Nos Dê Uma Chance - Concluída
39 Noite mágica
Notas iniciais
P.O.V Do Freddie
Quando chegamos à feira de comes e bebes, prendas e artesanatos, Sam me puxou afobada, segurando minha mão com firmeza. Parecia uma garotinha alegre com alguma novidade, a feira estava animada, movimentada. Famílias, amigos, casais jovens e pessoas de todos os estilos, e idades variadas. Era uma festividade, da primeira vez que visitamos, Sam ficou completamente encantada.
Espaço amplo e iluminado, com barracas e tendas de todos os tamanhos. Mesas e cadeiras postas, banquinhos e acomodações cobertas por lonas coloridas. Era normal chover em Seattle durante à noite. Morávamos na cidade da chuva.
Um grupo de crianças passou por nós segurando balões e Algodão doce.
— Deveríamos vir mais vezes. — Ela parou de andar para olhar ao nosso redor.
— Claro, quando Alice nascer e tiver grandinha, vai amar esse lugar. — Sorri.
— Para onde quer ir agora? — Perguntei.
— Nas tendas de prendas, podemos comer depois e por último fazer compras. — Sugeriu.
— Como quiser. — Concordei.
A loira contente, saiu me puxando para uma tenda onde os prêmios eram apenas bichinhos de pelúcias.

— Boa noite. Querem testar a sorte, casal? — Um senhor distribuía as fichas.
— Boa noite. Me veja duas rodadas de fichas. — Pedi.
Ele nos atendeu com simpatia, Sam recebeu as fichas dela, se posicionando para acertar o alvo, o objetivo era acertar os coelhinhos eletrônicos que saiam da toca, onde teríamos que acertá-los com cenouras de brinquedo.
Uma. Duas. Três. Quatro... Cinco cenouras passaram raspando.
Eu ri quando ela se voltou para mim, indignada.
— Esses coelhinhos... Urgh! — Gruniu.
— Relaxa, dá licença, minha vez. — Peguei uma das cenouras.
Sam se manteve distante, arregacei as mangas. Comecei a me concentrar, o primeiro coelhinho eletrônico colocou a cabeça para fora da toca, mirei e arremessei.
Na terceira chance, acertei de cheio. Gastei as fichas restantes, finalizando com mais um acerto.
— Aqui estão seus prêmios, senhor. — O dono da prenda nos entregou um coelhinho lilás e um patinho amarelo de pelúcia.
— Obrigado. — Agradeci.
Minutos depois...
— Cuidado. — Alertei a Sam que teimou querer ir numa barraca de tiro ao alvo.
— Não se preocupe e se afasta, não quero te acertar com essa coisa. — Ajeitou a espingarda.
Os patos "voando" eram os alvos da vez.
Sam estava com aquela barriga saliente, de vestido e segurando uma espingarda carregada com balas de festim, eu não sabia se ficava desesperado ou admirado...
O primeiro disparo me fez sobressaltar.
Nunca vi tanta habilidade, ela sabia como usar aquela espingarda.
Meu queixo quase foi ao chão junto com os patinhos de papelão que ela acertou.
— Você têm uma excelente mira, moça. — O rapaz que tomava conta da tenda, apanhou os prêmios da Sam.
— Obrigada. Foram meses frequentando a Caçada. O irmão da minha amiga nos levava para participar dos jogos. — Sorriu nostálgica.
Ela recebeu sacola com os prêmios.
— Que Caçada? — Perguntei quando nos afastamos dali.
O rapaz que não devia ter mais de 18 anos, havia ficado de olho nela.
— Sério que nunca foi ao galpão de jogos perto do lixão? Lá funciona como Play Center, o Spencer costumava me levar. — Contou.
— Quêm é Spencer? Irmão da sua amiga? — Senti uma pontada de ciúmes.
— Sim. Sinto falta dele. — Respondeu triste.
— Você gosta dele? — Fiquei incomodado.
— Gostava. Ele era como um irmão... Nós o perdemos numa tragédia. — Todo o meu ciúme e o incômodo foram para o ralo.
Spencer já não estava mais entre nós...
— Sinto muito. — Eu quis me dar um soco na cara.
Sam me olhou com os olhos marejados, emocionada.
— Acho que ele está orgulhoso de mim. — Fungou.
— Com certeza deve estar. — Como não ter orgulho dela?
A abracei e depositei um beijo em sua cabeça.
[...]
P.O.V Da Sam
— Quero espetinhos de frutas. — Puxei Freddie para uma das barracas de quitutes.
— Uau! Para onde vai tanta comida? Já comeu churros, sanduíches, bolo com sorvete, guisado de pato, sopa de tomate, bolinhos de carangueijo, espetinho de carne suína, presuntos artesanais, queijo trufado e agora quer provar espetinho de frutas? — Perguntou surpreso.
— Foi uma provinha de cada. Não foi um prato cheio. Além do mais, temos que provar antes de comprar, certo? — Pisquei.
Freddie carregava as sacolas com os prêmios e as compras que fizemos.
Paramos na barraquinha. Duas moças estavam atendendo. O cheiro doce de chocolate me chamava. Quando vi os morangos vermelhinhos e suculentos nas bandejas quase salivei.
— Boa noite. — As saudei.
— Boa noite. Escolham à vontade. — Nos entregou uma bandeja.
Espetinhos trufados caseiros.
O Benson pegou um de abacaxi, escolhi o meu de olho nos morangos cobertos por chocolate. Ele pagou e nos acomodamos numa das mesas redondas postas ali.
— Se divertindo? — Indagou.
— Muito. Gosto da energia desse lugar. — Olhei ao nosso redor.
Eu só via alegria, sorrisos, pessoas admirando tudo, se divertindo.
Um casal passou, o pai empurrando o carrinho, com a mulher ao lado, ela carregava uma bolsa de bebê.
Não pude deixar de sorrir.
Adolescentes. Crianças. Idosos.
Namorados. Casados. Talvez amantes estavam desfrutando da feira festiva.
— Boa noite, posso ter um minuto da atenção do casal? — Um rapaz hippie nos abordou.
— Claro. — Respondeu Freddie e eu assenti.
— Sou Miguel e trabalho com arte, na verdade vivo da arte. Posso fazer uma demonstração para vocês? — Deixou a mochila de lã sobre a mesinha.
— Pode. — Respondi.
— Estão vendo essa pedaço fino de metal? — Mostrou o metal liso. Assentimos. — Posso retorcê-lo transformando numa obra de arte, vou fazer um enfeite. Agora me digam um nome. Um amigo, um parente, um ente querido, talvez alguém que se foi, alguém que seja especial. Que ambos amam. — Pediu.
— Alice. — Respondemos na mesma sintonia e nos encaramos, surpresos.
— Muito bem. Agora vejam, prestem atenção. — Miguel começou a retorcer o pedaço de metal.
Aos poucos e com uma habilidade incrível, vimos o nome da nossa bebê ser formado diante dos nossos olhos.
— Tudo certo? — Mostrou o nome esculpido.
Letras bonitas, formadas em dobramentos.
— E agora para finalizar, o que querem? Uma letra musical, uma estrela ou um coração? — Questionou.
— Coração. — Respondi.
O artista de rua retorceu o restante do metal desenhando um coração e fez um apoio para finalizar o enfeite.
— Alice com um coração ao lado. Suponho que seja o nome da bebê. — Sorriu olhando para minha barriga.
— Quanto custa? — Freddie sacou a carteira.
— É uma obra de arte, uma paixão, não dou preço, irmão. Aceito o que o senhor quiser pagar pelo meu trabalho. — Era humilde.
Miguel recebeu 20 dólares feliz da vida.
— Deus vai abençoar vocês. — Guardou o dinheiro. — Esse anjo que vai nascer só trará alegria. — Disse pegando a mochila.
Eu estava encantada, arrepiada e emocionada.
Vimos ele partir. Olhei para o enfeite nas mãos do Freddie.
— Miguel é nome de anjo. — Comentou.
Nos encaramos.
— Ouvi dizer que Deus envia pessoas que podem representar anjos em nossas vidas. — Falei.
— Alice será o anjo que vai trazer paz e amor para nossas vidas. — Sorriu para mim.
Eu também acreditava naquilo.
Aquela noite foi mágica, encerramos com muitos beijos e carinhos.
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