Nossa Família
17 Capítulo Dezesseis — Irmã
Notas iniciais
— Capítulo Dezesseis —
— Irmã —
Edward Cullen
Aumentei um pouco mais a velocidade da esteira, mesmo que eu já estivesse extremamente suado e minhas pernas começando a doer, só precisava tirar minha mente de qualquer outra coisa e focar apenas em correr. Só correr, não pensaria em Jasper e Alice, Bella, Renesmee, nem mesmo em Matthew, só correr.
Obviamente isto não alcançou êxito nenhum, logo eu estava pensando em Matthew. Jenks estava dando inicio a toda papelada necessária e na segunda-feira da semana seguinte já entraria com nosso pedido de adoção, enquanto isso, Bella e eu tínhamos uma porção de coisas a fazer.
Contar a Renesmee no dia seguinte, o que me deixava mais assustado do que eu queria que Isabella soubesse. Então, contar para o resto da família no encontro dominical que teríamos, eu não tinha ideia de como meus pais reagiriam aquilo, o que por tabela também me assustava um pouco.
Porém, o que mais me assustava era o modo como Bella tinha voltado para casa no dia anterior. Depois de passar a tarde inteira e parte da noite incomunicável, sabe-se lá onde, ela voltou para casa chorando, o que nunca era comum vindo dela.
Isso estava me deixando maluco, pois eu só conseguia imaginar coisas terríveis que podiam ter acontecido com ela, mas a mulher não dizia uma palavra sobre seu sumiço e desviava de todas minhas perguntas. Ela parecia mal, de uma forma que não tinha visto antes, o que só me assustava mais ainda.
— Hey Edward!
Eu bufei, me amaldiçoando por ter esquecido o Ipod aquela manhã quando desci para a academia. Parei a esteira rapidamente, vendo a figura loira de Holly parada ali perto.
— Ei, você já está indo? — ela questionou quando sai da esteira, caminhando em direção a saída da academia.
Sim, eu estava, tudo que me faltava naquela manhã era aturá-la.
Não me dei ao trabalho de respondê-la, pegando o elevador e seguindo para meu apartamento. Ness, Bella e Nelly estavam na cozinha tomando café, Ness e Nelly conversavam sobre a fantasia dela de casa para O Mágico de Oz, que ela encenaria em algumas semanas, mas Bella parecia totalmente avulsa, remexendo sem parar seu copo de suco.
Eu suspirei alto, atraindo sua atenção para mim que estava do outro lado da cozinha. Ela forçou um sorriso para mim, parando de mexer o suco e tomando um gole.
— Como foi a malhação, amor? — ela perguntou, vindo até mim, beijando meu queixo.
— Foi boa. Bella...
— Eu pensei em algo — ela me cortou rapidamente, eu inspirei fundo, contendo-me de brigar com ela por conta daquilo. — Em pedir uma foto de Matthew para Tia, para que possamos mostrá-la a Ness amanhã. Sobre isso, você já decidiu um bom lugar para contarmos a ela? Acha que em casa é uma boa escolha?
— Sim — respondi. — Isabella, nós precisamos conversar, você precisa dizer o que está acontecendo.
— Nada, está tudo bem — ela mentiu, engolindo em seco.
— Sério, quer realmente que acredite que está tudo bem? Você sumiu por horas, sequer me avisou que não estaria no hotel quando fui buscá-la, então volta para casa abalada, claramente nervosa e assustada com algo. Isabella, eu sou seu marido, se algo te aconteceu, eu preciso saber.
— Nada aconteceu, não era algo sobre mim.
— Isso é sobre Alice? — indaguei. — Ela voltou à cidade?
— É sobre uma amiga. — Bella deu de ombros, tentando se afastar de mim.
— Isabella?! — gritei, o que chamou a atenção de Nelly e Renesmee.
— Edward, não grite — Bella sussurrou, mas seu rosto estava sério voltado para mim.
— Mamãe, tudo bem? — Ness perguntou, sua voz assustada.
— Desculpe pelo grito, filha, está tudo bem. — Forcei um sorriso para ela, que assentiu, mas ainda com uma expressão preocupada.
— Ness, suba e escove seus dentes para sairmos, certo? Eu estou atrasada, seu pai pode ir dirigindo o Volvo mais tarde.
— Tudo bem — Ness concordou, deixando a cozinha.
— Nós ainda precisamos conversar, agora você vai fugir? — confrontei Isabella quando Renesmee saiu.
— Eu já disse o que tinha de dizer, Edward. Uma amiga está passando por problemas, isso me abalou, é tudo — falou com a voz rígida, certamente irritada por eu ter gritado com ela.
— Eu não consigo acreditar nisso, você nunca chorou daquele jeito...
— Chega, Edward. — Bella pegou sua bolsa do encosto da cadeira. — Eu tenho de ir trabalhar, vou ter um longo dia e não posso ficar discutindo com você. Não se preocupe se eu desaparecer de novo, eu estarei bem, posso lhe garantir isso. — Ela acenou para Nelly, então saiu da cozinha também, chamando por Renesmee.
— O que deu em vocês? — Nelly perguntou, me entregando um copo de café, que aceitei de bom grado.
— Em mim nada, Isabella que está escondendo algo. — Passei as mãos por meu cabelo, agoniando com a forma que ela estava escondendo as coisas. — Você não sabe de nada?
— Não. — Nelly sorriu gentilmente. — Mas, eu tenho certeza de que está tudo bem, sua esposa sabe o que faz.
— É, isso inclui me deixar de fora — reclamei.
— Não seja um bebê chorão, Edward — Nelly ordenou. — Agora vá tomar um banho, você está fedendo.
— As mulheres dessa casa estão me enlouquecendo — resmunguei,
Então, sorri, pois em algum tempo eu teria Matt ali comigo.
***
No fim daquele dia, Bella não parecia nem um terço mais disposta a me dar informações. Eu desisti, temporariamente, mantendo-me quieto sobre o assunto que estava a mantendo naquele estado distante.
— Tia me enviou a foto, não uma como eu esperava, ela teve de tirar com seu celular da ficha de Matt do abrigo, pois ele não queria ser fotografado — contou quando estávamos nos preparando para dormir. — Mas, pelo menos poderemos mostrá-lo a Ness amanhã, eu estou tão agitada sobre isso — comentou. — O que Jenks te disse de novo?
— Ele está tentando conseguir uma visitação para a gente na terça — falei, folheando o livro de cabeceira dela, sem vontade alguma de dormir.
— Pelo o que estamos gastando, eu acho bom que ele consiga — Bella falou, deitando-se ao meu lado, depois de terminar de se vestir. — Boa noite, amor. — Beijou meu ombro, desligando seu abajur, eu continuei com o meu ligado, lendo alguns trechos de O Morro dos Ventos Uivantes.
Bella ficou na cama se remexendo por um bom tempo, inquieta demais, o que não era comum, ela geralmente apagava muito rápido.
— Você precisa de algum calmante para dormir? — perguntei, afagando seus cabelos, tentando lhe deixar calma de alguma forma. — Isso é como estar no lago novamente, com todos aqueles peixes me rodeando. — Ela soltou um riso sufocado, fungando, o que indicava que estava escondendo choro. — Apenas me diga se isso é sobre Matt. — Tirei os olhos do livro, virando-me para ver o rosto de Bella, ela estava de olhos fechados, sua mão agarrava com força o lençol.
— Não — negou.
— Ótimo. — Suspirei, não podia lidar em voltar atrás, eu o queria. — Você irá me contar um dia sobre o que é?
— Talvez — ela confirmou, fungando de novo. — Apenas confie em mim, querido.
— Eu confio. — Continuei afagando seu couro cabeludo até que ela relaxasse e dormisse.
***
Eu tinha lido sobre aquilo, realmente feito pesquisas, até mesmo li uma ou duas páginas de um artigo de uma psicóloga de Harvard antes de ficar entediado. Ainda assim, eu estava nervoso sobre contar a Ness que ela teria um irmão.
O quão ruim isso podia terminar se ela não aceitasse Matthew, o que Bella e eu faríamos? Nós iríamos desistir da adoção pensando nas vontades da nossa filha? O pessoal responsável pela adoção iria nos negar a guarda por Ness não gostar daquilo? Jenks disse que iríamos ser inspecionados, uma hora ou outra chegariam nela e descobririam que ela podia não querer um irmão.
— Ei, nós vamos tomar milkshake de morango? — Renesmee perguntou entusiasmada ao entrar na cozinha naquela sexta-feira de noite e encontrar os ingredientes para o doce.
Bella piscou para Ness, começando a colocar os ingredientes no liquidificador.
— E seu pai pediu pizza, nós nos entupiremos de comida gordurosa — Bella falou, Ness deu um gritinho animado.
Eu sorri, ajudando Bella com o Milkshake. Okay, talvez estivéssemos subornando Ness, mas isso não era o fim do mundo, queríamos agradá-la um pouco antes de jogarmos a bomba. Reservamos aquela noite de sexta-feira apenas para nós três, recusando convites de Jasper para beber e o de Rosalie para irmos olhar alguns apartamentos com ela e demos o fim de semana no SPA do hotel para Nelly, ela estava realmente animada sobre isso.
— Você quer ajudar, filha? — perguntei, ela concordou, unindo-se a mim e mãe.
— Mãe, pai, a senhorita Heffley estava falando hoje na aula sobre profissões — falou, me ajudando a cortar os morangos.
— É, o que ela disse? — Bella perguntou.
— Ela falou sobre algumas profissões, tipo dentista e médico. — Ness fez uma careta, eu tossi, temendo que ela falasse sobre a história dos monstros. — Ela nos perguntou o que queremos ser quando crescer. — Bella e eu nos entreolhamos. — Lucy disse que quer ser arquiteta como a vovó Esme, pois ela ama desenhar.
— E você o que respondeu? — Bella perguntou a ela.
Renesmee respirou fundo.
— Nada, eu não sei o que quero ser quando crescer. Quer dizer, eu espero ser mais alta.
Bella riu, beijando a cabeça de Ness.
— Não se preocupe, pequena, você ainda tem dez. Terá muito tempo para decidir o que quer ser profissionalmente quando adulta — Bella garantiu.
— Quando vocês descobriram?
— Eu cresci querendo trabalhar com seu avô. — Dei de ombros. — Adorava ir até o trabalho com ele, fora que amo números, então é unir o útil ao agradável.
— E seu pai fica muito bem de terno. — Bella mordeu o lábio.
— Que? — Ness perguntou confusa.
— Nada, filha. — Bella riu suavemente. — Então, eu na verdade queria ser boxeadora quando tinha sua idade, mas ai me dei conta que iria ter um nariz torto se seguisse esse caminho.
Eu gargalhei, Renesmee fez uma careta.
— Eu não quero um nariz torto — ela disse convicta.
— Viu? Pelo menos você sabe o que não vai querer ser — Bella falou, começando a bater os ingredientes do Milkshake. — Você é ótima no piano, talvez vire uma pianista profissional. — Ness não pareceu convencida disso.
O interfone tocou e liberei a passagem do entregador de pizza.
— Venha pegar a pizza comigo — chamei Renesmee.
Nós pagamos tudo e levamos as caixas até a sala de estar, esperando por Bella. Assistimos alguns episódios de desenhos que Renesmee gostava enquanto jantávamos, então depois disso Bella e eu anunciamos que precisávamos ter uma conversa séria com ela.
— Eu juro que não fiz nada! — Renesmee se defendeu quando a sentamos no sofá, ladeando ela.
— Eu sei que não fez. — Bella concordou com um aceno de cabeça. — Estou a mais de um mês sem receber chamadas da sua escola, na verdade isso é muito bom.
— Tudo bem. — Inspirei fundo. — Renesmee, você se lembra do garoto que sua mãe e eu ajudamos no dia dos namorados, certo? Matthew, você deu alguns de seus livros a ele — Ela concordou com um aceno de cabeça.
— Ele gostou dos livros?
— Ele gostou. — Bella afagou o rosto dela, mesmo que nós dois soubéssemos que Zafrina tinha vendido os livros. — Nessie, seu pai e eu nos afeiçoamos a Matthew, nós realmente nos importamos com ele e queremos o ver bem.
— Okay — Renesmee murmurou, ainda confusa.
— E para termos certeza de que Matthew ficará bem, seu pai e eu decidimos que iremos adotá-lo — Bella falou por fim, Renesmee arregalou tanto seus olhos que eles pareciam assustadores por trás dos seus óculos. — Filha?
Ness se virou para mim, o rosto ainda preso em choque, então voltou a encarar a mãe, falando:
— É como em A Estranha Vida de Timothy Green?
O que?
— O que? — Bella verbalizou meus pensamentos.
Renesmee bufou, saindo do sofá, ligando a televisão e mexendo ali.
— Ei Renesmee, nós estamos no meio de um...— Eu me interrompi quando a vi escolher um filme do catalogo, A Estranha Vida de Timothy Green.
— É um filme sobre adoção? — Bella perguntou, sorrindo para Renesmee, que assentiu, voltando a sentar entre a gente, o filme pausado nos creditos iniciais.
— Eu assisti com Nelly outro dia — contou. — Matthew é como Timothy?
— Nós nunca vimos o filme, não sabemos como Timothy é, Princesa — falei, fazendo com que ela me olhasse. — Mas sabemos como Matthew é e sua mãe e eu queremos muito falar dele com você, então deixe nos falar e pergunte o que quiser sobre, certo? — Ela concordou.
— Okay, Matthew é um garotinho muito especial, Ness — Bella começou a falar em um tom de voz doce. — Ele perdeu a mãe...
— Ela está morta? — Renesmee gritou.
— Infelizmente. — Afaguei suas costas, Ness murchou um pouco.
— Isso é ruim, pai.
— Eu sei, filha, eu sei.
— E o pai dele? — Ness perguntou a Bella.
— O pai dele não pode cuidar de Matthew — Bella contou, tínhamos combinado não falar sobre Laurent preso a Ness, isso poderia confundi-la mais. — Então, Matthew não tem mais ninguém que possa cuidar dele, quer dizer, tem seu pai e eu agora, pois Edward e eu queremos muito cuidar de Matt, Ness. Lembra-se quando conversamos sobre sentimentos outro dia? — Renesmee corou, mas assentiu, eu sabia que aquilo era algo sobre Justin Bieber Pokémon, então não contive uma revirada de olhos. — Seu pai e eu nos sentimos bem com Matthew, filha, da mesma forma que nos sentimos com você.
Nessie ficou em silêncio por um bom tempo, digerindo aquelas palavras.
— Isso quer dizer que vocês vão ser pais do Matthew, né? Como o Timothy virou filho do senhor e da senhora Green no filme?
— Sim — confirmei.
Ness se abraçou, parecendo muito vulnerável enquanto encarava os seus próprios pés.
— Vocês querem outro filho por que eu sou uma garota má?
— Você não é uma garota má — eu a corrigi. — E não queremos adotar Matthew para substituí-la — acrescentei rapidamente. — Sua mãe e eu queremos cuidar de Matthew, queremos que ela faça parte da nossa família, você está inclusa, será irmã de Matt. — Então ela começou a chorar.
— Filha, não, não chore — Bella pediu desesperada, a abraçando rapidamente. — Está tudo bem, querida, falamos melhor sobre isso outro dia...
— Eu vou ser uma irmã — Ness sussurrou entre seu choro, confundido a mim e a Bella.
— Ei, isso é algo bom? Você quer ser uma irmã? — indaguei surpreso, fazendo com que ela erguesse seu rosto para mim.
— Sim, papai — confirmou. — Você, mamãe e Lucy tem irmãs. Praticamente todos os meus colegas de escola tem irmãos e irmãs, eu nunca tive um irmão, ou irmã, isso parece divertido.
Foi a vez de Bella começar a chorar, apertando Renesmee contra si novamente, claramente aliviada.
— Mãe, você está me sufocando!
Bella riu, a afastando, limpando suas lágrimas rapidamente.
— Desculpe, pequena. Então, você quer ser uma irmã?
— Sim — Ness confirmou.
Sim, ela queria. Ela tinha pedido por um irmão quando Anne nasceu, mas na época era bem mais jovem e as ideias deixavam sua mente rapidamente, fora que Bella e eu não estávamos pensando em outros filhos, distraímos Ness daquilo naquele tempo.
— Oh será tão legal, eu o ensinarei a andar! — Renesmee praticamente gritou entusiasmada.
— Princesa, Matthew já sabe andar, ele é apenas três anos mais novo do que você — expliquei, o sorriso no rosto dela morreu rapidamente.
— Mas Lucy ensinou Anne a andar, ela segurava nas mãozinhas de Anne a guiando por ai. — Renesmee fez um biquinho adorável.
— Eu tenho certeza de que encontrará uma porção de coisas a ensinar para ele, tipo tocar piano, já que toca tão bem. Andar, falar, Matthew sabe tudo isso, só que não são as únicas coisas que você como irmã mais velha pode repassar a ele.
— Hey, você será uma irmã mais velha como eu! — Bella se pronunciou.
— Sim, sim! — Renesmee voltou a ficar empolgada, quicando no sofá. — Quando ele vem para casa? Ele estará aqui amanhã? Nós temos de preparar o quarto dele, mãe!
Bella afagou a cabeça de Ness.
— Ele ainda não virá para casa amanhã, filha.
— Há um extenso caminho a ser percorrido sobre a adoção, Princesa — falei. — Nós todos devemos ser pacientes, além de fortes, pois será cansativo até que tenhamos Matthew oficialmente como um Cullen.
— Tudo bem — Nessie concordou. — Mamãe não vai ficar grandona como tia Tanya está?
— Não — Bella e eu respondemos juntos. — Nada de gestação — Bella completou, me lançando um olhar significativo, lá no fundo eu sabia que estávamos evitando outro assunto, provavelmente não por muito mais tempo depois daquele olhar. Eu ainda temia qual seria a nova fala dela sobre o assunto com a nova mudança em nossas vidas.
— Mostre a foto — orientei Bella.
— Sim, a foto! — Ela se levantou. — Meu celular está na cozinha, eu vou buscá-lo.
— Qual foto, pai?
— De Matthew — expliquei. — Escute, Ness...
— Aqui — Bella voltou rapidamente, estendendo o celular a Ness, com a foto de Matthew já na tela. Era apenas uma foto 3x4, ele parecia triste nela, o que me incomodou profundamente. — Este é Matthew, Ness.
— Ele tem um cabelo engraçado — Renesmee falou.
— Renesmee — Bella começou em um tom sério. — Matthew é afrodescendente, tem origem africana. Ele é negro, logo tem traços físicos que o definem assim, o cabelo é uma delas — explicou.
— Qual a nossa origem? — Ness perguntou curiosa.
— Seu pai é descendente de irlandeses, eu tenho um pouco de ascendência de vários locais europeus, sou de origem mais misturada. Então, você é uma completa bagunça europeia — brincou, Renesmee riu. — O que precisa saber, é que Matthew é diferente de nós fisicamente, filha. O cabelo, os olhos, a tom de pele. Porém, ele não é diferente como pessoa, o físico dele não pode nos distanciar, entende?
Renesmee assentiu.
— Você disse isso outro dia, quando conheceram Matt, né? Falou que eu não podia tratar ninguém mal por ser diferente de mim. — Bella deu um grande sorriso orgulhoso para Renesmee ao ouvir aquilo.
Eu só podia concluir algo, aquela garota não tinha ideia do que queria ser profissionalmente dali a alguns anos. Porém, era tão esperta que seria uma excelente profissional em qualquer área.
— Fico muito contente que tenha aprendido isto. — Bella expirou, parecendo tirar um peso enorme de seus ombros. — Você está realmente bem sobre isso, filha?
— Estou, mesmo que eu não vá poder ensinar Matthew a andar — Ness reclamou.
— Escute. — Bella segurou nas mãos de Renesmee. — Isso tudo pode ser muito confuso para você, então seu pai e eu não a bombardearemos com informações hoje, pois francamente é confuso para a gente também, mas queremos que você saiba que nós te amamos. Nós sempre te amaremos Renesmee, trazer Matthew a essa família não mudará isso, pais tem a incrível capacidade de ter espaço o suficiente em seu coração para um, dois, três, ou quantos filhos tiverem. Queremos que faça parte disto com a gente. — Bella me olhou por um instante. — Precisamos de você, Princesa. Será a irmã mais velha de Matthew, isso trará responsabilidades a você. Isso também pode trazer sentimentos ruins, inveja, ciúmes, sensação de estar sendo deixada de lado, será normal, nós todos compreenderemos, então venha até a gente sempre e diga o que está sentindo. Como seu pai disse, é um longo caminho até a adoção ser concretizada, nós precisamos ficar unidos e fazer isso tudo dar certo.
Foda-se, eu podia ter lido todos os artigos do mundo sobre psicologia infantil, nunca chegaria aos pés de Bella. Ele sempre sabia o que fazer.
— Eu vou ajudar — Ness prometeu. — Mas eu não vou dividir meu quarto.
Eu ri.
— Não será necessário.
— Posso ligar para Lucy e contar que terei um irmão?
— O resto da família saberá disso apenas no domingo, Ness — Bella explicou. — Nós queríamos que você fosse a primeira a saber. Então, vamos esperar até estarmos na casa da vovó Esme e do vovô Carlisle para contar.
— Sua mãe e eu diremos a hora certa de falar — eu disse rápido, sabendo o quão apressada Ness podia ser.
— Por que não fica aqui e espera seu pai e eu fazermos pipoca? — Bella apontou para a televisão, ainda com o filme pausado. — Estou curiosa sobre Timothy.
— Certo, eu posso ter pipoca doce?
— Pensarei no seu caso. — Baguncei seu cabelo, saindo da sala com Bella.
— Nós estamos criando um gênio! — Bella exclamou, mal contendo sua empolgação, quando entramos na cozinha. — Ela é tão inteligente, realmente presta atenção em tudo que eu digo e usa isso de referência em conversas futuras. Foda-se, minha filha será a primeira presidente dos Estados Unidos — anunciou, colocando um saco de pipoca no microondas. — Justin Bieber Pokémon vai ficar maluco quando descobrir que ele beijou uma presidente!
— Bella?
— Sim? — Ela me olhou, notando minha expressão, sua animação se dissipando. — Sim, eu sei, temos de tocar naquele assunto.
— Você mudou de ideia? — perguntei. — Ter Matthew e Renesmee será o suficiente para você? — indaguei.
— Eu acho que precisaremos de mais tempo, Edward.
— Isso é um eufemismo para não?
— Não, isso é realmente o que eu quero dizer. Nós levamos dez anos até decidirmos que queríamos outro filho. Teremos Matthew conosco tão breve será possível, mas sabemos que com ele não será a simples adaptação de um recém nascido. Eu realmente não posso ficar grávida no meio de tanta coisa, não no começo pelo menos — explicou, inspirando fundo algumas vezes. — Tudo está mudando e pode mudar ainda mais — falou praticamente apenas para si. — Vamos só ver como tudo se encaixa, eu não acho que enlouquecerei com três crianças, não será fácil. Mas, Deus, se minha mãe me criou praticamente só por dez anos, eu consigo lidar com três crianças, mesmo que uma delas seja um super gênio. — Apontou para a sala onde Renesmee estava.
— Então, não estamos desistindo do bebê?
— Não, estamos apenas o adiando um pouquinho mais. — Bella veio até mim, se enfiando em meus braços. — Mas você fechará sua fábrica depois dele.
— Por que eu tenho de fazer vasectomia? — resmunguei.
— Você fará. — Ela deu uma batidinha em minhas costas. — E terá três filhos para se lembrar porque fechou a fábrica.
Segurei no rosto de Bella, o erguendo na direção do meu.
— Três filhos com a melhor mulher do mundo? Fácil, isso me faz um cara bem sortudo. — Me inclinei para beijá-la, mordendo seu lábio no fim.
— E você acabou de ganhar passagem para minha cama.
— É a minha cama também — a lembrei.
— Você entendeu o que eu disse. — Ela retomou o beijo.
Claro que sim, sexo, tínhamos muito o que comemorar.
***
A família Cullen, agregando Jasper, se reuniu em peso no domingo na casa dos meus pais. Não era algo raro nos reunirmos para almoços no domingo, mas quando acontecia realmente fazíamos daquilo um grande evento. Naquele dia, seria realmente um, pois nós contaríamos a todos depois do almoço sobre Matthew.
— Estamos entre três apartamentos, um está nos ganhando pela proximidade a escola das meninas — Rose falava, entusiasmada o que era muito bom, sobre os apartamentos.
— Quando pretende se mudar?
— Até abril, no máximo — respondeu a pergunta de Bella. — Se mamãe e papai não chorarem muito sobre nossa partida — brincou, papai riu, mamãe apenas deu um sorriso pequeno. Ela estava calada demais aquele dia, o que era estranho.
— Não se preocupe, filha, eu tentarei não chorar muito — papai falou, pegando mais um pedaço de bolo.
— Carl, não exagere no açúcar — mamãe pediu.
— Eu estou bem, Esme, Deus — ele reclamou, Bella ao meu lado suspirou.
— Tudo bem? — perguntei a ela, que apenas assentiu. — Então, será que todos nós podemos nos mover até a sala de estar? — questionei todos, vendo que a maioria já tinha terminado a sobremesa. — Ness, Bella e eu queremos falar algo com vocês.
— Oh, o que vem disso? — papai indagou, caminhando até a sala com seu pedaço de bolo a tiracolo.
Todos foram para a sala, escolhendo lugares. Bella, Ness e eu ficamos em pé, a garotinha falante entre a gente, eu estava quase tapando a boca dela para prevenir um anúncio apressado.
— A última vez que tivemos todos reunidos para um grande anúncio foi quando Rosalie falou sobre Anne — papai falou, então mamãe encarou Bella, seus olhos fixando-se na barriga da minha esposa.
— Filha, você está grávida? — mamãe perguntou emocionada, lágrimas deslizando por seu rosto.
— Não, eu não estou grávida — Bella disse rapidamente. — Edward — Bella passou a bola para mim.
— Bom, okay. — Respirei fundo. — Bella e eu já falamos com todos vocês sobre o garoto que conhecemos no dia dos namorados...
— Matthew — Renesmee terminou por mim, quase me fazendo rir do tom de sua voz apressado.
— Eu termino, Princesa — falei para ela, que suspirou, mas voltou a ficar calada. — Bella e eu estamos entrando com o pedido de adoção de Matthew — falei por fim, vendo as reações ali.
Lucy e Anne, sendo crianças, estavam aparentemente neutras. Jasper assentiu, como se já soubesse disso. Rosalie tinha um sorriso tão grande em seu rosto, assim como os olhos marejados. Mamãe começou a chorar, sendo abraçada por Rose. Papai, por outro lado, estava muito sério.
— Por que vocês o adotariam? — ele foi o primeiro a falar, sua voz em um tom rígido.
— Lucy, Anne, Ness, venham comigo até a sala de jogos! — Jasper chamou as meninas rapidamente, Ness protestou inicialmente, mas seguiu o padrinho e as primas.
— Sério, por que vocês o adotariam?
— Carlisle?! — mamãe chamou a atenção de papai.
Eu bufei, Bella envolveu sua mão na minha, afagando a palma com seu polegar.
— Carlisle, nós nos apegamos a Matthew, queremos cuidar dele — Bella respondeu séria, encarando papai.
— Isso é perigoso, o pai do garoto está preso por tráfico! — papai exclamou.
— E o que isso tem a ver com Matthew? — Rosalie o confrontou. — É o mesmo que dizer que Lucy e Anne poderão ser traidoras no futuro por serem filhas de Royce, ou que Edward e eu somos preconceituosos por você estar claramente agindo como um.
— Pai? — o chamei fazendo com que ele me olhasse, que encarava Rosalie. — Podemos conversar? Só nós dois?
Ele assentiu, então fomos para o escritório.
— Escuta, você lembra o que disse para mim quando contamos sobre Ness. O que disse apenas para mim depois de toda a bronca?
Ele assentiu, os braços cruzados na frente do corpo.
— Que você deveria ser forte, pois ter uma família não era fácil, mas que era a melhor coisa do mundo — repetiu sua fala de anos atrás.
— Eu acho que faço isso bem — falei, colocando as mãos no bolso da calça. — Sou um bom pai, um bom marido.
— Adoção não é como ter um filho normal, Edward.
— Matthew é normal, ele é apenas uma criança. Será nosso filho tanto quanto Ness — afirmei, ficando irritado, mas controlando-me para não perder a total paciência com Carlisle.
— Eu não quero que você, Isabella e Renesmee se metam em problemas.
— Nós não vamos, Matthew não é um problema. Nós não dissemos isso a você, estávamos começando a pensar em ter outro filho quando Matthew surgiu em nosso caminho, eu não sou um homem de creditar o destino, ou qualquer força superior, como você e mamãe fazem, mas eu não acho que Bella e eu tivemos nossos caminhos cruzados por Matt ao acaso.
Papai apenas me observou por um tempo, por fim descruzando seus braços e caminhando até mim, me dando um abraço. Eu devolvi o gesto, sabendo que aquilo era ele abrindo sua mente.
— Nós precisamos do apoio da família, pai — murmurei, ainda o abraçando. — Isso estava em vários sites que visitei durante a semana. Eu sei que isso pode parecer precipitado visto de fora, mas Bella e eu temos certeza de que queremos Matthew conosco. Ele passou por muita coisa, mas ainda é apenas uma criança e eu quero ser o pai dele.
Carlisle me afastou, segurando minha cabeça com uma mão.
— Você será — falou. — Isso é muito você, Edward.
— O que quer dizer?
— É como desistir de Yale em cima da hora e ir para Harvard — citou o caso de tanto tempo antes, era uma das tradições da família Cullen estudar em Yale, eu mesmo iria para lá, mas pouco antes mudei de ideia, o que não agradou meu pai, mas realmente achei que Harvard seria melhor. — Você acertou em cheio mudando de Yale para Harvard, foi onde sua vida mudou por completo.
— Nunca teria conhecido Bella se tivesse ido para Yale — murmurei, pela primeira vez pensando naquilo.
— Você sabe o que faz! — Papai deu uma batidinha em meu ombro. — Desculpe ter surtado sobre o garoto, eu tentarei lidar com isso tudo melhor, pois sei que posso confiar em suas escolhas. Pode contar comigo, eu serei o avô de Matthew, espero que o menino veja o grande pai que está ganhando.
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