Nossa Família

14 Capítulo Treze — Orgulhosa


Notas iniciais
Boa leitura ♥

— Capítulo Treze —

— Orgulhosa —

Isabella Cullen

O hotel ficava uma completa loucura com o começo do fim de semana na sexta-feira, o que por tabela deixava-me louca também para manter tudo em ordem. Porém, nunca me senti tão grata por toda aquela loucura como naquele dia, era um bom modo de tirar minha mente de Matthew e de Zafrina, de toda a situação pela qual eles estavam passando, pela recusa da mulher em ser ajudada.

Eu era uma pessoa orgulhosa, então parte de mim a entendia. Mas, eu não recusaria ajuda se tivesse cinco crianças dependentes de mim e trabalho algum. Edward e eu tínhamos saído do apartamento de Zafrina com uma sensação de derrota, tudo que pudemos fazer foi ligar para Tanya e pedir por alguma orientação judicial, mas ela não soube nos informar muito e não nos deu esperança de que a justiça iria tirar Matthew da tia e que nós algum dia poderíamos entrar com um pedido de adoção.

Escutem, a justiça sempre prioriza os familiares da criança quando acontece algo aos pais, entendem? Por exemplo, se algo acontecesse a vocês, Renesmee iria ter sua guarda destinada a algum familiar, no caso dela sei que seriam vários aptos a isso e que iriam querer ficar com ela. No caso de Matthew, a justiça achou Zafrina apta, a não ser que algo muito grave ocorra, eles não vão levar o garoto de volta a um abrigo, isso gera um custo anual alto para os cofres da cidade.

Eu inspirei fundo, voltando a dar instruções a uma das recepcionistas que tinha quase causado um caos gigantesco no sistema do hotel.

— Tome cuidado, Kriss, isso poderia causar um problema muito maior — falei a ela, finalizando a operação no computador que deixaria tudo em ordem.

— Desculpe, senhora Cullen, estava indo tudo bem, acho que me distrai por um segundo — ela choramingou e vi as lágrimas se acumulando em seus olhos.

— Tudo bem em casa, Kriss? — perguntei, vendo surpresa estampar seu rosto com minha pergunta.

Okay, eu nunca tinha sido o tipo de chefe que se preocupa tanto assim com a vida pessoal dos meus funcionários, mas não era como se eu fosse uma vilã da Disney.

— Sim, quer dizer, eu terminei com meu namorado ontem, então...— Deu de ombros.

— Foque no trabalho, homem nenhum vale a pena se for demitida por ele — falei.

— Claro — ela concordou prontamente. — Você nunca ´passaria por isso, né? Seu marido parece ser tão perfeito!

Eu a encarei, medindo-a dos pés a cabeça. Isso explicava totalmente por não dar abertura as pessoas que trabalhavam comigo, elas criavam uma intimidade mal interpretada.

— Trabalho, Kriss! — exclamei, apontando para o computador. — Preste atenção aos botões certos, mas um erro grande e eu terei de te afastar para mais aulas de treinamento com os novatos.

Ela assentiu, enquanto eu deixava a parte de trás do balcão.

— Conseguiu resolver tudo? — Encontrei com Emmett no saguão.

— Sim, mas fique de olho em Kriss, certo? Ela errou algo fácil demais e quase bagunçou todo o sistema, isso teria custado milhões e afetaria o hotel em proporções épicas.

— Pode deixar, eu ficarei de olho nela — Emmett falou, mexendo no tablet em suas mãos e o estendendo para mim. — Eu lhe enviei os relatórios revisados que pediu, desculpe-me o erro de mais cedo.

— Okay, que não se repita — murmurei, conferindo alguns números no tablet. — O Senador Corigan é repulsivo, mas ele paga bem — afirmei, Emmett riu.

— Mamãe! — Eu tirei meus olhos da tela, vendo a figura ruiva correndo pelo saguão do hotel. Entreguei rapidamente o tablet para Emmett, pronta para pegar minha pequena nos braços. — Oi mamãe, oi mamãe! — Renesmee cantarolou quando me abraçou.

— Oi amorzinho, eu não a esperava aqui — falei, beijando sua bochecha, então levantando o rosto e vendo Edward seguir até a gente. — Oi querido! — Beijei seus lábios.

— Ei. — Ele afagou meu rosto. — Emmett, como vai?

— Bem — Emmett respondeu, acenando para Renesmee. — Você cresceu mini Bella!

Edward não pode deixar de gargalhar para o apelido e senti que estava perdendo algo devido sua reação.

— Eu sou como a mamãe? — ela perguntou entusiasmada para Emmett.

— Você não faz ideia — Edward disse, pegando Ness no colo.

Não importava que ela já tinha dez e era grande e pesada, ele sempre a trataria como seu bebezinho.

— Pronta para ir? — ele me perguntou.

— Emmett?

— Vá em frente. — Emmett concordou com um aceno de cabeça. — Eu ficarei até mais tarde quando acaba o turno de Kriss para ela não falir o hotel.

— Falir o hotel? — Edward perguntou apreensivo.

— Tudo sobre o controle agora, querido. — Afaguei suas costas. — Eu vou buscar minha bolsa, encontro vocês no carro.

Dei mais algumas ordens pelo hotel, reforcei a Kriss que ela deveria se concentrar no trabalho, então pude me unir a minha família no carro. A surpresa foi instantânea.

— Você está tão fofa! — eu exclamei, apertando as bochechas da minha filha, que revirou os olhos por trás dos óculos de grau. Obviamente já sabia desde sua consulta de que ela ia precisar deles, mas imaginar era totalmente diferente de estar vendo aquilo bem na minha frente. E, como esperado, ela ficava linda até mesmo com óculos.

— Isso incomoda — ela resmungou, arrumando as hastes atrás de suas orelhas. — Mas papai me prometeu que eu jantaria pizza se eu não os tirasse do rosto até a hora de dormir.

Edward fingiu estar distraído com seu celular, para não responder pelo suborno sobre nossa própria filha.

— Bom, você ficou muito bem com eles. — Analisei a armação vermelha, a cor favorita de Nessie, que se encaixava perfeitamente em seu rostinho. — Talvez realmente todos nós mereçamos um pouco de pizza hoje.

Renesmee foi dormir cedo aquele dia, Nelly logo depois, então Edward e eu permanecemos na cozinha, terminando de comer a quantidade absurda de pizza que pedimos.

— Eu estava pensando em algo — ele disse distraidamente, enquanto eu tirava todas as azeitonas dos meus pedaços de pizza, colocando nas mãos dele.

— Que devíamos pedir uma pizza só pra mim da próxima vez? A gente sempre esquece que eu detesto azeitona e você e Ness amam, eu realmente devia pedir uma só pra mim sem azeitonas da próxima vez.

— Não, não sobre azeitonas. — Ele sorriu brevemente. — Lembra que ontem quando falamos com Tanya ela falou sobre quem ficaria com Renesmee caso algo acontecesse com a gente?

Eu afastei a fatia de pizza da minha boca, depositando sobre a caixa e limpando minhas mãos em um lencinho.

— Eu não me sinto bem falando sobre isso — sussurrei. — Imaginar que nós dois...Sei lá, isso é mórbido.

— Mas é necessário — Edward murmurou de volta. — Se algo nos acontecesse acho que deveríamos pelo menos ter tudo planejado para Renesmee, não acha? Pessoas que realmente fossem cuidar dela, não apenas alguém que é praticamente obrigada a isso como Zafrina está sendo a cuidar de Matt.

— Bom, então Jasper e Alice são as pessoas que vejo cuidando dela — declarei decidida, Edward fez uma careta, balançando a cabeça em negação. — O que? Por que não?

— Alice, Bella? Sério? — Ele revirou os olhos. — Isso não parece certo.

Arquei uma sobrancelha, sem conseguir acreditar nas palavras dele.

— Alice é a madrinha de Renesmee — frisei.

— E ela é ótima montando o guarda-roupa de Renesmee — Edward debochou. — Mas seria a criando?

— Não posso acreditar que você não confia em Alice! — exclamei irritada, levantando da cadeira. — Nós a escolhemos como madrinha da nossa filha, Edward, nós demos uma grande responsabilidade a ela e isso quer dizer que ela deverá cuidar da Ness tão bem quanto cuidamos.

— Foi só um batismo, Bella. — Ele bufou. — Eu sequer sou religioso para acreditar que Alice segurando Renesmee, enquanto o padre joga água benta na cabeça da nossa filha de cinco meses de idade é algo realmente importante. Sabe que por mim Renesmee nem tinha sido batizada.

— Isso era importante para mim.

— Não, isso era importante para seu pai — Edward me corrigiu. — Você não é mais religiosa do que eu, Isabella. — Ele se levantou também, guardando o resto da pizza na geladeira. — Você só quis batizar Renesmee porque seu pai insistiu nisso, era seu meio de zerar algumas dividas com ele.

— Que seja! — gritei, ganhando um olhar reprovador dele por isso, mas não me importei. — Isso não muda o fato de que escolhemos Jasper e Alice como padrinhos, que eles deveriam ser as pessoas cuidando de Renesmee caso algo nos acontecesse.

— Jasper não está em discussão, ele obviamente cuidaria muito bem de Renesmee.

— Claro, o problema é só minha melhor amiga. — Cruzei os braços. — Você deveria ser um pouco mais gentil sobre Alice, toda vez arruma algum jeito de atacá-la.

— Você sabe que eu gosto de Alice.

— Como parceira de festas — debochei. — Mas não confiaria sua filha a ela, parabéns, Cullen, eu admiro você.

— Isabella! — O rosto dele ficou vermelho.

— O que? Você está desmerecendo minha melhor amiga, Edward, quer realmente que eu aceite isso? Sabe como Alice é importante para mim.

— Sério? Porque você tem fugido dela nas últimas semanas. — Eu bufei, sem conseguir combater aquilo. — Apenas estou falando que Alice não seria a pessoa ideal para cuidar de Renesmee, você sabe disso, só não quer ser a pessoa dando o braço a torcer, porque sempre quer ser a dona da última palavra.

— Eu nem sempre quero ser a dona da última palavra!

— Claro, isso está errado, você sempre é a dona da última palavra.

— Foda-se, eu não vou discutir com você, está sendo infantil. — Caminhei em direção a saída da cozinha.

— Infantil?! Eu estou sendo infantil por querer pensar em um futuro para nossa filha se algo nos separar dela? Apenas seja racional, nós dois sabemos que meus pais, ou Rosalie seriam as melhores pessoas para ficarem com ela.

— Tanto faz, é você quem tomará todas as decisões agora nesta casa.

Eu não parei para escutá-lo, seguindo rapidamente para nosso quarto. Edward não estava lá quando sai do banho, nem quando deitei para dormir, sem conseguir por estar acostumada a ele do meu lado.

No meio da noite ele entrou no quarto, ouvi o som do chuveiro, então ele estava deitando no seu lado da cama. Mas, sequer encostando em mim, aparentemente deitando sem um cobertor para nem mesmo dividir o que usávamos.

Aquilo era terrível, eu odiava qualquer tipo de discussão com Edward. Principalmente quando isso o mantinha longe de mim de noite, que era o momento que mais o queria por perto para superar os dias longos.

— Edward. — Girei na cama, vendo-o de costas para mim. — Amor, por favor, fala comigo. — Pedi, tocando em seus ombros, que se retraíram com meu toque.

— O que? Para que? Para você me chamar de infantil mais uma vez? Para me atacar quando só estou tentando pensar no melhor para Renesmee? — perguntou irado. — Apenas vá dormir, Isabella, não quero conversar com você agora.

Suspirei, claro, aquilo tinha sido ridículo da minha parte.

Eu sentei na cama, ligando o abajur do meu lado.

— Edward, por favor.

— Porra, Bella! — Ele saiu da cama. — Eu disse que não quero discutir isso agora. — Ele estava fora do quarto no instante seguinte, deixando-me só.

***

Eu não vi Edward durante todo o sábado, ele estava na academia quando acordei — ou quando deixei o quarto depois de uma noite turbulenta —, então eu tive de ir ao hotel cuidar de alguns problemas, ficando lá pelo resto do dia. De noite, quando voltei para casa, Renesmee já estava dormindo e Edward trancando no escritório.

Ele sequer entrou no quarto aquela noite, no domingo de manhã o clima a mesa do café era terrível. Edward e eu nem nos olhávamos, muito menos nos falávamos, eu sabia que deveria ser a pessoa a pedir desculpas, mas isso era difícil para mim.

Porra, ele estava certo, a última palavra sempre devia ser minha.

— Acho que vou levar Renesmee para um passeio — Nelly comentou depois do café, provavelmente notando o clima tenso ali. Eu concordei, as deixando ir, não demorou muito para Edward se refugiar no escritório.

— Edward. — Fui atrás dele.

— Estou trabalhando — falou sério, enquanto mexia em seu computador.

— Querido, por favor. — Me aproximei dele, sentando a beira de sua mesa, Edward sequer me olhou. — Eu sei que errei, desculpe-me — pedi, ele moveu seus olhos até mim por fim. — Não deveria tê-lo chamado de infantil, isso foi errado da minha parte.

— Sei que Alice é sua melhor amiga e que vocês duas são muito próximas, mas eu não estou voltando atrás, continuo achando que ela não é a pessoa ideal para ficar com Renesmee.

Respirei fundo, ele não parecia mais simpático mesmo com meu pedido de desculpas.

— Você está certo, Rosalie, ou até mesmo seus pais seriam muito melhores para cuidarem de Renesmee.

— Você está apenas concordando para que eu te desculpe, em algum tempo quando a conversa surgir de novo vai voltar a querer decidir tudo sozinha.

— Eu nem sempre quero decidir tudo só.

— Não? Sério? — Ele me encarou. — Você sabe que é controladora, Isabella. Principalmente sobre tudo que diz respeito a nossa filha. Eu provavelmente não sou o grande pai e marido que você sonhava para ter em sua vida, mas sou o seu marido e pai da sua filha, deveria me deixar ao menos palpitar em coisas sobre Renesmee.

— Eu nunca quis um marido, ou um pai para meus filhos até conhecê-lo — sussurrei, vendo surpresa em seus olhos. — Sim, é o que ouviu. Filhos, casamento, foda-se, eu não pensava em nada disso. Tudo que queria antes de você entrar na minha vida era me formar em Harvard e ter sucesso na minha carreira, mas você me fez quebrar a terceira regra, me fez ficar apaixonada e imaginar que eu podia ter uma família de verdade, não a família toda torta que sempre tive entre Charlie, minha mãe, padrastos, então Phill e uma meia-irmã.

— Não sabia disso — ele falou por fim.

— Por que você acha que surtei tanto quando descobri sobre Ness? Não era apenas sobre estar grávida sem ter planejado, era ter medo de como isso seria, ter minha própria família. — Dei de ombros. — Eu estava apavorada, mas agora percebo que foi tudo idiotice minha, pois desde o começo você estava ao meu lado, me ajudando em absolutamente tudo, querido. Desculpe-me por ter o chamado de infantil, isso foi ridículo da minha parte. E nunca se sinta um pai, ou marido péssimo, Renesmee e eu temos muita sorte de tê-lo, você é maravilhoso para nós duas.

Abracei a mim mesma.

— E não estou apenas concordando para abafar a briga, eu pensei e realmente concordo com você. Talvez Alice, pelo menos agora, não seja a pessoa ideal para cuidar de Renesmee caso algo aconteça a nós dois, o que espero que não ocorra. Mas, ela ainda é minha melhor amiga, Edward, eu sempre serei leal a ela e espero que a respeite, não a trate como uma incapaz que apenas sabe juntar algumas peças de roupa, sei que você sabe que ela é mais do que isso.

— Tudo bem, desculpe ter sido intolerante sobre Alice — ele disse, afagando meu joelho.

— Nós devemos pedir a Tanya que inclua em nossos testamentos que queremos Renesmee com Rosalie e seus pais? — perguntei baixinho, Edward assentiu.

— Eu cuidarei disso, sei que Alice não seria como Zafrina, mas imaginar Renesmee perdida sem nós dois não é algo animador.

— Vamos apenas mudar de assunto — pedi. — Que tal sairmos um pouco? Nós não temos um tempo apenas para nós dois desde o dia dos namorados. Você pode deixar o trabalho de lado por algumas horas? — Apontei para o computador, sem realmente ver a tela.

— Eu não estava trabalhando. — Ele abriu um sorriso travesso, virei meu olhar para a tela, vendo uma página na internet sobre carros.

— Engraçadinho. — Bati de leve na sua mão sobre meu joelho, para então entrelaçar nossos dedos. — Mas, diga-me, o que acha de um passeio por ai?

— Eu acho que podíamos fazer um passeio até nosso quarto.

Ele ficou de pé, segurando em meu rosto, beijando meus lábios demoradamente.

— Desculpe por ter enlouquecido sexta-feira, querido — pedi, tocando em suas mãos em meu rosto.

— O que seria de um casamento sem algumas discussões, certo? — Ele suspirou, beijando minha testa. — Ao menos dessa vez você não me acertou com uma mamadeira. — Eu ri, sentindo as lágrimas em meus olhos.

— E correr o risco de machucar seu belo rosto com a minha péssima pontaria? — Brinquei, foi a vez dele de rir, voltando a me beijar. — Então, quarto?

— Quarto, definitivamente quarto. — Ele entrelaçou minhas pernas ao redor do seu corpo, já carregando-me para fora do escritório. — O que seria de uma reconciliação sem oficializarmos isso com sexo, não?

— Algemas?

— Não, eu quero senti-la me tocando e quero que me sinta também.

— Isso é perfeito, amo você.

***

Eu estava no meu escritório no hotel, na segunda de tarde, quando meu celular tocou. Gemi baixinho ao ver o nome ali, sabendo que para ela estar me ligando em plena segunda-feira algo tinha acontecido.

— Alô!

— Irmã, oi! — Bree cantarolou animada.

— Seja rápida, estou no trabalho — anunciei, terminando de enviar um e-mail para Edward.

— Credo, você podia ser mais gentil — ela resmungou.

— Não tenho tempo para isso, tenho um hotel inteiro para manter de pé. — Bufei, Edward e eu viajaríamos para Forks com Renesmee no fim daquela semana, eu tinha muito o que fazer antes disso.

— Tá, tá — Bree concordou. — É o seguinte, eu preciso de um pouco mais de grana.

— Sério? — resmunguei. — Por que não estou surpresa? Você sempre me liga para pedir dinheiro, ou para te tirar da droga de uma cadeia.

Mudei de aba no computador, abrindo minha conta online do banco.

— Foi só uma vez, Bella — Bree resmungou daquela vez.

— Que seja, de quanto você precisa e para que?

Renée e Phill, não tinham tanta grana assim. Ele tinha se aposentado por invalidez depois de se machucar no trabalho e ganhava pouco dinheiro do governo, quando Bree foi aceita em uma faculdade em New York, me dispus a ajudar a sustentá-la lá, mas minha irmã caçula sequer mexia sua bunda branca para procurar um emprego, já mal acostumada com minha ajuda.

— Dois mil — sussurrou.

— O que? Que diabos Bree? Isso é loucura! Semana passada já te mandei o dinheiro do aluguel do apartamento, agora você quer mais dois mil?

— É por uma boa causa.

— Eu não acredito que quer dois mil para dar para alguma ONG! — gritei com ela.

— Não, na verdade não. Escuta, Joey estava com problemas, então eu dei o dinheiro do aluguel a ele, agora tenho que pagar até amanhã.

— Porra Bree, isso está passando dos limites, você não tem responsabilidade nenhuma! — exclamei enfurecida, Edward entrou na minha sala naquele momento, me pegando desprevenida. — Eu vou mandar o dinheiro, nós conversamos melhor depois.

Finalizei a ligação, pegando a pasta que Edward estendeu para mim.

— O que ela fez dessa vez?

— Deu a merda do dinheiro do aluguel para o idiota do namorado encostado dela! — esbravejei, transferindo o dinheiro para Bree.

Edward não parecia muito contente com aquilo, não pelo dinheiro, mas por eu continuar mantendo Bree daquela forma, sem deixá-la assumir suas responsabilidades. Sendo que até mesmo ele, um herdeiro, assumiu suas responsabilidades quando ‘desviou do caminho’.

— Tudo bem, vou deixá-la resolver isso, eu trouxe os documentos que pediu.

— Obrigada, não precisava ter vindo até aqui, eu podia ter pedido a Ângela que fosse buscá-los.

— Sempre é bom vê-la, querida. — Piscou para mim. — Tente não se estressar muito por culpa de Bree. Teremos alguma comemoração em breve, você vai querer estar disposta para um pouco de farra.

— Claro. Quer dizer, o que? — perguntei confusa, minha cabeça ainda martelando sobre Bree.

— Eu preciso voltar ao trabalho agora — ele falou, inclinando-se sobre minha mesa para beijar meu rosto. — Amo você.

— Eu também — afirmei, o deixando ir.

Liguei para Renée em sequência, esperando que ela na demorasse muito enchendo-me de perguntas.

— Bebê, tem tanto tempo que não nos falamos! — ela gritou em meu ouvido.

— Oi mãe, tudo bem?

— Sim e com você? Como Ness e Edward estão? Estou morrendo de saudade de todos, é verdade que Renesmee está usando óculos? Vi isso no Facebook da Esme, eu me sinto excluída aqui em Phoenix, sabe? Isso é um pouco injusto, Esme ter Renesmee sempre perto dela, quero dizer — disse magoada. — Espero que se um dia vocês tiverem outro filho ele me veja mais do que uma vez ao ano.

— Estão todos bem e sim, Ness está usando óculos agora — contei. — Mas não faça um drama, mãe — pedi. — Sabe que Edward e eu não temos tanto tempo assim, não podemos simplesmente levar Renesmee até o Arizona sempre que queremos. Mas, venha nos visitar sempre, sabe que é bem vinda.

— Eu vou mesmo, é chato demais por aqui sem você ou Bree.

— É para falar sobre ela que liguei — anunciei.

— O que foi? Ela não foi presa de novo, né? — Renée perguntou apavorada.

— Não, nada disso, pelo menos não por enquanto — reclamei, se eu tivesse de viajar mais uma vez para tirar Bree da cadeia a coisa ficaria muito séria para minha irmã caçula. — Bree deu o dinheiro que seria para o aluguel para o namorado, eu não estou reclamando sobre ajudar minha irmã, longe disso. Eu fico muito feliz em poder contribuir para que Bree frequente a faculdade com uma folga que não tive quando foi minha vez, mas eu não vou sustentar o namorado dela, Renée.

Minha mãe suspirou do outro lado da linha.

— Eu já pago boa parte da universidade de Bree, o aluguel do apartamento e ainda mando dinheiro para alimentação e vestuário. Mas, Bree continua sem buscar por um trabalho. Tudo bem, é bom que ela tenha consciência ambiental e se empenhe em causas nobres, acho isso algo louvável, mas ela precisa de um trabalho remunerado para variar, não ficar apenas de voluntária em ONGs.

— Falarei com sua irmã, desculpe por isso — Renée pediu com a voz envergonhada.

— Não é sua culpa. — Esfreguei minha testa. — Eu nunca negarei qualquer ajuda a Bree, mas preciso que ela amadureça um pouco. Enfim, eu estou indo para Forks com Ness e Edward no próximo fim de semana, então não seria um bom tempo para você vir, mas combinamos uma data boa, okay?

— Claro, meu bem — ela concordou, voltando a ficar animada. — Então, alguma outra novidade em Chicago que eu deva saber?

Eu pensei em contar sobre Matthew, mas eu também pensei que depois da nossa visita fracassada a Zafrina, ele estava saindo de nossas vidas em definitivo. Então, seria melhor não ficar o trazendo a tona em minha mente a todo instante, principalmente o compartilhando com minha mãe.

— Edward e eu estamos planejando ter outro filho, na verdade.

— Oh Deus, sério? — ela gritou animada. — Isso é incrível, tirando a parte que eu estou ficando velha, já que até terei um segundo neto, mas a ideia é ótima.

— É sim. — Eu ri. — Preciso voltar ao trabalho agora, mãe. Eu falo com você em breve, beijos.

— Até logo mais, Bella! — Ela exclamou e pude a ouvir falando com Phill antes de desligar. — Phill, Bella e Edward querem aumentar a família.

O sorriso morreu em meu rosto, pensando que o integrante a mais da família não seria Matt.

***

Naquela noite, depois do jantar e antes de colocarmos Renesmee na cama, Edward e eu estávamos na sala a ajudando com um trabalho de história. A campainha tocou e depois que Nelly foi abrir a porta, vimos Jasper romper na sala.

Algo sério tinha acontecido devido ao seu olhar perdido, mas ao mesmo tempo raivoso. O que não se encaixava em minha mente era o smoking que ele usava, então vi a caixinha de joias em sua mão, então associei a fala de Edward mais cedo.

Aquele seis de março era dia de aniversário de namoro de Jasper e Alice.

— Tio Jazzy! — Renesmee correu até ele, que apenas lhe abraçou rapidamente.

— Nelly, leve Renesmee lá para cima — Edward pediu rapidamente.

— Mas, eu...

— Renesmee, quarto! — ordenei, estendendo o seu material escolar para Nelly, que subiu com ela.

— Alice não aceitou — Jasper sussurrou, olhando para o anel de rubi na caixinha em suas mãos. — Ela disse que não quer casar, ou ter uma família como eu quero, ela terminou tudo, eu...

— Oh Jazz, eu sinto muito! — O abracei, vendo o olhar irritado de Edward.

— Você estava certo, né? — Jasper me afastou, falando com Edward. — Estava certo quando falou sobre ser cedo demais, mas sempre será cedo demais para Alice, ela nunca vai querer casar, ou ter uma família. — Jasper sentou em uma poltrona, o anel caindo no chão.

— Jasper, eu tenho certeza de que ela apenas foi pega de surpresa — tentei contornar a situação.

— Você sabe que não, pare de defender Alice — Edward murmurou para mim, antes de seguir até o bar da sala e servir um copo de uísque puro para Jasper. — Vamos cara, você merece um pouco de álcool.

— Eu vou até Alice — anunciei.

— Isabella?! — Edward apontou para Jasper, que se forçava a beber. — Sério? Jasper é quem precisa da gente. — Ele me seguiu até o corredor de entrada.

— Alice ainda é minha melhor amiga, eu não vou abandoná-la agora. — Peguei as chaves do aparador, vestindo meu casaco em sequência.

— Foda-se, faça o que quiser, mas você deveria apoiar Jasper nisso!

— Isso não é uma batalha, eu não vou escolher um lado. — Abri a porta, podendo ver o rosto dele raivoso enquanto eu saia.

Dirigi a Mercedes até o prédio de Alice, não levando nem dez minutos para chegar lá. O porteiro deixou-me subir assim que cheguei lá, então eu estava entrando no apartamento dela, que tinha a porta entreaberta.

— Alice, pare! — implorei quando a vi arrumando algumas malas. — Você não quer fazer isso.

O rosto dela estava preso em seriedade, mas ela não tinha sequer uma lágrima em seus olhos.

— Não nasci para isso, para ter uma família — ela declarou, guardando alguns sapatos dentro de uma das malas.

— Alice, você pode ter uma família, sei que a sua...

— Você não sabe! — ela me cortou, fechando as malas, pegando sua bolsa e andando com tudo em direção a porta de saída do apartamento. — Você tem uma família perfeita, eu não vou ter uma família assim nunca, nós sabemos disso, eu sequer mereço ter uma família.

— Alice, por favor, pare e me escute! — implorei, segurando seu braço, mas ela se soltou.

— Eu vou passar um tempo em Miami, não sei quando volto, só preciso deixar essa cidade.

— Alice, por favor! — pedi mais uma vez e continuei pedindo até estarmos na garagem, com ela entrando em seu carro. — Alice, volte e converse com Jasper.

Ela não disse mais nada, apenas deu partida no carro e saiu.

Voltei para casa destruída, minha cabeça explodindo com tudo aquilo. Edward estava na sala de estar, sozinho, segurando uma garrafa de uísque vazia.

— Jasper apagou no quarto de hospedes, foi um inferno levá-lo lá para cima antes disso — disse, seus olhos presos na garrafa. — Aparentemente não teve nenhum progresso com Alice, não é?

— Alice é minha melhor amiga, Edward.

— E Jasper é o meu. — Ele apoiou a garrafa na mesinha de centro. — E sua melhor amiga fodeu com o coração do meu melhor amigo, é um pouco difícil te ver a apoiando.

— Não deixe os problemas dos nossos melhores amigos nos afetarem — pedi, engolindo o choro, indo até ele, sentando em seu colo.

— Jasper é como meu irmão, agora Alice o magoou demais, Bella, você nem faz ideia o quanto. Jasper tinha planos grandiosos para os dois, agora ela simplesmente rompeu tudo por medo de ter um relacionamento.

— Apenas os deixe ter o tempo deles, tudo sempre foi muito fora do padrão para Alice e Jasper, eles irão se resolver quando chegar a hora. Ela tem muito medo sobre compromisso e família, medo de ser como os pais dela que sempre estiveram envolvidos em traições e tudo mais, mas ela verá que não será assim com Jazz.

Edward assentiu, mesmo ainda irritado.

— Eu tenho sorte de tê-la. — Ele tocou na minha aliança de casamento. — Mesmo que briguemos e tudo mais, eu sempre irei amá-la.

Sorri, tocando em sua aliança também.

— Casamento — entoei.

— Casamento — Edward ecoou, seus lábios vindo até os meus. — Que tal lua de mel?

— Não com Jasper aqui, ele está magoado, mas em algum tempo usaria meus gritos contra mim. — Edward riu, deitando-me no sofá, apenas me colocando em seus braços. — Eu fico feliz que fiquemos juntos mesmo nos dias ruins.

— Eu também, querida, eu também.

Notas finais
Spoiler do próximo capítulo: Charlie o/ Beijos! Lola Royal. 24.11.16