Nos Dê Uma Chance - Concluída
43 Erros: Nossa culpa
Notas iniciais
Dias depois...
P.O.V Da Sam
— Você fez o quê? — Perguntei chocada.
— Eu o perfurei com o furador de gelo, ele veio para cima de mim, estava enlouquecido, tive que agir por letígima defesa. — Melanie chorava apavorada.
— Você acha que ele... — Espanto e incredulidade estavam expressos nos olhos do Freddie... — Você acha que ele... — Enguliu em seco, nem conseguia falar a palavra que tanto soava medonha.
Edward podia estar morto. É claro que Freddie se importava, era seu irmão apesar de tudo.
— Não, ele não morreu... — Abriu a bolsa e tirou o celular dali. — Ele têm me ligado, eu não atendo, mas ele sempre deixa uma mensagem na minha caixa postal. — Desbloqueou o aparelho com as mãos trêmulas e abriu uma das mensagens recebidas.
— Tive alta hoje, você poderia ter me matado se caso atingisse algum órgão, tive sorte, muita sorte... — Riu. — Passei por uma pequena cirurgia, os médicos disseram que vou me recuperar logo, que eu só preciso ficar em repouso, voltarei para Seattle em breve. Ainda termos um assunto pendente, amor. Beijos. — Encerrou a mensagem de voz.
— Ele vai vir atrás de mim... — Começou a soluçar. — Edward deve estar querendo vingança, ele vai me matar... Eu não queria que as coisas tivessem chegado nesse ponto. Tudo que fiz foi pensando na Alice, eu só queria mantê-lo afastado de vocês. — Estava muito abalada.
Freddie lhe serviu um copo d'água com açúcar.
— Você o ama, sei que tentou fazer o bem, proteger minha filha, mas isto não muda o fato de que você ama aquele desgraçado! — Eu disse enojada.
Ela apertou o copo e me olhou magoada, triste e arrependida.
— Vocês não conhecem o Ed que eu conheci em Manhathan. Ele têm um lado bom, gentil e amável, o Ed me amava e...
— ELE NUNCA VAI TE AMAR! COLOCA NA SUA CABEÇA QUE ELE NUNCA TE AMOU! ESSE HOMEM SÓ SENTE O PRAZER DE TE ILUDIR, DE SE DIVERTIR COM VOCÊ! — Perdi a calma, já estava farta daquilo.
Mesmo apesar de tudo, ela ainda o defendia?
— Sei que está magoada e com raiva, Sam. Você têm razão, eu me envolvi e me apaixonei pelo homem que... Eu sinto muito... Irmã, eu me odeio por isso... — Levantou trêmula.
Melanie entregou o copo para o Freddie, ele estava calado, ouvia tudo sem se intrometer.
— Espero que um dia possa me perdoar. — Seus olhos estavam cristalinos e avermelhados.
— Espero que um dia você possa deixá-lo de amar. — Retruquei com amargura.
Minha irmã me encarou com pesar, eu sabia que ela estava sofrendo. Mas nada mudava os fatos de que ela ainda nutria sentimentos por ele.
— Tome cuidado, Melanie. Meu irmão é instável, não sabemos do que ele é capaz de fazer. Fique em casa, mantenha o celular por perto, chame a polícia ou nos ligue se ele aparecer. — Freddie assim como eu, também estava preocupado.
— Está bem. — Ela assentiu.
Ajeitou a bolsa, a encarei sem ter mais nada para falar. Melanie caminhou até à porta com passos vagarosos, cambaleou e parou de andar, parecia zonza.
— Está passando mal? — Freddie se apressou em acudí-la.
— É só uma vertigem, vou ficar bem. Não tenho comido e nem dormido direito. — Explicou.
— Posso te levar se você quiser. — Ofereceu uma carona.
— Não precisa, não se incomode com isso, fica aqui com a Sam, ela precisa de você. — Falou com voz embargada.
Meu namorado a soltou, ele tinha segurado ela. Me olhou preocupado, tenso. Eu estava bem, quem estava passando mal era Melanie.
— O Freddie te leva, vá com ele. Deviam passar na farmárcia mais próxima, se eu fosse você, faria um teste de gravidez. — Falei séria.
[...]
P.O.V Da Melanie
— Obrigada pela carona, você é muito gentil. — Sorri para o meu cunhado.
Sam tinha muita sorte, ele era um bom homem.
— Disponha. Ligue se precisar de qualquer coisa. — Disse me deixando em frente ao prédio.
— Tchau. — Me despedi, ele abriu um pequeno sorriso e acenou antes de se afastar.
Eu entrei sentindo o meu corpo pesar, minha cabeça doía. Passei pela portaria apressada, peguei o elevador. A sacola em minha mão continha 3 caixinhas leves, no momento pareciam pesar toneladas.
Por favor, Deus, não permita que seja verdade.
Cheguei no meu apartamento, meu estômago embrulhou assim que passei pela porta. Ânsia subiu pela garganta, no entanto, a bile desceu e o vômito não veio.
Flashes daquela noite se repetiam em minha cabeça.
Droga. Droga. Droga.
Rumei para o banheiro aos tropeços, meus olhos ardendo, eu segurava o choro... O arrependimento vindo antecipado.
Parei diante da pequena pia, encarei meu reflexo no espelho.
Culpada. Culpada. Culpada.
Minhas mãos tremiam e suavam. Abri a sacola e derramei as caixinhas sobre a pia enxuta. Um de cada marca diferente.
Eu precisava reunir coragem e fazer logo de uma vez. Respirei fundo e tentei me acalmar.
[...]
Três testes de gravidez positivos, sentei sobre a tampa do vaso. Me sentia nauseada e tonta, a culpa me massacrando com força.
Como eu pude ser capaz?
Levantei e lavei o rosto, o choro entalado em minha garganta.
Por quê? Por quê? Por quê?
Toquei na minha barriga, ainda lisa, mas tinha uma vida se formando dentro de mim.
Um ser inocente que não tinha culpa dos meus erros.
Saí do banheiro me sentindo péssima, só havia uma coisa certa a se fazer.
Ligar para ele.
Apanhei meu celular na bolsa, sentei na cama.
Ele atendeu no terceiro toquei.
— Oi, Mel. — A voz gentil e melódica soou do outro lado da linha.
— Preciso te ver... Tenho algo para contar. É importante. — Eu disse.
— Tô meio ocupado agora... Pode ser mais tarde? Posso te encontrar na hora do almoço, de noite não será possível. — Avisou.
— É, pode ser... Te vejo no seu intervalo, naquele restaurante, certo? — Indaguei.
— Certo, combinado. — Nos despedimos e eu desliguei.
Ela jamais iria me perdoar.
Esperei numa ansiedade e com um nervosismo imenso. Tomei banho e me arrumei, já estava quase na hora. Eu precisava vê-lo. Contar sobre a gravidez.
Cheguei no restaurante ali perto do seu trabalho, alguns minutinhos adiantada. Bebericava meu chá gelado, nada mais descia. A sineta tocou. Era um simples restaurante com comida caseira, arejado e charmoso para encontros.
O avistei entrando, como não reparar com seu porte chamativo?
Sua altura. Seu corpo grande. Seu sorriso cativante.
Os olhos iluminados cravaram em mim.
Eu estava sentada ao lado da vidraça, o mesmo lugar que ocupamos quando almoçamos pela primeira vez.
Ele se aproximou sem tirar o doce sorriso do rosto.
— Já faz tempo que chegou? — Ocupou a cadeira à minha frente.
— Uns 15 minutos. — Respondi.
— Chá gelado? Não iríamos almoçar? — Indagou.
— Estou sem fome. — Falei.
— Hum... O que houve, Mel? — Percebeu que eu não estava bem.
— Tô passando mal... São sintomas de virose, acontece que não estou doente. Fiz testes de farmácia. Deram positivo. — Eu sequer enrolei.
— Deram positivo? Olha, Melanie...
— Não é dele. Sei que não é dele. — Eu falei convicta.
Olhos esverdeados me encararam, ele respirou fundo.
— Você têm mesmo certeza? Foi só uma vez... Aquela noite nós...
— Não usamos camisinha. — Ressaltei. — Não tô pedindo pra assumir... Eu não queria que tivesse acontecido... — Meus olhos marejaram.
— Melanie, eu só... — Estava desconcertado.
— Eu sei, Gibby! Eu sei... A Carly nunca vai nos perdoar... — Comecei a chorar.
Eu havia saído com o namorado da melhor amiga da minha irmã. Carly também era minha amiga.
Flashback on...
— Eu gostava de você naquela época, você me dava cada fora, só porque eu era gordinho... Você não quis ir ao baile comigo. — Relembrou.
Estávamos jantando juntos. Havíamos nos encontrado por acaso. Carly tinha viajado para Yakima.
— Você não fazia o meu tipo, não tinha a ver com o fato do seu peso. Eu só saía com garotos inteligentes, nerds não, mas o tipo de caras inteligentes e esnobes que eram membros de clubes de Matemática e Química Avançada. — Nós rimos.
— Eu era realmente muito à fim de você. — Me encarou.
— Sei disso... — Senti meu rosto arder.
Gibby sempre foi fofo e engraçado.
Quando voltei para Seattle, o encontrei mudado. Havia emagrecido um pouco, estava bem mais alto, com o corpo largo, tonificado, braços enormes e musculosos.
Os olhos verdes-escuros e o sorriso cativante eram um charme à parte.
— Você me dá uma carona? — Perguntei.
— Mas é claro. — Sorriu simpático.
Chegamos no prédio, ele subiu comigo me acompanhando. Aquilo foi um erro de ambas as partes.
[...]
— Você é linda demais, Melanie... — Deitou na cama comigo em cima de seu corpo semi-despido.
— Serei sua essa noite... Toda sua. — Tirei o sutiã.
— Claro... É meu nome que você vai gemer... — Virou nossos corpos e puxou minha calcinha depressa.
Perdemos nossa cabeça, ambos dopados de desejo. Cegos de luxúria.
Apenas uma única noite. Nos entregamos. Nos tornamos amantes no calor do momento.
— Vou tomar uma ducha rápida. — Saiu da cama.
Tudo foi intenso demais.
Levantei enrolada no lençol, os pensamentos ainda entorpecidos.
Agimos por impulsos.
Já era tarde demais para voltar atrás, seus fluídos escorriam molhando o interior de minhas coxas. Não usamos camisinha. Em todas às vezes que nos entregamos naquela noite até chegarmos em plena exaustão, Gibby havia gozado dentro de mim.
Flashback off...
— Não se sinta culpada, você não o fez sozinha. Vou assumir minha responsabilidade. — Estava falando sério.
Não podia ser do Edward. A gente sempre tomava cuidado. E quando me afastei dele, parei de tomar as pílulas, as contas batiam. O bebê no meu ventre só podia ser do Gibson.
E pelas minhas contas, eu tinha a certeza.
— Já estou com mais de 1 mês. Pensei que tivesse atrasado por tanto estresse, eu parei de tomar pílulas, eu tomava para regular minha menstruação. Se fosse do Ed, eu não estaria aqui. — Expliquei mais calma.
— Sei disso. Vou conversar com a Carly. Vai ser complicado, mas é o jeito. — Suspirou.
— Eu não queria te causar problemas. Você a ama. — Aquilo era verdade.
— Mas eu a traí, Melanie. Passei uma noite com você. — Disse derrotado.
Eu não era a única arrependida.
Não foi uma transa. Foram mais de uma em apenas uma noite.
Eu nem estava mais com o Edward.
— Vou assumir o bebê, não se preocupe. — Me tranquilizou.
— Obrigada, Gibby. — Agradeci.
Nunca pensei que um erro nosso traria uma grande consequência.
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