Nos Nossos Sonhos
2 0.2
Fiquei alguns segundos ali, imóvel, ouvindo o relógio do meu celular marcar os minutos como se cada tique fosse uma acusação. Me arrastei até a beirada da cama, o cobertor caiu pesado no chão e a camisa do pijama grudou nas costas por causa do calor que o sonho deixou. Levantei devagar, passando a mão pelo rosto como quem tenta apagar um quadro rabiscado: não saiu.
No corredor senti o ar frio bater na pele e, por um instante, quis voltar e me enfiar de novo debaixo do lençol, fingir que nada tinha acontecido. Em vez disso, empurrei a porta do banheiro.
A água quente do chuveiro foi mais eficaz que qualquer pensamento racional; por dois minutos consegui fingir que aquilo ali era só vapor descendo pelo corpo. Lavei o cabelo com força, como se fosse possível enxaguar também as imagens e a sensação de dedos nos meus pulsos, a pressão dos lábios dele contra os meus. Passei duas vezes o xampu, como quem presta atenção numa tarefa doméstica para não dar espaço aos devaneios. Saí do banho com o cabelo preso num coque frouxo, a toalha enrolada na cintura, e me peguei falando sozinha: “Para, Dalia. Não foi real.” A frase saiu mais para convencer do que como certeza.
Encostei a testa no espelho e vi meus olhos maiores do que eu lembrava; as pálpebras tremiam. Passei o creme no rosto com movimentos medidos, arrumei a sobrancelha, escondi o lábio levemente ferido com um batom claro — gesto automático para disfarçar — e cada produto na prateleira parecia um pequeno ritual que eu repetia para manter a sanidade.
Enquanto me maquio, a mente não colabora. Tento enumerar motivos racionais: era só um sonho, coincidência, estresse. Mas alguma coisa no jeito dele no sonho — a calma com que afastou minha mão, o riso contido depois do beijo — ficou cravada como se tivesse acontecido de verdade. Fico esperando a razão derrubar isso como quem espera alguém bater à porta com uma explicação pronta. Não vem.
Então respiro, volto para o quarto e me forço a pensar em coisas práticas: aula, trabalho da semana, o projeto de Literatura que está por vencer.
Escolho a roupa com mais objetividade do que gosto — uma camiseta simples, jeans, um casaco leve — porque vestir-se direito é outra forma de lembrar a realidade. Antes de fechar a porta, dou uma olhada rápida nos lábios no espelho; ainda parecem um pouco sensíveis. Balanço a cabeça e murmurо: “É só um sonho. Vai embora.” Não vai, mas eu não tenho tempo para esse enrosco agora.
Saio do quarto com a mochila nas costas e a cabeça cheia, pronta para atravessar a casa até a cozinha. A casa está silenciosa, o cheiro do café ainda não invade os cômodos; a luz do corredor entra cortada pela cortina da sala.
Fecho a porta devagar e sigo para a cozinha pensando em estratégias: falar com alguém? Contar só para os amigos? Fingir manhã normal e esquecer? Antes de decidir, sinto um frio na nuca e acelero o passo, porque, no fundo, sei que não vou conseguir mesmo fingir que nada aconteceu se ele me olhar do jeito que olhou no sonho. Cada passo é um pequeno ensaio para manter a compostura diante das pessoas — principalmente diante dele, se por acaso estiver lá.
A cozinha estava iluminada demais para o humor que eu carregava. A luz da manhã atravessava a janela e batia direto na mesa, fazendo o cheiro do café se espalhar junto com o som de vozes conhecidas. Assim que virei o corredor, ouvi a risada dele. Era inconfundível. Baixa, irritantemente tranquila, do tipo que faz a pele arrepiar por motivos errados.
— Finalmente a princesa resolveu aparecer.
Jace estava encostado no balcão, os braços cruzados, o corpo levemente inclinado para trás, como se estivesse observando algo divertido. Ao lado dele, meu irmão, Daniel, ri baixo, sem tirar os olhos do celular.
— Bom dia pra você também — respondi, secamente, indo direto para a cafeteira. Minhas mãos tremiam levemente ao pegar a caneca, e eu as apertei com mais força do que o necessário. Não olha pra ele. Não olha pra ele.
— Dormiu mal? — Jace continuou, a voz arrastada, como se estivesse saboreando cada palavra. — Parece que alguém passou a noite toda acordada.
Daniel levantou a cabeça, confuso, mas não teve tempo de perguntar nada. Meus dedos se fecharam em torno da caneca com tanta força que quase quebrei o cabo.
— Ou sonhando. — Ele deu um passo na minha direção, os olhos fixos nos meus. — Sonhos estranhos, pelo jeito.
O ar pareceu ficar mais denso. Eu senti o rosto esquentar, as bochechas queimando como se ele tivesse acabado de passar os dedos nelas. Ele não sabe. Não tem como saber.
— Não sei do que você está falando — menti, virando as costas para pegar o pão na mesa. Mas antes que eu pudesse me afastar, a mão dele fechou em torno do meu pulso, leve, quase casual.
— Tem certeza? — A voz dele estava mais baixa agora, só para mim. — Porque eu juro que você está corada.
Puxei o braço de volta como se ele tivesse me queimado. Daniel, finalmente percebendo a tensão, olhou de um para o outro, a testa franzida.
— O que está acontecendo? — perguntou, desconfiado.
— Nada — respondi rápido, jogando uma colher de açúcar na caneca com mais força do que o necessário. O barulho metálico ecoou, alto demais. — Só o Jace sendo chato como sempre.
Jace riu, um som curto e seco, e se afastou, voltando a se encostar no balcão. Mas os olhos dele não saíram de mim. Eu podia sentir o peso do olhar dele como se fosse um toque, como se ele estivesse traçando cada movimento meu, cada respiração.
— Você está nervosa, Dalia. — Ele cruzou os braços de novo, a postura relaxada, mas a voz carregada de algo que não era brincadeira. — Por que será?
— Vocês dois vão começar essa briga logo cedo? — Daniel bufou, sem paciência para o jogo de sempre.
— Eu não — respondi rápido. — Só quero tomar meu café em paz.
— Paz? — Jace inclinou a cabeça. — Não combina muito com você.
Mas Jace não tirou os olhos de mim. E, pior, eu não conseguia tirar os meus dele.
— Sonhou com algo interessante? — ele perguntou, baixinho, só para mim.
— Não lembro — menti. — E mesmo que lembrasse, não te diria.
— Que pena. — O sorriso dele cresceu. — Devia ser interessante.
O café queimou minha garganta quando engoli. Não retruquei.
Terminei de tomar o café em silêncio, as mãos apertadas em torno da caneca, os olhos fixos na mesa. Cada segundo parecia se esticar, como se o tempo estivesse se arrastando só para me torturar. Jace não disse mais nada, mas não precisava. A presença dele já era suficiente para deixar o ar carregado, para fazer minha pele formigar como se ele estivesse encostando em mim.
Quando não aguentava mais, levantei.
— Daniel, não me espera. Vou de carro de aplicativo. —Anunciei, sem olhar para ninguém.
— Ué, por quê? — ele perguntou, surpreso.
— Porque não quero discutir antes da aula.
Peguei a mochila, virei as costas e saí da cozinha sem olhar para trás. Mas, antes de virar a esquina do corredor, ouvi o riso baixo dele, quase um sussurro:
— Até logo, Dalia.
E, pela primeira vez, tive certeza de uma coisa: não importava o quanto eu tentasse fingir. Ele sabia. Ou, pelo menos, suspeitava. E isso mudava tudo. Me deixa mais louca e curiosa em descobrir o que ele sabe.
O carro do aplicativo chegou rápido, como se até o universo estivesse conspirando para me tirar daquela casa o mais rápido possível. Entre as grades do portão, lancei um último olhar para a janela da cozinha, mas não havia ninguém lá. Só a cortina balançando levemente com a brisa da manhã. Respirei fundo, como se pudesse expulsar a tensão junto com o ar dos pulmões, e entrei no carro.
O trajeto até a faculdade passou em um borrão. As ruas, o movimento, as vozes do rádio — tudo parecia distante, como se eu estivesse observando tudo debaixo d’água. Minha mente não saía daqueles segundos na cozinha: o jeito como Jace tinha me olhado, a maneira como as palavras dele pareciam ecoar algo que só eu deveria saber. Sonhou com algo interessante? A pergunta soava como uma provocação, mas também como uma confissão. Como se ele soubesse. Como se ele tivesse estado lá.
Quando cheguei à faculdade, o campus já estava cheio. Alunos conversando em grupos, risadas, o barulho das mochilas sendo jogadas no chão, o cheiro de café e papel. Era o mesmo de sempre, mas, pela primeira vez, tudo parecia estranho, como se eu estivesse vendo o mundo através de um filtro distorcido. Precisava de algo familiar. Precisava dos meus amigos.
Eles estavam onde sempre estavam: Lilian sentada no muro baixo em frente ao prédio de Letras, mexendo no celular, e Ian ao lado dela, balançando as pernas enquanto falava animadamente sobre algum jogo novo. Assim que me viram, os dois levantaram a cabeça.
— Finalmente! — Lilian exclamou, sorrindo. — Achei que você ia faltar hoje.
— Não tive essa sorte — respondi, jogando a mochila no chão e sentando ao lado deles. O impacto do tecido contra o cimento foi satisfatório, como se pudesse ancorar minha cabeça no presente.
Ian me olhou de lado, os olhos estreitos.
— Você tá estranha. — Ele cruzou os braços. — O que foi? Brigou com o Daniel de novo?
— Não — respondi rápido, demorando mais do que o necessário. — Só… não dormi bem.
Lilian ergueu uma sobrancelha.
— Sonhos ruins?
— Algo assim — menti, mas a palavra sonho ecoou na minha cabeça como um sino. Sonhou com algo interessante? A voz de Jace parecia sibilando no meu ouvido.
Ian, sempre atento a qualquer sinal de drama, se virou para mim, os cotovelos apoiados nos joelhos.
— Ou sonhos bons? — Ele sorriu, malicioso. — Porque, se for o caso, a gente quer detalhes.
— Não foi nada — respondi, mas minha voz soou falsa até para mim.
— Mentira. — Lilian cutucou meu braço. — Tá vermelha. Conta.
Suspirei, olhando para as mãos. Os dedos ainda tremiam levemente, como se o corpo todo estivesse eletrizado.
— Sonhei com o Jace — soltei, sem pensar. As palavras saíram como um sopro, e assim que foram ditas, pareceu que o ar ficou mais pesado.
Silêncio.
Ian arregalou os olhos.
— O Jace? — ele repetiu, como se não tivesse certeza de que ouvira direito. — O Jace que mora, sem ser convidado, com você? O Jace que você diz que não suporta? Esse Jace?
— Sim — respondi, irritada. — Esse mesmo.
Lilian soltou uma risada incrédula.
— Meu Deus, Dalia. — Ela balançou a cabeça. — Isso é… uau.
— Não é uau — retruquei. — Foi só um sonho. Um sonho estranho e sem sentido.
— Um sonho com o Jace. — Ian enfatizou, como se isso explicasse tudo. — Isso não é ‘sem sentido’. Isso é… revelador.
— Revelador do quê? — perguntei, a voz mais alta do que pretendia. — Não significa nada.
— Significa que você tá pensando nele. — Lilian cruzou os braços, olhando para mim com um sorriso que misturava diversão e curiosidade. — E, pelo jeito que você tá agindo, não foi um sonho qualquer.
— Não foi — admiti, depois de um segundo. — Foi… intenso.
Ian riu, jogando a cabeça para trás.
— Intenso? — Ele repetiu, como se a palavra fosse a coisa mais hilária do mundo. — Dalia, você tá corando de novo.
— Para com isso — ordenei, mas não havia força na minha voz. Porque, no fundo, eu sabia que eles tinham razão. Não era só um sonho. Não era só uma coincidência. Havia algo ali, algo que eu não conseguia entender, algo que me deixava com a pele quente e a cabeça girando.
— E aí? — Lilian cutucou meu braço de novo. — O que aconteceu no sonho?
Abri a boca para responder, mas as palavras não vieram. Como explicar algo que ainda não fazia sentido nem para mim? Como descrever a maneira como ele tinha me encurralado contra a parede, o jeito como os lábios dele tinham pressionado os meus, a sensação de que, por um segundo, tudo aquilo era mais real do que qualquer coisa que eu já tinha vivido?
— Nada — menti, finalmente. — Não foi nada demais.
Ian e Lilian trocaram um olhar.
— Tá bom. — Ian levantou as mãos em sinal de rendição. — A gente não vai forçar. Mas, quando você quiser falar, a gente tá aqui.
— E você vai querer falar — Lilian acrescentou, sorrindo. — Porque isso é bom demais para ficar guardado.
Eu não respondi. Não conseguia. Porque, no fundo, eu sabia que eles estavam certos. E, pior que isso, eu sabia que, mais cedo ou mais tarde, eu ia ter que encarar o que aquele sonho significava. E o que Jace tinha a ver com tudo isso.
O sinal tocou, quebrando o silêncio. Lilian e Ian se levantaram, e eu os segui, a mochila pesando no ombro como se estivesse cheia de pedras.
— Vamos — Ian disse, cutucando meu braço. — Aula de Literatura não vai esperar.
E, enquanto caminhávamos em direção à sala, eu não conseguia parar de pensar em uma coisa: o jeito como Jace tinha dito até logo, como se soubesse que, não importava o quanto eu tentasse fugir, aquilo não tinha acabado.
A aula de Literatura arrastou-se como um rio lento, cada minuto se esticando mais do que o anterior. Eu mal conseguia me concentrar nas palavras do professor, nos poemas projetados na lousa, nas discussões que surgiam entre os colegas. Minha mente estava em outro lugar — ou melhor, em alguém. O peso do olhar de Jace na cozinha, a maneira como suas palavras pareciam ecoar dentro de mim, como se tivessem sido ditas não apenas para provocação, mas para confirmar algo. Algo que eu ainda não conseguia nomear.
Ian, sentado ao meu lado, cutucou meu braço em algum momento.
— Você vai rasgar o caderno desse jeito — sussurrou, apontando pro lápis que eu apertava com força demais.
Soltei o ar devagar e relaxei a mão.
— Só tô cansada.
— Cansada... ou pensando em alguém? — Ele arqueou uma sobrancelha, divertido. Revirei os olhos.
— Cala a boca, Ian.
Ele riu, satisfeito por me provocar, e voltou a fingir que copiava o conteúdo.
Quando o sinal finalmente tocou, foi como um alívio. Lilian e Ian se levantaram, esticando os braços e bocejando, enquanto eu juntava minhas coisas com movimentos mecânicos, como se estivesse operando no piloto automático.
— Vamos pra cantina? — Ian perguntou, jogando a mochila no ombro. — Tô morrendo de fome.
— Claro — Lilian respondeu, já caminhando em direção à porta. — Preciso de um café urgente.
Eu os segui, mas antes que pudéssemos sair da sala, uma voz familiar cortou o corredor.
— Dalia! — Daniel acenou de longe, sorrindo. Ele estava parado ao lado de Jace e uma garota que eu nunca tinha visto antes. Alta, cabelos escuros e lisos, um sorriso calculado nos lábios. Ela olhava para mim com uma expressão que não conseguia decifrar — curiosidade? Desconfiança? Irritação?
— Oi — respondi, parando a alguns passos de distância. Meu irmão parecia animado, como sempre, mas Jace… Jace apenas me observava. Aqueles olhos escuros, fixos nos meus, como se estivessem tentando decifrar um código.
— A gente tava indo pra cantina — Daniel disse, gesticulando entre nós. — Querem vir? Eu pago.
Ian e Lilian trocaram um olhar rápido, mas não hesitaram.
— Claro! — Lilian respondeu, já se aproximando.
Eu fiquei onde estava, imóvel. Não era só a presença de Jace que me deixava tensa — era a maneira como ele me olhava, como se estivesse esperando por algo. Como se soubesse algo.
— Dalia? — Daniel me chamou, quebrando o silêncio que se formou entre mim e Jace.
— Sim — respondi, finalmente, forçando um sorriso. — Vamos.
A garota ao lado de Jace cruzou os braços, o sorriso dela se apagando por um segundo antes de voltar, mais forçado.
— Essa é a Ana — Daniel apresentou, como se percebesse o incômodo no ar. — Ela é amiga do Jace.
— Prazer — Ana disse, secamente, sem estender a mão.
— Igualmente — respondi, sentindo o peso do olhar de Jace queimando minha pele.
Caminhamos em direção à cantina em um silêncio desconfortável. Ian e Lilian, sempre sensíveis ao clima, tentaram preencher o vazio com conversas sobre a aula, sobre o trabalho que estava por vir, sobre qualquer coisa que não fosse a tensão óbvia entre mim e Jace. Mas era impossível ignorar. Sempre que eu olhava na direção dele, seus olhos já estavam em mim, como se estivessem esperando que eu olhasse de volta.
Quando nos sentamos, Ana escolheu o lugar ao lado de Jace, como se estivesse marcando território. Mas ele não pareceu se importar. Em vez disso, inclinou-se levemente para frente, os cotovelos apoiados na mesa, os dedos entrelaçados.
— Então — ele começou, a voz baixa, só para mim. — Como foi o resto da sua manhã?
Eu o encarei, surpresa. Era uma pergunta simples, mas soou como um desafio.
— Normal — respondi, secamente.
— Normal? — Ele repetiu, como se a palavra fosse ridícula. — Acho que você tá mentindo.
Senti o rosto esquentar. Lilian e Ian trocaram outro olhar, mas não disseram nada. Ana, no entanto, virou-se para Jace, o incômodo estampado no rosto.
— Jace — ela chamou, colocando a mão no braço dele. — Você não ia me contar sobre aquele filme?
Ele nem sequer olhou para ela.
— Depois — respondeu, sem tirar os olhos de mim.
Ana franziu a testa, mas não insistiu. Em vez disso, virou-se para Daniel, puxando-o para uma conversa sobre algo que eu não consegui ouvir.
— O que foi? — perguntei a Jace, baixinho, para que só ele ouvisse.
Ele sorriu, lento, como se estivesse saboreando o momento.
— Nada — respondeu, finalmente. — Só tava pensando no que você sonhou.
Meu coração deu um salto. Ele sabe. Ele sabe, e está brincando comigo.
— Não sei do que você tá falando — menti, mas minha voz tremia levemente.
— Claro que sabe. — Ele se inclinou ainda mais, tão perto que eu podia sentir o cheiro dele — aquele mesmo cheiro do sonho, de café e algo mais, algo que me fazia tremer. — E eu também.
Antes que eu pudesse responder, Ana interrompeu, colocando a mão no ombro dele.
— Jace, vamos pegar algo pra comer? — Ela olhou para mim, desafiadora. — Acho que a Dalia não tá com fome.
Jace finalmente tirou os olhos de mim, mas o sorriso permaneceu.
— Tô indo — respondeu, levantando-se.
Mas, antes de se afastar, seus dedos roçaram levemente nos meus, tão rápido que poderia ser um acidente. Só que não foi.
E, quando ele se virou, eu soube de uma coisa: aquilo não era coincidência. Não era brincadeira.
Fale com o autor