Nos Dê Uma Chance - Concluída
15 Na fazenda dos Benson's... - Parte final
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
— Acho que vai servir em você. — Marie me entregou um saco/embalagem de plástico lacrado, aonde tinha um maiô. — Comprei, mas nunca usei. — Minha nova amiga avisou.
— Obrigada! — Agradeci, abrindo o saco plástico. Retirei o maiô, era lindo.
Azul-celeste sem estampas, com o decote discreto, estilo costas nuas. Amei aquele maiô.
— Vou deixar você se trocando, e vou colocar o Hector para dormir. — Disse se levantando da cama.
— Okay. Você vai com a gente? — Perguntei.
— Sim. — Respondeu antes de sair do quarto.
Tranquei a porta e comecei a me despir, vesti o maiô e um short jeans azul-claro, desfiado. Calcei meus chinelos pretos e soltei meu cabelo, e saí do quarto.
As crianças estavam na sala, também iriam conosco para a cachoeira. Aaron, Brandon e Philiph estavam usando apenas bermudas de tecido fino, e logo o Benson apareceu trazendo uma cesta de vime. Diferente dos primos, o moreno vestia uma camiseta vermelha, para não ficar apenas de bermuda.
— Vamos logo, a gente quer brincar na lagoa. — Louis e o Lorenna falaram juntos.
O Freddie se aproximou e parou ao meu lado, olhei para cesta com curiosidade, com vontade de bisbilhotar.
— Preparei um piquenique para a gente! — Sorriu, parecia ter lido meus pensamentos.
— Que bom! — Retribuí o sorriso.
— Para aonde você pensa que vai usando isto? — Ouvimos a voz de Aaron soar incrédula.
Virei o rosto e olhei para aonde ele estava olhando, vimos a Bethanny descer as escadas. Ela estava usando um biquíni vermelho, na verdade era um micro-biquíni pra lá de vulgar junto com uma mini-saia jeans.
— Irmã minha não sai se exibindo por aí vestida como uma vagabunda! — Aaron a repreendeu, zangado.
— Ai, maninho, deixa de ser careta! — Empinou o nariz e terminou de descer desfilando/rebolando, e lançou um olhar e um sorriso malicioso para o Freddie.
Philiph estava de boca aberta quase babando, secando a prima. O Benson sequer fez o mesmo, desviou o olhar e sorriu para mim, parecendo um pouco desconfortável. Olhei mais uma vez para aquela caipira metida, e ela sorriu me provocando, pondo as mãos na cintura.
Não me intimidei, apesar dela ser mais alta que eu. Não podia negar, ela era toda linda, com aquele sorriso perfeito, a pele bronzeada, corpo de Miss Universo. E confesso, que no fundo, bem lá no fundo... Bethanny era mais atraente que eu e poderia roubar toda a atenção do Benson para sí. E aquilo de certa forma, não sei o porquê, me incomodava um pouquinho...
— Vamos, pessoal? — Marie apareceu quebrando com o clima quase tenso que se formava alí.
O Aaron estava bravo com a irmã, e esta não dava a mínima para a opinião dele. Philiph ainda continuava embasbacado, secando a prima, e o Brandon estava meio aéreo, como se tivesse sonhando acordado.
— Eba! Vamos, vamos. Quero ver os peixinhos. — Lorenna agarrou minha mão esquerda e o Louis agarrou minha outra mão.
As crianças saíram me puxando, quase me arrastando com elas. Estavam animadas, e eu acabei me contagiando com elas.
— TENHAM CUIDADO PARA NÃO DERRUBAREM ELA! Freddie gritou, os alertando, preocupado comigo.
[...]
Aquele lugar era um paraíso, tão lindo. Realmente, a natureza tem os seus encantos. A lagoa azul quase cristalina, podíamos ver a areia branquinha lá no fundo, os peixes de diversos tamanhos, belos animais. Havia árvores grandes que faziam sombras, flores silvestres de diversas cores, pedrinhas e algumas rochas de tamanho médio ao redor da lagoa.
As cascatas de água desciam em abundância, vindo da cachoeira, caíndo na lagoa de águas quase cristalinas. A vista era linda, impressionante. Tinha uma trilha para chegar lá no topo, uma longa subida para chegar lá em cima, no rochedo.
Marie tirou a tanga e a estendeu na sombra, debaixo de uma árvore. Seu marido, Aaron, se juntou a ela, eles também trouxeram uma cesta de piquenique.
Brandon e Philiph começaram a se alongar, e em seguida foram em direção a uma rocha. Subiram na grande pedra, e o primeiro a pular foi o Brandon. Philiph se jogou logo em seguida, dando um mergulho. Eles emergiram e gritaram animados, e começaram a jogar água um no outro.
Freddie estendeu uma toalha quadriculada, colorida debaixo de uma árvore também. As crianças estavam brincando, correndo perto da lagoa, perseguindo uma borboleta azul. O Benson colocou a cesta de vime sob a toalha, estava coberta com um guardanapo laranja por cima da tampa.
— O que achou daqui? — Perguntou quando sentamos na toalha, um ao lado do outro.
— Gostei. É lindo! — Respondi olhando ao meu redor.
As flores silvestres chamavam atenção por serem exóticas, por terem cores alegres e vivas. Podíamos ouvir o canto dos pássaros, a água da cachoeira caíndo. As risadas das crianças se divertindo. O vento soprava meu cabelo e trazia o frescor, o cheirinho de mato, de flores. O aroma da natureza, e estava sendo tão bom estar alí, desfrutando daquele lugar maravilhoso.
E a prima dele decidiu se exibir, bem alí na nossa frente. Tirou a saia devagar, a parte de baixo do biquíni era mesmo minúscula. Mexeu nos cabelos longos e ondulados, ajustou a parte de cima do biquíni e sorriu para o Freddie.
Philiph assobiou, batendo palmas, chamando a prima de sereia. Brandon não gostou de ver aquilo, e deu um tapa na cabeça do primo, dizendo para ele parar de secar a irmã dele.
Aaron e Brandon eram irmãos de Bethanny, a garota era a caçula e lógico que eles tinham ciúmes dela.
Ela mergulhou, e apareceu atrás de Philiph, o pegando de surpresa. Tentou afogá-lo, era uma brincadeira muito besta por sinal, revirei os olhos e desviei o olhar, focando nas crianças.
Louis e Lorenna corriam um atrás do outro, riam e gritavam. Estavam descalços, correndo por cima das pedrinhas. Ele estava de bermuda e ela usava um vestido amarelo.
— Eu trouxe protetor solar, quer que eu passe em você? — Freddie perguntou, mostrando um tubinho.
— Ah, não. Não precisa. — Recusei.
— Você tem a pele tão branquinha, faz mal ficar exposta ao sol. Sei que estamos na sombra agora, mas depois...
— Está bem. — O interrompi. — Me dá isso, deixa que eu passo. — Pedi o protetor solar.
Ele me entregou o tubinho/bisnaga, abri a tampa. Espremi uma boa quantidade nas mãos e comecei a espalhar pelo corpo. Passando nas pernas, coxas e braços. Também passei por meu busto, no rosto e devolvi o protetor solar a ele.
— Satisfeito? — Indaguei, voltando a sentar ao seu lado.
— Sim. — Sorriu. — Mas falta passar... — Hesitou um pouco. — Nas suas costas. — Disse por fim, falando acanhado.
— Ah, é mesmo... — Concordei, sem encará-lo.
— Se me permite, eu posso... ? — Abriu o tubinho.
Ponderei hesitante, não vi problema. Acabei permitindo, aquilo era para o bem da minha pele. Prendi o cabelo, fazendo um coque. E me acomodei, sentada ficando de costas pra ele. Senti suas mãos repousando nos meus ombros, tentei relaxar e aceitar suas mãos em contato com a minha pele.
Estremeci quando elas escorregaram por minhas costas, espalhando o protetor solar. Soltei a respiração que eu prendia, respirei fundo e expirei tentando manter a calma.
Fechei os punhos estremecendo com o seu contato, com medo de fechar os olhos. Temendo que a minha mente pudesse recriar o sofrimento e a dor de ser tocada contra a minha vontade.
Mesmo eu sabendo que o Freddie estava tocando em mim sem malícia, mas infelizmente eu sentia o meu estômago embrulhar, a repulsa e o medo tomarem conta de mim, pouco a pouco. Aquilo era uma tortura muito dolorosa, eu havia construído uma barreira protetora ao meu redor, e no momento estava desmoronando, sendo invadida, violada...
— Prontinho, agora pode relaxar, já acabei... — Sua voz me despertou.
Sobressaltei, como se eu tivesse acordado de um terrível pesadelo. E de certa forma, fora exatamente isto. Eu estava presa numa bolha de pensamentos, quase relembrando daquela maldita noite, dos piores momentos da minha vida.
Solucei alto, abraçando meus joelhos. Chorando em silêncio.
— Sam? Está tudo bem? — Perguntou tocando no meu ombro, preocupado.
Assenti, calada. Levantei depressa, enxugando as lágrimas. Resolvi brincar com as crianças, esquecer aquilo e ocupar a mente.
— Posso brincar com vocês? — Perguntei para os irmãos.
— Sim. Vamos fazer coroas de flores? — Lorenna pulou, empolgada.
— Não. Ela vai nos ajudar fazer barquinhos. — O garotinho quase gritou.
— Calma, não briguem. Faremos as coroas e os barquinhos. — Prometi.
— EBA!!! — Gritaram alegres, e correndo indo colher as flores e o material para fazer os barquinhos.
A Bethanny decidiu sair da água, saiu desfilando e torcendo o cabelo. Ajustou o bíquini, apertando os laços e foi para perto do Benson. Sentou ocupando o meu lugar, repousando uma mão na coxa direita dele, toda sorridente.
Eles começaram a conversar, e ela conseguiu lhe arrancar sorrisos e algumas risadas.
— SAM? — Lorenna gritou o meu nome, me chamando.
— Hãn? — Voltei minha atenção para as crianças.
— Essas servem? — Mostrou algumas flores vermelhas com pétalas em formato de coração, e outras amareladas, todas arrancadas com caules.
— Sim. — Confirmei. — Cadê o seu irmão? — Perguntei.
— Está pegando gravetos e cipó verde. — Respondeu. — Você sabe mesmo fazer barcos? — Questionou, curiosa.
— Não, mas vou tentar. — Sorri para ela.
[...]
Conseguimos fazer mini-jangadas, colocamos as cinco que fizemos para flutuar. Em seguida, usei as flores que a Lorenna pegou para fazer duas coroas, uma para mim e outra para ela. Não ficaram perfeitas, mas até que ficaram bonitinhas.
— Você está linda! — Elogiei colocando a coroa de flores amarelas na garotinha, enfeitando seus cabelos castanhos.
Me abaixei e ela pôs a coroa de flores vermelhas em mim, eu havia feito tranças laterais em nossos cabelos.
— Você também está bonita. — Beijou me rosto e me abraçou.
Sorri, retribuíndo o abraço. E chamei o Louis para ficar perto da gente, assim eu poderia ficar de olho nele, e evitar que ele entrasse sozinho na lagoa.
Me levantei, espanando a areia do meu short. Olhei para aonde o Benson estava, na sombra debaixo da árvore junto com a prima dele. Bethanny não parava de tagarelar, estava toda sorridente, tocando nele quase a todo instante.
— Querem tomar água, crianças? — Perguntei aos pequenos, que assentiram.
Deixei eles brincando e fui pegar uma garrafinha d'água, e Bethanny fechou o sorriso quando me aproximei.
Me abaixei ao lado do Benson e abri a cesta, peguei a garrafa e senti seu olhar sobre mim.
— Você ficou ainda mais linda com essa coroa de flores. — Me elogiou.
Não sei o que deu em mim, apenas decidi atuar. Eu estava fingindo que era namorada dele, certo? Então, eu precisava manter a mentira.
— Obrigada, baby. — Me aproximei beijando seu rosto, só para fazer raiva pra caipira oferecida.
Ele ficou corado e surpreso com o meu gesto, com certeza não esperava por aquilo.
Sorri para ele, fazendo carinho em seu rosto. Ele retribuiu o sorriso e tocou na minha trança, enrolando a ponta no dedo.
— As crianças estão com sede... — Murmurei desconcertada, me afastando.
Olhei para a Bethanny que me fuzilava, a garota estava ficando vermelha de raiva. Sorriu falsa e eu me levantei, indo levar a água para os pequenos.
[...]
P.O.V Do Freddie
— Vamos dar um mergulho? — Minha prima convidou e eu recusei. — Ah, você quem sabe, tô indo me refrescar. — Se levantou, se despiu da saia e correu para a lagoa.
Continuei observando a Sam, ela estava se divertindo e cuidando dos meus priminhos. Os pequenos adoraram ela, pelo visto a loira levava jeito com crianças.
Me levantei, tirei a camisa. Resolvi chamar a Sam para dar um mergulho comigo. Fui até eles, quando a loira me viu, desviou o olhar, evitando olhar para o meu corpo despido da cintura pra cima.
— Que tal vocês dois irem fazer um lanchinho com a Marie? — Apontei para a morena que estava chamando as crianças.
— JÁ ESTAMOS INDO, TIA! — Lorenna gritou, e os dois saíram correndo.
— Elas são crianças adoráveis... — Sam comentou, olhando para os próprios pés.
— Concordo. Então, quer dar um mergulho comigo? — Convidei.
Ela levantou o rosto e mordeu o lábio inferior, balançando a cabeça, negando...
— Por quê não? — Perguntei, me desanimando.
— Não sei nadar... — Respondeu baixinho, envergonhada.
— Eu posso te ensinar, se você quiser. — Sugeri.
— Hum, não sei, não... Deixa quieto, eu tô de boas! — Recusou.
— Ah, vamos lá, Sam? Prometo que não vou deixar você se afogar, confia em mim. Vai ser legal, eu posso te ensinar e você vai aprender rapidinho. — Tentei convencê-la.
— Tá bom. — Ela aceitou, ainda relutante.
Deu dois passos para trás e tirou o short, ficando apenas de maiô. Evitei encarar seu corpo, aquilo seria indelicado por minha parte, e eu a respeitava e não queria vê-la ainda mais constrangida.
Minutos depois...
— Me segura, me segura! — Pediu, se agarrando a mim, apertando os braços em volta do meu pescoço.
— Não tenha medo, eu não vou te soltar. Ainda estamos no raso. — Ri do seu desespero.
Abracei sua cintura, a levando para uma parte mais funda. A água já passava de nossas cinturas, e estava numa temperatura boa, refrescante.
— Relaxa, você está segura. Estou te segurando. — Tentei tranquiliza-lá, trazendo-a comigo para uma parte mais funda.
Nossos pés já não tocavam mais a areia, estávamos flutuando.
Ela estava tensa, temerosa e ainda mais agarrada a mim.
— Agora vamos mergulhar, ok? Se prepare, vou contar até três. Relaxe o corpo e confie em mim, jamais deixarei você se afogar. Vou puxá-la para baixo, não se desespere, apenas prenda a respiração e se permita mergulhar comigo. — Falei com calma.
— Okay. Confio em você. Estou pronta! — Avisou, olhando em meus olhos.
— Certo. 1, 2, 3...
Mergulhei, puxando-a comigo. Nossos corpos afundaram, segurei sua cintura com firmeza, voltamos para superfície, foi um mergulho tranquilo, ela sorriu alegre e me abraçou com força.
Sorri contagiado, ela estava feliz e eu também.
— Obrigada. Isso foi tão legal. — Agradeceu.
Suas pernas estavam ao meu redor, e só me dei conta que eu estava segurando suas coxas quando ela percebeu...
— Me leva para o raso. — Pediu, envergonhada, tirando as pernas da minha cintura.
— Desculpa, não foi minha intenção... — Rapidamente me desculpei.
— Não se preocupe, eu sei... — Murmurou, enquanto eu a levava para o raso.
Sam saiu da água, dizendo que ia se secar. Voltei para a sombra, fiquei a abservando. A loira subiu/escalou uma rocha, e sentou ali no topo. A pedra era ampla, de frente para a lagoa. Acho que devia ter uns 3 metros de altura.
Vi minha prima indo para lá, acho que ela estava tentando se aproximar e fazer amizade com a Puckett. Sorri satisfeito.
Deitei na toalha, aproveitando o ventinho e a sombra. Oh, coisa boa. Estava quase cochilando...
— AH, MEU DEUS! ELA CAIU! FREDDIE? — Me assustei com o grito da Marie. — A SAM CAIU NA ÁGUA! — Gritou apavorada.
Me levantei com um pulo, as crianças estavam gritando, assustadas. Corri, não vi Brandon e nem Philiph por perto, apenas avistei a Beth lá em cima, gritando o nome da loira.
Pulei na água, nadei e nadei o mais rápido possível. Para salvar a Sam que estava se afogando, vi a loira afundando, mergulhei indo pegá-la...
Minutos depois...
Depositei seu corpo no chão, eu estava desesperado tentando-o reanimá-la.
— Sam, Sam, abra os olhos, por favor. — Implorei fazendo os primeiros procedimentos, iniciando os primeiros-socorros.
Massageei seu peito, abri sua boca e fiz respiração boca-a-boca. Pressionei as palmas das mãos contra o seu peito, repetindo a massagem, fiz a respiração boca-a-boca de novo. Fiz a terceira tentativa, ela finalmente abriu os olhos e cuspiu toda água que havia engulido.
Respirei aliviado, agradecendo a Deus.
Ela começou a tossir, sentada na areia. Seus rosto estava vermelho e ela respirava ofegante, meus primos estavam ao nosso redor, todos preocupados com ela.
— Ela escorregou e caiu, e eu não pude fazer nada, me desculpe... — Beth chorava, sendo consolada por Philiph.
— Brandon e eu estávamos pegando amoras silvestres quando ouvimos os gritos. — Philiph explicou.
Lorenna e Louis ainda choravam, ambos estavam agarrados a Sam.
Foi um susto e tanto, me senti culpado. Eu poderia ter evitado, poderia ter sido bem pior e se ela... Ah, Deus! Não queria nem imaginar a possibilidade...
— Como você está? Sente alguma dor? — Marie acariciou o ventre da loira.
— Não sinto dor. Estou bem, não se preocupe. — Respondeu com a voz baixa.
— Venham conosco crianças, ela precisa respirar. — Aaron chamou os gêmeos.
Eles se afastaram, ajudei a Sam se levantar, a peguei no colo e a levei para a sombra, pondo-a sentada em cima da toalha.
— Tive tanto medo... — A abracei com cuidado, acariciando seu cabelo molhado. — Como isso aconteceu? — Perguntei a soltando.
— Escorreguei e caí na água... — Murmurou, sem me olhar. — Quero ir embora! — Pediu.
— Sinto muito. Eu deveria ter cuidado de você, poderia ter evitado...
— A culpa não foi sua. Você me salvou, serei eternamente grata por isso... — Seus olhos estavam marejados, ela fez carinho no meu rosto. Beijei sua testa, abraçando-a novamente.
[...]
P.O.V Da Sam
— Eu não escorreguei, foi a Bethanny que me empurrou. — Desabafei com a Marie.
Eu estava tremendo de raiva, com vontade de esganar aquela garota. O que ela fez foi maldade, com a intenção de me machucar. Aquela garota me odiava e estava querendo se livrar de mim. Que droga! Ganhei uma rival, e eu não ia deixar ela passar a perna em mim, ah, não ia mesmo...
— Acredito em você. Minha cunhada é uma cobra, nunca gostei dela. Toma cuidado, pois ela é capaz de tudo para tomar o Freddie de você. — Me alertou.
— Percebi. — Bufei e tirei o short.
— Você devia contar a verdade pra ele. — A morena me aconselhou.
— Você acha mesmo que ele vai acreditar? Vai ser minha palavra contra a dela, Marie. Bethanny é prima dele, e é lógico que ele iria acreditar nela. — Falei com raiva.
— Só acho que você deveria contar, ele precisa saber. Você tem que desmascarar aquela garota! — Disse indo até a porta.
— Não, Marie. Prefiro deixar quieto por enquanto, se Bethanny tentar me atingir novamente. Ela vai se arrepender. — Falei decidida.
— Tudo bem, então... Se cuida, vou dar uma olhada no Hector, e tomar banho. Nos vemos no jantar. — Se despediu.
Horas depois, às 19h:13min...
Vesti uma calça legging verde-escuro por baixo do vestido cinza com mangas compridas. Pendurei a toalha no suporte, fechei a minha mala e saí do banheiro.
O Benson estava no quarto, terminando de se arrumar. Ele estava engraçado usando suéter e calça de moletom.
— Anda logo, estou faminta. — O apressei.
— Só um minuto, estou terminando de arrumar o meu topete. — Avisou.
Revirei os olhos, sentei na cama. Olhei para as minhas botas marrons e fiquei balançando as pernas, impaciente.
— Vamos, Srta. Apressada? — Me chamou.
— Até que enfim. — Levantei.
Fomos para a sala de jantar, quase todos estavam alí, exceto a nojenta da prima dele.
— Boa noite! — Sorri sendo simpática, todos me cumprimentaram.
Freddie puxou a cadeira para mim, sentei agradecendo pela gentileza. Ele sentou ao meu lado, ficamos do lado esquerdo da mesa.
— Você devia ser cavalheiro igual o seu primo. — Marie reclamou com o Aaron.
Ele revirei os olhos e ignorou a esposa. As crianças riram, o pequeno Hector estava no bebê conforto, ao lado da mãe, em cima de uma cadeira.
A mesa estava posta, o cheiro delicioso de comida quentinha e caseira preenchia o lugar.
— Cadê aquela garota? — Vovô Connor perguntou, reclamando.
— Calma, meu velho. A menina já deve estar descendo para jantar. — Vovó Margareth disse com tranquilidade.
— Boa noite, família linda. — Ouvimos aquela vozinha irritante.
Bethanny apareceu sorridente, e Philiph rapidamente se levantou para puxar a cadeira pra ela. Ela estava maquiada, usando um vestido rosa rodado, botas de salto e casaquinho. Com o cabelo solto jogado de um lado só, e usava um chapéu preto, fechando o look de fazendeira charmosa.
Patética. Sentou de frente para o Freddie, e vovó Margareth iniciou a oração de agradecimento.
—... Senhor Deus, agradecemos pela comida, amém. — Finalizamos a oração.
Começamos a nos servir, peguei um grande prato branco de porcelana com desenho de florzinhas azuis na borda. Enchi o prato, coloquei um pouco de cordeiro assado com molho, purê de batata e arroz. Depois peguei uma tigela, me servir do ensopado de carneiro com pão caseiro, tomei dois copos de suco de amora. Provei da sobremesa, que era uma deliciosa torta de maçã com calda de frutas vermelhas e também comi duas mini-tortinhas de limão.
Tudo estava uma delícia, comida caseira era a melhor do mundo.
Depois do jantar fomos lá para a varanda, outra mesa estava posta com aperitivos, licor e cervejas. Connor, Aaron e Brandon começaram a tocar violão, cantando algumas músicas Country desconhecidas por mim.
Eles eram afinados, cantavam super bem. Gostei de ouví-los tocar e cantar.
Vovó Margareth ficou lá sala com as crianças, fazendo tricô. Marie havia subido para colocar o bebê para dormir.
— Agora é a nossa vez. — Bethanny tomou o violão do irmão e entregou para o Philiph.
O rapaz começou a tocar os primeiros acordes, e a metida soltou a voz iniciando a música. Fazendo um dueto com o primo, reconheci a música...
Era Need You Now de Lady Antebellum.
A nojenta não tirava os olhos do Freddie, cantava dando o melhor de sí. Fazendo de tudo para impressioná-lo, enfeitiçá-lo com sua voz doce e cheia de melodia.
Finalizaram a música, o Freddie aplaudiu elogiando os primos. Eu sequer descruzei os braços...
— Você toca muito bem. — Sorri para Philiph.
— Obrigado, garota bonita da cidade. — Agradeceu com seu charmoso sotaque sulista.
— Quer um pouco de chá com mel, querida? — Franny me ofereceu.
— Sim. — Aceitei.
A mulher baixinha e gorduchinha me entregou uma xícara com pires, me serviu um pouco de chá.
Adocei pondo meia colher de mel, e agradeci. O Freddie estava tomando licor de ameixa.
[...]
P.O.V Do Freddie
A Sam subiu para o quarto e eu a acompanhei. Ela estava um pouco sonolenta e cansada, a deixei descansando e decidi dar uma volta, tomar um ar puro. Fui lá pra fora sozinho, andei por alguns minutos.
Na volta avistei o celeiro, a luz estava acesa. Por curiosidade resolvi entrar alí, abri as portas-duplas e adentrei, e me deparei com a minha prima.
— Sabia que você não ia demorar... — Sorriu.
Ela estava usando um robe vermelho, fiquei confuso com o seu comentário.
— Arrumei o nosso ninho de amor, o vinho está do jeito que você gosta. — Sorriu maliciosa.
Olhei para o chão forrado, havia um cobertor vermelho e um balde de alumínio com uma garrafa de vinho e duas taças, ao lado do mesmo.
— O que você...
Me calei quando ela abriu o robe, deixando-o deslizar e cair aos seus pés. Ela estava nua, bem alí na minha frente.
— Senti tanto a sua falta, amor. — Se aproximou.
Virei o rosto, fechando os olhos.
— Se cubra. — Mandei.
— O que foi? — Se pendurou, abraçando meu pescoço. — Algum problema? — Perguntou, manhosa.
— Você está ficando louca, Bethanny? — Quase gritei, chocado com as suas investidas.
— Por quê? Não estou te entendendo. Você está diferente, me evitando desde quando chegou... Olhe para mim, me toque, me beije, me faça sua... — Implorou.
— Sou eu que não estou entendendo você. — Falei, afastando-a e lhe dei as costas.
Bethanny me agarrou por trás e começou a chorar.
— Por quê está me evitando, Freddie? Eu não me importo se você tem outra mulher na sua vida, é a mim que você pertence. Me diz, por quê está me rejeitando? Estamos aqui, no nosso lugarzinho especial... Foi aqui que você me beijou pela primeira vez, e foi aqui que me tornei mulher em seus braços... — Me apertou, chorando cada vez mais. — Nos amamos várias vezes, você sempre foi e continua sendo o amor da minha vida. E eu sei que você também...
— EU NÃO SEI DO QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO! — Gritei exasperado, tirando seus braços que estavam ao meu redor. — Eu nunca te toquei. Eu sequer cheguei a te desejar como mulher! — Me virei pra ela, olhando em seus olhos.
— Isso não é verdade, Freddie... — Soluçou alto.
— Sinto muito, mas o Edward te enganou se passando por mim. — Constatei o pior, lamentando por ela.
— Não, não, não... Eu me recuso a acreditar. — Balançou a cabeça.
— Foi o meu irmão quem te seduziu. — Falei a verdade.
— Não. Eu saberia... Era você... Por quê está mentindo? VOCÊ NÃO VAI SE LIVRAR DE MIM TÃO CEDO! — Gritou apontando para mim.
— Juro que estou falando a verdade, Beth.
Ela se recusou a acreditar, e se jogou pra cima de mim. Caí por cima dos amontoados de feno, com ela por cima de mim.
— Beth, eu... — Ela grudou nossos lábios, me calando.
Fiquei sem reação, chocado com a sua ousadia.
Ouvi as portas-duplas baterem, a tirei de cima de mim e levantei depressa. Alguém havia entrado alí e saiu no mesmo instante...
Saí do celeiro, ignorando os seus chamados. Avistei a Sam, ela estava indo embora com os passos apressados, corri atrás dela.
— Sam? — Alcancei a loira, e consegui detê-la.
— Me solta! — Praticamente rosnou. — Não se preocupe, não contarei a ninguém. — Disse ríspida.
— Eu posso explicar, não é nada disso que você está pensando. — Garanti.
— Explicar o quê? Eu vi! Pensei que você fosse diferente. Infelizmente me enganei. VOCÊ NÃO PASSA DE UM CANALHA QUE TEM UM CASO COM A PRÓPRIA PRIMA! — Gritou, enojada.
— Isso não é verdade. Foi ela que me beijou. Por favor, acredita em mim. — Pedi.
— Ela estava nua em cima de você. Vocês estavam se beijando. Eu vi, e agora você está negando tudo? — Ela estava alterada, me olhando raivosa.
— Por favor, vamos entrar. Lá dentro eu te explico tudo! — Me aproximei e ela recuou.
— Não é da minha conta. Você não me deve satisfações, Benson! — Bufou e passou as mãos no cabelo.
— Mas eu só quero que você entenda... O que você viu no celeiro não é o que parece. Eu nunca teria um caso com a minha prima. — Tentei explicar.
— Vou entrar, não quero saber de nada. — Disse me dando as costas.
— Ela foi mais uma vítima do Edward, ele a enganou, a seduziu se passando por mim. — Contei a verdade.
Ela parou de andar e se virou, me olhando incrédula. Eu ainda estava horrorizado com aquilo, o meu irmão realmente não tinha escrúpulos.
— Sim, é a pura verdade. — Suspirei e tomei coragem para dizer algo que eu estava guardando só pra mim. — Eu nunca desejei a Beth... É você que eu quero. Você é a única mulher que eu desejo. Quero que saiba que estou apaixonado por você, e que estou disposto a lutar para conseguir o seu amor! — Confessei, me declarando.
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