coisas no restaurante, linda. — Segurei em sua mão. — Mas, ela ainda é sua avó, okay?
— Eu não gostei nada do que ela falou, pai — Renesmee reforçou seu pensamento.
— Isso tudo vai se resolver, certo? — Pelo menos esperava que se resolvesse, eu gostava de Renée, não queria que ela se afastasse da gente por pensamentos bobos e antiquados.
— Certo — Ness concordou, olhando em direção à saída da cozinha. — A mamãe está bem nervosa.
Sorri, assentindo. Renesmee era perspicaz e inteligente, provavelmente tinha herdado o sexto sentido aguçado da minha mãe, nada passava por si sem que ela notasse.
— Acho que todos estamos um pouquinho nervosos com a chegada do seu irmão, Ness. — Me apoiei sobre o balcão. — Nós também estávamos nervosos quando te levamos para casa quando você nasceu.
— Mamãe disse isso. — Ela balançou a cabeça em positivo. — Mas, o Matt não é um bebê.
— Mas, ele ainda é novo por aqui e em nossas vidas, nós temos muito o que nos adaptar a Matt e ele a gente. É normal estar nervoso e, sua mãe com certeza vai estar uma pilha de nervos por algum tempo, ela é bem exigente.
— Exigente quer dizer que ela se cobra muito, né?
— Isso. — Sorri orgulhoso para ela. — Você é tão inteligente, garota!
— Eu sei, puxei a inteligência da mamãe. — Deu de ombros.
— Ei! — exclamei indignado, ela riu.
— Mamãe é melhor do que você em cálculo, é o que ela sempre diz.
— É o que ela pensa — discordei, mas Bella era um pouquinho melhor, bem pouco mesmo. — Ela... — Eu me interrompi quando ouvi o telefone tocando, vendo ali o nome da minha mãe aparecendo. — Nós voltaremos a esse assunto outra hora, criança. — Prometi a Renesmee, pegando o telefone para atender. — Hey, mãe!
— Você por acaso não sabe para que serve um celular, Edward Anthony Cullen? — ela indagou assim que atendi, podia imaginá-la revirando os olhos, irritada.
— Sei?
— Sim, você sabe, eles foram feitos para receberem ligações e mensagens, mas você não recebe uma ligação, ou responde uma mensagem a mais de meia hora. Eu devo te mandar uma carta? Ou melhor, um sinal de fumaça.
— Nossa, você está tensa hoje! — Eu fiz uma careta, ia pegar um cookie, mas aquilo daria margem a Renesmee, então me contive.
— Sim, tive de vir a um jantar de última hora com seu pai para que pudéssemos substituir Athenodora e Caius, eles estão ocupados com Tanya. Deixe-me dizer o quanto odeio a esposa do prefeito dessa cidade, ela é uma babaca.
— Tanya está bem?
— Sim, mas parece que os gêmeos querem vir ao mundo mais cedo — mamãe disse. — É normal, em gestações múltiplas — contou com muito entendimento. — Ela provavelmente passará por uma cesárea essa madrugada e exigiu a mãe lá, então Athenodora exigiu Caius e eu tive de vir à merda desse jantar com Carlisle. Eu sequer posso beber, estou puta.
— Está mesmo, tente se acalmar — pedi, a ouvi respirar fundo em seguida.
— Eu vou me acalmar, em algum momento — prometeu. — Só liguei para avisar de Tanya, sua esposa também não usa o celular dela, é algum problema de vocês com a tecnologia? Rosalie me atendeu no primeiro toque, pratique com sua irmã. Temos um dos nossos no hospital, parindo, temos de ficar ligados. Por Deus, eu espero que Athenodora não filme isso e me obrigue a assistir.
— Não, eu também não preciso assistir isso. — Torci o nariz, olhando para Ness. — Ah, as crianças amaram os pijamas, você foi esperta com isso.
Mamãe riu.
— Eu sabia que eles gostariam — falou, já mais calma. — Tire fotos, eu quero ver amanhã. Preciso desligar agora, seu pai estava contando piadas sem graças que aprendeu com o velho Anthony, preciso freá-lo antes que ele chegue a piada do iglu. E, fique com seu celular por perto, nós precisamos estar preparados para qualquer coisa com Tanya no hospital.
— Santiago está no país?
— Sim, ele deve estar tão nervoso, coitadinho. Se você tiver algum tempo tente falar com ele e acalmar o homem, ser pai de primeira viagem não é fácil. Eu falarei com Tanya o quanto antes, ela também deve estar surtando sobre ter dois de uma vez só. Como você está lidando com isso, mesmo?
— A casa ainda não pegou fogo, acho que estamos bem.
— Ainda não me tranquiliza, mantenha os extintores por perto — mandou. — Bom, é isso, seu pai chegou a piada do iglu, é tarde demais para minha reputação. Falo com você amanhã, boa noite, bebê.
— Boa noite, mãe — falei, mas ela já tinha desligado. — Tanya está quase tendo os bebês — contei para Renesmee, que fez uma careta. — O que foi?
— A mamãe falou sobre bebês nascendo, isso não parece legal, eu nunca vou querer engravidar.
— Eu gosto de como isso soa. — A peguei no colo, a levando para fora da cozinha, Nelly estava descendo junto com Bella e Matt do segundo andar. — Tanya está no hospital, os bebês devem nascer ainda esse fim de semana — contei, vi minha esposa abrir um grande sorriso, mas ele logo morreu, dando lugar a preocupação.
— Cesárea, não é? Ela ainda não está com nove meses. — Assenti. — Okay, espero que eles fiquem bem. Quando será que poderemos ir vê-los? Tanya sequer decidiu os nomes ainda, ela deve estar maluca com tudo isso. — Bella começou a falar em disparada. — Tanya é prima do Edward — contou para Matt, que a ouviu atentamente. — Ela está grávida de gêmeos, não é legal? — Ele apenas deu de ombros, eu me segurei para não rir de sua total falta de interesse no assunto.
— Nós vamos ou não assistir Harry Potter? — Nessie indagou quando a coloquei no chão.
— Você não tem paciência nenhuma, não é, menina? — Nelly indagou, indo até a televisão com Renesmee. — Venha, Matt.
Ele foi até elas, ajudando a colocar o filme, mas parecendo muito mais deslumbrado com os equipamentos ali.
— Eu falei um pouco sobre Renée com Ness, mas talvez você possa falar melhor com ela quando o fim de semana acabar — falei para Bella, em um murmúrio, que assentiu.
— Ela disse que vai tentar entender tudo isso — murmurou de volta.
— Você acha que vai acontecer? — Bella suspirou.
— Não sei, mas realmente espero que sim, é a minha mãe, não quero ter que afastá-la. — Abraçou a si mesma, eu coloquei meu braço imediatamente sobre seus ombros, a puxando para mais perto, beijando o topo de sua cabeça.
— Vamos torcer para que a mente dela fique clara quanto o assunto logo — falei para Bella. — Controle sua filha e esse fascínio dela por Harry Potter, vou caçar meu celular e o seu na sua bolsa no armário, mamãe nos intimou a estar com eles caso alguma noticia nova de Tanya chegue.
— Eu mal vejo a hora de conhecer os gêmeos — Bella falou, voltando a ficar empolgada. — Você acha que eles serão mais parecidos com sua prima ou com Santiago?
— Com joelhos, provavelmente. — Bella gargalhou, mas bateu em meu ombro, empurrando-me em direção ao armário.
— Vá pegar os celulares, Cullen.
Logo fui até lá, antes que Renesmee voltasse a cobrar para que assistíssemos o bendito Harry Potter. Localizei a bolsa de Bella, que parecia que carregava metade do nosso apartamento ali, então nossos celulares idênticos. O meu tinha algumas ligações, mensagens e e-mails, nada urgente. Porém, uma mensagem ali não passou despercebida.
Irina Denali: Quando podemos nos encontrar, lindo? Sinto sua falta.
— Isso é sério? — resmunguei, eu ia responder a mensagem com uma recusa, mas Renesmee gritou por mim da sala, distraindo-me.
— Papai, o filme vai começar!
— Venha logo, Eddye, não vamos voltar o filme só por você! — Bella gritou também.
— Vocês podem ser menos impacientes? — perguntei retornando a sala que tinha as luzes apagadas. Nelly estava sentada em uma poltrona, Bella com as crianças no sofá maior, com Matt e Ness de cada lado de seu corpo. — Aqui, querida. — Passei o seu celular para ela, enquanto Ness iniciava o filme, eu sentei do lado de Matt, que olhava com atenção para a grande televisão.
— Esse é o seu, Edward Cullen! — Bella exclamou brava, jogando o celular para mim, quase acertando partes do meu corpo que doeriam muito com a pancada.
— Bella, você... — Eu comecei a falar, percebendo que tinha deixado-a ler a mensagem de Irina e depois de todo o estresse com Victoria aquela semana, não precisava de mais daquilo.
— Está tudo bem — ela garantiu, arrancando seu celular, o certo, da minha mão.
— Silêncio — Renesmee exigiu, nos olhando com indignação quando o filme de fato se iniciou. — Vocês estão perdendo a magia.
— Ela realmente acredita em magia? — Matt perguntou aos sussurros para mim, eu ri, ganhando mais um olhar raivoso de Renesmee. Aquilo era da mãe dela, o que mostrava o quão encrencado eu estava com aquelas duas, estava muito feliz em ter Matt, mas eu julgava que nós dois nunca seriamos suficiente para bater de frente com duas mulheres Cullen, elas não eram do tipo que se deixavam vencer.
— Ela realmente acredita — cochichei de volta para Matt, que revezava o olhar entre a tela e eu. — Uma vez ela...
— Silêncio, Edward! — Foi a vez de Bella ordenar, beliscando meu braço como pode de onde estava sentada, Matthew riu, o que fez a raiva sumir do rosto da minha esposa revoltada rapidamente.
— Se vocês todos não ficarem quietos, irei tirar o filme — Nelly ameaçou.
— Obrigada, tia Nelly — Renesmee agradeceu.
— Isso também vale para você, menina — Nelly esclareceu, Matthew riu novamente, enquanto Renesmee ficou mais ainda indignada, mas não demorou muito para que o filme voltasse a prender sua atenção. Também não demorou muito para que o interfone tocasse, Bella e eu nos movemos para pegar as pizzas com o entregador, então fomos até a cozinha buscar por refrigerantes para todos.
— O que ela quer com você? — Bella perguntou, enquanto eu servia os copos que ela dispôs sobre uma bandeja para se tornar mais prático.
— Eu não faço ideia, com certeza encher a porra do meu saco como sempre. — Dei de ombros, Bella bufou.
— Você pode ir, sabe disso, né? Não sou sua dona, vá se encontrar com ela se quiser — falou, sua voz era baixa, mas séria.
— Bella. — Repousei a garrafa sobre a mesa. — Eu fui amigo de Irina, ela provavelmente foi minha melhor amiga depois da minha própria irmã enquanto eu crescia, mas ela e eu não temos mais a mesma amizade de antes.
— Sim, porque você e ela namoraram e foderam.
— Você também fodeu com Jacob e continua sendo amiga dele — rebati, ela mordeu o lábio. — O que quero dizer é que é diferente, Irina de algum jeito louco mesmo depois de tanto tempo ainda tem algum resquício de paixão por mim e eu não sou mais o cara que foi o amigo dela de antes, muito menos o que ela namorou e fodeu. Eu mudei, de várias formas e agradeço por isso. Então, não, não há nada que eu queira conversar com ela em um encontro privado.
— Ela disse que sente sua falta — resmungou.
— Sério? Você está mesmo querendo que eu vá me encontrar com Irina, senhora Cullen? — Voltei a encher os copos, Bella sorriu, negando com um aceno de cabeça.
— Não, eu detesto Irina, não somente por ser sua ex, mas por ela ser tão fútil. Só não quero deixar meus ciúmes te manter um cachorrinho amarrado à coleira junto a mim, não gostaria que fizesse isso comigo e estou tentando ser mente aberta.
— Você sabe. — Terminei de encher os copos, me aproximando dela. — Que pode me amarrar quando quiser. — Beijei seu pescoço, após afastar seus cabelos, ela riu.
— Você é movido a sexo.
— Você quer que eu cite algumas coisas que vão provar que você é mais?
— É? — Ela me encarou de modo desafiador. — Diga algumas.
— O sexo no avião quando viajamos para o Japão, o do Bugatti, quando fodemos no provador da Prada, naquela cachoeira no Brasil e quer realmente que eu me lembre do vídeo que gravamos no Quatro de Julho do ano passado? Porque, querida, todos esses foram suas ideias, sua mente é mais perversa do que a minha.
— A viagem para o Japão era tão longa, tínhamos de aproveitá-la de alguma forma. — Bella se esticou nas pontas dos seus pés, envolvendo seus braços em meu pescoço. — Quanto aquela gravação, nós juramos nunca mais tocar no assunto.
— Sim, eu ainda estou chateado que me fez deletá-la. Eu daria um ótimo ator pornô, meu desempenho foi ótimo.
— Claro, deixaríamos uma gravação de sexo dando sopa por ai, pense como a imprensa ia amar se isso caísse nas mãos deles. E, você não foi tão bom assim, estava mais preocupado em olhar para a câmera do que com o sexo em si.
— Eu queria ter certeza de que ela estava gravando. — Uni meus lábios aos de Bella, sentindo-a sorrir. Era tão bom estar com ela, tudo que queria era levá-la para nosso quarto e ficar por lá com nossa peça pelo resto da noite, mas tínhamos duas crianças que precisavam ser alimentadas, então me afastei.
— Hum, que bom, começar a falar sobre sexo e não poder fazer — ela disse ironicamente.
— Mais tarde, querida — prometi, pegando a bandeja com os copos, indicando que ela deveria levar as caixas de pizza.
— É uma parte boa de ter um novo filho sem ser por gestação e não estar no pós parto, nada de resguardo para sexo — ela provocou. — Lembra-se de como foi um tormento em relação a isso quando Ness nasceu?
— Claro que eu me lembro, me masturbei mais naquela época do que quando era adolescente.
O celular de Bella, que estava no bolso de sua calça, tocou. Equilibrando as pizzas em uma mão, ela o pegou, atendendo.
— Olá, sogra. — Ela parou de andar, olhando com entusiasmo para mim. — Certo nos mantenha informados. Até mais! — Ela desligou, recolocando o aparelho no bolso. — Tanya está sendo preparada para a cirurgia, a qualquer momento os gêmeos estarão entre nós.
— Com belas faces de joelho — provoquei.
— Você está assumindo que sua filha tinha uma cara de joelho quando nasceu? Que seu filho também tinha?
— Não, eles são lindos, nasceram como modelos. — Indiquei a sala. — Vamos logo antes que deixemos os modelos loucos de fome.
Matthew parecia ter se rendido ao mundo mágico de Harry Potter facilmente, ele tinha uma expressão muito próxima a de Ness e seu fascínio assistindo tudo aquilo. Bella e eu servimos todos e reassumimos nossos lugares, sendo discretos e silenciosos, ou Nelly nos colocaria para fora, Renesmee surtaria pelo barulho e atrapalharíamos o primeiro contato de Matthew com a magia.
Apesar de gostar de Harry Potter, afinal fui eu quem acabou viciando Renesmee naquilo, inclusive a levei para a pré-estreia do último filme em Londres, já tinha assistido tanto à Pedra Filosofal, que estava enjoado, fora que era um longo filme. Eu tive de me conter para não pegar no sono ali mesmo, como Nelly pegou no meio do filme e quando acordou sussurrou boa noite para todos e seguiu para seu quarto.
Renesmee parecia que poderia virar a noite assistindo a todos os oito filmes, Bella parecia tão entediada quanto eu e Matt estava gostando, mas também parecia cansado já que se apoiou em sua mãe. Bella afagava as costas dele, fazendo com que Matthew às vezes demorasse tanto entre uma piscada e outra que estava quase dormindo.
— O Harry é tão bonito — Renesmee deixou escapar em um suspiro, fazendo com que eu a encarasse em choque. Ela tinha dito mesmo o que eu ouvi? Ela achava Harry Potter bonito, sério? Já não bastava o Justin Bieber Pokémon, agora o Harry Potter também?
— Como, pequena? — Bella perguntou, mal escondendo um sorriso.
Renesmee pareceu sair do seu transe, tirando os olhos da tela e olhando para a mãe.
— Nada, não — mentiu descaradamente.
— Você acha o Harry bonito! — Matthew provocou, o sono o deixando. Eu teria ficado muito feliz de vê-lo provocando a irmã da mesma forma que fiz várias vezes com Rose, como ainda fazia na verdade, mas eu estava em choque por minha garotinha ter uma paixão platônica pelo Harry Potter.
— Tudo bem, filha, eu também tinha minhas paixões de cinema na sua idade — Bella falou, Renesmee apenas corou absurdamente, indicando que estava constrangida. E pensar que tínhamos conhecido o ator que interpretou o Harry Potter, isso não era nada animador, por sorte Ness era bem mais nova na época.
— Ele é feio — Matt disse sabiamente apontando para a tela onde Harry Potter subia no trem de volta para sua casa.
— Não é não, quer dizer, esquece — Renesmee pigarreou, corando ainda mais.
— Certo, crianças, hora de dormir — Bella anunciou, ganhando um coro de protestos. — Sem reclamações — ela deixou o sofá, desligando a televisão. — Nós teremos um dia inteirinho amanhã para mais filmes, então iremos para a peça de Ness, quanto antes dormirmos mais dispostos estaremos amanhã para fazer um monte de coisas.
E ela e eu teríamos tempo para sexo se as crianças dormissem logo.
— Vamos, senhora Potter — Bella provocou Ness também.
— Mamãe!
Renesmee seguiu direto para seu quarto, prometendo escovar os dentes para que pudéssemos ir colocá-la na cama depois. Ela deu um forte abraço de boa noite no irmão antes de ir, os abraços dela eram bem fortes, Matt devia estar se sentindo esmagado com todos eles.
— Você quer dormir com seu pijama de pinguim mesmo, pequeno? — Bella perguntou a Matt quando entramos no quarto dele, que ainda precisava ser preparado de verdade para que tivesse mais de Matthew ali.
— Sim — ele confirmou. — Edward, eu quero fazer xixi — sussurrou para mim.
Ele podia ainda não estar cem por cento ao meu favor, mas eu ganhava de Bella nas idas ao banheiro já que ela era uma garota. Nós a deixamos no quarto arrumando a cama dele, seguindo para o banheiro, eu o ajudei com o pijama, deixando-o usar o vaso.
— Vem, você precisa escovar os dentes — falei depois de ajudá-lo de volta com o pijama, o colocando em um banquinho para que ele pudesse alcançar a pia. Bella tinha feito algumas compras durante aquela semana, roupas, acessórios de higiene, alguns livros e brinquedos, algumas coisas para Matthew, eu sabia que quando ele fosse definitivamente para nossa casa, ela faria compras muito maiores e provavelmente com Alice a tiracolo.
— Uau, que legal! — ele exclamou a ver a escova de dentes com ilustrações do Batman.
— Hey, você gosta do Batman também? — indaguei, colocando a pasta de dentes infantil, que tinha um cheiro muito bom, sobre a escova.
— Sim. — Matt assentiu. — Meu pai dizia que ele era o Batman, eu era o Robin.
Qualquer vestígio de sorriso sumiu do meu rosto com a citação a Laurent.
— Sabe, eu gosto muito do Batman — falei. — Mas, acho que meu super herói favorito é o Capitão América. — Entreguei a escova a Matt.
— O Batman é melhor, papai disse que por ele ser o Batman, por isso que a policia ia atrás dele. Os policiais nunca gostam dos super heróis, mas o papai um dia vai se livrar deles.
Ele começou a escovar os dentes, sem muito jeito.
— Posso ajudá-lo? — perguntei, sem querer me estender com o assunto Laurent, não aquela noite. Eu não queria dizer a Matt que o pai dele tinha cometido crimes, que na verdade o Batman teria Laurent como um inimigo por seus erros, não que consideraria o homem como ele.
— Tanto faz — Matt disse, com pasta vazando de sua boca, eu ri limpando a bagunça que ele fez. — Aqui, vou lhe mostrar como escovar e você tenta sozinho amanhã. — Segurei por cima de sua mão, o ajudando com os movimentos. — Se você não escovar os dentes direito eles ficarão cheios de bichinhos e você ficará banguela — contei, olhando para Matt pelo espelho.
— Igual um velho? — perguntou, fazendo mais bagunça, que rapidamente limpei.
— Sim, ai você vai ter de usar dentadura igual um velhinho — falei, repuxei meus lábios para trás como se eu não tivesse dentes, fazendo com que Matt risse. — Okay, vamos nos concentrar nisso ou você não vai aprender, filho.
A animação sumiu de seu rosto, mas ele não falou nada. Eu tão pouco voltei atrás, Matthew estava ali justamente para se adaptar mais a família, ao fato de que era meu filho, ele precisava ouvir aquilo, assim como me ouviu falar sobre o brasão dos Cullen e que o amava.
— Yeah! Você foi muito bem, filho! — parabenizei quando acabamos de escovar seus dentes. — Vamos, sorria para que eu possa ver esses dentes perfeitinhos — pedi, ele se recusou e apelei para cócegas nas laterais de seu corpo, o que imediatamente o fez rir, deixando com que víssemos seu sorriso pelo espelho. — Olha esse sorriso — falei impressionado, colocando minha veia teatral naquilo. — Matthew, você tem um dos sorrisos mais bonitos do mundo, sabia disso?
— Sério? — perguntou descrente.
— Super sério, você está no topo dos sorrisos mais bonitos junto com sua mãe e irmã, os três dividindo o primeiro lugar.
— Eu nunca vi minha mãe — ele disse confuso.
— Bella — expliquei, o sorriso vacilou, mas não se perdeu. — Se você elogiar o sorriso dela ganha muitos pontos — sussurrei como se fosse um segredo.
— E cookies?
— E cookies — confirmei rindo, arrumando o capuz em sua cabeça. — Eu queria um pijama desses.
— É só para crianças — ele falou divertido. — Você é velho.
— Eu sou velho? — perguntei fingindo estar ofendido, apoiando-me no balcão da pia para ficar mais próximo ao espelho. — Não estou vendo rugas, Matt, acho que você se enganou.
Ele riu.
— Você também usa dentaduras, Edward?
— Hey! — Me voltei para ele, que riu mais um pouco. — Esses dentes são absurdamente reais, eu juro.
— Mas você é velho.
— Eu ainda nem fiz trinta e um — contei. — Por falar em idade e aniversários, o seu é semana que vem, certo? — Ele deu de ombros. — Domingo que vem é dia vinte e três de abril, é quando é seu aniversário, não?
— Ah, é sim — concordou. — Eu vou fazer...
— Oito?
— Isso, oito.
— Maneiro, é um dos aniversários mais legais que tem.
— Sério?
— Sim, oito anos são muito legais. O que vai querer de aniversário?
Ele parou para pensar, eu praticamente podia ver sua mente trabalhando naquilo.
— Não sei — falou por fim.
— Certo, vou pensar em um presente bem legal para você — prometi.
— Ei, Edward, acho que sei o que quero — falou quando o coloquei no chão, tirando-o do banquinho.
— Sabe? Pode me dizer, se estiver ao meu alcance eu lhe darei.
— Um cachorro — falou, praticamente pulando ao dizer aquilo. — Quando eu estava com a tia Zafrina ela tinha um gato, mas eu prefiro cachorros. Eles são muito legais, um dia vi um na rua, mas o papai não me deixou ficar com ele.
Okay, certo, eu estava encrencado. Bella detestava cachorros, como eu faria aquilo?
— Tudo bem, eu vou ver se tem como te dar um cachorro — cochichei. — Mas, isso será nosso segredo, certo? — Estendi a mão para ele, que prontamente a apertou de volta. — Não pode contar para ninguém.
— Certo. — Assentiu, animado.
— E você também terá de dividir o cachorrinho com sua irmã, Ness sempre quis um.
— Beleza.
Ele estava mesmo disposto a ganhar um, eu estava cada vez armando minha cabeça para Isabella.
— Meninos, hora de dormir! — A própria falou do quarto.
Conduzi Matthew até lá, antes que Bella fosse nos puxar pela orelha.
— Escovou os dentes direitinho? — Bella perguntou a Matt enquanto eu o colocava na cama que era bem alta para ele alcançar sozinho. A cama me fez pensar nele dormindo no tapete na casa da tia, provavelmente no chão na rua quando estava lá com o pai, eu precisei de muita concentração para não ceder a isso e acabar chorando o que o assustaria.
— Sim — ele confirmou.
— Claro que sim — fiz coro. — Os dentes dele são incríveis.
— Edward disse que meu sorriso é bonito que nem o seu, tia Bella — ele disse animado, eu vi o rosto de Bella se encher de doçura e amor ao ouvir aquilo, implorei mentalmente que ela se lembrasse de como gostava de Matthew feliz quando eu contasse sobre o bendito cachorro que eu estava intimado a comprar.
— Você acha meu sorriso bonito? — ela perguntou, praticamente me jogando no chão para que pudesse se sentar ao lado de Matt na cama.
— Sim! — ele confirmou.
— Ah, você é tão lindo! — ela exclamou, enchendo o rosto de Matthew de beijos, sufocando-o como Renesmee fazia. — Amo você, bebê.
— Não sou um bebê — Matt reclamou.
— E eu não sou um velho. — Ele riu, Bella perdeu nossa piada interna, mas não reclamou por isso.
— Certo, meu garoto grande, você precisa mesmo dormir agora. — Ela arrumou a coberta ao redor dele, lhe entregando o pinguim Eddye. — Não quero que esteja cansado amanhã. — Beijou o rosto dele mais uma vez.
— Acessa ou apagada, Matt? — perguntei apontando para a luminária ao lado da cama, ali naquela mesinha nós tínhamos deixado o relógio da família, Matt tinha escolhido o local e eu gostei da ideia de deixa-lo a vista para que o garoto sempre pudesse vê-lo e lembrar do significado do brasão.
— Apagada, não tenho medo do escuro — disse confiante, deixando com que eu apagasse.
— Amo você, filho. — Bella afagou seu rosto, mesmo no escuro podia ver o rosto dela emocionado ao dizer aquilo. — Boa noite, tenha bons sonhos.
— Boa noite, Matt. — Achei um lugar entre ele e Bella, para beijar o topo de sua cabeça, ainda com o capuz do pijama de pinguim. — Se você ficar com medo ou precisar de algo sabe onde nos achar, okay?
— Okay.
Bella me afastou mais uma vez para poder esmagar Matt novamente em seus braços.
— Ei mamãe ursa, você está o amassando. — A tirei de cima dele.
— Tudo bem. — Ela tinha um sorriso imenso no rosto. — Amo você, Matt. Qualquer coisa é só gritar. — Ele concordou com um aceno de cabeça, eu acenei para ele de volta, puxando Bella para longe do quarto dele para que o menino pudesse dormir sem que ela ficasse o vigiando como uma águia.
Nós fomos para o quarto de Ness, tínhamos de coloca-la para dormir também, ou a menina facilmente viraria a noite até de manhã e ela teria um dia importante com sua peça no dia seguinte. Ela estava sentada a sua escrivaninha, com seu Kindle em mãos, eu me aproximei sorrateiramente dela comprovando o que imaginei, ela estava lendo Harry Potter.
— Princesa, você está ficando viciada.
— Ai, papai! — gritou assustada.
— Pequena, hora de dormir. — Bella indicou a cama, arrumando a bagunça que ela estava por nós quatro termos nos estabelecido ali antes. — E nada de enrolar, quanto antes você dormir mais rápido vai poder sonhar com o Potter.
— Mamãe — Ness resmungou, indo para sua cama rapidamente, logo pegando o pinguim Carl que estava ali.
— Estou brincando, senhora Potter. — Bella arrumou a coberta de Ness, logo desligando o abajur, pois sabíamos que a garota não tinha qualquer tipo de medo de escuro. — Amo você, amorzinho, bons sonhos. — Deu um beijo barulhento na bochecha de Renesmee.
— Amo você também, mamãe, boa noite — Ness disse, remexendo-se para beijar a bochecha de Bella.
— Boa noite, Princesa. — Baguncei seus cabelos, ganhando uma careta. — Descanse bem para sua peça amanhã.
— Eu vou ser a melhor casa de todas — ela assegurou, fechando os olhos.
— Tenho certeza de que vai ser. — Bella beijou o rosto de Ness novamente. — Até amanhã, pequena, você foi uma irmã mais velha excelente hoje — sussurrou, afagando os cabelos de Nessie, que apenas assentiu, agarrando-se ao pinguim Carl.
Saímos do quarto dela, checamos Matt, que já dormia tranquilamente e fomos para nosso quarto. Bella me empurrou na direção da nossa cama, já subindo em cima de mim, sua boca depositando beijos quentes em meu pescoço, quando eu de forma idiota deixei escapar.
— Talvez eu tenha prometido dar um cachorro de aniversário para o Matthew.
A boca dela deixou minha pele e seus olhos castanhos logo estavam focados nos meus, encarando-me com rigidez.
— Você o que?
— Eu perguntei o que ele queria ganhar de aniversário na próxima semana, ele disse um cachorro, falei que ia tentar dar um a ele.
— Edward! — Bella gritou, saindo de cima de mim. — Você enlouqueceu? Eu odeio cachorros, você sabe disso.
— Sim, desculpe, eu deixei me levar pelo momento. — Afaguei seu braço, mas ela me afastou. — Querida, vamos, quão ruim um cachorro pode ser?
— Muito, são bagunceiros, latem, fazem xixi e cocô por todo canto e mordem.
— Nós podemos pagar por um adestrador — insisti, eu tampouco ligava para animais, mas Renesmee sempre quis um e Matt merecia ser um pouquinho mimado.
— Você não podia ter prometido, sei lá, um vídeo game que ainda não foi lançado? Nós poderíamos pagar por qualquer besteira dessas, mas não teríamos que nos preocupar com moveis sendo destruídos, pelo nas roupas e mordidas.
— Bella, o cachorro não vai te morder — prometi.
— Você não pode afirmar isso — ela saiu da cama, jogando seu celular na mesinha ao lado, começando a tirar sua roupa. — Vou tomar um banho.
— Posso ir com você? — Arranquei meu moletom rapidamente.
— Não, pela sua péssima ideia do cachorro não terá sexo essa noite — declarou.
— Isso quer dizer que não teremos o cachorro também? Matthew ficará decepcionado e será mais um ano que Ness não terá um.
Ela me fuzilou com o olhar, bufando e assentindo.
— Nós daremos o cachorro a eles, mas você será o responsável pelo pulguento e se caso não der conta você e seus filhos podem se despedir dele que enviarei o cachorro para a fazenda em Nevada.
— Querida, isso é cruel.
— Espere até o cachorro te morder para me falar sobre o que é cruel. — Ela saiu de sua calça jeans, seu olhar passeando por meu peito e barriga nus. — Ah, que se foda, você é tão gostoso, vem, pode tomar banho comigo.
Eu ri, arranquei minha calça e fui atrás dela.
***
Em algum momento da noite, perto das duas da madrugada, acordei com meu celular tocando. Bella estava desmaiada no seu lado da cama, dormindo em roupas minhas que tinha vestido depois de um rápido sexo no banho, nós dois estávamos cansados e não conseguimos prolongar a noite.
Me movi com cuidado na cama, sem querer a acordar. Localizei minha calça no chão e tirei meu celular que estava no bolso, vendo que era uma ligação da minha mãe, que rapidamente me fez atender com medo de que fosse algo sério sobre sua saúde.
— Oi — atendi.
— Eu te acordei?
— Sim, são duas da manhã — lembrei, eu podia ouvi-la em algum lugar barulhento.
— Oh, desculpe bebezinho — ela ironizou, soando emocionada com algo mesmo sendo irônica. — Sua prima teve os bebês — contou. — Eles são lindos, eu quero roubá-los para mim.
— Ei, isso é sério? — Despertei com a noticia de que os gêmeos tinham nascido. — Como eles estão? E Tanya? Tia Athenodora já programou a próxima plástica agora que é avó? Ou ela se tocou de que está velha e aceitou isso?
— Edward! — mamãe chamou minha atenção, mas não conteve uma risada. — Tanya está bem, um dos bebês vai precisar de cuidados mais intensos por ser muito magrinho, mas nada grave, o outro é um perfeito Cullen, não para de chorar, exatamente como Renesmee e as meninas quando nasceram. Santiago e sua prima escolheram os nomes, Carlisle e Caius, imagine como seu pai está todo bobo com isso.
Eu ouvi papai dizer algo ao fundo da ligação.
— Você está bobo sim, Carl — mamãe o contrariou. — Filho, só liguei para avisar, estou cansada demais, viemos direto do jantar para cá conferir os bebês e já vamos voltar para casa. Eu disse a Tanya que você e Bella estariam ocupados esse fim de semana com Matt, então provavelmente vocês só poderão os visitar na segunda.
— Sim, nós com certeza iremos ir vê-los. Vá descansar, mãe.
— Eu vou — ela prometeu. — Antes que realmente roube o bebê Carlisle para mim.
— Ele é o chorão?
— Carlisle com certeza é o chorão! — Mamãe gargalhou e ouvi papai reclamar mais. — Deus, Carlisle, você chorou tanto com a psicóloga que passou o resto do dia com os olhos vermelhos — acusou. — Tchau, Edward — falou, desligando novamente antes que eu pudesse me despedir.
Larguei o celular e voltei a me deitar, Bella se mexeu na cama até estar nos meus braços.
— Tudo bem? — perguntou em seu sono.
— Tanya teve os bebês, os nomeou Carlisle e Caius.
— Ótima escolha. — Bella assentiu contra meu peito. — Quer dizer que ainda temos o nome Anthony disponível.
— Em breve, querida. — A apertei contra mim, contente com a família aumentando com a chegada dos gêmeos e de Matt, como os planos para Anthony no futuro.
***
Como sempre, acordei cedo na manhã seguinte para malhar. Bella e as crianças ainda estavam dormindo, Nelly era a única acordada, mas ela não demorou a sair para uma volta matinal pela praça mais perto.
Eu estava checando alguns e-mails do trabalho antes de ir para a academia, enquanto via Bella ressonando tranquilamente em nossa cama, quando recebi uma ligação do meu pai.
— Tente não me odiar — ele falou assim que eu atendi.
— Você vai me dar motivos para isso? — perguntei confuso.
— Mais ou menos, mas preciso que venha para a empresa ainda essa manhã. Estou marcando uma reunião com a diretoria, temos um assunto para tratar.
— Que assunto? Nós não estamos falindo, né? Não, claro que não, eu sou o diretor financeiro, saberia disso se estivesse acontecendo. — Bella acordou ao me ouvir em desespero, olhando-me confusa, eu amava meu trabalho e amava todo o negócio de hotéis que meu avô criou, simplesmente morreria de tristeza se o perdêssemos.
— Não, Edward, não estamos falindo, acalme-se. É algo bom, venha até o escritório que irei explicar tudo. Desculpe por tirá-lo de casa, sei que é importante estar com Matthew nesse começo.
— Tudo bem, acho que posso ficar fora por algumas horas. — Bella murchou ao ouvir isso. — Te encontro logo — falei para meu pai, que concordou e desligamos. — Eu preciso sair, querida — disse para ela.
— Está tudo bem com Tanya e os bebês? — perguntou ainda confusa.
— Sim, mas meu pai está convocando a direção para uma reunião de última hora. Não faço ideia do que é, tenho de ir até lá. — Comecei a tirar as roupas de academia, chorando internamente por não poder ir malhar. — Se importa de que eu saia?
— Não, deve ser importante. — Ela me seguiu até o closet, me ajudando a roupa para o trabalho. — Mas, diga ao seu pai que eu não gosto dele roubando meu marido sábado de manhã — brincou.
— Com certeza o deixarei saber disso — prometi, beijando sua testa. — O que vai fazer com as crianças enquanto eu estiver fora?
— Tenho uma porção de ideias, pode ir, nós ficaremos bem — garantiu.
Em poucos minutos eu já estava no Volvo dirigindo para a empresa, indo para a sala de reunião no andar da presidência. Jasper e outros diretores e vices das áreas mais altas da direção geral do Grupo Cullen já estavam ali.
— Alguma ideia do que estamos fazendo aqui? — Sentei junto de Jasper, que parecia mais como um zumbi naquela manhã.
— Não faço ideia — ele murmurou.
— Olá, bom dia a todos! — Papai entrou na sala junto de Caius, eu não esperava por meu tio ali já que ele tinha acabado de se tornar avô, mas meu pai realmente parecia empolgado, então devia ser algo que exigia seu vice ali. — Vou direto ao ponto.
Ele apontou o controle em sua mão para o telão atrás de si, o ligando e mostrando uma foto do Hotel Boyne, o nosso principal concorrente em Chicago. Meu avô era natural da cidade e tinha iniciado o negócio ali, mas os Boyne já existiam e tinham seus hotéis por todo país. Os hotéis Cullen eram de grande referência e estavam crescendo cada vez mais, porém em Chicago, o Hotel dos Boyne sempre recebia um destaque maior por ser mais tradicional e antigo.
— Presumo que todos aqui saibam do que se trata, certo? O hotel de Marcus Boyne, o que por dez anos seguidos foi considerado o melhor de Chicago, até ano passado quando nosso hotel o desbancou e o dos Boyne caiu para terceira posição, ficando atrás dos Hilton. —Papai abriu um grande sorriso, meio demoníaco, devo dizer. — Bom, meus caros, o que tenho para dizer hoje é que os Boyne estão falindo.
Eu arregalei os olhos, chocado com a noticia, mas entendendo rapidamente onde meu pai queria chegar com a reunião em plena manhã de sábado.
— Eu soube disso por fontes seguras, em algumas semanas Marcus terá de colocar a marca Boyne a venda e eu a quero! — O sorriso demoníaco dele se expandiu. — Quero consolidar de uma vez por todas o nome Cullen em Chicago, quero que mantenhamos nosso atual primeiro lugar e que nosso antigo maior concorrente vire parte do nosso Grupo. Todos entenderam, certo? — Todos ali emitiram sinais de concordância. — Quero todos trabalhando com a ideia da compra Boyne, não quero que passemos nenhum susto como passamos com a compra dos resort Benson ano retrasado. Trabalhem em relatórios, em números, em possibilidades de erro, tudo, quero ter certeza de que essa será uma boa compra, façam de tudo para que seja. Eu começarei a me reunir com investidores ainda hoje, então me deem um bom retorno favorável a compra e eu incluirei mais uma marca ao Grupo Cullen. Estão dispensados, mas não deixem essa informação sair daqui.
Todos começaram a se levantar, muitos já começando a falar sobre o trabalho que tinha acabado de lhes se entregue.
— Porra, isso é sério? — Eu mal podia conter minha animação quando me uni a papai, Caius tinha chamado Jasper para eles começarem a trabalhar em alguns números.
— Sim, o Boyne estava no jantar do prefeito ontem à noite — papai falou. — Nosso querido prefeito estava bêbado e tocou no assunto Marcus não conseguiu negar, nós teremos o hotel dos Boyne, filho. Era o sonho do seu avô fazer do nosso hotel uma marca mais sólida em Chicago como fizemos pelo resto do país, nós conseguiremos isso para ele agora adquirindo nosso principal concorrente. Eu queria falar com Isabella, ela foi uma das melhores gerentes de todos esses anos do hotel sede, precisarei dela me ajudando a definir alguém tão bom quanto ela para o hotel Boyne. Daria a gerência de lá para ela, mas a quero no hotel sede, não posso perde-la aqui.
— Ela vai surtar, com certeza vai querer ajudar a escolher o gerente de lá.
— Todos estamos surtando, sua mãe já começou a pensar em reformas e Rosalie com certeza vai querer assumir a obra como engenheira.
Alguém bateu na porta, chamando nossa atenção, era Irina e Eleazar.
— Ah, que bom que vieram! — papai exclamou entusiasmado, cumprimentando os dois.
— Edward, querido. — Irina se enfiou em meus braços.
— Oi, Irina — resmunguei, a afastando. — O que está fazendo aqui?
— Eleazar é um dos nossos investidores, Edward — papai lembrou, indicando que sentássemos a mesa de reunião, a sala já estava vazia, apenas nós quatro ali. Não precisava que ele lembrasse daquele detalhe, a família Denali estava até mesmo acima de nós em quesito dinheiro, já que seus negócios eram provenientes do petróleo.
— Então, o hotel dos Boyne, não? — Eleazar perguntou, tomando um lugar. Papai ocupou sua habitual cabeceira, sentei a sua direita, com Irina se acoplando ao meu lugar, sua cadeira grudada a minha.
— Sim, você tinha de... — Papai começou a falar, eu me distrai com a mão de Irina deslizando para minha coxa, rapidamente a detive de continuar com aquilo, fazendo com que ela arrancasse sua mão da minha, mas não voltasse a me tocar. — Você é um excelente investidor, Denali, vai entrar nessa com a gente? — papai indagou.
— Bom. — Eleazar lançou um olhar para a filha sentada ao meu lado. — Com uma condição, Carlisle.
— Qual? — papai questionou confuso, provavelmente já contava com o investimento de Eleazar sendo algo certo.
— Irina quer ser a nova gerente do hotel sede.
— O quê? — Eu gritei, vendo o sorrisinho cínico de Irina.
— Qual a surpresa, Edward? — ela perguntou. — Eu tenho uma formação em Harvard da mesma forma que sua esposa, ela pode ser a gerente do novo hotel, ou minha subgerente, não me importo, mas decidi que está na hora de voltar a me estabelecer em Chicago e adoro o hotel, saberei comandá-lo muito bem. Com toda certeza muito melhor do que Isabella, sabemos que eu sou excelente. — Jogou seus cabelos por cima do ombro.
— Irina, por favor — papai pediu. — Nós não podemos tirar Isabella do cargo dela. Você poderia assumir o novo hotel, quem sabe? — Ele não parecia gostar nem daquela alternativa, mas estava tentando uma solução, eu odiava qualquer ideia sobre Irina envolvida com nossos negócios.
— Papai? — Irina lançou seu olhar de garota mimada para Eleazar. Ela sempre o teve em mãos, eu sabia muito bem disso. Tinha sido um inferno por conta dele quando terminei com ela também, as famílias passaram meses em um clima tenso, pois Eleazar estava me odiando com todas suas forças por ter partido o coração de sua menininha.
— Não há opções, Carlisle — ele se manifestou. — Eu só entrarei como investidor nesse negócio se Irina virar a gerente do hotel sede.
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