Notas iniciais
Hey, pessoal!!! Aqui está mais um capítulo de NDUC. Acho que teremos apenas mais 6 capítulos incluindo o epílogo. Boa leitura!!!

P.O.V Da Sam

Chegamos no horário marcado, seus pais estavam à nossa espera. Leonard Benson que atendeu a porta, Freddie havia herdado a beleza e a simpatia do pai. Sua mãe levantou do sofá, e veio nos cumprimentar, seu marido já tinha tirado a tigela do mousse das minhas mãos. Ela deu um abraço demorado e apertado no filho, enchendo o rosto do Freddie de beijos.

Quando veio me cumprimentar, pareceu hesitante, mantendo um sorriso forçado no rosto, semelhante à uma careta de desagrado. Me deu um rápido beijo no rosto e se afastou esfregando as mãos.

— Quem bom recebê-los em casa, filho. Poderiam ter nos visitado mais vezes, não era para terem dado tanta importância para a sua mãe naquela noite, Marissa foi muito hostil e já conversamos sobre isso. — Sr. Benson disse para nós.

Eu vi sinceridade e compaixão em seu olhar, o senhor de cabelos meio grisalhos e olhos castanhos havia me recebido de braços abertos, diferente da esposa que parecia ter chupado um limão.

Ela olhava para a minha barriga abismada, como se tivesse diante de algo estranho e incomum. Aquilo não me agradou nenhum pouco.

— Já está de quantos meses? — Ela sequer piscava, parecia vidrada na minha barriga, me causando desconforto.

Freddie passou os braços ao meu redor, percebendo o meu estado.

— Vou completar 7 meses daqui à 5 dias. — Respondi com simplicidade.

Seus lábios rosados e cintilantes se retorceram num sorriso torto, eu sabia que ela não gostava nenhum pouco da ideia de ser avó.

— Já sabem o sexo, querida? — Meu sogro perguntou, curioso

Eram mesmo meus sogros, o que ainda era estranho para mim. E infelizmente eu teria lidar com o fato de que minha sogra não simpatizava nenhum pouco comigo.

— É uma menina, pai! — Freddie respondeu por mim, exalando orgulho e felicidade.

Sua mãe piscou atônica, e depois andou para trás como se tivesse sofrido um baque e tanto.

— Eu sempre quis uma garotinha para mimar, vou amar paparicar minha netinha. — Seu pai ficou emocionado.

Meu namorado sorriu, seu pai nos envolveu num abraço inesperado.

— Desejo tudo de bom, que ela venha com muita saúde. E felicidades ao casal. — Nos parabenizou.

— Obrigada. — Agradeci.

Nunca senti um abraço paterno, e aquilo foi o mais próximo que senti de um... Seu pai estava feliz por nós, e ser aceita por meu sogro me deixou alegre.

— Escolheram o nome? — Sua esposa sequer se moveu do lugar, ainda parecia pasma e baqueada com tal revelação.

O que se passava na cabeça dela?

— Sim, nossa garotinha se chamará Alice. — Eu disse orgulhosa, acariciando minha barriga.

— É um nome muito bonito, não acha Marissa? — Sr. Benson passou um braço ao redor da mulher.

— Sim. — Ela concordou, pensativa.

Me limitei a sorrir, Freddie segurou minha mão. Eu ainda me sentia um pouco tensa.

— Vamos nos acomodar, daqui à pouco o jantar será servido. — Seu pai indicou os sofás cor de creme.

— Com licença, vou ver se não esqueci nenhum preparo. Dispensei a Margott. Fiz tudo com carinho sabendo que viria jantar conosco, filho. — Marissa sorriu.

É claro que ela não dava à minha para minha presença.

— Obrigado, mãe. — Sorriu afagando minhas costas.

— Eu ajudo a senhora. — Me ofereci para ir até a cozinha com ela.

— Que gentileza sua, Samira. — Forçou mais um sorriso.

— Samantha. Meu nome é Samantha. — A corrigi e por alguns segundos ela pareceu desconcertada.

— Me desculpe. — Murmurou.

— Sem problemas. — Deixei pra lá.

Então, fomos para a cozinha deixando os homens à sós na sala de estar. Eles deveriam ter muitos assuntos. Eu sabia o quanto o Freddie sentia falta de conversar com eles, principalmente com o pai.

[...]

— Só para deixar claro, eu não queria ter vindo. Sei que não sou bem-vinda nessa casa pela senhora. Gostei do seu marido, ele é um homem muito gentil. Só estou aqui pelo Freddie. — Fui franca.

— Que bom que seja franca, Samantha. Também não queria que tivesse vindo, só estou te aceitando em minha casa por amor ao meu filho. — Esclareceu também.

— A senhora não me conhece, por quê me julga como se eu fosse uma qualquer? — Eu não entendia.

— Olhe para você, tão nova, aparenta ser uma moça simples e ingênua, mas de longe vejo outra coisa. Meu Freddie que é ingênuo, não acredito que tenha caído nesse golpe. — Olhou enojada para a minha barriga.

A criança que eu carregava não tinha o DNA do Freddie, no entanto, ainda era neta dela. Tinha o sangue do Edward.

— Não é golpe nenhum, minha senhora. Querendo ou não, minha filha é sua neta. Disso pode ter certeza. — Afirmei.

Ela riu desdenhosa tirando uma travessa do forno. O cheiro de pernil assado preencheu o ambiente com seu aroma delicioso.

— Acha mesmo que não vou solicitar o teste de DNA? — Me encarou cheia de si.

Meu sangue gelou em minhas veias.

— Nossa, você ficou até pálida. — Deixou a travessa sobre a bancada e retirou as luvas.

O ar me faltou por alguns segundos e eu senti minhas pernas ficando bambas.

Ela ia saber que não era do Freddie. Não adiantava levar aquela mentira adiante.

— Sente-se. — Por incrível que pareça, me ajudou a sentar na cadeira mais próxima. — Mentira têm pernas curtas, não é? Por isso se sente mal por quê vai ser descoberta toda essa sua patifaria? — Ainda tinha o tom acusatório.

Meus olhos arderam, pisquei contra as lágrimas se formando.

Odiava ser julgada e chamada de mentirosa.

— A senhora está certa sobre uma coisa... — Minha voz embargou. Um caroço se formou em minha garganta. — Não é do Freddie... É do seu filho Edward. — Cuspi a verdade de forma amarga.

A elegante mulher me olhou chocada.

— Como ousa enganar meu filho? Coitado do meu Freddie, ele não...

— Ele sabe. Ele mesmo quis assumir. Acha que eu queria empurrar essa criança para ele? Não, eu nunca quis. Sequer desejei essa gravidez. — Mágoa e raiva se misturavam.

— Não estou entendendo... — Me olhava intrigada e até mesmo assustada.

— Esse bebê é fruto de um estupro... — Falar sobre aquilo doía.

Mas como era a avó, ela tinha o direito de saber.

Comecei a chorar, pondo tudo para fora.

— Meu Ed não faria isso... — Se recusou a acreditar.

— Sinto muito, mas essa é a verdade... — Lamentei.

Verdades machucam.

Só Deus sabia o que se passava na cabeça daquela mãe.

A imagem do filho amado e perfeito com certeza estava se desfazendo aos poucos.

— Pensei em abortar, mas Freddie e minha amiga, Carly, me fizeram mudar de ideia... Nem sei mesmo se teria coragem para... — Solucei.

— Não... O meu Ed não... Ele jamais...

— Pergunte ao Freddie se não acredita. Eu aceito o teste de DNA. É sua neta. Sei que é difícil para a...

— Oh, Deus! — Desabou de joelhos.

— Me pergunto todos os dias, por quê Deus permitiu isso? Por quê isso deveria estar nos planos Dele? Só acontece não, é? Eu só...

— Por favor, não fale mais nada... — Implorou chorando.

— Não me odeie, a culpa não foi minha... — Escondi meu rosto entre as mãos.

Ela não disse mais nada, apenas ficou ali aos prantos, remoendo tudo aquilo. Fui um grande peso tirado das costas. Continuar com aquela mentira só complicaria mais as coisas.

Eu não precisava ter vergonha, a culpa não foi minha. Eu era vítima ali. Por isso decidi contar toda a verdade a ela.

Notas finais
E aí??? O que acharam da bomba que a Sam jogou no colo da Marissa??? Cedo ou tarde, a verdade viria à tona, né??? Até o próximo. Bjs