Nossa Canção
3 Capítulo 3
Notas iniciais
– Com licença – Falou, fazendo a Nessie quase ter um AVC – Desculpe a intromissão, mas você não é a garota que apareceu no meu show? — Endireitei-me na cadeira, já que não resolveu nada eu tentar me esconder, e o fitei.
– É, sou eu sim – Sorri. Ele se abaixou, e como se tivesse toda intimidade do mundo, beijou meu rosto – Posso? — Apontou a cadeira vazia ao lado da Nessie.
– Claro, fique á vontade – Falou animada. Ele tomou seu lugar e sorriu para ela.
– Você é...
– Renesmee, Nessie – Se corrigiu – Sou a prima que pediu que ela fosse ao seu show.
– Bom, agradeço a você, Nessie – Sorriram um para o outro. Tem como se tornar mais patético?
– A Moly foi toda elogios sobre você, muito obrigada por ter salvado minha pele – Falou – A Bells é uma ótima prima, ninguém mais faria isso por mim – Por que ela está me olhando assim?
– Ela é – Fitou-me também – Achei engraçado, uma moça mais velha ter ido me conhecer. Mas ela logo disse que não era minha fã.
– Tadinha, não sei como isso não aconteceu. Vivo escutando suas músicas – Riram e eu só soltava um risinho um pouco constrangida com sua presença. Ele é lindo, gente, não tem como não se sentir atraída.
– Eu até a convidei para tomar um café hoje, mas ela disse que estaria ocupada.
– Pois é, a Nessie me chamou para fazer compras.
– Não é bem a sua cara esse tipo de exercício que goste de fazer – Como ele sabe disso?
– As compras são para ela.
– Perdi minhas malas antes de voltar para casa – Falou para ele – E ele te convidou, Bella? — Ah não, lá vai começar o interrogatório.
– Mas ela recusou – Se fez de ofendido – Quão mal-educado você acha isso, Nessie?
– Muito mesmo – Sorriram cúmplices – A Bells estava acabando de me dizer que não tinha mais fome e que estava com vontade de comer a famosa torta de chocolate da esquina – Eu poderia protestar, mas ela chutou minha canela.
– É mesmo? — Falou me olhando.
– Prima, por que não leva o Ed para conhecer e comer a melhor torta do mundo? — Eu vou matar essa infeliz. Pus o melhor sorriso na cara que pude e me levantei.
– Por que não? — Ed levantou de seu lugar e me estendeu o braço.
– Oh, que cavalheiro – Cutucou Nessie. No mínimo, um tapa na cara dela eu vou dar quando chegar em casa, e ela sabe que vou fazer isso. Ele pôs meu braço sobre o seu e seguimos para a saída do hotel.
[…]
– Hum, sua prima não estava mentindo quando disse que essa era a melhor torta do mundo – Disse ele em seu quinto pedaço. Engoli o meu último e afastei o prato, pondo o canudo do copo de coca em meus lábios.
– É, aqui é meio que o meu refúgio. Sempre venho aqui quando quero pensar – Falei sem ao menos perceber.
– Não te julgo – Suspirou, empurrando o seu prato já vazio – Eu gostaria de ter um lugar para me refugiar também. Mas, é meio impossível, você sabe, com a vida que eu levo. Quase nada eu consigo manter em segredo – Isso só me fez lembrar que possivelmente eu estaria estampada em alguma capa de revista de fofocas idiotas. E isso não me deixou nada feliz. Dois tapas, Nessie! Dois tapas é o que você vai levar.
Cocei o nariz e minha pulseira fez barulho.
– Já esteve em todos esses lugares? — Segurou meu pulso para olhar mais de perto.
– Ah não, a Nessie que já. Ela me deu de presente, meu trabalho não permite isso.
– Falta de dinheiro ou tempo?
– Tempo.
– No que trabalha?
– Sou Administradora Hospitalar, sou diretora.
– Ouvi dizer que essa carreira ganha muito bem – Sorriu.
– Digamos que não tenho do que reclamar – Sorri também.
– Pois bem, não deixe de fazer isso quando tiver a chance – Só eu senti uma segunda intenção nessa frase? — Viajar e conhecer novos lugares é maravilhoso.
– Já esteve em muitos lugares? – Perguntei para não ser mal-educada. Estava sem assunto algum.
– Muitos lugares. Alguns chatos, outros bem legais. Cada um deixa sua marca em minha vida.
– Qual foi o melhor lugar que já esteve?
– Eu costumava dizer que o Brasil. Não sei, eles são bem animados e calorosos. Gosto de gente assim, já que nós americanos somos meio chatos – Riu – Mas minha teoria mudou, acho que meu lugar favorito passou a ser Boston – Deu-me uma piscadela. Se fosse com outra pessoa, ou melhor, mulher ou garota, as pernas delas já estariam bem abertas.
– Hum, legal – Sorri. Tentei não demonstrar, mas me senti bem em ouvir isso – Aqui é mesmo um lugar bem bacana de viver. Seu nome é mesmo só Ed?
– Não – Riu – Meu nome é Edward Anthony Masen Cullen.
– Só o Edward bastava – Rimos – Mas, nome legal.
– E o seu?
– O meu você já sabe, é Isabella.
– Você sabe o que eu quis dizer.
– Isabella Marie Swan – Revirei os olhos – Satisfeito?
– Muito – E seu celular começou a tocar – Um minuto – Atendeu, mas a ligação caiu. Logo depois, chegou uma mensagem e enquanto lia, fez uma careta.
– Acho melhor eu ir andando – Falei já me pondo de pé – Obrigada pelo almoço, quer dizer, pelos pedaços de torta.
– Eu que agradeço – Se pôs ao meu lado – Você quer uma carona, sua prima deve ter levado o carro.
– Não, tudo bem, eu posso pegar um táxi.
– Eu te levo – Foi andando até seu carro.
– É sério, estou bem – Parei o táxi que passava na rua – Agradeço.
– Bella, eu posso te levar – Entrei no táxi e virei-me para ele.
– Adeus, Edward.
– Te vejo outro dia, Bella – Acenou e mandei o táxi ir, passando meu endereço.
[…]
– Bells, como... — Foi interrompida pelo tapa que dei em seu rosto. Viu, eu cumpro minhas promessas – Hey!
– Isso é por você me desrespeitar – Falei apontando o dedo na sua cara – Você sabe o quanto eu odeio ser pressionada a sair com uma pessoa. Sabe que eu odeio isso – O tapa foi leve, não precisam se preocupar, é só mais para cumprir minha promessa – Jake entrou na cozinha e parou quando viu a tensão no ar. A fuzilei – Eu só não te bato por causa dessa cri... — Parei de imediato.
– O que está acontecendo aqui, Bella? — Ele perguntou.
– Nada. Vou para o meu quarto – Deixei os dois sozinhos e subi, ignorando qualquer um que tentasse falar comigo. Não foi de todo um mal, eu até gostei de sair com ele. Mas eu tenho que ser realista, sabemos que se possível e fosse acontece, não daria certo uma relação entre nós dois. É melhor evitar enquanto é cedo.
[…]
Depois que fiquei mais calma, resolvi ir atrás da Nessie e lhe pedir desculpas. Possa ser que eu tenha exagerado um pouco, mas, eu te disse que sou dramática. Abri a porta do meu quarto bem a tempo dela ter seu braço levantando, pronto para bater.
– Bella.
– Nessie – Falamos juntas e sorrimos.
– Deixa eu falar primeiro – Pedi. Segurei sua mão e a fiz sentar em minha cama – Desculpa, eu não devia ter batido em você. Foi um ato bem estúpido da minha parte.
– Eu que te devo desculpas. Eu sei o quanto você odeia quando as pessoas te empurram para uma situação embaraçosa. Ainda mais com um homem que você nem conhece – Sorriu sem jeito – É só que, eu vi o jeito como ele te olhava e botei em minha cabeça que você não poderia perder essa chance.
– Eu te desculpo.
– Eu também te desculpo – Nos abraçamos – Agora – Fitou-me – Me conta tudo – Sorriu como se nada tivesse acontecido. Contei detalhe por detalhe do tempo que passei com ele e ela não tirava o sorriso bobo do rosto.
– Ele disse mesmo que o lugar favorita dele passou a ser Boston, olhando bem nos seus olhos? – Assenti – Bells, ele tá tão na sua – Ri por ela ter roubado essa frase de uma série.
– Prima, ele está na de qualquer uma que estiver desposta em cair em sua cama por uma noite.
Apenas uma noite para seu total prazer e relaxamento – Revirei os olhos.
– É melhor esquecermos isso, estou exausta e amanhã trabalho – Beijei seu rosto – Boa noite.
– Não me expulse, já estou indo – Ficou em pé e me olhou sorrindo – Vocês ainda vão viver algo bom, pode apostar – Joguei meu chinelo em sua direção e ela saiu sorrindo. Deitei na cama e suspirei.
Ele é muito bonito e eu adoraria ter uma noite quente com ele. Mas, isso não vai passar de uma vontade. A essa hora, ele já deve estar com uma garota, dentro do seu jatinho particular, viajando para outro lugar do mundo e nunca mais nos veremos.
A vida segue e amanhã e só mais um dia, melhor eu ir dormir que é o bem que faço para meu corpo. Apaguei a luz do abaju e afundei em minhas cobertas.
[…]
O despertador me acorda com seu famoso e irritante barulho. Pego o travesseiro e jogo para que ele se cale e escuto o som do seu baque ao alcançar o chão. Oh, graças a Deus, silêncio! Fechei os olhos e quase pegando no sono, dou um pulo digno de atleta de olimpíadas e estou em pé. Caramba, hoje é dia de trabalho e vou me atrasar se não sair daqui cinquenta minutos. Corro para o banheiro e tomo o banho mais rápido que de um gato, visto uma calça jeans, camisa roxa de manga comprida e um blazer preto por cima. Calço minhas botas sem saltos, sim, odeio saltos, e desço correndo.
– Bom dia, família – Sentei a mesa e enchi meu copo de suco.
– Bom dia – Falaram.
– Bella, você vai ficar de férias semana que vem? — Perguntou Emmett.
– Creio que sim – Fiquei um pouco emburrada.
– Só assim para você sair de férias, eles tiveram que te obrigar – Charlie riu.
– Eu...eu não fui obrigada – Fitaram-me – Tá, ok, eu fui obrigada.
– Onde está a Lyne? — Olho para o lugar onde minha irmã mais nova devia estar sentada e está vazio.
– Ela não dormiu em casa – Renée fala desgostosa.
– Você devia ter me fala, eu daria um jeito.
– Ela é rebelde desse jeito por falta de boas palmadas – Diz Emm – Eu posso fazer isso.
– Entra na fila – Falo.
– Ninguém vai bater em ninguém, palmadas não vai consertar ninguém.
– Não vai, mas vai deixar ela dolorida por uns dias e vai aquietar a bunda dela em casa – Emm concorda comigo. Olhei o relógio e levantei no mesmo instante.
– E tenho que ir, beijos – Jacob e Nessie desciam as escadas quando passei pela porta, e a mesma abriu, passando por ela uma Lyne descabelada e com cara de sono.
– Onde você esteve?
– Não enche, Bella.
– Veja bem como você fala comigo, garota.
– Vai a merda, você não é a minha mãe – Fecho minhas mãos em punho e tento me controlar.
– Eu só não vou até ai para te dar uns bons tapas porque estou atrasada – Faz que não escuta e vai para a sala de jantar. Escuto meus pais falarem com ela, mas não fico por mais tempo.
Tenho que sair mais cedo, porque da minha casa, na rua PeterBorough St, para o Hospital Infantil de Boston, leva apenas 13 a 15 minutos, dependendo do trânsito. Mas, como passo o final de semana na casa dos meus pais, aqui é um pouco mais longe. Então, tenho que sair mais cedo. Liguei o rádio e dirigi escutando as notícias do dia. E como eu disse, quase meia hora e alguns minutos depois, eu chego no Hospital. Desliguei tudo, desci e pus meu jaleco. Sim, administradores hospitalar também usam.
– Bom dia, mestre – Tenho mestrado no currículo, então, é comum que as pessoas me chamem assim.
– Bom dia, Flori – Respondi a enfermeira maior.
– O Dr. Sam está te procurando, chegou a uma hora – Fitou-me com pena. Pelo jeito, ele acordou de mau humor, de novo.
– Devo levar café? — Perguntei com ar de riso.
– Oh sim, com certeza deve – Rimos. Segui para a área de descanso e peguei um café pra mim e outro para ele. Bati três vezes em sua porta antes de entrar, ele se encontrava sentado em sua cadeira, com a mão na cabeça e bufava para todo lado.
– Bom dia, Sam – O saudei – Aqui, tome um café para melhorar esse humor – Entreguei a ele e sentei a sua frente. Esperei que desse o primeiro gole para enfim começar a falar. Ele suspira, um gesto que diz que se acalmou um pouco mais, e me olha – O que a Britt aprontou agora? — Britt era sua filha, única filha, que valia por três. Ela é uma boa menina, porém, teimosa ao extremo. Só faz algo errado quando lhe é negado algo, então, ele deve ter feito isso. Como sei de tudo isso? O Sam e eu nos conhecemos desde o ensino médio e sou a madrinha da Britt.
– Sismou em querer viajar sozinha – Bufou.
– Para onde?
– Pelo mundo, quando ficar de férias. As amigas tiveram essa infeliz ideia e ela quer fazer o mesmo.
– Sam, quantos anos ela tem mesmo?
– Vinte – Falou exitante e revirei os olhos.
– Ela já tem idade suficiente para isso, não acha?
– Você não entende, você não tem filhos – Arregalou os olhos – Desculpe, não quis ser um idiota – Dei de ombros.
– Eu não ligo, eu sei bem disso. Claro, é claro que eu não sei qual é a sensação de deixar seu bebê sair por ai sem você. Mas, Sam, ela já é bem crescida, precisa ser independente. Eu sei que é difícil, mas você não pode prender ela por toda sua vida.
– Vocês mulheres sempre defendem uma a outra – Ri.
– Só estou sendo sincera – Fui para seu lado – Onde está a Marylin?
– Essa desnaturada, não para em casa um minuto. Não serve nem para cuidar da própria filha – Resmungou – Nem parece que tenho esposa, cuido da minha filha sozinha a anos.
– Já te falei o que acho – Falei como quem não queria nada.
– Eu vou me divorciar dela, só preciso preparar a Britt para essa notícia.
– Lembre-se: ela não é mais uma criança. Até ela mesmo já te deu esse conselho – Passei o braço direito por seus ombros e apertei – Você merece muito mais que isso. Tenho certeza que a Paty pode te propor tudo isso – Gargalhei quando vi que ficou ruborizado – Hum, pelo jeito não é só eu que penso assim – O apertei mais ainda.
– Você está certa – Levantei a sobrancelha – Sobre tudo, está legal? Eu vou pedir o divórcio ainda essa semana, tomar providências sobre a Paty antes que seja tarde demais e... — Suspirou – Vou deixar a Britt fazer esse maldito Mochilão – Sorri para ele.
– Isso, é assim que se fala garanhão – Batemos as nossas mãos uma na outra – Agora, vamos trabalhar que eu tenho um hospital para administrar e você, pacientes não tão doentes assim para cuidar.
– Não tenho culpa se sou lindo assim – Ajeitou seu jaleco, fazendo charme e rimos – Obrigado, você sempre me salvando – Deu-me um abraço antes de eu o deixar e seguir para minha sala. A mesa estava cheia de papeis para assinar e algumas campanhas sobre o hospital que eu devia tomar providências e aprovar ou não.
Duas horas da tarde e minha porta é aberta, levanto a cabeça e vejo a Paty sorrindo para mim.
– Oi Bella, já almoçou? — Perguntou. A Patty é a segunda diretora administrativa do hospital, eu sou a primeira. Ela vai cuidar de tudo enquanto tiro férias de final de ano. Coitada, só tira férias depois que os feriadões passam.
– Ainda não – Tirei os óculos e cocei os olhos – Isso é um convite?
– Claro, só resta você, eu e o Sam para isso. Vamos logo, estou morrendo de fome – Demos os braços e caminhamos até a cantina. O Sam se juntou a nós logo depois e comemos entre conversas e mais conversas.
[…]
Cheguei no meu apartamento morta. Larguei a bolsa no sofá e me joguei o mesmo. Ah, como é bom estar em casa. O trânsito não ajudou muito hoje, então cheguei em casa as seis e meia e nem ferrando vou fazer jantar. Liguei para o restaurante Rod Dee Thai 2 que tem aqui perto e pedi uma comida rápida. Enquanto isso, tomei um banho e vesti uma calcinha short e um casaco, já estamos no tempo de neve, já que daqui três semanas é o natal. Mas, mesmo assim, sou calorenta. Abri o armário e peguei um prato, talheres e um copo. Enchi com vinho branco e fui sentar na sala. Meu celular tocou e me debrucei pelo sofá para pegá-lo encima da mesinha.
– Oi, Nessie – Sorri.
– Bella, pega seu notebook e põe nesse site – Sem entender nada, liguei o notebook e digitei o site que ela me passou. Quase deixo a taça escorregar da minha mão quando, enfim, as fotos carregaram.
– Ah merda, droga – Xinguei por fim.
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