Notas iniciais
Sobre o capitulo do dia 16/07, Julieta vai ao quarto de Aurélio.

Aurélio estava preparando-se para dormir. Aquele havia sido um dia tenso, não só para ele mas principalmente para Julieta. Ele ainda podia lembrar o grito de uma mãe ferida quando ela tentou fazer com que Camilo voltasse e lhe desse ouvidos, ele apenas a segurou e ordenou que ela jamais voltasse a procurá-lo, e a largou sozinha. Aurélio sentiu a dor que ela sentiu com as palavras dele, colocou-se no lugar de Julieta, não suportaria se Ema o tratasse daquela forma algum dia. Ele tentou aproximar-se mas ela apenas disse que queria ficar sozinha, fugiu de uma conversa novamente.

Aurélio deixou seu livro e suas preocupações com Julieta de lado e caminhou até a cama. Ele precisava relaxar para amanhã tentar conversar com ela, pressiona-la naquele mesmo dia a faria recuar. Julieta quando pressionada a expressar seus sentimentos recuava e se encolhia na própria dor.

— Aurélio.

Ele poderia facilmente estar delirando. A voz feminina vinha da porta e Aurélio colocou-se de pé para encarar a mulher parada na entrada de seu quarto.

— Julieta, o que está fazendo aqui?

— Eu não conseguia dormir — sussurrou.

Julieta entrou um pouco mais, seus dedos brincavam formando círculos imaginários na palma de sua mão. Aurélio não conseguia deixar de notar o colo exposto pelo decote da camisola de seda negra que encaixava-se como uma luva ao corpo dela e marcava a cintura de Julieta, dando-lhe um ar ainda mais feminino, a pele exposta parecia tão lisa que ele desejou com todas as suas forças tocá-la com a ponta dos dedos. O cabelo no entanto não estava preso no típico que penteado que dava-lhe um ar sério, estava apenas singelamente preso. Os olhos dela por outro lado estavam pesados, cansados de carregar tanto, cansados de chorar e sofrer, principalmente pelo filho. Novamente ela retomou a conversa o fazendo desviar o olhar da visão que o decote largo lhe oferecia.

— Aurélio, eu quero me desculpar se fui rude com você esta tarde — passou a mão pela testa a esfregando com as pontas dos dedos —. Eu acho que fui um pouco rude com você, eu apenas estava nervosa com tudo que estava acontecendo e espero que você entenda.

— Você sabe que eu entendo e não foi rude, só queria um pouco de tempo para si mesma. Além do mais, eu não conseguiria ficar chateado com você por mais de uma hora mesmo que quisesse.

— Eu agradeço muito, por isso e por sua paciência comigo. E por ter também me ouvindo reclamar sobre Camilo durante todo esse tempo e me o apoio que eu precisava.

— Julieta, eu poderia continuar ouvindo-a por toda a eternidade e ainda assim estaria encantado e imensamente agradecido por você ter escolhido a mim para apoiá-la.

O sorriso discreto dela apaziguou a preocupação do coração dele. Aurélio aproximou-se e levou a mão até o rosto dela, acariciou as bochechas, que costumavam corar com o gesto carinho dele. Julieta relaxou seu rosto na mão de Aurélio e ele reconheceu aquilo como um consentimento para prosseguir. Seus lábios tocaram os dela delicadamente, sentindo-os com paixão, seus corpos estavam próximos e ele podia sentir o cheiro de rosas que ela exalava. Suas mãos circundaram a cintura dela ansiando por um toque mais próximo e Julieta enlaçou seu pescoço aos braços dele timidamente.

Julieta pela primeira vez não recuou e nem separou-se, nem mesmo quando o ar se fez necessário e foi preciso ele afastar-se para que pudessem respirar. Julieta ficou na ponta dos pequeno pés e buscou os lábios dele novamente, desta vez o beijando mais profundamente e suas duas mãos rodearam o pescoço dele sem tanta timidez desta vez. Aurélio levou a mão aos cabelos dela, ainda presos, mas não por muito tempo. Os soltou delicadamente e caíram como uma cascata pelas costas dela, delicadamente contornaram o rosto dela e deixaram seus braços femininos ainda mais atraente. Ela o olhou nos olhos novamente.

Julieta era de longe a mulher mais atraente que ele conheceu em toda sua vida e sua beleza era realçada pela luz da lua opaca que entrava pela janela antes de ser coberta pelas nuvens escuras. Aurélio a puxou novamente para outro beijo e Julieta apenas grunhiu em resposta.

Os lábios dele lentamente desceram até o pescoço dela, traçando uma pequena trilha até a curvatura do pescoço feminino completamente exposto. Aurélio a segurou nos braços e Julieta envolveu suas pernas ao redor dele, sem qualquer pudor desta vez. Ele a levou até a imensa cama e sentou-se, encostando o corpo na cabeceira e a colocou sentada em seu colo, tornando-a um pouco mais alta que ele mesmo. Os cabelos soltos dela caíram sobre seus rosto. Ela intensificava o beijo, ansiava o toque dele, ele apertava a cintura dela, colocando-a mais próxima ao seu corpo, suas mãos ansiavam para repousar em lugares mais privados, mas ele não queria desencadear uma reação inesperada.

Aurélio começava a sentir sua masculinidade incomodar ainda dentro das calças e desejou que Julieta não percebesse isso naquele momento. Talvez ela ainda precisasse de um pouco mais para estar tão preparada quanto ele.

Julieta colocava a mão nos cabelos dele, o puxando para mais perto. Nunca pensava que estaria sentada no colo de Aurélio Cavalcante. A masculinidade dele ficou notória para ela. Ela sentia que seu peito iria explodir a qualquer momento e que seu coração pararia de bater.

“Não adianta lutar” murmurou a voz. Os fantasmas de um toque indesejado despertou nela o medo nunca esquecido sobre os acontecimentos de seu passado, que ainda estavam marcados em sua alma “Não precisa lutar” A voz tornou-se áspera e era a voz de Osório, murmurando em seu ouvido.

— Não... não, eu não posso fazer isso — foi um quase grito e ela afastou-se abruptamente, saindo do colo de Aurélio e levantando-se da cama, jogando os cabelos recentemente soltos para trás.

Não fazia calor mas ela começava a suar, ofegava, mas não era só desejo, era medo. Depois de tantos anos, depois dele morto, Osorio ainda assombrava seus pensamentos. Ela desejava com todas as forças presentes em seu pequeno corpo esquecer aquela noite, aquele toque, aquele abuso, mas ele ainda estava ali, privando-lhe de uma vida com Aurélio, privando-lhe da chance de ser amada completamente como toda mulher tinha o direito de ser.

Aurélio estava atônito com a inesperada reação dela. O desejo pulsante dentro de suas calças ainda doía e ele temeu que tivesse sido o culpado daquela reação assustada. Sabia que ela não gostava de toques íntimos, mas pensou que no final das contas ela tivesse se entregado ao que realmente desejava.

— Eu não faria nada que você não quisesse, nós não faremos nada que você não queira — ele declarou levantando-se da cama. O desejo ardia dentro dele, pulsava em suas veias, acelerava seu coração e nublava alguns pensamentos, mas ele jamais passaria dos limites com Julieta, não sem o consentimento dela, não sem a entrega absoluta.

— Eu sinto muito, eu não deveria ter reagido assim. Eu quero, com todas as minhas forças, quero como nunca quis nada em toda minha vida, eu apenas não consigo e me odeio por isso.

— Não! — ele disse firmemente. — Eu exijo que você pare de se culpar. Julieta, eu já disse que estou feliz com o que tenho de você — tocou-lhe o rosto e ela ofegou de forma discreta. — Você não precisa, jamais, se justificar.

Aurélio removeu algumas mechas rebeldes que cobriam o rosto dela e as colocou delicadamente atrás de sua orelha.

— Eu estou feliz em ter você assim, estou feliz em ter seus beijos e seus suspiros. Para mim já é contentamento suficiente te ver sorrir e sentir seu cheiro.

— Eu queria poder me entregar completamente, eu queria ser a mulher que você quer e precisa mas eu simplesmente... eu simplesmente não consigo.

— E eu não me importo. Um dia, talvez, quando você estiver pronta e se sentir bem para se entregar completamente. Eu quero que quando isso aconteça seja especial e eu vou parecer um adolescente tolo falando assim mas, eu realmente espero que seja mágico quando aconteça.

— Não, não foi tolo.

— Vamos, você precisa descansar, foi um dia muito cheio.

Aurélio segurou as mãos dela, estavam frias e ele ainda podia senti-la tremer um pouco sobre seu toque.

— Vamos apenas dormir.

A guiou até a cama, colocando-a delicadamente sobre os lençóis de seda. Julieta pareceu hesitar no primeiro momento e mais ainda quando Aurélio subiu na cama também. Havia uma certa distância entre os dois.

— Venha aqui — chamou-a docemente.

O corpo dela juntou-se ao dele, Aurélio se recostava novamente na cabeceira e ela desta vez descansava a cabeça em seu peitoral, ainda coberto pela camisa fina de linho, ele temia que ela entendesse errado as intenções dele caso ele removesse a camisa. Quando ela estava confortável ele deitou-se nos travesseiros, ainda com ela presa em seus braços e a trouxe para mais perto do seu calor. Os cabelos dela cobriam parcialmente o rosto dele e Aurélio sentiu o cheiro dela inebriar novamente seus sentidos.

— Eu sinto muito — ela murmurou enquanto seus dedos traçaram linhas imaginárias na camisa dele.

— Eu pedi para você não se desculpar.

Ele percebeu quando ela começou a ofegar, desta vez para controlar futuras lágrimas que ameaçavam cair.

— Não, não Julieta, por favor não. Você não sabe o quanto dói te ver chorar, é como arrancar um pedaço da minha alma.

— Obrigado, Aurélio, obrigado por estar ao meu lado independentemente de tudo que eu já fiz com você e com sua família.

— Não se preocupe com isso. — Afagou os cabelos dela, eram tão macios quanto a pele dela e Aurélio se perguntou porque ela não os usava daquela forma todos os dias.

— Eu não entendo porque você ainda insiste comigo, as vezes eu pareço um caso perdido.

— Você não é um caso perdido. Você é um enigma.

— Como assim um enigma? — Perguntou apoiando o queixo no peitoral dele, tendo uma melhor visão dos olhos azuis do loiro.

— Às vezes você age como uma verdadeira Rainha, as vezes de forma ácida e áspera, mas no entanto às vezes você é tão delicada quanto as flores que florescem em seus jardins. É uma personalidade controversa. Além do mais eu poderia listar inúmeros motivos porque te amo, o seu jeito, a sua forma forte e de não se deixar abater, mesmo que essas também sejam as razões pela qual eu fico irritado às vezes.

— Irritado?

— Sim, quando você se recolhe, não me permite te ajudar mesmo quando meu único e verdadeiro desejo é te proteger, mas você é orgulhosa o suficiente para não deixar.

— Talvez um dia você entenda — Recostou a cabeça nele novamente e permitiu que Aurélio voltasse a acariciar seus cabelos.

— Você está com frio, não está?

— Como sabe?

— Está tremendo.

Sem retirá-la de sua posição ele puxou o lençol para mais perto de seus corpos, os cobrindo. A noite ameaçava chorar e o frio estava intenso, pela manhã não houve sol e a noite fria indicava que uma futura tempestade logo recairia sobre São Paulo.

— Vai conseguir dormir? — Perguntou e acariciou os braços dela, parcialmente cobertos pelas mangas da camisola.

Não houve resposta até que seu corpo moveu-se para cima do corpo do corpo de Aurélio e sua cabeça se enterrou no ombro dele. As mãos de Aurélio hesitaram em tocá-la e lentamente ele as aproximou do corpo dela, tocando-a e abraçando o corpo de Julieta ao seu.

— Sim, eu vou.

Julieta era como uma pequena pena sobre seu corpo e seu coração alegrava-se por ela estar ali. Entregue e finalmente encontrando o descanso, ele sentia-se feliz por ser o que estava lhe dando um pouco de descanso.

Aos poucos o corpo dela relaxava mais e mais até que finalmente cedeu ao sono. Aurélio acariciou o rosto e as costas dela, Julieta era tão bela, uma pequena que tentasse esconder aquela beleza por trás da máscara de “Rainha do Café” e dos vestidos negros. Ele havia conseguido enxergar a mulher atrás da Rainha, a felicidade atrás da amargura, a luz por trás da escuridão e finalmente encontrou o amor de sua vida. Ela estava em seus braços e ele esperava que fosse assim por toda a eternidade.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.