Nossa Família
42 Capítulo Quarenta e Um — Escola
Notas iniciais
— Capítulo Quarenta e Um —
— Escola —
Isabella Cullen
Meu relógio biológico estava uma grande bagunça, pois aquele foi outro dia que acordei antes de Edward. Me remexi na cama, olhando para o lado e me deparando com meu marido apagado, ele dormia de lado, agarrado ao travesseiro, parecendo muito com Ness quando ela dormia agarrada a algum bichinho de pelúcia, ele tinha até um biquinho em seus lábios.
Sequer me recordava de ter ido para cama noite passada, ou mesmo de ter trocado as roupas da festa pelas confortáveis que estava usando. Sendo assim, deduzi que Edward tinha cuidado de tudo aquilo por mim, o que só me fazia ter certeza de que eu tinha o melhor marido do mundo.
Toquei no rosto de Edward, pensando naquela noite tantos anos antes, quando aquele garoto encrenqueiro, vestido de Gangster tomou coragem e foi até mim. Quem poderia dizer que iríamos tão longe? Eu com certeza não achei que nós dois duraríamos tanto, não quando deixei Edward sozinho em sua cama após nossa primeira noite.
Sorri para ele, agradecida por aquele mesmo garoto encrenqueiro ter no dia seguinte ido até mim novamente. Eu sabia que se Edward não tivesse me procurado naquela manhã, meus receios não me deixariam ir atrás dele e isso poderia ter me mantido longe dele para sempre.
Sem ser delicada, eu arranquei o travesseiro de Edward. Meu marido despertou de uma única vez, ainda sonolento, encarou-me confuso. Não falei nada, apenas tornei nula a distância entre nós dois na cama, unindo nossos lábios.
— Porra, sexo matinal! — Edward exclamou animado, interrompendo nosso beijo para dizer aquilo.
— Cala a boca, Edward! — ordenei, subindo em cima dele, voltando a atacar sua boca.
Suas mãos poderosas agarraram minha bunda por cima do short de pijama que eu usava, fazendo com que eu gemesse alto. Edward riu baixinho, mas não voltou a interromper o beijo por muito tempo.
Sem que eu pudesse protestar, Edward inverteu nossas posições, deitando-se sobre mim. Ele tinha o cobertor sobre si, o que nos esquentava como o inferno, mas não tive tempo de tirá-lo, pois estava mais concentrada em começar a tirar meu short e calcinha, enquanto Edward puxava sua calça de moletom para baixo.
— Ei. — Sorriu maliciosamente para mim, colocando-se entre minhas pernas.
— Ei. — Devolvi o sorriso.
— Mamãe! — o grito ecoou pelo quarto, ao mesmo tempo em que ouvíamos a porta batendo com força.
Sai rapidamente debaixo de Edward, com a maior agilidade que pude sentando a cama e mantendo a coberta sobre a gente. Meu marido ficou deitado de bruços, com o rosto enfiado no colchão, escondendo sua ereção como podia.
— O que vocês estavam fazendo? — Nessie perguntou desconfiada, ela estava parada junto a nossa cama, com os braços cruzados na frente do corpo.
— Conversando — respondi, pigarreando.
Renesmee arqueou uma sobrancelha para mim, mantendo sua desconfiança em alta. Eu tinha explicado a coisa toda de sexo para ela, quando minha menina teve sua primeira menstruação e tivemos nossa grande conversa, mas tentei ser o menos gráfica possível.
— Conversando, sei — Ness falou, rolando os olhos verdes.
— Ei, o que você quer aqui mesmo? — indaguei impaciente, por estar sendo confrontada por uma garotinha de dez anos, como também por ter tido meu sexo atrapalhado.
Edward ao meu lado riu baixinho, eu dei um tapa no braço dele, querendo o calar. Ele já não estava ajudando, não precisava terminar de dificultar a situação.
— Quero saber se podemos ir logo buscar o Fred e o George no veterinário — ela falou, ficando imediatamente sorridente.
— É cedo demais para isso — afirmei. — Além do mais, você tem aula hoje, mocinha.
Renesmee bufou.
— Papai?
— Eu não vou contra a decisão da sua mãe, Renesmee — Edward respondeu com autoridade em sua voz, se remexendo na cama e sentando ao meu lado, não mais duro, merda.
— Mas, eu quero ir buscá-los — Renesmee se queixou.
— Eles estarão aqui quando você voltar da aula, Renesmee — garanti, tateando ao redor na cama buscando pela parte debaixo das minhas roupas.
— Acho que estou doente. — Minha filha forçou tosse. — Não posso ir para a aula assim. — Mais uma tosse falsa. — Eu posso ter uma pneumonia, ou coisa pior. — Ela tocou em sua testa. — Tenho certeza de que estou com febre, em poucas horas eu vou acabar desmaiando por fraqueza — dramatizou.
— Você não é tão boa atriz quanto pensa, Renesmee — Edward declarou, também se movendo na cama e colocando sua calça. — Vai para a aula, não importa o quanto tente nos convencer do contrário.
Por que ele tinha que ficar tão sexy sendo mandão?
— Ok, eu não estou doente — Renesmee admitiu.
— Jura? — Encontrei minhas roupas, as vestindo como pude por baixo da coberta.
— Mas — Nessie continuou. — Eu deveria ficar em casa e fazer companhia para o Matthew, é injusto que ele fique aqui sem a irmã legal dele.
Até aonde o ego Cullen chegava?
— Renesmee, você vai para a aula! — Edward exclamou, saindo da cama. — E seu irmão vai ficar em casa com Nelly, ok? Não estamos pedindo sua opinião para nenhum dos casos, tudo está resolvido.
— Isso é injusto, os Estados Unidos é um país democrático, papai, minha opinião deveria ser levada em conta aqui, não estamos vivendo em uma ditadura.
— Garota, você só tem dez anos, pare de falar como se tivesse mais — Edward exigiu, guiando Renesmee para a porta do quarto.
— Na verdade, estou pensando em virar presidente dos Estados Unidos no futuro.
Edward me encarou perplexo, eu não pude deixar de rir.
— É sério, mamãe — Renesmee afirmou. — Vou lutar pelos direitos dos fracos e oprimidos, ou seja, as crianças que não podem tomar suas próprias decisões, como eu nesse momento.
— Você conversou com o Carlisle na festa ontem, não conversou? — Edward indagou.
— Sim, o vovô falou uma porção de coisas, ele sempre fala muito quando bebe e come bolo. — Nessie deu de ombros, divagando. — Vovô Carlisle falou que eu seria uma ótima política, ele disse que financiaria toda minha campanha, legal, né? Eu vou morar na Casa Branca!
— Ok, mas se você quiser ser presidente dos Estados Unidos um dia, mocinha, vai ter de ir para a escola e estudar. — Edward escancarou a porta para ela sair. — Comece indo tomar um banho, depois se arrumando para sua aula.
— Democracia, pai! — Foi o último grito de Renesmee antes de Edward fechar a porta.
— Ok, vamos voltar de onde paramos! — Edward voltou a ficar por cima de mim na cama, distribuindo beijos por meu pescoço, enquanto deslizava uma mão para dentro do moletom dele que eu usava, tocando em meu seio esquerdo, fazendo com que um suspiro fraco escapasse dos meus lábios.
— Vamos começar do ponto: você se esqueceu de trancar a porta noite passada — resmunguei, mesmo adorando os beijos e o toque dele. — Sabe que tem que trancar, Edward!
— Quietinha, querida, posso confirmar que tranquei a porta agora. — Ele se afastou de mim, o suficiente para tirar o moletom do meu corpo. — Ninguém irá nos atrapalhar, prometo.
Seus beijos em meu pescoço não demoraram muito, logo ele começou a descer seus lábios por meu corpo, chegando aos meus seios. Voltei a gemer alto, segurando nos cabelos de Edward, enquanto o sentia me tomar para si.
— Querido, você tem certeza? Se continuarmos nisso você não terá tempo para malhar — falei, olhando a hora no relógio ao lado da cama.
— Posso ficar sem malhar hoje. — Uma de suas mãos foi para o meio das minhas pernas, infiltrando-se sob minhas roupas. — Já que você não quer malhar, vamos gastar calorias por aqui mesmo.
Seu olhar travesso se encontrou com o meu, enquanto Edward erguia sua mão, levando aos seus lábios seus dedos que antes estavam dentro de mim.
— Além do mais, estou faminto, querida.
— Edward — gemi seu nome, ele riu, puxando meu short e minha calcinha para longe.
— Tente não gritar, muito — pediu, antes de colocar seu rosto entre minhas pernas, bem no momento que ouvimos uma batida na porta, seguido por um chamado.
— Tia Bella?
— Sério? — Edward reclamou quando o afastei. — O que deu nessas crianças para acordarem tão cedo? — Entregou para mim minhas roupas, eu me vestia o mais rápido que podia.
— Não sei. — Lancei um sorriso pequeno a Edward. — Só um instante, Matt! — gritei para ele, passando o moletom por minha cabeça.
Terminei de me vestir e fui até a porta, a abrindo e dando de cara com Matthew. Meu garotinho tinha os olhos estreitos, indicando que ele ainda estava sonolento, mas sorriu para mim quando me viu e aquilo me fez sorrir de volta, mesmo que ele e a irmã tivessem tirado o dia para atrapalhar meu momento matinal com o pai deles.
— Bom dia, amorzinho. — Beijei o topo da cabeça de Matthew, o cabelo dele estava seco, ou era seco...
Eu não sabia como lidar muito bem com aquilo, sendo que os cabelos dele eram crespos, eu tinha comprado para ele o mesmo shampoo de Ness, que tinha cabelos cacheados, mas não estava funcionado de verdade. Os dela eram cacheados, só que mais soltos. Precisava arranjar um shampoo melhor para Matthew, ou sei lá, alguém que entendesse de cabelos crespos para que tratasse os dele, visto que eu não entendia.
— Tia, eu estou com sede — ele disse, soando culpado.
— Pequeno, você pode descer e beber água — esclareci, afagando seu rostinho.
— Tudo bem por aqui? — Edward apareceu na entrada do quarto junto da gente, sua mão acariciando minhas costas, chorei internamente, pois já estava óbvio que não iriamos ter sexo aquela manhã. — Ei, filho! — Beliscou a bochecha de Matt, que fez uma careta.
— Matt quer beber água, eu estava dizendo a ele que pode descer e beber, quando quiser — salientei. — Não é, querido? — perguntei a Edward.
— Claro que sim! — Edward concordou prontamente. — Esse apartamento é seu também, Matt — lembrou ao nosso filho. — Você pode circular por ele livremente. — Meu marido franziu o cenho. — Pelas áreas comuns, salas, cozinha, é bom bater sempre na porta do quarto dos outros antes de sair entrando, ok?
— Deveríamos ter ensinado isso para Renesmee — cochichei.
— Banheiros também — Edward acrescentou.
— Ok — Matt concordou.
— Por que nós dois não descemos juntos? — Segurei na mão de Matt. — Também preciso de água, de preferência bem gelada!
Edward gargalhou, entendendo meu ponto.
— Por que, tia Bella? — Matthew indagou confuso.
— Está quente — suspirei frustrada.
Matthew e eu encontramos com Nelly na cozinha, logo eu estava a ajudando com o café da manhã, enquanto nós três conversávamos sobre a festa de aniversário do dia anterior. Tinha sido um dia mágico para mim, sendo o primeiro aniversário de Matt conosco.
Olhei para ele, que bebia sua água, e sorri largamente. Aquele era só o começo dos nossos caminhos seguindo juntos, ainda teríamos mais uma porção de aniversários para comemorar, como natais, dias da independência, ação de graças e todo o resto. Pois, Matthew era nosso filho e estava em casa.
Claro, ainda estávamos na guarda provisória e não era nada concreto, mas Matthew era meu filho. Ninguém iria tirá-lo de mim, eu pelo menos não conseguia pensar nisso sem surtar, sendo assim afastei aquele pensamento da minha mente.
Matthew ficaria conosco, para sempre e isso era tudo.
— Que horas você vai buscar os filhotes? — Nelly me perguntou, entregando-me um copo de suco.
— Por quê? — perguntei com provocação na voz. — Você quer ir comigo, dona Nelly? — Eu com certeza tinha percebido como ela ficou interessada no veterinário, Albert.
— Ei, cuidado com o que insinua! — Nelly mandou, dando um sorrisinho em seguida. — Mas, sim, eu gostaria de ir. — Piscou para mim.
— O que acha de irmos na hora do almoço? — perguntei para ela e me voltei para Matthew. — Quer ir buscar George e Fred conosco na hora do almoço, pequeno? Eu passo aqui para pegar vocês, então vamos ao pet shop.
— Quero sim! — Matthew concordou animado sobre aquilo.
— Excelente! — Estiquei minha mão para ele, ganhando um high five de volta.
— O que estamos tramando? — Edward entrou na cozinha, usando suas roupas de malhação.
— Estamos nos programando de ir buscar Fred e George no pet shop, na hora do almoço. — Nelly passou um copo de suco para Edward também. — Ah, não se esquece de que vou tentar uma hora com a diretora da escola para ainda hoje, então você tem de estar atento caso precisemos sair a qualquer momento — falei para Edward, que fez uma careta, antes de beber um pouco do suco.
— Preciso mesmo ir falar com a diretora? Sabe que ela... — Olhou rapidamente para Matt, se calando antes que falasse sobre sua péssima reputação com a diretora Hanson.
— Sim, você precisa — confirmei.
— Animado sobre ir para a escola logo mais, Matt? — Nelly perguntou a ele, que se encolheu.
— Sei lá — foi tudo que respondeu, ela sorriu carinhosamente para ele e afagou seu braço.
— Você vai se sair muito bem na escola — Nelly garantiu.
Respirei fundo, trocando um olhar ansioso com Edward. Será mesmo que Matthew se sairia bem naquela escola cara e elitista?
Edward se aproximou de mim e beijou minha testa, depois sussurrou em meu ouvido:
— Ele ficará bem. — Assenti, forçando um sorriso para meu marido. — Vou malhar, quer vir comigo?
— Não mesmo. — O empurrei, Edward riu. Ele terminou de beber seu suco, então saiu.
Algum tempo depois de Edward sair, Renesmee apareceu, já pronta para a escola.
— Bom dia, Matt! Bom dia, tia Nelly! — exclamou com animação para os dois, mas olhou para mim e tossiu.
— Não vai funcionar — afirmei, ela suspirou alto, arrumando seus óculos no rosto.
— Eu estou com tosse de verdade, mamãe.
— Ah é? Então, eu acho que terei de te levar ao médico — ameacei, ela negou rapidamente com um aceno de cabeça.
— Passou, estou ótima, novinha em folha.
— Foi o que pensei, vou me arrumar para o trabalho, vocês dois comam frutas e sejam saudáveis — falei para meus filhos, Nessie resmungou e Matt não pareceu muito contente com a ordem, mas não protestou.
Como ninguém estava atrasado aquele dia, eu tomei a liberdade de tomar um banho mais demorado. Quando estava saindo do chuveiro, Edward estava voltando da academia, todo suado e sendo um pecado para mim, mas se eu tentasse algo iríamos mesmo nos atrasar.
— Olá, querida! — Ele arrancou sua regata. — O que acha de tomar um banho comigo?
— Acho que nem pensar. — Passei por ele, para ir até o closet me arrumar, ouvindo Edward rir. — Você está pronto para o coquetel na sexta? Como para a votação do conselho na segunda? — perguntei para Edward, algum tempo depois, enquanto ele colocava seu terno e eu me maquiava.
— Claro — Edward respondeu, mas não soava confiante.
— Querido, sabe que pode ser sincero comigo. — Larguei o batom sobre a bancada da pia, virando-me para Edward, arrumando sua gravata.
— Estou uma pilha de nervos — confessou. — Mas, eu sei que o coquetel vai ser nossa garantia de que o conselho votará para que papai continue no cargo dele.
Passei a mão pelos ombros de Edward, alisando seu terno.
— Eleazar não será capaz de tirar o cargo do seu pai.
— Sim, mas isso quer dizer que em seguida ele tirará o investimento — Edward murmurou. — Bom, estou presumindo isso, porém ele claramente quer nos atingir e isso será o meio mais fácil.
Respirei fundo, aproximando-me de Edward, meus olhos fixos nos dele.
— O Grupo Cullen continuará de pé, senhor Cullen. — Sorri de lado, tocando no rosto de Edward com uma mão. — Eu ainda vou ser a esposa do presidente um dia, não?
Edward sorriu, pressionando suas mãos em minha cintura.
— Você com certeza será a esposa do presidente um dia, querida — declarou.
Em seguida os lábios dele estavam nos meus, selando nossa promessa.
***
Edward e eu tomamos nosso café, então precisamos nos preparar para a separação iminente de Matthew.
— Nós precisamos ir para o trabalho, a Nessie para a escola — Edward explicava, enquanto ainda estávamos à mesa do café. — Gostaríamos muito de passar o dia inteiro com você, Matt, mas infelizmente não é possível.
Se pelo menos o futuro do Grupo Cullen não estivesse em risco, pensei, poderíamos tirar umas férias.
— Você verá a Bella na hora do almoço, então nós dois estaremos em casa no fim do dia, Renesmee também. Ai, nós vamos jantar todos juntos, beleza? — Sorriu para Matthew, que concordou, sorrindo também.
— Beleza.
— Fora que você vai ficar com a tia Nelly — Edward disse. — Ela é muito legal e vai cuidar muito bem de você, filho. E você terá Fred e George aqui após o almoço, ai vai brincar com os filhotes o quanto quiser.
Matthew sorriu ainda mais ao ouvir aquilo, Renesmee, que raspava o pote de geleia, tossiu.
— Não — neguei a ela, que deu uma generosa mordida em sua torrada.
— Logo você irá para a escola com a Nessie, vai aprender várias coisas legais e conhecer um monte de gente bacana. — Notei na voz de Edward o quanto ele teve de se esforçar para fazer parecer que a escola era algo bom, coloquei uma mão na frente da boca, apenas para esconder meu sorriso sobre aquilo.
— Naquela escola que parece um castelo?
— Lá mesmo.
— Vou te apresentar a todo mundo, principalmente ao Ash — Nessie prometeu, Edward bufou.
— Precisamos ir agora — falei, antes que nos atrasássemos.
Me voltei para Matt, o abraçando com força.
— Tia, você está me sufocando — ele se queixou, fazendo com que eu risse e o soltasse.
— Amo você — falei, beijando seu rosto, deixando Edward o abraçar e beijar também.
— Amo você também, garoto, qualquer coisa peça a tia Nelly que nos ligue. — Edward o abraçou novamente, parecendo relutante em soltá-lo.
Eu tossi, indicando a Edward que precisamos ir. Renesmee me olhou, com humor em seu rosto.
— Você está doente, mamãe?
— Não.
— Sabe, se isso for contagioso melhor todos nós ficarmos em casa de quarentena — ela sugeriu.
— Boa tentativa, Princesa. — Edward soltou Matthew por fim, que deu um pequeno sorriso para o pai. — Mas, você vai para a escola, sim.
— Aproveita suas férias por mim, Matthew — Renesmee pediu choramingando.
Levamos mais alguns minutos, mas, finalmente nós três deixamos o apartamento. Depois, claro, de eu fazer Nelly jurar mil vezes de que me ligaria caso algo acontecesse.
Felix estava trabalhando aquele dia, então ele nos conduziu para a escola de Nessie, onde a deixamos mesmo sob seus protestos. Depois, conduziu Edward e eu para o hotel.
Durante o caminho meu marido me contou sobre Matthew e ele terem tido uma conversa na madrugada, aparentemente nosso filho tinha feito seu desejo de aniversário, pedindo que Laurent fosse até ele. Aquilo partiu meu coração, mas o que poderia fazer? Laurent era um presidiário, que tinha perdido a guarda do filho, isso era tudo.
— Vejo você depois, querido. — Beijei Edward rapidamente quando saímos do carro, antes de ele seguir para a torre empresarial, me deixando entrar no hotel.
Cumprimentei todos que passavam por mim, seguindo para minha sala. Como Emmett tinha ficado trabalhando o dia inteiro no domingo, ele não estaria no hotel aquele dia, o que me impedia de fofocar sobre seu encontro com minha cunhada.
Enquanto checava toda minha agenda do dia, pedindo que Ângela conseguisse nossa hora com a diretora Hanson, eu também checava que meus pais, minha irmã e todos os outros tinham chegado bem em seus destinos finais depois de seus voos.
Quando tudo estava certo, decidi fazer uma ronda sem compromisso pelo hotel. Apenas para ver como tudo estava indo com aquele grande prédio propenso a problemas.
Eu estava andando por um corredor de quartos, quando vi um carrinho de limpeza atravessado no meio do caminho. Aquilo era totalmente negligente da parte da pessoa responsável por ele, os hóspedes não precisavam ficar o removendo de lugar, não era uma preocupação que deviam ter.
— Quanto despreparo — reclamei, colocando o carrinho como ele deveria ficar. Precisava alertas as camareiras responsáveis por aquilo, talvez fossem novas e ainda estivessem pegando o jeito da coisa, mas era algo que precisava ser aprendido logo.
— Edward Cullen é tão gostoso. — Ouvi a voz feminina falar de dentro da suíte. — Deus, toda vez que vejo aquele homem tenho vontade de o agarrar. Todos meus pensamentos sobre ele são obscenos, o derrubaria nessa cama agora mesmo. — Uma risada ecoou. — Sério que ele é casado com aquela gerente sem graça?
Furiosa, eu entrei no quarto, pisando firme em meus saltos. As duas camareiras lá me encararam apavoradas, era bom que elas estivessem assustadas.
— Sim, ele é casado com a gerente, que sou eu!
Uma das mulheres estava confortavelmente deitada na cama, trajando um vestido que com toda certeza não era seu uniforme de trabalho, enquanto a outra passava produtos de limpeza nos móveis. A mulher limpando tinha cabelos pretos crespos, era de baixa estatura, acima do peso e negra. A que estava na cama tinha um nariz grande, era magra e parecia ser da minha altura, tinha traços indianos e cabelos pretos bem lisos.
— Levante-se — ordenei para a mulher na cama, pela folga dela sabia muito bem quem tinha dito tudo aquilo sobre meu marido.
— Se-Senhora Cullen — ela gaguejou, levantando-se.
— De quem é essa roupa? — indaguei, apontando para o vestido que ela usava.
— Da hóspede desse quarto — a outra mulher respondeu rapidamente. — Eu disse pra Naomi que ela não podia pegar nada dos hóspedes, senhora Cullen, juro que não fiz nada.
— Quem lhe deu o direito de usar o vestido de uma hóspede? — questionei a tal Naomi, nome ridículo, diga-se de passagem.
— E-Eu s-só — Naomi voltou a gaguejar.
— Ah, você está com algum problema de fala, meu bem? — debochei, pegando meu celular e colocando na câmera, tirando uma foto dela naquele vestido.
— Senhora Cullen — disse aterrorizada.
— Apenas uma pequena prova do seu erro. — Pisquei para ela, que empalideceu ainda mais. — Agora, eu quero que você tire esse vestido, o coloque onde encontrou, vista-se com seu uniforme e venha comigo.
Ela ficou parada, parecendo que não tinha conseguido processar o que falei.
— Você precisa de uma ajuda? — Franzi o cenho. — Talvez eu devesse chamar os seguranças para te tirar daqui?
— Não, não precisa — falou, logo indo fazer o que mandei.
— Senhora Cullen — a outra falou, com a voz chorosa.
— Qual seu nome?
— Camila. — Assenti, mas não disse nada. Ainda com meu celular mandei as mensagens necessárias, queria cuidar de tudo aquilo logo.
Não demorou muito para Naomi retornar, usando seu uniforme. Os olhos dela estavam tomados por lágrimas, ela abriu a boca para dizer algo, entretanto a cortei antes disso.
— Me acompanhem — ordenei para as duas.
— Senhora...
— Me acompanhem! — ordenei por uma segunda vez.
Quando saímos da suíte outras duas camareiras já estavam à espera para acabar o trabalho, como eu tinha requisitado em uma das minhas mensagens. Eu coloquei Naomi e Camila em um dos elevadores de serviço, a primeira já chorava, o que me causava dor de cabeça.
Minha grande vontade era apertar minhas mãos ao redor do pescoço dela, até fazer aquela mulher parar de chorar, consequentemente parar de respirar também. No lugar disso, eu me contive e continuei mantendo minha pose.
Nós chegamos ao setor de recursos humanos do hotel, onde a Governanta-Executiva, a responsável pelas camareiras, já se encontrava como eu tinha exigido. A mulher, de longos cabelos castanhos, com seus quarenta anos, me olhou com temor.
— Bom dia, senhora Cullen — Josie saudou, seu olhar se voltou para Camila e Naomi, ficando severo. — O que vocês duas aprontaram?
— Naomi estava usando o vestido de uma hóspede — contei, mostrando a foto para Josie, depois enviando para o celular dela. — Como também tinha opiniões bem interessantes sobre mim, o que disse mesmo, Naomi?
Ela ficou muda, encarando o chão.
— Estou aguardando uma resposta.
— Eu disse que você era sem graça — murmurou.
— E falou o que sobre o senhor Cullen? Que aliás, não é seu chefe diretamente, mas é um dos seus chefes ainda assim.
Naomi não respondeu, soluçando.
— Ela estava tecendo comentários de cunho sexual sobre Edward Cullen — expliquei para Josie, que arregalou os olhos. — O diretor financeiro do Grupo Cuullen Hotels, bem no meio do expediente dela, enquanto estava deitada na cama da suíte, trajando roupas de uma hóspede.
Olhei para Naomi.
— Você está demitida, por justa causa.
— Não, senhora Cullen, por favor, não! — a mulher, que devia ter menos de trinta anos, se atirou no chão aos meus pés, agarrando minhas pernas. — Prometo que nunca mais falo da senhora, ou do seu marido...
A afastei de mim, dando alguns passos para trás antes que não resistisse à tentação de chutá-la.
— Está demitida — repeti. — Você levará uma advertência, por não ter reportado a sua superior sobre o comportamento errôneo de Naomi — alertei Camila, que assentiu, parecendo aliviada. — Quanto a você. — Me voltei para Naomi. — Está sendo demitida por justa causa, mas, nós adoraríamos te entregar uma carta de referência, deixando bem claro como seu serviço funciona. Você sabe, falando sobre você mexer no que não deve, como ficar batendo papo em horário de trabalho.
— Sinto muito — ela continuava chorando, mas eu não sentia pena alguma. Pelo contrário, a parte má dentro de mim estava muito contente com a cena.
— Você pode cuidar de tudo sozinha, Josie?
— Claro que sim, senhora Cullen.
— Excelente. — Abri a porta do escritório do RH para sair. — Eu quero que acompanhe a Naomi até a saída, certo?
— Sim, senhora.
— Você deve voltar ao trabalho após assinar sua advertência — falei para Camila, que concordou.
Cerca de quarenta minutos depois, tempo que sabia ser suficiente para Josie e o pessoal dos recursos humanos ter acabado com a papelada da demissão de Naomi, eu me dirigi até a entrada dos funcionários. Era uma entrada particular, para que eles tivessem acesso direto aos vestiários para vestirem-se em seus uniformes, como local para passarem seus crachás e computarem seus pontos.
Quando passei por ali todos me olharam temerosos, eu sabia que aquela altura já sabiam sobre a demissão de Naomi. Então, estavam apreensivos de que fossem os próximos.
Vi quando Naomi deixou o vestiário, acompanhada de Josie. A ex-camareira carregava uma bolsa consigo e ainda chorava, a cada lágrima dela eu escondia um novo sorriso vencedor.
— Adeus, Naomi — saudei quando ela chegou à porta de saída, fazendo questão de abrir para ela.
— Senhora Cullen, por favor.
— Sim, isso mesmo, Senhora Cullen. — Pisquei para ela, apontando para a rua. — Você pode ir agora, nós mandaremos suas cartas de referência se nos pedir por isso.
Ela chorou alto, deixando o hotel por fim.
— Eu realmente...
— Escolha melhor sua equipe, Josie, ou vou achar que você não tem capacidade para o cargo que ocupa — alertei a Governanta-Executiva, que acenou positivamente para mim.
Bati a porta atrás de mim, me voltando para o corredor que devia seguir para chegar ao lobby do hotel, todos continuavam tensos sobre minha presença ali.
— Voltem ao trabalho — ordenei.
Abri um grande sorriso, enquanto pisava firme, o som dos meus saltos era o único ruído a ser ouvido. Em minha cabeça eu cantarolava a música do Rocky, ela nunca pareceu tão boa quanto naquele momento.
***
Na hora do almoço, como combinado, eu fui para casa buscar Nelly e Matthew, para que pudéssemos ir pegar os filhotes no veterinário. Ângela tinha conseguido uma hora com a diretora da escola de Renesmee, então eu já tinha avisado Edward sobre aquilo, falaríamos com a mulher antes do horário de aulas da nossa filha acabar.
— Tia Bella, você veio! — Matthew comemorou quando entrei em casa, pela porta da cozinha, onde ele e Nelly comiam.
— Claro que vim, pequeno, prometi que vinha. — Fui até ele, beijando seu rosto. — Como está sendo seu dia? — perguntei, enquanto beijava o rosto de Nelly também.
— Tia Nelly me deixou brincar com os brinquedos que ganhei na festa ontem — Matthew contou, falando com a boca cheia de macarrão. — Então, eu ajudei com o almoço.
— Ele é um excelente cozinheiro — Nelly elogiou. — Você já comeu algo? — perguntou para mim.
— Não — me queixei, sentando junto de Matthew, que comia seu macarrão com queijo com muito gosto. — O hotel estava uma bagunça — reclamei.
Nelly me olhou curiosa.
— Você demitiu quantos? — brincou.
— Até agora só uma — confessei, ela riu, me entregando um prato.
— Está falando sério?
— Claro, ela era tão incompetente, merecia ser demitida. — Enrolei um pouco de macarrão no garfo, levando a boca.
— O que é incompetente, tia Bella? — Matt perguntou sem entender.
— Incompetente é como chamamos alguém que não faz o trabalho dela direito — expliquei, ele franziu a testa, mas não voltou a perguntar.
Meu celular tocou, fazendo com que rapidamente o pegasse, era uma ligação de Carlisle.
— Estou no meu horário de almoço, chefe — disparei quando atendi a chamada.
— Ei, calma, eu te liguei para saber de Matthew — Carlisle se defendeu. — Não me processe por te fazer trabalhar muito, não ainda, espere a votação do conselho.
— Estou cogitando isso, apesar de que hoje quase me coloquei em encrencas também — admiti. — Vamos dar as mãos e nos jogar na fogueira do conselho juntos!
— O que você fez? Bateu em Eleazar novamente? Foi um soco dessa vez? Diga que sim, ou vou perder minha fé em você, nora.
— Carlisle, você ligou para saber do Matthew! — Ouvi a voz de Esme ao fundo da ligação.
— Como Esme está? — indaguei, sabendo que aquele era o dia da sua segunda sessão de quimioterapia.
— Até agora está indo bem — Carlisle respondeu. — Ela quer saber do neto, não para de falar em Matthew, ele está bem?
— Sim, estou aqui no apartamento almoçando com ele e Nelly, coloque Esme na linha e os dois podem conversar um pouco — sugeri.
— Claro, vou passar para ela — Carlisle anunciou.
— Vovó Esme quer falar com você, amorzinho — disse para Matt, passando meu celular para ele, que pegou o aparelho de bom grado.
— Oi, vovó Esme! — Matt falou empolgado ao celular.
Sorri para ele, contente que meu menino estava se dando bem com a avó. Isso era importante para nosso período de adaptação, mas ele ser aquele apoio a mais para Esme, no meio da doença, com certeza era muito bom para ela.
— Eles estão indo bem — Nelly cochichou para mim, enquanto Matt falava com a avó, contando sobre seu dia, como falando que logo mais iríamos buscar nossos filhotes.
— Ele é tão especial — falei, sentindo meus olhos cheios de lágrimas. — Sabe, não teve o grande momento do parto, como foi com Nessie, mas na sexta quando conseguimos a guarda era quase isso e ontem enquanto cantávamos os parabéns. Parecia que um pedaço de mim estava renascendo, como foi quando eu coloquei a ruivinha no mundo. — Funguei.
Nelly sorriu carinhosamente para mim, segurando minha mão e me dando um olhar cheio de significados.
— Sei que já disse isso antes, que com certeza outras pessoas também te falaram, mas você é uma mãe incrível, menina.
— Eu não seria muita coisa sem sua ajuda para fazer o barco navegar.
Nelly revirou os olhos.
— Você sabe que seria sim, é dedicada em tudo que faz, mas, além disso, tem um coração enorme e seus filhos tem uma mãe que realmente se preocupa com eles.
— Você também é incrível, tia Nelly — falei, a chamando como as crianças chamavam. Nelly riu suavemente, beijando minha mão.
— Agora coma! — mandou, eu obedientemente obedeci, voltando ao meu prato de almoço.
Matthew passou mais algum tempo conversando com Esme, dividindo-se entre falar e comer.
— Pode deixar, tio Carlisle. — O ouvi dizer. — Tia Bella, o tio Carlisle quer falar com você. — Passou o celular para mim.
— Eu ainda estou no meu horário de almoço — falei para Carlisle quando peguei o aparelho.
— O que você aprontou no hotel? — perguntou, me ignorando. — Por mais que eu fosse adorar te ver dando um soco em Eleazar, talvez não seja o momento apropriado para isso. Sabe, preciso que tudo esteja em ordem para a votação do conselho.
— Com licença — pedi para Matt e Nelly, levantando da mesa e indo para fora da cozinha. — Não, eu infelizmente não bati naquele idiota de novo. Mas, quase bati em outra pessoa, só precisei ser muito forte e me conter. Enfim, uma camareira cretina estava falando sobre Edward — sussurrei, sentindo meu sangue ferver só de lembrar. — Coisas que ela com certeza não deveria falar sobre o marido de outras pessoas — acrescentei, ouvindo Carlisle reprimir uma risada. — Então, entrei no quarto que ela supostamente devia estar limpando e vi a folgada usando o vestido de uma hóspede, enquanto estava confortavelmente deitada na cama da suíte.
— A demitiu, eu suponho — Carlisle resmungou.
— Com certeza, justa causa. Talvez eu tenha ficado um pouco feliz de ter a flagrado usando a roupa da hóspede e deitada na cama — confessei. — Sabe, eu a demitiria só pelo que a ouvi falar do meu marido, pelo menos tive um motivo plausível para aplicar justa causa. Isso soou tão errado, mas não tenho vergonha de confessar.
Carlisle riu.
— Você se parece bastante com sua sogra, Esme já demitiu uma porção de empregadas que deram em cima de mim.
— Você é meu homem! — Esme gritou ao longe.
— Ok, agora sobre trabalho — Carlisle disse, ainda rindo.
— Já estávamos falando sobre trabalho — me queixei.
— Parcialmente, eu preciso saber como está indo tudo sobre a preparação para receber o nosso querido presidente dos Estados Unidos em junho.
Resmunguei, odiando lembrar que o Volturi estava vindo para o hotel. Eu nem tinha votado naquele republicano de merda, mas teria de que o receber com um tapete vermelho estendido.
— Nossos celulares podem estar grampeados, então é melhor você ter cuidado com o que fala, Isabella — Carlisle aconselhou, provavelmente prevendo que eu reclamaria em voz alta sobre Aro Volturi.
— Que tal uma reunião ainda essa semana para que eu te apresente tudo sobre a vinda do nosso querido presidente, chefe?
— Quinta-feira, as dez — ele proclamou.
— Ótimo, agora vou desligar e aproveitar meu horário de almoço.
— Ele já está no fim — Carlisle debochou.
— Eu ainda posso te processar mesmo sendo sua nora, cuidado. — Ele riu de novo. — Posso falar com Esme?
— Claro.
Carlisle passou seu celular para a esposa, então eu estava com Esme na linha.
— Que roupa eu devo usar para o coquetel?
— Vou falar com uma amiga estilista, ela cuidará de todos nós — ela assegurou. — Você pode me mandar suas medidas, assim lhe envio alguns modelos quando falar com minha amiga.
— Alice tem minhas medidas, para o vestido de renovação de votos, eu falarei com ela.
— Oh, eu ligo para ela, vou ver se Alice quer que minha amiga também veja o vestuário dela, já que ela e Jasper estarão aqui no coquetel. Melhor você ir agora buscar os filhotes, Matthew estava animado sobre isso quando me contou.
— Vou fazer isso, você está bem?
— A quimioterapia é um saco, mas se isso vai me fazer sobreviver, eu aguentarei bravamente — ela assegurou. — Agora vá, imagino que seu dia está cheio.
— Muito — suspirei. — Amo você, sogra, fique bem por nossa família — pedi.
— Oh, Bella, eu te amo! — Esme falou fungando. — Mas, me proibi de chorar hoje, então eu vou desligar agora.
— Certo, até mais.
— Até!
Nós finalizamos a ligação juntas.
Logo Matthew, Nelly e eu já estávamos no carro seguindo para o pet shop. Albert, o veterinário dono do lugar sorriu largamente para Nelly quando a viu, mordi minha língua para não fazer nenhum comentário impróprio na frente do meu filho de oito anos, eu não precisava colocar mais dúvidas na cabeça de Matt.
— Olá, viemos buscar nossos filhotes — anunciei.
— Claro que sim, é bom ver vocês! — Albert exclamou, com o olhar voltado para Nelly, que sorria timidamente para ele.
— Tia Bella, a gente não pode mesmo levar um coelho? Ou um hamster?
— Sinto muito, Matt, mas não — neguei, ele suspirou, mas não insistiu.
— Vou buscar os filhotes, assim como todo o resto que você e seu marido pagaram ontem, senhora Cullen — Albert falou para mim.
— Posso lhe ajudar com algo? Deve ser muito para carregar — Nelly ofereceu, eu ri baixinho, olhando para o chão tentando disfarçar.
— Eu aceito sua ajuda, minha filha mais velha que trabalha comigo está enrolada com a faculdade — Albert falou, apontando o caminho para Nelly, que hesitou, mas seguiu com ele, fazendo com que eu perdesse o resto da conversa.
— Então, animado com a ida dos filhotes lá para casa? — perguntei para Matthew.
— Claro — ele concordou. — Sempre quis um cachorro, papai vivia negando — sussurrou, desviando o olhar para a saída do pet shop.
— Ei. — Virei seu rosto para mim, seu olhar era triste. — Edward me contou sobre o que vocês falaram noite passada, sinto muito por seu desejo não ter se realizado, pequeno.
Matthew não falou nada, apenas remexeu no relógio do Homem Aranha que tinha ganhado de presente de Charlie.
— Eu gostei muito da sua festa — comentei, Matt sorriu.
— Também gostei, gosto muito de bolo.
Sorri, pensando em como aquilo era algo de Carlisle, um Cullen, o que Matt também já era.
— Bolo é muito bom. — Beijei a testa de Matthew. — Amo você, amorzinho.
— Por que você me chama assim?
— É uma forma carinhosa de te chamar — expliquei. — Eu também chamo a Ness assim algumas vezes. — Apertei a ponta do nariz dele, que sorriu. — Vocês são meus amores, meus pequenos amores... Na verdade, o amor que sinto por vocês é imenso.
Matthew me olhou confuso.
— Você vai entender isso um dia, quando tiver filhos, se tiver filhos. — Dei de ombros. — Mas, eu acho que quando for mais velho, mesmo sem ser um pai, irá entender o sentimento melhor. — Matthew continuava confuso. — Estou bagunçando sua cabeça, desculpe. Apenas entenda que eu te amo muito, Matthew.
Albert e Nelly voltaram naquele momento, cada um segurando uma casinha de cachorro. Nelly a amarela, Albert a vermelha. Dentro de cada uma estavam os filhotes, em suas respectivas cores que tinham sido escolhidas no dia anterior.
— Que legal, eu sonhei com eles! — Matt gritou entusiasmado, indo olhar os cachorrinhos pela grade. — Sonhei que eles viraram pinguins, que tinham superpoderes, com laser e tudo mais.
Nelly riu.
— Isso daria um ótimo desenho animado, algum estúdio deveria comprar.
— Eu vou pegar a caixa com o resto das coisas deles, senhora Cullen — Albert falou, passando para mim a casinha que estava consigo.
— Oi, você! — exclamei para George, o cachorrinho dorminhoco que tinha roubado meu coração. Como era de se esperar, ele estava dormindo, encolhido dentro de sua casinha. — Você é tão quietinho, isso é tão bom — deixei bem claro, enquanto Fred na outra casinha se mexia sem parar, mordiscando a mão de Matt pela grade vez ou outra.
Albert voltou com uma grande caixa, com todos os itens necessários para os filhotes, carregando também uma imensa sacola de ração para os cachorrinhos. Liguei para Felix, pedindo que ele fosse nos ajudar a carregar tudo aquilo para o carro, como ele estava com o carro parado a pouca distância do pet shop, logo apareceu para nos ajudar.
— Obrigado por confiar no meu serviço, senhora Cullen — Albert agradeceu quando acertamos tudo. — Qualquer coisa com os filhotes pode me ligar. — Apontou para o cartão que tinha entregado para mim. — Hum, você também, Nelly — ele disse ansioso, passando um cartão para Nelly, que o aceitou de bom grado.
— Só com os filhotes, ou ela pode te ligar em caráter pessoal? — Não consegui impedir a pergunta de sair da minha boca.
— Bella! — Nelly chamou minha atenção, apenas ri, jogando meus cabelos por cima do ombro.
— Pode me ligar por qualquer coisa — Albert falou para ela, Nelly corou, mas assentiu.
— Odeio atrapalhar, mas precisamos ir agora — os interrompi.
Nos despedimos de Albert, então fomos para o carro. Eu já estava atrasada para voltar para o trabalho, principalmente porque ainda sairia aquele dia para me reunir com a diretora da escola, mas ainda assim subi com Nelly, Matt e Felix para o apartamento.
Felix tinha cachorros, sendo assim ele foi de grande ajuda extra para nos explicar algumas coisas. Nós montamos o cantinho dos filhotes na sala de estar, por mais que Matt tivesse sugerido os botar em seu quarto e eu tivesse a certeza de que Ness pediria o mesmo, mas neguei, sem querer deixar o quarto dos dois infestado por pelos e tudo mais.
— Ele é divorciado — Nelly me contava sobre Albert, enquanto Felix ajudava Matt a montar as caminhas dos cachorros. — Tem duas filhas, uma de vinte e poucos anos que está se formando em medicina veterinária, outra de dezessete que irá para a faculdade na costa oeste em setembro.
— Isso quer dizer que ele é livre, já ouço o sino dos casamentos.
— Não seja absurda, menina! — Nelly mandou, corando como tinha acontecido no pet shop.
— Eu? Não estou falando nada além do que vejo. Poderia falar mais, mas tenho de voltar ao trabalho e ter certeza de que não preciso demitir mais ninguém hoje. — Olhei para Matthew, que se divertia com Fred que brincava com ele, enquanto George estava dormindo na sua cama recém montada.
A casa estava cheia, mas aquilo me deu uma sensação de que tudo estava completo, bem no meio do peito.
***
Mais tarde naquele dia Edward entrou no carro falando ao celular, pelo fone em sua orelha, mexendo no tablet, enquanto carregava também uma caixinha de comida chinesa. Ele apenas murmurou um oi para mim, antes de se concentrar nos gráficos que via no tablet, enquanto falava números e mais números para a pessoa com ele na ligação.
Arranquei a caixa, ainda fechada, de comida da sua mão roubando um pouco. Edward me olhou com cara de poucos amigos, acoplou seu tablet no suporte do banco do carro, então pode começar a comer.
— Você só está almoçando agora? — indaguei, ele somente assentiu para minha pergunta, ainda concentrado em seu trabalho.
Suspirei, contendo-me de reclamar com ele sobre estar comendo tão tarde. Apenas olhei pela janela, para o trânsito caótico de Chicago, enquanto o ouvia trabalhar, sem ter como brigar com ele por não estar se cuidando, ou botar pra fora que tinha demitido alguém aquele dia.
Já estávamos atrasados para a reunião quando chegamos à escola, o que fez Edward finalizar sua ligação rapidamente. Sem conversa entrelaçamos nossas mãos, seguindo o mais rápido que podíamos até o escritório da diretora Hanson.
— Diretora, o senhor e a senhora Cullen estão aqui — a secretária dela falou ao telefone, comunicando sua chefe. — Vocês podem entrar. — Indicou a porta. — Desejam beber algo?
— Não — respondi.
— Uísque — Edward pediu, ganhando um beliscão meu. — Ai, Bella!
— Ele está brincando — falei para a secretária. — Não queremos nada para beber... Podemos entrar, não? Vamos, querido! — Puxei Edward até a sala da diretora, bati na porta nos anunciando, então a abri e entramos.
A velh... A diretora não parecia muito contente aquela tarde, isso só se comprovou quando ela falou:
— Atrasado como sempre, senhor Cullen.
— É um dom — Edward falou com ironia.
— É uma maldição — a diretora o corrigiu.
Sim, aqueles dois com certeza se detestavam.
— Não penso assim, já que...
— Muito obrigada por nos receber, diretora Hanson — interrompi meu marido, o fazendo tomar um lugar e sentando também. A senhora, que devia estar viva quando os dinossauros foram extintos apertou minha mão, mas Edward não estendeu a sua para ela e a mulher não se importou com aquilo.
— Ao que devo a visita de vocês? — questionou. — Por incrível que pareça a senhorita Cullen tem se comportado. — Ela lançou um olhar feio para Edward. — Aparentemente ela está tomando juízo cedo.
— Ou ela...
— Não estamos aqui para falar sobre Renesmee — interrompi Edward novamente. — Apesar de ser muito bom saber que ela está indo bem, isso é importante para a gente. É por aqui ser uma escola ótima, que cuida bem da nossa filha, das nossas sobrinhas e que cuidou muito bem da minha cunhada e do meu marido no passado. — Edward e a diretora bufaram. — Estamos pensando em matricular aqui nosso outro filho.
A diretora arregalou os olhos.
— Outro filho?
— Sim.
— Um menino?
— Sim.
— Filho de Edward?
— Sim.
— Oh Deus! — Ela tomou um grande gole da água que estava em um copo sobre sua mesa. — Eu pensei que Renesmee fosse a única filha de vocês dois, não sabia que tinha um segundo Edward por ai.
Edward sorriu com escárnio.
— Há sim, senhora Hanson. Posso lhe garantir que o mundo tem dois filhos meus, que estão aprendendo muito comigo, em tudo.
Ela estremeceu.
— Nós estamos adotando um garoto — expliquei, ela me olhou surpresa. — Ele tem oito anos e se chama Matthew. — Entreguei a papelada de documentação de Matt, que estava em minha bolsa, para ela.
— E-Ele — ela gaguejou, quando abriu a pasta e viu a foto de Matthew.
— Ele é negro, sim, algum problema? — questionei, erguendo todas minhas defesas, Edward parou imediatamente de sorrir, ficando muito sério. Uma mão dele repousou em meu joelho, enquanto ele se inclinava um pouco mais pra frente, tomando a linha de ataque para si.
— Não acho que essa seja uma escola preconceituosa, estou errado, diretora Hanson?
— Claro que não é uma escola preconceituosa, senhor Cullen — a mulher afirmou. — Nós ficaremos felizes em receber Matthew aqui, em setembro, para o próximo semestre.
— Estávamos pensando em Matt começar ainda esse semestre — Edward comunicou. — Mesmo que em caráter experimental, foi algo sugerido pela própria assistente social responsável por nosso caso.
— Ela acha que mesmo no fim do semestre, isso seria bom para Matthew, o ajudaria a se adaptar — completei a fala de Edward. — Principalmente por nosso filho não ter uma escolaridade estimada para sua idade.
A diretora suspirou.
— O semestre acaba no fim de junho, falta pouco, eu acho que talvez vocês pudessem esperar por setembro. Ou, matricular o garoto em outra escola para o fim desse semestre, então o matricular aqui para o próximo.
— Diretora, nós estamos certos de que queremos matricular Matthew aqui ainda esse semestre — fui enfática em minha fala, lançando um olhar duro para ela. — Você está de acordo conosco? Caso não esteja desistiremos de matricular Matthew aqui, como não iremos deixar Renesmee voltar a frequentar esse colégio no próximo semestre.
— Seria uma grande perda, dois Cullen de uma única vez — Edward falou com falso pesar em sua voz.
— Quatro, querido. Eu tenho certeza de que Rosalie, sua irmã, iria tirar Anne e Lucy também.
— Você está certa, a perda seria imensa. Eu também acho que a escola perderia um pouco do marketing que damos para cá, não? Sem nenhum Cullen estudando aqui, sendo que estamos na lista de famílias mais ricas do país.
— Quinto lugar — entoei.
— Não podemos esquecer que essa escola formou minha prima e minha irmã, as garantido vagas em Yale.
— E a sua vaga em Harvard, querido. — A diretora engoliu em seco. — Meu sogro e o resto da nossa família são grandes contribuintes em Yale — contei para ela como se fosse um segredo. — No entanto, Edward e eu gostamos de gastar com generosas doações para Harvard, onde ambos nos formamos. — Olhei ao redor da sala, vendo uma bandeira de Harvard na parede. — Harvard tem uma associação com essa escola, não?
— Sim — a diretora confirmou.
— Seria uma pena se fizéssemos as ligações certas que interrompesse isso. — Edward sorriu preguiçosamente. — O que nos diz sobre aceitar Matthew antes do próximo semestre?
A diretora suspirou, olhando para a ficha dele, ainda relutante. Não era apenas por ela não querer um aluno novo no fim do ano letivo, era? Eu queria muito que fosse, mas lá no fundo duvidava.
— Ou nós podemos ligar agora para James Smith. — A diretora olhou alarmada para Edward quando ele falou aquilo. — É um velho amigo da família, sei que ele tem investimentos aqui, adoraria conversar melhor com ele sobre isso.
— Não, não! — ela se pronunciou rapidamente, ficando alarmada. — Não há motivos para ligar para o senhor Smith, senhor Cullen — a diretora disse. — Nós com certeza conseguiremos encaixar Matthew em uma vaga ainda esse semestre.
— Nós temos certeza de que sim, diretora Hanson. — Edward abriu um sorriso irônico para a mulher. — Como também tenho certeza de que meu filho será muito bem cuidado aqui, estou certo, não estou? — Meu marido não se importou em deixar a ameaça clara em sua voz.
— Sim, o senhor está certo.
— Excelente! — Edward e eu exclamamos juntos.
A diretora forçou um sorriso, logo começando a cuidar da papelada de matrícula de Matthew. Aquilo demorou um pouco, mas ainda assim saímos da sala dela com tudo certo antes do horário de saída de Renesmee tocar.
Matthew começaria na escola na quarta-feira, ele passaria por um teste de nivelamento no dia seguinte, para que fosse escolhida a turma para qual ele deveria seguir. Aquilo estava me deixando tão apreensiva, tudo sobre Matt naquela escola me deixava daquele jeito.
— Você acha que estamos fazendo o certo insistindo em o colocar aqui? — perguntei para Edward, enquanto caminhávamos pelos corredores vazios da escola silenciosa, uma vez que as aulas ainda estavam acontecendo.
Ele parou de andar, virando-se para mim.
— Ninguém pode dizer não ao Matthew por conta da cor de pele dele, querida. — Tocou em meu rosto, percebi que sua mão tremia um pouco, ele também estava nervoso e inseguro, apenas me fortalecendo como sempre fazia. — Não vamos deixar que aquela cena do restaurante, na noite que o conhecemos, se repita, iremos proteger nosso filho.
***
Renesmee não ficou quieta por um segundo durante nosso caminho de volta para casa, ela estava ansiosa demais para ver Matthew, mas principalmente para poder brincar com os filhotes. Quando chegamos ao apartamento Nelly estava na sala com Matt, junto também com os cachorrinhos.
Matthew estava no chão com eles, jogando bolas para ambos pegarem, mas apenas o Fred se dava trabalho de correr atrás de sua bolinha. Enquanto isso, George estava preguiçosamente deitado, aparentando que dormiria a qualquer momento.
Oh sim, aquele cachorro com certeza era um grande preguiçoso. Isso era bom, pelo menos não era um encrenqueiro.
— Nem acredito que eles estão aqui! — Renesmee gritou, indo para o chão brincar também.
— Oi, filho! — Edward beijou a cabeça de Matt. — Eu vou para o escritório trabalhar mais um pouco antes do jantar — anunciou.
— Sério? — resmunguei.
— Sinto muito, querida, é importante. — Ele beijou minha bochecha, antes de se afastar para o caminho que levava ao seu escritório.
Deixei Renesmee e Matthew brincando com os filhotes, no caso com Fred, por mais um tempo. Nelly me deixou com eles, enquanto ia preparar nosso jantar, ela tinha uma nova receita e estava empolgada em o preparar.
Enquanto as crianças brincavam, eu explicava para Matthew mais ou menos como seria o teste que ele faria na escola no dia seguinte. Ele ficou nervoso sobre aquilo, mas Renesmee foi de grande ajuda o distraindo e afirmando que seria um teste fácil.
O problema era, Nessie era mais velha e tinha estudado a vida toda naquela escola. Eu sabia que ela resolveria facilmente o teste que aplicariam a Matthew, mas e ele? Meu filho não tinha tido uma educação certa durante sua vida, sempre indo e vindo da escola. Ele estava atrasado em relação às crianças da sua idade, aquilo seria difícil para ele.
Em algum momento eu tive de fazer o papel de vilã e os mandei para o banho, para que pudessem estar livres de pelo de cachorro quando fossem jantar. Ambos reclamaram por aquilo, mas não descumpriram minha ordem, ajudei Matthew a se arrumar, enquanto pensava em como cuidar do cabelo dele melhor.
Depois disso nos três fomos ajudar Nelly a terminar o jantar, mais tarde aquela noite Edward se juntou a gente para comer. Ele estava visivelmente cansado, entretanto focou na família durante a refeição, conversamos sobre o dia das crianças, incentivamos que Matthew se daria muito bem no teste e tivemos um jantar agradável.
Quando acabamos de comer Edward e as crianças se responsabilizaram pela limpeza da cozinha, Nelly foi para seu quarto ler um pouco antes de dormir e eu fiquei trocando mensagens com Esme. Minha sogra estava sofrendo com um pouco de enjoo, mas ela assegurou que menos do que da primeira sessão de quimioterapia.
Ela me mandou fotos dos vestidos que sua amiga tinha para mim, eu escolhi o meu sem debater por muito tempo. Então, logo Esme e eu estávamos fazendo planos sobre a decoração para o quarto de Matthew, ela começaria a cuidar daquilo melhor depois de Carlisle passar pela votação do conselho, quando tudo deveria estar mais calmo, como esperávamos.
Edward e eu ficamos mais algum tempo com as crianças depois que eles acabaram seus serviços de limpeza na cozinha. Eles queriam brincar mais com os cachorrinhos, mas Fred não demorou muito a ir dormir também, ignorando sua cama e se unindo ao George na dele.
Como já estava ficando tarde, Edward e eu fomos colocar as crianças para dormir. Primeiro Matt, depois Renesmee. Os dois dormiram sem muita enrolação, o que foi ótimo.
— Vou tomar um banho de banheira, você vem comigo? — perguntei para Edward quando deixamos o quarto de Ness.
Ele suspirou.
— Eu ainda tenho que trabalhar, enviar alguns e-mails importantes, revisar alguns contratos, já que amanha a tarde estaremos na escola com Matt.
— Ok — concordei, beijando sua bochecha e indo para nosso quarto. — Posso resolver meu tesão sozinha.
— Bella — ele resmungou, mas não me seguiu.
Preparei meu banho, entrando na banheira e sentindo meus músculos agradecerem por estarem indo para a água morna e que dava uma sensação grande de calmaria. Eu tinha colocado música clássica para tocar no meu celular, o que deixava a coisa toda melhor.
Edward apareceu longos minutos depois, com um olhar cheio de expectativa para cima de mim.
— Nem pensar, você recusou quando te chamei antes, agora esse é um banho para uma só pessoa.
— Isso é injusto — reclamou, sentando-se a bancada da pia. — Mas, tudo bem, vou ficar aqui te olhando e esperando você começar a se masturbar.
Eu ri, espirrando água nele.
— Pervertido.
— Olha quem fala. — Ele riu também. — Como foi seu dia, querida?
Voltei a rir, daquela vez uma gargalhada. Edward franziu a testa, sem entender minha reação. Eu tomei uma lufada de ar, parando de rir aos poucos, para enfim contar a ele sobre a camareira folgada do hotel.
— Fico feliz que você sempre esteja por ai protegendo minha honra, esposa — ele disse maliciosamente, percorrendo seu olhar para meu corpo coberto de espuma na banheira. — Sou muito grato por isso, posso te mostrar como?
— Não — neguei, ele resmungou. — É serio, eu estava muito no clima de manhã, agora estou cansada e só quero ficar aqui de molho por mais um bom tempo.
Edward suspirou, mas assentiu.
— Você viu que aquele ex-senador de New York foi julgado hoje? Aquele que no ano passado foi pego em um esquema de lavagem de dinheiro, junto com aquele empresário do ramo da construção que se matou.
— Ah sim, eu acho que ouvi alguém falar sobre isso hoje. — Torci o nariz. — Eu lembro quando esse empresário se hospedava lá no hotel, ele era um porco maldito que se sentia o dono do mundo, a neta, ou filha dele, não lembro, era tão irritante quanto. — Suspirei, esfregando meu rosto com a mão molhada. — Por que o dinheiro deixa as pessoas tão malucas?
— Porque ele da poder — Edward respondeu sem titubear. — Porque com poder você pode tudo, ou pensa que pode tudo. — Ele olhou para suas mãos. — Não sei, eu acho que entendo isso bem, já fui só um garoto riquinho pensando que o mundo era meu.
— Você não é mais assim — deixei bem claro, Edward sorriu, ainda olhando para suas mãos.
— Estou muito preocupado sobre a votação do conselho, Eleazar é um homem rico que tem muito poder, ele pode fazer suas manobras e conseguir o cargo com isso. — Edward me olhou. — Perder o cargo faria o papai surtar, eu sei que ele está se mantendo firme agora, mas... Sei lá, não quero meu pai perdendo o cargo dele. Há anos ele é o presidente do Grupo Cullen, a maior parte da minha vida vi meu pai naquela sala comando tudo, perder isso o destruiria.
— Nós faremos de tudo para apoiar seu pai, querido. Eu não acho que o conselho será estupido de tirar o Carlisle da presidência, mas se acontecer ele terá com quem contar em apoio.
Edward engoliu em seco, passando suas mãos por seus cabelos.
— Uma reunião foi marcada, com os advogados que estão nos representando no processo contra os jornais que publicaram tudo aquilo sobre adoção. Eles tem um advogado de defesa em comum, representante do sindicato, ou qualquer merda assim.
— Uma reunião de acordo? — Edward concordou com um aceno positivo de cabeça.
— Você acha que devemos recusar qualquer acordo e seguir com o processo?
— O que você acha?
— Sinceramente? Eu estava querendo um grande processo de retaliação, mas temos Matthew em casa agora, temos a mamãe doente e meu pai lidando com seu cargo ameaçado, eu acho que quanto mais problemas evitarmos será melhor.
— Sabe que por mim nem tínhamos começado isso, querido, sabemos que processamos hoje e amanhã eles fazem igual. — Mexi na espuma ao redor de mim na banheira. — Se você quiser aceitar o acordo, por mim tudo bem, eu também acho que seja melhor dessa forma. Mas, claro que vou te apoiar se você quiser seguir o processo.
Edward respirou fundo, massageando sua própria nuca.
— Vou aceitar o acordo, eu pensei que poderíamos usar o dinheiro ganho com alguma doação para abrigos, principalmente o que Matt ficou.
— Isso parece bom para mim. — Sorri para ele, Edward sorriu de volta. — Eu também acho que temos de começar a frequentar aquele grupo de apoio para pais adotivos.
— Podemos ver quando são os encontros.
— A mulher, Huilen, não? Que o coordena falou sobre uma pagina no Facebook, você pode acessar pelo meu celular e checar as datas. — Apontei para o aparelho ao lado dele, ele o pegou e o remexeu por um tempo, a música tinha cessado.
— Segunda, pela parte da noite.
— Bom, se tudo for bem com a votação do conselho segunda que vem podemos ir.
Edward concordou, no instante que uma mensagem chegou ao meu celular.
— É do Logan — Edward falou, praticamente rosnando.
— Você pode ler?
Meu marido revirou os olhos, mas leu a mensagem em voz alta.
— Bella, eu queria saber se vocês pensaram melhor sobre o jantar que sugeri ontem. Deixe-me saber sua resposta, até mais! — Edward apoiou o celular de volta para a bancada, estava furioso. — Nem pensar que vamos jantar com esse cara.
— É só um jantar, Edward.
— Um jantar com um ex seu — ele reclamou. — Um médico surfista — falou baixinho para si mesmo.
— Ok, quantas vezes eu tive que jantar com Irina? — Edward me encarou, sem dizer nada. — Ficou sem fala, Cullen? — Arqueei uma sobrancelha. — Pois é, aturei Irina por anos e mesmo agora a aturo, você pode aturar Logan por uma noite, ele é apenas um velho amigo meu querendo saber sobre adoção, não um ex obcecado em destruir nosso casamento.
— Você não sabe, vai que é justamente isso! — Edward acusou, deixando a bancada.
— Ai, me poupa, Edward. — Ri, sem realmente achar aquilo engraçado. — Você acha que Logan veio morar em Chicago só para nos atingir? Deixa eu te falar algo, você não é o centro do universo, querido.
O rosto de Edward ficou vermelho, ele estava mesmo furioso.
— Não quero você sendo amiguinha de um ex — reclamou enciumado, bufei.
— Eu não vou te trair por ser amiga do Logan, você acha que eu vou te trair? — falei controlando meu tom de voz, levantando da banheira, puxei a toalha do suporte e me enrolei nela.
— Não, claro que não, confio em você!
— Então, não tem motivos para ficar surtando porque eu vou jantar com Logan.
— Você vai?
— Claro que vou, Edward. — Ele balançou a cabeça negativamente, apertando a ponta do seu nariz. — Logan e eu fomos amigos na escola, agora ele quer saber mais sobre adoção e posso ajudar um velho amigo com isso, não sei o que tem de errado nisso. Você o ouviu falar, a esposa estará lá, quem leva a esposa quando está se pensando em traição?
— Não conheço o cara, Isabella, e se a esposa coincidentemente não puder ir e ficar só você e ele nesse jantar?
— Edward! — gritei com ele. — Se escute por um minuto, homem. Você está mesmo achando que eu seria tão burra e aceitaria investidas de Logan?
— Não estou te chamando de burra, só não quero você jantando com esse cara.
— Você sabe que não manda em mim — falei entre dentes, enquanto sentia lágrimas em meus olhos. — Sabe muito bem que sou capaz de tomar minhas próprias decisões, você ser meu marido não muda isso.
— Eu sei, só... Como você se sentiria se eu saísse para jantar sozinho com Irina?
Gargalhei.
— Nunca te proibi de falar com Irina, de estar presente no mesmo lugar que ela, Edward.
— Isabella... Eu só... — Ele suspirou. — Quer saber, faz o que você quiser, você sempre tem a última palavra mesmo.
Edward deixou o banheiro, eu o segui, batendo o pé com força no chão e batendo a porta do banheiro também.
— Primeiro, acabei de dizer que sim, eu tomo minhas próprias decisões sobre minha própria vida. Segundo, não acredito que você está de novo nessa de que eu sempre tenho a última palavra aqui em casa.
— Você tem! — Ele começou a tirar suas roupas, ficando apenas de cueca. — Mas, por mim tudo bem, se você quiser ir jantar com Logan todos os dias pode ir — ironizou.
— Você está sendo muito infantil!
— Eu já ouvi isso antes também, então parece que não sou o único te acusando da mesma coisa, né? — Edward deitou na cama, arrumando os travesseiros atrás de si.
— Quer saber? Pra mim essa conversa acabou! — esbravejei. — Você está sendo um machista idiota, eu não vou discutir com alguém assim.
— Ótimo!
— Ótimo!
Dei as costas para ele, indo para o closet me vestir, batendo a porta de lá também. Com raiva, eu me vesti rapidamente, voltando ao nosso quarto e batendo a porta outra vez.
— Se você quebrar essa maldita porta eu não vou mandar ninguém consertar — ele falou, estava virado de costas para mim, sem que eu pudesse ver seu rosto.
— Não preciso que você conserte nada para mim. — Me enfiei debaixo da coberta, ficando o mais longe possível de Edward na cama.
Não consegui dormir, mesmo cansada aquilo seria impossível. Eu ainda estava revoltada com Edward, queria gritar e brigar mais, só que a razão dentro de mim me impedia, sabendo que aquilo apenas deixaria as coisas piores quando fossemos nos entender.
Em algum momento da noite Edward saiu da cama, o ouvi se mover pelo quarto e depois sair. Ele tinha ido dormir em outro lugar? Estava tão puto que nem conseguia dividir a cama comigo? Ele não tinha o direito de estar puto, eu não tinha feito nada!
Irritada, sai da cama também. Vesti meu robe, deixando o quarto rapidamente. Estava no meio da escada que levava a sala quando vi Edward lá, ele tinha vestido uma calça moletom, tinha um vassoura em mãos e aos seus pés um dos filhotes pulava e latia para ele.
— O que aconteceu? — questionei, terminando de descer e vendo melhor a sala.
Tinha lixo espalhado por ali, em um caminho que seguia até a cozinha. O filhote que latia e pulava era George, o que me surpreendeu.
— Aparentemente essa peste encontrou o lixo, derrubou ele no chão e o espalhou — Edward contou, varrendo a bagunça. — Já limpei na cozinha, falta aqui, por sorte ele não encontrou o caminho para a sala de jantar.
— Mas ele encontrou o armário do hall de entrada — falei gemendo ao ver o sapato de Edward ruído, o sapato que ele tinha deixado naquele armário mais cedo.
Edward riu, parando de varrer e olhando para o cachorro que continuava latindo.
— Ele se fingiu de bonzinho, mas na primeira oportunidade mostrou que era uma peste.
— E agora ele está acordado aprontando, enquanto o pobre Fred dorme. — Apontei para o outro filhote que dormia. — Eu vou te ajudar com isso — falei para Edward, que me olhou hesitante.
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Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!— Não precisa, volta pro quarto, eu sou o encarregado dos cachorros.
— Eu posso te ajudar — afirmei, indo para a área de serviço pegar um pano para limpar a poça de xixi que vi na sala.
Edward e eu trabalhamos em silêncio para arrumar tudo, ele varreu o lixo, eu sequei o xixi. Depois limpamos o chão com desinfetante para que o cheiro ruim saísse, George levou aquilo como um desafio, tentando atrapalhar nosso processo, mas conseguimos por fim.
— Você nunca mais usará esse sapato — declarei sentando no sofá, vendo que George tinha voltado a roer o sapato do meu marido. Edward conseguiu tirar do cachorrinho, que choramingou.
— Nem pensar, você sabe quanto custa esse sapato para você ficar o roendo? — Edward falou com o cachorro. — Vai dormir, George, estou decepcionado com você! — ordenou, eu tive de rir daquilo, fazendo com que Edward me olhasse.
Ele largou o sapato no chão, George logo voltou a ele, mas Edward o ignorou, seguindo até mim e sentando ao meu lado no sofá. Eu o encarava, enquanto ele encarava George.
— Lembra quando você atirou aquela mamadeira em mim? — perguntou baixinho.
— Lembro, mas por que está falando nisso agora? — questionei confusa.
— Eu sai do trabalho aquele dia e fui beber com uns amigos, enquanto você que também tinha saído do trabalho estava em casa cuidando de Renesmee, sozinha, pois a Nelly estava de férias.
— Edward...
— Me deixa terminar — ele pediu, ainda com o olhar sobre o cachorro bagunceiro. — Quando cheguei da farra, você estava cansada, triste e principalmente com raiva de mim. Nós discutimos, pois eu tinha saído e te deixado com toda a responsabilidade de cuidar de Renesmee sozinha, em uma quarta à noite, sem nem ter me dado ao trabalho de te avisar, então você atirou a mamadeira em mim.
Sufoquei uma risada ao me lembrar da cena.
— Sim, aquilo foi engraçado. — Edward me olhou por fim. — Mas, você também disse algo aquele dia que me marcou mais do que a mamadeira voadora, falou que nunca tinha sentido tanta raiva de mim quanto naquele momento. — Ele deu um sorriso triste. — Eu te prometi naquele dia que nunca mais ia te dar motivos para ter raiva de mim, só que descumpri isso milhares de vezes desde então. — Apoiou seu braço no encosto do sofá, seus olhos verdes fixos nos meus. — Me perdoa por isso, por ter te feito sentir raiva de mim tantas vezes e principalmente hoje.
Engoli em seco, impedindo-me de chorar.
— Me perdoa por ter gritado com você, por ter agido como se fosse seu dono querendo decidir coisas no seu lugar, me perdoa por a gente ter ido pra cama sem eu dizer que te amo. — As lágrimas rolaram por meu rosto ao ouvir aquilo. — Me perdoa, mesmo que eu não mereça, mesmo que eu não seja capaz de me perdoar.
— Querido — falei, mas não consegui ir muito longe por conta do choro.
— Eu podia culpar o estresse do trabalho, minha preocupação com meus pais, com Matthew. Podia culpar um milhão de coisas, mas estaria mentindo, pois isso é culpa minha e eu estou errado, preciso reconhecer que errei com você. — Edward segurou minhas mãos nas suas. — Então, vou entender se você não quiser me perdoar. Vou entender se continuar com raiva de mim e batendo portas por ai, é seu direito.
Assenti, olhando para nossas mãos.
— Não quero ser esse tipo de cara com você. — Voltei meu olhar para ele. — O tipo que manda e desmanda na esposa, eu não fui criado assim, meus pais não me ensinaram a ser um homem assim, meu pai nunca foi esse homem para minha mãe, meu tio para minha tia, ou meu avô para minha avó. Não quero que nossos filhos achem que isso é certo, que Matthew trate garotas desse jeito. Ou que Renesmee aceite que caras a tratem dessa forma, pois isso não é correto.
Edward beijou minhas mãos.
— Sim, eu morro de ciúmes de você, isso me deixa puto, ver como alguns caras te olham, ou saber sobre outros como Jacob e Logan que já estiveram na sua cama. — Edward revirou os olhos. — Só que isso com certeza não me concede o direito de ditar com quem você janta ou não, ou quem pode ser seu amigo.
—– Que bom que percebeu isso, pois eu nunca vou deixar você me tratar como uma marionete.
— Por favor — Edward implorou. — Dê um tapa em mim, um soco, me jogue pela janela, se eu um dia perder tanto a cabeça por ciúmes ao ponto de isso tornar nosso relacionamento uma armadilha para você.
— Não, você nunca iria tão longe. Mas, sim, eu não ficaria com um homem desses, então não vire um monstro — exigi. — E eu te perdoo por hoje, mas realmente pense sobre como me tratou.
Levei uma mão ao seu rosto.
— Não quero ter de atirar mais nada em você — brinquei, ele deu um meio sorriso. — Desculpa ter te chamado de infantil, de novo, isso foi um grande erro.
— Eu fui infantil, parecia uma criancinha que não aceita dividir nada... Não que eu esteja...
— Entendi, querido. — Toquei em seus lábios. — Não se preocupe, entendi que não está me comparando com um doce de qual é dono, ou que esta falando em me dividir.
— Então, quando vamos jantar com Logan?
— Você não precisa ir se isso vai te deixar pilhado.
Ele suspirou, afagando minha mão que continuava entre as suas.
— Ele é seu amigo, por que eu não iria? Você sempre janta comigo e com meus amigos. Mas, se você quiser ir sozinha, tudo bem.
— Não, quero que vá comigo. Quero que nós dois conversemos com Logan e a esposa dele sobre adoção, não somos especialistas no assunto, mas se podemos compartilhar como está sendo nossa experiência isso já deve valer algo.
— Bella, eu sei que você nunca me trairia — Edward falou, respirei fundo, exalando alto em seguida. — Posso surtar, dar a entender que desconfio de você, mas não desconfio, eu te conheço, sei que você é leal e honrada demais para isso, nunca me trairia. Nunca sequer cogitaria isso, então me desculpa se fiz um escândalo por você estar indo jantar com um cara, quando isso com certeza não terminaria de uma forma ruim.
— Ei. — Segurei no rosto dele com ambas as mãos. — Fica sabendo que eu também sei que você nunca me trairia, mesmo com sua longa lista de ex, ou com todas as mulheres que amariam ter você por uma noite. Nós confiamos um no outro, querido, por isso estamos firmes por todo esse tempo.
— Quase dez anos de casamento.
— Sabe. — Tirei minhas mãos dele. — Eu não estou falando que gosto de você sendo um possessivo sem limites e soando como um idiota, mas nós somos casados e vamos continuar brigando, Edward. Por mil outros motivos, isso é bom, eu prefiro brigar com você a me distanciar. Se um dia nosso casamento virasse algo que nós dois simplesmente ignoramos o outro, isso seria insuportável para mim.
— Para mim também.
— Então, senhor Cullen, se prepare paras as próximas brigas, só prometa que sempre iremos nos reconciliar depois de todas elas. Pois, eu poderia viver sem você, Edward — admiti. — Seria humanamente possível me acostumar a não estar com você, a questão é que não quero estar longe de você, querido. Eu te amo, quero que nós continuemos juntos até onde for o nosso para sempre.
— Prometo que sempre iremos nos reconciliar, querida. — Beijou meus lábios por um segundo. — Eu também não quero uma vida onde você não esteja ao meu lado, seria tediosa, você me faz rir, me faz chorar, me faz amar e me faz gozar.
Ri, deslizando uma mão pela coxa dele.
— Eu faço isso muito bem — me gabei. — Sexo de reconciliação?
— Por mais que eu fosse amar isso, estou cansado demais para, querida.
Sorri, entendendo.
— Tudo bem, os ânimos foram altos hoje. — Subi minha mão para seu peito, sentindo seu coração bater. — Então, eu estava pensando em trocar o jantar com Logan por um almoço.
— Por quê?
— Porque assim não perdemos uma noite inteira com ele, ai podemos aproveitar melhor Matthew e Renesmee, é importante que estejamos em casa o máximo possível. Que tal almoçarmos com ele e a esposa no restaurante do hotel, na quarta?
— Parece bom para mim.
Sorri para Edward, me aconchegando em seus braços. Olhei para George, que continuava roendo o sapato do meu marido.
— Quem diria que o cãozinho dorminhoco que você escolheu era um bagunceiro — Edward falou, passando os dedos por meus cabelos.
— Sempre escolho os encrenqueiros, querido.
Edward riu, puxando-me para um beijo.
***
Na terça de manhã Edward trocou a academia para levar junto com Nelly os filhotes para passear pelo bairro, enquanto eu cuidava do café da manhã e acordava as crianças. Foi uma manhã tranquila, incluindo no trabalho, só que no fundo eu ainda estava nervosa sobre o teste de Matthew aquela tarde.
Edward e eu fomos almoçar em casa aquele dia, podendo ficar um pouquinho com nosso filho antes de irmos para a escola. Demos o resto do dia de folga para Felix, pois Edward queria dirigir, o que nos levou ao Volvo dele, por mais que ele e Matt quisessem andar no Bugatti novamente, sendo que o carro foi o assunto durante o caminho até a escola.
Assim que chegamos lá levamos Matthew para a sala da diretora, ela já nos aguardava como prometido no dia anterior. Eu não conseguia soltar a mão de Matthew, morrendo de medo sobre ele fazendo um teste.
— Olá Matthew, sou a diretora Hanson — a velha mulher o cumprimentou.
— Oi — Matt respondeu desconfiado.
— Sabe que vai passar por um teste, certo? Apenas para que nós possamos saber qual será a sua turma aqui na escola.
— Sim.
— Venham comigo — a diretora pediu, nos levando para uma das bibliotecas, a escola tinha três delas.
Lá a coordenadora de ensino e a psicóloga da instituição esperavam pela gente. Elas nos explicaram como o teste, dividido em fases, aconteceria. Matthew responderia uma prova escrita, depois uma oral, depois ele conversaria com a psicóloga para que ela declarasse o grau de maturidade psicológica dele, o que também influenciaria todo o caso.
— Você vai se sair bem, certo? — Edward falou para Matthew, quando nos despedíamos dele, pois a diretora pediu que esperássemos fora da sala da biblioteca que usariam para aplicar o teste. — Só vai responder algumas perguntas e conversar com elas, nada demais.
— Ok.
— Amamos você. — Beijei o rosto dele, deixando Edward me levar para fora.
O teste durou horas, quase três. Aquilo me enlouqueceu, era tempo demais, ou Matthew precisava de tempo demais?
— Ah, Logan confirmou o almoço amanhã — falei para Edward, vendo a mensagem que tinha acabado de chegar ao meu celular, com a resposta para a mensagem que tinha enviado mais cedo.
— Beleza. — Edward assentiu, olhando para a sala, mas não podíamos ver nada lá dentro. — Eu fiz algumas provas ali, sabia? Por que eu fui pego colando uma vez, ai passei o resto do semestre fazendo as provas naquela sala.
— Sério?
— É, me pergunte em qual prova fui pego colando.
— Qual prova?
— A de história da arte. — Eu ri, Edward também, me puxando para seus braços. — Sempre fui muito melhor com números.
— Com certeza, querido.
Ouvimos a porta se abrir, o que fez com que nos afastássemos. Matthew saiu lá de dentro acompanhado da coordenadora, diretora e psicóloga.
— Que tal sentarmos? — a diretora sugeriu, gesticulando para uma das mesas grandes da biblioteca.
Matt sentou entre Edward e eu, enquanto o trio de funcionárias da escola sentavam do outro lado da mesa, com papéis a frente delas. Aquilo parecia tão sério, como se Matt estivesse passando por um teste de admissão para a faculdade, eu pelo menos estava nervosa como quando passei por minha entrevista para Harvard.
— Aqui estão as notas dos testes — a coordenadora estendeu os papéis para Edward e eu.
— Pela avaliação que fizemos Matthew deverá ficar na primeira série do Elementary School — a psicóloga falou, aquilo era duas séries antes do recorrente para a idade de Matthew.
— Certeza? — Edward perguntou, avaliando as notas dos testes.
— Sim, senhor Cullen — a coordenadora afirmou. — Matthew não se encaixaria na terceira série, ele não tem o mesmo grau escolar que os outros alunos dessa turma.
Respirei fundo, afagando as costas do meu filho, que estava quietinho.
— Não há nada que possamos fazer? — Edward insistiu. — Para que ele esteja na turma com alunos da sua idade.
— Não, senhor Cullen — a diretora deixou bem claro. — Vocês desejam continuar com a matrícula...
— Claro que sim! — exclamei, a cortando. — Matthew vai estudar, diretora Hanson, se for em uma turma com crianças menores, tudo bem, só não vamos negar a ele o direito de estudar.
— Tudo bem, então — ela concordou, forçando um sorriso. — Vamos acertar tudo para que ele comece ainda amanhã.
Nós terminamos de cuidar de tudo para que no dia seguinte Matthew pudesse ir para a aula, quando acabamos faltava pouco para Renesmee sair e ficamos andando pela escola com Matt. Como Edward tinha estudado lá por sua vida toda, ele falava sobre o lugar para nosso filho, mas Matthew continuava quieto e com o olhar desanimado.
— Ei, amorzinho, por que você esta tão triste? — perguntei quando sentamos nos bancos do corredor para ele amarrar seus cadarços.
— Eu sou burro, por isso vou ficar numa turma com crianças menores?
— Matthew, não! — neguei.
Edward que estava em pé se ajoelhou a nossa frente, segurando o rosto de Matt em suas mãos, fazendo com que um encarasse o outro.
— Matthew, você não é burro, nunca deixe que ninguém te chame por algo assim, ouviu? Pois, você não é, é um garoto inteligente, o fato de você não estar numa turma com alunos da sua idade não muda nada. A questão é que você perdeu muitas aulas ao longo da sua vida, por isso precisa recomeçar algumas turmas atrás para poder aprender tudo que perdeu antes. — Edward olhou para mim por um segundo. — Sua mãe e eu estaremos ao seu lado, sempre, filho. Nós te ensinaremos tudo que sabemos, caso não soubermos iremos todos aprender juntos, mas eu te prometo que você um dia irá ter seu diploma escolar e depois um de uma universidade. Eu realmente não me importo para qual universidade você irá, apenas quero que saiba que é capaz de ir para a que você quiser, filho. Nunca deixe que te digam o contrário, certo? — Matthew assentiu. — Nós vamos enfrentar todas as batalhas com você.
Os olhos do meu marido estavam marejados, ele puxou Matthew para si e lhe deu um abraço apertado. Afaguei as costas de Matt, enquanto meu olhar se encontrava com o de Edward.
Ele estava apreensivo, nós dois estávamos. Era uma etapa nova na vida de Matthew, mas o fato de ele ser nosso filho queria dizer que era uma etapa nova para a gente também.
Eu puxei Matthew para meus braços, o deixando se agarrar a mim. Não gerei aquele menino, mas naquele momento desejei tê-lo em meu ventre, apenas para que pudesse o manter seguro vinte e quatro horas por dia.
— Eu amo você — sussurrei para ele. — Sempre vou amar.
***
Matthew ficou uma fofura vestido em seu uniforme escolar, eu o fiz parar por quase meia hora na sala de estar na quarta-feira para que pudesse fotografá-lo. Apenas precisava ter registros fotográficos daquele grande momento, também fiz todos da casa tirarem fotos com ele, até mesmo George e Fred.
Por fim, depois do café e de quase encher um cartão de memória com fotos e vídeos, nós estávamos prontos para sair. Edward e eu queríamos fazer aquilo com mais calma, então dispensamos Felix aquela manhã e levamos as crianças para a escola no Volvo.
Meu marido ia dirigindo, eu ao seu lado massageando seu ombro e as crianças no banco de trás assistindo Bob Esponja. Por fora o clima era descontraído, mas Edward e eu sabíamos a verdade, tanto que mais cedo nos tínhamos refeito a aposta que anos atrás fizemos quando Renesmee foi para a escola pela primeira vez.
Quem chora primeiro?
Eu estive crente que Edward choraria primeiro, ela era a princesinha dele indo para a aula. Entretanto, no momento que eu vi minha menina indo para os braços da professora, entrei em desespero começando a chorar.
Renesmee não chorou, Edward não teve tempo de chorar por estar me consolando, mas eu me certifiquei de chorar por nós três. Ali, eu sabia que acabaria chorando primeiro por Matthew, Edward apostou em si mesmo.
Edward e eu saímos do carro primeiro, ele tirou Matthew de seu lugar especial, enquanto eu ajudava Renesmee a sair. Ela segurou firme na minha mão e me lançou uma piscadela, parecia entender o quanto aquele momento era grandioso.
— Amo você, mamãe.
— Eu também te amo, pequena. — Sorri para ela, arrumando a trança que ela usava aquele dia.
Olhei mais a frente para o estacionamento, vendo pais e filhos deixando seus carros e tomando caminho para o interior da escola. Por que nenhum deles era negro? Brancos, alguns orientais, mas nenhum negro.
— Vamos? — A voz de Edward me despertou.
— Vamos — respondi, olhando para ele que segurava na mão de Matthew.
Nós quatro caminhamos juntos para o prédio da escola, eu segurava numa mão de Renesmee, Edward em uma de Matthew e meu marido e eu tínhamos nossas mãos entrelaçadas. Éramos um conjunto, funcionávamos juntos, uma muralha, ninguém nos derrubaria, ninguém seria capaz de atingir um sem atingir o outro.
Eu sentia os olhares curiosos sobre a gente, sobre Matthew principalmente. Senti vontade de parar e perguntar porque encaravam tanto, mas me mantive no caminho até a sala de Renesmee, onde a deixamos primeiro.
— Te vejo depois, irmãozinho. — Renesmee deu um forte abraço em Matthew. — Qualquer coisa pede para me chamarem, certo? Eu estarei aqui para te ajudar — falou ainda o abraçando.
Porra, eu tinha tanto orgulho da minha garotinha.
— Valeu, Nessie — Matt agradeceu.
Nós nos despedimos de Renesmee, deixando-a ir para sua sala de aula. Seguimos mais adiante aquele corredor, onde a sala de aula que Matt estudaria ficava.
— Olá, vocês devem ser o senhor e a senhora Cullen, sou a senhora Patterson — a mulher na porta da sala falou, com certeza a professora. Ela era loira e alta, branca como todos os outros ali, levemente acima do peso.
— Somos sim, Edward e Isabella Cullen — nos apresentei, enquanto apertávamos a mão dela. — Esse é o nosso filho, Matthew.
— Olá, Matt! — Ela o cumprimentou sorrindo. — Posso te chamar assim?
— Po-Pode — Matt respondeu gaguejando, olhando apreensivo para dentro da sala de aula, já cheia de alunos.
— Excelente! — A professora falava como uma animadora de festas infantis. — Vocês podem ir agora, prometo que todos aqui na escola cuidarão muito bem de Matthew.
Eu confiava na promessa dela? Infelizmente não.
— Nós ficamos felizes em ouvir que irá cuidar bem do nosso filho, senhora Patterson — Edward falou para ela em um tom de voz baixo, mas firme. — Gostaríamos que soubesse que qualquer coisa deve nos comunicar imediatamente, como esperamos que você e todos os outros funcionários da escola respeitem Matthew, eu me fiz ser entendido?
— Sim, senhor Cullen — a mulher lançou um sorriso nervoso para meu marido.
— Excelente! — Edward se voltou para Matthew. — Você se lembra da conversa de ontem, filho?
— Sim.
Edward assentiu, tirando algo de seu bolso. Era uma caneta prateada, com o nome Cullen gravado ali.
— É sua agora. — Entregou a Matthew, lançando um sorriso encorajador para nosso filho. — Tenha uma boa aula, seja forte. — Abraçou Matthew, o beijou e se afastou, passando a bola para mim.
— Eu te amo, pequeno, nunca se esqueça disso. — Peguei a caneta de sua mão, desenhando em minha mão a letra M, pegando sua mão e colocando a letra B e uma E.
— Pra que isso, tia Bella?
— Apenas para que você se lembre de mim e do seu pai durante o dia. — Apertei sua bochecha, o fazendo sorrir minimamente. — Quando a tinta começar a apagar você pode reforçar a letra B e a letra E com a caneta que seu pai te deu, no fim do dia ele e eu estaremos aqui para te buscar. Querido? — Edward se aproximou, peguei sua mão, desenhando a letra M na mão dele também.
O sinal tocou, eu suspirei baixinho, devolvendo a caneta para Matthew.
— Boa aula, filho.
Fui pega de surpresa por Matthew tomando a iniciativa do abraço e beijando eu rosto, sorri para ele, retribuindo. Entregamos a mochila para ele, uma que ele tinha ganhado de Rosalie em seu aniversário, então deixamos que ele entrasse na sala com a professora.
Quando meu olhar se encontrou com o de Edward comecei a chorar, ele sorriu, me puxando para si. O deixei me amparar, enquanto deixava meu segundo filho ir para seu primeiro dia de aula, foi tão doloroso quanto com a primeira filha.
— Você ganhou — declarei sua vitória.
— Sabe qual é meu pagamento, senhora Cullen.
Eu o beijei ali mesmo naquele corredor, sem me importar em um inspetor nos pegar em flagrante.
***
Eu estava revisando algumas coisas com Emmett aquela manhã, mas mal conseguia manter o foco, pois ficava pensando em Matthew. Ninguém tinha nos ligado da escola, notícia alguma, o que queria dizer que tudo deveria estar normal por lá, mas meu coração de mãe estava ansioso demais e eu tinha de me conter para não ligar e checar se estava mesmo tudo bem.
— Bella? — Olhei para Emmett, que tinha requisitado minha atenção. — Tudo bem?
— Sim, quer dizer, mais ou menos. — Inspirei fundo. — É que Matthew começou na escola hoje, estou nervosa com isso.
— Você quer ligar para lá e confirmar que está tudo bem com ele?
— Não quero ser esse tipo de mãe. — Conferi a hora no meu celular. — Podemos continuar isso depois do almoço? Eu tenho que me encontrar no restaurante com Edward para um almoço com amigos.
— Certo, eu vou aproveitar e ir pegar Rosalie no trabalho dela, também combinamos de almoçar juntos.
— Isso está ficando sério! — provoquei, levantando da minha cadeira. Como não paramos para conversar na terça, eu não tive como conversar com ele sobre aquilo.
— É, eu a pedi em namoro e tudo mais — contou, coçando sua nuca. — Ela até quer que eu a acompanhe em um coquetel que terá na casa dos Cullen na sexta, Esme já me ligou exigindo minha presença, falando que agora sou da família e tenho que estar presente.
— É um coquetel importante — falei enquanto deixávamos minha sala. — Fico feliz por você e Rose, espero que dê certo.
— Eu também, aliás, obrigado pela dica dos lírios, ela os amou.
— Sempre as ordens, mande um oi para ela.
— Mande um oi para meu cunhado. — Emmett riu.
— Melhor não provocar tanto seu cunhado, Emmett — alertei, seguindo caminho para o restaurante, enquanto ele ia para a saída do hotel.
Edward já esperava por mim em uma mesa quando cheguei ali, ele parecia tranquilo sobre o almoço com os Kaswell, eu torcia para tudo ficar realmente bem. Me uni a ele a mesa, vendo que ele estava mexendo em seu celular vendo algumas fotos de Matt tiradas mais cedo aquele dia.
— Como você está lidando? — perguntei, apoiando meu queixo em seu ombro.
— Eu quase liguei para a escola umas mil vezes — Edward confessou, largando seu celular sobre a mesa e pegando minha mão onde eu tinha escrito a letra M. A mão dele também ainda tinha o desenho. — Espero que isso não esteja sendo muito complicado para ele.
— Espero que nós consigamos lidar se estiver — murmurei, traçando a letra M em sua mão. — Você esta realmente bem sobre o almoço?
— É, tudo bem — ele disse, mesmo não soando nada animado sobre aquilo. — Pra ser franco, estou com fome, esse Logan vai demorar muito?
Olhei em direção a entrada do restaurante, para checar se Logan não estava chegando e vi justamente o próprio aparecendo. Ele estava acompanhado da sua esposa, que eu não sabia o nome, a mulher era loira, seus cabelos lisos cortados na altura do ombro, parecia ser um pouco mais baixa do que eu, vestia uma saia lápis e uma blusa social.
Logan e ela estavam de mãos dadas, conversavam um com o outro, ambos com sorrisos no rosto, enquanto andavam até nossa mesa. Edward ainda estava concentrado na minha mão na sua, alheio a chegada dos nossos colegas de almoço, por isso chamei por ele.
— Querido, eles estão chegando.
Edward ergueu seu olhar, localizando Logan e a esposa do Kaswell. Vi o exato momento que meu marido arregalou os olhos, parecendo em choque.
— Edward, tudo bem, querido?
— Puta merda — xingou. — Eu conheço a esposa do Logan, Isabella.
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