Nossa Família
16 Capítulo Quinze — Calma
Notas iniciais
— Capítulo Quinze —
— Calma —
Isabella Cullen
Estava acontecendo aquilo mesmo, Matthew seria nosso? Eu poderia cuidar dele junto a Edward? Nós poderíamos dar a ele um futuro melhor? Um futuro promissor e saudável, feliz e seguro.
Era tudo que queria, poder ver a aquele menino bem, poder vê-lo feliz.
— O que nós fazemos? — indaguei Edward, pulando da nossa cama depois da comemoração inicial, ainda em êxtase com a noticia de Tia.
Tinha sido a única ligação matinal que me agradou em toda minha vida, quando ela disse que Matthew estava de volta ao abrigo, que Zafrina não era mais a responsável por ele, eu estava prestes a ficar louca. Então, ela disse:
— Ele vai para a adoção agora, senhora Cullen.
Eu sorri ao lembrar daquilo, mesmo sabendo que Matthew estava passando por tantas coisas difíceis, isso queria dizer que Edward e eu tínhamos o caminho livre até ele.
— Ligar para Tanya, eu acho. — Edward coçou os olhos, saindo da cama e pegando o seu celular. — Eu não tenho ideia de como funciona o processo de adoção, precisamos de ajuda — falou, discando o número da prima, que para me agonia demorou a atender.
— Olá Edward, o que você quer? — ela perguntou quando atendeu, Edward colocando a ligação no viva voz.
— Tanya, nós precisamos falar com você, ainda hoje — Edward respondeu, sorrindo para mim. — Bella e eu estaremos em casa por toda a manhã, será que pode passar aqui? Precisamos muito, muito conversar.
— Em qual problema se meteram? — Tanya perguntou com um suspiro. — Escutem, não fizeram nada de errado em Washington, né? Ah, falando sobre isso, Edward, Rosalie disse que você poderia cair no lago novamente desta vez. Por acaso aconteceu?
Edward bufou, revirando os olhos.
— Tanya, se concentre — ele exigiu. — Não estou falando com você como seu primo, mas como um de seus clientes.
— Então, okay, visita cobrada. Eu passo ai antes do almoço.
— Excelente! — concordei.
— Hey Bella! — ela exclamou. — Edward caiu no lago?
— Não, felizmente. — Eu ri. — A última vez foi como dormir ao lado da Pequena Sereia.
— Tchau, Tanya! — Edward desligou. — Okay, o primeiro passo foi dado, o que fazemos agora? — ele me perguntou.
Eu cruzei os braços diante meu corpo, suspirando. Sabia que tínhamos de ir com calma com tudo aquilo, ainda não estávamos cem por cento certos de que conseguiríamos a guarda de Matt, mesmo que eu não conseguisse pensar em motivos para não conseguirmos a sua guarda, mas ainda assim, algo, ou melhor, alguém, me preocupava sobre tudo aquilo.
— Querido, como acha que Nessie reagirá a essa situação? — perguntei a Edward. — Acha que ela aceitará Matthew?
— Como você reagiu quando Renée engravidou e ganhou uma irmãzinha? — ele devolveu a pergunta.
— Bem. — Dei de ombros. — Eu não fui tão apegada assim a Renée, você sabe, eu a amo, mas nunca tive problemas em dividi-la, ou coisa assim. Na verdade, fiquei feliz quando soube de Bree e minha mãe casou com Phill, pois ela estava muito feliz com a coisa toda de casamento novo e a bebê.
— Bom, Rosalie era bem nova quando eu nasci, mamãe ou papai nunca relataram ela tendo problemas em me aceitar — Edward contou. — E vimos como Lucy também reagiu muito bem a chegada de Anne, eu não acho que Ness será uma grande causadora de problemas, pelo menos não por muito tempo.
— Ela obviamente sentirá ciúmes, foi filha única por dez anos.
— Você foi por onze antes de Bree — ele lembrou.
— Sim, mas Ness e nós dois temos uma relação próxima, ela é mimada ao seu modo, isso...
— Vai ficar tudo bem, Bella — Edward me interrompeu quando eu comecei a ficar nervosa demais. — Nós conversaremos com Renesmee o quanto antes sobre tudo isso.
— Hoje? — Mordi o lábio.
— No fim da semana, que tal? — ele sugeriu. — Depois que tivermos tudo isso em mente mais claro após nossa conversa com Tanya.
— Claro, isso parece melhor — concordei. — Eu estou feliz — declarei. — Por estar muito perto de poder trazer Matt para perto, estou feliz por você ser o melhor marido do mundo e estar nessa comigo.
Edward caminhou até mim, pegando minha mão esquerda na sua, levando-a até seus lábios depositando um beijo ali.
— Querida, eu estou com você desde o Halloween de 2005, acredite, não há outro lugar que eu queira estar que não ao seu lado. Vamos fazer o possível e o impossível para trazer Matthew para esta família, nossa família. Isto é uma promessa, você sabe que eu as cumpro muito bem, te fiz quebrar sua regra mais importante depois de prometer que faria isso.
***
Mais tarde naquela manhã, Tanya chegou ao nosso apartamento, enquanto Edward e Ness tocavam um pouco de piano na sala e eu tentava não sair contando para a família inteira sobre Matthew. Edward e eu tínhamos combinado que seria justo que Ness soubesse primeiro, uma vez que depois de nós dois ela seria a pessoa mais próxima de Matt.
— Oi, você parece ansiosa — Tanya comentou quando abri a porta para ela, a ajudando a tirar seu casaco.
— Um pouco.
— Está tudo bem? — perguntou preocupada, afagando sua grande barriga de gêmeos.
— Sim, sim, é uma ansiedade boa — expliquei. — Você quer comer ou beber algo?
— Ah não, eu acabei de atacar um sanduíche no carro. É uma desgraça ter um marido que cozinha bem, Santiago enche-me de comida, por isso estou tão gorda. Você já provou o molho de especiarias indianas dele? — Neguei com um aceno de cabeça. — Eu providenciarei que prove, é uma maravilha. Essa é Ness tocando? Porra, você tem o próprio Bethoven em casa!
Eu ri para a fala ininterrupta de Tanya.
— Ela e Edward, na verdade. — Indiquei que ela fosse até a sala. — Edward, Tanya está aqui. — Ele e Ness pararam de tocar, a garota abriu a boca de forma exagerada ao ver a prima do pai.
— Tia Tanya, você está imensa.
— Renesmee! — chamei a atenção dela.
— É só a verdade, não podemos puni-la por dizer a verdade — Edward provocou a prima.
— Seu filho...
— Não xingue na frente de Renesmee — a interrompi rapidamente.
— Vocês ainda tem aquela coisa do pote do palavrão? — Tanya fez uma careta para mim, eu assenti. — Bella, você deve colocar todo seu dinheiro lá, não?
— Quase isso, podemos conversar agora? — perguntei dela para Edward.
— Sobre o que, mãe? — Ness perguntou curiosa.
— É uma conversa de adultos, Princesa — Edward disse a ela, deixando o banco do piano. — Por que não fica aqui e continua tocando um pouco mais até a hora do almoço?
— Tudo bem — Ness concordou, voltando rapidamente ao piano, ela gostava daquilo tanto quanto o pai, eu tentei aprender a tocar, mas foi um grande fracasso. Era algo dos dois, eu e minha péssima coordenação estávamos proibidos de nos aproximar.
Tanya e eu seguimos Edward até seu escritório, nós todos tomamos lugares, então começamos a contar a grande novidade a ela.
— Vocês querem o adotar? — Tanya perguntou em choque, a boca escancarada como a de Ness minutos antes.
— Sim — Edward confirmou, afagando meus cabelos.
— Mas, vocês não tem problema de fertilidade — ela disse confusa, me olhando. — Vocês tem? Disseram que iam tentar outro bebê, por que adotariam o garoto?
— Porque nós queremos cuidar dele — respondi.
— Vocês tem certeza? — perguntou ainda sem acreditar naquilo tudo. — Poderiam apenas prestar algum tipo de assistência financeira, eu pensei durante este tempo todo que era o que queriam fazer.
— Isso não se resume a dinheiro, Tanya — Edward a cortou rapidamente antes que eu tivesse tempo de fazer aquilo. — Isabella e eu nos afeiçoamos a Matthew, queremos tê-lo conosco, estamos ligados a ele.
— Vocês o viram o que? Por duas vezes? Isso é pouco, você não se afeiçoa a alguém por dois encontros.
— Edward e eu nos afeiçoamos um ao outro no mesmo dia que nos conhecemos — falei, irritada com toda a fala dela, mesmo tentando entender que de fora aquilo poderia ser estranho.
— Tanya, desculpe, mas nós não te chamamos aqui para pedir um interrogatório — Edward disse impaciente. — Isabella e eu queremos adotá-lo, faremos isso, mas não sabemos por onde começar e achamos que você como nossa advogada poderia nos guiar.
— Eu também não sei nada sobre adoção, nunca trabalhei com algo nesta área antes. — Tanya suspirou, nos olhando ainda em duvida sobre nossa decisão de adotar Matthew. — Eu poderia pesquisar e cuidar do caso, ou encontrar um advogado com foco nisso que saiba os guiar melhor, com mais sabedoria.
— Gosto da segunda ideia. — Edward assentiu. — Nada contra você, mas queremos o mínimo de problemas durante todo o processo, então se estivermos nas mãos de um profissional acostumado isso facilitaria nossas vidas.
— Claro — Tanya murmurou. — Eu pesquisarei um bom advogado na área...
— O melhor — a corrigi. — Queremos o melhor, não importa o quanto isso nos custe, nós queremos Matthew conosco.
— Certo, o melhor.
— Consegue isso ainda hoje? — Edward questionou. — Queremos começar o quanto antes.
— Vocês estão realmente certos disso, não? — Tanya disse, balançando a cabeça como se pudesse reorganizar seus pensamentos a partir daquilo.
— Totalmente certos.
***
Edward e eu tivemos de trabalhar depois do almoço, então eu estava mandando uma dúzia de e-mails, quando Ângela me interrompeu.
— Senhora Cullen, você tem uma visita — anunciou.
— Quem? — Tirei os olhos do computador, vendo Jasper atrás dela. — Pode entrar Jazz, obrigada Ângela.
Ela saiu, fechando a porta depois de Jasper entrar.
Ele não parecia feliz, eu conseguia entendê-lo depois de Alice romper tudo e praticamente fugir para Miami. Sequer conseguia retornar as ligações, ou mensagens dela, ainda chateada por ela não ter parado e me escutado.
— Você devia tirar algumas semanas de férias, quem sabe viajar — falei para Jasper, que sentou do outro lado da mesa, brincando com minhas canetas em meu porta-lápis.
— Edward precisa do vice-diretor — ele murmurou. — Eu não entendo porque ela se foi, Bella.
— Você sabe o motivo da partida dela, Alice sempre fugiu de qualquer relacionamento sério. — Estiquei minha mão para afagar seus cabelos. — Você deve ter sido o único namoro dela que durou mais de um mês.
— Então, dois anos foi o limite? — Ele expirou alto. — Escuta, eu sei sobre a merda de casamento que os pais dela tiveram, mas eu cresci vendo meu pai casar e divorciar, cresci o vendo pouco se importar para a família e só ligar para a política. Agora, Alice, ela... — Ele parou de falar. — Porra, Bella, eu a amo, eu realmente amo aquela mulher.
— Eu sei.
— Nunca fui tão feliz antes dela, mesmo quando éramos só amigos nos tempos da faculdade. Alice sempre enche tudo de alegria, ela me fazia muito feliz, por que ela não entende que eu nunca ia machucá-la?
— Talvez vocês pudessem tentar terapia de casal — sugeri, Jasper fez uma careta.
— Ela e eu nem somos mais um casal, Bella. Você lembra? Ela recusou o pedido, terminou o namoro e pegou o primeiro voo para a porra de Miami. Foda-se, eu devia estar por ai transando com cada garota que passasse pela minha frente e esquecer Alice.
— Isso não funcionaria.
Jazz deu de ombros.
— Desculpe vir até aqui enchê-la, mas mesmo Edward sendo meu melhor amigo acho que já o importunei demais com essa história, eu estou sendo realmente irritante e ele chegou muito feliz ao trabalho hoje. — Jasper deu um sorriso malicioso para mim. — Vocês mandaram ver em Forks, não? O chefe Swan ainda não os flagrou? Você roubou algemas do papai?
Peguei uma caneta, a atirando em Jasper que rapidamente desviou.
— Não, isso não é sobre sexo, seu pervertido.
— Ah, eu sou o pervertido? — Jasper gargalhou. — Não vou lembrá-la de que você estava...
— Não, não lembre — o interrompi, temendo um milhão de memórias constrangedoras do passado.
Jasper e eu rimos por um tempo, até que tudo recaiu em silêncio.
— Sinto muito por Alice ter ido embora — falei por fim. — Isso não foi justo com você, mesmo que ela tivesse recusado o pedido, terminado o namoro, podia ter feito isso com mais calma, respeitando seus sentimentos.
— Você não tem culpa sobre isso. — Ele deu de ombros.
— Você voltaria com ela? — perguntei, Jasper esfregou o rosto com ambas as mãos.
— Sim, provavelmente sim — ele sussurrou. — Isso com certeza me torna um fraco, Edward diz que eu devo devolver o anel, mas só consigo mantê-lo comigo porque ainda a imagino usando-o. Mas, eu não sei se mesmo a aceitando de volta em minha vida, ela aceitaria o anel e tudo que vem com ele. Então, isso realmente não depende de mim Senhora Edward. — Ele deu um sorriso pequeno. — Alice sabe que quero um casamento, filhos e todo o clichê de um conto de fadas, eu não voltarei com ela se ela não quiser o mesmo que eu. Sério, realmente entendo que ela não queira nada disso, só me sinto traído por ela não ter caído fora antes, Alice sabia que eu ia pedi-la em casamento um dia.
— Bom, se ela sabia e não foi antes, talvez isso indique que lá no fundo ela também queira — falei, Jasper não pareceu acreditar naquilo. — Jasper, apesar de ter ido embora, Alice te ama, você sabe disso, sabe que ela realmente te ama. Ela não teria vindo para Chicago senão fosse por você.
Ele me olhou confuso.
— O que quer dizer com isso?
Eu sorri, balançando minha cadeira.
— Quando eu disse a ela que você estava vindo para Chicago, para morar e tudo mais, Alice veio logo depois.
— Não, ela veio pela proposta de emprego que recebeu — ele me corrigiu, eu sorri mais um pouco.
— Ela tinha uma proposta na Vogue francesa, Jazz — contei, os olhos dele se arregalaram. — Ela tinha tudo certo, estava esperando só o contrato da revista que trabalhava em Milão romper para ir para Paris.
— Você está me dizendo que Alice recusou trabalhar na Vogue da França, provavelmente a mais importante do mundo da moda, só para vir para Chicago pois eu estaria aqui? — perguntou em um fio de voz, eu assenti.
— Ela achava que era a hora certa de fazer vocês dois acontecerem — confidenciei. — Por isso a mudança dela foi as pressas, era para ela estar aqui na festa de ano novo da família Cullen, já que sabia que você estaria lá e queria começar o ano novo ao seu lado, mesmo que ainda fosse como sua amiga.
Jasper respirou fundo, engolindo em seco.
— Então por que ela foi embora, Bella? Ela largou a Vogue Francesa por mim, isso é algo imenso para Alice!
— Porque ela estava assustada. Eu nunca vou dizer o que deve ou não fazer, Jazz, mas se Alice voltar espero que os dois possam ao menos tentar se entender, eu sempre torcerei por vocês, como vocês dois sempre torceram por mim e Edward. — Afaguei sua mão.
— Obrigado, você é a melhor amiga que alguém pode ter — Jasper agradeceu.
— Você não é tão ruim — brinquei, o fazendo rir.
— Eu tenho de voltar ao trabalho agora, seu marido está feliz depois de todo o sexo em Forks, mas ainda é meu chefe temperamental que irá me matar senão lhe entregar uma pilha de contas ainda hoje.
— Vá lá, faça seu trabalho e agrade meu homem — ordenei.
— Agradá-lo é com você, mas provavelmente fizeram isso demais em Forks e agora precisam de descanso. — Joguei outra caneta na direção dele, mas ele tinha um bom senso de direção. — Escuta, se você falar com Alice, pode dizer que estou bem? Que não estou em depressão, nem nada assim? Ela tem lotado minha caixa de mensagens perguntando como eu estou, provavelmente tem mais mensagens lá agora do que quando estávamos juntos.
— Eu a deixarei saber que você está bem — prometi. — Quer saber como ela está? Eu posso te dar noticias.
— Deixe-me saber. Realmente preciso ir agora — ele se levantou. — Mande um beijo para Ness, eu a levarei em um passeio assim que possível agora que é minha única namorada.
— Direi isso a ela.
Jasper saiu em seguida, então peguei meu celular, ligando para Alice, que atendeu no primeiro toque.
— Oi Bella — ela murmurou, sua voz embargada pelo choro.
— Bom, eu perguntaria como você está, mas pelo seu tom de voz claramente nada bem — murmurei de volta.
— Jasper está bem, certo?
— Sim, ele acabou de deixar meu escritório — contei. — Alice, volte para Chicago. Repense sobre o pedido, o termino. Porra, você e Jasper se amam, não perca isso — supliquei.
— Não posso voltar Bella. — Ela fungou.
— Alice...
— Como você e Ness estão? — ela mudou de assunto rapidamente.
— Ness está bem — respondi. — Eu, bom, eu estaria muito melhor se você não estivesse só em Miami e Jazz tão para baixo como está. Tem uma coisa muito grande e importante prestes a acontecer em minha vida, Alice. Você é minha melhor amiga, eu realmente gostaria que estivesse por perto para dividir isso comigo. Seus pais foram e são terríveis na função de pais, mas eu não acho que tenha sido uma amiga tão má assim, então volte para Chicago, okay? É como uma irmã para mim, é parte da minha família.
— Eu amo você, Bella — ela disse entre seu choro.
— Amo você também, Alice. Volte para casa — pedi mais uma vez antes de desligar.
***
Tanya encontrou o advogado que pedimos e marcou um horário para ele para a tarde seguinte, um tal de J.Jenks que era conhecido como o mestre da advocacia familiar. Ele realmente devia ser bom, pois Edward e eu estávamos desembolsando muito somente pela primeira reunião.
— O senhor Jenks irá atendê-los agora — a assistente do homem falou depois de uma esperar que achei longa demais, mas que ao menos teve café envolvido.
Ela nos conduziu até o escritório de Jenks, que ficava em um dos andares mais altos de um edifício luxuoso não muito longe do hotel.
— Senhor Jenks, o senhor e a senhora Cullen — a assistente nos anunciou.
Jason Jenks era um homem gordo, negro e careca. De óculos de graus e um terno que só de olhar eu podia dizer ser Armani, isso se devia ao tempo de convívio com Alice.
— Ora, eu realmente fiquei surpreso quando ouvi que teria alguém da popular família Cullen aqui hoje — Jenks disse, se levantando de sua cadeira, contornando a mesa até onde Edward e eu estávamos parados, a assistente pediu licença e saiu. — Divórcio? — Jenks sugeriu. — Devo dizer que isso é estranho, os casais não costumam usar o mesmo advogado nos processos de divórcio, eles nunca tem interesses em comum.
— Não, não estamos aqui por divórcio — Edward falou, estendendo a mão para o homem. — Sou Edward Cullen, esta é minha esposa, Isabella.
— É um prazer conhecê-lo, Edward — Jenks falou apertando a mão de Edward. — Eu nunca pensei que cruzaria com um Cullen, imaginei que vocês tivessem uma equipe própria de advogados mantidos de refém na torre do hotel para livrá-los de problemas.
— Nós temos. — Edward riu junto a Jenks,.
— Senhora Cullen. — O homem apertou minha mão.
— Apenas Bella — pedi. — E sim, nós não podemos usar os advogados do hotel, pois estamos a procura de um bom advogado especializado em assuntos familiares e nossa prima o recomendou.
— Interessante. — Jenks assentiu, coçando o queixo. — Sentem-se e me digam o que os trouxe aqui nesta bela tarde de terça-feira. — Apontou para o sofá do outro lado da sala.
Edward e eu sentamos em um, enquanto Jenks ocupou uma das cadeiras ali.
— Bella e eu estamos querendo adotar uma criança — Edward foi direto ao ponto. — Você já lidou com adoções antes, certo?
— Sim, é o terceiro tipo de caso que mais atendo depois de divórcios e brigas por custódia. O que tem em mente? Uma garota? No máximo até dois anos? Isso é bem simples na verdade, só precisam...
— Não, nós não queremos um bebê — eu o interrompi. — Nós conhecemos um garoto no mês passado, ele era morador de rua junto ao pai por alguns meses. O pai, Laurent, foi preso naquele mesmo dia por tráfico de drogas. Matthew, o garoto, foi mandado para um abrigo e de lá para a casa de uma tia. Eu recebi informações. — Fiz uma careta ao falar sobre meu suborno sobre Tia. — Que ele retornou ao abrigo.
— E vocês querem o adotar — Jenks concluiu. — Tudo bem, faremos isso. Mas vocês tem certeza? Quantos anos o garoto tem? Eu já tratei de casos de adoção tardia antes, isto nem sempre acaba bem, fora que...
— Você pode pular isso — Edward pediu, dividido entre o tédio e a irritação. — Nós queremos adotar Matthew, não estamos mesmo pensando em voltar atrás agora que já estamos te pagando um Rolex novo só com essa primeira visita.
Jenks riu assentindo.
— Você é um homem de negócios, Cullen.
— Diretor financeiro, acredite, eu sei que seu preso é abusivo — Edward falou. — Mas estamos dispostos a pagar, tudo que queremos em troca é apenas a garantia de que a guarda de Matthew será nossa.
— Eu posso lhes garantir isso. — Jenks se colocou de pé, indo até sua mesa e pegando uma pasta de uma gaveta. — Okay, vamos falar de adoção. — Ele me entregou a pasta, a abri, vendo uma dezena de formulários e folhetos lá. — Há basicamente dois tipos dela, adoção internacional e adoção doméstica. Como o caso de vocês não é a primeira, falaremos sobre a segunda. Adoção doméstica é basicamente dividida em duas, uma é a Foster Care, que consiste em famílias que cedem suas casas, seu tempo e seu amor. — Ele revirou os olhos. — Para crianças que estão afastadas dos pais biológicos, seja temporariamente, ou definitivamente, em alguns casos os Foster Parents pedem a adoção definitiva dessas crianças, mas isso também não se encaixaria a vocês, já que basicamente escolheram a criança que querem adotar. Então, nós seguiremos o outro meio da adoção doméstica, a adoção privada.
Peguei um dos folhetos ali falando sobre isso, repassando a Edward que o leu rapidamente.
— Entraremos em contato com uma agência de adoção, que fará o intermédio entre vocês e o Estado para que consigam a guarda provisória do garoto.
— É necessário usarmos mão da tal agência? — Edward questionou.
— Sim. — Jenks confirmou. — Há uma pilha de burocracia a cumprir, isso incluiu cursos que as agências ofertam e vocês terão de passar, além do mais elas são os braços do governo.
— Você disse guarda provisória? — eu indaguei. — Não queremos a guarda provisória, queremos adotar Matthew.
— Vocês precisaram de alguns meses teste, é rotineiro, algo em torno de uns seis meses para que convivam com a criança. No fim deste período, todos serão avaliados e o juizado dirá se estão aptos ou não a ganharem a guarda definitiva — Jenks explicou. — Vocês tem uma boa situação financeira, mas eu preciso saber se tem uma vida matrimonial estável. Brigas, traições, qualquer coisa que possa afetar ainda mais uma criança que já está afetada, se tiverem, é possível que nem a guarda provisória ganhem.
— Mais de onze anos de relacionamento, quase dez de casamento, uma filha de dez e sem traições, brigas fora do comum, ou qualquer tipo de violência domestica — garanti, Jenks assentiu.
— Ótimo, os psicólogos os avaliarão melhor. Podemos começar ainda hoje? Eu preciso da documentação de vocês, o nome do garoto e mais algumas coisas. — Ele se dirigiu até seu computador. — Isso lhe custará mais, senhor Cullen — falou para Edward, que lia os panfletos com atenção.
— Eu disse, nós estamos dispostos a tudo — Edward murmurou. — Pode dar inicio ao processo — falou para Jenks, mas seus olhos se encontraram com os meus. — Está tudo bem para você, querida?
— Tudo ótimo. — Afaguei seu rosto.
Sim, ele com certeza tinha me feito quebrar a terceira regra naquele Halloween de 2005. Mas, ali naquela tarde de março ele me fez quebrá-la ainda mais, pois eu estava mais do que nunca apaixonada por aquele homem.
***
Na quarta Edward e eu conseguimos novas informações sobre Matthew, nada grandioso. Tia apenas me garantiu que ele estava bem, eu me apeguei a isso, sem querer imaginá-lo sofrendo no abrigo.
Jenks já estava cuidado do inicio do processo, mas pediu que Edward e eu mantivéssemos a calma. Ele iria nos conseguir permissão para visitar Matthew o quanto antes também, então eu realmente estava tentando me manter pacífica, ou surtaria com tudo aquilo.
— Oi Esme! — Atendi a ligação da minha sogra na hora do almoço aquele dia, eu estava comendo em minha sala, enquanto revisava a agenda do mês de abril para o hotel.
— Hum Bella, filha, desculpe atrapalhar. — Tinha algo em seu tom de voz que era muito estranho, baixo e choroso.
— Ei, tudo bem? — Deixei a comida de lado.
— Sim, sim. — Ela forçou uma risada. — Mas, será que podia vir até aqui rápido?
— No seu escritório?
— Ah não, eu estou em casa, filha.
— Em uma quarta-feira no meio do dia? — perguntei confusa, pegando minha bolsa, calçando meus saltos de tortura e marchando para fora da minha sala.
Esme tinha seu trabalho no escritório de arquitetura, era estranho vê-la em casa no meio da semana aquele horário.
— Sim, mas se estiver ocupada eu entenderei — falou.
— Não, eu posso ir, chego ai o mais rápido possível.
— Okay, filha, apenas não deixe ninguém saber que está vindo, certo? — pediu.
Isso incluía Edward, o que rapidamente me preocupou.
— Esme, o que está acontecendo?
— Nós conversamos aqui. — Ela desligou, aquilo não me manteve calma, de forma alguma.
Eu avisei a Ângela que estava de saída, que mesmo se o Papa fosse chegar ao hotel aquele dia, não queria ser atrapalhada, mandando-a cuidar de tudo no meu lugar junto de Emmett. Dispensei Félix, sem saber o quanto de tempo ficaria com Esme, pegando um táxi.
— Olá senhora Cullen, a...
— No quarto? Eu estou indo — cortei a fala da empregada que me deixou entrar na casa dos meus sogros.
— Sim, no quarto. — Ela confirmou, pegando meu casaco.
Eu rapidamente subi as escadas, indo para o quarto de Esme e Carlisle. O lugar estava totalmente no escuro, mas eu ainda podia ver a silhueta da minha sogra debaixo das cobertas.
— Esme? — Sentei ao seu lado, ela chorava baixinho, o que me deixou angustiada. Liguei o abajur, vendo seu rosto vermelho e molhado por lágrimas. — Esme, por favor, conte-me o que aconteceu — implorei em desespero.
— Ah Bella. — Esme abriu os olhos, verdes como os de Edward e Renesmee que eu tanto amava, mas odiava quando estavam vermelhos por choro.
— Conte-me. — Afaguei seus cabelos.
Esme se sentou na cama, usava um roupão branco, suas mãos tremulas envolveram a minha.
— Eu estava no banho esta manhã, depois que Carlisle saiu para o trabalho, as meninas para a escola e Rosalie para o clube. — Ela respirou fundo. — Ela adora nadar, aproveitou a melhora no clima e...
— Esme, o que está acontecendo com você? — Limpei as lágrimas de seu rosto, mas mais delas vieram.
— Eu senti algo no banho — contou, soluçando. — Em minha mama esquerda, um nódulo.
Minha mão caiu de seu rosto, enquanto as palavras faziam sentido para mim.
— Posso estar doente — ela sussurrou, abraçando a si mesma. — Eu posso estar com câncer, Bella. — Chorou ainda mais, queria fazer algo, mas ainda estava paralisada com suas palavras.
— Não, não, você não está — falei em choque. — Isso. — Senti as lágrimas em meu rosto, por fim abraçando Esme. — Vamos ao médico, agora mesmo! — Tentei puxá-la para fora da cama.
— Eu marquei uma consulta com a minha médica para a amanhã. — Ela me manteve sobre a cama. — Bella, filha, eu não sei o que fazer.
— Vamos chamar Edward, ele...
— Não, não — Esme segurou em meu rosto, fazendo com que eu a olhasse. — Não conte para ninguém ainda, eu nem sei se estou mesmo doente — ela forçou um sorriso. — Pode ser apenas um nódulo normal, alguma coisinha estúpida. Não quero preocupar todos com algo que pode ser nada.
— Vai ficar bem. — Beijei sua bochecha. — Tem de ficar, por favor, nós precisamos de você aqui. — Solucei. — Eu irei ao médico com você amanhã, estarei ao seu lado em todos os exames, você está certa, isso é apenas um nódulo benigno, não encontrarão nada. — Voltei a apertá-la em meus braços. — Esme, você é como uma mãe para mim — sussurrei.
— Eu sei, filha, eu sei.
Então, nós duas choramos pelo resto da tarde.
***
Eu voltei para casa tarde aquele dia, depois de passar o resto dele com Esme. Rosalie estava finalmente fora de casa se distraindo, então buscando as garotas na escola e indo ver alguns apartamentos com elas, Carlisle no trabalho, o que me fez ficar com Esme, sem querer deixá-la só.
— Ei, você demorou, onde esteve? — Edward perguntou quando entrei em nosso quarto, ele estava na cama, mexendo em seu notebook. — Não estava no hotel quando passei lá para buscá-la, Ângela não sabia dizer onde estava. — Ele olhou para mim. — Tudo bem? Você parece cansada.
— Estava resolvendo algo, nada com que se preocupar — menti.
A mãe dele podia ter câncer, porra!
Como Edward e o restante da família reagiria a isso? Esme era o pilar mais forte daquela família, sempre foi, unindo todos com seu grande amor..
— Okay — Edward concordou, mas notei a desconfiança em sua voz. — Sabe que pode me dizer qualquer coisa, certo? — Concordei com um aceno de cabeça. — Bom — ele mudou de assunto. — Eu estava pesquisando um pouco sobre como contar aos filhos que terão irmãos, já que diremos a Ness na sexta-feira — contou, sorrindo.
— Matthew — murmurei o nome.
Esme ficaria bem para ser avó dele, certo? Ele merecia uma avó tão maravilhosa quanto ela. Merecia um quarto minimamente decorado pela avó, merecia ser uma das pessoas a estar com ela nas festas de fim de ano, as preferidas de Esme.
— Bella, o que está acontecendo? — A voz de Edward próxima a mim foi um alarme, eu estava chorando novamente, com ele parado a minha frente. — Querida, por favor, me fale o que está acontecendo. — Edward beijou minha testa.
— Apenas me abrace — pedi, ele o fez sem mais questionamentos. Eu sabia que iria ter muito o que suportar ao lado dele se Esme estivesse realmente doente, então me agarrei a Edward, prometendo silenciosamente a ele que tudo ficaria bem, para todos nós.
Fale com o autor