Nossa Família

43 Capítulo Quarenta e Dois — Investimentos


Notas iniciais
Olá, pessoas! Antes de lerem o capítulo peço que leiam essa nota, pois ela é muito importante. Ok? Ok! Como já notaram, com toda certeza do mundo, Nossa Família é uma fanfic grande. Grande não só no tamanho dos capítulos, mas como na quantidade de capítulos. A primeira ideia para Nossa Família foi de uma fic pequena, entretanto ela se expandiu e vocês não tem ideia de como amo esse enredo, cada pedacinho dele, desde a adoção do Matthew como tema principal, a cada pequena aparição do Ashton... Enfim, a história cresceu e eu a deixei crescer. Não, isso não é uma nota falando sobre eu ter tomado a decisão de encurtar a fic. Não, não mesmo, é o contrário, se trata de uma nota de uma autora deixando a história contar o que tem para contar. Sendo assim, eu não vou ficar preocupada com o tamanho dos capítulos, ou quantos capítulos temos agora, ou quantos teremos até o fim da fic. Estou deixando Nossa Família livre, eu sinto muito para quem começou a acompanhar e não esperava uma história tão longa quanto essa, mas eu não quero estragar o enredo para torná-la menor. Encarem Nossa Família como uma série, que contém uma trama principal, mas cheia de subtramas ao redor, uma série de longa duração... haha Então, com isso declaro que ainda teremos bastante de Nossa Família. Eu espero que estejam dispostos a ler um "pouquinho" mais dessa história. — Capítulo dedicado a drika Pettinson que recomendou, muito obrigada, linda! ♥ — Boa leitura!

— Capítulo Quarenta e Dois —

— Investimentos

Edward Cullen

Qual era a probabilidade daquilo acontecer? Sério, parecia uma pegadinha sem graça. Se existia mesmo um Deus ele devia estar rindo muito às minhas custas aquele momento, eu mesmo riria de mim se a situação não fosse totalmente perturbadora.

Quer dizer, lá estava um ex caso de Isabella, junto com um ex caso meu. Sério mesmo? Sério?

— Como assim você a conhece? — Bella questionou, eu tirei meus olhos de Logan e da esposa dele que continuavam cruzando o caminho até nossa mesa, voltando minha atenção para minha esposa.

— Aquela é Lauren Mallory, querida — eu falei, vendo os olhos castanhos de Isabella arregalarem.

— La-Lauren — Bella gaguejou, olhando para o casal antes de voltar a olhar para mim. — A mesma Lauren do seu primeiro beijo? A mesma que anos depois você transou?

— A própria — confirmei.

Bella arfou.

— Qual a probabilidade disso acontecer? — ela indagou, com certo desespero na voz.

— Estou me perguntando a mesma coisa.

— Porra, porra, porra — Bella ficou repetindo para si mesma, mas quando Logan e Lauren estavam a pouca distância de nós dois, minha esposa colocou um falso sorriso no rosto e se levantou. Ela agarrou meu braço, fazendo com que eu levantasse também, mas diferente dela não consegui fingir um sorriso.

— Hey! — Lauren exclamou, olhando de mim para Bella, rindo em seguida. — Desculpe. — Ela não conseguia parar de rir.

— Lauren! — Logan chamou a atenção dela.

— O quê? Isso é tão engraçado! — Lauren falou entre sua risada, Bella a encarava séria, com uma sobrancelha arqueada. — Lauren Mallory. — A loira se apresentou, estendendo uma mão para minha esposa, que retribuiu o aperto.

— Não deveria ser Kaswell? — Bella indagou.

— Nunca troquei meu sobrenome — Lauren disse, dando de ombros. — E você? Não vai falar comigo, rei do baile? — Se virou para mim, com um brilho de humor em seus olhos azuis.

— Olá, Lauren! — Apertei a mão dela também. — Eu não fazia ideia que você tinha casado.

— Por que não nos sentamos e colocamos o papo em dia? — Lauren sugeriu, acenando para o garçom.

— Sim, eu preciso sentar — Bella sussurrou. — Oi, Logan!

— Oi Bella, oi Edward.

— É, oi — não contive um resmungo para o médico.

Voltei para meu lugar, Bella sentou ao meu lado como antes. Logan e Lauren lado a lado ocuparam os lugares diante da gente... Sim, aquilo tudo era muito estranho. Eu tinha transado com Lauren, Bella com Logan, era uma troca de casais não intencional.

O garçom logo chegou até a gente para nos atender.

— Chá Mate para nós dois, por favor — Lauren pediu ao garçom.

— Senhor Cullen, Senhora Cullen, o que desejam beber? — ele nos perguntou.

— Uísque — Isabella e eu respondemos juntos, sem hesitação.

— Por que você não disse que sua esposa conhecia meu marido? — Bella perguntou ao Logan após o garçom se afastar.

— Não sabia que ela o conhecia — Logan respondeu com uma careta no rosto, Lauren voltou a rir.

— Não tenho uma memória muito boa — Lauren confessou. — Vi algumas fotos suas com Logan, na festa de formatura do colegial dele, mas nunca associei o rosto e o nome à esposa do Edward. Logan via vocês em jornais e tudo mais, só que não podia imaginar que eu conhecia o Cullen — Lauren me encarou, com uma falsa expressão irritada em seu rosto. — Estou chateada por não ter sido convidada para o casamento de vocês, éramos amigos no colégio, Edward.

— Não fui convidado para o seu. — Apontei para Logan, foi a vez dele de rir.

— Cara, nós nos casamos bêbados em Las Vegas, ninguém foi convidado.

— Sério? — Bella perguntou surpresa.

— Sim, meus pais tentaram me convencer a anular o casamento e tudo mais, só que eu não seria estúpida de perder Logan. — Lauren sorriu para o marido, ao mesmo tempo em que Logan unia sua mão a dela. — Enfim, quando Logan me contou no domingo que tinha te encontrado, Bella, e citou seu sobrenome eu pedi a ele que não falasse quem era a esposa dele. — Lauren nos lançou um sorriso amarelo. — Fiquei com medo de que vocês não quisessem se encontrar comigo, por vocês sabem o que e queríamos mesmo conversar sobre adoção. — Ela e Logan trocaram um olhar apreensivo.

O garçom voltou naquele momento com nossas bebidas, nos distraindo. Aproveitamos para logo pedir por nossos pratos para o almoço, por mim quanto antes aquela refeição acabasse seria melhor.

— Então, há quanto tempo estão casados? — Bella perguntou após tomar um gole de seu uísque, contive um suspiro irritadiço por ela estar enrolando, deveríamos falar da adoção de uma vez e acabar com aquilo.

— Fizemos oito anos de casamento no começo da primavera — Lauren respondeu, soando orgulhosa. — Nos casamos durante uma viagem de spring break, já estávamos morando juntos em Portland naquela época, Logan e eu achamos que estava na hora de oficializar.

— Mesmo que estivéssemos altos por tequila na hora dessa decisão, não nos arrependemos — Logan completou, dando um beijo no rosto da esposa.

— Nossa primeira filha foi concebida assim, sabemos bem o que você quer dizer — eu falei, tomando um longo gole do meu uísque.

— Edward sempre gostou de tequila, quando ele e eu... — Lauren comentou.

— Lauren, não! — Logan exclamou a interrompendo, bufando, ela apenas riu afagando o braço do marido.

— Acho que não precisamos ouvir o fim da sua história, Lauren — Bella disse, com a voz rígida, apertando o copo em suas mãos.

— Opa, foi mal, Bella — Lauren falou. — Vamos tentar não nos constranger mais.

— Você não está constrangida — Logan acusou, revirando os olhos.

— Não estou mesmo — Lauren admitiu, mexendo em seus cabelos. — Mas, entendo que você, Bella e o rei do baile ai estão.

— Por que você fica o chamando de rei do baile? — Logan indagou, eu pude sentir a pontada de ciúmes na fala dele e me senti bem, não era o único.

— Não é óbvio? — Abri um largo sorriso. — Eu fui o rei do baile, por três anos seguidos, incluindo no meu ano de formatura.

— É, eu estava ocupado demais na minha formatura para ficar pensando sobre ser rei do baile — Logan provocou, pois eu sabia muito bem com quem ele estava no seu baile de formatura, com a minha esposa.

— Ei, não precisamos ouvir o resto da sua história também, Logan! — Bella exigiu, colocando uma mão em minha coxa.

— É, não vamos ficar falando sobre nossos bailes de formatura, eu ainda não aceito que perdi o posto de rainha para a vaca da Irina Denali. — Vi os olhos de Isabella se iluminarem ao ouvir aquilo.

— Você estudou com Irina também — minha esposa comentou, me soltando e inclinando-se sobre a mesa.

— Você quer dizer, eu tive de ser torturada ao conviver com Irina por anos naquele colégio — Lauren a corrigiu, fingindo que iria vomitar. — Detestava aquela garota. — Ela me olhou. — Mas, confesso que eu jurava que ela e Edward acabariam casando um dia, fico feliz que não aconteceu.

— Eu também! — Bella bateu seu copo no de Lauren, abrindo um sorriso vitorioso.

— Você a detesta também? — Lauren quis saber.

— Podemos dizer que sim.

— Excelente, Bella, temos mais em comum do que o fato de termos transado com os mesmos caras.

— Lauren!

— Ai, foi mal — Lauren pediu, continuando sorridente. — Irina dizia para todas as garotas que ela um dia casaria com Edward — continuou conversando com Bella em um tom de quem contava um segredo, como se eu e Logan não estivéssemos presentes. — Quando eles namoraram ela andava pela escola grudada nele, como se fosse um carrapato.

Bella gargalhou.

— Ela é mesmo como um carrapato. — Minha esposa bebeu mais um pouco. — Você transou com Edward antes ou depois dele ficar com Irina?

— Isabella! — exclamei em choque.

— Não combinamos em evitar constrangimento? — Logan resmungou, enfiando o rosto entre suas mãos.

— Ai, qual é? — Bella revirou os olhos. — Vamos superar o fato de que nós já estivemos um na cama do outro, faz muito tempo.

— Acho melhor você parar de beber, isso não vai acabar bem — alertei.

— Depois — Lauren respondeu a pergunta de Bella. — Na verdade, eu acho que fui a primeira depois daquele carrapato e ele terminarem o namoro. — Ela e Bella me olharam com questionamento em seus rostos.

— Você foi — murmurei a resposta, bebendo o resto do meu uísque em um único gole, sentindo-me constrangido com aquilo.

— Fui quase a libertação de Edward! — Lauren se gabou. — Desculpe, amor — pediu para Logan, que continuava se escondendo atrás de suas mãos.

— Não funcionou muito. — Bella voltou a apoiar sua mão em minha coxa, daquela vez a movendo para cima e para baixo, me provocando. Porra, ela era tão fraca para bebidas. — Ele ainda saiu com ela na faculdade, mas claro que quando apareci na vida dele esse casinho idiota que tinha com Irina acabou.

— Deus, eu a odiava tanto — Lauren confessou. — Ela era insuportável com todo mundo na escola, uma verdadeira vilazinha de filmes adolescentes. Fora que roubou minha coroa de rainha do baile, o vestido dela era horroroso, mesmo assim ela ganhou, inadmissível. O pai dela deve ter comprado até mesmo aquele título para a filinha estúpida dele... — Lauren se calou. — Foi mal, sei que vocês Cullen são amigos dos Denali.

— Tudo bem — foi tudo que falei, sem entrar em detalhes sobre como naquele momento a família Cullen estava em guerra contra a Denali. — Como estão seus pais? E seu irmão?

— Meu irmão decidiu ir morar na Ásia, ele agora é um artista, na real só está vivendo com o dinheiro que recebe do papai. — Lauren revirou os olhos. — Meus pais estão bem, deve ter ouvido falar que os negócios não estavam indo bem para a gente e isso afetou todos, entretanto estão melhor agora. Por isso viemos para Chicago, eu estou assumindo o comando dos investimentos da Companhia Mallory, não estava mais funcionando fazer isso do escritório em Portland.

Bella me lançou um rápido olhar, eu sabia exatamente o que ela estava pensando naquele momento.

— Vocês lidam com fazendas e essas coisas, não? — Bella perguntou, lançando um sorriso doce para Lauren.

— Na maior parte dos negócios, temos algumas cabeças de gado pelo interior do país, mas também investimentos em outras áreas. Meu pai estava perdendo a mão, o vice presidente da companhia estava nos roubando, levou alguns anos para estarmos de volta com tudo, só que conseguimos, agora sou a nova presidente da Companhia.

— Terá um coquetel de posse e tudo mais em breve — Logan disse, olhando com orgulho para a esposa.

— Eu lhes mandarei o convite — Lauren prometeu.

— E você é um médico? — perguntei para Logan, naquele momento me sentindo muito feliz por ter aceitado aquele almoço.

Eu sabia que a Companhia Mallory não era gigantesca como os negócios dos Denali, mas talvez eles pudessem investir no Grupo Cullen se o maldito Eleazar tirasse seus investimentos. Então, eu teria de ser simpático com Lauren e o marido dela, precisava os manter como amigos.

— Sim, neurologista — Logan respondeu, enquanto começávamos a sermos servidos com nossos pedidos.

— Isso ainda é uma surpresa para mim, como acabou virando médico? — Bella questionou.

— Sei lá, eu me encontrei na faculdade — Logan falou, dando de ombros. — Não consigo me ver fazendo outra coisa agora do que não sendo um médico, amo isso.

— Apenas sendo um surfista — Lauren sorriu maliciosamente para o marido. — Ele estava voltando da praia quando o conheci, aliás, andando pelo campus de Berkeley com sua prancha.

— Como vocês se conheceram? — Logan nos perguntou, enquanto Bella passava as azeitonas do seu prato para o meu, ela sempre podia pedir que não colocassem na comida dela, mas como sabia que eu gostava deixava que colocassem e me dava.

— Tínhamos uma aula de cálculo em comum em Harvard — comecei a contar. — Bella nunca me viu lá, mas eu já estava fascinado por ela desde o primeiro dia, até que o Halloween chegou e fomos parar na mesma festa, estamos juntos desde então.

— Sabia que você conseguiria ir para Harvard como tanto queria — Logan elogiou. — Ela era um ano abaixo de mim na escola, mas sempre foi um gênio.

— Ela só melhora com o passar do tempo — comentei, meu olhar se encontrou com o de Isabella e a vi corar. Não resisti, segurei em sua nuca, a puxando para mim, fazendo com que nos beijássemos.

— Eu te amo — Bella sussurrou quando nos afastamos.

— Amo você também. — Beijei sua testa e me voltei para Logan e Lauren, que já tinham começado a comer. — Então, vocês estão pensando em adotar?

Lauren suspirou, qualquer vestígio de humor sumiu de seu rosto.

— Não era nossa primeira opção, confessamos — Logan comentou, erguendo o olhar para a gente. — Nós decidimos nos tornar pais em 2015, mas... — Ele se interrompeu, olhando para Lauren que remexia na comida em seu prato. — Amor, tudo bem se eu falar? — Ela apenas concordou com um aceno de cabeça.

Logan afagou o rosto dela antes de voltar a falar.

— Então, depois que a gente decidiu que queria ter um filho, Lauren engravidou pela primeira, ainda em 2015. Até que com poucas semanas de gestação teve um aborto espontâneo. — Lauren fungou, Bella rapidamente pegou um lencinho e estendeu para ela.

— Obrigada — Lauren agradeceu, limpando seu rosto molhado por lágrimas.

— Ano passado a Lauren teve mais dois abortos — Logan contou, com o olhar perdido. Bella segurou em minha mão com força naquele momento, seu olhar fixo sobre Lauren. — Isso já se enquadrava em casos de aborto de repetição, então investigamos tudo. Descobrimos que Lauren tem um problema genético, o que impedia as gestações de prosseguirem.

— Há algum tratamento? — Bella questionou. — Uma prima nossa estava com dificuldades de engravidar, mas ela e o marido conseguiram por meio de fertilização — citou Tanya.

— Nós também poderíamos passar por uma fertilização, contanto que recebêssemos uma doação de óvulos, pois os da Lauren não poderiam ser usados.

— Os abortos continuariam se fossem — ela falou por fim. — Cogitamos fazer a fertilização assistida, com essa doação de óvulos, mas eu não tive coragem. — Bella passou mais um lencinho para Lauren quando uma nova rodada de lágrimas chegou. — Não por usar óvulos de outra mulher, eu só não queria engravidar novamente — disse, soando envergonhada. — Sei que isso é covardia, mas a ideia de engravidar novamente me atormenta.

— Não, eu imagino como deve ser — Bella afirmou. — Você passou por três abortos, isso com certeza não é algo fácil.

— Sinto muito, Lauren. — Ela assentiu, dando um mínimo sorriso. Nós quatro ficamos em silêncio por um tempo, enquanto voltávamos a comer. — Vocês então acham que adoção seja o melhor caminho? — tomei a liberdade de perguntar.

— Realmente não sabemos — Logan confessou. — É uma das duas opções.

— Barriga de aluguel? — Bella deduziu, os dois assentiram.

— Mas, isso não está sendo muito bem aceito por Logan — Lauren falou.

— É estranho — ele admitiu. — Imaginar outra mulher carregando meu filho, sei que no caso da adoção outra mulher vai ter gerado um filho que nem terá meu material genético, mas, sei lá, isso soa menos estranho.

— Vocês tinham plano de adotar? — Lauren questionou.

— Nenhum — respondi honestamente, olhei em meu relógio, vendo em minha mão por tabela a letra M desenha ali. — Tudo bem se esse for um almoço longo? — perguntei para minha esposa, para Logan e Lauren.

Todos concordaram, enquanto eu começava a narrar a noite que conhecemos Matthew.

***

Logan e Lauren ouviram toda a história atentamente, como conhecemos Matthew, como naquela época já estávamos pensando em ter um segundo filho e como tudo se encaixou ao decidirmos o adotar. Então, nos ouviram falar sobre o começo do processo, como aquilo era mais complicado do que imaginávamos e continuava sendo.

— Ele é lindo! — Lauren falou quando Bella mostrou uma foto a ela de Matthew, uma dele indo para a aula aquela manhã, eu esperava que estivesse tudo bem na escola.

— Ele é — Bella concordou sorridente. — É tão bom ter ele em casa conosco.

— A filha de vocês está aceitando bem? — a pergunta veio de Logan.

— Até agora sim, Renesmee é bem espirituosa, mas tem se dado muito bem com o irmão — contei. — Só que, não descartamos que em algum momento ela pode ter uma crise de ciúmes sobre Matthew.

— Vocês estão prontos para isso? — Bella negou.

— Acho que Edward e eu podemos falar que ser pais é sobre esperar que as coisas aconteçam, mas quando acontecem nem sempre é como imaginado.

Logan suspirou, apoiando suas mãos na mesa.

— Eu realmente quero ser um pai, sei que você também quer isso, amor — disse para Lauren, que concordou com um aceno de cabeça, ainda com os olhos marejados como tinha ficado durante toda nossa conversa sobre Matthew.

— Nós temos um bom advogado cuidando do caso de adoção do Matt — Bella falou em um tom de incentivo, automaticamente peguei a carteira em meu bolso, tirando o cartão de Jenks de lá. — Não sabemos se vocês realmente irão seguir adiante com a ideia, mas pensem melhor a respeito.

Estendi o cartão para Logan, que o pegou prontamente.

— Vamos pensar melhor sobre — Lauren prometeu. — Vocês falaram que podíamos escolher até mesmo o sexo da criança, ou do bebê, nessas fichas de adoção, não?

— Sim, eles te dão vários formulários e coisa e tal — afirmei. — Bella e eu fugimos do tradicional, mas no caso de vocês, se quiserem adotar, passarão por esse caminho.

Logan continuava olhando para o cartão de Jenks.

— Você disse que Matt ainda não reconhece vocês como pai, não?

— Ele não nos chama de mãe e pai, mas eu acredito que ele esteja cada vez mais entendendo isso melhor.

Lauren sorriu um pouco, passando as mãos pelos cabelos de Logan.

— Você ainda será um pai, amor, sabe disso. Um excelente pai!

— Eu adoraria ensinar um garotinho a surfar — Logan disse, rindo, bebendo um pouco do seu chá. Eu e Bella continuávamos com uma dose nova de uísque, não éramos o melhor exemplo bebendo no meio do dia, mas...

— Ou uma garota, se vocês tiverem uma filha como Renesmee ela com certeza amaria surfar — Bella falou. — Vão querer sobremesa?

— Eu poderia comer algo bem doce — Lauren disse, acenando para o garçom. — Aquelas horas tendo aula de boxe na academia devem servir para algo e me permitir exagerar um pouco na comida.

— Você tem aulas de boxe? — minha esposa perguntou empolgada.

Eu ri, Bella continuava sendo a garotinha fã de lutas.

— Sim! — Lauren confirmou entusiasmada. — Pelo menos uma vez por semana, só para desestressar um pouco, já que não posso bater em ninguém na rua sem ir presa. — Logan, Bella e eu rimos ao ouvir aquilo. — Mas, nós mudamos tem pouco tempo, ainda não achei um bom lugar para fazer.

— Acho que tem no Jensen Club — Bella falou pensativa. — Você é sócia?

— Sou sim, obrigada pela informação, eu vou atrás disso.

— Você devia ter aulas com a Lauren — sugeri de brincadeira para minha esposa.

Bella fez uma careta.

— Bella isso seria incrível! — Lauren disse, quando o garçom chegou até nós.

— Não sei não — Bella negou. — Eu vou querer bolo de chocolate.

— Eu também — pedi ao garçom.

— Sorvete de baunilha para nós dois — Logan pediu. — Com calda de chocolate para mim, calda de morango para ela.

— Sim senhor — o garçom anotou os pedidos e voltou a se afastar.

— Vamos, Bella! — Lauren voltou a insistir sobre o boxe. — Vai ser divertido, você vai poder desestressar.

— Eu sou uma péssima esportista, não durei um dia na academia.

— Foi terrível — declarei, Logan riu.

— Bella sempre arranjava uma desculpa para matar aula de educação física.

— Eu odeio exercícios — minha esposa se queixou.

— Uma aula, se você odiar não te importuno sobre isso — Lauren estendeu a mão para Bella, que olhou para mim com um pedido mudo de ajuda.

— Só não quebre seu nariz, querida. — Ela rolou os olhos.

— Certo, uma aula. — Apertou a mão de Lauren. — Mas, eu estou muito ocupada até segunda que vem, terá que ser depois.

— Tudo bem — Lauren assentiu. — Eu imagino que você tem muito o que fazer, tendo as crianças e trabalhando aqui, Logan falou que e a gerente, né?

— Isso, gerente geral.

— E você, rei do baile?

— Diretor financeiro. — O garçom voltou com nossas sobremesas naquele momento.

— Isso é ótimo, eu mudei todo o quadro da direção da Companhia Mallory depois de sermos roubados pelo vice presidente, foi uma tarefa complicada encontrar o diretor financeiro ideal.

— Vamos começar a falar sobre negócios? — Logan perguntou desinteressado. — Que tal falarmos sobre as cirurgias que eu farei mais tarde?

— Eca, eu estou comendo, Logan — Lauren reclamou, ele apenas sorriu e beijou a esposa.

Os dois pareciam mesmo se amar, merda, eu senti mesmo ciúmes por idiotice. Logan era apaixonado por Lauren, como eu era apaixonado por Isabella.

Nós quatro continuamos conversando, um pouco sobre trabalho, sobre Nessie e Matt — inclusive contamos sobre o fato de ele estar no seu primeiro dia de aula —, também falamos sobre como Logan e Lauren estavam sentindo falta de morar na costa oeste. Quando nos demos conta a sobremesa já tinha acabado e precisávamos voltar ao trabalho, eu também percebi que estive surtando sobre um jantar, no caso almoço, que foi melhor do que imaginado.

Apesar do desconforto inicial, Logan claramente não queria nada com Isabella e ela o tratava da mesma forma que tratava qualquer outro amigo, era como se fosse Jasper ali. E Lauren, apesar de termos ficado juntos no passado, estava completamente esquecida em minha mente há muito tempo.

— Devemos marcar mais um almoço — Lauren anunciou quando começamos a nos despedir, ela se permitiu me abraçar, enquanto Logan e Bella se abraçavam também. — Obrigada por ter topado vir falar com a gente, rei do baile.

— Sem problemas. — Pelo menos não mais. — Foi bom te ver, Lauren. Eu realmente sinto muito sobre os bebês — falei quando nos afastamos.

— Eu estou melhorando sobre isso, mas foi importante saber mais sobre adoção. — Ela olhou para Bella que tinha desfeito o abraço com Logan. — Muito obrigada, Bella! — Pegando Isabella e eu de surpresa, Lauren a abraçou.

Entretanto, minha esposa não a afastou. Ela retribuiu o abraço de Lauren, como se fossem velhas amigas se reencontrando.

— Estou mesmo feliz que Edward se livrou do carrapato e encontrou você, ele era um imã para problemas, mas sempre foi alguém legal.

Bella sorriu para mim e de volta para Lauren.

— Você começou o problema quando se beijaram quando tinham só oito anos, Lauren — acusou.

— Foi você o meu primeiro beijo?! — Lauren me olhou perplexa. — Eu jurava que tinha sido outro garoto, sinto muito, rei do baile.

— Ainda não acredito nessa coincidência toda — Logan resmungou, Lauren foi para os braços dele.

— Vamos marcar qualquer dia desses um jantar lá em casa — Lauren propôs. — Logan sabe cozinhar e eu montei uma adega incrível.

— Gosto de como isso soa — Bella falou, enquanto eu envolvia o corpo dela em meu braço, deixando-a apoiar sua cabeça em mim.

— Podemos levar as crianças, vocês ficam de babá enquanto Bella e eu bebemos.

— Edward!

— Eu gosto da ideia de vocês levarem as crianças — Lauren disse, falando em um tom de voz maternal. — Não tenho sobrinhos, ou crianças na família, adoraria mimar um pouco as de vocês.

— Eu tenho um videogame, de qualquer forma elas ficarão distraídas — Logan falou.

— Se você tiver um jogo de corrida Edward e Matthew só irão querer saber disso — Bella disse, nós começamos a nos mover para fora do restaurante.

— É meu favorito — Logan falou.

— Você gosta de carros? — perguntei.

— Cara, se eu gosto de carros? Eu amo carros!

— Oh, você acabou de despertar a paixão de Edward — Bella sussurrou.

— Qual o seu? — indaguei Logan.

— Eu tinha uma Ranger Rover em Portland, mas nos mudamos e decidi trocar, estou buscando um novo carro. Ainda não consegui escolher...

— Posso te ajudar. — Ouvi Bella rir, ela se soltou de mim, puxou Lauren pelo braço e as duas saíram na frente, enquanto conversavam e eu falava com Logan. — Sei quase tudo sobre carros, tenho um Bugatti.

— Você tem um Bugatti? — Logan perguntou impressionado.

— Eu tenho um Bugatti!

Acabou que Logan e eu engatamos em uma conversa sobre carros, foi preciso que Lauren o arrastasse para fora do hotel para que ambos fossem para seus trabalhos. Eu acabei indo com Isabella para a sala dela, em silêncio, mas a primeira coisa que ela disse quando entramos lá foi:

— Eu gostei de Lauren.

— Eu vi que você gostou de Lauren. — Sentei no sofá que tinha ali. — Vocês duas pareciam melhores amigas.

Bella sorriu, sentando ao meu lado, olhando para a letra M em sua mão.

— Melhor não falar sobre Lauren para Alice, capaz da anã se sentir trocada.

O olhar de Bella se encontrou com o meu.

— Como está o seu ciúmes, senhor Cullen?

Suspirei, esfregando meu rosto com as mãos.

— Fui um idiota, sei que já disse isso antes, mas preciso repetir. Não tinha motivos para surtar sobre você e Logan.

— É, eu falei isso. — Bella suspirou também. — Ficamos juntos só uma vez, Edward — falou com sinceridade. — Eu já te disse, nunca senti por ninguém o que sinto por você, querido.

Toquei no rosto dela, vendo-a sorrir.

— Também foi só uma vez entre Lauren e eu.

— Eu sei. — Bella riu. — Enquanto você falava sobre carros com Logan, ela me disse que vocês ficaram uma vez depois de uma festa. Ela com certeza não é uma Victoria, ou uma Irina. — Bella estremeceu. — Com certeza não é uma Irina.

— Mas, talvez a Companhia Mallory seja perfeita para substituir os investimentos que ficarão em aberto se os Denali saírem.

Bella sorriu, entrelaçando minha mão a sua.

— Eu gosto que tenhamos o mesmo raciocínio, querido.

A puxei para um beijo, apenas um beijo, pois sabia que naquele momento não podíamos ir mais longe. Ela tinha trabalho a fazer no hotel, eu teria uma reunião com outros diretores ainda aquela tarde.

— Te vejo mais tarde — Bella falou, me deixando sair do sofá.

Tomei um caminho diferente, indo primeiro até a mesa dela. Peguei uma caneta dali de cima, reforçando a letra M que estava se apagando em minha mão.

— Você acha que ele está bem? — perguntei, vendo que Bella tinha se unido a mim.

— Eu espero que sim. — Ela esticou sua mão para mim, reforcei a letra M nela também, acrescentando um coração ao lado.

— Amo você, querida.

— Eu também te amo, encrenqueiro.

***

Algumas horas mais tarde Bella entrou no meu carro, enquanto falava com alguém por seu celular. Instantes depois de conversa percebi ser Alice, pelas frases da minha esposa notei que elas falavam sobre nossa festa de renovação de votos.

— Ela teve problemas com a florista, mas arranjou outra para poder substituir a tempo — Bella falou quando encerrou a ligação. — Como foi sua reunião?

— Normal — respondi, ficando preso atrás de um fusca no engarrafamento. — Quem ainda tem um fusca?

— Eu sei, né? São tão antigos.

— Acho que gostaria de ter um fusca — falei pensativo, Bella bufou, começando a mexer no seu celular quando comecei a divagar sobre carros.

Muito tempo depois, após um longo engarrafamento, chegamos finalmente à escola das crianças. Nós seguimos de mãos dadas até o pátio, onde sempre buscávamos Renesmee e marcamos para que ela ficasse ali com o irmão.

Eles estavam, sentados no chão em uma rodinha junto com um garoto loiro que eu desconhecia, Lucy e o Porco Espinho, o antigo Justin Bieber Pokémon. À distância percebi que os cinco jogavam cartas, que eu não tinha ideia de onde eles tinham arrumado.

— O outro garoto loiro é o menino que vi Lucy beijando, se chama Riley — Bella contou em um sussurro para mim, eu não tinha ficado nada feliz quando aquela informação tinha chegado até mim um tempo atrás.

— Ninguém merece — resmunguei.

Bella riu suavemente, afagando meu braço com a mão livre.

— Olá, crianças! — chamou por elas quando chegamos até eles.

— Tia Bella! — Matt gritou, largando as cartas que estavam em suas mãos, do que vi ser um baralho de Uno, ele levantou e correu a curta distância para abraçar Bella, que agilmente devolveu o abraço.

Matthew parecia bem, aquilo me deu uma sensação de paz.

— Ei, pequeno, como foi o dia? — Bella perguntou a ele, afagando o rosto tomado por felicidade de Matthew.

— Foi muito legal, a Ness e a Lucy me mostraram a sala de ciências e...

— E o ensinamos a não mexer em nada lá dentro! — Renesmee se apressou em falar, largando as cartas e se unindo a gente. — Oi, papai! — Piscou seus olhos verdes para mim.

— O que vocês aprontaram na sala de ciências?

— Nada demais — ela mentiu.

— Renesmee Carlie Cullen! — exclamei, ela resmungou.

— Lucy e eu só mostramos alguns experimentos de química para o Matt, não explodimos nada... Quase, mas não!

Bella sufocou uma risada, voltando-se para Matthew.

— Fora isso, como foi o resto do seu dia? — perguntou a ele.

— Sei lá. — Matthew deu de ombros. — Mas, olha, eu continuo com as letras desenhadas! — contou orgulhoso, mostrando sua mão para a gente. — E vocês?

— Ainda aqui, pequeno. — Bella e eu mostramos nossas mãos para ele também, que sorriu ainda mais. — Vamos conversar melhor sobre seu dia em casa, ok?

— Querida, por que não vamos atrás da professora do Matthew?

— Ótima ideia — Bella concordou, o abraçando uma última vez antes de o soltar.

— Você, não apronte nada enquanto vamos falar com a professora do seu irmão — mandei para Renesmee, que bateu continência para mim.

— Sim, senhor!

— Como você aprende essas coisas?

Ela simplesmente deu de ombros.

— Oi, loirinha! — falei com Lucy ao passar por ela, ganhando um sorriso da minha sobrinha. — Ashton, Riley — cumprimentei os garotos, Riley acenou normalmente, mas Ashton parecia apavorado em me ver. Bom, o primeiro não me conhecia, talvez eu devesse me apresentar a ele melhor depois.

Isabella fez com que minha linha de raciocínio quebrasse quando se uniu a mim, entrelaçando sua mão na minha. Vi minha esposa acenando para um grupo de mães, que conversavam olhando para a gente, com um sorriso forçado no rosto.

— Elas são aquelas mães do grupo de associação de pais, né? — indaguei.

— As próprias — Bella disse. — São as mães que cuidam do comitê da associação, presidente, diretora, tesoureira. Pensam que são as melhores mães por viverem na escola dando palpites sobre tudo, eu chamo isso de outra coisa, desocupadas em tempo integral.

— Querida. — Eu ri, ela apenas deu um sorrisinho convencido.

Por sorte a senhora Patterson, professora de Matthew, ainda estava na sala quando chegamos ali. Ela arrumava algumas atividades, ao nos ver sorriu e exclamou com um entusiasmo que me dava dor de cabeça.

— Senhora Cullen, senhor Cullen, bom ver vocês novamente. No que posso ajudá-los? Não encontraram Matthew? Ele deve estar no pátio com as outras crianças.

— O encontramos sim — Bella disse. — Apenas queríamos saber melhor como foi o primeiro dia dele.

A professora não pode esconder um suspiro nada animador.

— Por que não se sentam? — Apontou para as cadeiras das crianças, eu a olhei esperando ela rir e falar que era uma brincadeira, como diabos eu caberia naquela cadeira minúscula? Eu era alto demais!

— Acredito que estamos bem de pé, senhora Patterson — Bella falou por nós dois. — Estamos realmente ansiosos para saber sobre Matthew.

— Certo — a mulher concordou. — Falando sobre a parte educacional, ele ainda têm muitas falhas, principalmente em matemática uma das aulas que tivemos hoje. O chamei para responder algumas perguntas, mas ele não respondeu, também não as respondeu no caderno como as outras crianças tímidas que não querem falar em voz alta fazem, isso me leva a crer que ele realmente não sabia as respostas. Agora, ele ficou recluso durante toda a aula e entre os pequenos intervalos dessas, não quis se aproximar de nenhum colega de turma...

— Ou nenhum colega de turma quis se aproximar dele? — a interrompi.

— Senhor Cullen, estamos quase no final do ano letivo — a professora disse com insistência em sua voz. — Os alunos já estão convivendo há meses, a maioria se conhecem desde antes, vindos das outras turmas ao longo dos anos. Matthew é um forasteiro na turma, ele é diferente...

— Ele é igual a todas as outras crianças, senhora Patterson — Bella disse entre dentes.

— Eu sei, senhora Cullen, só estou dizendo que essas crianças não conhecem o Matthew, por isso ele é diferente, é diferente por ser um novo aluno recém chegado. Além do mais, ele é mais velho do que elas, isso influencia muito. — A mulher forçou um sorriso. — Mas, eu vi Matthew na hora do almoço, ele estava com a filha de vocês...

— Ambos são nossos filhos, senhora Patterson, você pode se referir a Matthew e Renesmee como irmãos, é o que eles são — orientei.

— Certo, eu o vi com Renesmee, a irmã dele, na hora do almoço. Com Lucy também, é sobrinha de vocês, não? Enfim, ele estava com elas e com mais alguns coleguinhas da turma das garotas, ele parecia estar indo bem com eles.

Parte de mim gostou daquilo, de saber que ao menos com Renesmee por perto Matthew podia socializar. Entretanto, ele precisava se virar sem a irmã colada nele, precisava criar amizades por conta própria.

— Como é a sua aula, senhora Patterson? — Bella questionou, deixando-me confuso.

— Desculpe, senhora Cullen, não entendi direito.

— Eu perguntei como é a sua aula — Bella repetiu, falando pausadamente. — As carteiras sempre ficam alinhadas assim?

— Sim, é uma norma da escola...

— Você não pode quebrar essa norma por um tempo de aula ao dia? Sabe, minha mãe é uma professora — Bella disse, abrindo um grande sorriso. — Ela trabalha com crianças também, sempre a ouvi falar que dar aulas para crianças é complicado, eu imagino que seu trabalho não é fácil com todas essas crianças. Porém, imagino que ele não seja mais simples com esses alunos todos enfileirados como se estivessem em uma concentração militar, isso deve os estressar. Você poderia fazer uma meia lua, deixar eles sentarem no chão, fazer com que os alunos se conhecessem melhor, interagirem, os deixarem mais livres.

— Senhora Cullen, eu estou cumprindo meu trabalho levando em conta as regras dessa instituição. Infelizmente não posso fazer nada sem aprovação e determinação do conselho, da diretoria ou da associação de pais. Se você tem mudanças a sugerir para a escola, eu lhe aconselho a entrar para a associação de pais e apresentá-las em votação.

Ah, não!

— Quer saber, senhora Patterson? — O sorriso de Bella ficou maquiavélico. — É exatamente isso o que vou fazer.

Ah, sim!

— Foi bom falar com você, senhora Patterson. Vem, Edward! — Ela agarrou minha mão, arrastando-me para fora da sala, apenas ouvimos um fraco até logo da professora.

— Você vai mesmo entrar para a associação de pais? — indaguei perplexo.

— Nós vamos — ela me corrigiu.

— Ah, não, Bella!

— Associação de Pais, não somente de mães, você tem de estar lá.

— Você acabou de falar mal daquelas mulheres, querida — lembrei. — Fora que essas reuniões acontecem em momentos muito fora de hora, tipo sábados de manhã.

Bella parou de andar bruscamente, fazendo com que também parasse.

— Nós precisamos fazer isso, Edward! — afirmou, passando a mãos pelos seus cabelos. — Era fácil somente com Renesmee, ela se encaixa em qualquer meio. — Bella olhou ao redor para ver se tinha alguém, mas aquele corredor estava vazio. — Ness é branca, querido, nós somos brancos, o mundo é simples para a gente. Matthew é apenas um garotinho negro que caiu de paraquedas nesse mundo, um mundo que desde sempre o vê como diferente. Enquanto ele não puder ter sua própria voz, nós temos de representá-los. Porra, eu vou até o inferno para representar meu filho!

— Não chore — pedi segurando em seu rosto, ao ver as lágrimas em seus olhos. — Vamos fazer isso, entrar para a associação de pais, para qualquer associação que possa vir a auxiliar Matt. — Bella assentiu, ficando calada por um tempo até as lágrimas desaparecem de seus olhos. — Você está pronta, vamos nessa.

Eu a guiei de volta para o pátio da escola, seguindo até o local onde o grupo de mães do comitê da associação estavam jogando conversa fora. Elas se calaram quando nos aproximamos, nos olhando cheias de curiosidade.

— Acho que se lembram da gente, né? — Bella tomou a dianteira, começando a apertar a mão de todas, eu a imitei. — Isabella e Edward Cullen, somos pais de Renesmee Cullen e agora de Matthew.

— Lembramos de vocês, com certeza — uma das mulheres disse, com uma expressão irritadiça tomando conta do seu rosto. — Como esquecer o incidente com o Papai Noel, não?

— Sim, aquilo foi conturbado — a voz de Bella era a mesma usada no trabalho, minha esposa não estava ali para brincadeira. — Meu marido e eu queríamos saber quando terá a próxima reunião da associação de pais. — As mulheres se entreolharam, parecendo surpresas.

— Vocês nunca participam dessas reuniões, não se elas não forem obrigatórias — outra mulher comentou, com uma dose de julgamento em sua fala.

— Percebemos que erramos sobre isso, deveríamos ser mais participativos nos assuntos escolares e agora que temos dois filhos aqui queremos mudar nossas faltas. Quando é a próxima reunião? Eu já estou cheia de sugestões para serem colocadas em votação.

— Oh, vocês estão mesmo adotando aquele garotinho?

— Matthew, sim, estamos o adotando. A reunião?

Uma das mulheres estendeu um panfleto para minha esposa.

— No próximo dia 5, é uma sexta-feira, pela parte da noite…

— Nós estaremos lá — Bella garantiu pegando o panfleto. — Foi um prazer falar com vocês, meninas.

Ela era tão debochada, eu amava isso.

Acenei para as mulheres, voltando com Isabella até a rodinha onde nossos filhos estavam com nossa sobrinha, Riley e o Porco Espinho. Chamamos pelas crianças, que tinham voltado a jogar, Renesmee protestou, mas Matthew encerrou o jogo de bom grado. Me despedi de Lucy pedindo que ela tivesse cuidado, mandando-a dizer um oi para Rosalie por mim.

Nosso caminho para casa se deu com Matthew e Renesmee contando como foi legal eles almoçarem juntos na escola, minha filha tinha apresentado o irmão a todos os amigos dela — que eram muitos —, e depois de comerem eles jogaram cartas — o barulho de Uno que era de Riley — com todo mundo na mesa do refeitório. Matthew também voltou a falar sobre ele, a irmã e a prima indo até a sala de ciências fazer experimentos em um intervalo que tiveram ao mesmo tempo.

Claro que aquilo era perigoso, então Isabella e eu proibimos os dois de voltarem a sala de ciências sem permissão dos professores e afirmarmos que se descobríssemos que estavam voltando a fazer algo do tipo estariam automaticamente de castigo. Nem mesmo Renesmee protestou, a ficha dela estava limpa nos últimos tempos, ela não queria a sujar novamente.

— Vocês chegaram! — Nelly comemorou quando entramos na sala do apartamento, onde ela estava assistindo novela.

Fred correu em suas patinhas até as crianças, enquanto George ia até Isabella. Minha esposa tentou o ignorar, ainda irritada pelo cachorro que ela tinha escolhido ser um fingido que aproveitava as noites para bagunçar o apartamento, mas ela cedeu e o pegou no colo.

— Por que você tem que ser tão fofo? — questionou o filhote, que lambeu o rosto dela. — Isso não, George! — protestou, o devolvendo para o chão.

— Como foi a aula, Matt? — Nelly perguntou para ele, Renesmee e o irmão já estavam no chão brincando com Fred e George que se uniu a eles.

Bella e eu aproveitamos para ir sentar um pouco no sofá, deixando com que Matthew contasse sobre o dia dele na escola para Nelly.

— As crianças da minha sala são muito pequenas, tia Nelly — ele reclamou para ela. — Mas os amigos da Ness são muito legais, o Ash me chamou até pra brincar na casa dele.

— Cunhados — Bella sussurrou ao meu lado, fazendo com que eu revirasse os olhos.

— Eu posso ir, tia Bella?

— Vamos ver um dia para isso — Bella respondeu a ele.

— E sua professora? Ela é legal? — Nelly perguntou, pegando George no colo quando ele se enfiou entre as pernas dela.

— Ela me fez um monte de perguntas que não sabia responder — Matthew contou envergonhado. — Eu não falei nada, não sabia o que responder. — Suspirou, afagando o pelo de Fred. — As outras crianças respondiam, mesmo sendo menores.

— Imagino que vocês dois tem deveres de casa para fazer — Bella falou, Renesmee choramingou, Matthew assentiu.

— De matemática, mas não sei como responder, tia Bella — insistiu.

— Estamos aqui para isso, filho. — Levantei do sofá. — Peguem seus cadernos e livros, nós vamos para o escritório estudar matemática.

— Yay! — Ness exclamou com falso entusiasmo, mas ela foi buscar sua mochila e a de Matthew.

— Nós ainda temos aquele quadro branco? — perguntei para Nelly.

— O que Renesmee insistiu em comprar para estudar e usou por dois dias? Sim, está no depósito da área de serviço.

— Excelente. Querida, você pode ir levando as crianças para o escritório enquanto eu busco o quadro?

— Pode deixar.

Bella saiu do sofá, guiando Renesmee e Matthew para o escritório. Peguei o quadro no depósito, deixando Nelly de olho nos filhotes, para que eles não fossem para a porta do escritório ficarem latindo e atrapalhando as crianças.

Matthew e Nessie estavam sentados no chão, Bella tinha pegado as almofadas do sofá — que eu detestava e trancava num armário da sala — e as colocou ali para que eles sentassem. Os dois estavam com seus livros e cadernos de matemática junto deles, minha esposa estava sentada em minha poltrona atrás da mesa, ela me lançou um sorrisinho quando me viu.

— Você quer ensinar, querida? — perguntei a ela depois de montar o quadro branco, pegando o pincel que veio junto quando o compramos.

— Não mesmo — Bella negou, inclinando-se sobre a mesa, seus olhos fixos em mim. — Estou ansiosa por sua aula, professor Cullen!

— Se comporte, senhorita! — ordenei, ela piscou para mim, mordendo seu lábio inferior.

Arregacei as mangas da minha camisa social e me voltei para as crianças, eles estavam rabiscando desenhos aleatórios no caderno de Renesmee.

— Hey! — chamei a atenção deles. — Hoje eu vou fazer vocês amarem matemática.

— Não acho que vai acontecer — Renesmee sussurrou, Matthew concordou com um aceno de cabeça.

— Vai sim — insisti, escrevendo matemática no quadro. — Alguém sabe me dizer por que a matemática é tão importante para nossa sociedade?

— Não — Matt respondeu.

— Por que ela é usada na engenharia? — Renesmee arriscou. — E os engenheiros planejam prédios, e tudo mais, a partir das contas que aprenderam a fazer graças à matemática.

— Isso tudo não é nada! — afirmei, Bella me olhou confusa de seu lugar. — A matemática é importante porque ela nos dá à oportunidade de contar dinheiro. — Bella riu, mas logo conseguiu se calar. — É isso que vamos aprender hoje: Matemática Financeira.

***

Dinheiro era um grande atrativo, isso fez as crianças inicialmente ficarem interessadas no que eu tinha para falar, mas minha fala era muito técnica e não demorou muito para eles começarem a dispersar, eu precisaria melhorar minha didática. Foi quando Bella interviu e sugeriu que focássemos em ajudá-los a resolverem seus deveres de casa, foi o que fizemos e a própria Renesmee auxiliou o irmão caçula com a lição.

Em algum momento Bella foi até o quadro ensinar como fazia algumas das contas e eu tive de me concentrar pra não imaginar ela como uma professora, ela com certeza seria uma gostosa. Porra!

Depois de todas as lições resolvidas, as crianças foram tomar banho e nós jantamos todos juntos. Não muito depois elas já estavam cansadas demais e nós as botamos para dormir, eu ainda tinha a ideia de Bella professora na mente, mas ela levou trabalho para a cama e eu também, o que cortou todo clima.

— Você precisa descansar — ela falou para mim, enquanto continuava a digitar em seu notebook com uma mão, com a outra afagava meu braço.

— Vou descansar depois da votação do conselho — prometi.

— Falta pouco — Bella entoou, olhando para mim. — O seu pai vai ganhar.

***

No dia seguinte, pela parte da tarde, eu me reuni com Carlisle e os advogados dele para a reunião de acordo com os advogados que representavam os jornais que estava processando. Como eu já estava certo de que não queria conduzir aquilo para um processo maior, apenas os fiz aumentarem a proposta financeira do acordo e fechamos o negócio.

— Vamos doar o dinheiro para instituições ligadas a adoção, abrigos, campanhas, essas coisas — contei para meu pai quando ficamos sozinhos na sala.

— Isso é bom — ele elogiou, naquele momento pegando seu celular que tinha começado a tocar. — É sua mãe — anunciou, atendendo a ligação, levantando-se e indo pegar um pedaço de bolo de seu frigobar em sua sala, enquanto eu pegava meu próprio celular e começava a mandar mensagens para Isabella contando sobre a reunião.

Ainda com o celular na orelha, Carlisle se virou para mim. Seu olhar estava sério, nada contente.

— Edward — falou meu nome. — Você não faz ideia de quem está em Chicago.

Eu estremeci com a ideia de que poderiam ser meus avós maternos, não era uma boa hora para aqueles dois pousarem em solo americano.

— Quem? — consegui perguntar.

— Eu sei, Esme, eu sei — Carlisle falou para minha mãe ao telefone. — Nós estaremos ai o quanto antes, não se estresse muito — pediu. — Te amo! — Ele finalizou a ligação.

— Pai, quem diabos está em Chicago causando esse estresse todo na mamãe?

— Chelsea — respondeu, largando o bolo sobre sua mesa. — A prima da sua mãe está em Chicago.

Suspirei aliviado, era uma parente de mamãe, mas ao menos não eram meus avós. Chelsea era suportável, só uma prima distante.

— Por que a mamãe está surtando? É só a Chelsea, ela deve estar em férias por alguns dias...

— Edward, Chelsea veio a trabalho.

— Como?

— Ela tem um contrato assinado por seus avós, Chelsea é a nova representante de Grace e Harrison Masen, ela é quem vai votar na segunda por eles, durante a reunião do conselho para decidir sobre o cargo de presidência.

— Puta merda! — xinguei, me colocando de pé. — Minha mãe era a representante, por que a mudança?

— Não faço ideia, só sei que já não tínhamos certeza do voto deles quando sua mãe era a representante, temos menos certeza agora que eles mandaram Chelsea para cuidar disso. Nós temos que ir para casa, antes que sua mãe faça uma loucura e acerte um vaso na cara da Chelsea. — Não pude deixar de rir ao ouvir aquilo.

— Edward, estamos sem tempo para isso.

— Foi uma imagem engraçada de se imaginar — me defendi, começando a seguir meu pai para fora da sala dele, enquanto mandava uma nova mensagem para Isabella contando sobre a novidade e pedindo que ela fosse buscar as crianças sozinha aquele dia, pois eu teria de segurar as pontas na casa dos meus pais.

O motorista de Carlisle nos levou até a mansão, meu pai deu permissão para ele infringir leis de trânsito afirmando que resolveria qualquer problema sobre aquilo, o que nos garantiu pouco tempo dentro do carro. Quando chegamos lá minha mãe estava com Chelsea na sala principal.

— Carlisle! — Chelsea exclamou ao ver meu pai.

Sentada em um dos sofás, vi minha mãe raivosa. Ela devia estar muito brava por seus pais terem tirado a representação das mãos dela sem nem um aviso prévio, brava com toda razão, aquilo era como uma facada pelas costas.

— Chelsea, é uma surpresa te ver por aqui — meu pai falou, recebendo o abraço dela.

Chelsea era filha de uma das irmãs de Grace, ela era uns dez anos mais velha do que eu, mesmo que não aparentasse por conta da maquiagem bem feita que usava no fim daquela tarde. Os cabelos dela eram loiros bem claros, caindo em ondas por suas costas, usava roupas formais e estava coberta por joias.

— Gosto de ser surpreendente, Carlisle. — Piscou para ele, passando a mão pelo terno do meu pai, fazendo com que mamãe bufasse. — Inclusive sobre eu ser a nova representante do tio Harrison e da tia Grace.

Mamãe se levantou naquele momento, Chelsea olhou para ela e simplesmente sorriu.

— É tão bom rever você, Edward! — Chelsea exclamou com seu marcante sotaque, me dando um forte abraço.

— Oi, Chelsea! — falei a afastando rapidamente. Minha mãe parecia que teria uma síncope a qualquer momento, papai foi até ela, mas ela afastou as mãos dele de si. — Como está seu marido e as crianças? — puxei assunto com Chelsea.

Ela era casada com um cara chamado Alistair, e tinham dois filhos com idades próximas a de Renesmee e Matthew.

— Alistair está em uma viagem de negócios para Dubai com tio Harrison. Eles estão trabalhando muito bem juntos — ela contou orgulhosa. — Os meninos estão no internato na Suíça, espero que estejam aprendendo bastante.

— Você colocou seus filhos num internato? — indaguei a irlandesa, sem conseguir me conter.

Chelsea riu, afastando-se até a mesinha de centro e pegando um copo com uísque que tinha ali.

— Eles estão muito bem no internato, Edward — falou, tomando um pouco da sua bebida. — Vão sair de lá prontos para uma boa faculdade inglesa como Oxford, depois disso para os negócios. Além do mais, nem todos nós temos tempo para ficar cuidando de filhos todo dia.

— Então, por que os teve? — mamãe questionou entre dentes.

— Como eu estava falando, negócios. — Chelsea pegou uma pasta de uma bolsa sobre o sofá, estendendo para meu pai. — Tio Harrison e tia Grace acharam que seria a hora de Esme deixar de ser a representante deles no conselho do Grupo Cullen, nada pessoal, meu bem — falou para a prima. — Mas, nós não podemos ser emocionais quando o assunto são negócios e você sendo a esposa de Carlisle não seria impessoal durante essa votação.

— Nunca iria dar meu voto passando por cima da escolha de quem representava, eu estava esperando a decisão dos meus pais — mamãe falou, vi que ela estava tão estressada que mais um pouco e começaria a chorar. Aquilo não era nada bom, ela ainda estava doente, não podia ficar se colocando em limites extremos.

— Mãe...

— Esme, eu estou aqui a trabalho, não posso fazer nada se seus pais decidiram te tirar a representação deles. — Chelsea deu de ombros, meu pai colocou seus óculos, começando a ler os documentos que tinham lhe sido entregues.

— Carlisle? — mamãe o chamou com indagação em sua voz.

— Está tudo certo, Chelsea é legalmente a nova representante de Harrison e Grace no conselho administrativo do Grupo Cullen.

— Eu estou aqui para analisar as melhores propostas, decidir se colocarei Eleazar no comando do Grupo, ou se deixarei você continuar em seu cargo, Carlisle. — Sorriu para meu pai, que não se importou em sorrir de volta. — Aliás, tenho um jantar com Eleazar e os outros conselheiros no sábado, vocês estão planejando algo?

— Eleazar está planejando um jantar? — questionei enojado.

— É uma presidência em jogo, Edward — Chelsea me encarou com descaso. — Você sendo um diretor financeiro deveria saber melhor sobre negócios, não?

— Ei, cuidado como fala com meu filho, garota! — mamãe exclamou, Chelsea riu, terminando de beber seu uísque.

— Talvez ter um filhinho da mamãe numa diretoria não seja a melhor opção, você está disposto a tirar Edward da direção financeira, Carlisle?

— O quê? Claro que não! — meu pai gritou.

— Reconsidere. — Chelsea colocou o copo seco sobre a mesa. — Você precisa pensar no melhor para os negócios, não para sua família. Nós ficamos sabendo na Irlanda sobre o problema no hotel em Boston — comentou. Como eles ficaram sabendo sobre aquilo? — Tia Grace e tio Harrison não estão contentes com esse erro gigantesco de Edward. — Chelsea me encarou. — Muito menos com ele e a esposa sendo manchetes de jornais sensacionalistas.

Claro, aquilo era sobre Matthew, sobre a adoção. Meus avós não estavam em Chicago, mas indiretamente estavam ali por Chelsea. Eles também queriam uma retaliação, era a cara daqueles dois.

Podiam não saber sobre o fato de Matthew ser negro, ou talvez a mesma fonte que lhes contou sobre Boston tivesse contado aquilo a eles. Era tão provável, em minha mente eu só conseguia imaginar Irina falando aquelas coisas para meus avós, ela tinha conhecido Matthew e com certeza sabia sobre Boston, uma vez que toda aquela merda foi causada por seu cunhado e conhecia os Masen, podia ser a informante.

— Minha vida pessoal não interfere no meu trabalho — deixei bem claro para Chelsea.

— Não deveria, mas não é o que esta acontecendo, se você fosse um bom profissional o problema em Boston não teria acontecido... Ai, ai! — Chelsea gritou quando mamãe a agarrou pelo braço.

— Estamos fartos da sua visita, Chelsea, você pode cair fora agora — mamãe anunciou, a soltando com um gesto brusco, fazendo Chelsea cambalear em seus saltos.

— Acho melhor você tomar cuidado como fala comigo, prima! — Chelsea exclamou, seu rosto estava vermelho de raiva.

— Chelsea, eu também acho que é melhor você ir agora — papai falou, com calma em sua voz, o que pareceu irritar tanto a mamãe quanto me irritava. — Nós iremos ficar muito felizes em te receber no hotel...

— Não é necessário, tia Grace fez questão de mandar preparar a mansão Masen para me receber, eu estarei algumas ruas de distância — Chelsea falou com um tom de superioridade, olhando diretamente para mamãe. — Então, vocês estão planejando algo para os conselheiros?

— Terá um coquetel aqui amanhã à noite — Carlisle contou em um suspiro.

— Carlisle! — mamãe gritou com ele, claramente sem querer tornar Chelsea uma convidada.

— Isso é ótimo, eu estarei aqui. — Chelsea pegou sua bolsa, lançando um sorriso para mamãe. — Foi maravilhoso te ver, prima.

— Vá embora! — mamãe ordenou.

— Eu vou, mas volto amanhã. — Chelsea saiu da sala sorridente, como se tivesse acabado de ganhar um grande prêmio, provavelmente sim, se ela estava sendo representante dos Masen queria dizer que estava recebendo uma nota trabalhando para os dois.

Mamãe agarrou o copo deixado por Chelsea, o atirando contra uma parede. Então, ela começou a chorar e eu me apressei em colocá-la em meus braços.

— Odeio eles, odeio — ela repetia sem parar, eu sabia muito bem que estava falando sobre seus próprios pais.

— Sinto muito, mãe — consegui dizer, ela se soltou de mim, olhando furiosa para meu pai.

— Eu não quero aquela cobra na minha casa, Carlisle!

— Sinto muito, Esme, mas eu preciso que Chelsea esteja aqui com os outros conselheiros. — Mamãe abriu a boca para contestar, mas ele foi mais rápido. — Eu realmente sinto muito, mas nada que você diga me fará tirar o convite, você sabe que esse coquetel é justamente para agradar os conselheiros, o fazerem vir para meu lado, Chelsea é uma conselheira agora e eu preciso fazê-la votar em mim na segunda, não posso deixar Eleazar Denali roubar o controle do Grupo Cullen.

Mamãe negou com um aceno de cabeça, continuando a chorar. Papai se aproximou dela, depositando um rápido beijo em seu rosto.

— Vou ligar para Caius e contar a novidade — ele falou, seguindo para a escada.

— Mãe? — Ela me olhou, seus olhos verdes tomados por lágrimas. — Eu sinto muito.

— Sou uma pessoa horrível por odiar meus próprios pais.

— Você está sendo apenas sincera consigo mesma, mãe, o que eles fizeram foi uma traição. Deveriam no mínimo ter te mandado um e-mail falando que você não é mais a representante deles, no lugar disso mandaram aquela aprendiz de Grace para cá te confrontar.

Ela encarou o chão, enquanto chorava copiosamente.

— Calma, mãe. — Voltei a abraçá-la. — Isso tudo vai se resolver — garanti, mas por dentro não estava acreditando em mim mesmo.

***

Fiquei até tarde na casa dos meus pais, querendo ter certeza de que mamãe estava bem. Ela claramente não estava, mas ficar com ela naquele momento era o mínimo que poderia fazer.

Quando cheguei ao meu apartamento, após pegar um táxi, já era mais de meia-noite. Tentei ser o mais silencioso na entrada, sem querer despertar os filhotes, que acordariam todos se começassem uma bagunça.

Mas, para minha surpresa eles não estavam sozinhos na sala. Bella estava sentada no sofá, com George brincando aos seus pés, enquanto Fred estava adormecido no seu colo.

— Ei, querida — sussurrei, Bella abriu um pequeno sorriso para mim, enquanto víamos George correr para meus pés e começar a mordiscar a barra da minha calça. — O que foi, peste? — O peguei no colo, fazendo o cachorrinho ficar animado com aquilo. — Você deveria estar dormindo — falei para Bella, sentando ao seu lado no sofá. — Já está tarde.

— Eu não conseguia dormir sem você ao meu lado, principalmente imaginando como as coisas devem estar fervilhando na sua cabeça.

— Eu estou com muito medo daquela votação, principalmente agora que o voto dos Masen é mais incerto do que nunca.

Bella não falou nada, apenas beijou meu rosto carinhosamente.

— Como as crianças estão? Como foi o segundo dia de aula de Matthew?

— Estão bem, o segundo dia não foi muito diferente do primeiro — respondeu, George passou para o colo dela também, se aconchegando ao irmão. — Ótimo, sou cama de cachorro agora — Bella falou, mas não estava realmente irritada com aquilo.

— Tia Bella? — Olhamos para trás, vendo Matthew descendo a escada.

— Ei, pequeno, o que está fazendo fora da cama?

— Acordei e não consegui dormir mais — Matthew respondeu, coçando seus olhos.

— Cuido disso — murmurei para Isabella, me levantando do sofá. — Oi, filho. — Me agachei diante de Matthew, que me olhou com incerteza.

— Onde você tava? — perguntou.

— Eu tive de ficar até mais tarde no trabalho — menti, sem querer povoar a cabeça dele de problemas que não eram para sua idade. — Sinto muito por não ter vindo mais cedo. — O peguei com facilidade no colo, sentindo Matthew se agarrar em mim, repousando sua cabeça em meu ombro.

Aquele abraço me devolveu parte das forças, pelo menos aquela noite eu pude dormir em paz. Quando mais tarde deitei ao lado de Isabella dormir foi fácil, pois me lembrei de que ao menos minha família estava ali comigo.

***

Na sexta-feira Jasper e eu saímos juntos da empresa para buscarmos Renesmee e Matthew na escola, uma vez que Alice e Bella estavam presas no salão de beleza cuidando de si mesmas para poderem ir ao coquetel mais tarde. As crianças adoraram a presença de Jasper, ele já tinha conquistado Matthew da mesma forma que conquistou Renesmee desde sempre.

O terceiro dia de Matthew na escola não tinha sido diferente dos anteriores, recluso na sala de aula quando estava com as outras crianças, enfrentando problemas com as matérias. Mas, na hora do almoço e da saída andando junto com a irmã e a prima.

Jasper e eu ajudamos Matt e Ness com parte das lições de casa deles, mas logo tivemos de ir nos arrumar para o coquetel também, ou ficaríamos atrasados quando Alice e Bella chegassem para terminarem de se arrumarem ali. Nós dois estávamos bebendo na sala quando elas chegaram do salão, Bella fez uma rápida passagem pela cozinha onde as crianças estavam fazendo pizza caseira com Nelly e deixou sua amiga a rebocar para o segundo andar para que pudessem colocar seus vestidos.

Aquilo demorou mais tempo do que eu podia julgar ser necessário, mas valeu a pena ver Isabella naquele vestido. Ele era vermelho escuro, com um decote reto que chegava até as mangas curtas, a cintura era justa e o vestido tinha a parte de trás um pouco maior do que a da frente, que parava um palmo acima dos joelhos da minha esposa.

— Uau, você está gostosa, senhora Cullen! — falei quando ela se uniu a mim. Bella piscou para mim, dando uma voltinha para que a visse melhor, seus cabelos estavam completamente cacheados, graças a sabe-se lá o que tinha feito naquele salão, sua maquiagem também era mais pesada do que usualmente usava no trabalho. — Não podemos ir rapidinho para nosso quarto? — sugeri.

— Não, querido, sinto muito — ela negou, calçando seus sapatos que estavam em suas mãos. Bella também usava algumas joias e carregava uma bolsa de mão. — Matthew, Renesmee, nós estamos indo!

— E você Alice? Está parecendo uma embalagem de bombom com esse vestido — provoquei a amiga de Bella, que estava bebendo do copo do namorado. O vestido dela era de um rosa berrante que doía os olhos, com mangas longas e bufantes.

— Vá se foder, Edward! — Alice xingou.

— Tia, você está devendo um dólar para o pote! — Renesmee escolheu chegar à sala justamente naquele momento.

— Isso não é justo.

— É justo sim! — insisti, Alice me encarou irritadiça, mas tirou uma nota de cinquenta da sua bolsa de mão e estendeu para a afilhada.

— Aqui, Renesmee, gaste esse dinheiro todo indo ao cinema com o Ashton.

— Alice! — Jasper e eu chamamos a atenção dela ao mesmo tempo.

— Não temos tempo para isso — Isabella interviu rapidamente. — Filho, nós estamos indo — falou para Matthew que entrava na sala acompanhado de Nelly.

Nós nos despedimos das crianças e de Nelly, evitamos o choramingo dos filhotes e saímos do apartamento. O carro de Alice, que seria o meio de transporte dela e de Jasper, estava estacionado lá fora, então eles pegaram outro elevador, enquanto Bella e eu íamos no elevador que nos deixaria diretamente na garagem.

— Nós vamos no Bugatti? — ela perguntou com um sorrisinho malicioso no rosto quando mostrei as chaves para ela.

— Exato, senhora Cullen.

— Quente. — Bella assobiou, me olhando de cima abaixo. — Só para que fique registrado, você também está muito gostoso, amor.

— Eu sei — falei convencidamente, ouvindo Isabella gargalhar, enquanto unia seu braço ao meu para deixarmos o elevador. Enquanto ela estava toda gostosa em seu vestido, eu usava roupas sociais, camisa, calça, blazer, mas sem a gravata. — Senhora Cullen. — Abri a porta do Bugatti para ela, ajudando a entrar. — Mal vejo a hora de tirar esse vestido de você, querida.

— Mal vejo a hora disso acontecer.

***

Alice e eu chegamos ao mesmo tempo à casa dos meus pais, passamos nossas chaves para os manobristas, eu quase chorando por aquilo e nós quatro entramos na mansão. O coquetel aconteceria no salão da casa, meus pais já estavam ali, com mamãe coordenando os últimos detalhes.

Eles tinham contratado um quarteto de cordas para tocarem, o salão tinha uma decoração minimalista, com alguns lugares para sentar e mesas altas. Um bar tinha sido montado ao canto e eu também sabia que eles tinham um buffet a postos na cozinha.

— Finalmente vocês chegaram! — papai exclamou quando nos viu, ele já tinha um copo de uísque em suas mãos.

— Viemos o mais rápido que pudemos, cadê a Rose?

— Ela se atrasou no trabalho, vai demorar um pouco, e ainda vai passar no apartamento de Emmett para o buscar, mas eu já mandei meu motorista ir cuidar disso.

— Alice, você está linda, esse vestido ficou perfeito em você! — mamãe exclamou para Alice, que sorriu para mim. Esme estava usando um vestido azul marinho, bem fechado, com seus cabelos presos em um coque. Aquilo me fez pensar em quando os cabelos dela começariam a cair por conta da quimioterapia, eu tive de engolir em seco com aquela ideia.

— Viu, Edward, sua mãe sabe reconhecer um belo vestido.

— Ainda parece uma embalagem de bombom para mim... Ai, Jasper! — protestei quando ele acertou um tapa em minha cabeça, ele somente deu de ombros.

— Falta um pouco de classe em você, filho — mamãe acusou, segurando na mão de Alice e arrastando até o quarteto, provavelmente para que a Brandon a ajudasse de última hora a escolher algumas músicas para compor repertório.

— Eu preciso de um desses — Bella comentou olhando para o copo de uísque do meu pai. — Vou até o bar conseguir uma dose dupla. — Soltou sua mão da minha.

— Também preciso. — Jasper a acompanhou.

— Alguma novidade? — perguntei para meu pai, ele negou, seu olhar era cansado e preocupado.

— Olá, família! — Tio Caius chegou com tia Athenodora.

Minha tia era uma mulher muito alta, loira e descendente de gregos. Ela e meu tio tinham se conhecido ainda na escola, quando meros adolescentes. Não demorou nada para que se cassassem, antes mesmo dos meus pais se casarem.

— Mais um pouco e vocês só chegam amanhã — papai reclamou para seu caçula, enquanto tia Athenodora me dava um abraço, mesmo com todas as plásticas que ela fazia, a mulher não estava com o rosto deformado.

— Oi, tia.

— Não seja irritante, Carlisle. — Tio Caius pegou da mão dele seu copo de uísque. — Lembre-se que eu ainda sou um conselheiro e tenho de ser conquistado.

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— Demoramos porque Tanya e os bebês finalmente receberam alta — tia Athenodora contou triunfante. — Eles já foram para casa, mal acredito que estão fora daquele hospital, foram longos dias com eles lá. Como Matt está, Eddye?

— Tia, esse apelido não — resmunguei. — E Matthew está bem.

— Tanya está louca para conhecê-lo, faça isso acontecer em breve, ok?

— Pode deixar — concordei, talvez eu conseguisse levar ele e Renesmee até lá no outro dia, já que Bella estaria o dia inteiro no hotel.

— Vou falar com Esme, tenham o papo de garotos de vocês. — Ela apertou minha bochecha, antes de se afastar fazendo com que seu vestido amarelo balançasse ao redor de si.

— Eu tenho uma novidade — Caius falou. — Recebi uns documentos de Eleazar mais cedo.

— Ah não, o que vem agora? — indaguei.

— Aparentemente Grace e Harrison não foram os únicos mudando seu representante, Eleazar deixou o conselho e colocou a filha em seu lugar.

— Irina é do conselho agora? — Bella estava de volta ao meu lado.

— Sim — Caius respondeu. — Eleazar deu a representação para ela, já que ele vai concorrer ao cargo. É uma artimanha barata para fingir que não está influenciado a votação.

— Deveríamos mandar matá-lo!

— Carlisle! — Bella exclamou com os olhos arregalados ao ouvir a fala do meu pai.

— Só estou dizendo que assim seria mais fácil — papai reclamou, revirando os olhos.

— Eu já disse que conheço as pessoas certas para o serviço, irmão. — Caius deu uma batidinha no ombro dele.

— Os primeiros convidados estão chegando — mamãe anunciou ao se juntar a gente. — Desfaçam essas caras irritadas, tudo que temos que ser hoje e agradáveis e queridos, até o fim do dia precisamos de pelo menos quatro conselheiros dispostos a votarem a favor de Carlisle.

***

Nossa missão aquele dia era simples, puxar saco dos conselheiros. Tirando Caius, Irina e Chelsea, eles eram Susan, Owen, Steve, Wilson, Maxon e Ruppert. Investidores, representantes, advogados, ou conselheiros profissionais, eles estavam distribuídos entre essas zonas e completavam o corpo do conselho.

Nós precisávamos falar a eles bem sobre meu pai, o quanto Carlisle era benéfico frente à presidência do Grupo Cullen, também precisávamos ouvi-los e mesmo que pudéssemos os achar chatos e tediosos, tínhamos de tratar como as pessoas mais divertidas do mundo. A parte boa era, toda minha família estava acostumada aquilo.

Isabella e eu estávamos conversando com Susan e o marido dela, sendo Susan uma conselheira profissional, quando Chelsea chegou ao coquetel. A prima da minha mãe usava um vestido preto com detalhes em branco, chegou ali de nariz empinado, indo diretamente até meu pai e minha mãe, que conversavam com Owen, um dos acionistas do Grupo.

— Qual o problema de vocês homens Cullen? — Bella me perguntou quando Susan e seu marido foram falar com meus tios, que chamaram por eles.

— Como? — Bella apontou com a cabeça para onde meus pais, Owen, sua esposa e Chelsea estavam. Sendo que a última estava próxima ao meu pai, rindo de algo que ele falava e tocando em seu braço sem parar, de onde eu estava podia ver o olhar assassino de minha mãe pairando sobre sua prima.

— Vocês atraem problemas — Bella declarou, passando a mão por meu peito. — Principalmente mulheres, isso os coloca em perigo. — Ela estalou sua língua.

— Eu estou comportado — garanti, Bella soltou uma risadinha baixa, assentindo.

— Querido, você é um anjo.

— Eu serei o diabo mais tarde quando chegarmos ao nosso apartamento, quero você algemada a nossa cama.

Bella me abraçou pelo pescoço, sussurrando em meu ouvido:

— Eu posso ser sua aluna má que merece punição, professor Cullen?

— Você deve — sussurrei de volta, tocando em suas costas.

— Procurem um quarto. — Nos afastamos ao ouvir a voz da minha irmã.

Rosalie usava um vestido preto que ia até abaixo de seus joelhos, com mangas que alcançavam seus cotovelos, os cabelos dela estavam completamente lisos e ela tinha a tiracolo um Emmett.

— Você também precisará de um, não é, cunhada? — Bella sorriu para Rosalie, que bateu no braço da minha esposa com sua bolsa de mão.

— Ai, eu não concordei com isso! — Bella beliscou Rosalie, que fez uma careta.

— Olá, Edward! — Emmett estendeu uma mão para mim, encarei a mão dele e bufei, mas por fim retribui o aperto. A intenção era fazer ele sentir dor, mas o McCarty parecia tanto um armário que não se abalou.

— Oi, Emmett, eu fiquei sabendo que você pediu minha irmã em...

— Não, nem começa com isso — Rosalie me interrompeu rudemente. — Não estamos aqui hoje para você bancar o irmão protetor, sim para garantir que esses gentis conselheiros votem a favor do papai na segunda.

— Eu estou aqui há mais tempo que você, me dê um desconto — pedi, enquanto ela e Emmett eram servidos por um garçom com champanhe.

— As meninas estão com a babá? — Bella perguntou a Rosalie, que assentiu enquanto tomava um gole de seu champanhe. — Deveríamos ter planejado uma noite para elas, Ness e Matt...

— Ora, ora, eu estava sentindo a falta da mais bela garota Cullen. — Chelsea apareceu perto da gente naquele momento, interrompendo Isabella e dando um abraço em Rosalie, que não pareceu gostar da proximidade. Minha mãe, ou meu pai, com certeza já tinham dito para Rosalie sobre o modo como Chelsea tinha agido na outra noite. — Vai me apresentar seu adorável par, Rose?

— Emmett McCarty, meu namorado — Rose os apresentou, forçando um sorriso para Chelsea, enquanto Emmett dizia um simples oi para nossa prima de segundo grau e apertava sua mão.

— Rápida, faz quanto tempo que seu divórcio saiu mesmo?

— Isso não é da sua conta, Chelsea! — Bella exclamou, fazendo com que Chelsea a encarrasse.

— Ah, Isabella, claro. Como vai, lindinha?

— Muito bem, obrigado. — Bella mediu Chelsea de cima abaixo. — Quer dizer que agora você é nossa nona conselheira?

— Isso mesmo. — Chelsea jogou seus cabelos por cima do ombro. — Sabe, eu estarei ocupada amanhã jantando na casa dos Denali. Mas, que tal se eu jantasse com você, Edward e seus filhos no domingo? Estou curiosa sobre o garoto que estão adotando.

— Não, eu não acho que isso vai acontecer, lindinha. — Bella afagou o braço de Chelsea, quando na verdade eu sabia que ela queria bater na mulher por ser irritante. — Nós ainda não cumprimentamos o Steve e a esposa dele, vamos até lá. — Agarrou minha mão, mas antes que nos movesse se voltou para minha irmã e Emmett. — Venham conosco também.

Eles no seguiram, deixando Chelsea sozinha para trás.

***

Mais tarde aquela noite, quando todo aquele coquetel já estava me dando dor de cabeça, eu consegui que Bella cobrisse minha falta por um tempo e segui caminho até a cozinha. Fui direto até a geladeira, pegando uma cerveja lá de dentro.

— Ei, posso ter uma dessas também? — Era Emmett.

— É, você pode. — Peguei uma segunda garrafa e passei para ele.

— Valeu, eu realmente prefiro cerveja a uísque e champanhe — falou, abrindo sua garrafa.

— Eu estava indo para a área da piscina, respirar um pouco de ar puro. Se você quiser fugir um pouco daquele coquetel esse é o momento. — Emmett hesitou, mas caminhou comigo para fora da casa.

— Acho que não consigo andar sozinho por essa casa sem acabar perdido — ele falou, nós sentamos em espreguiçadeiras paralelas lá fora.

— Era um excelente lugar para brincar de esconde esconde — admiti, encarando o céu noturno. — Escuta. — Me virei para encarar Emmett, que voltou seu olhar para mim. — Eu estou feliz se Rose estiver feliz, então não seja um babaca com minha irmã, ou você está muito fodido. Se você estiver com ela por dinheiro, para crescer no hotel, ou qualquer merda assim, porra, nem sua mãe vai ser capaz de te reconhecer no necrotério, McCarty.

— Edward, não estou com Rosalie por interesse.

— Mesmo se você estivesse diria isso, então apenas ande na linha.

— Você e Bella enfrentaram muitas suspeitas, não? — Arqueei uma sobrancelha. — Ela já disse que não nasceu em uma família rica, então em algum momento vocês dois também devem ter sido alvo de criticas.

— É, ela foi tachada de aproveitadora por muitos — falei entre dentes. — Ainda é. — Apertei a garrafa em minha mão. — Mas, isso não é sobre Isabella e eu, e sobre você e minha irmã. Rosalie acabou de sair de um casamento que fez mal a ela, eu não quero que ela sofra de novo, as meninas também não precisam disso. Então, se você realmente sente algo por Rosalie, não a use, não a faça sofrer e não deixe que isso afete minhas sobrinhas.

— Eu não vou, é uma promessa. — Ele bateu sua garrafa na minha em um brinde.

— Vocês também precisavam fugir daquilo? — Papai estava se aproximando da gente, segurando um prato com bolo. Eu encolhi minhas pernas, deixando com que ele sentasse na ponta da espreguiçadeira que eu estava.

— Preciso confessar, mais um minuto lá dentro e eu surtaria com todas aquelas conversas — Emmett se queixou. — Como vocês lidam com tudo isso com tanta frequência?

— Prática — papai e eu respondemos juntos. — É bom você ir se acostumando — Carlisle acrescentou para Emmett, pegando a cerveja dele. — Quero dizer, se você está com minha filha e pretende um dia fazer parte dessa família, irá comparecer a muitos coquetéis como esse, jantares, bailes e tudo mais.

Emmett olhou para suas mãos, parecendo incerto.

— Ou você vai cair fora quando tudo ainda é recente? — papai o indagou, com um tom de voz seco.

— Não, senhor Cullen — Emmett respondeu, olhando para meu pai. — Eu não vou deixar Rosalie.

Papai sorriu, contente com o que ouviu, falando:

— Certo, Emmett, então vou te confiar o maior tesouro da família Cullen, a piada do iglu.

***

Quando voltamos para casa após o coquetel, eu estava tão cansado e com tanta dor de cabeça, que Bella me forçou a tomar um remédio e me mandou dormir. Acabei dormindo tanto que acordei no sábado na hora do almoço, com Renesmee me chamando para comer.

Isabella estava no hotel, Nellly foi para a igreja se encontrar com um grupo de amigas depois do almoço e eu passei a tarde com as crianças jogando videogame, enquanto os filhotes bagunçavam ao nosso redor. No fim da tarde nós três saímos para ir até o apartamento da minha prima, para que ela enfim pudesse conhecer Matthew e ele pudesse conhecer os bebês.

Passamos só umas duas horas no apartamento deles, sem querer desgastar os pais e os bebês, que ainda estavam se adequando um ao outro. Entretanto, foi o suficiente para Tanya e Santiago poderem conhecer um pouquinho de Matthew. Como tempo suficiente para que minha prima me forçasse a trocar a fralda do pequeno Caius, que para um bebezinho conseguia fazer um desastre em sua fralda.

— Isso fede muito! — Matthew reclamou, enquanto me olhava com curiosidade trocar a fralda de Caius. Fazia anos desde que Rensmee parou de usar fraldas, mas eu ainda levava jeito para aquilo... Claro que quando ela nasceu eu era péssimo, mas aprendi.

— Como pode feder tanto? — Renesmee fez coro, tapando seu nariz. — Não inale isso, Matthew, pode ser tóxico! — Ela tapou o nariz do irmão também, fazendo Matt rir.

— Ei, pensem rápido! — Joguei a fralda suja que tirei do bebê para os dois, que agilmente saíram do caminho deixando-a cair no chão, por sorte ela estava fechada e não sujou nada.

— Edward! — Tanya entrou no quarto dos bebês, com o pequeno Carlisle no colo. — Você está aqui para trocar o Caius, não ficar brincando com a fralda suja dele.

— Qual é, Tanya? Você deixou a Renesmee cair uma vez quando ela tinha um ano — a lembrei daquilo.

— Você me deixou cair? — Renesmee perguntou ofendida.

— Não, seu pai está inventando — Tanya mentiu. — Venham até a sala, crianças, tio Santiago comprou doces para vocês.

— Ótimo, encha meus filhos de cáries — protestei.

— Edward, limpe o bebê! — Tanya ordenou, saindo com Matthew e Renesmee do quarto.

Isabella já estava em casa quando voltamos, nós todos concordamos em pedir pizza para o jantar e comemos na sala assistindo filmes de desenho animado. Na hora de dormir Bella era a pessoa com dor de cabeça, então ela tomou um longo banho, um remédio e me implorou por uma massagem, dormindo no meio dessa.

No domingo Rosalie e as meninas apareceram para passar o dia, fazendo Renesmee e Matthew ganharem o dia por poderem brincar com Lucy. No entanto, Anne continuava sem querer interagir com o primo e a diferença de idade entre ela, ele, Lucy e Renesmee, não era favorável para pequena.

Eu me refugiei no meu escritório no meio da tarde, enquanto Bella, Nelly e Rose lidavam com as crianças na sala. Apenas precisava trabalhar um pouco, minha mente não parava de pensar naquilo uma vez que na manhã seguinte aconteceria a votação do conselho.

Nós tínhamos feito o coquetel e tudo mais, só não podíamos prever o resultado da votação.

— Tio Edward? — Olhei para a porta do escritório, vendo Anne ali.

— Ei, no que posso te ajudar?

— O que cê tá fazendo? — ela perguntou, andando até mim na mesa.

— Trabalhando — respondi, a erguendo e a sentando na mesa.

— Quero trabalhar também! — exclamou entusiasmada, eu ri, passando para ela algumas folhas em branco e canetas.

— Você é uma empresária também?

— Não sei que é isso, tio — respondeu, começando a rabiscar nas folhas.

Fiquei algum tempo apenas observando minha sobrinha desenhando, mas logo estava conseguindo trabalhar um pouco, deixando a preocupação me ter novamente. Até que Anne cutucasse meu rosto, fazendo com que eu a olhasse.

— Olha, olha! — Ergueu uma folha para mim, tinha um desenho de uma carinha feliz ali. — Esse é você, tio. — Passou a folha para mim. — Você tem que sorrir, não pode ficar tiste não.

Eu sorri, Anne sorriu de volta para mim, parecendo orgulhosa de seu feito.

***

Não consegui dormir aquela noite, Isabella também não e por mais que estivéssemos há uma semana sem sexo, com certeza não estávamos com cabeça para aquilo. Então, ligamos a TV do nosso quarto e ficamos revendo episódios de Game of Thrones durante a madruga inteira, um pouco de sangue e brigas nos distraia o suficientemente da votação no dia seguinte.

Deixamos Nelly levar as crianças para a escola na segunda-feira, uma vez que deveríamos estar cedo na empresa para a reunião do conselho. Bella e eu seguimos juntos para o andar presidencial da torre empresarial, indo para a sala de reuniões.

Meu pai e meu tio já estavam lá a postos, aquele dia Caius era a pessoa ocupando a cabeceira principal da mesa, pois como presidente do conselho seria a pessoa conduzindo a reunião. Carlisle nos contou que mamãe queria muito estar ali, principalmente quando soube que Irina estaria, mas Rose tinha tirado o dia de folga e junto com tia Athenodora arrastaram mamãe até o SPA do hotel, para que Esme pudesse relaxar, ou no mínimo não se estressar mais.

Um por um os conselheiros foram chegando, tomando seus lugares a grande mesa de reuniões. Meu pai ocupava a outra cabeceira, Bella e eu estávamos sentados próximos a ele, deixando os votantes ficarem próximos ao meu tio.

Quando Chelsea chegou eu tentei analisá-la e descobrir qual seria seu voto, só que ela tinha um sorrisinho no rosto e seus olhos eram frios. Não era capaz de ler aquela mulher, pelas expressões de Bella e Carlisle, eles também não podiam.

— Estão todos aqui? Podemos começar logo! — A voz de Eleazar soou pela sala, olhamos para a porta e o vimos lá, sendo seguido por sua filha mais velha.

O acidente com chiclete tinha causado consequências, Irina teve de cortar o cabelo. Eles estavam na altura das orelhas dela, bem baixos e sem volume, ela tinha ganhado uma franjinha também. Ouvi Bella ao meu lado soltar uma risada baixa ao ver a Denali, eu tentei esconder um sorriso, mas não consegui.

— Isabella e Edward não fazem parte do conselho, eles não deveriam estar aqui — Irina falou com fúria em sua voz quando se sentou diante Bella e eu, do outro lado da mesa.

— Isabella e Edward são acionistas, senhorita Denali, eles possuem direito de assistir a votação — Caius proclamou, fazendo Irina parecer ainda mais furiosa.

— Não deixe que nossa presença aqui te deixe de cabelos em pé, Irina — Bella debochou, Irina fez menção de levantar da cadeira, mas seu pai a proibiu.

— Comece de uma vez essa votação, Caius — ordenou para meu tio, que revirou os olhos.

— Bom, como todos sabem estamos aqui hoje graças a um pedido de Eleazar Denali, que como um dos investidores do Grupo Cullen Hotels e ex membro do conselho, cargo agora pertencente à Irina Denali, deseja uma votação justa e limpa para o cargo de presidência... — Olhei para meu pai enquanto meu tio fazia o discurso inicial, Carlisle estava recostado em sua cadeira, até mesmo girando um pouco nela, quando captou meu olhar ele deu um de seus sorrisinhos diabólicos. — Como presidente do conselho administrativo, representando o desejo de todos os acionistas que me colocaram como representante deles no conselho, eu voto para que Carlisle Cullen permaneça no cargo de presidente do Grupo Cullen.

Aos poucos os outros conselheiros foram votando, não foi uma surpresa que Eleazar também recebesse votos, o homem com certeza tinha sido produtivo em seu jantar com os conselheiros. Quando faltavam apenas dois votos, os de Irina e Chelsea, Eleazar estava perdendo por um voto. Mas, claro que aquilo empatou quando foi a vez de Irina de votar.

O olhar dela se prendeu ao meu quando votou.

— Eu voto em Eleazar Denali para o cargo de presidência do Grupo Cullen Hotels — declarou, lançando um grande sorriso para o pai, que assentiu para ela.

Empate.

Bella se remexeu na cadeira ao meu lado, seu olhar era aflito. Voltei a olhar para meu pai, o sorriso tinha sumido de seu rosto. Faltava um voto, o voto de Chelsea.

— Chelsea Higgins, como você vota? — Caius perguntou a ela, até meu tio estava tenso naquele momento.

Chelsea olhou primeiro para meu pai, então para Eleazar. O Denali sorriu para a prima da minha mãe, um sorriso cúmplice.

Se Chelsea votasse em Eleazar ele viraria o presidente do Grupo Cullen, por outro lado se ela votasse em Carlisle nós perderíamos os investimentos dos Denali. Nenhuma opção parecia realmente boa, mas eu já tinha o número da Companhia Mallory na discagem rápida.

Notas finais
Beijos! Lola Royal. 10.12.17