Nos Dê Uma Chance - Concluída
11 Cada vez mais próximos...
Notas iniciais
P.O.V Da Sam
Quando finalmente despertei abrindo os olhos lentamente, logo pude constatar, ainda atordoada, que meu corpo estava preso por um abraço frouxo. Braços levemente musculosos ao meu redor, se eu me virasse daria de cara com o Benson, a sensação de tê-lo dormindo ao meu lado, meu corpo aconchegado ao dele, estava me deixando... Desconfortável.
E com cuidado, saí de seus braços, rolando para perto da beira da cama. Meu roupão ainda continuava firme em meu corpo,.ainda bem que amarrei fazendo um laço bem apertado e se eu tivesse apenas de toalha e não com um roupão? Seria ainda mais constrangedor, provavelmente acordaria despida por baixo do edredom, a toalha não ficaria intacta, uma hora iria sair do meu corpo, e eu morreria de vergonha.
Me levantei com preguiça, sem tirar os olhos do homem adormecido na minha cama, com o corpo descoberto e os cabelos desalinhados. E segui para o banheiro, com a maior vontade de fazer xixi, minhas idas ao banheiro só aumentavam junto com enjoos frequentes, já que a maldita vontade de fazer xixi estava me atormentando a cada 30 minutos, culpa da gravidez, segundo a obstetra.
Encontrei o celular do Freddie no banheiro, largado no chão. O ajuntei e o levei para o quarto, colocando-o em cima da cama, ao lado do dono. Voltei para o banheiro levando uma muda de roupa, fiz minha higiene matinal, me troquei ali mesmo enquanto o dorminhoco ainda ocupava a minha cama.
Decidi deixá-lo ali, em seu sono profundo. E fui para a cozinha, coloquei meus fones e meu celular no bolso, enquanto me preparava para começar a fazer o café da manhã. Me permiti relaxar ouvindo a minha playlist, curtindo minhas músicas preferidas da banda Coldplay, minha banda favorita, enquanto quebrava os ovos para uns dois omeletes com pedacinhos de bacon.
Estava virando meu omelete distraída enquanto cantava baixinho o refrão de A Sky Full Of Stars, o café já estava pronto ,mas eu havia sido proibida de ingerir cafeína, mas não estava nem um pouco disposta a abrir mão do meu precioso café forte e meio amargo.
Tomei meia xícara enquanto preparava o resto da refeição matinal, sendo teimosa obviamente, se Freddie me visse ingerindo café iria surtar e arrancar a xícara das minhas mãos.
Terminei de preparar os meus dois omeletes. E arrumei a mesa, colocando a jarra de vitamina de banana, frutas, mingau de aveia, torradas, geléia e cereais...
Lavei a xícara e a guardei, líquidando qualquer vestígio que denunciasse que eu havia tomado café, assim o Benson sequer desconfiaria.
Eu deveria manter uma alimentação saudável, ingerir frutas ricas em vitamina e tomar bastante suco natural e água,.mas tomar mingau de aveia estava sendo uma tortura, aquilo jamais substituíria o meu amado cafezinho.
[...]
— Céus! Estou atrasado, preciso ir trabalhar. Tenho uma campanha para fotografar, dois ensaios e um Book. — O Freddie tagarelava tomando café apressado, acabou queimando a boca. — Eu não queria te deixar sozinha o dia e a tarde inteira, mas... — Se levantou, preparando-se para ir embora.
— Não se preocupe, ficarei bem. — Garanti.
— Me ligue se precisar... Tchau. — Acenou antes de sair correndo da cozinha.
Voltei a ouvir minha playlist, tratando de organizar a cozinha, limpando e deixando tudo arrumadinho.
As horas foram passando com certa lentidão, e durante o almoço eu me senti muito sozinha, sem a companhia da minha melhor amiga. Fazia dias que eu não a via, apenas ouvia sua voz por telefone, e eu já estava com saudades de morar com ela, do nosso cantinho...
E sinceramente, eu não estava com a menor vontade de destrancar minha faculdade e retornar as aulas como se nada houvesse acontecido... Meus colegas iriam reparar, me indagar e ficar fazendo comentários sobre a minha gravidez. Isto, eu não iria suportar, mal estou sabendo lidar com a minha atual situação.
Grávida aos dezoito anos, morando com o irmão gêmeo do infeliz que me violentou e acabou me engravidando, tendo que alimentar uma mentira. Tudo para os pais do Benson não ficarem sabendo da verdade, afinal, fui apresentada à eles com a namorada grávida do Freddie...
Mas o que o tio do meu bebê sente por mim é pena, só está me dando apoio e me ajudando porque ficou com dó de mim. E mesmo não gostando, eu não posso simplesmente sumir do mundo, ou exigir que ele pare de ficar penalizado. Mas já que insiste em querer assumir o sobrinho, eu não posso e nem devo negar isso à ele...
E Carly afirma que estou precisando de acompanhamento psicológico. Mas estou bem, não preciso disso, é bobagem. Nada pode me ajudar ou amenizar a terrível experiência que eu sofri, toda a humilhação e o abuso que eu passei nas mãos daquele crápula.
Um trauma pode ser superado? Descartei essa possibilidade, o que me resta é tentar seguir em frente, ter o meu bebê, voltar para a faculdade, concluir minha carreira acadêmica, algo que vai demorar. Mas cursar advocacia foi o que eu sempre quis, mas por quê agora acho que não tenho vocação para me tornar uma boa advogada, algum dia?
Incertezas e mais incertezas. Já não sei mais o que quero fazer da vida, não sei nem ao mesmo se vou seguir em frente, se algum dia vou ser uma mulher forte o suficiente para qualquer coisa, que vai lutar por seus objetivos, que não vai deixar esse maldito trauma me atrapalhar... A autopiedade está me dominando e eu tenho que me reerguer, tenho que lutar, se realmente vou me dedicar ao papel de ser mãe...
Mãe de um filho que não foi feito com amor, sequer foi planejado. Deus, como vou lidar a vida inteira com isto? Eu quero essa criança? Não. Não tenho certeza ,mas eu posso entregar essa criança ao Freddie assim que nascer, já que ele quer tanto ser pai dessa criança, eu posso dá-la para ele, certo?
Não vai me fazer falta, só irá me atrapalhar... Céus! O que eu estou pensando? Não! Não posso, o ser que estou carregando no meu ventre também é um pedacinho de mim, também vai ter meu sangue correndo em suas veias, herdar meus genes, eu não posso simplesmente abandoná-lo...
[...]
5 dias depois...
P.O.V Do Freddie
2 meses. Exatamente 2 meses de gestação, estou marcando no calendário, tudo direitinho, cada semana lunar. E eu vou acompanhá-la mais uma vez, já que a Carly não vai poder acompanhá-la nessa consulta. Sam está nervosa, e eu feliz porque sempre estarei ao lado dela, acompanhando cada passo e cada estágio de sua gestação.
— Você não precisa ir, eu vou sozinha...
— É claro que vou. Quero acompanhá-la em todas as consultas, afinal, eu sou o pai, certo? — Me levantei do sofá decidido.
— Que seja... — Revirou os olhos um pouco contrariada, ajeitando a bolsa no ombro direito.
Sam estava simplesmente linda usando vestido azul celeste e sapatilhas pretas, seus cabelos ondulados estavam presos numa trança lateral.
Durante a consulta, a Sam ficou ainda mais tensa comigo ali presente. E eu tive que sair para deixá-la confortável, já que ela passaria por alguns exames mais "específicos", digamos assim.
— Vamos embora! Me tira logo daqui, eu não quero nunca mais passar por aquele interrogatório novamente! — Brandou praticamente me arrastando corredor afora, e ela só me soltou quando chegamos ao meu carro.
— O que aconteceu? — Perguntei preocupado.
— Eu não quero falar sobre isso, ok? Só o que precisa saber é que está tudo bem com o embrião, pode ficar tranquilo! — Respondeu com certa ríspidez.
Horas depois...
Nós estávamos na sala, assistindo um filme que Sam queria tanto assistir. E eu estava prestando atenção somente na garota loira ao meu lado, toda relaxada e confortável naquele pijama roxo com estampas de estrelas. Simplesmente não conseguia tirar os olhos dela, ficar admirando-a estava virando meu vício.
Seu jeitinho de abraçar a almofada e mastigar a pipoca, a mania de morder o catinho interno da bochecha e o lábio inferior quando está nervosa ou ansiosa. Seus olhos azuis vidrados na TV, o simples balançar de pernas, seus sorrisos involuntários, cada gesto dela...
Quando nossos dedos se tocaram no momento em que fui pegar meu último punhado de pipoca, ela estremeceu e eu senti algo inexplicável...
— Acabou... — Lamentou e finalmente olhei para a TV, o filme já havia terminado e eu nem havia percebido. — Boa noite. — Se levantou calçando as pantufas, deixando a vasilha vazia em cima da mesinha de centro.
— Já vai dormir? — Olhei para ela que não aparentava estar nem um pouco sonolenta.
— Estou sem sono. Passei a tarde inteira dormindo, só vou ficar no quarto, apenas isso... — Se apressou a responder.
— Eu só quero conversar com você... Poderíamos nos conhecer melhor, se você quiser. Sente-se, será que podemos conversar um pouco? — Sugeri.
— Pode ser... — Concordou voltando a sentar ao meu lado. — O que você quer saber sobre mim? — Perguntou sem me olhar diretamente nos olhos.
— Qual é a sua cor favorita?
Ela deu uma risadinha antes de responder, eu apenas continuei aguardando sua resposta, curioso.
— Marrom. — Olhou para as pantufas. — E a sua? — Ergueu o olhar passando a mão na franja.
— Azul. — Respondi sem pensar duas vezes.
"Azul como a cor dos seus olhos, me segurei para não dizer."
— Cães ou gatos?
— Cães. Eu sempre quis ter um cachorro, mas a minha mãe nunca permitiu. E você? — Me olhou curiosa.
— Sou alérgico à gatos. — Falei. — Sua banda favorita?
— Coldplay e a sua? — Seus olhos focaram nos meus por míseros segundos.
— Também. — Sorri para ela.
— Sério? — Abriu um pequeno sorriso e eu assenti. — E qual é sua música favorita?
— Hum... The Scientist. — Respondi.
— A minha também... — Sorriu. — Faz coleção de alguma coisa? — Voltou a me olhar curiosa.
— Sim, eu coleciono carrinhos. Aqueles em miniaturas, sabe? — Ela assentiu.
— Legal. Bem, eu coleciono... Ah, eu não quero falar. — Soltou uma risadinha. — Um dia eu te mostro, talvez... — Desviou o olhar.
— Okay. Gosta de ler? — Me aproximei afastando uma mecha que estava caída por seu rosto.
— Não muito... — Se afastou apertando uma almofada contra o peito, e continuamos com o nosso joguinho de perguntas.
1 horas depois...
E Sam acabou adormecendo com a cabeça apoiada sobre meu ombro esquerdo. Peguei o controle que estava em suas mãos e desliguei a TV. Me levantei com cautela e fui acender a luz do quarto dela e deixar a porta aberta, retornei para a sala e com cuidado a peguei no colo.
Rumei para o seu quarto carregando-a, assim que adentrei aquele cômodo, a coloquei na cama com cuidado para não acordá-la. Acomodei sua cabeça em cima do travesseiro e a cobri com seu edredom...
— Tenha bons sonhos, princesa. — Beijei sua testa com carinho.
E encarando aquele rosto angelical adormecido, prometi...
"Jamais desistirei dela, que ela e o bebê sempre serão minhas prioridades e que eu irei fazer de tudo para vê-la sorrindo, feliz ao meu lado."
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