Nos dias chuvosos brota uma amizade
3 Uma tragédia, um pai , uma adolesceste sozinha - Helena
Acordei cedo , o que não é normal. Eu apenas me levantei e corri até o quarto da minha mãe , para ver se ela já estava acordada. Entro em seu quarto e me deparo com apenas uma cama de casal arrumada e um quarto vazio cheio de pó. Há dois anos isso vem acontecendo comigo, ainda não me conformei com sua morte . Comecei a chorar , isso já virou rotina. Voltei para o meu quarto , me arrumei e desci para tomar café. Encontrei minha vó em pé , fritando alguma coisa: — Bom dia Helena – disse minha vó fazendo um gesto para eu me sentar — Bom dia vó , eu até iria comer com você , mas não quero chegar atrasada no meu primeiro dia de escola – falei pegando uma maça na geladeira. — Antes leia a carta que seu pai lhe mandou – ela disse pegando um envelope na mesa. Eu não gostava de ler as cartas do meu pai , já não nos víamos há mais de 1 ano. — Vó , já falei , não quero chegar atrasada — falei indo para porta. — Você está com muito tempo ainda, Helena. Leia a carta do seu pai , você não deve ignora-lo! — Não estou o ignorando , mas simplesmente não sei o que falar a ele , e me chateia ler as cartas que ele manda. -Seu pai se importa com você – minha vó falou. — Se ele se importasse , não teria feito o que fez – minha vó ficou com cara de aborrecida , então peguei a carta da sua mão – mas mesmo assim vou ler , ta bem? Ela concordou e eu a abracei . Com a bolsa no ombro e a carta de meu pai na mão , desci o elevador do meu prédio , peguei meu skate na garagem , dei bom dia ao porteiro e sai no frio da manha em São Paulo. Chegando na escola , "escondi" meu skate nos fundos ,onde o zelador mora ,e sentei na escada da entrada.Peguei o envelope branco do meu pai e o abri: "Helena, não sei se você esta lendo minhas cartas , já mandei umas 30 e você não respondeu nenhuma. Sei o que você está sentindo, raiva , dor e muita magoa por te deixar sozinha depois o que ocorreu com sua mãe. Eu lhe peço mil perdões por isso , mesmo você não os aceitando , te peço que viva sua vida , faça amigos , curta a fase da adolescência ao máximo. Sei que não podemos apagar o passado , Helena , mas também não precisamos viver nele. Pense no que eu falei . Eu te amo ." Uma lágrima escapou de meu olho e pingou na carta . Eu amava meu pai, não ia negar isso. Mas também sentia uma dor enorme pelo o que ele fez , eu era apenas uma adolescente , sem mãe e deixada sozinha pelo pai com a avó. Me levantei e entrei quando ouvi o sinal tocando.
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