Nos Dê Uma Chance - Concluída
37 O ensaio: Sessão especial
Notas iniciais
P.O.V Do Freddie
Quando cheguei na cozinha com meu pai, encontramos mamãe e Sam chorando. Ficamos confusos, ver as duas mulheres que mais amo na vida aos prantos apertou o meu coração, meu pai foi de encontro com a minha mãe, no intuito de ampará-la. Ela levantou com a ajuda dele e me encarou.
— Seu irmão fez algo terrível... E você sabia... Como pôde esconder isso de nós, Freddie? — Estava indignada.
Logo entendi que Sam havia jogado a verdade em cima dela.
Meu pai me olhou sem compreender nada.
Sam continuava de cabeça baixa, encostada na bancada da cozinha. Ainda atordoado com aquilo, fui para o lado dela.
— Eu precisava contar... Ela tinha que saber... — Me encarou, como se estivesse lamentando.
— Está tudo bem, Sam, você fez o certo... — A abracei de lado.
— Alguém pode me dizer o que está acontecendo? — Meu pai quis saber.
— Edward fez algo imperdoável com essa moça, Leonard... A criança que ela espera não é do Freddie, é do Ed... Ele a violentou... Nosso filho é um estuprador... — Mamãe explicou para o meu pai.
Meu pai recebeu a notícia ruim como um grande baque... Seu semblante me deixou preocupado. Ele tinha pressão alta e não podia ficar nervoso por causa da idade, era melhor evitar abalos e estresses.
Ficou calado, digerindo tudo que ouviu saindo da boca da esposa. Minha mãe chorava desconsolada.
Como pais, eles deviam estar completamente arrasados.
— Você sabia o tempo todo, Freddward? — Sua pergunta saiu em voz baixa.
— Sim, pai... Sinto muito. — Lamentei.
— Não devia ter protegido o seu irmão, muito menos ter omitido algo tão grave de nós, somos os seus pais! — Se enfureceu e com razão.
— Não estava protegendo ele, minha única preocupação era a Sam e o bebê. O que eu podia fazer? Ela não quis denunciá-lo, estava com vergonha e assustada, não podemos julgá-la por isso! — Expliquei.
— Meu filho está doente, precisando de tratamento, a gente teria o ajudado! Freddie, como pôde esconder isto de...
— Mãe, pai, ele sempre foi problemático e vocês achavam que era normal, uma fase de rebeldia! Acontece que essa fase nunca chegou ao fim! Edward já é adulto e continua assim, ele é impulsivo, e emocionalmente instável, e vocês nunca tentaram entendê-lo, e sequer levaram ao psicólogo! — Retruquei dizendo o que estava entalado há anos.
— Está nos dizendo que seu irmão é louco e a culpa é nossa? — Meu pai ficou pasmo.
Mamãe me olhou horrorizada.
— Edward foi abusado quando criança, essa é a verdade. Nada justifica seus atos, não culpo vocês! Eu me culpo por nunca ter dito isso antes, mas ele me fez prometer nunca falar para ninguém... Falhei como irmão, me sinto culpado por não ter feito o que era certo... — Cuspi o que tanto me sufocava por dentro.
E novamente mamãe foi ao chão, caindo de joelhos. Meu pai ficou ali em choque... Sam apertava o rosto contra meu peito, molhando minha camisa, os soluços abafados.
— Não cabe a mim dizer como tudo aconteceu ou quem o machucou... Já falei demais. Me perdoem, mas agora preciso levar minha namorada pra casa, espero que procurem o Edward para esclarecer as coisas. — Eu disse triste, minha voz saiu embargada.
Eu também estava sofrendo com tudo aquilo.
[...]
P.O.V Da Sam
— Me desculpe, não foi minha intenção estragar o jantar, mas a sua mãe estava... — Me calei, eu não queria deixá-lo mais chateado.
O clima pesou entre os Benson.
— Pode falar, o que a minha mãe estava fazendo? — Indagou enquanto dirigia, as mãos másculas apertavam o volante.
— Me acusando de dar o golpe da barriga em você, ela achava que eu era uma interesseira sem escrúpulos, e deixou claro que iria exigir o teste de DNA para comprovar que a bebê é mesmo a sua filha, eu quase entrei em pânico, Freddie... Foi então, que contei toda a verdade. — Expliquei a ele.
Meu namorado apenas assentiu, em silêncio.
— Lamento por causar um clima ruim na causa dos seus pais, eu não...
— Você já se desculpou, e não precisa fazer isso, você fez o que era certo. Uma hora a verdade viria à tona, não se preocupe com isso. Você precisa descansar, essa noite foi intensa... Você ainda está nervosa, fique calma e não se preocupe mais com isso. — Tentou me tranquilizar.
— Você é bom demais para mim, Freddie. Tenho medo de acordar e ver que tudo isso entre nós não passa de uma ilusão... A ideia de te perder é dolorosa demais, eu não consigo mais imaginar minha vida sem você. — Me abri com ele, sendo sincera.
— Como é bom ouvir isso, Sam. À cada dia que passa, eu me vejo mais apaixonado por você. — Pegou minha mão e depositou um beijo.
Sorri feliz com suas palavras e seu gesto carinhoso.
— Quando chegarmos em casa, prometo recompensar por mais um jantar que foi um fracasso. — Eu queria beijá-lo, e no entanto, não podia tirar sua concentração ao volante.
[...]
Retirei a roupa e toda a maquiagem leve que passei, vesti um conjunto de moletom do estilo "manchadinho", ele era azul, roxo e rosa-bebê. Fiz um coque no cabelo e fui para a cozinha, fazer algo gostoso e prático para o jantar.
Freddie não aparentava estar chateado, acho que nossa conversa no carro o deixou feliz. Falar sobre meus sentimentos em relação a ele, me fez sentir bem, porque era tão verdadeiro e natural.
Eu estava me apaixonando por Freddie Benson.
Filé de frango com molho de laranja e salada de batata com cenoura era uma boa opção, algo leve e simples. Eu já tinha plano para depois do jantar...
— Me diz que guardou um pouco daquela sobremesa. — Começou a pegar pratos e talheres.
— O suficiente para três porções, podemos comer com aquela geléia de ameixas caseira. — Falei.
— Alice terá a melhor mãe cozinheira do mundo. — Ele não perdia tempo em me elogiar.
— Ela também terá o pai mais babão, um pai coruja que vai passar o dia todo fotografando ela. — Comentei risonha.
— Vou mesmo. — Concordou.
— Sobre o ensaio fotográfico que você queria fazer comigo, eu pensei e já tenho minha resposta. — Toquei no assunto.
Ele me olhou ansioso e curioso.
— Minha resposta é 'Sim'. — Eu disse para a sua felicidade.
— É sério, amor? — Seus olhos brilharam e eu assenti.
[...]
No dia seguinte...
P.O.V Do Freddie
Sam estava conversando com a mãe ao telefone, percebi que aquela ligação estava a deixando um pouco agitada. Fui para o Stúdio improvisado que montei em casa, começando a preparar tudo para a nossa sessão de fotos.
A ideia era deixar a Sam o mais confortável possível.
Arrumei a iluminação, puffs liláses e mantas brancas faziam parte do cenário. Posicionei a poltrona cor de creme no centro, enfeitando o Stúdio com bichinhos de pelúcia e uma boneca de pano que eu havia comprado para a bebê.
Sam apareceu já vestida para a sessão, estava linda, porém, havia preocupação em seu semblante.
— Aconteceu alguma coisa com sua mãe? — Perguntei deixando a câmera de lado.
— Não, ela está ótima. — Foi rápida ao me responder.
— O que houve, então? — Me aproximei.
— Melanie quer me ver, ela quer conversar comigo, sei muito bem o que ela está querendo esclarecer... — Bufou.
— Você não precisa ir visitá-la se não quiser. — Afaguei seus ombros.
— Eu tenho que ir e encerrar com esse assunto, precisamos nos entender. Fugir da coisa não vai me fazer sentir melhor... Não se preocupe comigo, Freddie. — Tocou meu rosto, fazendo carinho.
— Como quiser, anjo. — Lhe dei um selinho terno.
— O que eu tenho que fazer? — Se afastou sorrindo, olhando para o Stúdio decorado.
— Consegue agir como uma mamãe feliz e ansiosa pela chegada de seu bebê? — Peguei a câmera para dar os últimos ajustes.
— Ansiedade não me falta. — Sorriu para mim.
— Você pode interagir com todos os elementos ao redor, fique à vontade. — Avisei.
— Como estou? Esse vestido não está me deixando um balão? — Brincou.
— Você está perfeita. A grávida mais linda desse Mundo. — Levantei um joinha para ela.
Sam riu, sua risada contagiante ecoando.
Ela usava vestido amarelo clarinho, soltinho, um pouco curto na frente e ele era longo atrás, o comprimento da parte frontal chegava um pouco abaixo dos joelhos.
Um pequeno e discreto decote valorizando o busto farto. O tecido macio e sedoso realçava sua barriga avantajada, se ajustando no volume.
Seus cachos soltos caiam pelas costas e ombros, cheios e definidos. Ela havia modelado as madeixas douradas. Seu rosto parecia iluminado, as bochechas rosadas e os lábios avermelhados, num tom clarinho.
Sam estava maravilhosa para a sessão de fotos.
Peguei a coroa de flores de Orquídea roxa que havia separado, e fui até ela enfeitando seu cabelo.
— Perfeita. — Dei um passo atrás contemplando sua imagem.
[...]
O ensaio fotográfico ocorreu tudo bem, Sam relaxou e foi se soltando, ela ficou linda e bem natural em todas as fotos.
Interagiu com os bichinhos de pelúcia e com a boneca.
Amei vê-la alegre, os olhos azuis brilhantes e o sorriso mais lindo que já vi... Era como um anjo num vestido amarelo suave, usando coroa de flores.
As fotos reveladas iriam direto para o álbum com o book intitulado 'Mamãe'.
Aqueles momentos especiais ficariam eternizados.
Sam já havia trocado de roupa, ela estava ali distraída quando capturei o momento, fora do Stúdio, perto da janela do quarto.
Eu só mostraria aquela foto após revelada e emoldurada, de todas as outras, aquela era a minha preferida.
Fale com o autor