Nos Dê Uma Chance - Concluída
40 Georgia - Parte 1
Notas iniciais
Dias depois...
P.O.V Da Sam
— Já conversei com o tio Thomas e a tia Sandra, eles já estão ansiosos por nossa chegada. Eu costumava passar as férias na Georgia, eles não têm um rancho como a sua família, mas possuem um pequeno sítio, tio Thomas gosta de pescar no laguinho, é um lugar bonito, tenho só boas lembranças de lá, com eles. — Fechei a mala.
— Gosto de lugares tranquilos como o campo, por isso costumava passar as férias na fazenda dos meus avós. Vai ser mesmo bom passar um tempo com seus tios, longe de todo o caos daqui de Seattle, sei que é importante para você, que precisa dar um tempo... — Freddie já havia aprontado a mala dele.
— Liguei para o Centro de Apoio ontem à tarde, avisei que vou me ausentar por um tempo, sei que você e a Carly só querem o meu bem e que acham importante que eu deva continuar frequentando, mas não estou mais me sentindo bem lá, por um tempo foi bom para mim, recebi a ajuda que estava precisando, conheci pessoas boas que são um exemplo de força e superação, e fui acolhida por todas as mulheres ali, no entanto, eu pensei muito e tomei minha decisão, vou me ausentar, não estou abandonando o Centro de Apoio, irei voltar quando Alice nascer, provavelmente quando ela tiver maiorzinha, enfim, quando eu estiver pronta para enfrentar tudo novamente. — Expliquei a ele.
— Tudo bem, Sam, faça o que acha melhor para você. Se quer mesmo dar esse tempo, estarei sempre aqui para te apoiar. Só quero que se sinta bem, Carly e eu vamos sempre apoiar suas decisões, porque nós dois te amamos e você nunca estará sozinha, amor. — Disse tudo que eu precisava ouvir.
— Obrigada! — O Abracei.
Seus braços calorosos me envolveram. Fechei os olhos repousando a lateral do rosto em seu peito, sentindo as batidas de seu coração.
Freddie era meu porto seguro. Ali nos seus braços, eu me sentia protegida, cuidada e amada.
[...]
Chegamos na Georgia ao anoitecer, tio Thomas estava nos aguardando no aeroporto, apesar da idade, com seus 66 anos, continuava sendo um homem forte e ativo, a alegria em pessoa.
Nos ajudou com nossas bagagens, quando tudo foi colocado no porta-malas, entramos na sua velha Pick-Up amarela, meu tio costumava tingir o carro, mudando a cor todos os anos, quando eu tinha 15 anos, ele me ensinou a dirigir.
— Sua tia preparou um jantar especial, filha. — Ele sempre me chamou daquela forma tão terna e afetuosa.
Era a minha figura paterna, meu pai abandonou minha mãe quando descobriu da gravidez, tio Thomas procurou minha mãe assim que soube que ela esperava filhas gêmeas, sendo o irmão mais velho do meu pai, ele decidiu ajudar, e se tornou uma figura paterna para mim e Melanie.
E sua mulher, tia Sandra, sempre nos recebeu de braços abertos, nunca se deu bem com minha mãe, elas se estranhavam, tinham seus motivos, embora eu nunca tenha me envolvido, muito menos a Mel.
Quando a Melanie foi mandada para um colégio interno aos 13 anos, fiquei com nossa mãe em Seattle, foi quando Pam começou a beber, saindo com muitos homens, eu a vi se decaindo, pouco à pouco, se afundando naquela vida deprimente, envolvida com cigarros, bebidas, sexo descontrolado, deixou de ser uma mãe...
Se tornou uma mulher vulgar e hostil.
Acho que esse era um dos motivos dos quais a mulher do meu tio nunca tenha gostado da minha mãe.
Assim que chegamos ao sítio, uma paz interior se instalou em mim. Lembranças maravilhosas tomaram conta da minha mente.
Eu me sentia em casa mais uma vez, depois de anos.
[...]
P.O.V Do Freddie
Os portões de madeira do sítio foram abertos, o que na verdade, era uma porteira simples. O senhor simpático de cabelos bem grisalhos desceu da Pick-Up, uma senhora usando um vestido se aproximou sorridente para nos recepcionar.
— Sejam muito bem-vindos. — Abriu os braços, Sam foi ao encontro da tia, emocionada.
— Como é bom ver a senhora. Senti sua falta. — Devolveu o abraço.
Fiquei ali parado ao lado do seu tio, sorrindo feliz por saber que Sam tinha duas pessoas da família que a amavam e que se importavam com ela.
— Você deve ser o Freddie. Como vai, rapaz? — Dona Sandra veio me cumprimentar.
— Vou bem e a senhora? — Fui apertar sua mão e ela me puxou para um abraço.
— Estou radiante por vocês. Obrigada por cuidar da nossa menina, Sam não entregaria o coração para qualquer um, você deve ser muito especial. Estamos felizes por terem vindo, a casa é simples, mas cabe todo mundo. Vamos entrar, está frio aqui fora. — Me soltou e apertou o xale no corpo.
Fiquei até sem palavras, apenas sorri e assenti. Sam veio para o meu lado, segurando minha mão.
— Eu disse que eles iriam gostar de você. — Sussurrou.
A casa de sítio era acolhedora, o piso feito de pedra lisa, tijolos vermelhos e retoques de madeira, assim como as amplas janelas talhadas. A lareira se encontrava acesa.
Quando nos conduziram até o quarto de visitas, nos deparamos com tudo organizado para nós, Sam sentou na cama e passou a mão sobre a colcha feita de retalhos, sorriu parecendo em pura nostalgia, eu sabia que ela estava cansada por conta da longa viagem.
— Eu sempre dormi na cama de solteiro, que fica no quarto ao lado... — Comentou. — Nunca pensei que um dia ficaria nesse quarto de casal. — Vi suas bochechas ganhando cor.
— Pensei que seus tios nos colocaria em quartos separados. — Sorri passando a mão na nuca.
Ela deitou na cama rindo.
— Eles acreditam que tecnicamente somos casados já que moramos juntos e eu estou grávida... — Disse após alguns minutos em silêncio.
— Não pretende esclarecer as coisas? — Sentei para retirar os sapatos.
— Não. Quero poupá-los da verdade, seria um baque e tanto, tio Thomas é cardíaco. — Explicou.
— Entendo. — Ela se preocupava muito com eles.
O jantar foi bem tranquilo, dona Sandra tinha preparado uma torta de frango com batata e a sobremesa favorita da sobrinha. Sam não parava de sorrir, estava muito contente e a felicidade dela era a minha.
Quando deitamos na cama de casal, Sam se acomodou ao meu lado, a barriga que crescia cada vez mais, já estava a impedindo de dormir em algumas posições, ela só conseguia ficar de lado, abraçando um travesseiro com as pernas.
Peguei no sono, acordei no meio da madrugada sentindo ela se virar na cama, estava acordada e inquieta.
— Tá sentindo alguma coisa? — Logo me despertei, preocupado.
— Estou bem. É só a minha bexiga frouxa, volte a dormir. — Disse com calma.
— Tem certeza? — Toquei seu ombro.
— Tenho, Freddie, desculpe, não queria te acordar... — Disse em voz baixa.
Logo ela adormeceu, fiquei acordado até o sono chegar novamente.
[...]
No dia seguinte...
P.O.V Da Sam
— Não temos chuveiro elétrico, como percebeu ontem. — Falei para o Freddie.
— Sem problemas, um banho frio é bom para despertar. — Tirou a camiseta.
Toda vez que eu o via daquele jeito, algo se aquecia dentro de mim, o coração chegava a disparar.
Levantei, me aproximei e virei de costas, a camisola soltinha e confortável tinha um laço atrás.
— Tem certeza? — Entendeu aonde eu queria chegar.
— Já conversamos sobre isso. — Eu estava tranquila.
Senti suas mãos no laço, o desfazendo. Ergui os braços para que ele pudesse erguer minha camisola. Quando enfim seminua, segui com ele para o banheiro.
— Sabonete artesanal. — Mostrei a barrinha vermelha em formato redondo. — Tia Sandra me ensinou a fazer. — Comecei a passar em seu peitoral.
Seus olhos estavam fixos no meu rosto.
— Respire. — Brinquei porque ele sequer se movia.
— Oh... — Deixou escapar uma risada.
— Ai, Freddie, nós já... Você já me tocou. Está tudo bem. — Fiz mais espuma espalhando por seu peito.
Ele tinha pêlinhos. Eu gostava de passar a mão por ali.
— É que... Você é tão linda, tão delicada... — Uma das mãos molhadas repousou em minhas costas.
— Me beije. — Pedi.
[...]
— Seu tio me convidou para pescar. — Ele parecia animado.
— Boa sorte. — Desejei.
— Vou pescar o nosso almoço. — Beijou minha cabeça.
— Pega um grandão. — Sorri.
Quando Freddie saiu com o meu tio indo para o lago, tia Sandra me convidou para ver a plantação de morangos.
— Como se conheceram? — Perguntou enquanto andávamos lado à lado.
— Carly nos apresentou. — Não deixava de ser verdade.
— Ela é uma boa amiga... Eu sempre quis ter filhos, netos, quando soubemos que viriam e que estava grávida, seu tio e eu ficamos muito felizes. Se precisarem de ajuda com a bebê, podem contar com a gente. — Ela era a melhor tia que eu poderia ter.
— Obrigada, tia, Sandra. — Agradeci.
— Que bom que tenha encontrado o amor, que Deus os abençoem, Sam. — Sorriu parando de andar.
— Oh, tia, muito obrigada por tudo. — A abracei.
Era realmente bom estar de volta.
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