Nos Dê Uma Chance - Concluída
6 Coisas do destino...
Notas iniciais
P.O.V Do Freddie
Fiquei esperando sua resposta, cada segundo que passava diminuía as poucas gotas de esperança que eu possuía. De certo, ela com certeza não iria aceitar, eu estava esperando sua resposta negativa depois dos longos segundos que se passaram quase lentamente. Ela abaixou a cabeça quebrando nosso contato visual, fiquei observando-a num silêncio absoluto.
— Eu tenho escolhas? — Sua voz soou baixa e estrangulada. Como se ela tivesse prendendo algo, e eu sabia muito bem que ela estava segurando o choro.
Eu jamais a obrigaria fazer algo que ela não quisesse, tudo o que eu queria era o seu bem. Desde o momento que eu entrei naquele quarto e a vi tão frágil e abatida, tive vontade de abraçá-la e tirar toda a sua dor.
A dor estava expressa em seus olhos, era nítida. Não havia brilho em suas orbes azuladas, e eu gostaria muito de ver o verdadeiro brilho em seu olhar, gostaria também de ver ela sorrindo, a vontade de tentar fazê-la feliz crescia dentro de mim cada vez mais.
E eu estava decidido e disposto a trazer sua felicidade de volta...
— Acho que não. — Respondi inseguro, ela levantou a cabeça e me olhou assustada.
Eu sabia que ela tinha medo. Medo de morar com um estranho, medo do meu tom de voz, por ele ser quase idêntico ao do Edward. Medo de confiar em mim, ela não havia me falado essas coisas, mas eu sabia perfeitamente que ela tinha medo de mim, isso ela não era capaz de esconder.
Meus pais haviam deixado bem claro, eu tinha que assumir o meu suposto filho. Nunca gostei de mentir, mas foi preciso, contei à eles que havia engravidado uma garota de 18 anos. Agora eu teria que arcar com as consequências, segundo eles. Teria que assumir meu filho, trazer a garota para morar comigo e mantêr um relacionamento sério com ela.
Ganhei uma bela bronca no lugar do Edward, os piores sermões vieram do meu pai. Eles ainda me tratam como um adolescente, agora acham que sou irresponsável. Mas eu não sou um adolescente, muito menos irresponsável. Tenho 25 anos, um bom emprego como fotógrafo e sei que consigo assumir todas as responsabilidades que eu prometi a mim mesmo que cumpriria.
— Seus pais pensam que você me engravidou? — Perguntou me olhando com certa relutância, seu tom de voz ainda continuava baixo.
— Sim. — Respondi a olhando atentamente, ela balançou a cabeça incrédula. Estava se recusando a acreditar ou até mesmo a aceitar aquela situação. — Você mentiu por mim? Digo, escondeu a verdade para não me expôr como vítima de um estupro causado por seu irmão? — Se levantou me olhando ainda descrente.
— Carly disse que você não queria ser exposta. Você só contou à ela, certo? Não quis dar queixa à polícia, deveria mas não quis... Só fiquei sabendo porque sua amiga me contou, e eu tive que mentir para os meus pais, era necessário. Jamais contaria a verdade sem sua permissão, você gostaria que eles soubessem de toda a verdade? — Perguntei com calma.
— Não. — Negou rapidamente. — Eu tenho vergonha, nojo, raiva... — Sua voz falhou e vi seus olhos transbordando em lágrimas.
— Eu sinto muito... — Falei comovido, vê-la chorando chegava a sufocar o meu coração, doía em mim. Era algo inexplicável, como o Edward foi capaz de fazer mal a uma criatura como a Sam?
Uma garota linda, pura, tão adorável aos meus olhos. Eu não a conhecia direito, mas algo me dizia que ela tinha um grande coração, que ela era digna de receber todo o amor do mundo.
— Não sinta! — Se levantou limpando as lágrimas. — Não tenha pena de mim. — Me olhou firme e respirou fundo. — Já não tenho mais escolhas, certo? Então, eu irei morar com você, alimentar uma mentira fingindo ser sua namorada para seus pais não desconfiarem de nada e fazer o que for preciso para manter uma gestação saudável, apenas farei isso pelo meu bebê... — Disse determinada.
Ela havia aceitado, aquilo me pegou de surpresa. Pensei que ela fosse surtar, recusar e me mandar embora. Mas não, eu estava errado, e o fato dela ter aceitado fez com que eu recuperasse as gotas de esperança que eu havia perdido há poucos segundos atrás.
Eu teria mais chances de conquistá-la morando com ela, de conquistar sua confiança, conquistar sua amizade e quem sabe o seu coração?
E por Deus, o que eu estava querendo afinal? Conquistar o seu coração? Eu não tinha segundas intenções, longe disso. Mas conquistar seu coração se tornou o meu propósito a partir daquele dia.
Só então me dei conta que eu estava apaixonado por aquela garota de cabelos loiros e orbes azuladas. Eu não poderia negar, acho que me apaixonei desde o dia que eu a vi pela primeira vez, quando esbarrei nela fazendo com que ela derrubasse o celular, desde aquele dia antes de tudo isso acontecer eu não conseguia tirá-la da cabeça.
[...]
— Ela era extrovertida, cheia de vida e engraçada. Estava fazendo faculdade de Advocacia, sempre sonhou em se tornar uma boa advogada. Era o sonho dela, concluir a faculdade, mas ela decidiu trancar logo depois que aconteceu aquilo... A Sam estava trabalhando num restaurante, o que ela ganhava mal dava de custear a faculdade. Isso porque ela recebia por horas extras, somando com as gorjetas e o salário, mas ela se sentia péssima por não conseguir me ajudar com as despesas daqui. Mas eu nunca fiz questão de ter a ajuda dela, ganhei esse apartamento do meu pai e convidei ela para morar comigo, pois eu estava cansada de ver ela morando com a mãe dela, aquela mulher sempre foi uma péssima mãe, Freddie!
Carly contou. Estávamos na sala, eu havia pedido à ela para me contar um pouco sobre a vida da Sam, eu tinha a curiosidade e a necessidade de saber. Sam estava no quarto, possivelmente dormindo.
— A mãe dela não é uma boa mãe? — Indaguei, ainda tentando imaginar que espécie de mãe a Sam tinha, se era tão ruim assim.
— A mãe dela nunca parava em casa e nas raras vezes que ficava em casa, ela convidava homens para lhe fazer companhia. Sam era obrigada a ouvir tudo o que acontecia no quarto ao lado, a senhora Puckett nunca respeitou a filha. Sempre chegava embriagada, brigava com a Sam e... — Se calou de repente, parecendo ponderar se prosseguia ou não com aquela conversa.
— Se não quiser, não precisa me contar, Carly. — Falei a encarando, compreensivo. — Acho que já sei o bastante... — Falei com calma.
— Ela queria que a filha dormisse com aqueles homens. Isso tudo apenas para conseguir dinheiro, a Sam se trancava no quarto e nunca obedeceu as ordens da mãe. Pam pensava que a Sam era uma vadia, pensava que a filha era parecida com ela, mas a minha amiga sempre se prezou como pôde... Ela é uma garota boa, Freddie. Nunca se rebaixaria a fazer o que a mãe lhe ordenava, ela é especial, é única. Deve ser valorizada e amada, e só você pode fazê-la feliz, Freddie. — A morena disse emocionada, enquanto falava da amiga. — Não me decepcione, sei que pode conquistá-la — Sorriu para mim, limpando algumas lágrimas.
— Falando de mim? — Ouvimos a voz da Sam, meu coração disparou.
A loira parou ao lado da amiga, me olhou questionadora e depois olhou para a Carly.
— Eu só estava dizendo ao Freddie que você é minha única melhor amiga, que eu te amo muito e te considero como uma irmã... — A morena disse rapidamente, quase se atrapalhando com as palavras.
— Já estou de saída. — Me levantei do sofá, a Carly fez o mesmo. — Quando posso buscá-la? — Perguntei para a Sam que ainda continuava me encarando abismada.
— Sexta-feira. — Respondeu desviando o olhar, mordeu o lábio inferior parecendo nervosa e eu me despedi rapidamente antes de ir embora, ainda era Quarta-feira, mas eu já estava ansioso para que Sexta chegasse logo.
E eu farei tudo por vontade própria e não porque a Carly havia me pedido. Sempre fui paciente, irei esperar o seu coração se abrir para receber todo o amor que eu estou disposto a lhe dar. Enquanto ela estive morando comigo, ficará segura ao meu lado. Nunca deixerei o Edward fazer mal a ela novamente, e se ele tentar irá se arrepender, juro que ele vai se arrepender.
Sei que ele está torrando todo o dinheiro de sua gorda mesada em Manhattan,bmas logo voltará para pegar mais dinheiro com o nosso pai.
Vou fazer questão de desmascará-lo e de colocá-lo no seu devido lugar...
[...]
P.O.V Da Sam
Nunca sequer poderia imaginar que minha vida mudaria abruptamente. Este era mesmo o destino que Deus havia reservado para mim? Passar um por um grande sofrimento? Acabar com a minha antiga vida? Não que eu tivesse uma vida perfeita, eu realmente não tinha. Mas eu tinha sonhos, possuía planos e tudo foi por água abaixo. Eu deveria seguir em frente, mas e a força de vontade? Acabou escapando, me abandonando. E engravidar aos 18 anos nunca esteve em meus planos, seria algo que eu planejaria no futuro. Mas o que mais doía era carregar um fruto de um estupro.
Pensei muito em abortar quando soube que estava grávida, mas tirar a vida de um ser tão inocente seria crueldade, um grande pecado, algo imperdoável. Mas eu desistir, decidi levar minha gravidez a diante...
Mas o destino ama pregar peças, ser o grande responsável por reviravoltas. Consertar e contornar as próprias peripécias ou tragédias que ele mesmo cria. Senhor Destino, o que ainda está me reservando? Pensei nisso quando estava me lamentando, trancada no meu quarto justamente quando o Freddie veio me visitar pela primeira vez.
Aquilo era uma brincadeira de mau gosto? Por quê justamente o irmão gêmeo do homem que me violentou tinha que aparecer na minha vida? Ainda mais com propostas decentes, algo que não me convenceu nem um pouco sobre sua suposta bondade. Aquilo só podia ser brincadeira do destino...
Que homem assumiria responsabilidades que não eram suas? Que homem estaria disposto a assumir e amar um filho que não era seu? Que homem pediria uma mulher que não ama em casamento e prometeria fazê-la feliz? Que tipo de homem era Freddie Benson? Ele só poderia ser um sonho, uma ilusão ou um belo cretino mentiroso com segundas intenções.
Para mim, bastou apenas ouvir sua voz para eu sentir medo. Nunca fui o tipo de garota medrosa, mas eu senti medo pensando que ele era aquele homem nojento que havia me violentado, e saber que ambos tinham a mesma aparência fazia com que eu tivesse um certo tipo de repulsa. Mas o tal de Edward usava uma máscara no dia do ocorrido, mas agora sei como é o seu rosto.
Segundo Carly, eles são gêmeos idênticos. E olhar para o rosto do Freddie é difícil para mim, ouvir sua voz é ainda mais complicado. Pois eu tive pesadelos com a voz do Edward sussurrando coisas sujas em meu ouvido, repetindo as mesmas palavras que ele usou enquanto me violentava.
E agora terei que morar com Freddie, mas eu tenho receio. E se ele não for quem diz ser? Se tudo não passar de mentiras? E se ele for como o irmão? Mas apesar de todas minhas incertezas e inseguranças, irei morar com ele, mesmo não sabendo se posso realmente confiar nele.
[...]
P.O.V Geral
Uma jovem loira muito bonita havia acabado de chegar ao seu destino, na bela e badalada Manhattan. Havia acabado de desenbarcar, mesmo cansada estava feliz em ter chegado naquele lugar. Saiu do aeroporto, pegou um táxi e decidiu se hospedar num hotel.
Ao chegar num dos melhores hotéis de Manhattan, acabou se esbarrando com um rapaz. Suas malas foram ao chão, o rapaz moreno se prontificou em ajudar a loira.
— Desculpe. — Ele lhe entregou as duas grandes malas cor de rosa.
— Sem problemas... — A moça sorriu tímida, após pegar as malas.
Seus olhares se encontraram, o azul mergulhou no castanho e o castanho mergulhou na imensidão azul. Ambos sorriram, mas e a jovem loira sentiu suas bochechas esquentarem.
O rapaz de cabelos pretos e olhos castanhos fitou a moça loira por alguns segundos e sorriu ao admirar a beleza da jovem.
— Prazer, sou Edward Benson. — Se apresentou lhe estendendo a mão para cumprimentá-la.
— Melanie Puckett... — Deixou uma das malas no chão e o cumprimentou.
Ele beijou a mão dela, a moça sorriu para o jovem com pinta de galã.
Naquela mesma tarde eles sairam juntos, fizeram um pequeno tour por Manhattan e encerraram o dia no quarto aonde ele estava hospedado, na cama e fazendo sexo como se a vida de ambos dependesse daquilo.
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