Nos trilhos do trem

2 Sempre ou Nunca?


Notas iniciais
Demorei um pouco... estou viajando o/ , mas está aqui o capítulo dois! Eu gosto de ler e reler inúmeras vezes antes de postar, para ver se tem algum erro, ou coisa parecida. Mas tem sempre um que escapa! Me avisem se acharem, pf. Boa leitura!

Antes que eu pudesse explicar, ela ja me dera um tapa. Não entendia nada do que falava, parecia que era outra língua. Depois de o que pareceu ser uma eternidade, acordei jogada no chão, num beco, que parecia ser de uma avenida movimentada. Minhas roupas estavam sujas, rasgadas e eu sem força para me mexer. Tentei me levantar inúmeras vezes, mas a dor insuportável não deixava.

Parecia o fim, a morte, eu estava lá sozinha e o universo parecia que rejeitava minha existência, mas, no meu último suspiro a fim de cair em derrota, o vi, um anjo, com asas brancas como as de uma garça. Achava que era a salvação, porém, quando se olhava para seus olhos, só se via uma alma corrompida pelo desejo e o mal.



Quarta-feira, 06:14 a.m

Fui acordada as, exatamente, seis da manhã pelo meu despertador. Era o segundo dia de aula, pois felizmente havia faltado no primeiro. A mudança não estava indo nada fácil, as coisas pareciam dar errado somente porque não tínhamos ajuda alguma. Meus parentes eram somente meus pais e irmão, família pequena. Como meus pais nasceram filhos únicos, eu e meu irmão, Charlie, de 6 anos, não temos tios, e nem sequer avós, pois os mesmos já haviam falecido.

Tínhamos ainda muita coisa para arrumar na casa antiga mas Vitória, minha mãe, não me deixaria mais um dia a toa novamente e acabaria tendo que ir para o colégio. Escolhi o quarto no segundo andar, uma suíte, confortável, espaçosa, porém era o comodo mais frio da casa. Arrumei minha cama ainda improvisada e desci para tomar café da manhã.

— Bom dia. — Disse ainda sonolenta para meus pais e Charlie.

Todos estavam muito ocupados, arrumando caixas lotadas de coisas da mudança na cozinha, com exceção de Charlie, que me deu outro ''bom dia'' sonolento. Isso dificultava um pouco nossa comunicação, que já não era muito boa.

Minha vida, ela mudou muito, demasiado rápido. Queria continuar no meu mundo monótono, para sempre.

Me arrumei rápido, pois já estava um pouco atrasada. Peguei um papel que era onde estava escrito o endereço do colégio e saí apressada de casa.

Entrei na escola devagar, não sabia como devia me portar, se ficava entusiasmada por estar me mudando ou sem muita emoção. Alguns funcionários me cumprimentaram e me deram algumas informações sobre em qual sala ficaria e coisas do tipo...

Queria que as coisas não fossem tão diferentes da minha antiga escola, tudo aqui era novo, não gosto de coisas novas, definitivamente prefiro as quais estou acostumada. Entrei na sala um pouco atrasada e o professor me apresentou aos alunos, que me receberam com um desânimo um tanto desagradável.

Depois de algumas horas, quando tirei um pouco de minha atenção da aula, comecei a rodar a sala com olhos. Logo quando entrei e o professor me apresentou, percebi que haviam três cadeiras vagas, as as duas que sobraram agora estavam me incomodando. Sabia que era normal as pessoas faltarem aula nos primeiros dias, por estarem viajando ou vadiando por aí, mas tinha alguma coisa, um pressentimento estranho, que me incomodava.

O sinal indicou o término das aulas e os alunos saíram todos apressados da sala. Arrumei meu material lentamente e também saí.Vi um grupo de alunos conversando no corredor, uns encostados na parede, outros em pé. Não queria falar com ninguém, afinal ninguém, a não ser os funcionários, tinha me cumprimentado nessa escola. Parecia o inferno de tão desagradável.

Estava saindo pela porta da frente quando sinto uma forte dor na cabeça. Tudo o que sentia pareca ter se intensificado. Tentei andar normalmente, como se nada estivesse acontecendo, mas não era possível, a dor era forte demais. Sentei num banco na praça que havia em frente a escola, tentei me acalmar, mas não conseguia, a dor era realmente forte. Era como se meu corpo quisesse excluir uma parte de mim, arrancar uma coisa a força ou algo parecido, pois fazia uma dor anormal.

Um garoto, que parecia estar em minha sala, ao ver meu sofrimento, chegou perto e se sentou rente a mim. No momento que virei e o vi ao meu lado, perguntando-me se estava bem, a dor simplesmente desapareceu.

— O que você tem? — Diz ele me olhando assustado, e em sua voz, podia se ouvir um tom de cansaço.

Virei para ele e encarei fixamente seu rosto. Estava sem uniforme, parecia estar exausto. Não tinha o visto na sala de aula hoje, talvez nem fosse da escola. Depois que a dor estranhamente passou, assim como tinha começado, eu comecei a me sentir um pouco tonta e acabei nem respondendo-o, apenas o meu sofrimento o encarou.

Ele tomou inciativa e me levou cuidadosamente a enfermaria. A mulher somente me deu um analgésico e mediu minha temperatura, nada mais. Depois de alguns minutos a leve dor começou a passar e aquele garoto estranho estava me fazendo milhares de perguntas sem sentido.

Quando estávamos a caminho, vários olhares curiosos nos perseguiram no corredor. Como não estava sentindo mais a forte dor, pude prestar atenção. Umas olhavam-nos e cochichavam umas com as outras, e algumas só olhavam e não davam importância nenhuma. Eu também não dava a mínima importância para aquelas que cochichavam, pra mim eram só pessoas com falta do que fazer.

Minha mãe foi informada de meu estado e rapidamente ligou em meu celular. Perguntou-me se eu estava bem e que era para voltar logo para casa se fosse preciso. Como já estava significativamente melhor, resolvi não voltar direto para casa.

Descobri que o tal rapaz se chamava Danilo. Quando tudo se normalizou, começamos a conversar em um café que tinha na praça. Descobri que ele estudava mesmo na escola e que ele era um dos alunos que tinham faltado naquele dia. Também me dissera que tinha acabado de se mudar para cá.

Enquanto estávamos conversando, percebi que o tom de cansaço que antes tinha em sua voz, havia sumido. Os minutos passaram e nem percebi que já estava tarde, expliquei a situação para ele, saí apressada da mesa, mas antes que eu saísse, ele me parou.

— Ah, me desculpe! Acabei me empolgando e nem perguntei seu nome! ― Embora parecesse uma pessoa de coração bom, ele era um rapaz meio atrapalhado, desatento, fazia uma hora ou outra uma gracinha, talvez para me divertir ou talvez ele era mesmo assim.

—É Samantha. ―Mesmo que a forte dor tivesse passado, havia um certo desconforto, não sei, parecia que ele que me causava isso.

Saí do café com o celular na mão, pensando em ligar para minha mãe, talvez confortá-la seria bom. Peguei o celular, mas o mesmo já estava sem bateria, então me apressei ainda mais.

Minha casa não ficava muito longe da escola, eram ''somente'' onze quarteirões. Era o bairro ao lado, por isso, ia a pé todos os dias. Chegando em casa, procurei minha mãe, que estava cuidando de Charlie e passando a roupa ao mesmo tempo, ela sempre fazia isso...

— Oi mãe... Quer ajuda?— Ela andava ocupada demais, principalmente agora, que estávamos em plena mudança, e também tinha a questão de que ela tinha que ver um monte de documentos, para colocar a casa no nome da nossa família.

— Uhum, tá a gente se fala depois... — Eu estava tão distraída que nem percebi que ela estava no telefone. Resolvi não atrapalhar e ir tomar um banho.

Ainda estava de toalha quando meu celular tocou. Era um número desconhecido , mas mesmo assim atendi.

— Oi? Quem fala?

— Nossa, seus textos são lindos! Adorei, posso saber onde se inspirou? — Danilo?! Textos... será que?

Antes de responde-lo, corri para perto de minha mochila e abro-a tremendo. Aquele caderno, não está onde deveria estar.

Por que as coisas sempre saem assim? Ou nunca?

Notas finais
Comentem! É sempre bom receber comentários positivos (ou negativos)! Espero que estejam gostando do rumo da história! É isso! Gaby
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.