Nossa Família

10 Capítulo Nove — Coração


Notas iniciais
Boa leitura ♥

— Capítulo Nove —

— Coração —

Isabella Cullen

Ao acordar no sábado, eu tinha um grande sorriso no rosto. Sorriso este que tinha desaparecido desde a quarta-feira quando Edward foi para New York, eu finalmente tinha meu marido de volta e a vida parecia nos eixos novamente.

Dois dias sem ele e eu já me sentia péssima, eu tinha Ness, Nelly, amigos e todo o resto da família em Chicago. Mas, Edward era a pessoa ao meu lado todo tempo, quem sabia absolutamente tudo sobre mim e, sendo clichê, minha metade. Sem ele nada parecia completo.

Eu estava deitada sobre seu peito, percorrendo minha mão despreocupadamente por ali, sentindo seu coração batendo, junto com sua respiração ritmada a minha. Ainda estava exausta da noite anterior, meus pulsos ainda marcados de toda nossa brincadeira com algemas, quando Edward foi a pessoa presa a cama ele praticamente quebrou as algemas enquanto eu o provocava.

Ri ao lembrar daquilo, aconchegando-me mais ao corpo dele. Então, ouvi as batidas na porta.

Soltando um lamento por saber que não poderíamos passar o dia trancados no quarto, eu deixei a cama. Edward ainda dormia profundamente, provavelmente se recuperando da noite passada e por tabela da viagem de avião.

Vesti o robe de cetim que estava sobre a poltrona, escondendo minha nudez, então segui até a porta do quarto. Renesmee estava ali, ainda em seus pijamas, mas bastante acordada mesmo sendo sábado de manhã.

O que um garoto não era capaz de fazer?

— Oi filha, bom dia! — sussurrei, ainda sem querer acordar Edward.

— Bom dia, mamãe — ela sussurrou de volta, entendendo que não podia falar alto. — Eu queria avisar que já acordei, como prometi para você me deixar ir brincar com o Ash.

— Claro. — Sorri, contendo uma risada. — Nelly já deve estar acordada, desça e toma café com ela, okay?

— Você e papai não vem? — perguntou, tentando espiar pela porta semi aberta.

— Iremos logo mais, vá na frente.

— Tudo bem — Nessie concordou, seguindo para a escada que levava diretamente a cozinha.

Voltei a cama, sentando ao lado de Edward, infiltrando minha mão por seus cabelos.

— Ei, hora de acordar — falei, afagando seu rosto com a outra mão, alguns dias fora e a barba dele já estava crescida suficiente para ser sentida. — Querido, nós temos de levar nossa garotinha para brincar com o projeto de Justin Bieber Pokémon.

Edward se remexeu, então abriu os olhos, nada contente.

— Ainda não aceitei isso — declarou, eu ri, aproveitando-me mais um pouquinho dele voltando a deitar ao seu lado, Edward imediatamente me abraçando.

— Eles só vão brincar por umas duas horas na manhã de um sábado, Edward. Você não tinha amigas garotas quando... — Me calei ao me lembrar de quem eu estava falando, Edward já tinha beijado uma menina com oito anos de idade. — Merda!

— Isso mesmo, querida, você encontrou meu ponto — ele falou, dando palmadinhas em minhas costas na vã tentativa de me consolar.

— Pai, mãe, nós vamos nos atrasar! — Ouvimos Renesmee cantar do outro lado da porta, Edward me encarou chocado.

— Ela já está acordada? Sem reclamar? Nos apressando? — perguntou baixo para que Ness não ouvisse.

Assenti, mordendo o lábio.

— Ela está entusiasmada.

— Nós já vamos! — Edward gritou para Renesmee, saindo da cama em direção ao banheiro resmungando algo sobre franja estúpida.

Eu rolei na cama rindo, era maravilhoso ter meu marido de volta.

— Ei, senhora Cullen?! — Edward apareceu na porta do banheiro, colocando pasta em sua escova de dente. — Mexa-se até o banheiro, já que estamos atrasados vamos tomar banho juntos.

— Você não acha que isso irá nos atrasar mais? — Arquei uma sobrancelha, já deixando a cama e praticamente saltitando até o banheiro.

— Vai, essa é a intenção, quanto mais demorarmos, mais a senhorita Justin Bieber Pokémon terá de esperar. — Colocou a escova na boca, apontando para meu robe.

Não precisei de muito para saber que eu deveria me livrar daquilo, então empurrei Edward para o banheiro, trancando a porta.

Justin Bieber Pokémon e sua senhorita que esperassem, eu iria aproveitar meu marido.

***

Aquela era a primeira vez que eu via Edward dirigindo seu carro em uma velocidade baixa, o que parecia muito estranho, ele sempre estava correndo pelas ruas de Chicago igual a um piloto de Fórmula 1. Porém, vendo Renesmee ansiosa no banco de trás eu sabia perfeitamente o motivo da lentidão dele.

— Querido, sei que sou a primeira pessoa a pedir que você dirija devagar — murmurei para que Renesmee não escutasse. — Mas eu realmente acho que estamos indo mais devagar do que minha avó quando ela dirigia.

— Qual avó? Marie ou Helen? Eu conheci Marie, ela não tinha cara que dirigia devagar, até por ser mãe de Renée.

— Helen é claro. — Suspirei aliviada vendo-o aumentar a velocidade. — Ela era absurdamente lenta, até mesmo eu com cinco anos de idade poderia dirigir mais rápido.

— Falando em Helen, seu pai já sabe sobre a nossa ida a Forks em Março?

— Já, eu o avisei na quarta. Adivinha o que ele disse?

Não preciso de visitas, Isabella — Edward imitou Charlie, assenti rindo. — Eu não vou pescar com ele dessa vez, não importa o quanto você insista.

— Edward, já tem mais de dez anos, supere — pedi tentando não rir da primeira vez que ele foi pescar com meu pai. — Ai, vamos nós! — cantarolei quando Edward estacionou na frente do prédio onde Ashton morava. — Não, você fica — falei para ele, quando tentou tirar seu cinto. — Sério, fique! — ordenei, o vendo irritado por aquilo. — Vamos, garota! — chamei Ness, que estava se livrando do cinto.

— Até mais tarde, pai! — Ela se esticou para beijar a bochecha dele.

— Comporte-se Renesmee Cullen, lembre-se de mim a todo instante, você não irá querer machucar meu coração. — Ela o olhou confusa, mas assentiu.

Sai do carro, abrindo a porta para Renesmee, esperamos os carros passarem então atravessamos a rua.

— Okay, recite as regras para mim, Nessie — pedi enquanto entravamos no elevador após termos nossa entrada liberada para o apartamento de Ashton, que não surpreendentemente ficava na cobertura. Pelo que eu tinha feito Ângela descobrir sobre os Harris, eles estavam ligados a política, Jazz ia adorar saber que estava sendo trocado por um deles.

— Não falar sobre sexo, não dizer palavras feias, não comer muitos doces, não sair daqui, não ficar trancada no quarto de Ash. — Ela me olhou curiosa. — Não entendi essa muito bem, mãe.

— Apenas a siga. — O elevador chegou ao seu destino. — Escute, filha. — Segurei em seus ombros antes de bater a porta, olhando em seus olhos verdes como os de Edward. — Você é muito especial para seu pai e eu, por nós dois você continuaria sendo uma garotinha por toda eternidade, mas sabemos que você está amadurecendo. Então, quero que saiba que pode confiar em mim e em seu pai, sobre tudo, certo? — Renesmee assentiu. — Se qualquer coisa acontecer você pode me ligar. — Entreguei o celular de emergência a ela, aquele destinado a quando ela ficaria sem parentes, ou amigos próximos por perto, sem ser na escola. — E, depois que sairmos daqui nós duas conversaremos e você pode me contar sobre tudo que fez. — Beijei sua testa.

Renée era uma pessoa maravilhosa, mas ela tinha sido descuidada comigo por muitas vezes no quesito mãe. Sempre permitindo que eu fosse a qualquer lugar sem supervisão, ou me dando dicas valiosas, ou regras a seguir.

Quando descobriu que eu teria uma menina, Esme trancou-me em um quarto e disse o quão difícil era criar uma garota. Rosalie era uma mulher incrível, então eu simplesmente sentei e ouvi cada palavra da minha sogra sobre criação.

No geral tirei de tudo daquilo que Ness e eu não poderíamos nos tornar inimigas, por mais que discordássemos em muitos pontos, que devíamos ser amigas, mas que ela reconhecesse a pessoa no controle ali. Renesmee, pelo menos até ali, ainda era sincera comigo sobre tudo, eu não queria perder aquilo com ela quase virando uma adolescente, quando as coisas inevitavelmente ficariam mais intensas em sua vida.

— Pronta?

— Sim!

Eu sorri para sua animação, tocando a campainha do apartamento dos Harris.

Uma senhora de cabelos grisalhos abriu, então pude ver o garotinho surgir atrás dela.

Oh Deus, Edward estava certo, ele tinha a franja de começo de carreira do Bieber.

— Olá, sou Isabella Cullen, essa é Renesmee, ela veio brincar com Jus...Ashton — me corrigi rapidamente.

— Miranda Harris. — A senhora apertou minha mão, devia ser a avó de Ashton, já que a mãe que tinha falado comigo no telefone se chamava Pâmela. — Você é a irmã mais velha de Renesmee? — perguntou, olhando de mim para ela.

— Mãe — corrigi.

Qual é? Ainda estávamos naquilo? Tudo bem, eu tive Renesmee poucos meses depois de completar vinte anos, mas não era como se fosse uma mãe adolescente.

— Você é bem nova — Miranda disse espantada.

— Cremes faciais não são maravilhosos? — Forcei um sorriso a ela, se sua cara estava cheia de rugas o problema não era meu. — Olá Ashton, é bom conhecê-lo! — Acenei para o garotinho, que parecia tão empolgado quanto minha filha.

— Oi, senhora Cullen! — Acenou de volta para mim.

— Eu venho buscá-la ao meio dia, filha, esteja pronta! — Avisei Ness, lhe lançando um sorriso antes de deixá-la entrar no apartamento, ela rapidamente concordou, já distanciando-se com Ashton. — Até logo mais, senhora Harris! — Forcei mais um sorriso a senhora, então segui para o elevador.

— E ai? — Edward perguntou aflito quando voltei ao carro.

— Eu pareço tão nova assim? — Bati a porta do Volvo, ganhando um olhar torturado de Edward.

— Geralmente as mulheres fazem a pergunta inversa, o que aconteceu?

— A avó de Ashton perguntou se eu era irmã de Renesmee — falei, revirando os olhos. — Ela deve estar pesquisando meu nome no Google agora para descobrir minha idade, então vai ver que sou nora de Carlisle, casada com o herdeiro dele e que sou a gerente geral do hotel, ai vai dizer que não passo de uma golpista barata.

— Ei, cale-se, não repita isso! — Edward ordenou, tão irritado quanto eu. — Já passamos por isso um milhão de vezes, Bella, chega. — Ligou o carro, tirando-o da vaga. — Foda-se o que essas pessoas pensam, foda-se se nós tivemos uma filha jovens, ou que nem casamos antes da barriga aparecer porque decidimos esperar a formatura primeiro. Você não é uma golpista, eu não cai em um golpe, simples assim. Nós sabemos a realidade, deixe os abutres pensarem o que quiserem.

Eu assenti, mesmo que ainda mal com aquilo. Era sempre uma merda ser questionada sobre tudo que tinha em minha vida, meu cargo no hotel, minha filha, meu marido. Nada daquilo foi fruto de planos ou armações, eu amava Edward, eu amava nossa bebê e, me esforcei dia e noite para chegar aonde tinha alcançado no hotel.

— Olhe para mim — Edward pediu, me fazendo dar conta que tinha voltado a estacionar, não muito longe do ponto inicial que estávamos antes. — Não deixe ninguém questioná-la sobre qualquer uma de suas capacidades, Bella, nenhuma delas. — Afagou meu rosto. — Você virou noites sem dormir para conseguir seu diploma, mesmo com um bebê a tiracolo. Depois, mais e mais noites perdidas dividindo-se entre casa e trabalho.

— Eu odeio que as pessoas pensem que apenas fui beneficiada por ser sua esposa. — Não contive as lágrimas em meus olhos. — Você sabe que nunca estive ao seu lado por conta de seu nome, ou dinheiro, mas tudo que as pessoas ainda veem em mim é uma garota pobre que cresceu rápido demais na vida. — Limpei meu rosto, notando minhas mãos trêmulas. — E, eu me pergunto onde eu teria chegado se nós nunca tivéssemos nos conhecido. — Funguei. — Se eles não estão certos e eu tivesse acabado com um diploma de Harvard, mas ainda assim em cargos pequenos em empresas pequenas, pois eu não seria a nora do dono.

— Não há essa alternativa, querida — Edward disse suavemente, voltando a tocar meu rosto. — Nós nos conhecemos, tivemos um bebê e casamos. Isso é a nossa vida. Eu sou tão empregado de Carlisle quanto você, nós dois podemos ser dispensados se ele odiar algo em nosso desempenho.

— Eu estou sendo boba — sussurrei, o choro voltando a romper meu peito, tornando-se mesmo incontrolável.

— Está apenas sensível. — Edward tirou o cinto, inclinando-se me minha direção para beijar minha cabeça. — Acalme-se, amor, está tudo bem agora. Nós já enterramos no passado os preconceitos estúpidos. Eu te amo, você me ama, nada entre a gente é uma armação. — Beijou meus lábios.

— Desculpe — pedi, limpando o rosto novamente. — Acho que estou toda sensível por conta de Renesmee mesmo. — Edward afagou minhas costas.

— Vamos sair um pouco para nos distrair enquanto ela está brincando com Justin Bieber Pokémon.

Se afastou, sorrindo para mim.

— Você sabe. — Peguei os óculos escuros de Edward que sabia que estavam no porta-luvas, os colocando para esconder meus olhos inchados e vermelhos. — Eu quase chamei o garoto de Justin.

— Você está brincando? — Edward gargalhou, enquanto colocávamos o cinto e ele voltava a dirigir.

— Não, seria tão constrangedor.

— Viu a franja?

Eu assenti, gargalhando também. Feliz por Edward sempre conseguir me trazer de volta aos trilhos quando eu me perdia no meio do caminho, era por isso que devíamos estar juntos, nós funcionávamos melhor assim.

***

Como nós não conseguimos tomar café antes de sair de casa graças ao nosso tempo no banho prolongado, Edward nos levou a uma lanchonete não muito longe do prédio de Ashton, para que pudéssemos comer algo. Era bom estar com ele sozinha, mesmo que em um local público, depois de aquele tempo longe.

— Jazz está nos chamando para uma noite de drinks no apartamento dele — Edward falou, lendo uma mensagem em seu celular, enquanto esperávamos ser atendidos.

— Por que não estou surpresa de Jazz já estar te reivindicando? Nós almoçamos juntos na quinta-feira, ele parecia realmente deprimido com sua ausência — provoquei, ganhando um revirar de olhos de Edward. — Admita, se vocês dois fossem homossexuais, ou bi, eu não estaria aqui com a aliança de casamento da sua avó. Ou, eu seria sua esposa fachada.

— Provavelmente, mas que bom que posso te manter como minha esposa fachada — Edward entrou na brincadeira. — Agora que esclarecemos isso posso levar Jazz para morar comigo? Você pode tomar outro quarto.

— Como você quiser. — Eu ri, colocando os óculos escuros de Edward sobre a cabeça. — Então, vamos ir beber com eles?

— O que você acha? — Edward piscou para mim. — Kate e Garrett também vão.

— Bom — concordei, tentando não fazer uma careta. Não sobre Kate ou Garrett, eles eram amigos próximos da família Cullen, mas a irmã de Kate, Irina, tinha sido a namorada mais duradoura de Edward antes de mim, ela sempre era um incomodo quando estava por perto. Mas, até onde sabia ela estava em algum lugar da Europa.

Que ficasse por lá, ninguém sentia sua falta.

Nós pedimos comida e Edward contou-me sobre o tempo dele em New York, até que a hora de irmos buscar Renesmee chegou. Eu não pude lutar contra ele daquela vez, então subimos juntos até o apartamento de Justin Bieber Pokémon.

— Isabella, certo? — Uma mulher diferente abriu a porta daquela vez, ela parecia mais com Ashton, então deduzi ser sua mãe.

— Pâmela? — Apertei a mão dela.

— Isso.

— Este é meu marido, Edward Cullen. — Os apresentei, então Edward apertou a mão dela também.

— Cullen como Carlisle Cullen? — ela indagou, nos olhando sugestivamente, como se não soubesse a resposta.

— É um nome comum, não conhecemos Carlisle algum — Edward mentiu, lançando um sorriso zombeteiro a ela, enquanto me abraçava pela cintura. Eu sabia o que ele estava fazendo ao mentir sobre nosso sobrenome, então me senti grata por estar fazendo aquilo.

— Pode chamar Renesmee, Pâmela? Estamos com um pouco de pressa — falei.

— Claro, eles estão jogando vídeo game na sala de jogos, irei os chamar, por favor, entrem. — Gesticulou para o apartamento, nos deixando na sala de visitas, enquanto se afastava.

— Cullen como Carlisle Cullen? — Edward a imitou, enquanto me abraçava, beijando minha cabeça. — Nós devíamos ter adotado seu sobrenome.

— Meu pai não ia gostar de te ter como um Swan — zombei, Edward riu.

Nos afastamos quando ouvimos Pâmela retornar a sala, junto de seu filho e a minha. Renesmee parecia esconder algo, eu sempre saberia quando ela aprontava algo, então apenas lhe lancei um olhar sério, vendo-a encolher seus ombros, iríamos conversar quando chegássemos em casa.

Rapidamente despedidas foram ditas e estávamos deixando o apartamento dos Harris. Eu mandei Edward ajudar Nelly com o almoço quando chegamos ao nosso, seguindo com Renesmee para o quarto dela.

— O que você tem para me contar sobre o seu tempo com Ash? — indaguei, sentando-a a cadeira de sua mesinha de estudos.

Ela mordeu o lábio inferior como eu fazia, parecendo extremamente culpada.

— Você não vai me brigar?

— Depende, antes eu preciso saber o que você fez — afirmei, olhando diretamente para ela. — Apenas fale.

— Karen Lewis estava falando ontem na escola que ela tinha beijado a boca de um amigo — começou a falar, eu já sentia o sangue fugindo do meu rosto. — Ela disse que era legal, que eu devia beijar Ashton dessa forma — sussurrou, cruzando os braços na frente do corpo, parecendo vulnerável.

— Ah Deus — murmurei. — Você o beijou? — perguntei, mal ouvindo minha voz.

Renesmee assentiu, abaixando o rosto para seus pés.

— Desculpe, mãe.

Suspirei, tocando em seu rosto, erguendo o de volta na direção do meu.

— Conte-me melhor como foi isso.

— Nós estávamos brincando com o avião de controle remoto dele, então eu me aproximei e... — Ela torceu o nariz, unindo as pontas dos dedos indicando um selinho, menos mal. — Foi nojento, mamãe — declarou, eu ri. — Ash mal falou comigo depois disso, só ficamos jogando vídeo-game, eu acho que Karen Lewis é maluca, pois beijos na boca não são legais.

— Vamos conversar. — Levantei, indo trancar a porta.

Indiquei que ela sentasse em sua cama, me unindo a ela lá.

— Primeiro, estou muito feliz que tenha confiado em mim e me contado a verdade. — Segurei suas mãos nas minhas. — Segundo, estou muito triste por você ter se deixado levar pelo que Karen Lewis disse. Eu não gosto de que você tenha sua cabeça feita por outras pessoas, Renesmee, isso é errado, não deixe ninguém manipulá-la. Você deu seu primeiro beijo e, sempre vai se lembrar dele agora de forma não tão boa, pois foi algo que fez apenas porque disseram que devia fazer.

— Desculpe — pediu novamente, fungando.

— Agora. — Tentei sorrir. — Sobre o beijo e Ashton, você o beijou e isso é o que temos de lidar agora. Eu sei que deve ter sido estranho para você, mas quando for mais velha isso tudo fará um sentido maior, principalmente se estiver com alguém que esteja apaixonada. Talvez deva tentar um novo beijo com quinze anos. — Okay, eu estava jogando alto, mas ainda queria preservá-la por mais um tempo.

— Apaixonada? — Arqueou uma sobrancelha. — Como as princesas por seus príncipes?

— Só que em um contexto real — corrigi. — Não vai ter fogos de artifícios, passarinhos cantando, ou qualquer merda dessas.

— Você disse uma palavra feia, mamãe.

— Eu sei, colocarei um dólar no pote. — Passei a mão pelos seus cabelos. — A questão é, você ainda é muito nova, Ness. Não está na época de se apaixonar por ninguém, nem mesmo por Ashton, vocês dois podem ser bons amigos ao invés disso.

— Como vou saber que estou apaixonada? — perguntou curiosa.

Fechei os olhos, pensando em como descobri aquilo por Edward. Foi quando no fim daquela noite no Halloween, tudo que eu queria era poder vê-lo no dia seguinte.

— Você irá se sentir muito bem ao lado dessa pessoa, filha. Irá sorrir e sentir-se querida. No fim do dia, será o rosto dessa pessoa em sua mente. Ele, ou ela, que seja, te fará feliz. Paixão e amor estão relacionados à felicidade, é o que precisa saber.

— Papai disse algo assim — Renesmee sussurrou, eu sorri ao ouvir aquilo.

— Sabe Renesmee. — Beijei sua mão. — Quando eu percebi que estava apaixonada por seu pai, meu coração se aqueceu e, eu me senti nas nuvens, como se flutuasse como um balão por ai de tão leve que estava. — Ela riu da minha metáfora. — Não há passarinhos cantores, fogos de artifício ou nada disso na vida real, mas há um sentimento de êxtase e leveza. Nós devemos ser amados e apaixonados por pessoas que nos fazem bem, que nos fornecem sorrisos e carinho, nunca o contrário.

— Tia Rose não estava mais sorrindo, por isso se separou?

— Sim — respondi, aliviada que ela tivesse entendido aquilo. — Ela estava ficando muito triste ao lado de Royce, por isso eles se separaram. Essa é uma regra nova, filha. — Beijei sua testa. — Recite ela sempre: o amor traz sorrisos, não lágrimas.

— O amor traz sorrisos, não lágrimas — repetiu confiante. — Você chora mamãe — falou confusa por um instante.

— E seu pai sempre me faz sorrir de novo — afirmei. — Por isso sei que ele me ama verdadeiramente, pois ele me faz bem. Quando você for mais velha, vai saber que está apaixonada, filha — garanti, tocando sobre seu coração batendo forte contra a palma da minha mão. — Seu coração irá avisá-la, isso pode ser assustador e confuso, mas eu estarei aqui para ajudá-la a entender isso melhor quando chegar a hora.

— Meu coração avisou que eu amo você, mamãe! — anunciou, dando um grande sorriso.

— O meu diz isso todo dia, filha! — A puxei para meus braços, aconchegando-a contra mim. — Amo você também, princesa.

— Vo-Você vai contar ao papai sobre o que aconteceu? — perguntou aflita.

— Eu acho que sim. — Ri, vendo o pavor em seu rosto. — Mas irei deixá-la de fora desse anúncio, cuido disso. Só que, quando você arranjar um namorado, irá dizer a ele, eu estarei lá te dando suporte, mas terá de contar por conta própria.

— Okay, mas eu não quero ter um namorado, mamãe. Só o tio Jazzy!

— Tudo bem. — Levantei da cama, fazendo com que ela levantasse também. — Mova-se até o banheiro, tome um banho quente e troque de roupas para almoçarmos logo mais, eu preciso falar com seu pai.

Ela concordou, indo fazer o que pedi.

Logo eu estava descendo pela escada que levava a cozinha, chamando por Edward que ajudava Nelly com o almoço.

— Querido, podemos conversar por um instante?

— Claro. — Edward subiu comigo até nosso quarto, eu o sentei na cama, então sorri. — O que aconteceu? — perguntou tenso.

Eu contei toda a história, vendo-o em choque a cada palavra minha.

— O que eu devo fazer? — perguntou por fim, com seus olhos marejados.

— Nada. — Me ajoelhei diante dele, segurando seu rosto em minhas mãos. — Apenas continuar sendo o pai incrível que é para Renesmee. A mente e a vida dela ficarão bem confusas quando chegar a adolescência, acredite em mim, eu estive lá como uma garota. Nós dois apenas precisamos estar sempre aqui prontos para segurá-la a cada queda.

Edward respirou fundo, assentindo.

— Eu não vou perdê-la, certo?

— Não, ela sempre será sua filha — garanti. — Vamos descer e almoçar, não toque no assunto com ela, se isso te consola ela detestou o beijo.

— Não, não consola, eu ainda quero pegar uma tesoura e cortar a franja de Ashton — resmungou, seguindo comigo para fora do quarto.

— Bom, você sabe, foi ela quem o beijou — brinquei. — Não há duvidas de que será como Edward Cullen destruindo corações por ai.

— Então. — Edward me parou na escada, segurando em minha cintura. — Vamos torcer para que ela não demore muito para encontrar o amor de sua vida. — Beijou meus lábios. — Eu gostaria de ter te conhecido alguns anos antes, teria sido mais anos de felicidade para mim.

— Ainda vamos ter muito mais deles. — Afaguei seu rosto. — Desde que faça a barba.

Edward riu, escondendo sua face no meu pescoço. Até que descêssemos.

Renesmee já estava lá, arrumando a mesa. Ele foi até ela, pegando-a no colo, a girando fazendo com que ela risse, então dizendo olhando diretamente para os olhos dela.

— Eu a amo, filha.

— Eu amo você, papai.

Sim, meu coração ainda estava aquecido por eles.

Depois do almoço eu deixei Renesmee e Edward terem um tempo sozinhos, foram ver algum filme na sala. Enquanto eu me refugiava em nosso quarto, sabendo que toda a conversa com Ness tinha me feito ficar saudosa sobre minha própria mãe.

Eu estava discando o número de Renée, quando o nome de Tia apareceu no visor, fazendo com que rapidamente atendesse.

— Olá, senhora Cullen?

— Sim — confirmei. — Pode falar, Tia, como Matthew está hoje? — indaguei, eu tinha falado com ela por todos aqueles dias desde nossa visita, no dia anterior nos falamos antes de ir buscar Edward no aeroporto e ela me contou que Matthew estava fissurado nos livros que tínhamos levado para ele, mesmo que não soubesse ler.

— Senhora Cullen, liguei para informar que hoje mais cedo Matthew foi levado pela tia para a casa dela.

Eu senti um vento frio percorrer meu corpo, mesmo com as janelas fechadas e o aquecimento do quarto ligado. Matthew estava com a família dele e, no fundo sabia que isso significava que Edward e eu não poderíamos mais vê-lo. Então, eu chorei.

Notas finais
Vejo vocês nos comentário, beeeijos! Lola Royal. 01.11.16