Nos Dê Uma Chance - Concluída
29 Decepção
Notas iniciais
P.O.V Da Melanie
— O que foi? Quêm ligou? — Ed perguntou.
— O seu irmão, a Sam escorregou no banheiro... — Comecei a chorar.
— Ela está bem? — Se aproximou hesitante.
— Ela está sendo atendida, preciso ir vê-la, o Freddie está desesperado. — Coloquei o celular na bolsa e apanhei um casaco no gancho ao lado da porta.
— Vou com você! — Se prontificou.
— Não! De jeito nenhum! — Recusei, ele só iria piorar as coisas.
— Não posso deixar o meu irmão na mão. Acha que eu não me importo com ele? Sei o que fiz, Melanie. E não me orgulho nenhum pouco! — Afirmou.
— Mas, Ed, é melhor...
— É minha filha! — Ele se alterou. — Tenho o direito de...
— Não! Você não tem! O Freddie está com a minha irmã e ele vai registrar a bebê. Já assumiu a responsabilidade desde o dia em que se comprometeu, ele está ajudando a Sam, e eles estão felizes, você não vai estragar as coisas... Fica aqui, prometo te ligar, está bem? — O olhei suplicante.
— Está bem. — Concordou contrariado. — Por você. — Suspirou.
— Promete que não vai exigir nada? Sei que é o pai biológico, e...
— Sei o que meu irmão está fazendo, ele finalmente vai ter o que é meu... — Murmurou como se tivesse sido derrotado.
— O quê? — O olhei sem entender.
— Nada. Vai lá, amor. — Sentou no sofá, percebi um pontada de tristeza em seu tom.
Impressão minha ou ele deu a entender que havia alguma desavença entre eles? Por quê o Freddie iria querer algo que era dele? Seria para dá o troco? Mas por quê?
Me apressei para pegar um táxi. À caminho da clínica particular, comecei a rezar por minha irmã. Fiquei pensando o tempo todo nela e na minha sobrinha.
[...]
— Obrigado por ter vindo! — Ainda era estranho ficar cara a cara com o meu cunhado.
— Não precisa me agradecer. Eu que agradeço por ter me avisado. — Demos um aperto de mão.
Carly também estava na sala de espera, ela estava chorando enquanto era consolada pelo namorado, Gibby. Assim que me viu, ela correu para me abraçar.
— Mel, que bom que veio, meu Deus, ninguém dá notícias, a Sam... — Começou a soluçar e não conseguiu terminar a frase.
— Ela é forte, sei que vai ficar bem, elas vão ficar bem... — Meus olhos arderam.
Se ela perdesse a bebê... Não, não... Deus não permitiria.
— Sua mãe está à caminho! — Freddie contou.
Cumprimentei o Gibby. Ele parecia mais alto e maduro com a barba bem feita. Me deu apenas um sorriso fraco...
Ele tinha sido o menino gordinho e desajeitado que eu tinha rejeitado no passado, no baile do oitavo ano.
Eu era muito idiota e superficial, só ligava para a aparência e o magoei muito quando ele me convidou para o baile.
— Alguém quer café? — Se prontificou.
Balancei a cabeça.
— Não, amor. — Carly também recusou.
Freddie estava ao telefone. Ele até se afastou para ter mais privacidade. Quêm poderia ser?
[...]
P.O.V Da Sam
— Corro riscos, doutora? — Minha voz saiu rouca e embargada.
— Não se preocupe, a bebê está bem. Não ouve sangramento e já fiz todos os exames precisos, pode ficar tranquila. Já pode se vestir, querida. — Sua voz amável e serena logo me tranquilizou.
Ela anotou mais alguma coisa no prontuário e sorriu para mim.
Assenti me sentindo um pouco mais relaxada e levantei da maca apropriada. Eu não corria nenhum risco. Minha garotinha estava bem. Agradeci a Deus mentalmente por aquilo.
Me troquei atrás do biombo e apanhei minha bolsa. Fora o susto e toda a agonia, e o medo que senti, as minhas nádegas ainda se encontravam doloridas por conta da queda. Foi o que evitou o pior, eu não bati a barriga e nem caí de mau jeito.
— Nos vemos no dia 8, está bem? — Marcou mais um exame, já seria o sexto exame de pré-natal.
— Está bem. — Concordei. Eu já me sentia mais confiante e confortável. A Dra. Dawson além de simpática, era uma excelente profissional.
Ela não sabia do estupro, eu deveria ter contado, o assunto era doloroso demais, eu também sentia uma imensa vergonha... Preferi ocultar.
— Doutora? — Olhei para ela apreensiva, tinha uma dúvida.
— Pois não? Pode falar, querida. — Me incentivou.
— Será que vou conseguir ter parto normal? — Eu não sabia o que era mais assustador e tudo aquilo me apavorava.
— Você prefere uma cesariana? — Perguntou com calma, ela tinha um jeito tão maternal.
— Qual é o melhor? — Indaguei, receosa.
— Seu corpo vai dizer na hora, às vezes nem sempre acontece como planejamos. Já tive que fazer muitos partos com cesarianas de última hora. Não é você quem decide, o bebê e o seu corpo irão decidir qual forma será melhor. Mas não se preocupe com isso agora. — Voltou a me tranquilizar.
— Obrigada. — Agradeci a ela por sanar minhas dúvidas.
Nos despedimos e eu saí de seu consultório com um imenso alívio.
[...]
Freddie, Carly, Gibby, Melanie e até a minha mãe estavam me aguardando preocupados. Imediatamente fiquei emocionada, todos ali se importavam comigo e com a Alice
Alice Claire era o nome que Freddie e eu escolhemos juntos. Ele escolheu Alice, e eu optei por Claire. Até que combinava e soava bem.
Alice Claire Puckett Benson.
O Freddie só podia ser um anjo que surgiu em minha vida. Deus botou ele em meu caminho.
Se eu acreditava em destino? Talvez... Os nossos caminhos se cruzaram por algo trágico que acabou nos unindo
— Oh, Sam... — Seus braços fortes me envolveram.
Fechei os olhos inalando seu perfume. O toque amadeirado junto com o aroma cítrico de seu sabonete me confortaram junto ao seu calor e toque familiar.
— Estamos bem. — Passei as mãos por suas costas, dando carinho
— Graças a Deus! — Soltou um suspiro de alívio.
Ele me soltou relutante e logo recebi mais carinho. Mamãe e Melanie me abraçaram, ambas emocionadas. Carly chorava e Gibby sorria para mim
Eu estava feliz. Meus amigos e minha família estavam ali e isso incluia o Benson, que já era parte da família...
[...]
— O quê? Olha não foi nada fácil, Brad. A minha vida mudou, cara... — Freddie falava ao telefone.
Não queria ficar ali escutando a conversa. Ele estava no pequeno escritório que montou em casa. Eu ia chamá-lo para jantar e estaquei quando vi a porta entreaberta.
— Não tenho tempo, sério... Aham, eu sei e já te expliquei... Você acha que planejei? Claro que não! Agora não sei, cara... Tenho dinheiro de sobra. Comprei a casa. Vou registrar o bebê do irresponsável do Ed. Ah, ela nem sonha.. Eu não podia deixar a garota desemparada... Agora já era! Aham, comprei e mandei reformar. Coitada... Me deu dó... Prometi para a amiga dela. Eu tinha que fazer algo. Se fosse o seu irmão, você também iria fazer o mesmo... Uma hora eu me entendo com o Ed. Mamãe e papai nem sonham com a merda que ele fez... — Aquilo bastou para mim.
Abri a porta e ele largou o celular com o susto que tomou. O aparelho caiu no chão acarpetado.
— Sou um fardo na sua vida, Freddie? — Um nó se formou em minha garganta.
— Sam, você ouviu... Eu posso explicar... Não, você não é... Só me escuta, eu...
— Já ouvi o suficiente! — Dei meia-volta e saí dali.
Ele estava fazendo tudo aquilo por pura pena. Como pude acreditar que ele sentia algo por mim?
Freddie não era quem eu pensava. E o pior de tudo, estava fazendo aquilo para limpar a barra do irmão como se pudesse consertar as coisas...
— Por favor, Sam, me deixa explicar... — Me alcançou e segurou meu braço
— TIRA AS MÃOS DE MIM! — Gritei exasperada
Olhei para ele com raiva. Comecei a sentir ânsia.
— Nunca pedi a sua ajuda! — Apontei o dedo para ele. — Minha filha e eu não precisamos da sua pena! — Deixei bem claro.
Eu queria socar ele. Gritar. Mas eu não podia passar nervoso... Respirei fundo.
— Não é bem assim, no começo eu... Mas agora... Não queria, juro por Deus... Daí meus sentimentos por você... — Ele era incapaz de completar uma frase, nada fazia sentido, estava atropelando as palavras.
Ri com degosto.
— Se aproximou por pena e depois se apaixonou por mim? Olha, eu já vi esse clichê. — Debochei. — E quer saber? Eu odeio clichês! — Lhe dei as costas e apressei os passos.
— Você vai embora? — Sua voz saiu muito rouca. Ele estava chorando.
— Não! A casa é minha, não é mesmo? Está tudo no meu nome. Você é rico, ouvi que tem dinheiro de sobra. Você tem até amanhã para ir embora. Não precisa registrar a minha filha, ela não precisa de um pai! Você só está fazendo isso por quê sente pena de mim, não é? — Perguntei chorando.
— Não. Eu realmente gosto de você, Sam! — Afirmou me encarando.
— Eu não acredito, você está mentindo! — Falei.
— Eu te amo, por favor, acredite em mim! — Seus olhos estavam marejados, desviei o olhar, eu não queria encará-lo.
— Então, prove. — Sussurrei sem ter coragem de levantar o olhar.
— Me dê uma chance, por favor, apenas nos dê uma chance! — Implorou. — Podemos recomeçar do zero... — Seus olhos castanhos e marejados imploravam.
Fale com o autor