Nossa Família
44 Capítulo Quarenta e Três — Sozinha
Notas iniciais
— Capítulo Quarenta e Três —
— Sozinha —
Isabella Cullen
O grupo Cullen estava nas mãos de Chelsea, o voto dela definiria o futuro da empresa e de todos nós. Um único voto era capaz de mudar tudo.
Olhei para meu marido, que estava extremamente nervoso, então para seu pai que tentava se manter firme. Voltei meu olhar para Chelsea, que sorria sabendo que tinha uma grande responsabilidade em mãos.
— Como representante de Harrison e Grace Masen, o voto que define o cargo de presidente do Grupo Cullen vai para. — Eu mataria Chelsea por aquela parada tola que prolongava o suspense, ela percorreu o olhar por todos, para por fim anunciar seu voto. — Carlisle Cullen.
Carlisle. Carlisle. Carlisle.
Soltei o ar, sentindo parte do peso em meus ombros evaporar. Carlisle continuaria em seu cargo, a presidência continuaria nas mãos certas.
— O quê? — a voz exaltada de Eleazar soou pela sala de reuniões antes mesmo que eu pudesse voltar minha atenção para Edward e Carlisle.
— Pai — Irina chamou a atenção dele em um tom de voz baixo, parecendo confusa e constrangida ao mesmo tempo.
— Isso não está certo! — Eleazar ignorou a filha, encarando Chelsea com um olhar mortal.
— Foi uma votação justa, Eleazar — Carlisle disse, fazendo com que eu o olhasse. Seu sorriso era sarcástico, ele sequer estava se dando o trabalho de o disfarçar. — Não seja um mau perdedor, Denali.
Edward suspirou baixinho, fazendo com que eu o olhasse. Seu olhar estava fixo na grande mesa, ele não parecia aliviado como Carlisle e eu.
— Este é o fim da votação e reunião, senhoras e senhores — Caius se pronunciou, enquanto Eleazar continuava parecendo que mataria alguém. — Carlisle Cullen permanecerá em seu cargo como presidente do Grupo Cullen.
— Nós podemos pedir uma segunda votação, não podemos? — Irina indagou afoita.
— Cala a boca, Irina! — Eleazar ordenou, fazendo com que ela ficasse assustada com a fala de seu pai. — Diga aos seus tios que eles fizeram uma péssima escolha, que isso trará péssimas consequências — disse com rispidez para Chelsea, que não pareceu nada abalada.
— Harrison e Grace estão certos da escolha que fizeram, Eleazar — foi tudo que falou.
— Sua garota tola! — Eleazar explodiu com ela, batendo na mesa, assustando todos nós. Instintivamente senti a mão de Edward em meu braço, querendo me proteger de qualquer coisa.
— Por que não me acompanham em alguns drinks no bar do hotel, senhoras e senhores? — Caius se pronunciou rapidamente, falando com os outros conselheiros que pareciam atordoados com a explosão de Eleazar.
Eles hesitaram, mas acabaram seguindo com Caius para fora. Na sala de reuniões permaneceu apenas os Denali, Chelsea, Carlisle, Edward e eu.
— Você sabe o que acontece agora, Carlisle — Eleazar falou para meu sogro, em um tom de ameaça.
Carlisle bufou, revirando seus olhos.
— Não pode esquecer isso, Eleazar? Você já teve seu show. Pedindo que dessemos a gerência geral do hotel sede para Irina, depois com essa besteira de querer meu lugar na presidência. — Carlisle se colocou de pé, segurando no encosto de sua cadeira. — Continue investindo no Grupo Cullen, vamos colocar uma pedra sobre os últimos acontecimentos.
Eleazar riu, soando lunático.
— Uma pedra será colocada, Carlisle, quando eu fizer essa merda de Grupo falir e ver todos vocês na lama. — Eleazar se levantou, fazendo com que Irina se colocasse de pé também. — Eu vou retirar todos os investimentos, depois irei adorar ver você perder tudo.
— Acho que está na hora de você ir embora, Eleazar. — Todos olhamos para a porta, vendo a figura séria de Esme parada ali, atrás dela estavam Athenodora e Rosalie.
— Ah, Esme! — Eleazar falou com ela, cheio de escárnio na voz. — Ao que parece seus pais…
— Eu não quero saber o que tem para falar sobre Grace e Harrison, quero que você vá embora desse prédio agora mesmo — Esme insistiu, o interrompendo, terminado de entrar na sala. — E quero que leve sua filha com você — completou, olhando com desprezo para Irina.
— Tia Esme, não — Irina falou, ficando de pé, tentou chegar mais perto de Esme, que esticou uma mão fazendo a Denali parar.
— Nunca mais apareça na minha casa, ou na minha frente — Esme ordenou a mulher. — Fique longe de mim e da minha família.
— Tia Esme — Irina choramingou e se eu não a odiasse teria sentido pena. — E-Eu, me des-desculpa — pediu.
— Vamos embora, Irina! — Eleazar agarrou o braço da filha, sob o olhar preocupado de Esme para aquela cena. Antes de ir, ele se voltou para Carlisle. — Irei tirar todos os investimentos quanto antes, se prepare para sua decadência, Cullen.
— Faça o que quiser, Eleazar — Carlisle bufou, deixando o Denali sair rebocando Irina junto de si.
— Os ânimos estão exaltados. — Chelsea riu, passando a mão por seus cabelos. — Mas, espero que você encontre um substituto para os investimentos dos Denali logo, Carlisle — disse para ele. — Tio Harrison e tia Grace não vão ficar contentes em permanecer investindo em um lugar passando por tantos problemas.
— Nós vamos cuidar disso tudo — Carlisle assegurou para Chelsea, que levantou da cadeira.
— Talvez você devesse reconsiderar o que falei — Chelsea disse, seu olhar se voltando para Edward. — Você não tem o melhor diretor financeiro em mãos, passe o cargo para alguém mais competente. Eu acho que tia Grace e tio Harrison teriam ótimas sugestões de substituto.
Espera, ela queria mesmo que Carlisle demitisse Edward?
— Vá embora você também, Chelsea! — Esme disse entre dentes. — Já causou muito desconforto por aqui. Volte para a Irlanda, volte para meus maravilhosos pais — debochou.
— Eu vou. — Chelsea sorriu para Esme. — Assim como seu filho também deveria ir embora, talvez a esposa dele também. Os dois não são bons para esse Grupo, estão sujando a imagem dele com todas essas matérias em jornais sensacionalistas.
Antes que alguém pudesse fazer algo, Rosalie que tinha saído de perto da porta como uma bala, estava agarrando os braços de Chelsea.
— Cuidado como fala do meu irmão e da Bella, Chelsea, ou eu vou ficar muito contente em ligar para seu marido e contar como você esteve flertando com papai durante o coquetel! — Rosalie ameaçou, soltando Chelsea com um gesto abrupto.
— Rosalie! — Carlisle exclamou, Esme tinha desviado seu olhar para o outro lado da sala e parecia enjoada, rapidamente Athenodora foi até ela e a fez sentar.
— Não me peça para ser gentil, pai — Rose protestou.
— Vocês todos estão perdendo a linha, essa família está ficando completamente desequilibrada — Chelsea acusou, arrumando sua roupa amassada. — Eu vou agora, meu voo sai em breve, os Masen precisam de um relatório pessoal de como tudo por aqui está fora de controle.
Ela saiu da sala pisando firme em seus saltos.
— Aqui, beba isso, Esme! — Athenodora entregou um copo de água para minha sogra, que se recusou a beber.
— O quanto você precisa? — ela questionou o marido.
— Do que está falando, Esme?
— Quanto você precisa para cobrir o rombo que os Denali vão deixar? E quanto vai precisar para chutar meus pais da lista de investidores. Eu não sei quanto tenho, mas talvez possa conseguir empréstimos no banco.
— Eu também posso conseguir, pai! — Rosalie se prontificou rapidamente.
— Não é assim que funciona — Edward se pronunciou pela primeira vez, passando as mãos por seus cabelos, estava muito ansioso.
— Querido, que tal… — ele ignorou minha fala.
— Não podemos simplesmente chutar Grace e Harrison do quadro de investidores, seria uma fortuna que pagaríamos em quebra de contrato. Depois teríamos de ter mais um valor alto para cobrir os investimentos deles, algo que já teremos de fazer com os Denali, não temos esse dinheiro todo, nem mesmo se vendessemos tudo. E sim, podíamos tentar conseguir empréstimos, todos nós, mas seria uma escolha arriscada e no futuro poderia nos por em problemas maiores.
— Vamos dar um jeito — Carlisle garantiu.
— Eu quero abrir mão de todo o dinheiro que recebo e posso receber num futuro deles — Esme proclamou. — Não quero um dólar daqueles dois, não depois de o que fizeram mandando a cobra da Chelsea.
— Também não quero mais esse dinheiro, isso tudo é sujo demais — Rose resmungou. — Edward?
Meu marido olhou para o pai.
— Eu quero que você encontre um novo diretor financeiro, Carlisle.
— O quê? — gritei junto de Esme.
— Estou me demitindo — Edward anunciou.
— Você ficou louco, garoto? — Esme continuou gritando com ele.
— Mãe, por favor — Edward pediu irritado.
— Não, não me venha com por favor, você está maluco!
— Rosalie, Athenodora, por que vocês não voltam ao SPA? — Carlisle sugeriu, sua esposa ficou visivelmente furiosa.
— Não me mande para a droga de um SPA, Carlisle Cullen, você continua sendo o presidente desse Grupo, mas não manda em mim.
— Só preciso conversar com Edward com mais calma — Carlisle insistiu, sem hesitação em sua voz. — E você sabe muito bem que não pode ter fortes emoções, Esme, nem devia ter saído do SPA para começo de conversa, precisa relaxar.
— Não quero relaxar porra nenhuma, Carlisle!
— Ei, mãe, calma! — Rosalie pediu, com ajuda de Athenodora fazendo Esme se levantar. — Vamos deixar o papai e a Bella conversarem com o Edward, ok? — Ela olhou para o irmão. — Não aja inconsequentemente, encrenqueiro.
Edward não respondeu.
Sob protestos Esme deixou a sala com as outras duas.
— O que deu em você? — indaguei meu marido, sentindo todo o sangue do meu corpo acumular em meu rosto, deixando-me corada de um jeito raivoso.
— Chelsea e os Masen estão certos, não sou o diretor financeiro ideal para o Grupo Cullen.
— Edward, para de falar merda! — Senti vontade de começar a bater nele, mas me contive. — Já tivemos essa maldita conversa antes, pare de pensar que não é um bom diretor, droga!
— Eu não sou, Isabella! — ele exclamou, levantando.
— Você salvou Boston.
— Eu implorei por sua ajuda — ele afirmou. — E se eu fosse um bom diretor não teria deixado aquilo acontecer em Boston para começo de conversa, mas o que fiz? Deixei o filho da puta do Garrett nos enrolar bem debaixo dos meus olhos, isso não é algo que um bom diretor financeiro faça, as coisas poderiam ter acabado muito pior aquele dia. Agora os Denali estão saindo, os Masen me odeiam porque estou adotando um filho negro, eu não posso lidar com tudo isso. — Fechou um botão do seu paletó, voltando-se para Carlisle que o encarava sério. — Sinto muito, Carlisle, eu tenho que sair.
— Você é tão fraco assim, Edward? — a fala de Carlisle foi uma facada em mim, com certeza em Edward também.
— Só quero sair e garantir que não seja eu a levar o Grupo do vovô à lama — Edward sussurrou.
— Certo, se essa é a sua decisão me entregue seu crachá e saia — Carlisle ordenou, estendendo a mão para Edward, que empalideceu. Eu esperei pela parte que o presidente falaria que aquilo era uma grande piada, mas não aconteceu. — Vamos, Edward, você quer sair ou não? — Carlisle insistiu. — Você realmente se acha incapaz de ocupar esse cargo? Se sim me entregue seu crachá e não volte mais aqui como um funcionário, eu colocarei outro em seu lugar.
— Você está de sacanagem, não está? — gritei com Carlisle, levantando com rapidez e quase deixando a cadeira que estava sentada cair. — Não pode deixar o Edward se demitir, ele é seu filho.
— Você sempre foi a primeira aqui a levantar uma bandeira contra nepotismo, Isabella — Carlisle lembrou, me fazendo calar a boca, ele estava certo, mas...
Edward hesitou, mas acabou tirando o crachá do bolso da sua calça.
— Não, Edward! — Tentei tirar da mão dele, mas ele o estendeu para Carlisle.
— Tem certeza? — Carlisle segurou na ponta do crachá. — Acredita mesmo ser um péssimo diretor?
— Sim e eu sei que nunca serei um bom presidente como você é e vovô Anthony foi, é bom que eu saia agora, antes de foder tudo. — Edward soltou o crachá.
— Edward, porra!
— Eu te vejo de noite, preciso sair agora e ficar sozinho, desculpa — ele pediu para mim, me dando um rápido beijo na testa antes de sair da sala de reuniões.
Queria muito ir atrás dele, mas naquele momento fiquei ali para brigar com Carlisle.
— Como você pode deixar ele se demitir assim? Você ofereceu seu apoio para ele ser presidente semanas atrás, agora deixa ele largar tudo por conta do que a cretina da Chelsea disse, Carlisle? O que deu em você?
— Edward precisa aprender a lidar com pressão, Isabella. — Carlisle jogou o crachá do filho sobre a mesa. — Eu não posso deixar um futuro presidente se deixar vencido tão rápido por o que estão falando do trabalho dele.
— Você devia o apoiar! — tornei a gritar. — Não como um presidente, mas como um pai, devia o entender. Edward está passando por um monte de merda, você não entende isso?
— Todos nós estamos e mesmo assim nem você ou eu pedimos demissão, pedimos? — Ele arqueou uma sobrancelha. — Eu vou efetuar a demissão dele amanhã, se ele voltar atrás e provar que realmente quer continuar no cargo dele, continuará sendo o diretor. Se ele continuar se menosprezando, eu não posso fazer nada.
— Você é um idiota! — disparei, agarrando o crachá de Edward de cima da mesa.
— E eu também posso te demitir — Carlisle falou, fazendo com que eu o encarasse incrédula. — Você é minha nora, a mãe dos meus netos e como uma filha para mim, mas desde o começo pediu para ser tratada aqui como uma funcionária. É o que estou fazendo com você e com Edward, não vou deixar vocês dois se perderem nas regalias de serem parentes. Sabe muito bem que se Edward não tivesse mudado muito ele nunca teria se tornado um diretor, e que se você não fosse extremamente competente não seria uma gerente geral, mas se vocês cederem a toda a maldita pressão que estamos sofrendo agora, eu não posso os deixar onde estão.
— Eu nem consigo olhar na sua cara agora, Carlisle. — Segui em direção à saída da sala.
— Espero que você esteja indo trabalhar — ele falou, me fazendo parar. — Está no meio do seu expediente.
— Está me proibindo de ir atrás do Edward? — perguntei, de costas para ele.
— Edward pediu para ficar sozinho, o deixe sozinho, vá para o trabalho — ordenou. — Entendeu?
Respirei fundo, apertando o crachá de Edward em minhas mãos.
— Sim, senhor.
***
O resto do dia foi uma droga, eu mal conseguia me concentrar no trabalho, pois só conseguia pensar em Edward em algum canto da cidade, sozinho e estressado demais, tendo que lidar com tudo aquilo. Liguei um milhão de vezes para ele, fiz Angela ligar insistentemente também, mas o celular dele estava desligado e ele não se dava o trabalho de retornar nenhuma mensagem ou ligação.
Esme tinha me ligado uma dezena de vezes, questionando onde Edward estava, já que ele não a atendia e nem a Rose, e elas foram até a praia que meu marido costumava ir, mas ele não estava lá. Em algum momento do dia fiz Jasper ir atrás do amigo, mas também não o encontrou em lugar algum, o que só me deixava pior e com vontade de esganar Carlisle.
Pouco antes de eu deixar o hotel para ir buscar as crianças na escola, recebi uma notificação em meu celular, lembrando que tinha um encontro do grupo de apoio aquele dia. Edward e eu não tínhamos confirmado presença, nem nada disso, mas tínhamos combinado que se a votação do conselho fosse favorável à Carlisle, iriamos comparecer.
Disquei mais uma vez o número dele, outra vez sendo direcionada para deixar uma mensagem.
— Edward, hoje é a reunião no grupo de apoio, você lembra disso? Você sequer lembra que tem uma esposa? — perguntei magoada, depois daquele longo dia. — Eu vou buscar nossos filhos na escola, depois vou à reunião — avisei, decidindo por aquilo, alguém pelo menos tinha que continuar trabalhando na adoção de Matthew, mesmo que eu tivesse de fazer aquilo sozinha. — Me encontre lá, ou não, você quem sabe. — Desliguei, ia ligar para outra pessoa, mas naquele momento Charlie me ligou. — Oi — atendi desanimada.
— Bells? Você está bem?
— Sim — menti.
— Tem certeza?
— Tenho, o que você quer? — Eu tinha total noção de que fui grossa, mas naquele momento não estava me importando muito com os sentimentos dos outros.
— Edward fez algo? — Charlie indagou sério. — Me diga, eu vou até ai arrebentar a cara desse garoto.
— Pai, por que você me ligou mesmo? Eu tenho de sair em minutos para ir buscar as crianças na escola.
— Mas...
— Só vá direto ao ponto, garanto que está tudo bem aqui.
— Ok — Charlie murmurou, pigarreando. — Eu e Sue vamos casar.
— O quê? — Meus olhos se arregalaram. — Isso é sério?
— Sim, nós decidimos isso ontem, estou te ligando agora para contar. O que acha? — Parte egoísta de mim detestou ver Charlie indo bem, enquanto naquele momento tudo estava uma bagunça para mim.
— Parabéns, pai! — foi o que falei. — Sério, parabéns mesmo. Sue é ótima, vocês dois vão ser muito felizes juntos. Quando acontecerá o casamento?
— Dia 28, desse mês, vai ser uma cerimonia pequena em La Push. Você e as crianças vão vir, né?
— Claro.
— E Edward?
— Ele também, pai — confirmei.
— Não quer mesmo me contar o que está acontecendo por ai em Chicago?
— Não é nada — tornei a mentir. — Mais uma vez, parabéns pelo noivado. Eu preciso desligar agora, ok? Nos falamos melhor depois. Mande um oi para Sue e todos ai.
— Tudo bem, mande um oi de volta para as crianças.
— E para Edward.
— Não acho que ele esteja merecendo.
— Eu vou desligar agora, tchau, pai! — Não dei tempo para ele voltar a me questionar sobre Edward. Mandei uma mensagem para Angela, pedindo que ela mandasse alguma floricultura de Forks, ou perto, entregar flores para meu pai e Sue como parabenização, então pude ligar para quem ligaria antes, Alice.
— Oi, Bella! — Alice exclamou animada ao atender a ligação. — Eu já ia te ligar, para falar sobre seu vestido...
— Ei, eu posso te pedir algo? — indaguei, cortando a fala dela. — Preciso de colo da minha melhor amiga — confessei, sentindo-me sozinha naquele momento.
— Algum problema?
— É, mas se você não quiser ouvir vou entender.
— Corta essa, eu vou te ouvir sempre, Isabella — afirmou. — Onde está? Para onde devo ir?
— Eu estou no hotel, tenho que ir buscar as crianças na escola e as deixar em casa. Quero ir a uma reunião do grupo de apoio a adoção, mas não quero fazer isso sozinha.
— Espera, cadê o Edward?
— Eu não faço ideia — sussurrei, sentindo o nó na minha garganta.
— Tem certeza de que quer ir a esse encontro? Não a um bar encher a cara?
— Tenho — confirmei. — Você aceita ir comigo? Eu vou entender caso não queira.
— Vou com você sim, imagino que isso deva ser importante para a adoção, para toda a conclusão.
— E é.
— Vamos fazer assim, eu vou ai te buscar no hotel, nós pegamos Matt e Ness na escola, os deixamos com Nelly e vamos para a reunião.
— Obrigada, Alice — agradeci. — Muito obrigada.
***
Como combinado, Alice foi me buscar no hotel. Eu entrei no carro de Jasper — que depois ela explicou ter trocado com o namorado, pois o dela não comportaria as crianças —, e fui imediatamente envolvida em um abraço de urso por minha melhor amiga.
— Vamos, desabafe — ela ordenou, começando a dirigir para longe do hotel depois de um dos abraços mais longos que ela e eu já tínhamos trocado.
Contei tudo que tinha acontecido para ela, sentido aos poucos menos sozinha, pois tinha alguém para compartilhar aquilo tudo. Era bom ter uma melhor amiga, alguém que não fosse um parente meu, ou de Edward, pois isso me dava mais liberdade de ficar com raiva dele sem ouvir a outra pessoa me criticar por isso, pois naquele momento, apesar de tudo, eu estava muito chateada por meu marido ter sumido.
— Edward logo vai reaparecer, ele só precisa de uma pausa — Alice falou confiantemente quando paramos no estacionamento da escola das crianças. — Todos precisamos de pausas em algum momento, mas se você quiser quebrar a cara dele estarei aqui para ajudar.
Eu ri.
— Não, vamos deixar o rosto dele intacto.
— Você quem manda. — Alice piscou para mim. — Vamos buscar aquelas pestinhas.
— Ei! — Ela apenas riu.
Tínhamos chegado atrasadas, então o grupo costumeiro que Renesmee e Matthew ficavam já tinham ido embora. Estavam só os dois, parecendo muito entediados.
— Finalmente! — Renesmee resmungou. — Tia Alice… Espera, cadê meu pai? — Ela sequer comemorou a presença de Alice, já dando por falta de Edward.
— Tia Bella, eu joguei basquete hoje, foi muito maneiro — Matthew contou entusiasmado. — Quero jogar basquete todo dia.
— Isso parece divertido.
— Mãe, cadê meu pai? — Renesmee tornou a indagar, ficando impaciente.
— Ocupado, ruivinha. — Alice beliscou a bochecha dela. — E sua mãe e eu temos um compromisso hoje, por isso vamos indo logo para o carro, deixaremos vocês em casa com Nelly e sairemos.
Renesmee resmungou baixinho, seguindo com sua madrinha.
— Conte mais sobre o basquete, lindo — pedi a Matthew, que falou sobre aquilo durante todo o caminho até em casa.
Chegando ao apartamento eu levei as crianças até Nelly, expliquei a ela que precisaria sair com Alice e que não sabia que horas Edward voltaria para casa. Depois, segui de volta para o carro com Alice e fomos em silêncio até o endereço que o grupo de apoio se encontrava, eu esperava que nos deixassem participar do encontro.
— Como se sente? — perguntei a Alice quando chegamos lá, era em uma casa, provavelmente a de Huilen que criou o grupo.
— Nervosa, meio enjoada — Alice admitiu, esfregando uma mão na outra. — Eu nunca pensei que estaria em um grupo desses, sabe?
Assenti, enlaçando meu braço ao dela. A porta foi aberta pela própria Huilen, que tinha participado da palestra que Edward e eu fomos dias atrás.
— Olá! — ela nos saudou com simpatia.
— Oi! — A cumprimentei, sorrindo também, largando Alice para apertar a mão da nossa anfitriã. — Sou Isabella Cullen, essa é Alice Brandon — nos apresentei. — Estivemos algumas semanas atrás numa palestra e…
— É, eu me lembro de vocês saindo apressadamente por conta daqueles fotógrafos — Huilen comentou, eu sequer queria lembrar daquilo. — Vieram para o encontro do grupo? — Olhou na prancheta em sua mão.
— Sim, mas não avisamos que estaríamos vindo, vamos entender se for inviável participar.
— São muito bem vindas — foi a resposta de Huilen. — Estávamos para começar, melhor entrarem.
Alice segurou em meu braço, enquanto seguíamos Huilen para o interior da sua casa. Era um lugar espaçoso, eu morava em um apartamento duplex, mas achei a casa de Huilen realmente maior do que meu apartamento e os brinquedos espalhados por todo lado me davam uma sensação boa no peito.
Será que era a hora de mudarmos para uma casa?
— Gente, temos carne nova! — Huilen anunciou em um tom divertido quando chegamos à sala de estar, que era grande e comportava um monte de gente.
Contei rapidamente, dez pessoas fora Huilen. Alguns em pé, outros sentados nos sofás, ou nas cadeiras que tinham ali.
— Ei.
— Oi!
— Olá!
— Sejam bem vindas!
Todos falaram comigo e com Alice cheios de simpatia.
— Essas são Alice Brandon e Isabella Cullen — Huilen nos apresentou.
— Cullen como o hotel Cullen? — uma mulher de traços mexicanos perguntou para mim empolgada.
— Eu sonho em me hospedar lá — um cara disse.
— É, como o hotel — admiti.
— Vocês estão juntas há quanto tempo? — uma mulher negra nos perguntou, fazendo Alice e eu nos encararmos e rirmos um pouco.
— Ah não, não somos um casal — declarei. — Ela é apenas minha melhor amiga, eu sou casada com um cara.
— Ah, isso faz sentido porque só você está de aliança — uma das mulheres falou.
— Mônica, não seja indiscreta — Huilen falou. — Deixe-me apresentar vocês, meninas. Essa é a Mônica. — Apontou para a mulher que tinha acabado de falar, ela era alta, tinha cabelos e olhos escuros e pele branca, estava sentada junto de um cara loiro, com olhos azuis e pele bronzeada. — Esse com ela é Patrick, são casados.
— Oi! — Os dois acenaram para a gente.
— Esses são Jamal e Abby. — Huilen nos apresentou a outro casal, Jamal e Abby eram negros, ela usava seus cabelos presos em um turbante e ele tinha tranças. Os dois também nos cumprimentaram com simpatia. — Esse é o David. — Gesticulou para um homem negro, que estava sentado no braço do sofá.
— Eu sou o Henry, casado com o David e nós amaríamos um dia de graça no seu hotel, Isabella Cullen — o homem perto de David falou, ele era loiro, com covinhas no rosto. Apenas ri deles, no momento eu não queria saber do hotel.
— E essas são Taylor e Lupita — Huilen continuou nos apresentando. Taylor era uma mulher mais velha, levemente acima do peso e usava roupas mais masculinas, minha mãe a chamaria de sapatão caminhoneira e pensei como aquilo era problemático. Lupita parecia ser mexicana, alguns anos mais nova do que Taylor e de roupas mais femininas.
— Oi — as cumprimentei.
— Aqui estão Verônica e Joseph — Huilen nos apresentou ao último casal, ambos tinham expressões cansadas no rosto e deduzi que eram pais de bebês. Os cabelos loiros de Verônica estavam presos em um coque baixo, enquanto Joseph mal conseguia ficar de olhos abertos. — Querem beber algo? Ou comer? Se estiverem com fome podemos partir primeiro para a comilança — Huilen falou comigo e com Alice.
— Não, estamos bem — afirmei, olhando para Alice que ainda parecia muito nervosa.
— Vamos, sentem-se todos! — Huilen pediu, puxei Alice até um dos sofás, nós duas ficando junto de Henry e David. Todos acharam um lugar para sentar, então estávamos no meio de uma rodinha. — Que tal vocês começarem a falar sobre as experiências de adoção que estão passando? — Huilen perguntou para Alice e eu.
— Só eu estou adotando.
— Eu sou adotada — Alice murmurou. — Não pela Bella — disse o óbvio. — Quero dizer que fui adotada e isso foi uma droga para mim, eu acho que não deveria estar aqui, isso não parece certo — falou, se remexendo sem parar no lugar.
— Ei, que tal falar mais sobre sua adoção? — Mônica sugeriu. — Acho que todos nós aqui podemos escutar uma pessoa que foi adotada, nos ensinaria muito e faria bem para você desabafar.
Alice olhou para mim com hesitação, sorri para ela e segurei em sua mão, incentivando-a continuar.
— Basicamente, meus pais adotivos só me adotaram para tentar salvar o casamento deles. — Ela fungou. — Nem isso resolveu, eles se divorciaram quando fiz quinze anos e acabei sabendo ai que era adotada. Eles, meus pais adotivos, nunca foram os melhores pais para mim. Eu cresci sem pais realmente preocupados comigo, talvez eles fossem ser do mesmo jeito se eu fosse filha biológica, ou talvez era por eu ser adotada mesmo, não sei, acho que nunca vou saber. Bom, um dia eu fui atrás da minha mãe biológica, que se importou menos comigo. É, é isso, eu nunca tive pais, biológicos, ou adotivos que me amassem de verdade. — Engoliu em seco, contendo o choro.
— Obrigada por compartilhar sua história conosco, Alice — Huilen agradeceu, minha amiga deu um sorriso pequeno para a mulher. — Isabella, gostaria de falar?
Olhei para as pessoas naquela sala, tirando Huilen, todos acompanhados de seus respectivos pares. E eu tinha Alice ali comigo, mas não podia deixar de sentir a imensa falta de Edward, torci para ele aparecer de surpresa naquela sala, pedir desculpas por não ter aparecido antes e junto comigo contar nossa história, mas não aconteceu, eu continuava sozinha.
— Talvez depois você queira falar — Huilen falou, provavelmente vendo a dor em meus olhos, apenas assenti e ela começou a falar de sua história.
Eu me lembrava do que ela tinha falado na palestra, que tinha conhecido seu filho — Nahuel — em um abrigo, onde foi voluntária. Nos contou brevemente como as coisas estavam indo para eles, bem — na maior parte do tempo —, mas complicadas quando Nahuel em seus dez anos de idade tinha crises condizentes a sua idade, eu entendia, Renesmee também tinha seus momentos.
Henry e David foram os próximos a contarem sua história, os dois que tinham se casado uma semana depois do casamento gay ser permitido nos Estados Unidos, tinham adotado no ano passado um garotinho de oito anos chamado John. Eles falaram que John estava no abrigo desde seu nascimento, pois era negro e soropositivo e isso diminuía bruscamente as chances de ser adotado, mas que os dois se encantaram com o garoto no momento que eles o conheceram e o adotaram. A adoção tinha sido finalizada meses antes, eles estavam nas nuvens com aquilo.
Joseph e Verônica falaram brevemente, como eu tinha imaginado, eram pais de um recém nascido. Crystal, uma bebê de dois meses de idade, eles tinham sido escolhidos pela mãe biológica ainda durante a gravidez, então estavam com a menina desde o nascimento.
Mônica, soando radiante, contou sua história e a do marido. Eles tinham adotado um grupo de irmãos do México, Daniela, Bernardo e Miguel, de 17, 10 e 8 anos, respectivamente. Eu pensei em como seria adotar uma adolescente, como aconteceu com eles e Daniela, e conclui que era algo muito fora da minha realidade, já estava sendo difícil demais com Matthew tendo apenas oito anos.
Abby e Jamal falaram a seguir, eles também tinham adotado irmãos, da Gana. Aisha, de nove anos e Idris de seis. Estavam com as crianças há três anos e disseram que mesmo sendo negros, tentavam ao máximo preservar para os filhos a cultura africana que eles mesmo não tinham proximidade quando não eram pais.
Lupita e Taylor foram as últimas, a família delas era a mais plural. Taylor uma norte americana branca, do sul do país, Lupita uma mexicana, seu filho mais velho — Jaime — um garoto de cinco anos negro e sua caçula — Han — uma menina coreana de três anos.
Então, após todos falarem, chegou minha vez.
— Ok. — Respirei fundo. — Acho que vocês podem me chamar apenas de Bella — falei. — Eu sou casada à quase dez anos, infelizmente meu marido não pode vir hoje. — Contive a vontade de revirar os olhos. — Diferente da maioria aqui, eu não tenho impedimentos biológicos que me impediram de engravidar, tanto que tenho uma filha biológica. Sendo sincera, eu sequer pensava em adotar, até conhecer Matthew. Ele é um garotinho incrível, de oito anos de idade. Meu marido e eu o conhecemos do dia dos namorados desse ano, ele estava sozinho, faminto e com frio. Edward, meu marido, e eu ficamos imediatamente envolvidos com a história de Matt. No começo estávamos planejando apenas algum tipo de apadrinhamento financeiro para o pequeno, mas percebemos que não seria o suficiente, que nós já amávamos Matt e dinheiro não cobriria aquilo, ai decidimos o adotar. Tem sido uma jornada turbulenta, ele está em casa conosco alguns dias e as coisas ainda são novas, meu marido e eu ainda não somos reconhecidos por Matthew como pai e mãe e isso nos machuca mais do que deixamos transparecer. Além do mais, Matthew é negro, meu marido e eu somos brancos e isso apesar de não significar nada para a gente, significa para o resto do mundo e talvez Edward e eu não estejamos sendo pais realmente preocupados sobre as origens de Matthew, como vocês.
— Bem vinda ao grupo, Bella — Abby falou carinhosamente comigo, fazendo com que eu sorrisse para ela. — Nós sabemos que não é fácil, mas estamos aqui para te ajudar.
Eu me senti menos sozinha ao ouvir aquilo, mas ainda queria meu marido comigo.
***
O resto do encontro do grupo foi mais fácil, a partir do momento que eu já estava mais familiarizada com todo mundo. Todos compartilharam mais de suas histórias, Huilen nos levou para a cozinha para comer e eu vi fotos dos filhos de todo mundo, que estavam com babás ou parentes aquele dia.
Quando Alice e eu saímos, comigo prometendo tentar voltar no próximo encontro, me sentia leve. Minha amiga estava calada, ela tinha ficado assim na maior parte do tempo, mas voltou a falar quando entramos no carro.
— Eu queria que meus pais tivessem me amado mais — sussurrou.
— Sinto muito por isso, Alice. — Afaguei seu braço, ela assentiu.
— Mas, estou feliz que você esteja trabalhando tão duro para ser a melhor mãe para o pequeno Matt. — Ela afagou meu braço de volta. — Ele tem uma mãe incrível, e eu uma melhor amiga maravilhosa!
Sorri para ela, lhe dando um abraço.
— Vou te levar para casa — Alice disse. — Provavelmente Edward já está lá e vocês tem de conversar.
Edward não estava lá quando cheguei, Nelly que ainda estava acordada me informou que ele não tinha ligado, ou dado qualquer sinal de vida. Eu a deixei ir dormir, indo checar as crianças, que tinham ido para a cama cedo. Depois de beijá-los, tomei um banho, troquei de roupas e Edward continuava fora.
Fiquei na sala com os filhotes por um longo tempo, assistindo na TV um filme com máfia e lutas, chamado Arena Mortal*, que para me deixar mais ansiosa ainda, tinha um protagonista chamado Edward. Então, depois da meia-noite, quando o filme já tinha acabado, ouvi uma movimentação na cozinha, era Edward.
Meu marido apareceu na sala carregando uma garrafa de uísque em mãos, ela já estava pela metade, tínhamos bebido dela em outra ocasião. Edward estava sem seu paletó e gravata, as roupas amassadas, os cabelos uma bagunça.
— Você faz ideia de quão preocupada eu estive o dia inteiro? — indaguei, o encarando com raiva, ele me olhou com culpa, mas não disse nada. — A sua mãe passou o dia preocupada também, acha que isso é justo com ela? Acha que é justo eu não ter o que responder para Matthew e Renesmee quando me perguntaram sobre você? Acha justo ter me deixado sozinha?
Edward caminhou até o sofá, sentou lá, abriu a garrafa e bebeu um gole.
— Onde você esteve? — Fiquei de pé, sem conseguir ficar sentada perto dele naquele momento.
— Eu disse que precisava ficar sozinho — falou.
Eu ri, sem realmente achar graça de qualquer coisa.
— Não pretende me contar onde esteve?
— Eu só estive por ai.
Respirei fundo, me impedindo de chorar.
— Edward, vamos conversar — insisti, mas ele continuava encarando a garrafa em sua mão. — Querido? — Suspirei, cansada, quando ele permaneceu quieto.
Fiquei olhando para Edward por um longo tempo, dividida entre o abraçar e bater nele. Entre o beijar e brigar.
— Quer saber, eu vou dormir, estou exausta, para sua informação fui ao grupo de apoio, foi bom, mas eu estava sem meu marido e isso foi uma merda! — Caminhei em direção à escada, mas parei quando Edward não me seguiu, voltei meu olhar para ele. — Você não vai subir comigo? — indaguei.
— Não — ele respondeu, bebendo mais um pouco.
— Edward...
— Por favor, me deixa sozinho, Isabella — pediu.
Eu deixei.
***
Acordei cedo no dia seguinte, depois de uma noite terrível. Eu tinha resistido à vontade de ir atrás de Edward, sem querer dar meu braço a torcer.
Assim que acordei, depois de dormir bem pouco, fui até a sala. Não era uma surpresa que meu marido estivesse lá, dormindo no sofá, com a garrafa seca de uísque ao chão.
Para completar, George e Fred estavam choramingando, com certeza querendo sair para passear. O que era um trabalho de Edward, diga-se de passagem.
— Ei, acorda! — Sacudi meu marido, que resmungou, mas acordou por fim. A ressaca era visível nele, o que odiei.
— Me deixa dormir, Bella — reclamou, remexendo-se no sofá.
— Não, levante e vá levar os filhotes para passear, foi ideia sua ter cachorros.
— Porra — ele continuou reclamando, mas levantou.
— E se você quiser ficar bêbado faça isso em outro lugar, não quero Matthew e Renesmee te vendo nesse estado — anunciei, ele soltou um riso debochado, enquanto calçava seus sapatos.
— Sim, senhora!
Mordi minha língua para não falar nada, apenas fui para o segundo andar de novo. Acordei as crianças, querendo que elas não se atrasassem para a escola, os dois não estavam com o melhor humor, Renesmee estava quieta e Matthew cansado. Cuidei deles, deixando-os com Nelly na cozinha, ela já fazia o café da manhã.
Depois, fui me arrumar para o trabalho. Eu estava saindo do quarto quando Edward voltou, ainda com cara de poucos amigos, não falamos nada um com o outro, ele apenas entrou no banheiro e eu sai do quarto.
Durante o café o humor das crianças e o meu melhorou significativamente, Renesmee voltou a ser a garotinha falante de sempre e Matthew estava completamente desperto. Mas, quando Edward apareceu, ainda carrancudo, o meu humor voltou a piorar.
— Papai! — Renesmee comemorou ao vê-lo.
— Oi! — Edward encheu uma xícara com café.
— Tio Edward, joguei basquete ontem, a gente pode jogar basquete qualquer dia?
— Quem sabe.
— Pai, eu tava falando para a mamãe e para tia Nelly sobre o que vou ser quando crescer — Renesmee começou a falar para ele, animada e com o tom de voz alto. — Uma Youtuber, você pode me dar uma câmera boa para gravar vídeos? O que acha do primeiro vídeo ser de mim dançando just dance? Ou tocando piano? Talvez um tuor pelo aquário...
— Renesmee, cala a boca! — Edward exclamou impaciente e de forma grosseira, a calando.
Foi rápido, em questão de segundos Renesmee estava com um bico nos lábios e chorando. Minha filha correu para a escada da cozinha, subindo apressadamente para o segundo andar.
Fulminei Edward com um olhar, a culpa já dominava o rosto dele. Eu não falei nada, indo atrás de Renesmee.
— Ei, pequena! — Entrei no quarto dela, Renesmee estava sentadinha em sua cama, agarrada ao seu pinguim Carl.
— O papai gritou comigo — ela disse, ainda chorando.
Meu coração se despedaçou ao vê-la daquele jeito.
— Renesmee? — Nós olhamos para a entrada do quarto, nos deparando com Edward.
— É melhor você descer! — ordenei, fechando minhas mãos em punho.
— Eu vim pedir desculpas — ele falou sinceramente, me fazendo relaxar um pouco.
Edward entrou lentamente no quarto, passando por mim e sentando na beira da cama de Renesmee. Ela continuava chorando, olhando com magoa para o pai.
— Desculpe por ter falado com você daquele jeito, princesa. — Ele afagou o rosto molhado por lágrimas de Renesmee. — Fui grosseiro, não podia ter falado assim. Você me desculpa? — Renesmee assentiu, mas continuava chorando. — Sei que não justifica, mas estou preocupado com.... Com o trabalho — Edward contou. — Isso me deixou estressado, prometo que não vai acontecer novamente.
— O que tem o seu trabalho? — Renesmee fungou.
Edward suspirou.
— Lembra da aula de outro dia sobre dinheiro? O Grupo Cullen está enfrentando alguns problemas com dinheiro, mas não se preocupe, tudo irá se resolver. — Edward a pegou num abraço. — Me desculpe por ter gritado, Princesa. Eu devia ter te ouvido, não te calado. Podemos conversar melhor depois sobre esses vídeos, ok?
— Tudo bem, papai! — Renesmee apertou o abraço entre os dois, dando um beijo no rosto de Edward. — Amo você.
— Também te amo.
— Espera, eu tive uma ideia! — Renesmee exclamou, soltando Edward e saindo rapidamente do quarto.
Meu marido voltou o olhar para mim.
— Me desculpa — ele pediu.
— Grite comigo, mas não com minha filha — foi o que ordenei.
— Bella...
— Não agora — o cortei.
Renesmee não demorou a voltar para seu quarto, trazendo consigo seu pote de dinheiro para quando falávamos palavrão. A garota o entregou nas mãos do pai, que a olhava com um sorriso no rosto, percebendo como eu o que aquilo significava.
— Aqui, pai. — Renesmee sorriu como Edward. — Esse dinheiro pode ajudar os problemas do Grupo Cullen, né?
— Obrigado por isso, princesa. — Edward tocou nos cabelos dela. — Mas, não se preocupe, pode ficar com seu dinheiro, certo?
— Certeza?
— Certeza. — Devolveu o pote para Nessie. — Vem, senta aqui, quero conversar mais um pouco. — Ele colocou Renesmee ao seu lado na cama. — Gritar com você foi muito errado, filha, eu não deveria gritar com você, ou com sua mãe. — Ele olhou para mim. — E no último dia eu fui um péssimo marido e pai, me perdoe por isso. Quero que saiba que não pode deixar cara nenhum gritar com você, ok? Não deixe nenhum homem te destratar como eu mesmo fiz hoje.
— Pode deixar, pai. — Renesmee sorriu para ele. — E você é o melhor pai! — Beijou a bochecha dele, que lançou um sorriso triste para ela.
— Vai terminar de se arrumar — Edward a orientou. — Eu vou falar com seu irmão.
— Tá ok! — Renesmee entrou no banheiro para escovar seus dentes.
— O que você vai falar com o Matt? — questionei.
— Também preciso me desculpar com ele pela forma que agi — anunciou. — Se você não se importar posso pedir para Nelly deixar as crianças na escola? Queria que conversássemos depois que eles forem.
— Ok.
Eu permaneci no quarto de Renesmee, Edward foi ter sua conversa com Matthew. Alguns minutos depois os meninos apareceram para buscar Renesmee, Edward foi deixar as crianças no carro com Nelly e quando voltou eu estava no escritório dele, sentada sobre sua mesa.
— Onde você esteve? — foi a primeira coisa que perguntei.
— No cemitério — Edward respondeu, me pegando de surpresa, fazendo minhas defesas caírem um pouco. — Passei a maior parte do tempo lá junto ao jazigo da família Cullen.
— E depois?
— Depois que o cemitério fechou eu fui dirigir por ai, dirigi tanto que em algum momento já estava quase saindo da cidade. — Parou na minha frente. — Então, voltei para casa.
— Eu senti sua falta — confessei.
— Eu também, foi por isso que voltei. Talvez parte de mim estivesse dirigindo para longe justamente para fugir de tudo, ai eu pensei e você e nas crianças e retornei. Mas, ai eu cheguei aqui e você estava tão decepcionada comigo que tudo piorou.
— Você sumiu, não me peça para não ficar decepcionada depois disso.
— Eu sei, querida, eu sei. — Tocou gentilmente no meu rosto.
— Por quê?
— Parece que tudo que eu tenho feito nos últimos tempos é errar — ele respondeu minha pergunta. — Com meu trabalho, com as crianças, com você.
— Edward, por favor!
— Nós temos brigado frequentemente, eu tenho estado inseguro sobre tudo a respeito do Grupo Cullen, sobre ser um pai, pois acho que não sou mesmo o melhor, apesar do que Ness falou.
— Eu também não sou a melhor mãe.
— Você é incrível, Isabella!
— Não pode deixar o Grupo Cullen, querido. — Ele suspirou, deixando sua cabeça tombar para frente. — Nem pode sumir um dia inteiro e me deixar sozinha com as crianças, temos de estar juntos, não separados.
Edward soluçou começando a chorar, pulei para a fora da mesa, envolvendo meus braços ao redor dele.
— Tudo está tão confuso.
— Eu estou aqui, amor, sempre vou estar — prometi, o apertando contra mim ainda mais, odiando como ele estava sofrendo. — Você é meu apoio, eu sou o seu, nós sempre seremos um sustento para o outro.
— Estou estragando tudo, dias atrás estava sendo um louco ciumento com você, agora isso. Porra, você não me odeia?
— Eu te amo mais. — Segurei no seu rosto, beijando seus lábios que estavam molhados por lágrimas. — Vou continuar amando, sempre.
— Você já está estressada, não precisa... Não precisa lidar com meu estresse.
— Querido, somos casados, lembra? No estresse e fora dele. — Afaguei seus braços. — Vá se arrumar, você precisa ir recuperar seu emprego.
Edward me afastou.
— Não, eu não vou fazer isso.
— Edward! — exclamei chateada.
— Bella, eu aceito seu suporte, mas você não vai me fazer mudar de ideia quanto a isso. O problema com Boston já foi uma loucura para mim, é melhor que Carlisle encontre um diretor financeiro melhor, alguém que vá realmente ser útil em ajudar o Grupo Cullen a passar por essa nova fase. Eu posso ficar em casa e cuidar das crianças, talvez isso seja melhor.
O deixei falando, contornei sua mesa e liguei o computador.
— O que está fazendo?
— Vem cá — o chamei quando encontrei o que queria.
— Fotos da nossa formatura em Harvard? — indagou confuso quando viu as fotos.
— Você lembra o que disse para mim e para Renesmee naquela manhã?
Edward suspirou, concordando com um aceno de cabeça.
— Eu disse que aquele diploma era por vocês duas, que eu daria o meu melhor no trabalho para ver vocês orgulhosas de mim.
— Certo, eu não julgaria você ser um dono de casa, mas sei que não é isso que quer de verdade, Edward. Você quer trabalhar no Grupo Cullen desde sempre, deu tudo de si nos últimos anos para assumir o cargo de diretor financeiro e mesmo com toda essa bagunça estava fazendo seu trabalho muito bem. Não me venha mencionar Boston, erros acontecem com qualquer um, você não é imune a eles. E sei que estar na diretoria financeira de um Grupo que está perdendo um grande investimento como os dos Denali é preocupante, mas você estudou para lidar com essas coisas e atua na área a anos. Quanto ao que Chelsea falou, quanto ao que seus avós acham? Que se foda, Edward, eles estão querendo te punir por conta de Matthew, se você ceder, estará dando a vitória na mão deles. Lembre-se do que disse para Renesmee e eu aquela manhã, aplique isso a Matthew também, não deixe seus filhos verem você desistindo, não me faça ver você desistindo, pois o homem que casei é tão convencido que às vezes é insuportável, mas amo essa confiança nele, então a use.
Edward se apoiou na mesa, mantendo seu olhar sobre a foto de nós dois com nossos diplomas em mãos.
— Se eu não souber lidar com essa pressão toda?
— Eu confio em você, querido. Vá pegar seu emprego de volta. — Tirei da gaveta da mesa o crachá dele, que eu tinha colocado ali noite passada.
Edward o pegou, olhou para mim e sorriu.
***
Segui com Edward para o prédio empresarial do Grupo Cullen, talvez fosse melhor eu não ir bancar a guarda-costas quando ele fosse se encontrar com Carlisle, mas eu ainda estava irritada com meu sogro. Carlisle nos fez esperar por quase meia hora para nos atender, pois segundo sua assistente estava numa ligação importante.
— Charlie casando, uau — Edward assobiou quando falei aquilo. — Posso fazer a despedida de solteiro dele num clube de strip tease?
— Nem tenta — resmunguei.
— O senhor Carlisle vai lhes atender agora — a assistente nos informou.
— Finalmente.
Nos levantamos e fomos para a sala de Carlisle. Meu sogro estava sentado em seu lugar, com uma expressão séria no rosto.
— Oi p... Oi Carlisle — Edward se corrigiu.
— Olá, sentem-se — ele indicou as cadeiras diante sua mesa, rapidamente nós dois sentamos. — Veio confirmar sua demissão, Edward?
— Não, eu vim pedir meu emprego de volta — meu marido disse, parecendo sofrer a cada palavra daquele pedido, sendo orgulhoso demais.
Carlisle se inclinou sobre a mesa.
— Você tem certeza disso? Saiu daqui ontem tão inseguro.
— Não estou mais inseguro.
— O que me garante que você não vai querer largar o emprego novamente amanhã ou depois por não aguentar a pressão?
— Você se lembra da Companhia Mallory? — Edward questionou Carlisle. — Ela agora é comandada por Lauren Mallory, eu almocei com ela na semana passada e tenho o seu número pessoal...
— Os Mallory quase perderam tudo, onde quer chegar?
— Ao ponto que eles se reconstruíram, que agora tem dinheiro para investirem em novos negócios e olhe só. — Sorridente, Edward se recostou na cadeira. — Nós precisamos de novos investidores, com uma ligação posso marcar uma reunião entre você e Lauren para discutirem um possível acordo.
— Que tal algo melhor? Você volta a ser o diretor financeiro e consegue sozinho o investimento dos Mallory. Consegue lidar com essa pressão? Mesmo sabendo que Lauren pode não aceitar, ou que o que ela tem a oferecer pode ser abaixo do que precisamos?
Edward ficou mudo, eu chutei discretamente seu pé.
— Sim, eu posso lidar com isso. — Carlisle olhou para mim.
— Sozinho, viu? Não envolva Isabella. — Lancei um sorriso amarelo para ele.
— Pode deixar, farei isso sozinho. — Edward se levantou. — Vou ligar para a Lauren agora mesmo.
— Ah, tem algo a mais, Edward — Carlisle chamou a atenção dele. — Eu também quero que você negocie sozinho a compra da marca Boyne, ela será vendida na próxima terça e estou entregando a aquisição nas suas mãos.
Edward prendeu a respiração.
— Pressão demais, senhor diretor financeiro?
— Não. — Edward sorriu, ainda que hesitante. — Prepare seu melhor champanhe, em uma semana estaremos comemorando a aquisição da marca Boyne.
— É o que veremos.
— Bella, vamos — Edward chamou por mim, eu me levantei, mas a fala de Carlisle me parou.
— Quero conversar com você, Isabella.
— Te vejo depois — disse para Edward, que levou quase um minuto para sair. — O que quer de mim, chefe? — Voltei a sentar.
— Agradecer. — Carlisle sorriu. — Eu sei que ele voltou porque você de alguma forma o incentivou a isso, me poupou o trabalho de abaixar a cabeça para o moleque e pedir para que ele voltasse.
— Espera, você iria implorar? — Carlisle riu.
— Com certeza, mas não foi preciso e ele aprendeu com a lição, Edward precisava de um choque, não me agrada vê-lo inseguro como estava ontem e ainda posso ver um pouco dessa insegurança hoje, mas se eu tivesse somente passado a mão na cabeça dele e dito um discurso incentivador, isso poderia se repetir mais facilmente. Sou o pai dele, Bella, eu o amo, mas também sou o chefe e quero Edward um dia pronto para enfrentar qualquer pressão que vai sofrer quando for o presidente desse Grupo, às vezes preciso ser mais chefe do que pai, por mais que isso me machuque também.
— Sua mente é maligna.
Carlisle deu de ombros.
— Diga-me um empresário que não seja.
Eu ri, balançando a cabeça.
— Não me faça ficar com raiva de você outra vez, Carlisle. — Fiquei de pé.
— Eu vou tentar — prometeu. — Que tal você me atualizar amanhã sobre como vai o trabalho de Emmett e dos outros gerentes e subgerentes do hotel sede?
— Por quê?
— Edward vai conseguir comprar a marca Boyne, quanto antes tivermos um gerente geral definido para lá será melhor.
Sorri, sentindo-me orgulhosa.
— Acha mesmo que ele vai conseguir comprar a marca Boyne?
— Tenho certeza.
***
Estava quase no fim do meu expediente naquela terça-feira, quando um triunfante Edward entrou na sala. Como eu já sabia que ele tinha marcado uma reunião com Lauren para quinta-feira, sabia que não era por aquilo que ele estava indo lá.
— Adivinha!
— Não sou boa nesse jogo.
— Qual é? Adivinha!
— Você vai me incentivar a colocar silicone?
— Não, amo seus peitos do jeito que estão agora, tenta mais uma vez.
— Matthew já tem nosso sobrenome?
— Infelizmente não. Vai lá, última chance!
— Você e Jasper vão assumir o tórrido romance que nutrem a mais de uma década?
— Ainda não estamos prontos para isso. — Ele mexeu em seu paletó, tirando do bolso o que pareciam dois ingressos. — O seu incrível marido vai te levar para assistir boxe hoje à noite.
— Você está brincando! — pulei da cadeira, gritando em choque e alegria.
Sai de trás da mesa, indo ver os ingressos.
— Não mesmo, eu estava perdendo meu tempo mexendo na Internet mais cedo e vi que essas lutas aconteceriam, ai comprei os ingressos.
— Mas hoje é terça.
— E dai?
— É um dia de semana, amanhã temos trabalho e tem as crianças.
— Faz tempo que não saímos só nós dois para nos divertimos, querida. — Edward repousou uma mão em minha cintura. — E mais algum tempo que não fodemos — sussurrou, me fazendo sorrir. — As crianças podem passar uma noite a mais sem a gente, nós também precisamos nos divertir sozinhos e depois de ontem acho que precisamos ainda mais. Vai, diz que sim! — implorou. — Nem gosto tanto assim de lutas, mas estou empolgado com essa.
Olhei para os ingressos, então para Edward.
— Beleza, vamos ver alguns caras se socando.
— Vai ter lutas femininas também.
— Fica cada vez melhor!
***
No fim do dia buscamos Matt e Renesmee na escola, jantamos com eles e Nelly em casa e após trocarmos de roupas fomos para o local da luta. Edward tinha comprado ingressos para o melhor lugar da arena, mais um pouco e estaríamos dentro do ringue.
— Ela era filha de um chefão da máfia, ele o galo de briga do pai dela — contava para Edward sobre o filme que eu tinha visto noite passada, mas me calei quando notei o olhar penetrante dele sobre mim. — O que foi? Tem algo no meu rosto? — questionei, tocando na minha face com a mão livre, já que a outra estava ocupada com um copo de cerveja, Edward tinha se nomeado o motorista do dia e me dado o passe livre para beber.
— Tem, beleza — ele respondeu, me fazendo revirar os olhos. — Amo você! — exclamou, antes de me puxar para um beijo quente, deslizando uma mão para minha bunda coberta por uma apertada calça jeans.
Ao longe ouvi a primeira luta ser anunciada, mas naquele momento apenas me concentrei em continuar beijando Edward. Ele estava ali comigo, eu não podia estar mais feliz.
***
As lutas foram insanas, Edward que realmente não era o maior fã do esporte, estava tão entusiasmado com tudo aquilo quanto eu. Nós gritamos e xingamos pela noite toda, envolvidos com toda a atmosfera da coisa, também apostamos algo, mas no fim perdemos mais do que ganhamos, por sorte era ele administrando a grana, não eu.
— Edward — gemi o nome do meu marido quando ele me prendeu entre seu corpo e o Volvo, beijando demoradamente meu pescoço, enquanto sua mão estava infiltrada por debaixo da minha camiseta.
— O que você quer, Isabella? — perguntou, antes de mordiscar minha pele.
— Você — respondi com a voz arfante.
Edward se afastou de mim, passando a língua por seus lábios avermelhados por conta do beijo. Ele se inclinou e abriu a porta do carona para mim, deixando-me entrar no carro e indo assumir seu lugar no volante.
— Dirige rápido, por favor — clamei por aquilo, ouvindo o tom exigente em minha fala, afinal estávamos a longos dias sem sexo, eu precisava de Edward dentro de mim, o quanto antes.
— Seu desejo é uma ordem. — Edward piscou para mim, antes de começar a dirigir.
Eu tentei manter minhas mãos apenas para mim, mas aquele homem estava tão sexy aquela noite. A calça jeans escura que ele usava, junto com uma camiseta preta básica e apertada o deixava deliciosamente tentador, foi impossível não deixar uma mão percorrer por seu braço, a deslizando para sua coxa no primeiro sinal vermelho que paramos.
— Isabella — Edward falou meu nome com repreensão, quando percorri minha mão para o meio das suas pernas.
— Apenas dirija — orientei, chegando ao zíper da sua calça.
— Mulher, você vai me fazer bater! — guinchou.
— Não vou, presta atenção na rua — mandei, abaixando sua calça e cueca.
Edward xingou, mas me auxiliou naquilo, deixando sua calça e cueca pararem pouco acima de seus joelhos.
— Porra! — Ele apertou o volante com força quando toquei em seu pau, que já estava ficando duro. — Bella, aguenta mais um pouco, logo a gente tá em... — Eu o calei, quando tirei o cinto e me inclinei para por o pau dele na boca. — Esquece o que falei, continua — Edward clamou por aquilo.
— Foi o que pensei — falei, o tirando rapidamente da minha boca, antes de voltar a chupá-lo.
Senti o carro diminuir um pouco a velocidade, conforme os gemidos de Edward se tornavam mais altos e constantes. Ele estava quase gozando, quando o carro parou de vez e uma mão do meu marido foi até minha cabeça, me fazendo tomar mais dele.
— Caralho, Bella, puta que pariu! — ele falava, soando inebriado.
Então, ele gozou em minha boca, eu engoli tudo, sem querer perder uma gota da sua porra. Ergui meu corpo, limpando o canto dos meus lábios, vendo o sorriso preguiçoso de Edward, que tinha a cabeça apoiada no encosto do banco.
— Melhor boquete — declamou.
— Se você se comportar direitinho vai ser só o primeiro da noite. — Mal eu tinha acabado de falar e Edward começou a se livrar das suas roupas e sapatos, olhei para fora do carro e vi que estávamos num estacionamento público, relativamente vazio aquela hora.
— Ei, você também tem que ficar nua! — Edward chamou minha atenção, estalando os dedos para mim.
— Isso porque você queria esperar chegar em casa — provoquei, começando a tirar minhas roupas também.
— Mudança de planos. — Edward terminou de se despir.
Eu fiquei nua e passei para o banco de trás, querendo mais espaço para o sexo. Edward me seguiu, nós nos sentamos e ele puxou uma perna minha para cima de seu corpo, me deixando aberta para si, no instante seguinte os dedos dele estavam se dividindo entre meu clitóris e a entrada da minha boceta, fazendo com que eu gemesse alto e tivesse de morder o lábio inferior para conter o grito que mais cedo ou mais tarde escaparia de mim.
— Vem cá, me beija! — Edward exigiu, eu me remexi no banco, colando meus lábios aos seus. Com a mão livre Edward agarrou minha nuca, me mantendo perto de si, enquanto a outra me dava prazer. Querendo que ele ficasse logo duro, para poder me foder, eu levei uma mão até seu pau também, voltando a masturbá-lo.
— Me fode! — implorei no momento que ele estava duro o suficiente.
— Finalmente!
Edward me colocou de quatro sobre o banco, deixando que eu me apoiasse sobre meus cotovelos e se posicionou atrás de mim, em um único movimento me penetrou, fazendo com que eu arfasse. Sentir o corpo dele, seu toque e seus beijos em minhas costas, fora nosso sexo acontecendo me fez sorrir.
Sim, eu com certeza não estava mais sozinha, não tendo ele comigo.
***
Edward riu mais uma vez, enquanto eu resmungava de dor enquanto me vestia para o trabalho na manhã de quarta.
— Não ria!
— Desculpe, querida, é mais forte do que eu — ele se desculpou, ainda rindo.
— Temos que parar de fazer sexo em carros — anunciei, sentindo meu corpo dolorido por aquilo. Não tínhamos ficado a noite toda transando no Volvo, como aconteceu no dia do Bugatti, mas foi o suficiente para deixar meu corpo um caco.
— Isso não parece algo legal — Edward falou, sentando-se num banquinho do nosso closet para calçar seus sapatos. — Além do mais, é sempre você que começa a me agarrar quando estamos em um carro.
É, aquilo era uma verdade.
— Porque você fica gostoso demais dirigindo, é mais forte do que eu. — Coloquei em meu pulso uma pulseira que ganhei de Rosalie no meu último aniversário. — As lutas foram incríveis, né?
— Sim — Edward concordou. — Deveríamos ir outras vezes, quem sabe quando você for ter suas aulas de boxe com a Lauren.
— Nem me lembra disso, tomara que ela já tenha esquecido essa ideia maluca.
— Poderia ser divertido, principalmente se amanhã ela topar virar a nova investidora do Grupo Cullen.
— Como está indo isso? Não que eu possa saber muito, já que Carlisle quer que você trabalhe só no caso.
— Está tudo bem, eu acho, estou trabalhando no que apresentarei a ela. — Edward terminou de se calçar e se levantou.
— E Eleazar?
— Resolvendo tudo com os advogados dele, em alguns dias deve conseguir o fim da ligação dele com o Grupo Cullen.
— O valor da quebra de contrato?
— Algo mínimo. — Edward fez uma careta. — Não o suficiente para tapar o buraco que vai ficar com a saída dele.
— Onde será a reunião com a Lauren?
— No escritório dela.
— Sabe o que isso significa, né?
— Que ela quer estar no comando da reunião? Sim, eu sei. — Edward apertou sua gravata. — Eu vou dar o meu melhor e fazê-la investir — prometeu.
— Falando em investimentos. — Subi em meus saltos. — Estive pensando em nos mudarmos.
— Por quê? — Edward não pareceu contente com aquilo. — Nosso apartamento é maravilhoso.
— Podemos comprar uma casa, com mais espaço para as crianças, para os filhotes. Esse apartamento está ficando cheio, querido. Bom, vai ficar mais cheio ainda quando eu engravidar e tivermos outro filho.
— Ok, eu compreendo, mas gosto mesmo daqui — falou amuado. — É perto do trabalho, da escola das crianças, se formos para uma casa estaremos mais distantes.
— Temos carros, Edward — lembrei daquele detalhe. — Na verdade, talvez eu devesse trocar minha Mercedes por uma minivan. — Edward me olhou apavorado. — Duas crianças, Edward, três em breve se meu corpo cooperar com isso.
— E todas elas podem andar em uma maravilhosa Mercedes, não me faça ser o cara que anda numa minivan.
— Isso meio que está no pacote filhos, querido. — Dei uma batidinha em seu ombro. — Mônica e Patrick do grupo de apoio tem três filhos, compraram uma minivan recentemente e está sendo uma boa coisa para todos eles.
— Eu ainda me sinto mal por não ter ido com você a reunião do grupo — Edward se queixou, eu tinha contado tanto quanto me lembrava de todos os detalhes da reunião para ele, querendo de certa forma que meu marido fizesse parte daquilo, mesmo que não tivesse comparecido.
— Terá mais segunda, podemos ir juntos.
— Já combinei de ser a pessoa indo à quimioterapia com a mamãe — ele falou, deixando a tristeza tomar conta dos seus olhos.
— Podemos ir outro dia. — Afaguei o rosto dele. — É importante que você esteja lá com Esme.
— Também é importante que eu vá ao grupo por Matthew.
— Uma batalha por vez, amor. — Me estiquei para depositar um beijo em seus lábios, mas claro que Edward tornou aquilo mais intenso e obviamente fomos atrapalhados por Renesmee.
— Eca!
Nos separamos e vimos a garotinha com um olhar enjoado para cima da gente.
— Aprenda a bater, ai você não se depara com o que não quer — orientei. — Aliás, o que quer aqui?
— Pode trançar meu cabelo? — ela me perguntou, com uma careta de desgosto. — Tentei fazer isso cem mil vezes e não deu certo — reclamou.
— Vem cá — chamei por ela, que caminhou até mim, deixando com que eu trançasse seu cabelo.
— Princesa, o que você acharia de ir morar numa casa? Não em um apartamento? — Edward perguntou a ela, enquanto vestia seu paletó.
— Vamos mudar? — Renesmee perguntou receosa. — Não de Chicago, né? Não quero ir morar em outro país como a tia Rose fez!
— Não, não — respondi rapidamente. — Nada de ir para fora de Chicago, apenas estamos considerando uma mudança para algum lugar maior, tipo uma casa.
— Se tiver piscina eu tô dentro.
As prioridades dela eram maravilhosas.
— Hey, Matt! — Edward exclamou, fazendo com que eu olhasse para a porta do closet e visse nosso caçula.
— Oi, amorzinho, também quer tranças nos seus cabelos?
— Não — Matthew negou prontamente. — Posso levar a maleta de lápis de cor para a aula? A que ganhei de aniversário. — ele me perguntou.
— Claro, só tome cuidado para não perder nada, ok?
— Ok, valeu, mãe! — Dito isso ele saiu correndo das nossas vistas, me deixando paralisada para trás.
Mãe, Matthew tinha me chamado de mãe.
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